segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A P O C A L I P S E / QUINTA PARTE - ISRAEL PROTEGIDO


QUINTA PARTE
APOCALIPSE 7:1-9        AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL

Os Servos que Pertencem a Deus 
Quando estudamos os Capítulos 16, 17 e 18 de Apocalipse vemos acontecimentos da ira de Deus sobre a terra, sobre o anticristo, e a Grande Babilônia, enfim sobre todos aqueles que de certa forma não serviram ao Senhor. Neste estudo focando o Capítulo 7 de Apocalipse nada mais é do que uma complementação desses capítulos citados no qual mostra que os primeiros seis selos já passaram e o principalmente e sexto que irá mostrar o desespero total das pessoas castigadas – dos poderosos e ricos até os pobres e escravos. A pergunta no final do capítulo 6 salienta ainda mais a circunstância difícil dos habitantes da terra – “porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (6:17). Se o sexto selo revelou coisas tão terríveis, imagine o que o sétimo traria! Quem é que pode sobreviver à ira do Senhor?
O capítulo 7 responde a esta pergunta. Este intervalo entre o sexto e o sétimo selos consola os fiéis. Deus não se esqueceu deles, e não abandonaria os seus servos. Ele já providenciou uma maneira de proteger aqueles que lhe pertencem.

 As Doze Tribo de Israel - Os 144.000 Selados (7:1-8)
Existem duas visões nesse capítulo: os 144 mil servos de Deus (v.1-8) e a incontável multidão agora no céu (v.9-17). Os quatro anjos parecem ser agentes do Senhor associados aos juízos, e os quatro ventos representam forças destrutivas de todas as direções.
Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra. Os quatro cantos, a partir dos quais os furacões do juízo varrem a terra, constituem conceitos sólidos (Jr 49.36; Dn 7.2; Zc 6.5). Em virtude da última referência surge uma estreita ligação com os quatro cavalos da desgraça da abertura dos quatro primeiros selos. No caso dos quatro ventos, assim como no dos quatro cavalos, trata-se, portanto, de poderes de destruição do fim dos tempos. Não é fortuito que sua atividade seja mencionada aqui no (v. 3) com o mesmo verbo usado em Ap 6.6. Tornam a terra um campo de catástrofes. O número quatro novamente indica uma ideia de totalidade: como a tribulação em Ap 3.10, eles passam sobre a terra inteira.

Apocalipse 7:1 – Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma.
Quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra: Os anjos não são identificados, mas a tarefa deles fica evidente. Têm poder para danificar a terra (2), mas ainda não receberam a ordem para fazer isso. O trabalho desses anjos claramente se refere à terra. Qualquer interpretação que procura aqui um número fixo de pessoas no céu desrespeita a linguagem óbvia do texto. Além das referências à terra, ao mar, às árvores, etc., o número quatro (quatro anjos, quatro cantos, quatro ventos) sugere algo relacionado à terra. Os quatro cantos e quatro ventos representam os quatro pontos cardeais (1 Crônicas 9:24; Isaías 11:12; Jeremias 49:36; Ezequiel 7:2; Zacarias 2:6; Mateus 24:31).
Conservando seguros os quatro ventos da terra: Neste intervalo, os quatro anjos estão parados. Estão segurando os ventos, aguardando a ordem. Agir precipitadamente, sem a autorização divina, não caracteriza os servos fiéis do Senhor. Agir sem primeiro ouvir a palavra de Deus traz consequências negativas (1 Crônicas 15:13). Não devemos ultrapassar a doutrina de Cristo, escrita para nos guiar (1 Coríntios 4:6; 2 João 9).
Para que nenhum vento soprasse: Ventos aparecem na Bíblia com poder para aliviar o sofrimento dos homens, ou para trazer castigo (Êxodo 10:13,19; 14:21; 15:10; Salmo 11:6; 78:26; Isaías 29:6). Independente da natureza do vento é algo que demonstra o poder de Deus – “um vento do Senhor” (Números 11:31; Salmo 107:24-25; 135:5-7). Neste contexto, os ventos trarão destruição. Mas, por enquanto, os anjos seguram o poder destrutivo do vento. Ainda não chegou a hora. Deus pretende resolver uma outra questão antes de liberar esta força contra a terra.
Terra, mar, árvore: Estas referências reforçam o fato de esta visão tratar de acontecimentos aqui na terra. Os homens são avisados, mas a natureza vai sofrer, também. Como foi o caso das pragas e das calamidades naturais usadas por Deus para castigar os rebeldes da antiguidade, estes castigos atingirão a terra, o mar e as árvores.

Apocalipse 7:2 – Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar,
Vi outro anjo que subiu da nascente do sol: O nascente do sol, a direção de onde vem a luz, representa a habitação de Deus. O tabernáculo abria para o oriente, com Moisés e Arão e seus filhos acampados na frente (Números 3:38), e a tribo de Judá acampada ao lado oriental (Números 2:3). Assim do ponto de vista do tabernáculo, o Senhor guiava o seu povo do oriente, por meio dos líderes escolhidos (reis de Judá e sacerdotes de Levi). O templo em Jerusalém, também, abria para o lado oriental (Ezequiel 8:16; 10:19; 11:1). Quando Deus abandonou o templo cheio de imundícia, ele foi para o oriente (Ezequiel 11:23). Quando voltou, a glória de Deus veio do oriente (Ezequiel 43:2-4). Este anjo vem de Deus. Do ponto de vista do santuário (o povo de Deus – 1 Coríntios 3:16-17; 1 Timóteo 3:15), o anjo traz alívio: “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas” (Malaquias 4:2).
Tendo o selo do Deus vivo: O selo de Deus, mais uma prova que este anjo veio do Senhor. O selo pertencia exclusivamente ao seu dono, e servia para o identificar (Gênesis 38:18,25). A pessoa que segurava o anel de um rei retinha a autoridade para selar decretos e agir como seu representante autorizado (Gênesis 41:42; Ester 3:10; 8:2). O selo também indica posse, que algo ou alguém pertence exclusivamente ao dono do selo (Cântico dos Cânticos 8:6). No Novo Testamento, os discípulos fiéis têm o selo de Deus (2 Coríntios 1:21-23; Efésios 1:13-14; 4:30). Talvez o trecho mais confortante para os que fazem parte do santuário de Deus seja 2 Timóteo 2:19 – “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem”. Os quatro anjos seguram os ventos da ira de Deus, mas o Senhor jamais esqueceria do seu povo fiel!
Clamou...aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar: O anjo que chega do Senhor traz uma ordem importante para os quatro anjos. Aqui ele confirma o propósito dos ventos que eles seguravam. O poder dos ventos, uma vez liberado, faria dano à terra e ao mar.

Apocalipse7:3 – dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.
Não danifiqueis... até selarmos na fronte os servos do nosso Deus: O que detinha o castigo pelos quatro ventos foi a determinação divina de identificar os fiéis para a proteção deles. O verbo plural aqui indica que outros iam ajudar o anjo que veio do oriente. Mais uma vez, Ezequiel nos fornece uma cena parecida, na sua profecia sobre a destruição de Jerusalém em 586 a.C. Quando os executores chegaram para matar as pessoas em Jerusalém, Deus mandou na frente um homem que marcou com um sinal a testa dos fiéis. Os executores seguiam matando as pessoas que não receberam o sinal (Ezequiel 9:1-8). Aqui também, antes de mandar os ventos executores, Deus manda alguém na frente para marcar, com um selo na testa, os fiéis. Quando chegamos ao capítulo 13, vamos encontrar uma marca da besta, mas somente depois de ver que Deus deu sua marca aos seus servos. O contraste é entre a marca do Deus vivo que viverá para sempre e a marca da besta que seria lançada ao lago de fogo.
Antes de os juízos serem desatados, Deus prepara os 144 mil de Seus servos para serem selados na fronte. Os selos são sinais de posse ou autoridade, que, nos tempos antigos, eram estampados em documentos pressionando-se um carimbo ou cilindro em um pedaço de argila no local onde o documento era aberto ou fechado. O Altíssimo tem autoridade para abrir qualquer selo que Ele desejar (Mct. 27.66) ou colocar em Seus filhos um selo que ninguém mais pode quebrar (Ef 1.13; 4.30). As duas perspectivas proporcionam confiança e segurança aos crentes. Nesse caso, o selo garante-lhes a preservação durante a tribulação. A identificação deles, como servos de forma declarada (em suas frontes), indica que estão regenerados por meio da fé em Cristo e que confessam sua fé abertamente.

Apocalipse7:4 – Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel:
Foram selados...cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel: Literalmente 144.000? Literalmente de Israel? Precisamente 12.000 de cada uma das 12 tribos citadas? Poderíamos fazer ainda mais uma lista de perguntas para ilustrar o problema com interpretações literais deste trecho. Em um livro cheio de símbolos, seria uma abordagem errada tentar forçar uma interpretação literal dos detalhes aqui. 144.000 representa o povo de Deus. Doze já é conhecido como o número do povo do Senhor, como observamos em 4:4 – doze tribos, doze apóstolos, etc. 12 x 12 x 1.000 enfatiza mais ainda a totalidade dos servos de Deus. Para evitar qualquer dúvida, ele fala de Israel. Desde os comentários de Jesus em João 8:39 em diante, o significado de judeu e israelita mudou entre os seus discípulos. Enquanto estas palavras ainda podem significar os descendentes, pela carne, de Abraão, frequentemente identificam os descendentes espirituais desse grande patriarca da fé. Paulo bem disse: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é o interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:28-29). Em um livro de símbolos, não nos surpreende achar uma referência a Israel espiritual, o povo de Deus, isto é, o povo de Deus em todas as nações quer judeu ou gentio.

