segunda-feira, 15 de maio de 2017

C A R T A A O S R O M A N O S

E P Í S T O L A    A O S    R O M A N O S

A Epístola aos Romanos, Epístola de Paulo aos Romanos, geralmente referida apenas como Romanos, é o sexto livro do Novo Testamento. Os estudiosos da Bíblia concordam que ela foi escrita pelo apóstolo Paulo aos romanos para explicar como a salvação é oferecida por meio do Evangelho de Jesus Cristo. É a primeira e a mais longa das Epístolas Paulinas, e é considerada a epístola com o "mais importante legado teológico".

HISTÓRIA
A SALVAÇÃO VEM PELA FÉ
Nada sabemos sobre a origem da comunidade cristã de Roma, nem sobre suas condições na época de Paulo. As únicas informações são as que se podem tirar desta carta.
Formada talvez por cristãos vindos da Palestina e da Síria, essa comunidade logo se tornou conhecida no mundo todo. Um edito do imperador Cláudio, no ano 49, expulsou de Roma os judeus e, provavelmente, também cristãos. Prisca e Áquila, um casal judeu-cristão, vítimas dessa expulsão, foram para Corinto, onde se encontraram com Paulo (At 18:1-3), que realizava a segunda viagem missionária (50-52 d.C.). É através deles que Paulo fica informado sobre a situação dos cristãos em Roma. A partir dessa época, o Apóstolo começa a fazer planos para visitá-los pessoalmente. Por ocasião da terceira viagem (57-58 d.C.), ele projeta ir até a Espanha. Escreve, então, a fim de preparar os cristãos de Roma para a sua tão desejada visita (Rm 15:14-19).
A carta aos Romanos parece ter uma finalidade bem precisa: os temas teológicos tratados e o debate com o judaísmo mostram que Paulo está preocupado em corrigir interpretações a respeito de sua pregação entre os pagãos, provavelmente levadas a Roma por judeus e por cristãos judaizantes (Rm 16:17-18).
O Apóstolo Paulo expõe de maneira serena, ordenada e aprofundada, a doutrina que já havia de modo polêmico na carta aos Gálatas: a gratuidade da salvação pela fé. Ele mostra que só Deus pode salvar não apenas os judeus, mas toda a humanidade destruída pelo pecado. E Deus salva através de Jesus Cristo. Ora, para que a humanidade seja salva, Deus lhe dá uma anistia geral sob uma condição: que o homem acredite em Jesus Cristo, manifestação suprema do amor de Deus aos homens, e se torne discípulo dela. A seguir, o Espírito age dentro do homem, assim anistiado, e constrói nele uma vida nova, que destrói o pecado. Solidarizando-se com Jesus Cristo, princípio da nova humanidade (novo Adão), a humanidade pode recomeçar seu caminho e salvar-se.
Paulo quer mostrar aos judeu-cristãos de Roma e a nós que nenhuma lei pode salvar, por melhor que seja, nem mesmo a judaica, pois não consegue destruir o pecado; ao contrário a fé que temos em Jesus Cristo é que nos coloca no âmbito da graça e nos possibilita construir, no Espírito, a humanidade nova.

COMO FOI ESCRITA
A epístola aos romanos foi escrita por Paulo, provavelmente na cidade de Corinto, Grécia, enquanto ele estava hospedado na casa de Gaio e transcrita por um dos Setenta Discípulos, o escriba chamado Tércio de Icônio. Há uma série de razões que convergem para a teoria de que Paulo a escreveu em Corinto, uma vez que ele estava prestes a viajar para Jerusalém ao escrevê-la, o que corresponde com Atos 20:3, no qual é relatado que Paulo permaneceu durante três meses na Grécia. Isso provavelmente implica Corinto, pois era o local de maior sucesso missionário de Paulo, na Grécia. Adicionalmente Febe, uma diaconisa da igreja em Cencréia, um porto a leste de Corinto, teria sido capaz de transmitir a carta a Roma depois de passar por Corinto. Erasto, mencionado em Romanos 16:23, também viveu em Corinto sendo comissário da cidade para obras públicas e tesoureiro da cidade em várias épocas, mais uma vez indicando que a carta foi escrita em Corinto.
 O momento exato em que foi escrito não é mencionado na carta, mas foi obviamente escrito quando a coleta de ofertas para Jerusalém tinha sido montada e Paulo estava prestes a ir a Jerusalém, ou seja, no final de sua segunda visita a Grécia, durante o inverno que precedeu a sua última visita a essa cidade. A maioria dos estudiosos propõem que a carta foi escrita no final de 55, 56 ou 57. Outros propõem o início de 58 ou 55, enquanto Luedemann defende uma data anterior, como 51/52 (ou 54/55 ), na sequência de Knox, que propôe 53/54. O teólogo Fábbio Xavier, em seu artigo Conhecendo os Romanos de Roma, deixa claro que a carta pode ter sido redigida por volta de 55 e 56.
Romanos 1:1 identifica o apóstolo Paulo como o autor do livro de Romanos. Romanos 16:22 indica que Paulo usou um homem chamado Tércio para transcrever suas palavras.
A autoria do livro é atribuída ao apóstolo Paulo, e ao longo dos dezesseis capítulos, identificamos um momento em que ele usa um homem chamado Tércio para transcrever suas palavras “Eu Tércio, que escrevi esta epístola, vos saúdo no Senhor” (Rm 16:22). A data provável que o tenha escrito é de 55 a 59 DC.

CONTEXTO DE ROMANOS NA VIDA DE PAULO
Durante dez anos antes de escrever a carta (aproximadamente entre os anos 47 a 57 d.C.), Paulo tinha viajado ao redor do mar Egeu evangelizando. Igrejas foram implantadas nas províncias romanas da Galácia, Macedónia, Acaia e Ásia. Paulo, considerando a sua tarefa concluída, queria pregar o evangelho na Espanha. Isso lhe permitiu visitar Roma no caminho, uma ambição de longa data dele. A carta aos Romanos, em parte, prepara a comunidade de Roma e dá motivos para sua visita. Além da localização geográfica de Paulo, suas opiniões religiosas são importantes. Primeiro, Paulo era um judeu helenístico com um fundo farisaico, integrante de sua identidade. Sua preocupação com o seu povo é uma parte do diálogo e é retratado ao longo da carta. Este livro segue o propósito de todas as epístolas de Paulo às igrejas, ou seja, proclamar a glória de Jesus Cristo. Esta carta aos Romanos foi escrita de Corinto um pouco antes de ele viajar para Jerusalém e entregar as ofertas que estavam destinadas aos necessitados de lá. O objetivo de Paulo era ir a Roma e em seguida a Espanha “penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha” (Rm 15:24a), entretanto ele foi preso quando ainda estava em Jerusalém, e de lá foi levado a Roma como prisioneiro. Há indicações de que foi uma irmã, membra da igreja em Cencreia perto de Corinto chamada Febe que levou a carta para Roma.

