sexta-feira, 20 de outubro de 2017

C O L O S S E N S E S

E P Í S T O L A   A O S  C O L O S S E N S E S


Autor: O apóstolo Paulo foi o autor principal do livro de Colossenses (Colossenses 1:13). Timóteo também recebe algum crédito (Colossenses 1:1).  Colossenses  é o nome pelo qual é conhecida a epístola que o apóstolo Paulo redigiu aos cristãos da Igreja situada em Colossos, uma cidade da Ásia Menor, aproximadamente no ano 60 da era comum, durante a sua prisão em Roma. Também alguns estudiosos datam sua escrita entre 58-62 Dc.

Motivo da escrita: O apóstolo Paulo escreveu aos colossenses depois que foi informado sobre a situação espiritual daquela Igreja através de Epafras, um colossense fundador e dirigente desta igreja, numa época em que outros mestres tentavam combinar elementos do paganismo e da filosofia secular com as doutrinas cristãs, induzindo a um relativismo religioso. Embora nunca tenha passado por Colossos, Paulo esteve em Laodiceia, em sua terceira viagem missionária (ver: Atos).

Propósito: O livro de Colossenses é um mini-curso de ética, abordando todas as áreas da vida cristã. Paulo progride da vida individual ao lar e família, do trabalho à forma na qual devemos tratar os outros. O tema deste livro é a suficiência de nosso Senhor, Jesus Cristo, em satisfazer nossas necessidades em todas as áreas.

Conteúdo: O conteúdo desta epístola aborda a supremacia e a plena suficiência de Cristo. Alguns dos assuntos de maior relevância tratados na carta seriam:
1. A pessoa e obra de Cristo (Colossenses 1:15-23);
2. Advertências acerca das heresias e falsas doutrinas (Colossenses 2:8-23);
3. E a união do cristão com Cristo (Colossenses 3:1-4).

Versículos-chave:
·        Colossenses 1:15-16: "Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele."


·        Colossenses 2:8: "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo."


·        Colossenses 3:12-13: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós."


·        Colossenses 4:5-6: "Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um."

Resumo: Colossenses foi escrito expressamente para derrotar a heresia que tinha surgido em Colossos e que tinha ameaçado a existência da igreja. Enquanto não sabemos o que foi dito a Paulo, esta carta é a sua resposta.

Podemos supor, com base na resposta de Paulo, que ele estava lidando com uma visão defeituosa de Cristo (Sua humanidade real e verdadeira e a falta de aceitação da Sua plena divindade). Paulo parece também disputar a ênfase "judaica" na circuncisão e tradições (Colossenses 2:8-11, 3:11). A heresia em questão aparenta ser proveniente do gnosticismo-judaico ou de uma mistura entre o ascetismo judaico e a filosofia grega (estoica?). Ele faz um trabalho notável em nos apontar para a suficiência de Cristo.

O livro de Colossenses contém instruções doutrinárias sobre a divindade de Cristo e falsas filosofias (1:15-2:23), bem como exortações práticas em relação à conduta cristã, incluindo as amizades e o falar (3:1-4:18).

Conexões: Como com todas as igrejas primitivas, a questão do legalismo judaico em Colossos era de grande preocupação para Paulo. Tão radical era o conceito da salvação pela graça independentemente das obras, que os submergidos na lei do Antigo Testamento achavam esse conceito muito difícil de entender. Consequentemente, houve um movimento contínuo entre os legalistas a fim de adicionar certas exigências da lei para essa nova fé. Primeiramente entre eles estava o requisito da circuncisão, o qual ainda era praticado entre alguns dos judeus convertidos. Paulo rebateu esse erro em Colossenses 2:11-15, onde declarou que a circuncisão da carne já não era necessária porque Cristo tinha vindo. A sua era uma circuncisão do coração, não da carne, tornando os ritos cerimoniais da lei do Antigo Testamento não mais necessários (Deuteronômio 10:16, 30:6, Jeremias 4:4, 9:26, Atos 7:51 e Romanos 2:29).