Apocalipse 7:5-8 – da tribo de Judá foram selados doze mil; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil; 6 da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; 7 da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; 8 da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim foram selados doze mil. Foram selados doze mil:
O número 144 mil pode ser considerado tanto um real como um símbolo de totalidade (12x12x1000), referindo-se a todos que serão salvos (no AT e no NT). A primeira opção e mais provável por causa dos detalhes desenvolvidos nos v.5-8. Os filhos de Israel são entendidos por alguns como agrega, a nova Israel, que inclui os gentios, aqueles que aceitaran a salvação em Cristo (Gl. 6.16), e por outros como a nação de Israel [ou ambos].
De cada tribo, doze mil receberam o selo de Deus. As tribos citadas são:
Quando lemos esta lista, diversas perguntas surgem.
Por que esta ordem? Judá está em primeiro lugar, talvez por ter a primazia e por ser a tribo do Messias. Benjamim, a última, foi a tribo do caçula de Jacó. Mas esta lista não segue a ordem do nascimento dos patriarcas (Gênesis 29:31-35; 30:1-24; 35:16-18), nem se apresenta segundo as quatro mães dos filhos de Jacó (Gênesis 35:23-26).
Por que estas tribos? Sabemos que as doze tribos, normalmente, foram vistas como treze. Jacó teve doze filhos homens. Doze receberam herança de terra, excluindo a tribo de Levi, que recebeu 48 cidades e teve Deus como sua herança. Para manter o número de doze na divisão da terra, José foi dividida em duas, Efraim e Manassés. Na lista do Apocalipse 7, Levi está incluída, e o nome de José aparece. Os nomes omitidos são Efraim (um dos filhos de José) e Dã. Nenhuma explicação é dada aqui, mas a história do Velho Testamento sugere um possível motivo. De todas as tribos, Dã e Efraim foram as duas mais ligadas à idolatria. Um dos apêndices do livro de Juízes relata a história de Mica e os danitas, mostrando como a idolatria se tornou comum nesta tribo (Juízes 17-18). No início do reino dividido, Jeroboão, o rei efraimita de Israel, introduziu a idolatria, erigindo bezerros de ouro em Dã e Betel (1 Reis 12:29). Betel ficava na divisa entre os territórios de Efraim e Benjamim, mas foram os efraimitas que tomaram controle desta cidade no início do período dos juízes (Juízes 1:22-25). Durante o resto da história de Israel, “Efraim” praticamente se tornou sinônimo de “idolatra” (Oséias 4:17; 5:11; 8:11; 13:12). O filho de uma mulher de Dã, também, foi morto por sua blasfêmia na época de Moisés (Levítico 24:10-14). A omissão destas duas tribos pode ser uma maneira de mostrar que Deus expulsaria qualquer tribo manchada com o pecado, especialmente com a idolatria.
É 144.000 o número fixo de pessoas que estarão no céu? Há pessoas que ensinam que este número identifica, literalmente, o número exato de pessoas que estarão no céu. Há muitos problemas com esta interpretação. Observe alguns fatos:
1 -  A visão de 7:1-8 fala dos fiéis na terra, e nada diz sobre o céu até voltar ao trono, a partir de 7:9. Ironicamente, os 144.000 estão na terra e a grande multidão diante do trono celestial, exatamente ao contrário da doutrina que alega 144.000 no céu e a grande multidão na terra.
2 - As pessoas que defendem essa interpretação decidem, por capricho próprio, tratar o número como um valor literal, mas consideram os outros aspectos como figuras. Não dizem que os 144.000 são literalmente judeus, ou que a tribo de Dã é literalmente excluída, ou que todos são literalmente homens virgens (veja 14:4). Ou tratemos todos os detalhes como descrições literais, ou reconheçamos a natureza simbólica desta visão, a única maneira coerente de interpretá-la no seu contexto. Os 144.000 são os servos de Deus selados na terra antes de começar os grandes castigos dos quatro ventos. Estes, permanecendo fiéis, iam se encontrar no céu entre os vencedores.
Judá esta em primeiro lugar nessa lista das tribos de Israel porque Cristo, o Messias, e o Leão da tribo de Judá (Ap 5.5; Gn 49.8-10). Rubem e a seguinte, como o primogênito de Jacó (Gn 49.3,4). As tribos de Da e Efraim são omitidas, talvez por causa da idolatria deles no período dos Juízes, ilustrada pelo incidente em Da (Jz 18). Jose e seu filho Manasses estão incluídos, assim como Levi, chegando a 12 o numero das tribos.

A Grande Multidão (7:9-17)

Apocalipse 7:9 - Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
Vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar: Algumas interpretações tratam a grande multidão como um grupo distinto dos 144.000. Para alguns, os 144.000 habitam no céu enquanto a grande multidão herda a terra. Para outros, os 144.000 são judeus e a grande multidão, gentios. Parece mais coerente, porém, ver aqui uma progressão que passa dos fiéis na terra aguardando a tribulação aos fiéis no céu depois de passar pela tribulação. Nas próximas linhas, vamos ver as evidências apoiando esta interpretação.
De todas as nações, tribos, povos e línguas: Esta grande multidão não consiste em anjos ou outros seres celestiais. São pessoas redimidas de todas as nações – pessoas abençoadas por meio do descendente de Abraão (Gênesis 12:3; Gálatas 3:28-29).
Em pé diante do trono e diante do Cordeiro: Somente os vencedores, aqueles justificados pelo sangue do Cordeiro, teriam como se susterem no Dia da ira de Deus para ficar em pé diante do trono (6:17; 7:14).
Vestidos de vestiduras brancas: A vestimenta dos vencedores (3:4-5; 6:11). Descobriremos mais sobre essas pessoas nos versículos 13-15.
Com palmas nas mãos: As palmas, ou ramos de palmeiras, identificam para nós o pano de fundo desta cena. Levítico 23:33-43 descreve a Festa dos Tabernáculos. Nesta festa anual, o povo se alegrava perante o Senhor em lembrar da libertação do Egito e do seu tempo com Deus, habitando em tendas, no deserto. Esta festa era comemorada logo após o Dia da Expiação (Levítico 23:26-32). Foi numa Festa dos Tabernáculos que Jesus ofereceu a água da vida ao povo (João 7:37-39). Lembramos, também, das festividades e dos ramos de palmeiras quando Jesus entrou em Jerusalém (João 12:13).

Apocalipse 7:10-12 – e clamavam em grande voz dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação...
A grande multidão, além de louvar o Altíssimo e o Cordeiro pela salvação, mais adiante, glorificara a Deus por julgar a Babilônia (Ap 19.1-3) e proclamara as bodas do Cordeiro (v.6,7). Essa multidão de caráter multinacional poderia muito bem representar o fruto evangelístico do trabalho dos 144 mil durante o período de sete anos de tribulação. Em Seu furor, Deus se lembrara da misericórdia. As vestes brancas podem ser as dos crentes vencedores (Ap 3.5,18) ou as dos mártires (Ap 6.11). Palmas eram normalmente agitadas pela multidão em celebrações de vitória (Jo 12.13).
Por meio da retomada depois destas coisas, João vê  “(vi... vs. 9”), anuncia-se novamente uma mudança de cena. É uma troca de local, pois agora João não está mais olhando, como em Ap 7.1, para a terra, e sim para o santuário celestial (vs. 15).

Apocalipse 7:13-17 - Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes que se vestem de vestiduras brancas, quem são e de onde vieram?...
Acrescenta-se uma total mudança de situação. Enquanto o selamento precedia expressamente as tempestades do fim dos tempos, agora a grande tribulação já é coisa do passado (v. 14). Associa-se a esta mudança uma alteração da disposição. No lugar de uma tensão prenhe de desgraça em vista do perigo iminente ocorre o cântico de vitória.
E eis grande multidão que ninguém podia enumerar. Assim como o v. 4 impõe-se novamente a impressão da magnitude. A promessa a Abraão em Gn 15.5 foi cumprida: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.” Abraão não é capaz de contá-las. Conforme Hb 11.12 ela é para ele incontável, o que obviamente não pode valer para Deus. Desta maneira também a presente multidão é incontável para João, porém enumerável para Deus, não ocorrendo uma contradição com o v. 4. Lá Deus contou e pode revelar o número, aqui João tenta fazê-lo, deparando-se com a impossibilidade de contar.
Na especificação subsequente da origem intensifica-se a lembrança de Abraão. De todas as nações, tribos, povos e línguas.323 Em Abraão haveriam de ser “abençoadas todas as nações, todas as gerações da terra” (Gn 22.18; 12.3). O número de quatro definições volta a ressaltar a dimensão da abrangência. João vê na igreja a humanidade abençoada em Abraão.
João tem a visão da igreja formada de todas as nações, tribos, raças e línguas, superando a Babilônia que confundia os povos e representando as primícias (Ap 14.4) de uma humanidade reunificada, congregada em torno do centro da restauração, em pé diante do trono e diante do Cordeiro (Ap 5.13). Estão vestidos de vestiduras brancas como os mártires na visão do quinto selo. Agora, portanto, está completo o número deles (Ap 6.11), todos estão reunidos como uma grande multidão, e a tribulação chegou ao fim. O número cheio relembra novamente Ap 7.4. Além da vestimenta de vencedores trazem ainda ramos de palmas nas mãos. A ilustração de um vencedor. Contudo, também um escrito judaico traz a frase: “Quem traz em suas mãos a folha de palmeira, dele sabemos que é vitorioso”.

RESUMINDO...
Os quatro anjos se preparam para o julgamento dos ímpios, mas recebem ordem para não danificarem a terra até que seu povo, os judeus, que aguardam a vinda do seu Messias como Rei. Esses judeus juntamente com a igreja que não fora arrebatada receberão uma proteção de Deus através do seu selo para não sofrerem a ira de Deus, assim como o povo de Israel foi protegido das 10 pragas sobre o Egito nos tempos de Moisés.
A multidão que João vê, a qual ninguém consegue contar, são os salvos da tribulação que juntamente com toda a Igreja arrebatada e os Anjos se prostram diante de Deus dando-lhe glórias e aleluias e louvor, em sinal de misericórdia, pois mesmo não sendo merecedores, Deus os fez dignos de seu reino.





domingo, 12 de janeiro de 2020

A P O C A L I P S E / QUARTA PARTE - EXECUÇÃO DIVINA 4


APOCALIPSE 18 - A QUEDA DA BABILÔNIA

O Anúncio de Sua Queda – 18:1-8
A queda da grande meretriz anunciada pelo apóstolo João em Apocalipse 14.8, e ela recebeu o cálice da ira de Deus quando a sétima taça foi derramada (16.19). Agora um dos sete anjos que executavam os juízos das taças mostra com mais detalhes para João o julgamento da meretriz.

[...] Já conhecemos os personagens principais entre os inimigos do povo de Deus. Apareceu o dragão (capítulo 12), seguido pelas duas bestas (capítulo 13) e a grande meretriz (capítulo 17). Já sabemos o destino destes inimigos de Deus, pois o Cordeiro e seus fiéis são os vencedores, e seus adversários serão derrotados. Antes da identificação das características dos inimigos, a sétima trombeta já declarou: “O reino do mundo se tornou do nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (11.15). Antes da descrição da grande meretriz vem a declaração da queda dela (14.8). Este e os subsequentes capítulos enfatizam o que já foi revelado – os verdadeiros vencedores são aqueles que adoram a Deus. Todos os outros adoradores da besta, à própria besta ao dragão que lhe dá poder serão derrotado. A partir deste capítulo, veremos a queda destes inimigos do Senhor. Surgiram numa sequencia (dragão, bestas, meretriz) e cairão na ordem invertida (meretriz, bestas, dragão). [Caiu! Caiu a Grande Babilônia
No capítulo 17 vimos que o aspecto religioso do império anticristão, a “mãe das meretrizes”, que é ao mesmo tempo a “grande cidade”, que será destruída pelos dez reis da terra e pelo Anticristo (Ap 17.16). Aqui no capítulo 18, a grande Babilônica, ou seja, o império anticristão, em sua grandeza política e econômica, é julgado por Deus mesmo: “Por isto em só um dia sobrevirão os seus flagelos, morte pranto e fome, e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus que a julgou” (Ap 18.9).
Vemos que em Apocalipse 17 a grande prostituta é descrita como Babilônia, e em Apocalipse 18 ela aparece com seu governo econômico arruinado. É importante ter em mente que aqui, Babilônia não é a cidade localizada junto ao rio Eufrates e Roma não é a capital do Império Romano. Estas duas figuras são utilizadas para fazer referência a um sistema de governo mundial dominado pelo Diabo.
É uma figura clara de oposição a Deus e a Jesus, que agora, em consequência a sua hostilidade enfrenta mais um formato do juízo de Deus, em forma de ruína tanto no seu poder econômico quanto político e religioso.