PROPÓSITO
Como em todas as epístolas de Paulo às igrejas, o seu propósito em escrevê-las foi proclamar a glória do Senhor Jesus Cristo através do ensino da doutrina, assim como edificar e encorajar os crentes que receberiam a carta. De particular preocupação para Paulo foram aqueles a quem esta carta foi escrita – aqueles em Roma que foram "amados de Deus, chamados para serdes santos" (Romanos 1:7). Porque ele próprio era um cidadão romano, ele tinha uma paixão única por aqueles na assembleia dos crentes em Roma. Já que Paulo não tinha, até este ponto, visitado a igreja de Roma, esta carta também serviu como sua introdução para eles.

VERSÍCULOS CHAVE
Romanos 1:16: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. ”

Romanos 3:9-11: “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus.”

Romanos 3:21: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas.”

Romanos 3:23: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.”

Romanos 5:8: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”

Romanos 6:23: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Romanos 8:9: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. ”

Romanos 8:28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. ”

Romanos 8:37-39: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. ”

Romanos 10:9-10: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.”

Romanos 12:1: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”

Romanos 12:19: “não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; {ira; de Deus, subentendido} porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.”

Romanos 16:17: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles.”


HERMENÊUTICA

INTERPRETAÇÃO CATÓLICA
Os católicos aceitam a necessidade da fé para a salvação, mas apontam para Romanos 2:5-11 para a necessidade de viver uma vida virtuosa e praticar as boas obras, assim:
 “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus, o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber, a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção, mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes a verdade e obedientes à iniquidade, tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego, glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego. Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. ”
Sobre este assunto, em Tiago diz também que
“O homem é justificado pelas obras e pela fé (Tg 2, 24), ou então pelas obras que nascem da fé, porque a fé sem obras é morta (Tg 2, 17).”

INTERPRETAÇÃO PROTESTANTE
Para argumentar a alegação de que a salvação é obtida somente pela fé em Cristo e não pelas boas obras, os protestantes sustentam Romanos 4:2-5:
“Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus, pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida, mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. ”
A defesa de que a salvação é obtida somente pela fé defendida no livro de Romanos pelos protestantes, está fortemente fundamentada na epístola escrita ao Efésios, também escrito pelo apóstolo Paulo, que se encontrava aprisionado em Roma, onde no segundo capítulo, versículos 8 a 10 ele aponta que:
Efésios 2:8-10: Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Por que somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.
Eles também apontam que, para os escritos de Romanos 2:21-25:
“Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós, porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. ”
Martinho Lutero qualificou a carta de Paulo aos romanos como a "mais importante peça do Novo Testamento. É o mais puro Evangelho. Vale a pena para um Cristão não somente memorizar palavra por palavra, mas também ocupar-se com ela diariamente, como se fosse o pão diário da alma".
Romanos têm estado na vanguarda de vários movimentos importantes no protestantismo. As palestras de Martinho Lutero sobre Romanos em 1515-1516, provavelmente coincidiram com o desenvolvimento de sua crítica ao Catolicismo que levou às 95 Teses de 1517. Em 1738, na audiência do "Prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos" lido na Igreja de St. Botolph em Aldersgate Street, Londres, John Wesley disse que sentiu seu coração "estranhamente aquecido", uma experiência de conversão, que é muitas vezes vista como o início de Metodismo.

RESPEITO ÀS AUTORIDADES E PAGAMENTO DE IMPÓSTOS
No capítulo 13, a epístola, evoca que os cristãos devem interiorizar um respeito cívico para com as autoridades por sustentar que toda autoridade é antes de tudo determinada por Deus; no versículo 6 registra que os cristãos também devem pagar os tributos, pagar impostos.


RESUMO
 Paulo estava animado com a ideia de finalmente poder ministrar nesta igreja, e todos estavam bem conscientes desse fato (Romanos 1:8-15). A carta aos Romanos foi escrita de Corinto pouco antes da viagem de Paulo a Jerusalém para entregar as ofertas que haviam sido dadas aos pobres de lá. Ele tinha a intenção de ir a Roma e depois a Espanha (Romanos 15:24), mas seus planos foram interrompidos quando foi preso em Jerusalém. Ele acabaria indo a Roma como prisioneiro. Febe, uma membra da igreja em Cencreia perto de Corinto (Romanos 16:1), provavelmente levou a carta para Roma.

O livro de Romanos é essencialmente um trabalho de doutrina e pode ser dividido em quatro seções: a justiça necessária, 1:18-3:20; a justiça providenciada, 3:21-8:39; a justiça vindicada, 9:1-11:36; a justiça praticada, 12:1-15:13. O tema central desta carta é bem óbvio -- a justiça. Guiado pelo Espírito Santo, Paulo primeiro condena todos os homens de seus pecados. Ele expressa seu desejo de pregar a verdade da Palavra de Deus para aqueles em Roma. Era a sua esperança que eles permanecessem no caminho certo. Paulo então salienta fortemente que não se envergonha do evangelho (Romanos 1:16) porque é o poder pelo qual todos são salvos.
O livro de Romanos nos diz sobre Deus, quem Ele é e o que tem feito. Ele nos fala de Jesus Cristo, o que sua morte alcançou. Ele nos diz sobre nós mesmos, o que éramos sem Cristo e quem somos depois de termos confiado em Cristo. Paulo recorda que Deus não exige que os homens endireitem suas vidas antes de virem a Cristo. Enquanto éramos ainda pecadores, Cristo morreu na cruz por nossos pecados.