Aplicação Prática: Embora Paulo se dirija a muitas áreas, a maior lição para nós hoje é a suficiência total e completa de Cristo em nossas vidas, tanto para nossa salvação como para nossa santificação. Devemos conhecer e entender o Evangelho de modo que não seremos distraídos por formas sutis de legalismo e heresia. Devemos estar atentos a qualquer desvio que diminua a centralidade de Cristo como Senhor e Salvador. Qualquer "religião" que tenta igualar-se com a verdade usando livros que afirmam possuir a mesma autoridade que a Bíblia, ou que combina o esforço humano com a realização divina da salvação, deve ser evitada. Outras religiões não podem ser combinadas ou adicionadas ao Cristianismo. Cristo nos dá padrões absolutos de conduta moral. O Cristianismo é uma família, um modo de vida e um relacionamento -- não uma religião. Boas ações, ocultismo, astrologia e horóscopos não nos mostram os caminhos de Deus. Somente Cristo mostra. Sua vontade é revelada em Sua Palavra, sua carta de amor a nós; devemos chegar a conhecê-la!




L I V R O   D E    C O L O S S E N S E S

·        Colossenses 1:1-12
Toda a Sabedoria e Entendimento
É bem provável que Paulo não conheça estes santos pessoalmente (1:4,7-9; 2:1). Escrevendo como apóstolo escolhido por Deus, ele os desafia a ficarem fortes contra falsos ensinamentos (2:1-4,8,16-19, etc.). A carta aos colossenses declara claramente que Cristo é Criador (1:16), Cabeça (1:18; 2:10), e Salvador (1:20-23), e que qualquer outra doutrina não é nada mais do que "filosofia e vãs sutilezas" de homens (2:8).
A esperança pela palavra (1:1-8). Paulo escreve a esses santos intimamente, como a família. Ele é o irmão deles, entregando esta mensagem importante na graça e paz de Deus, o Pai deles (1:1-2).
Paulo e outros irmãos têm orado pelos colossenses desde o momento que ouviram da conversão deles (1:3-4). Paulo disse que a sua fé e amor são "por causa da esperança... preservada nos céus" (1:5). O evangelho ensina sobre a esperança celestial, e a resposta natural é fé e amor (Romanos 10:17; Gálatas 5:6; 1 João 4:9-11).
Quando Epafras ensinou o evangelho em Colossos, esses irmãos ouviram e entenderam a graça de Deus (1:6-8). A graça de Deus não é alguma misteriosa bênção reservada para poucas pessoas escolhidas, mas é revelada no evangelho para todos que ouvem e obedecem (veja Atos 20:32; Romanos 1:16-17; Tito 2:11-14). A graça de Deus já estava produzindo fruto entre os colossenses, bem como vinha fazendo no mundo inteiro (1:6).
Oração pela sabedoria (1:9-12). Embora que esses irmãos estivessem produzindo fruto, Paulo sabia que corriam risco de serem induzidos abandonar a verdade (veja 2:8). Como santos de Deus, esses precisavam não somente receber o evangelho em verdade, mas também devem ficar firmes na verdade de Cristo, não se desviando (veja 2:6-7; Efésios 4:11-16; Gálatas 1:6-9; Judas 3). Paulo respondeu à necessidade deles com oração:
que transbordem de conhecimento da vontade de Deus (1:9). A vontade de Deus foi livremente revelada no evangelho (veja 1 Coríntios 2:6-13; Efésios 3:3-5). É o dever do cristão conhecer e viver de acordo com essa vontade (veja 1 Pedro 3:15). Paulo orou que esses recebessem "pleno conhecimento", edificando sobre o que já foi ensinado "em toda a sabedoria e entendimento espiritual". O evangelho não é uma revelação da sabedoria humana, mas a revelação da mente espiritual de Deus (veja 1 Coríntios 1:18-20; 2:1-13). Portanto, Paulo não ora por seu entendimento intelectual do evangelho, mas por um entendimento espiritual mais profundo a fim de viverem de modo digno do Senhor (1:10). Diferente da pessoa que tem apenas um entendimento intelectual do evangelho, aquela que o entende espiritualmente terá uma vida transformada. Não é aquele que apenas conhece o evangelho, mas a pessoa que o pratica que crescerá em discernimento espiritual para agradar ao Senhor (veja Efésios 5:10,17; Filipenses 1:9-10; Hebreus 5:13-14). O discernimento espiritual produzirá um povo que conhece o Senhor, produz o fruto de boas obras (veja Efésios 2:10), é fortalecido pelo poder dele, e que lhe agradece pela herança celestial.