Apocalipse 18:1 – Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória.
Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo: A força que sustentava a meretriz vinha de baixo: das águas, da besta que surgiu do mar e dos reis da terra. Os próprios reis seriam os instrumentos de Deus no castigo dela, pois o anúncio da queda dela vem de cima. Um anjo já anunciou a queda da Babilônia (14:8), e um outro mostrou para João o significado da meretriz e o seu julgamento (17:1,7). Aqui, outro anjo desce do céu para confirmar a sentença contra a Babilônia. O anjo que João viu tinha grande (divino) poder, não apenas um poder de curto prazo como os dez chifres e a besta (Ap 17.12,13). Vindo da gloriosa moradia de Deus, esse anjo ainda reflete a glória do Senhor sobre a terra (Ap 15.8), talvez como a face de Moisés, que brilhou com a glória de Deus depois de estar na presença dele (2 Co 3.7-11)
Que tinha grande autoridade: A autoridade para falar vem do céu. Não há dúvida sobre a veracidade de sua mensagem. O anjo desce do céu e tem grande autoridade para confirmar a sentença contra a Babilônia. Não há dúvida sobre a veracidade de sua mensagem. Quando o anjo desce João vê que o seu brilho iluminou a terra com a Sua glória
E a terra se iluminou com a sua glória: Deus é a verdadeira luz, e a sua glória ilumina (21:23; 1 João 1:5). Pelo evangelho revelado, a glória de Deus traz iluminação (2 Coríntios 4:4-6; Efésios 1:17-18). Aqui, então, aguardamos uma declaração de Deus que trará boas notícias aos servos fiéis.

Apocalipse 18:2 – Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável
Então, exclamou com potente voz: “Potente voz” vem da mesma expressão traduzida por “grande voz” em outros versículos: a voz de Jesus (1:10), a voz de anjos (5:2; 10:3; 14:7,9,15,18; 19:17), a dos adoradores de Deus (5:12; 7:10); a das almas dos mártires (6:10), a da águia que anuncia os três ais (8:13), a voz do céu que chamou as testemunhas a subirem (11:13); as da sétima trombeta que anunciam o reino do Senhor (11:15), a do céu que anuncia o poder de Deus e a expulsão do dragão (12:10), a do santuário ou do trono (16:1,17; 21:3).
Caiu! Caiu a grande Babilônia: Esta linguagem é a maneira profética de mostrar que Deus tiraria do poder aqueles que dominavam e abusavam dos outros. Isaías profetizou contra o rei da Babilônia histórica: “Como cessou o opressor! Como acabou a tirania! Quebrou o SENHOR a vara dos perversos e o cetro dos dominadores, que feriam os povos com furor, com golpes incessantes, e com ira dominavam as nações, com perseguição irreprimível. Já agora descansa e está sossegada toda a terra. Todos exultam de júbilo” (Isaías 14:4-7). Antes de prosseguir, devemos observar a importância do caso da Babilônia antiga na interpretação da Babilônia simbólica do Apocalipse. No Antigo Testamento, há várias profecias sobre a queda da Babilônia. Estas profecias foram cumpridas na queda do domínio babilônico e até na destruição da cidade, mas não literalmente de uma forma imediata e desastrosa. A cidade “caiu” ao líder persa, Ciro o Grande, em 539 a.C., data que geralmente marca o fim do império babilônico, mas as batalhas desta conquista ocorreram em outros lugares, fora da cidade. Sabemos que os persas e medos se juntaram para vencer os babilônicos. Isaías fala especificamente de Ciro (45:1-2; 48:14-15) e dos medos como instrumentos de Deus neste castigo (Isaías 13:17-20). Jeremias, também, foi específico quando disse que o castigo da Babilônia viria logo no fim dos setenta anos do cativeiro de Judá (Jeremias 25:12), que os medos seriam o instrumento de Deus para castigá-la (51:11), que a destruição dela seria repentina (51:8) e seria afundada como uma pedra jogada no rio (51:63-64). Não podemos forçar uma interpretação literal, pois a cidade permaneceu alguns séculos depois da invasão dos persas e medos, sendo desfeita aos poucos como resultado dos estragos de várias invasões nas épocas dos medo-persas, dos gregos e helenistas e até dos romanos. Não é possível mostrar cumprimento literal de todos os detalhes das profecias da queda da Babilônia antiga (alguns exemplos se encontram em Isaías 13:5,9-13,15-16; 14:22-23; 21:9; 43:14; 47:1,5; Jeremias 25:12-14; 50:1-2,9-10,21-46; 51:1-64). Usando o exemplo de profecias sobre a Babilônia histórica, percebemos que profecias de destruição nas Escrituras podem empregar linguagem poética e hiperbólica, podem usar figuras específicas para falar de castigos mais gerais e podem comprimir uma série de acontecimentos em um único evento. Com este entendimento, ainda mantemos a nossa confiança nas afirmações do Apocalipse que as profecias seriam cumpridas em breve. Não precisamos mostrar a destruição total e repentina da cidade de Roma, nem a queda iminente do império romano. A linguagem profética afirma a humilhação dos poderes que perseguiam os santos, e a história mostra que foram, de fato, humilhados e derrotados.
E se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável: A grande cidade que estava cheia de atividade e de pessoas poderosas e ricas se torna uma cidade abandonada e suja (Isaías 13:19-22). Mais uma vez, o contraste entre as duas principais cidades do livro se torna evidente. A cidade mundana se torna lugar deserto e imundo, ocupado por demônios e espíritos imundos. A cidade santa, a nova Jerusalém, será habitada por multidões na presença do Senhor, e “Nela, jamais penetrará coisa alguma contaminada” (21:27).
A queda da grande cidade Babilônia é uma forma grega. No hebraico do Antigo Testamento a palavra é simplesmente babel, cujo sentido é confusão em que tem caído a ordem social. Neste sentido é empregada simbolicamente. Nos escritos dos profetas do A.T., a palavra Babilônia quando não refere-se a cidade, no sentido literal, é empregada relativamente ao estado de “confusão” em que tem caído o mundo pagão.
Do modo como foi destruída a Antiga Babilônia (a cabeça de ouro da estátua (Dn 2)), por causa das suas abominações, também é anunciada a queda da Babilônia mística, o grande poder político-religioso liderado pela segunda besta o falso profeta (Ap 13.11).
Babilônia aqui não é apenas a Babilônia escatológica, mas a Babilônia atemporal, ou seja, é o sistema do mundo que se opõe contra Deus em todas as épocas. É um símbolo da rebelião humana contra Deus. No capítulo 17, Babilônia era a grande meretriz, a religião apóstata. No Capítulo 18 João vê a queda da Babilônia, a cidade da luxúria, a morada dos demônios, ‘A GRANDE MERETRIZ’. Nos capítulos 17 a 18 do Apocalipse, Babilônia aparece em sentido duplo em cada secção: a primeira é vista do sentido político e religioso; enquanto que a segunda é contemplada do ponto de vista literal e comercial.

Apocalipse 18:3 – pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria.
Este versículo repete alguns dos motivos do castigo de Roma:
Pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra: A meretriz contaminou as nações com a sua maldade, avareza, etc. Também os mercadores da terra se enriqueceram a custa da sua luxúria: A cidade de Roma também foi um grande consumidor, procurando e tomando para si tudo que traria prazer carnal ou glória material. Pelo fato do império controlar o comércio entre os continentes da Europa, África e Ásia, as nações exportadoras dominadas pelos romanos se enriqueceram por causa desse comércio. A luxúria é o desejo descontrolado, um termo que, muitas vezes, descreve a sensualidade e lascívia.

Apocalipse 18:4 – Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos
Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serem cúmplices em seus pecados: Esta linguagem vem de Isaías 52:11, um trecho que fala sobre o fim do cativeiro dos israelitas. Deus promete trazer o seu povo remido de volta para Sião, mas exige que venha sem a impureza e a idolatria praticada por seus opressores. A purificação e a fidelidade do povo seriam essenciais para a comunhão com o santo Senhor (52:1-6).
Paulo emprega a mesma linguagem em um apelo à santidade (2 Coríntios 6:14 - 7:1). Para ser o povo de Deus e manter e gozar a comunhão com o Senhor é necessário ser santificado. Esta santidade é oposta à imundícia e a luxuria da meretriz.
E para não participardes dos seus flagelos: Se participar dos pecados receberia o mesmo castigo. Deus chama o povo dele para ser separado. A santificação é uma exigência fundamental do evangelho como base da comunhão com Deus: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hebreus 12:14-15). “Sai dela, povo meu é uma ordem que faz coro com Isaías 52.11 e especialmente com Jeremias 51.45, profecias declaradas em uma época quando o império babilônico estava pronto para o juízo”. O que diz o presente texto é o que aconteceu no Antigo Império Babilônico: o orgulho e a devassidão foram a causa primordial de sua queda. Daniel nos informa que na noite da invasão Medo-Persa sobre a cidade de Babilônia, todos os grandes do Império babilônico se encontravam embriagados e em extrema orgia (Dn 5). Na babilônia comercial e política, descrita neste capítulo, as mesmas coisas do passado serão praticadas, no que diz respeito a vida dissoluta: prostituição, comércio desonesto feitiçaria e idolatria.
Tal como o vinho, as falsas doutrinas retiram da pessoa sua capacidade de discernir o erro. Não fosse pela ação danosa deste vinho que mantém as nações embriagadas, multidões seriam convencidas e convertidas pelas verdades claras contidas na Palavra de Deus.
A expressão “sai dela” é um imperativo, ou seja, uma ordem. Babilônia não pode ser reformada, de acordo com as Escrituras. Só há um remédio: separar-se completamente dela. Assim como Ló foi chamado para fora de Sodoma, antes que ela fosse destruída por fogo e enxofre (Gn 19.14-29), da mesma forma o povo de Deus é dirigido por uma voz que vem do Céu dizendo-lhe para sair de Babilônia, antes que ela caia.

Apocalipse 18:5 – porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou.
Porque os seus pecados se acumularam até ao céu: A voz do sangue de Abel chegou ao Senhor, pedindo vingança (Gênesis 4:10). O clamor de Sodoma e Gomorra subiu até Deus, trazendo sua ira na destruição das cidades (Gênesis 18:20-21). A meretriz acumulou tanta iniquidade que chegou até ao céu. Babilônia, é uma figura de iniquidade religiosa, ou seja, uma comunhão de credos, igrejas seitas, filosofias, dentro da própria cristandade, liderada, ecumenicamente pelo falso profeta (Ap 17.9 - 1ª Pe 5.13). Sua queda é celebrada por antecipação, de acordo com Isaías 21.9, (caiu, caiu a Grande Babilônia) e está descrita nas visões dos capítulos 17 e 18, onde Babilônia é vista como uma mulher que deu de beber e embriagou a todas as nações com o vinho de sua fornicação, o equivale dizer: arrastou á idolatria (Jr 51.7).
Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou: O Senhor não podia ignorar a maldade de Babilônia que se exaltou em rebeldia contra Deus e contra a sua vontade. O castigo se tornou inevitável. Pois os pecados da Babilônia acumularam-se até o céu, e Deus se lembrou dos seus crimes.