CONEXÕES
 Paulo usa várias pessoas e eventos do Antigo Testamento como ilustrações das gloriosas verdades encontradas no livro de Romanos. Abraão acreditou e justiça foi-lhe imputada por sua fé, e não por suas obras (Romanos 4:1-5). Em Romanos 4:6-9, Paulo refere-se a Davi, o qual reiterou a mesma verdade: "Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado." Paulo usa Adão para explicar aos Romanos a doutrina do pecado herdado e usa a história de Sara e Isaque, o filho da promessa, para ilustrar o princípio dos cristãos sendo os filhos da promessa da graça divina através de Cristo. Nos capítulos 9-11, Paulo narra a história da nação de Israel e declara que Deus não os rejeitou completamente e definitivamente (Romanos 11:11-12), mas permitiu-lhes "tropeçar" somente até que o número total dos gentios seja trazido à salvação.

APLICAÇÃO PRÁTICA
O livro de Romanos deixa claro que não há nada que possamos fazer para nos salvar. Toda "boa" obra que já fizemos é como um trapo imundo diante de Deus. Tão mortos em nossos delitos e pecados estamos que apenas a graça e a misericórdia de Deus podem nos salvar. Deus expressou sua graça e misericórdia ao enviar o Seu Filho, Jesus Cristo, para morrer na cruz em nosso lugar. Quando entregamos nossas vidas a Cristo, não somos mais controlados por nossa natureza pecaminosa, mas pelo Espírito. Se fizermos a confissão de que Jesus é o Senhor, e crermos que Ele ressuscitou dos mortos, somos salvos, nascidos de novo. Precisamos viver uma vida oferecida a Deus como sacrifício vivo para Ele. A adoração do Deus que nos salvou deve ser o nosso maior desejo. Talvez a melhor aplicação de Romanos seria aplicar Romanos 1:16 e não nos envergonharmos do evangelho. Em vez disso, vamos todos ser fiéis em proclamá-lo!

RECOMENDAÇÕES
Entre as recomendações de Paulo está a conscientização do pecado “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm 3,9:11) e “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23), além dar ênfase ao modo como deveriam tratar uns aos outros.
Nesta carta Paulo destaca que não se envergonha do evangelho “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16), e faz tal afirmação devido a crença de que  é pelo poder de Deus pelo qual todos são salvos. A exemplo das afirmações a seguir:
“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,37:38)
“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10,9:10)