·        Colossenses 1:13-29
Em Cristo, Toda a Plenitude
Tendo orado que os santos de Colossos crescessem em toda sabedoria e em pleno conhecimento (1:9-12), Paulo cumpre sua parte, os ensinando da plenitude de Cristo.
Plenitude no trabalho (1:13-14). É somente pelo trabalho de Cristo que Deus nos liberta do reino de Satanás. Quem estiver em Cristo já mudou de cidadania e não serve mais "o império das trevas", antes serve no "reino do Filho" (1:13; Efésios 2:19; Filipenses 3:20). Cristo nos faz cidadãos deste reino quando pela obediência dele recebemos a remissão dos pecados (1:14; Atos 2:37-38; Efésios 1:3-7). Portanto, qualquer que recebe remissão dos pecados, já faz parte do reino de Cristo, e não espera um futuro reino milenar.
Plenitude do estado (1:15-23):
Em relação a Deus (1:15): Cristo é "a imagem do Deus invisível". Olhando para Cristo, podemos ver Deus em forma humana (veja João 14:8-9; Filipenses 2:5-8). O escritor de Hebreus descreveu Cristo como "o resplendor da glória e a expressão exata" do ser de Deus (Hebreus 1:3). De Cristo, João contou: "o Verbo era Deus" e "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:1, 14). E em Cristo "habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9). Cristo é plenamente Divino. Cristo é Deus.
Em relação à criação (1:15-17): Sendo Deus, Cristo é também Criador. Ele não é criatura, mas sempre existia desde o princípio (veja João 1:1). Ele é chamado "primogênito" porque "nele foram criadas todas as coisas" (1:16). O ponto é que Cristo é superior a qualquer criatura, seja homem, animal, ou ser celeste. Cristo é o porque da criação – "Tudo foi feito por meio dele e para ele" (1:16). Sem Cristo, nada poderia subsistir (1:17; Hebreus 1:3).
Em relação à igreja (1:18-23): Na sua morte e ressurreição, Cristo recebeu de Deus Pai toda a autoridade para ser "a cabeça" da igreja (1:18; veja Mateus 28:18; Hebreus 5:7-9). Pelo seu sacrifício, ele trouxe paz e reconciliação para toda a criação (1:19-20). Esta paz e reconciliação estendem para todos que eram inimigos "pelas...obras malignas," mas que agora permanecem na fé do evangelho "que foi pregado a toda criatura debaixo do céu" (1:21-23). Se reconhecermos Cristo como a única cabeça da igreja, deixaremos somente ele nos guiar pela sua palavra, o evangelho. Porém, aqueles que não permanecem no evangelho, não serão achados "santos, inculpáveis e irrepreensíveis" (1:22; 2 João 9).
Plenitude na eficácia (1:24-29). A mensagem do evangelho, pela qual Paulo sofria com alegria, era "para dar pleno cumprimento à palavra de Deus" (1:24-25). O evangelho revela a resposta de Deus que foi ainda oculta nas revelações às gerações passadas. Esta resposta é "Cristo em vós, a esperança da glória" (1:26-27). O evangelho de Cristo adverte e ensina todo homem, a fim de apresentar "todo homem perfeito em Cristo" (1:28). Cristo, pelo seu sacrifício e seu evangelho, é o único que tem o poder de glorificar, aperfeiçoar, e salvar todo homem. Devemos a ele nossa lealdade.