Apocalipse 18:6 – Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela.
Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras: A justiça divina opera-se pelo princípio da colheita: “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Babilônia e outras potências mundiais conduziram outras nações a participarem na sua iniquidade e a sofrerem as consequências nos flagelos de Deus. Agora, veia a hora da retribuição.
No cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela: Induzir outros ao pecado não é ato de amor ou amizade. Causa sofrimento e os leva ao castigo. Por ter feito isso, a meretriz terá que beber do cálice da ira de Deus (14:8,10). A cidade usada para corromper as nações e levar ao mundo todo o tipo de falsa religiosidade receberá o castigo de Deus.
Os poderosos que se comprometeram com as obras do maligno, a idolatria pagã, o materialismo, a luxuria, serão arruinados juntos.
Terrível é o dano produzido pela falsa igreja simbolizado por Babilônia. Incalculável, mais terrível, ainda, é o castigo eterno, com tormento e pranto, reservados para os que servem este sistema religioso.
“Quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento, pranto, por diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva não sou. Pranto, nunca hei de ver! Por isso, em só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou” (Ap 18.6-8)
Ela se orgulha de não ser viúva sem poder e abandonada, mas de ser rainha soberana. Seu desejo é sempre reinar, reinar sobre todas as consciências. Orgulhosa, ela pensa que está assentada não somente em um lugar elevado, mas também seguro. Tem grande capacidade de comando sobre muita gente.

Apocalipse 18:7 – O quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento e pranto, porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de ver!
O quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento e pranto: O castigo na medida do crime cometido. Ela se entregou à luxúria sem limites, e agora sofreria tormento sem limites.
Porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de ver!: Na sua arrogância, se achou invencível. Ela dominava o mundo, e nem imaginou alguém capaz de tirá-la de sua posição exaltada. A cidade de Babilônia, como também Roma e os seus imperadores chegaram a ser adorados como deuses. A confiança exagerada dela nos lembra dos edomitas no Antigo Testamento: “A soberba do teu coração te enganou, ó tu que habitas nas fendas das rochas, na tua alta morada, e dizes no teu coração: Quem me deitará por terra? Se te remontares como águia e puseres o teu ninho entre as estrelas, de lá te derribarei, diz o SENHOR” (Obadias 3-4; cf. a profecia semelhante sobre a Etiópia e a Assíria em Sofonias 2:15). Os versículos 7 e 8 claramente tomam a sua linguagem de uma profecia sobre a Babilônia histórica: “Ouve isto, pois, tu que és dada a prazeres, que habitas segura, que dizes contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra; não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos. Mas ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez; virão em cheio sobre ti, apesar da multidão das tuas feitiçarias e da abundância dos teus muitos encantamentos” (Isaías 47:8-9). Compare, agora, em outras traduções bíblicas o que viria sobre a Babilônia do Apocalipse. Façam-lhe sofrer tanto tormento e tanta aflição como a glória e o luxo a que ela se entregou. Em seu coração ela se vangloriava: “Estou sentada como rainha; não sou viúva e jamais terei tristeza”.
Aqueles que vivem no luxo e nos prazeres, ignorando a Deus, serão abatidos pela Sua ira. Por isto, receberão um juízo, como nunca antes existiu nesta extensão. Duas afirmações mostram a rapidez deste juízo: “... em um só dia” (v. 8) e “... em uma só hora ficou devastada tamanha riqueza” (v.17). Sua tranquilidade hoje, será transformada em pânico naquele dia por isto eles dizem ai! Ai!

Apocalipse 18:8 – Por isso, em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou.
Por isso, em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será consumida no fogo: A autoconfiança da Babilônia a deixa totalmente despreparada e vulnerável quando vem o juízo de Deus. Mais um versículo de Isaías salienta o perigo que a Babilônia enfrentará, o mesmo que enfrentamos hoje numa sociedade dominada pelos avanços da ciência e da tecnologia: “Porque confiaste na tua maldade e disseste: Não há quem me veja. A tua sabedoria e a tua ciência, isso te fez desviar, e disseste contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra” (Isaías 47:10). A palavra traduzida “flagelos” é a mesma que descreve, em outros livros do Novo Testamento, os açoites de castigo (Atos 16:23,33; 2 Coríntios 6:5; 11:23). Aqui e outras vezes no Apocalipse, identifica os “açoites” de castigo que vêm de Deus.
Porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou: A meretriz se acha poderosa, mas se engana. Deus é o verdadeiro Onipotente, e ele julgará a meretriz. Ela não escapará deste castigo. Paulo disse: “A fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Coríntios 1:25).

Os Lamentos – 18:9-20
Apocalipse 18:9 – Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio
Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra... quando virem a fumaceira do seu incêndio: Os mesmos reis que odiavam a meretriz e contribuíram à destruição dela (17:16) agora lamentam a queda da Babilônia. Apesar de detestar a meretriz que os dominava (17:18), eles viviam do comércio gerado pela luxúria dela. A destruição da meretriz teria um impacto econômico muito negativo para os países comerciantes.
As reações à queda da meretriz são duas: lamentação e exultação. Primeiro, encontramos a lamentação repetida por três grupos de dependentes: os reis, os mercadores e os pilotos. Todos se expressam com variações do mesmo refrão: “Ai! Ai da grande cidade” (10,16,19). Depois, três categorias dos dependentes de Deus (santos, apóstolos e profetas) são convidados a exultarem sobre a meretriz caída (20). Agora, as lamentações:
Todos os mercadores da terra lamentarão. “E, sobre ela, choram e pranteiam os mercadores da terra, porque já ninguém compra a sua mercadoria, mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho finíssimo, de púrpura, de seda, de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, todo gênero de objeto de marfim, toda qualidade de móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore” (v. 11-12). Entre as coisas que deixam de negociar encontram-se “até almas de homens”. Isto lembra o seu comércio com os cadáveres dos mortos nas chamadas “encomendas dos corpos”, missas de sétimo dia e indulgências para enriquecer a muitos. O que dizer do purgatório inventado para enriquecer este negócio profano e que permite a troca das almas por dinheiro de onde enche os celeiros da meretriz.
A cidade, simbolicamente chamada Babilônia, também será o centro comercial e econômico do mundo durante o reinado do Anticristo. Com o rompimento entre a Babilônia política representada pela besta e os reis confederados, e a Babilônia religiosa, que representa a cristandade apóstata, vai acontecer a destruição deste sistema religioso pelo poder da primeira besta (Ap. 13) que meterá fogo sobre a sede deste governo (vs. 17-19). Os reis lamentar-se-ão não por causa dos seus pecados, e sem lagrimas de arrependimento, pois a causa do seu sofrimento é das consequências e pela perda da sua infra-instrutura. Como Caim, eles não ficam tristes por seus pecados, mas apenas pelo castigo. Lamentar-se-ão por causa de suas perdas.

Apocalipse 18:10 – e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo.
E, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento: As nações participaram dos lucros, e até dos erros, mas não querem se envolver na hora do castigo.
Dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo: A poderosa cidade que dominava os reis do mundo recebe a justa recompensa por seu erro. O juízo de Deus chega repentinamente, tomando a orgulhosa meretriz de surpresa. Amedrontados por causa do tormento dela, ficarão de longe e gritarão: ” “Ai! A grande cidade! Babilônia, cidade poderosa! Em apenas uma hora chegou a sua condenação!” “Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada” (v.21).
O anjo forte, com seu ato de arrojar, a grande pedra, mostrou que Babilônia (Roma), haverá de cair violentamente, em súbita destruição. A pedra de moinho (em grego millos, onikos), aqui em foco, provavelmente deve ser aquela que somente os animais podiam fazer girar (Mc 9.42).
Afundar uma enorme pedra no mar, antigamente, era símbolo de eterna destruição. Este é o cumprimento daquilo que o profeta Jeremias escreveu (Jr 51.60-64).
Aqui, este juízo é então executado e Babilônia será lançada fora, como uma pedra jogada no fundo do mar. Quando este juízo tiver sido executado sobre a humanidade anticristã, então haverá um silêncio apavorante sobre a face da terra. É o que descreve João:
“E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho. Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria” (v. 22- 23).
Nenhum som e nenhuma luz. Isto é um sinal de uma cidade morta. E nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá: O casamento sempre é um sinal de esperança, de planos para o futuro (Mt 24.38). Mas a Babilônia não tem futuro; não terá nela as vozes de noivos. A Babilônia mundial ficará completamente deserta.
Pois os teus mercadores foram os grandes da terra: A Babilônia foi exaltada e exercia poder e influência sobre os outros. Os motivos do castigo dela são resumidos em dois pontos: Porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria: A meretriz seduziu as nações, que participaram com ela na sua prostituição. Este envolvimento dos povos com a Babilônia foi um dos pontos principais deste capítulo. Babilônia atraiu, enganou e embriagou as multidões com sua feitiçaria e sua prostituição. Aqui ela terá o seu fim.
Com todos os acontecimentos mundiais evidenciados e revelados na Palavra de Deus, os homens não aceitam a verdade como verdadeira. Se o fato de que a terra será aniquilada, fosse a base em que as pessoas edificassem suas vidas, muitas coisas seriam bem diferentes. Mas, até ao dia de hoje foi reprimido na consciência dos homens, que a terra terá um fim. Eles preferem seguir e aceitar os enganos da meretriz do crer nas verdades das Escrituras Sagradas. Embora Deus já tenha revelado as doutrinas das últimas coisas na Sua Palavra, o homem continua ignorante. Por quê? Porque é uma escolha do homem de crer no engano, no óbvio, do que crer na verdade.


Apocalipse 18:11 – E, sobre ela, choram e pranteiam os mercadores da terra, porque já ninguém compra a sua mercadoria,
E, sobre ela, choram e pranteiam os mercadores da terra, porque já ninguém compra a sua mercadoria: Confirmação do motivo egoísta da tristeza das nações! Não choraram por amor de Babilônia, e sim por perda de lucros! O egoísmo e o materialismo são características de pessoas carnais. Babilônia, Roma e outras grandes cidades tem mostrado este mesmo espírito, e os sujeitos que participavam da prostituição dela, também, se mostraram carnais. “Mercadores” vem de uma palavra que sugere atacadistas, aqueles que transportaram mercadoria de longe para vender em grandes quantidades.

Apocalipse 18:12-14  – mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho finíssimo, de púrpura, de seda, de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, todo gênero de objeto de marfim, toda qualidade de móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore; - 13 e canela de cheiro, especiarias, incenso, unguento, bálsamo, vinho, azeite, flor de farinha, trigo, gado e ovelhas; e de cavalos, de carros, de escravos e até almas humanas. - 14 O fruto sazonado, que a tua alma tanto apeteceu, se apartou de ti, e para ti se extinguiu tudo o que é delicado e esplêndido, e nunca jamais serão achados.
Mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas...: Esta lista de produtos mostra a extrema riqueza da meretriz. Consumia todo tipo de mercadoria de luxo, até escravos. A opulência de Babilônia e também nos tempos de Roma, levou estas cidades ao exagero de um consumismo desenfreado, e as nações exportadoras lucraram com isso.
A lista de mercadoria nestes versículos é paralela, embora mais resumida, à lista de Ezequiel 27 e 28. Aquela profecia falou da mercadoria comprado por Tiro, um porto que controlava, na sua época, uma boa parte do comércio do Mediterrâneo. Os produtos citados vêm de diversos países em continentes diferentes. Roma, na época em que o Apocalipse foi escrito, controlava o comércio no mar Mediterrâneo e, com isso, uma boa parte dos negócios entre os continentes da Ásia, África e Europa. A palavra traduzida “mercadoria” normalmente indica frete de um navio.
Nunca jamais serão achados: Depois de gerações de luxo, não terão mais o domínio comercial e a facilidade de obter estas mercadorias. Perderão poder e prosperidade e, como consequência, sua capacidade de satisfazer seus próprios apetites. Todas as suas riquezas e todo o seu esplendor se desvaneceram; nunca mais serão recuperados”. — Vestida e adornada. A descrição da rica Babilônia é quase idêntica àquela da prostituta em Apocalipse 17.4.