sexta-feira, 21 de abril de 2017

A T O S D O S A P Ó S T O L O S

A T O S    D O S    A P Ó S T O L O S

Os Atos dos Apóstolos (pré-AOS 1990: Actos dos Apóstolos) (em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transl.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum) é o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecido apenas como Atos, ele descreve a história da Era Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista.
O Evangelho de Lucas e o livro de Atos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra, à qual daríamos hoje o nome de História das Origens Cristãs. Lucas provavelmente não atribuiu a este segundo livro um título próprio. Somente quando seu evangelho foi separado dessa segunda parte do livro e colocado junto com os outros três evangelhos é que houve a necessidade de dar um título ao segundo volume. Isso se deu muito cedo, por volta de 150 d.C. Tanto em sua intenção quanto em sua forma literária, este escrito não é diferente dos quatro evangelhos.
Escritores dos séculos II e III fizeram várias sugestões para nomear essa obra, como O memorando de Lucas (Tertuliano) e Os atos de todos os apóstolos (Cânon Muratori). O nome que finalmente iria consagrar-se aparece pela primeira vez no prólogo anti marcionista de Lucas (final do século II) e em Ireneu. A palavra Atos denotava um gênero ou subgênero reconhecido, caracterizado por livros que descreviam os grandes feitos de um povo ou de uma cidade. O título segue um costume da literatura helenística, que conhecia os Atos de Anibal, os Actos de Alexandre, entre outros.
O objetivo desse livro é mostrar a ação do Espírito Santo na primeira comunidade cristã e, por ela, no mundo em redor. O conteúdo do livro não corresponde ao seu título, porque não se fala de todos os apóstolos, mas somente de Pedro e de Paulo. João e Filipe aparecem apenas como figurantes. Entretanto, não são os atos desses apóstolos que achamos no livro, mas antes a história da difusão do Evangelho, de Jerusalém até Roma, pela ação do Espírito Santo.
COMPOSIÇÃO
Autoria
Enquanto a identidade exata do autor é debatida, o consenso é que este trabalho foi composto por um gentio de fala grega que escreveu para uma audiência de cristãos gentios. Os Pais da Igreja afirmaram que Lucas era médico, sírio de Antioquia e um adepto do Apóstolo Paulo. Os estudiosos concordam que o autor do Evangelho de Lucas é o mesmo que escreveu o livro de Atos dos Apóstolos. A tradição diz que os dois livros foram escritos por Lucas companheiro de Paulo (nomeado em Colossenses 4:14 ). Essa visão tradicional da autoria de Lucas é "amplamente aceita, visto que a autoria Lucana é quem mais satisfatoriamente explica todos os dados". A lista de estudiosos que mantém a autoria de Lucas é longa e representa a opinião teológica maioritária. No entanto, não há consenso. De acordo com Raymond E. Brown, a opinião corrente sobre a autoria de Lucas é 'dividida'.
O título Atos dos Apóstolos (grego Πράξεις ἀποστόλων [Práxeis Apostólon]) não fazia parte do texto original. Foi usado pela primeira vez por Ireneu no final do século II. Alguns têm sugerido que o título de Atos deve ser interpretado como Os Atos dos Espírito Santo ou ainda Os Atos de Jesus, uma vez que Atos 1:1 dá a impressão de que esses atos foram definidos como algo que Jesus continuou a fazer e ensinar, sendo Ele mesmo o principal personagem do livro.
Gênero
A palavra Atos denotava um gênero reconhecido no mundo antigo, que era característico dos livros que descreviam os grandes feitos de pessoas ou de cidades. Existem vários livros apócrifos do Novo Testamento, incluindo dos Atos de Tomé até os Atos de André, Atos de João e Atos de Paulo. Inicialmente, o Evangelho segundo Lucas e o livro de Atos dos Apóstolos formaram uma única obra; Foi só quando os evangelhos começaram a ser compilados em conjunto que o trabalho inicial foi dividida em dois volumes com os títulos acima mencionados.
Os estudiosos modernos atribuem uma ampla gama de gêneros para os Atos dos Apóstolos, incluindo a biografia, romance e história. Entretanto, a maioria interpreta o gênero do livro de histórias épicas dos primeiros milagres cristãos, da história da igreja primitiva e das conversões.
Fontes
O autor de Atos invocou várias fontes, bem como a tradição oral, na construção de sua obra do início da igreja e do ministério de Paulo. A prova disso é encontrada no prólogo do Evangelho de Lucas, onde o autor faz alusão às suas fontes, escrevendo:
«Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme nos foram transmitidos por aqueles que desde o início foram testemunhas oculares e servos da palavra”. Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo, para que tenhas a certeza das coisas que te foram ensinadas.» (Lucas 1:4)
A mesma maneira de se falar "Teófilo", é encontrada apenas em (Lucas 1:1-4) e em (Atos 1:1-2), indicando uma provável autoria de Lucas em Atos dos Apóstolos.
«Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera.» (Atos 1:1-2)
Alguns estudiosos acreditam que o nós das passagens encontradas no livro de Atos são exatamente algumas citações dessas fontes que anteriormente acompanharam Paulo em suas viagens. Acredita-se que o autor de Atos não teve acesso a coleção de cartas de São Paulo. Uma parte das evidências sugere que, apesar do livro citar o autor acompanhando Paulo em boa parte de suas viagens, Atos nunca cita diretamente nenhuma das Epístolas paulinas, nem menciona que Paulo escrevia cartas. As discrepâncias entre as epístolas paulinas e Atos apoia ainda a conclusão de que o autor de Atos não tem acesso a essas epístolas ao redigir seu livro.
Entretanto, a melhor explicação para o uso do pronome nós a partir de Atos 16 é que o próprio Lucas esteve com Paulo nessas ocasiões. A sua lembrança como testemunha ocular, juntamente com o contato pessoal bastante próximo com o apóstolo Paulo, explica melhor o material de Atos 16-28.
Outras teorias sobre as fontes de Atos são ainda mais controversas. Alguns historiadores acreditam que o livro toma emprestado fraseologia e elementos do enredo de As Bacantes e de Eurípedes. Alguns acham que o texto de Atos mostra evidências de ter usado o historiador judeu Flávio Josefo como fonte, mas essas duas evidências anteriores já se mostraram serem praticamente impossíveis.
LOCAL DE COMPOSIÇÃO
O lugar de composição e os leitores que Lucas tinha em mente ao escrever seu livro ainda é incerto. A tradição liga Lucas com Antioquia. Existe uma pequena evidência interna que faz essa ligação. Outra possível localidade da composição desse livro é Roma, uma vez que a história de Atos termina ali.
Existem ainda outros estudiosos que creem que o livro foi escrito em Éfeso, visto que Lucas demonstra considerável interesse por essa cidade. Observe as alusões feitas no livro de Atos a Escola de Tirano (Atos 19:9) e a Alexandre (Atos 19:33), além da detalhada topografia de Atos 20:13-15. Qualquer dos assuntos dessa região, incluindo o futuro da igreja em Éfeso (Atos 20:28-30), são tratados como se fossem de especial interesse de Teófilo e seu círculo. Existe também uma antiga tradição que afirma que São Lucas morreu perto na Bitínia. Por fim, foi nessa região que surgiram algumas controvérsias e alguns protestos públicos contra ele (por exemplo, Atos 19:23-41). Sendo assim, o trabalho de Lucas seria uma tentativa de fazer uma apologia da Igreja Primitiva contra as acusações da Sinagoga que pretendia influências a política romana. É bom lembrar que o judaísmo tinha muita força na Ásia.
PRECISÃO HISTÓRICA
A questão da autoria está amplamente ligada ao valor histórico do conteúdo. A maioria dos estudiosos acreditam que o livro de Atos é historicamente exato e válido segundo a arqueologia, enquanto os críticos acham o trabalho muito impreciso, especialmente quando comparado com as epístolas de Paulo. A questão-chave da controversa da historicidade do livro é a descrição que Lucas faz de Paulo. De acordo com o ponto de vista da maioria, Atos descreve Paulo diferente de como ele descreve a si mesmo em suas epístolas, tanto historicamente quanto teologicamente. Atos difere das cartas de Paulo sobre questões importantes, tais como a Lei, o apostolado de Paulo, bem como sua relação com a Igreja de Jerusalém. Os estudiosos geralmente preferem os relatos de Paulo. No entanto, alguns historiadores e estudiosos proeminentes, representando a visão tradicional, veem o livro de Atos como sendo bastante precisos e corroborados pela arqueologia, além de afirmar que a distância entre Paulo das epístolas e o Paulo do livro de Atos é exagerada pelos estudiosos.
Data da redação
O cerco e destruição de Jerusalém, por David Roberts (1850). Para os especialistas, a não menção da rebelião judaica e da destruição da cidade ocorrida em 70 d.C. aponta para uma data anterior ao episódio
A atmosfera cultural e política descrita no livro de Atos sugere que o livro tenha sido escrito no século I. Entretanto, as datas propostas para o livro vão de 62 d.C., ano em que ocorre o último acontecimento narrado no livro Atos 28:30, até meados do século II, quando ocorre a primeira referência explícita ao livro de Atos.
Anterior a 70 d.C.