·        Colossenses 2:1-19
Em Cristo, Todos os Tesouros
Tesouros de conhecimento (2:1-7). Paulo falou do seu trabalho como uma “grande luta” (2:1; veja 1:24-29; Efésios 6:10-12; Judas 3) com vários fins:
“para que tenham toda a riqueza” (2:2-3): Paulo lutava para o “conforto” dos irmãos e para seu vínculo “juntamente em amor” (2:2). Muitos pregam que conforto vem pela cura e pelo dinheiro e que a união vem quando esquecemos da doutrina. Porém, o conforto e a união que Paulo pregava vieram pela “riqueza da forte convicção do entendimento”. Devemos ser “ricos” no conhecimento de Cristo, porque somente nele há tesouros verdadeiros (2:3). Pela palavra dele achamos verdadeiro conforto e união (veja João 15:10-11; 17:17-21). Se esquecermos da sua doutrina para ter “união”, teremos apenas união em “obras más” (2 João 8-11).
“para que ninguém vos engane” (2:4-7): Sem a palavra de Cristo, seria fácil ser enganado pelas filosofias e doutrinas de homens (2:4). Paulo ensinou a verdade do evangelho entre os Colossenses, e assim teve certeza da sua “boa ordem” e da sua “firmeza da fé” em Cristo (2:5). Paulo os lembrava da necessidade de continuar andando em Cristo (2:6-7). É Cristo que recebemos ao obedecermos ao evangelho. Se somos “radicados e edificados e confirmados” na igreja, no pastor, ou numa doutrina que ensina coisas que Cristo não ensinou, não temos recebido Cristo.
Tesouros de perfeição (2:8-15). Por causa do grande perigo de engano nas coisas pertencentes a Deus, Paulo mostra que há perfeição somente por Cristo (2:8):
Cristo é perfeitamente Deus (2:8-9): Enquanto homens enganam com as “filosofias e vãs sutilezas” das suas tradições, Cristo ensina a verdade de Deus, sendo ele mesmo “toda a plenitude da divindade” (2:9).

“nele estais aperfeiçoados” (2:10-15): Deus fez Cristo o cabeça sobre toda autoridade (2:10; veja Mateus 28:18). Qualquer autoridade que um homem pode ter, Cristo tem mais. Por isso, somos aperfeiçoados somente por ele e pela sua palavra (veja Efésios 4:11-15). Para ser aperfeiçoado, é preciso ter a circuncisão espiritual de Cristo, e não aquela feita por mãos humanas (2:11). Isto acontece quando somos “sepultados...no batismo”. Assim Cristo “ressuscita”, “dá vida”, e “perdoa” (2:12-13). Para perdoar, Cristo removeu por completo “o escrito de dívida...encravando-o na cruz” (2:14). Este escrito é uma referência à Lei de Moisés, que condenava pecado, mas não oferecia salvação (veja Hebreus 7:11-19). Somente Cristo triunfou na cruz e oferece salvação (2:15; veja Hebreus 5:7-9).
Aplicação (2:16-19). Sendo que a perfeição é só em Cristo, ela não vem pela Lei de Moisés (2:16-17), falsa humildade, adoração de anjos, ou por visões (2:18). De fato, qualquer pessoa que não segue somente o que Cristo ensina nunca terá “o crescimento que procede de Deus” (2:19).