Apocalipse 18:15-17– Os mercadores destas coisas, que, por meio dela, se enriqueceram, conservar-se-ão de longe, pelo medo do seu tormento, chorando e pranteando, - 16 dizendo: Ai! Ai da grande cidade, que estava vestida de linho finíssimo, de púrpura, e de escarlata, adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas, - 17 porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza! E todo piloto, e todo aquele que navega livremente, e marinheiros, e quantos labutam no mar conservaram-se de longe.
Os negociantes dessas coisas, que enriqueceram à custa dela, ficarão de longe, amedrontados com o tormento dela, e chorarão e se lamentarão, pois, outrora estava vestida de linho finíssimo, de púrpura...: A descrição da meretriz (17:4). Agora ele deixa claro o significado, frisando a prosperidade e materialismo da cidade.
E todo piloto, e todo aquele que navega livremente, e marinheiros, e quantos labutam no mar conservaram-se de longe: As economias de nações dependiam do comércio com esta cidade e, por isso, os reis lamentaram (18:9-10). Os mercadores dependiam deste comércio, dando-lhes motivo para chorar (18:11-17). Os pilotos, também, dependiam do transporte de mercadoria. Mas, como os outros, eles ficam longe na hora do castigo da grande cidade, porque não querem sofrer com ela.
Em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza: A Babilônia tinha tudo, e se achava superior a todos. Agora, pela declaração de Deus, perde tudo.

Apocalipse 18:18 – Então, vendo a fumaceira do seu incêndio, gritavam: Que cidade se compara à grande cidade?
Então, vendo a fumaceira do seu incêndio, gritavam: Que cidade se compara à grande cidade?: As palavras de blasfêmia de novo! Os aliados do diabo se exaltaram diante dos homens tanto que os habitantes da terra acreditavam, por um tempo, nas suas arrogantes afirmações (os comentários sobre Miguel e a besta do mar em 13:4). Que outra cidade se igualou a esta grande cidade? Mas o motivo desta arrogância sumiu numa nuvem de fumaça subindo da cidade! Aqueles que tiram o seu sustento negociando no mar também lamentam o juízo e o incêndio pelo o qual a Babilônia foi assolada. Eles lançaram pó sobre a cabeça como expressão de grande tristeza, que só foi vista em Ezequiel 27.30, no lamento sobre Tiro.

Apocalipse 18:19 – Lançaram pó sobre a cabeça e, chorando e pranteando, gritavam: Ai! Ai da grande cidade, na qual se enriqueceram todos os que possuíam navios no mar, à custa da sua opulência, porque, em uma só hora, foi devastada!
Lançaram pó sobre a cabeça e, chorando e pranteando, gritavam: Uma cena igual à lamentação dos pilotos quando Tiro caiu (Ezequiel 27:27-32). Lançar pó sobre a cabeça mostra angústia e tristeza (Jó 2:12; Ezequel 27:30).
Ai! Ai da grande cidade: O terceiro refrão destas lamentações.
Na qual se enriqueceram todos os que possuíam navios no mar, à custa da sua opulência, porque, em uma só hora, foi devastada!: O motivo dos pilotos, como o dos mercadores, é egoísta. Nada de tristeza pela meretriz. Eles choram porque perderam os seus contratos como transportadores.

A Ruína Completa – 18:21-24 
Apocalipse 18:20 – Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa.
Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa: Os habitantes da terra podem lamentar, mas os que habitam no céu celebram a vitória! A causa dos fiéis foi o assunto das orações dos santos (5:8; 8:4) e das petições das almas debaixo do altar no quinto selo (6:9-11). Santos, apóstolos e profetas foram perseguidos e oprimidos por aqueles que habitam sobre a terra. A queda da Babilônia, a meretriz que bebera o sangue dos santos (17:6), foi um passo importante na direção da vindicação total da causa dos servos do Senhor.
A Exultação dos Santos (18:20): Os reis, mercadores e pilotos podem lamentar, mas a queda da Babilônia é ocasião de alegria para os servos do Senhor! Eles 18:19 Lançarão pó sobre a cabeça e, lamentando-se e chorando, gritarão: “Ai! A grande cidade! Graças à sua riqueza, nela prosperaram todos os que tinham navios no mar! Em apenas uma hora ela ficou em ruínas!
Celebrem o que se deu com ela, ó céus! Celebrem, ó santos, apóstolos e profetas! Deus a julgou, retribuindo-lhe o que ela fez a vocês”. Esse chamado para alegrar-se é uma introdução resumida para o cântico de louvor mais extenso em Apocalipse 19.1-5. O juízo por matar os profetas de Deus é mencionado em Apocalipse 16.6, mas esse é o único lugar no livro, além de Apocalipse 21.14, no qual os apóstolos de Cristo são mencionados.
Se apóstolos específicos estão em mente aqui, a morte de Pedro e de Paulo pelas mãos de Roma provavelmente se encaixa aqui. Se a Babilônia é um símbolo de todos os inimigos de Deus e de Seu povo, e não apenas as manifestações babilônicas e romanas, até mesmo a morte de Tiago em Atos 12.1,2 está sendo vingada aqui.

A Derrota Total da Babilônia (18:21-24)
A primeira vez que a palavra Babilônia aparece no Apocalipse foi para anunciar a queda dela (14:8). A última vez que aparece (18:21) é para declarar a sua derrota total e final.
Apocalipse 18:21 – Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada.
Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar: Foi um anjo forte que procurou alguém para abrir o livro e revelar a vontade de Deus (5:2). Foi um anjo forte que desceu do céu e jurou que o mistério de Deus seria cumprido (10:1-7). Agora, um anjo forte joga a grande pedra no mar, declarando a finalidade do castigo previsto. Jesus usou a figura de lançar alguém no mar com uma grande pedra de moinho pendurada no pescoço para descrever a morte (Mateus 18:6; Marcos 9:42). Este ato simbólico do anjo declara a morte, a derrota total, da meretriz.
Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada: Em relação à interpretação literal ou figurada desta profecia. Da mesma maneira que entendemos as profecias sobre a Babilônia histórica, aceitamos estas profecias sobre a destruição da Babilônia simbólica. O ponto não é a forma do castigo, mas sua certeza. Ela afirmou, na sua arrogância, que nunca veria pranto (18:7). Deus declara que ela nunca será vista, e nunca verá a vida! A Babilônia foi jogada no mar e se afundou. Jamais levantará a sua mão contra os servos do Senhor. Compare a profecia sobre a Babilônia antiga em Jeremias 51:63-64.
O estado de morte da meretriz é descrito nas figuras nos versículos seguintes. É uma cidade morta. Não há nela os sons de festa, nem os sons do trabalho de fábricas, nem de produção de alimentos; não há luz, pois, a cidade se escureceu. O que acha é apenas o sangue dos santos, motivo da morte da meretriz.

Apocalipse 18:22 – E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho.
E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá: A festa acabou! A alegria da música, característica de uma cidade de luxúria e prosperidade, cessou. A Babilônia nunca voltaria a ter a mesma alegria.
Nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará: A cidade era um centro de atividade comercial, mas agora pararam para sempre as atividades de artesanato e produção.
Nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho: Nenhum barulho de produção de alimentos. O silêncio da morte toma conta da cidade

Apocalipse 18:23 – Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria.
Nunca mais brilhará dentro de seus muros a luz da candeia. Nunca mais se ouvirá ali a voz do noivo e da noiva. Desse ponto em diante do Apocalipse, a voz de esposo e de esposa é ouvida apenas em consideração às bodas do Cordeiro (Ap 19.7-9) e à Nova Jerusalém, uma esposa ataviada para o seu marido (Ap 21.2). Nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá: O casamento sempre é um sinal de esperança, de planos para o futuro (Mateus 24:38). Mas a Babilônia não tem futuro; não terá nela as vozes de noivos.
Seus mercadores eram os grandes do mundo. Todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria: Feitiçarias (literalmente artes mágicas) são usadas em Apocalipse 9.21 para fazer referência aos pecados da humanidade de forma geral. Talvez a influência da Babilônia seja vista como corrompendo todas as nações.

Apocalipse 18:24 - E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.
E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra: Mais uma vez, ele volta ao motivo maior do castigo dessa cidade. Perseguia os santos e se embriagou com o sangue deles (17:6). Deus castiga a Babilônia como ato de justiça, trazendo a merecida vingança pela perseguição do povo do Senhor. A súplica do quinto selo está sendo respondida!
Nela foi encontrado sangue de profetas e de santos, e de todos os que foram assassinados na terra: O sangue da matança parece referir-se a todos os mártires pela causa de Cristo ao longo da história (Ap 6.10; 17.6). No entanto, pode fazer referência especificamente àqueles que foram mortos durante a tribulação, principalmente durante o reinado da besta (Ap 13.7,15). A queda da Babilônia, a meretriz que bebera o sangue dos santos (17:6), foi um passo importante na direção da vindicação total da causa dos servos do Senhor.

Conclusão
O Espírito Santo, prevendo todas essas coisas e sendo o guia e o consolador da verdadeira Igreja, já providenciou uma resposta divina para o perigoso, onipresente e renascido neste tempo vindouro. Na Bíblia, o Espírito de Deus expõe a igreja falsa como sendo bela aos olhos deste mundo perdido, mas deplorável por sua apostasia. Para os que creem, ele quebrou seus encantamentos, arrancou sua máscara e escreveu com letras bem grandes seu nome para todos verem: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA. Os cristãos verdadeiros devem comparar tudo com Palavra do Deus Eterno, Santo, Imutável, Todo-Poderoso, Onisciente e Sábio. Quando confrontados com esta apostasia, os cristãos podem ter no Senhor, pois é tarefa do Senhor desfazer o iníquo pelo seu poder: “E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” Até isto acontecer, multidões serão salvas dela “com temor, arrebatadas do fogo” (Jd 1.23). Esta promessa da graça deve-se à palavra da verdade do Evangelho. O Senhor Jesus Cristo, que é a cabeça exaltada da Igreja e o seu Espírito soberano, dão conforto e vitória pois “o evangelho de Cristo é o poder de Deus para a salvação” (Rm 1.16).



terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A P O C A L I P S E / QUARTA PARTE - EXECUÇÃO DIVINA 3

PARTE 4 - EXECUÇÃO DIVINA 


A GRANDE MERETRIZ

O que a Bíblia diz sobre a prostituta de Apocalipse 17? Qual a importância que ela tem tanto para o nosso tempo e no fim dos tempos?

A prostituta de Apocalipse 17 (também conhecida como Babilônia) é uma das figuras centrais no que respeita profecia fim dos tempos. Ela tem sido bem ativa desde os dias da igreja primitiva, especialmente em nossos dias modernos. É importante saber quem é a prostituta e qual a importância que ela tem para nós.