 Donald Carson, Douglas Moo e Leon Morris datam o livro em 62 d.C.. Os três especialistas observam que a ausência de qualquer menção à destruição de Jerusalém seria pouco provável se o livro tivesse sido escrito depois de 70 d.C.. Leon Morris sugeriu que a não menção da morte de Paulo, personagem central do livro, aponta para uma data antes de sua morte, em 64 d.C.. Além disso, não há referência no livro de Atos da morte de Tiago (62 d.C.) e de Pedro (67 d.C.). Howard Marshall observa que Lucas parece não ter lido as cartas de Paulo. Isso torna ainda mais improvável uma data avançada para o livro de Atos, uma vez que as cartas de Paulo circulavam nas igrejas. Outros argumentos que apontam para essa data recente são: (1) a descrição que Lucas faz do judaísmo como uma religião autorizada, uma situação que teria mudado abruptamente com a erupção da rebelião judaica contra Roma em 66 d.C.; (2) o fato de Lucas omitir qualquer referência à perseguição promovida por Nero, a qual, caso tivesse acontecido enquanto Lucas escrevia certamente teria afetado de alguma maneira a sua narrativa; (3) os detalhes vívidos da narrativa do naufrágio e da viagem (Atos 27:1 - 27), o que sugere uma experiência bem recente. Outro ponto é que Lucas nota o cumprimento da profecia de Ágabo (Atos 11:28). Se estivesse escrevendo depois de 70 d.C., seria lógico esperar que mencionasse em algum lugar o cumprimento da profecia de Jesus de que a cidade seria destruída (Atos 21:20).
Entre 80 e 95 d.C.
Atualmente, a maioria dos estudiosos acredita que Actos foi escrito nos anos 80 d.C. ou um pouco depois . Um pequeno indicador sobre a possível datação do livro pode estar em Atos 6:9, que menciona a província de Cilícia. Essa Província romana tinha sido perdida em 27 d.C. e foi restabelecida pelo Imperador Vespasiano apenas em 72 d.C., o que dataria a obra depois dessa data. Entretanto, uma vez que São Paulo era da Cilícia e refere-se a si mesmo utilizando esse nome (veja Atos 21:39 e Atos 22:3), parece natural que o nome da província teria continuado a ser usado entre os seus moradores, apesar do hiato na nomenclatura oficial romana.
Outro argumento para essa datação é o pressuposto de que Atos foi escrito depois do Evangelho de Lucas. Esses estudiosos costumam datar essa obra depois do ano 70 d.C. baseados em duas suposições: Lucas foi escrito depois da queda de Jerusalém pelos romanos; a outra é que o Evangelho de Marcos, que Lucas provavelmente empregou, deve ser datado em meados dos fins do anos 60 d.C.. Isso colocaria o livro de Atos em meados de 75 d.C.
Uma data no século II
Hoje em dia poucos eruditos acreditam que Atos é uma obra do século II. Mas os estudiosos que defendem essa hipótese apontam os vários paralelos existentes entre o livro de Atos e as duas mais importantes obras de Flávio Josefo: A Guerra dos Judeus (75–80 d.C.) e Antiguidades Judaicas (94 d.C.). Alguns eruditos argumentam que Lucas utilizou material das duas obras de Josefo, ao invés do contrário, o que indicaria que Atos foi escrito por volta do ano 100 d.C. ou um pouco mais tarde. Três pontos de contato principais com as obras de Flávio são citados: (1) As circunstâncias que rodearam a morte de Agripa I em 44 d.C.. Aqui Atos 12:21-23 é em grande parte paralela à Antiguidades Judaicas 19.8.2; (2) O tribuno romano confunde Paulo com o falso profeta egípcio que iniciou um revolta no Monte das Oliveiras Atos 21:38. Josefo cita essa revolta em A Guerra dos Judeus 2.13.5 e em Antiguidades 20.8.6; (3) As revoltas de Teudas e Judas, o galileu são citados por ambos os autores (Atos 5:36 e Antiguidades 20.5.1).
De acordo com John Townsend, não é antes das últimas décadas do século II que se encontram vestígios indiscutíveis do trabalho [livro de Atos]. Townsend, voltando-se para as fontes por trás dos escritos de pseudo-Clemente, argumenta que a data para a composição final da obra está na metade do século II. Entretanto, de acordo com Richard Pervo, o ensaio [de Townsend] é prudente, mas metodologicamente aventureiro e em última análise é lição valiosa do perigo de se estabelecer a data de Atos ou de qualquer trabalho, alegando para o mais cedo possível de origem.
Os argumentos mais fortes que ajudaram a minar esse ponto de vista foram os vestígios que Donald Guthrie encontrou do livro Atos na Epístola de Policarpo aos Filipenses (110 d.C.) e em uma epístola de Inácio (117 d.C.). De acordo com Guthrie, Atos provavelmente era bastante conhecido em Antioquia e Esmirna por volta de 115 d.C., e em Roma, perto de 96 d.C..
PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS
O Livro de Atos inicia-se com a ascensão de Jesus, o qual determinou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que fossem revestidos com por uma unção celestial que é descrita nos fatos ocorridos durante o dia de Pentecostes. A escolha do discípulo Matias que foi precedida do suicídio de Judas, nos versículos de 1:16 -20, Pedro fala sobre o campo (Aceldama) que ele adquiriu com as 30 moedas de prata.
Os capítulos seguintes relatam os primeiros momentos da igreja primitiva na Palestina sob a liderança de Pedro, as primeiras conversões de judeus e depois dos gentios, o violento martírio de Estêvão por apedrejamento, a conversão do perseguidor Saulo de Tarso (Paulo) que se torna a partir de então um apóstolo, mencionando depois as missões deste pelas regiões orientais do mundo romano, mais precisamente pela Ásia Menor, Grécia e Macedônia, culminando com a sua prisão e julgamento quando retorna para Jerusalém e, finalmente, fala sobre sua viagem para Roma.
Pode-se dizer que do começo até o verso 25 do capítulo 12, o Livro de Atos dá um enfoque maior ao ministério de Pedro, em que, depois da ressurreição de Jesus Cristo e do Pentecostes, o apóstolo pregou corajosamente e realizou muitos milagres, relatando, em síntese, o estabelecimento e a expansão da Igreja pelas regiões da Judeia e de Samaria, seguindo para alguns países da Ásia Menor.
Já a outra metade da obra centraliza-se mais no ministério de Paulo (do capítulo 13 ao final) e poderia ser subdividido em seis partes:
a primeira viagem missionária liderada por Paulo e Barnabé;
o Concílio de Jerusalém;
a segunda viagem missionária de Paulo em que o Evangelho é levado à Europa;
a terceira viagem missionária;
o julgamento de Paulo;
a viagem de Paulo a Roma.
Importante destacar que no livro de Atos é narrada a rejeição contínua do Evangelho pela maioria dos judeus, o que levou à proclamação das Boas Novas aos povos gentios, principalmente por Paulo.
Estabelecimento da Igreja
Narra o livro de Atos que, antes de subir aos Céus, Jesus determinou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que recebessem o poder do alto através do Espírito Santo e que a partir de então eles se tornariam suas testemunhas até os confins da terra. Enquanto aguardavam o cumprimento da promessa, foi escolhido o nome de Matias em substituição a Judas Iscariotes que tinha se suicidado. Com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, ocorre uma experiência sobrenatural em que os judeus de outras nacionalidades que estavam presentes na festa ouviram os discípulos falando em seus próprios idiomas, o que chamou a atenção de uma multidão de pessoas para o local onde estavam reunidos.
Corajosamente, Pedro inicia um discurso explicando o motivo do acontecimento em que três mil pessoas são convertidas para o Cristianismo que foram batizados, passando a congregar levando uma vida de comunitária de muita oração onde se presenciavam prodígios e milagres feitos pelos apóstolos.
De acordo com os versos 42 a 44 do capítulo 2, os cristãos primitivos tinham todos os seus bens em comum, o que parece ter-se mantido por anos na igreja de Jerusalém. Já os versos 32 a 37 do capítulo 4 informam que "ninguém considerava exclusivamente sua nenhuma das coisas que possuía" e que os que eram donos de propriedades vendiam suas terras ou casas e depositavam o valor da venda perante os apóstolos para que houvesse distribuição entre os que tinham necessidades materiais.
Um milagre importante, a cura de um homem coxo de nascença que pedia esmola na porta do Templo, é relatado logo no capítulo 3 do livro, o que provoca a prisão de Pedro e do Apóstolo João que são trazidos perante o Sinédrio. Repreendidos pelas autoridades judaicas para que não pregassem mais no nome de Jesus, os dois apóstolos, os quais responderam que estavam praticando a vontade de Deus e não dos homens.
Novas prisões dos apóstolos ocorrem no livro de Atos, pois o crescimento da Igreja incomodava o sumo sacerdote e a seita dos saduceus, conforme é narrado nos versos de 17 a 42 do capítulo 5 da obra. Porém, com o parecer dado pelo rabino Gamaliel, o Sinédrio resolve libertar Pedro e os demais, depois de castigá-los com açoites.
Com o crescimento do número de discípulos, é instituído o cargo de diácono para ajudar nas atividades da Igreja, entre os quais estavam Estêvão e Filipe, o Evangelista que muito se destacaram em seus ministérios. Porém, Estêvão é preso, conduzido ao Sinédrio e condenado à morte.
As primeiras perseguições e a expansão da fé cristã
Após o apedrejamento de Estêvão, Saulo de Tarso empreende uma grande perseguição à Igreja em Jerusalém, o que dispersou vários discípulos pelas regiões da Judeia e Samaria, chegando também o Evangelho à Fenícia, Chipre e Antioquia.
Algumas obras de Filipe, o Evangelista, são narradas em Atos, entre as quais a sua passagem por Samaria e a conversão de um eunuco etíope na rota comercial de Gaza.
Saulo de Tarso ao tentar empreender novas perseguições, converte-se quando viajava para Damasco e tem uma visão de Jesus, ficando cego por três dias, até ser curado quando se encontra com Ananias.