·        Colossenses 2:20 - 3:11
Buscai as Coisas Lá do Alto
Na luta contra o pecado a perfeição vem somente por Cristo (veja 2:1-19). Muitos, porém, insatisfeitos com a simplicidade disso, criam rígidos regulamentos físicos para "governar os fiéis" e os mantém "longe do pecado". Os fariseus fizeram isto e Jesus os reprovou (veja Mateus 15:1-9). Hoje alguns continuam seguindo suas próprias regras físicas como se fossem um meio de purificar a alma. Mas Paulo mostra aos Colossenses que a purificação só vem quando morremos com Cristo para uma nova vida espiritual.
Morremos com Cristo (2:20-23). No batismo somos "sepultados" com Cristo (veja 2:12; Romanos 6:1-4), morrendo para o pecado e "para os rudimentos do mundo" (2:20). Estes "rudimentos do mundo" incluem: 1. a lei de Moisés, com todas as suas sombras "das coisas que haviam de vir" (veja 2:13-17); 2. as coisas baseadas na "mente carnal", como "culto dos anjos" e "visões", as quais não retêm a autoridade de Cristo (veja 2:18-19); e 3. ordenanças "segundo os preceitos e doutrinas dos homens" (2:20-22).
Deus nos revelou "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" para nos livrar "da corrupção das paixões que há no mundo" (2 Pedro 1:3-4). Qualquer outra coisa – regras humanas sobre alimentos, cortes de cabelo, proibições contra TV, etc. – podem ter "aparência de sabedoria", mas "não têm valor algum contra a sensualidade" (2:23). Afinal, se um homem não morre com Cristo, ele não vai deixar de pecar nas coisas sensuais só porque não assiste a televisão.
Ressuscitamos com Cristo (3:1-4). No batismo, somos "ressuscitados" com Cristo "mediante a fé no poder de Deus" e recebemos "novidade de vida" (veja 2:12; Romanos 6:1-5). Sendo que Cristo vive "assentado à direita de Deus", nós devemos buscar "as coisas lá do alto" e pensar "nas coisas lá do alto" (3:1-2). Devemos fazer nossas vidas em Cristo, não em ordenanças (3:3-4). Quando aprendemos a amar Cristo e viver para ele, então guardaremos os mandamentos dele sem regras de homens para nos "manter fiel" (veja João 14:15, 21). Quando somos fiéis a Cristo e não a regras, seremos "manifestados com ele, em glória" (3:4).
A nova vida (3:5-11). A nova vida vem pela mudança de natureza e não pela mudança de algumas regras externas. "A natureza terrena" com todas as coisas pertencentes a ela tem que morrer (3:5). Isto acontece quando obedecemos a Cristo em amor, sabendo que "a ira de Deus [vem] sobre os filhos da desobediência" (3:6). Quando amamos a Deus, não queremos decepcioná-lo. Assim, deixamos de fazer as coisas erradas que fazíamos antes na velha vida de pecado (3:5-9), e aprendemos a nos revestir "do novo homem" (3:9-10). A vida deste novo homem é uma vida espiritual, refletindo o amor e a santidade do seu Criador (3:10; veja 1:16).

·        Colossenses 3:12 - 4:1
Fazei-o em Nome do Senhor Jesus
A nova vida em Cristo não é feita somente pelo despojo de algumas coisas erradas. Muitas pessoas até poderiam parar de beber, fumar, roubar, adulterar ou cometer outros pecados, mas isto, em si, não as tornaria cristãs. Mesmo se deixassem de fazer qualquer pecado desde agora até as suas mortes, mas não se revestissem "do novo homem" segundo a imagem de Cristo (veja Colossenses 3:10), elas não alcançariam a salvação! O que importa não é a quantidade de coisas erradas deixadas para trás, e sim a obediência ao Senhor.
"Revesti-vos...como eleitos de Deus" (3:12-17). Paulo fala da nova vida em Cristo como um "revestimento". Assim como uma mudança de roupa seria óbvia no corpo, a vida cristã deve se tornar aparente no comportamento. Diferente de roupa, que só cobre o corpo por fora, o revestimento em Cristo é feito de ações (veja Apocalipse 19:7-8) que são o resultado de mudanças internas.
A natureza do cristão imita a natureza de Cristo (3:12-14; veja Romanos 8:29; 2 Pedro 1:3-4). O cristão não aproveita ou usurpa outros, mas age de acordo com "a paz de Cristo" (3:15; veja 1 Coríntios 6:1-11). "A paz de Cristo" é o que nos dá acesso ao Pai juntos num só corpo (veja Efésios 2:13-18). Quem age de acordo com esta paz ensina a verdade de Deus, a qual promove união verdadeira (veja João 17:17-21).
"A palavra de Cristo" habita "ricamente" no cristão (3:16). A reação natural desta convivência é que o cristão "instrui" e "aconselha" de acordo com a sabedoria verdadeira (veja Tiago 3:17), e que ele louva a Deus, dando ações de graças.
O cristão faz tudo "em nome do Senhor Jesus" (3:17). Isto não quer dizer que ele fala sempre "em nome de Jesus" antes de fazer algo, mas que ele tem a cautela de viver sempre de acordo com a vontade do Senhor. Devemos pensar muito bem antes de fazer qualquer coisa que não podemos afirmar ser a vontade de Cristo. Isto se aplica a adoração ou em qualquer outro aspecto da vida. O cristão se reveste da vontade de Cristo, e não da sua própria vontade ou da dos homens!
Aplicações individuais (3:18 - 4:1). A vida cristã também imita o serviço do nosso Senhor, que procurou servir ao invés de ser servido (veja Mateus 20:26-28). Paulo destaca este serviço nos vários papéis da vida. No lar, a mulher cristã serve ao marido pela submissão, e o marido cristão serve a mulher com amor (3:18-19; veja Efésios 5:22-31). Os filhos servem aos pais pela obediência, e os pais servem aos filhos pela maneira de criá-los (3:20-21; veja Efésios 1-4). No emprego, o trabalhador cristão serve ao chefe com trabalho honesto e bem feito, mesmo quando o chefe não está olhando (3:22-25). O chefe cristão também serve ao trabalhador, pagando um salário justo e exigindo alvos atingíveis (4:1).