O espírito da prostituta
A prostituta é por vezes considerada como sendo uma igreja ou organização específica e muitas pessoas acusaram a este grupo ou aquele grupo de ser “a prostituta”. Mas, na realidade, a prostituta é um espírito que permeia muitas igrejas diferentes, denominações, e até indivíduos.
Em Tiago 4: 4, podemos obter uma imagem clara do que prostituição espiritual parece a Deus. “Infiéis! Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. “
A amizade do mundo é inimiga de Deus. Não há meio-termo. Ou você alinha-se com Deus ou com o mundo. Qualquer outra coisa é considerada adultério aos olhos de Deus. Mas isso é exatamente o que o “espírito prostituta” tenta fazer. Ela tenta misturar Deus com o mundo e oferecem o melhor nos dois mundos.
A totalidade do “evangelho” da prostituta é a pregação que você pode ter tanto o mundo quanto Deus. Ela usa a Palavra de Deus e cita muitos versos e expressões que soam muito bom e piedoso. Mas por baixo de tudo isso, desse ouro reluzente há uma corrente obscura de egoísmo e orgulho.
A parte mais perigosa sobre a prostituta é que ela pode ser muito difícil de reconhecer. Ela apresenta seu vinho em um cálice de ouro (Apocalipse 17: 4), que é a Palavra de Deus. Todas as palavras e frases e doutrinas ela prega com olhar piedoso, porque ela usa versículos da Bíblia para apoiar suas mentiras. Este é um truque comum de Satanás e seus servos. (2 Coríntios 11:14). Pregação torcida da prostituta é o “vinho da sua prostituição.” (Apocalipse 17: 2),  com um vinho fácil de se embebedar, a pregação da prostituta leva a uma falsa verdade com Cristo, na vitória sobre o pecado.
O trabalho da prostituta em nosso tempo moderno influencia as pessoas a viver de bem com o mundo declarando-se como “cristãos”, mas ao mesmo tempo vivem de acordo com os valores mundanos ou puramente humanos. Se viver de acordo com os valores mundanos, e viver de acordo com as suas próprias concupiscências, pecando e desfrutando os prazeres deste mundo, e na sequência de um conjunto de regras rígidas ou código de ética, não pode pertencer a Deus.
Em uma escala mais ampla o espírito da prostituta também é ativo nas igrejas de todo o mundo, trabalhando para deformar os puros ensinamentos de Deus e seguir igrejas e denominações para longe da verdade em uma escuridão cheias de suas mentiras. A meta da prostituta não é derrubar o cristianismo e a religião completamente. Ao contrário, ela adora igrejas! A prostituta é a maneira de enterrar uma agulha em um palheiro de Satanás. Torna-se mais difícil para as pessoas a reconhecer o verdadeiro viver do cristianismo quando se está rodeado por tantas meias-verdades e palavras bonitas.
“Porque eu sei isto que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês, que não pouparão o rebanho. Também a partir de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si “Atos 20: 29-30.

Apocalipse 17:1 – Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,
Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo: A queda da grande meretriz já foi anunciada em 14:8, e ela recebeu o cálice da ira de Deus quando a sétima taça foi derramada (16:19). Agora um dos anjos que derramaram as taças mostra mais detalhes para João.
Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas: As águas referem-se aos povos ou nações. A besta, o poder do governo romano, surgiu do mar (13:1). A grande meretriz – a cidade e seu poder econômico – se acha sentada sobre as nações. A grandeza dela dependia dos povos dominados pelo império romano.
O Apóstolo João viu uma prostituta, vestida sensualmente, seduzindo os reis da terra. Seu nome era Babilônia, a Grande, e ela representa a terceira maior ferramenta que o diabo maneja em sua luta para conquistar a humanidade. Em capítulos anteriores foram apresentadas a besta do mar, representando a perseguição, e a besta da terra, representando a falsa religião. A prostituta representa a imoralidade, uma das ferramentas mais eficazes de Satanás, uma que ele jamais hesitou em usar.

Apocalipse 17:2 – Com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra.
Com quem se prostituíram os reis da terra: A prostituição entre nações é uma figura que sugere alianças. Encontramos linguagem quase igual na condenação de Nínive, a antiga cidade principal do corrupto império assírio (Naum 3:4-5), e nas críticas feitas a Tiro, a cidade que dominava o comércio no mar mediterrâneo no tempo de Isaías (Isaías 23:15-18). Roma, na época de João, mantinha suas relações com diversos reis, dominando todos os países da região mediterrânea.
Com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra: Esta mesma acusação foi feita pela segunda voz (14:8). Roma corrompeu outras nações, envolvendo-as na sua libertinagem. Os excessos de Roma, e especialmente de alguns dos imperadores, são bem documentados na história do período. Países que estabeleceram relações favoráveis ao comércio com Roma lucraram como fornecedores de bens consumidos neste contexto materialista. A mesma descrição pode incluir outros aspectos da corrupção romana – ganância, idolatria, imoralidade, etc.
Como já observamos em outras citações, “os que habitam na terra” são os ímpios (13:6 e 8). Cada uma das ferramentas do diabo tinha uma manifestação concreta nos dias de João. A besta do mar era o Império Romano; a besta da terra era a adoração do imperador através da falsa religião. Não é difícil ver quem é Babilônia, uma grande cidade que dominava sobre os reis da terra (17:18), construída sobre sete colinas (17:9). Uma cidade rica (18:11-13), arrogante (18:7) e absolutamente ímpia (17:5). Esta é a cidade de Roma.
A história da queda de Babilônia, narrada em Apocalipse 18, mostra a derrota de um dos principais aliados do diabo. No capítulo 19, a queda das bestas será descrita e no capítulo 20 o próprio diabo será amarrado. Desde que Babilônia estava embriagada com o sangue dos santos (17:6), o julgamento contra ela responderá aos gritos dos mártires (6:9-11). E então finalmente, Deus vingará o sangue de seus servos (18:20; 19:2).

Apocalipse 17:3 – Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.
Transportou-me o anjo, em espírito: 600 anos antes desta visão de João, o profeta Ezequiel foi levantado pelo Espírito e levado a ver as condições da cidade de Jerusalém para ajudá-lo a entender e comunicar os motivos do castigo de Judá (Ezequiel 3:12; 8:14-16; 11:1,24). Aqui, João é levado à Babilônia para ver os planos de Deus de castigar a cidade mundana.
A um deserto: João já viu uma mulher levada ao deserto para ser protegida (12:6,14). Desta vez, é uma mulher totalmente diferente no deserto. Ela está sendo protegida, temporariamente, pela besta. Esta mulher é a grande meretriz. A profecia de Isaías contra a Babilônia é descrita como “sentença contra o deserto do mar” (Isaías 21:1,9).
Uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres: A mulher está montada na besta do mar (13:1), que representa o poder imperial de Roma. A grande meretriz depende do poder de Roma para sua sobrevivência.

Apocalipse 17:4 – Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição.
Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas: Já sabemos que ela é uma meretriz (17:1), mas ela se veste como se fosse uma mulher rica, de nobreza ou realeza.
Tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição: A Babilônia dera às nações “o vinho da fúria da sua prostituição” (14:8). Da mesma maneira que a Babilônia histórica, cidade principal de sua época, deu seu vinho às nações e causou a loucura delas (Jeremias 51:7), a Babilônia simbólica, Roma, deu de seu cálice às nações de seu tempo. Todas queriam participar do “sucesso” da grande cidade mundana, e iam participar, também, do castigo que viria sobre ela. Mesmo ela sendo bem-vestida e atraente às nações, Deus viu o seu cálice cheio de abominações e imundícias, coisas repugnantes ao Santo Senhor.
No livro do Apocalipse a Igreja é descrita como uma mulher, uma virgem, santa, digna e adornada para seu esposo. Perceba o nítido contraste entre a noiva do Cordeiro (Ap 12; 21:9) e a meretriz descrita neste capítulo. A noiva do Cordeiro também é uma cidade, a cidade santa, a Nova Jerusalém. A prostituta igualmente é descrita como uma cidade, a mãe de toda prostituição, a grande Babilônia. Uma é a cidade de Deus, a outra a cidade do mundo. Enquanto a noiva é a Igreja verdadeira, a meretriz é a falsa Igreja que se revela na busca humana pelo prazer e a autorrealização.
Na verdade, ela possui muitos significados que podem ser sintetizados em uma única, profunda e terrível verdade: a grande Babilônia é a revelação de toda concupiscência humana, da busca do homem pelo prazer, é a sedução do mundo. Babilônia é tudo o que demonstra o mais terrível estado depravado e corrupto da humanidade, a apostasia escancarada, a inimizade contra Deus.
A grande Babilônia é a descrição perfeita e detalhada do mundo à parte de Cristo, que concentra toda sua força na busca por riqueza, luxuria e autorrealização. A grande Babilônia possui duas funções muito claras: tentar desviar a Igreja da santidade e manter os ímpios na incredulidade.
A meretriz é um poderoso sistema mundano a serviço de Satanás. A Babilônia seduz a humanidade a prestar culto ao sistema satânico, a se submeter ao dragão e adorar a besta.

Apocalipse 17:5 – Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra.
Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra: A mulher não esconde a sua verdadeira identidade. As características da Babilônia são encontradas em Roma, e o nome passa a representar esta cidade e sua influência como prostituta corrompendo as nações. Isaías chamou Tiro de meretriz, dizendo que “ela tornará ao salário da sua impureza e se prostituirá com todos os reinos da terra” (Isaías 23:15-17). Uma profecia contra Nínive disse: “Tudo isso por causa da grande prostituição da bela e encantadora meretriz, da mestra de feitiçarias, que vendia os povos com a sua prostituição e as gentes, com as suas feitiçarias” (Naum 3:4). Roma, por sua influência sobre as nações do mundo, é descrita como a mãe das meretrizes.

Apocalipse 17:6 – Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto.
Ela estava embriagada do sangue dos santos, e das testemunhas de Jesus. Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus: Ela deu aos outros a beber, mas ela também ficou embriagada. A “bebida” da meretriz é o sangue dos servos do Senhor. São os mesmos que pediram a justiça divina no quinto selo (6:9-11), aqueles que não amaram a própria vida quando encararam a morte (12:11), e que se mostraram fiéis até à morte (2:10). A grande meretriz cairia por causa da perseguição aos discípulos de Jesus. E, quando a vi, admirei-me com grande espanto: Que cena horrível e assustadora! A mulher embriagada com sangue – o sangue dos conservos de João. Nessa descrição de João podemos identificar mais uma vez uma referência direta a cidade de Roma daqueles dias, onde os cristãos eram perseguidos e cruelmente mortos, servindo até como diversão para os poderosos do império. Como já dissemos, Roma era a cidade do prazer que se embriagava com o sangue dos mártires. Que detalhe terrível é revelado no versículo 6. O próprio Apóstolo João ficou espantado com essa visão. Imagine você a cena que João estava vendo: uma mulher vestida sensualmente, com vestes finas e adornada por pedras preciosas, com uma identificação de prostituta em sua testa, montada em uma besta, segurando um cálice de ouro transbordando abominações e, por último, embriagada do sangue dos santos e das testemunhas de Jesus. Ao mesmo tempo em que Babilônia oferece prazer aos homens, ela também derrama o sangue dos seguidores de Cristo. Isso significa que a busca pelo prazer humano sempre resulta em perseguição à Igreja, pois a Igreja verdadeira sempre irá se opor ao estilo de vida mundano e corrompido.

Apocalipse 17:7 – O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher:
O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? O anjo viu a reação de João, e imediatamente começa a responder à preocupação do profeta.
Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: O entendimento do significado desta visão, implicitamente, aliviará o espanto de João. O anjo promete uma explicação sobre a meretriz e sobre a besta. Esta explicação se segue nos próximos versículos.