Depois destes acontecimentos, a Igreja passa por um período de paz. Dois milagres de destaque narrados nesse momento da obra de Lucas são a cura do paralítico Eneias, em Lida, e a ressurreição de Dorcas, na cidade de Jope.

sábado, 11 de março de 2017

O L I V R O D E M A R C O S

O    L I V R O    D E    M A R C O S

QUEM É JESUS
Marcos escreveu o seu Evangelho com a finalidade precisa de responder a pergunta: “Quem é Jesus?”. O evangelista, porém, não responde com doutrinas teóricas ou discursos de Jesus. Ele apenas relata a prática ou atividade de Jesus, deixando que o leitor chegue por si mesmo à conclusão de que Jesus é o Messias, o Filho de Deus (1:1; 8:29; 15:39). Portanto, na leitura do livro de Marcos, o importante é perceber o significado do que Jesus faz, isto é, estar atento ao quadro completo da sua atividade.
Através da sua prática, Jesus realiza o projeto messiânico segundo a vontade do Pai, entrando em conflito com uma concepção de Messias ligada aos esquemas de denominação. Nessa época, tinha-se a ideia de que o Messias viria como rei triunfante, que libertaria a nação judaica do poderio romano, e faria Israel retomar o antigo esplendor dos tempos de Davi e Salomão. Mas esse Messias não mudaria em nada, e até mesmo aperfeiçoaria, o esquema interno classista e opressor, sustentado por uma ideologia religiosa. Esse conflito se traduz concretamente no confronto da atividade de Jesus com a sociedade judaica do seu tempo.
Toda a atividade de Jesus é o anúncio e a concretização da vinda do Reino de Deus (Mc 1:15). E isso se manifesta pela transformação radical das relações humanas: o poder é substituído pelo serviço (campo político), o comércio pela partilha (campo econômico), a alienação pela capacidade de ver e ouvir a realidade (campo ideológico). Trata-se de proposta alternativa da sociedade, que leva ao nivelamento fraterno das pessoas. Isso provoca a oposição acirrada das autoridades e dos privilegiados, que fazem de Jerusalém e do Templo a sede do seu poder e riqueza, O resultado do conflito é a paixão e morte de Jesus. Mas Jesus não permanece morto. Ele ressuscita, e sua Ressurreição é a sentença condenatória do sistema que o matou.

O livro de Marcos é a penas o começo da Boa Nova (1:1). O autor deixa claro, portanto, que sua obra não é completa e que, para chegar ao fim, supõe que o leitor tome uma posição: continuar o livro através de sua própria vida, tornando-se discípulo de Jesus.  Como discípulos, o leitor deve chegar a uma decisão, isto é, reconhecer Jesus como Messias que leva à plenitude de vida (8:29; 15:39) e aceitar o seu convite, indo ao encontro do Ressuscitado na Galiléia (16:7). Não se trata simplesmente de voltar a ler o Evangelho desde 1:14, e sim de continuar no tempo presente a atividade concreta de Jesus, através de prática que faça renascer continuamente a esperança da vinda do Reino.