·        Colossenses 4:2-18
"A Graça Seja Convosco"
Exortação à oração (4:2-6). Paulo começou a carta falando das suas orações constantes pelos irmãos de Colossos (veja Colossenses 1:3, 9), e a terminou exortando a eles que continuassem também em oração, "vigiando com ações de graças" (4:2).
Paulo mesmo precisava das orações dos irmãos Colossenses: ele estava na prisão por causa da pregação de Jesus (4:3). Porém, ao invés de pedir orações a favor das suas algemas, Paulo pensava numa coisa mais urgente – a pregação da palavra de Cristo (4:3-4)! Paulo se preocupava com a vontade de Deus antes de sua própria vontade. Como Paulo, devemos orar que Deus nos dê oportunidade e coragem para cumprirmos a vontade dele!
Enquanto os Colossenses oravam pelo sucesso de Paulo no evangelho, estes também precisavam "pregar" pelo seu comportamento e por suas palavras, aproveitando oportunidades de "responder a cada um" (4:5-6; veja 1 Pedro 3:15). É necessário que a vida do cristão e as palavras dele sejam de acordo com a verdade. Isto exige dele muita oração e estudo cuidadoso da palavra de Deus.
Notícias de Paulo (4:7-9). Desejando aliviar os corações preocupados dos Colossenses, Paulo enviou Tíquico e Onésimo com "o expresso propósito" de falar da situação dele e dos outros presos conhecidos por eles. Paulo podia ter segurado estes dois "irmãos amados" para servirem a ele mesmo na prisão (veja Filemom 13). Porém, ele se preocupou mais com os Colossenses do que consigo mesmo, e assim enviou os dois para servirem a eles.
Saudações pessoais (4:10-18): A família de Deus é caracterizada por seu amor (veja João 13:35), e todos os irmãos que estavam com Paulo enviaram seu amor na forma de saudações individuais (4:10-14). A saudação de Epafras devia ter sido particularmente tenra para eles ouvirem, sendo que ele era mesmo um membro da igreja em Colossos, e que ele tinha ensinado a eles muito no evangelho (veja 1:7). Paulo relatou o cuidado especial que Epafras teve para com os irmãos, e como ele se esforçou sempre em oração por eles e por outros (4:12-13). Sem dúvida, Paulo conheceu e amou os irmãos Colossenses através do que ele ouviu deles pela boca de Epafras.

Por fim, Paulo enviou suas próprias saudações escritas em amor por sua própria mão, desejando a eles a graça de Deus, e lembrando dos irmãos em outros lugares que iriam ler esta carta também (4:15-18). Mesmo que as cartas contenham informação pessoal para as pessoas imediatas, elas foram escritas sob a inspiração do Espírito Santo, e assim precisam ser lidas pelas igrejas como autoridade de Deus (4:16; veja 2 Pedro 1:19-21; 3:14-16; 1 Coríntios 7:17; 14:33, 37).

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