Apocalipse 17:8 – a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.
A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo: Sabemos que a besta representa o poder do império romano e, também, os seus reis ou imperadores (17:11). Este versículo coloca a revelação dada a João entre dois reis descritos como “a besta” e durante o reino de um outro, que não agia como a besta. Já sabemos de algumas características da besta, conforme a apresentação no capítulo 13. A besta recebeu sua autoridade do dragão e aceitou a adoração dos homens, que o tratavam como se fosse Deus. Ele agia com arrogância e blasfêmia contra Deus, difamando o tabernáculo (o povo do Senhor). Pelejou contra os santos e os venceu. Os que recusavam a adorar a besta sofriam discriminação econômica, e alguns deles foram mortos. Juntando estas informações, entendemos que os imperadores identificados como “a besta” são reis que perseguiam os santos de Deus. Um perseguidor já era. Seria a cabeça “golpeada de morte” (13:3). Mas essa ferida foi curada, e o poder romano não acabou (13:3). João escreve durante um período de relativa tranquilidade (a besta “não é”), mas um outro perseguidor irá emergir do abismo.
E caminha para a destruição: O poder imperial, a besta, caminha para a destruição. A palavra traduzida destruição aparece no Apocalipse somente aqui e no versículo 11, embora seja comum em outros livros do Novo Testamento (veja Mateus 7:13; João 17:12; Atos 8:20; Romanos 9:22; Filipenses 1:28; 3:19; 1 Timóteo 6:9; Hebreus 10:39; 2 Pedro 2:1-3; 3:7,16; etc.). Uma cabeça já foi golpeada, mas sobreviveu. Outro virá e será destruído. Antes de emergir do abismo, o seu destino já estará selado!
E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá: Novamente, encontramos “aqueles que habitam sobre a terra”. São os ímpios, os adoradores da besta. Estes se admirarão que a besta voltou. Os que habitam no céu, aqueles cujos nomes estão no Livro da Vida, não se admiram, pois sabem que Deus está controlando tudo e que o poder da besta não durará. Desde a fundação do mundo, Deus preparou seu plano para a salvação dos fiéis. Ele planejou a vinda de Jesus, sua vida, morte e ressurreição. Preparou a revelação do evangelho. Estabeleceu os termos de admissão ao seu reino. Ao longo da história, ele veio anunciando, aos poucos, este plano, até chegar à revelação de Jesus e do evangelho no Novo Testamento. Agora, aqueles que decidem servir a Jesus têm seus nomes escritos no Livro da Vida.

Apocalipse 17:9 – Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis,
Aqui está o sentido, que tem sabedoria: O anjo já prometeu explicar o significado da visão, e agora chama a atenção de João aos pontos principais.
As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada: A meretriz está sentada sobre sete montes. Várias cidades foram conhecidas, ao longo da história, como cidades de sete montanhas ou colinas. As pessoas que aplicam as profecias sobre a grande meretriz à cidade de Jerusalém oferecem algumas citações de Jerusalém como uma cidade de sete montes. Mas a aplicação natural desta expressão no contexto do Apocalipse é a cidade de Roma, bem conhecida na época de João como a cidade de sete colinas. Esta interpretação se ajusta aos outros aspectos da descrição desta cidade que dominava “sobre os reis da terra” (17:18).
São também sete reis: Na linguagem simbólica da Bíblia, duas imagens diferentes podem representar uma ideia ou personagem. Por exemplo, Jesus é um Cordeiro e um Leão (5:5-6) e o diabo é um dragão e uma serpente (12:9). Aqui uma imagem representa duas ideias diferentes. As sete cabeças são sete montes, e também são sete reis. Nos versículos seguintes, torna-se evidente que são sete reis específicos. Esta mensagem comunica aos santos na época de João informações sobre o passado e o futuro, identificando a conjuntura histórica em que eles se encontraram.

Apocalipse 17:10 –  dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.
Dos quais caíram cinco: Os primeiros cinco imperadores romanos já caíram. Este fato nos ajuda a determinar uma data do livro depois do suicídio de Nero, que aconteceu em 68 d.C.
Nota: Algumas interpretações se baseiam numa lista diferente de imperadores, tipicamente começando com Júlio César e citam algumas referências históricas (Flávio Josefo, etc.) para apoiar esta explicação. Os mesmos comentaristas reconhecem, porém, o perigo de se justificar com base em alguma referência histórica que contradiz as informações bíblicas. Eles rejeitam, como eu também faço, as interpretações que dão mais peso às referências históricas do que às evidências internas quando se trata da datação do livro. Apesar de textos extra bíblicos que datam o Apocalipse no final do reinado de Domiciano, as evidências internas favorecem uma data anterior. No caso de determinar um ponto de partida para a lista dos reis, tanto as evidências internas como a maioria das citações históricas favorecem a posição usada neste estudo, de que Augusto foi o primeiro imperador romano. Entre as observações históricas sobre esta questão, devemos observar dois fatos:
Júlio César se declarou ditador durante o período da República Romana (um erro político que provocou o seu assassinato), mas Augusto foi o primeiro reconhecido pelos romanos como imperador. Caio Júlio César Otaviano, conhecido como César Augusto, tinha 18 anos de idade quando seu tio e pai adotivo, Júlio César, foi assassinado em 44 a.C. Nos anos seguintes, a instabilidade política em Roma levou ao fim da República e a Augusto foi dado poder absoluto pelo Senado em 27 a.C. Não houve uma sucessão direta, como seria o caso de passar a autoridade de imperador de pai para filho. Augusto conseguiu consolidar o poder em 31 a.C., e seu reinado como imperador começou 17 anos depois da morte de Júlio, em 27 a.C.
Respeito as opiniões ao contrário, mas acredito que as evidências favorecem uma contagem de “reis” a partir de Augusto, o primeiro imperador de Roma. Assim, o anjo declara que Augusto, Tibério, Gaio Calígula, Cláudio e Nero já caíram.
Nero foi o último imperador da dinastia Júlio-Claudiana. A revolta de Galba e a rejeição de Nero pelo Senado forçou o imperador a fugir. Seu suicídio em 68, sem deixar filhos, foi o fim de sua linhagem e o golpe mortal de uma das cabeças da besta, citado em 13:3.
Um existe: Depois da morte de Nero, houve guerra civil em que quatro homens tentaram se estabelecer como sucessores de Nero (este período é conhecido como o ano dos quatro imperadores). Galba, Otão e Vitélio fracassaram. Vespasiano estabeleceu a próxima linha de imperadores, conhecida como a dinastia Flaviana, que inclui o próprio Vespasiano e seus dois filhos, Tito e Domiciano. Para identificar aquele que “existe” quando João escreve, precisamos comparar a profecia dele com a de Daniel 7. Na visão de Daniel, os reis foram representados pelos dez chifres do quarto animal. Quando subiu o décimo-primeiro, três foram arrancados (Daniel 7:8), deixando um total de oito. Da mesma maneira que os quatro animais de Daniel se transformaram em uma besta para João (13:2), os 11 reis de Daniel são oito para João, pois estes três insignificantes já foram, e Vespasiano se estabeleceu como o sexto rei. Se João tivesse escrito o livro na época de Nero, como alguns afirmam, ele teria a mesma perspectiva de Daniel, ainda aguardando aparecer estes três reis. Escrevendo depois de Vitélio, ele nem menciona os três que fracassaram entre Nero e Vespasiano. Apesar de alguns comentários feitos nas décadas e séculos depois colocando o exílio de João e o Apocalipse no reinado de Domiciano, eu acredito que a evidência interna favorece uma data entre 69 e 79, durante o reinado de Vespasiano.
O outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco: O próximo imperador seria Tito, o filho de Vespasiano, que reinou de 79 e 81. Assim foi cumprida a profecia que “tem de durar pouco”. Interpretações que sugerem que o livro fosse escrito durante o reinado de Nero e que o oitavo rei fosse Tito enfrentam algumas dificuldades aqui. Primeiro, teriam que explicar em que sentido Cláudio pode ser entendido como a besta que foi ferida mortalmente, desde que não há registro de perseguição aos cristãos pelos romanos na época de Cláudio. Segundo, teriam que explicar como Vespasiano seria o outro que ainda não chegou e ia durar pouco, quando o reinado dele foi bem maior do que o reinado de Tito. E ainda oferecendo alguma explicação para estas questões, teriam que mostrar o seu caso mais forte conforme as evidências internas e as comparações com Daniel.

Apocalipse 17:11 – E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.
E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete: Depois das perseguições do reinado de Nero (a besta que era), os servos de Deus passavam por alguns anos mais tranquilos (não é), mas ainda teriam mais sofrimento pela frente. A besta ia surgir de novo na forma do oitavo rei, Domiciano. Em dois sentidos, pode afirmar-se que ele “procede dos sete”: Era filho de Vespasiano, e também ressuscitou a política de perseguição de Nero. João, escrevendo durante o reinado de Vespasiano, disse que a besta estava “para emergir do abismo” (17:8). Daniel falou sobre este rei (o décimo-primeiro do seu ponto de vista): “Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo. Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim” (Daniel 7:25-26). À besta do mar “Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses” (13:5).
E caminha para a destruição: Aqui vem o conforto oferecido aos santos. A besta emergiria do abismo e perseguiria os servos do Senhor. Mas o seu tempo seria limitado (42 meses, ou três anos e meio, representa um tempo limitado de angústia) e seu destino já foi determinado pela justiça de Deus – “Caminha para a destruição” (17:8); “Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada” (13:10); “Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim” (Daniel 7:26). A comparação destes trechos reforça o entendimento que este oitavo rei caminha para sua própria destruição, e não que destrói outros (como alguns sugerem quando aplicam a profecia a Tito, o filho de Vespasiano que destruiu Jerusalém antes de se tornar imperador).

Apocalipse 17:12 – Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.
Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora: Durante uma boa parte do império romano, foi usado um sistema conhecido como “rei-cliente”, em que reis subordinados ao imperador governavam províncias do império. Os Herodes, que governavam a Judéia, servem como exemplo deste tipo de rei subordinado, ou rei fantoche. Os reis-clientes durante o reinado de Domiciano, reinariam “com a besta”, mas o seu tempo seria curto – “durante uma hora”. Em contraste, os servos do Senhor que não adoraram a besta, foram prometidos o privilégio de reinar “com Cristo durante mil anos” (20:4). Os vencedores receberiam “autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá” (2:26-27). Não precisamos entender uma hora literal, nem mil anos literais, para apreciar o contraste. É melhor ser um servo de Cristo do que um rei no império romano!

Apocalipse 17:13 – Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.
Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem: São meramente fantoches. Não têm poder próprio, pois todo o seu poder é dado à besta. Já observamos que a besta surge do mar e depende das nações, da sociedade humana, para seu poder e a sua existência. O imperador romano mantinha seu poder por dominar as nações e seus reis.