O L I V R O D E L U C A S

O    L I V R O    L U C A S

COM JESUS NASCE UMA NOVA HISTÓRIA
O terceiro Evangelho é a primeira parte de uma obra desde o início concebida como um todo; sua continuação é o livro dos Atos dos Apóstolos (Lc 1:1-4, At 1:1ss). No Evangelho, Lucas apresenta o caminho de Jesus, e em Atos temos o caminho da Igreja. Juntos, formam o caminho da Salvação, com o centro de referência em Jerusalém. Esta cidade é o ponto de chegada do caminho de Jesus. Aí que ele vai morrer. É também o ponto de partida do caminho da Igreja que prossegue a missão de Jesus até os confins da terra (At 1.8).
O Evangelho de Lucas apresenta o caminho de Jesus como caminho que se realiza na história. Para percorrê-lo, o Filho do Altíssimo (1:32) se faz homem em Jesus de Nazaré (2:1-7), trazendo para dentro da história humana o projeto de salvação que Deus tinha revelado, conforme a promessa feita no Antigo Testamento (1:68-70). O caminho de jesus inicia o processo de libertação na história, e por isso realiza nova história: a história dos pobres e oprimidos que são libertos para usufruírem a vida dentro das novas relações entre os homens. O programa da ação libertadora de Jesus é apresentado no seu discurso na sinagoga de Nazaré (4:16-22). Por essa razão, o caminho provoca confronto, choque com aqueles que julgam a história como já realizada e querem manter o sistema organizado. Tal sistema, porém, mostra apenas a história tal como é contada pelos ricos e poderosos, que exploram e oprimem o povo, reduzindo-o à miséria e fraqueza. O caminho de Jesus força a revisão dessa história, e começa a contar uma história a ser construída pelos pobres (1:46-55; 1:67-79). Desse modo surge entre os homens o caminho da salvação, que é o caminho da paz. (1:79).
O ápice do terceiro Evangelho está nas palavras de Jesus na cruz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (23:46). A morte de Jesus é a sua libertação nas mãos de Deus. É a consequência da sua vida e atividade voltada para os pobres e oprimidos, provocando toda a violência do sistema baseado na riqueza e no poder. Mas a morte é também a libertação; é o resultado da obediência total e confiança em Deus. Por isso Lucas vê a morte de Jesus como “assunção”, o ápice do caminho de Jesus para o ministério de Deus. Jesus faz da sua vida e morte ato de humilde entrega a Deus. E Deus responde com a ressurreição (At 2.22-24; 3:15), que revela e legitima o caminho de Jesus como caminho da vida para salvação do homem.
O caminho de Jesus é., Portanto, a pedagogia que ensina a fazer a história dos pobres que buscam um mundo mais justo e mais humano. Com efeito, Jesus traz o projeto para uma ordem nova, a libertação que leva os homens à relação de partilha e fraternidade, substituindo as relações de exploração e dominação. Eis o motivo por que o caminho-vida de Jesus e “todos os acontecimentos desta vida” (At 5:20) são importantes para revelar as dimensões de uma vida nova que educa o homem para um novo modo de ser e agir. Tal como Jesus educou seus discípulos durante a longa viagem relatada em Lucas (9:51-19:28). Nesse sentido, encontramos antes da viagem o convite fundamental para a vida. “Se alguém que me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga” (9:23ss). Jesus é o educador que mostra pela sua palavra e ação, pela sua morte, ressurreição e ascensão, o caminho que leva à salvação e comunhão com o Pai, fonte e fim de toda a vida.


O L I V R O D E J O Ã O

O    L I V R O    D E    J O Ã O

O CAMINHO DA VIDA
O Evangelho de João é diferente dos três primeiros. Em Mateus, Marcos e Lucas há muitos milagres e palavras de Jesus. Em João encontramos apenas sete milagres, que são chamados de sinais, alguns discursos que se desenvolvem lentamente, repetindo sempre os mesmos temas-chaves. Os três primeiros evangelistas reuniram, completaram e editaram os assuntos que formavam a catequese em suas comunidades. João seguiu caminho diferente: seu Evangelho é uma espécie de meditação, que procura aprofundar e mostrar o conteúdo da catequese existente em sua comunidade. Seu Evangelho visa despertar e a alimentar a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, a fim de que os homens tenham vida (Jo 20:30-31)
Para João, Jesus é o enviado de Deus, aquele que revela o Pai aos homens. Deus ama os homens e que dar-lhes a vida. Jesus revela esse amor e realiza a vontade do Pai, dando sua vida em favor dos homens. João procura mostrar isso através dos sete sinais que ele apresenta na primeira parte do Evangelho, salientando aí a importância do compromisso da fé. Na segunda parte, ele mostra a mesma coisa, salientando a importância do amor narrando o supremo sinal: a volta de Jesus ao Pai, através da morte e ressurreição.
A revelação de Deus em Jesus coloca o mundo em julgamento. Diante da luz da revelação, a vida dos homens se esclarece. Os que vivem conforme a vontade de Deus, aproximam-se de Jesus e o aceitam. Os que não vivem conforme a vontade de Deus, se afastam dessa luz, rejeitando a Jesus. Por isso João salienta no seu Evangelho as reações que os homens têm diante de Jesus. Reações de aceitação, que levam a vida, e de recusa, que levam à morte. Recusa e hostilidade que levam Jesus à morte; a aceitação que produz a primeira comunidade reunida em nome de Jesus. Doravante, caberá a essa comunidade continuar a missão de Jesus.

Deus Pai testemunhou seu amor, entregando se Filho Único para que os homens tenham vida. Os homens por sua vez, respondem ao amor do Pai quando, do mesmo modo, se abrem para o dom do amor, colocando-se a serviço da vida dos irmãos. Somos convidados a ler este Evangelho colocando-nos em clima de julgamento, para nos abrirmos à luz de Deus que, através de Jesus, ilumina a nossa vida e nos leva a tomar uma decisão: aceitar e continuar sua obra, para termos definitivamente a vida, ou rejeitar a Jesus e estarmos definitivamente condenados.

O L I V R O D E M A T E U S

O    L I V R O    D E    M A T E U S

JESUS, O MESTRE DA JUSTIÇA.
Mateus apresenta Jesus como título de Emanuel, que significa: “Deus está conosco”(Mt 1:23). A medida que lemos este Evangelho, vamos descobrindo o significado desse título: Deus está presente em Jesus, comunicando a palavra e ação que libertam os homens e os reúnem como novo povo de Deus. As últimas palavras de Jesus (Mt28:20) são uma promessa de permanência: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Essas palavras, dirigidas ao grupo dos discípulos, mostram que Mateus vê a comunidade cristã como semente do novo povo de Deus, povo que é o lugar onde se manifestam a presença, ação e palavra de Jesus.
Segundo Mateus, Jesus é o Messias que realiza todas as promessas feitas no Antigo Testamento. Essa realização as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista para libertá-los da dominação romana. Frustrados em suas expectativas, eles rejeitam e o entregam à morte. Por isso, a comunidade reunida em torno de Jesus torna-se agora a portadora das Boas Novas a todos os homens, a fim de que eles pertençam ao Reino do Céu.
Logo de início, Mateus apresenta Jesus como o Mestre que veio realizar a justiça: “devemos cumprir toda a justiça” (3:15). O restante do Evangelho mostra que, através da palavra e ação, Jesus vai educando a comunidade cristã para a prática dessa justiça, isto é, vai ensinando como se deve realizar concretamente a vontade de Deus.
De todos os evangelistas, Mateus é aquele que apresenta didática mais clara. Entre o prólogo (Mt1-2) e a narrativa da morte e ressurreição de Jesus (26:3-28:20), ele organiza o assunto de todo o seu Evangelho  em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte de um discurso. Lendo atentamente, podemos perceber que Mateus escolheu os episódios de cada parte narrativa, de modo a ilustrar o discurso seguinte. E o discurso, por sua vez, resume e explica o que está contido na narrativa anterior. Assim a palavra de Jesus é sempre apresentada como resultado de uma ação, e toda ação é sempre ensinamento, anúncio.