Apocalipse 17:14 – Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.
Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá: A besta usará todos os seus recursos, até os reis subordinados, para resistir o poder de Jesus e afligir os santos. Já sabemos que os reis da terra seriam reunidos para uma batalha em Armagedom (16:14,16). Sabemos, também, que servem à besta e ajudarão na perseguição dos fiéis. Mas mais importante de tudo, sabemos que a vitória será do Cordeiro!
Pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis: A certeza da vitória está na natureza divina do Cordeiro. Não é questão do tamanho do exército ou da estratégia dos guerreiros. Ele vencerá porque é o Senhor dos senhores! Este título é mais uma prova da divindade de Jesus, pois a Bíblia afirma que Deus (YHWH) é o Senhor dos senhores: “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível” (Deuteronômio 10:17; Salmo 136:3; 1 Timóteo 6:15). No Apocalipse, este título é aplicado a Jesus (17:14; 19:16). Os reis da terra podem receber autoridade da besta para reinarem durante uma hora (17:12), mas tanto a besta como os reis cairão. Podem olhar para a meretriz como “a grande cidade que domina sobre os reis da terra” (17:18), mas o destino dela já foi anunciado (14:8). Jesus é o Soberano, o verdadeiro Rei dos reis!
Vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele: Os servos fiéis participam da vitória do Cordeiro. Os servos do Senhor venceram o diabo “por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (12:11). A garantia da vitória está na lealdade ao verdadeiro Soberano. Aqueles que confiam na besta serão derrotados, enquanto os servos do Cordeiro têm certeza da vitória final. As cartas nos capítulos 2 e 3 prometem recompensas aos vencedores, dizendo que receberiam autoridade para dominar as nações com cetro de ferro (2:27). Aqueles que foram comprados com o sangue do Cordeiro “reinarão sobre a terra” (5:10). As almas dos decapitados “reinaram com Cristo durante mil anos” (20:4). Na Nova Jerusalém, os servos de Cristo “reinarão pelos séculos dos séculos” (22:5).

Apocalipse 17:15 – Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas.
As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas: A besta surgiu do mar, tomando sua força das nações (13:1). A meretriz, Roma, e seu poder econômico dependem das nações e das relações comerciais no império. O mar e o comércio são ligados um ao outro no castigo da segunda trombeta, que atinge a terça parte da vida no mar e um terço das embarcações (8:9). Roma dominava o comércio entre três continentes pelo seu controle do mar Mediterrâneo. Mas se essas nações voltarem contra a meretriz, ela perderia sua força.

Apocalipse 17:16 – Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.
Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo: Na interpretação da visão de Nabucodonosor, aprendemos que Roma seria um reino misto, dividido, ao mesmo tempo forte e fraco (Daniel 2:40-43). Segundo os relatos históricos, um dos principais motivos do declínio de Roma foi a dissensão interna, envolvendo conflitos entre generais, problemas com os líderes das províncias, etc. No final do primeiro e durante o segundo século, tais conflitos dentro do império começaram. Durante o reinado de Trajano, o império chegou à sua extensão geográfica máxima. Ele morreu em 117 e, logo em seguida, seu sucessor devolveu a Mesopotâmia aos partos, o primeiro de vários incidentes que tiveram o efeito de diminuir e dividir o império. A glória de Roma foi se perdendo devido, em boa parte, aos excessos de alguns imperadores e aos problemas com os povos já subjugados.

Apocalipse 17:17 – Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.
Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento: A besta e a meretriz podem se enganar, achando que exerçam domínio verdadeiro sobre os reis e as nações. Mas é Deus quem exerce o controle verdadeiro. Mesmo quando as nações se rebelam contra o verdadeiro Senhor, ele controla tudo para seus propósitos. Este versículo reafirma um princípio antigo e bem-estabelecido nas Escrituras: “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:32). Quando Deus usa nações ímpias para castigar outras, elas geralmente não reconhecem a mão do Senhor, achando-se donos de si e capazes de controlar o próprio destino (Isaías 10:5-8).
O executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus: Uma parte do plano de Deus para vencer a besta foi o aumento do poder dela. Deus a deixou crescer cada vez mais forte, dominando os reis das nações, enquanto preparava o castigo dela. Nas décadas depois de João escrever o Apocalipse, o poder romano foi aumentando, chegando ao seu auge no final do reinado de Trajano. A partir daquela época, perdeu território e poder aos poucos.

Apocalipse 17:18 – A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.
A explicação inspirada revela o significado da meretriz, da grande cidade. A grande cidade no Apocalipse é a Babilônia (14:8; 16:19; 17:5); é a cidade mundana que se colocou contra Deus no espírito de Egito, Sodoma e Jerusalém (11:8). Ela é Roma, a cidade que dominava sobre os reis da terra na época de João.

Conclusão
Atualmente, não há uma interpretação definitiva sobre o texto:
Nos capítulos 12 e 13, conhecemos três grandes inimigos do povo de Deus – o dragão e suas duas bestas. No capítulo 17, conhecemos mais uma aliada do dragão, a grande meretriz Babilônia. Ela é descrita como a cidade sentada sobre sete montes, bêbada com o sangue dos santos, que dominava os reis da terra. Ela depende da besta do mar, o poder do império romano. Este capítulo esclarece melhor o significado da besta, apontando ao poder perseguidor do governo romano, especialmente às perseguições que seriam feitas por um imperador que viria pouco depois da profecia de João.
A descrição da meretriz, a grande Babilônia em Apocalipse 17
O Apóstolo João descreve essa mulher da seguinte forma:
1. Ela é uma prostituta (vers. 1, 5): Como já dissemos, isso mostra todo o contraste entre ela e a noiva do Cordeiro.
2. Ela está assentada sobre muitas águas (vers. 1): Isso significa que ela possui influência mundial. Ela está assentada sobre toda a humanidade. O próprio versículo 15 do mesmo capítulo nos esclarece isso ao dizer que as águas onde se assenta a prostituta “são os povos, e multidões, e nações, e línguas“. A grande Babilônia é um sistema de proporções mundiais que demonstra uma cultura contra Deus.
3. Os reis da terra fornicaram com ela, bem como os habitantes da terra que se embriagaram com o vinho de sua fornicação (vers. 2): Os reis da terra são os governantes deste mundo, que, juntamente com os habitantes da terra, buscam de forma desenfreada esse prazer que é sinônimo de prostituição. Eles se embriagam no vinho de devassidão da meretriz. O termo grego traduzido por “devassidão” é porneia. Este termo pode ser aplicado de maneira bem ampla, e significa literalmente “prostituição”.
4. A grande meretriz aparece sentada sobre a besta que tinha sete cabeças e dez chifres (vers. 3): Esse animal que aparece no versículo 3 é a primeira besta mencionada no capítulo 13, a besta que subiu do mar. Essa besta representa os governos mundiais de maneira geral, ou seja, todo o poder econômico, político e militar. Isso nos mostra a sincronia que há entre a besta e a prostituta, de forma com que a busca pelo prazer é a motivação para todas as outras ações malignas neste mundo. Juntas, a besta e a prostituta, são instrumentos nas mãos de Satanás.
5. Ela estava vestida de púrpura e escarlata, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas (vers. 4): O tipo de roupa descrito por João se refere a trajes finíssimos, caros, usualmente utilizados por senadores e a elite da Roma da época. As pedras preciosas demonstram toda riqueza e luxo ostentado por essa mulher. É uma descrição completa do mundo ímpio, que vive em função de suas conquistas, riquezas, poder e glória.
6. Ela segurava um cálice de ouro, repleto de coisas repugnantes e da impureza da sua prostituição (vers. 4): O cálice de ouro compõe perfeitamente a descrição dessa mulher. Ela está vestida glamourosamente, ostentando riquezas e luxo, e possui um cálice de ouro em sua mão. O cálice de ouro transmite a ideia de algo desejado, cobiçado pelo homem. Os cálices de ouro eram utilizados geralmente para servir o melhor vinho. Mas no caso dessa mulher é diferente. O cálice é de ouro, mas seu interior contém apenas abominações e devassidão. Esse cálice está transbordando com a impureza de sua prostituição. Aqui podemos perceber que todo esse modo de vida prazeroso que o mundo oferece aos homens, é na verdade mundano e depravado, é um modo de vida que afronta a Deus.
7. Tinha em sua testa a seguinte inscrição: “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra” (vers. 5): No versículo 5 João registra o nome dessa mulher. Ele escreve que esse nome estava em sua testa. Essa descrição combina com um costume da época em que as prostitutas do Império Romano usavam um tipo de pequena faixa ao redor da cabeça que continha seu nome, num tipo de exibição de sua própria desonra.
O nome dessa meretriz é Babilônia. Essa Babilônia não é literalmente a cidade histórica, nem qualquer outra cidade especifica do mundo, muito menos uma futura cidade que será reconstruída. Esse nome é uma referência direta a tudo o que a Babilônia simboliza, desde sua fundação, ainda com Ninrode na edificação primitiva dessa cidade, até seu posto de maior império do mundo nos dias de Nabucodonosor. Babilônia, ainda como Babel, foi edificada puramente nas bases do pecado.
A própria Torre de Babel era um símbolo direto da loucura do homem contra Deus. O propósito da torre era eternizar o nome dos habitantes de Babel, e, caso ocorresse novamente um dilúvio, eles poderiam subir pela torre até o céu, e se vingar do próprio Deus.
Depois de Babel, Babilônia ressurge poderosa novamente na narrativa bíblica com Nabucodonosor exilando o povo judeu. Logo, Babilônia representa na Bíblia tudo aquilo que é mais perverso. Ela é o berço do paganismo, da falsa religião, da prostituição, da busca pelo prazer e da perseguição ao povo de Deus.
Nos dias de João, essa mulher, a Babilônia, claramente podia ser vista na cidade de Roma, uma cidade que era conhecida naquele tempo como a cidade dos prazeres. Roma era a fonte de todo tipo de idolatria, de modo que os cristãos verdadeiros eram chamados de ateus por não adorarem os muitos deuses do paganismo romano.
Eles também eram acusados de serem antissociais, pois não participavam da vida social ofertada por aquele sistema (1Pe 2:12; 4:3,4). As influências mundanas dessa cidade corrompida estavam entrando até mesmo dentro das comunidades cristãs, onde alguns membros cediam às pressões e acabavam aceitando a idolatria e a imoralidade (Ap 2:12,20; 1Co 6:12-20).
Aquela Roma não existe mais, porém hoje, onde quer que esteja a busca humana pelo prazer, seja por vícios, pela prostituição, luxuria e ganância ali estará a Babilônia.
8. Ela estava embriagada do sangue dos santos, e das testemunhas de Jesus (vers. 6): Que detalhe terrível é revelado no versículo 6. O próprio Apóstolo João ficou espantado com essa visão. Imagine você a cena que João estava vendo: uma mulher vestida sensualmente, com vestes finas e adornada por pedras preciosas, com uma identificação de prostituta em sua testa, montada em uma besta, segurando um cálice de ouro transbordando abominações e, por último, embriagada do sangue dos santos e das testemunhas de Jesus.
Ao mesmo tempo em que Babilônia oferece prazer aos homens, ela também derrama o sangue dos seguidores de Cristo. Isso significa que a busca pelo prazer humano sempre resulta em perseguição à Igreja, pois a Igreja verdadeira sempre irá se opor ao estilo de vida mundano e corrompido.
Resumindo, a grande Babilônia representa todo o sistema mundano que se opõe a Igreja de Cristo, é a falsa igreja que conduz ao prazer, é o mundo como o centro de sedução maligno, é a meretriz que sempre será o oposto da noiva.
Essa Babilônia nos dias de João estava personificada na figura da capital do império, Roma. Essa Roma dos dias de João não existe mais, mas Babilônia está presente em qualquer momento da história. Onde houver a busca pelo prazer a qualquer custo, onde houver a perseguição aos servos de Deus, onde houver o sangue dos mártires sendo derramado, ali estará a meretriz com sua sedução, ali estará a Babilônia com seu cálice de devassidão.
No versículo 14, vemos como esse sistema maligno juntará forças para guerrear contra o Cordeiro, mas serão definitivamente derrotados, pois o Cordeiro os vencerá, e vencerão com Ele os seus eleitos. Aqui o anjo informa a João que a vitória de Cristo e de Sua Igreja já está decretada.