A comunidade cristã, lendo Mateus, é convidada a olhar para dentro de si mesma, a fim de descobrir a presença de Jesus, que ensina a presença de Jesus, que ensina a prática da justiça. Desse modo, a comunidade aprenderá a dizer a palavra certa, no tempo e lugar em que está vivendo.

E V A N G E L H O D E J O Ã O

E V A N G E L H O    S E G U N D O    J O Ã O

ORIGEM:
O Evangelho segundo João é o quarto e último evangelho da Bíblia, após o Evangelho de Lucas e antes do livro de Atos dos Apóstolos.
Sua autoria é tradicionalmente atribuída a João, o "discípulo amado", irmão de Tiago, e foi escrito entre os anos 95 e 100. Cronologicamente, foi o último a ser escrito.
A maior parte dos seus relatos é inédita em relação aos outros três evangelhos, o que sugere que o autor tivesse conhecimento do conteúdo deles ao escrever seu livro. Mais da metade desse evangelho é dedicado a eventos da vida de Jesus Cristo e a suas palavras durante seus últimos dias. O propósito de João foi inspirar nos leitores a fé em Jesus Cristo como o Filho de Deus. João também dá ênfase à total dependência humana em relação a Deus para a salvação e afirma que a mesma só é possível para quem crer em Jesus como o Filho unigênito de Deus (cf. João 3:18).

ESTRUTURA E CONTEÚDO
O evangelho segundo São João é dividido em 21 capítulos, sendo cada capítulo dividido em versículos. Para facilitar a leitura, na Bíblia de Jerusalém houve acréscimo de intertítulos, conforme segue:

O EVANGELHO
Prólogo (início do capítulo 1)
O ministério de Jesus
1. O anúncio da nova economia
A - A semana inaugural
O testemunho de João
[...ele vê Jesus aproximar-se dele e diz: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou diante de mim, porque existia antes de mim. Eu não o conhecia, mas, para que fosse manifestado a Israel, vim batizar com água". João 1,29-31
Os primeiros discípulos
As bodas de Caná (início do capítulo 2)
B -  A primeira Páscoa
A purificação do Templo
Estada em Jerusalém
O encontro com Nicodemos (início do capítulo 3)
Ministério de Jesus na Judeia. Último testemunho de João.
Jesus entre os samaritanos (início do capítulo 4)
Jesus na Galileia
Segundo sinal em Caná: cura do filho de funcionário real
2. Segunda festa em Jerusalém (primeira oposição à revelação)
Cura de um enfermo na piscina de Betesda (início do capítulo 5)
Discurso sobre a obra do Filho
3. A Páscoa do pão da vida (nova oposição à revelação)
A multiplicação dos pães (início do capítulo 6)
Jesus vem ao encontro de seus discípulos, caminhando sobre o mar
Discurso na sinagoga de Cafarnaum
A confissão de Pedro
4. A Festa das Tendas (a grande revelação messiânica, a grande rejeição)
Jesus sobe a Jerusalém para a festa e ensina (início do capítulo 7)
Discussões do povo sobre a origem de Cristo
Jesus anuncia a sua próxima partida
A promessa da água viva
Novas discussões sobre a origem de Cristo
A mulher adúltera (início do capítulo 8)
Jesus, luz do mundo
Discussão sobre o testemunho que Jesus dá de si mesmo
Jesus e Abraão
Cura de um cego de nascença (início do capítulo 9)
Bom pastor (início do capítulo 10)
5. A festa da dedicação (a decisão de matar Jesus)
Jesus se declara Filho de Deus
Jesus se retira de novo para o outro lado do Jordão
Ressurreição de Lázaro (início do capítulo 11)
Os chefes judeus sentenciam a morte de Jesus
6. Fim do ministério público e preliminares da última Páscoa
A aproximação da Páscoa
A unção de Betânia (início do capítulo 12)
Entrada messiânica de Jesus em Jerusalém
Jesus anuncia a sua glorificação através da morte
Conclusão: a incredulidade dos judeus

A HORA DE JESUS – A PÁSCOA DO CORDEIRO DE DEUS
1. A última ceia de Jesus com seus discípulos
O lava-pés (início do capítulo 13)
O anúncio da traição de Judas
A despedida (início do capítulo 14)
A verdadeira videira (início do capítulo 15)
Os discípulos e o mundo (início do capítulo 16)
A vinda do Paráclito
Anúncio de um breve retorno
A oração de Jesus (início do capítulo 17)
2. A Paixão
A prisão de Jesus (início do capítulo 18)
Jesus diante de Anás e Caifás. Negações de Pedro.
Jesus diante de Pilatos (início do capítulo 19)
A condenação à morte
A crucifixão
A partilha das vestes
Jesus e sua mãe
A morte de Jesus
O golpe de lança
O sepultamento
3. O dia da Ressurreição
O sepulcro encontrado vazio (início do capítulo 20)
"Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." João 20:30-31.
Aparição a Maria Madalena
Aparição aos discípulos

CONCLUSÃO

EPÍLOGO
Aparição à margem do lago de Tiberíades (início do capítulo 21)
"Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem." João 21:25.

PAPIROLOGIA
A influência da papirologia sobre os estudos do Velho e o Novo Testamento foi fenomenal. A maioria dos papiros encontrados data dos primeiros 300 anos da Era Cristã. Sendo assim, é possível estabelecer um estudo da gramática desse período. Com base nos argumentos da gramática histórica, a composição dos livros do Novo Testamento é datada do primeiro século da nossa era.
 O Papiro P52, fragmento do Evangelho Segundo João, encontrado no Egito em 1920 por C. H. Roberts pode ser paleograficamente datado de 125 d.C.. Decorrido um certo tempo para o livro entrar em circulação, deve-se atribuir ao quarto Evangelho uma data próxima do fim do primeiro século - isto também está em conformidade com a tradição cristã conservadora. Manuscrito: Papiro P52

O Papiro Rylands é o fragmento mais antigo do manuscrito do Evangelho de João, datando aproximadamente do ano 125 d.C..