sexta-feira, 20 de outubro de 2017

C O L O S S E N S E S

E P Í S T O L A   A O S  C O L O S S E N S E S


Autor: O apóstolo Paulo foi o autor principal do livro de Colossenses (Colossenses 1:13). Timóteo também recebe algum crédito (Colossenses 1:1).  Colossenses  é o nome pelo qual é conhecida a epístola que o apóstolo Paulo redigiu aos cristãos da Igreja situada em Colossos, uma cidade da Ásia Menor, aproximadamente no ano 60 da era comum, durante a sua prisão em Roma. Também alguns estudiosos datam sua escrita entre 58-62 Dc.

Motivo da escrita: O apóstolo Paulo escreveu aos colossenses depois que foi informado sobre a situação espiritual daquela Igreja através de Epafras, um colossense fundador e dirigente desta igreja, numa época em que outros mestres tentavam combinar elementos do paganismo e da filosofia secular com as doutrinas cristãs, induzindo a um relativismo religioso. Embora nunca tenha passado por Colossos, Paulo esteve em Laodiceia, em sua terceira viagem missionária (ver: Atos).

Propósito: O livro de Colossenses é um mini-curso de ética, abordando todas as áreas da vida cristã. Paulo progride da vida individual ao lar e família, do trabalho à forma na qual devemos tratar os outros. O tema deste livro é a suficiência de nosso Senhor, Jesus Cristo, em satisfazer nossas necessidades em todas as áreas.

Conteúdo: O conteúdo desta epístola aborda a supremacia e a plena suficiência de Cristo. Alguns dos assuntos de maior relevância tratados na carta seriam:
1. A pessoa e obra de Cristo (Colossenses 1:15-23);
2. Advertências acerca das heresias e falsas doutrinas (Colossenses 2:8-23);
3. E a união do cristão com Cristo (Colossenses 3:1-4).

Versículos-chave:
·        Colossenses 1:15-16: "Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele."


·        Colossenses 2:8: "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo."


·        Colossenses 3:12-13: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós."


·        Colossenses 4:5-6: "Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um."

Resumo: Colossenses foi escrito expressamente para derrotar a heresia que tinha surgido em Colossos e que tinha ameaçado a existência da igreja. Enquanto não sabemos o que foi dito a Paulo, esta carta é a sua resposta.

Podemos supor, com base na resposta de Paulo, que ele estava lidando com uma visão defeituosa de Cristo (Sua humanidade real e verdadeira e a falta de aceitação da Sua plena divindade). Paulo parece também disputar a ênfase "judaica" na circuncisão e tradições (Colossenses 2:8-11, 3:11). A heresia em questão aparenta ser proveniente do gnosticismo-judaico ou de uma mistura entre o ascetismo judaico e a filosofia grega (estoica?). Ele faz um trabalho notável em nos apontar para a suficiência de Cristo.

O livro de Colossenses contém instruções doutrinárias sobre a divindade de Cristo e falsas filosofias (1:15-2:23), bem como exortações práticas em relação à conduta cristã, incluindo as amizades e o falar (3:1-4:18).

Conexões: Como com todas as igrejas primitivas, a questão do legalismo judaico em Colossos era de grande preocupação para Paulo. Tão radical era o conceito da salvação pela graça independentemente das obras, que os submergidos na lei do Antigo Testamento achavam esse conceito muito difícil de entender. Consequentemente, houve um movimento contínuo entre os legalistas a fim de adicionar certas exigências da lei para essa nova fé. Primeiramente entre eles estava o requisito da circuncisão, o qual ainda era praticado entre alguns dos judeus convertidos. Paulo rebateu esse erro em Colossenses 2:11-15, onde declarou que a circuncisão da carne já não era necessária porque Cristo tinha vindo. A sua era uma circuncisão do coração, não da carne, tornando os ritos cerimoniais da lei do Antigo Testamento não mais necessários (Deuteronômio 10:16, 30:6, Jeremias 4:4, 9:26, Atos 7:51 e Romanos 2:29).

Aplicação Prática: Embora Paulo se dirija a muitas áreas, a maior lição para nós hoje é a suficiência total e completa de Cristo em nossas vidas, tanto para nossa salvação como para nossa santificação. Devemos conhecer e entender o Evangelho de modo que não seremos distraídos por formas sutis de legalismo e heresia. Devemos estar atentos a qualquer desvio que diminua a centralidade de Cristo como Senhor e Salvador. Qualquer "religião" que tenta igualar-se com a verdade usando livros que afirmam possuir a mesma autoridade que a Bíblia, ou que combina o esforço humano com a realização divina da salvação, deve ser evitada. Outras religiões não podem ser combinadas ou adicionadas ao Cristianismo. Cristo nos dá padrões absolutos de conduta moral. O Cristianismo é uma família, um modo de vida e um relacionamento -- não uma religião. Boas ações, ocultismo, astrologia e horóscopos não nos mostram os caminhos de Deus. Somente Cristo mostra. Sua vontade é revelada em Sua Palavra, sua carta de amor a nós; devemos chegar a conhecê-la!




L I V R O   D E    C O L O S S E N S E S

·        Colossenses 1:1-12
Toda a Sabedoria e Entendimento
É bem provável que Paulo não conheça estes santos pessoalmente (1:4,7-9; 2:1). Escrevendo como apóstolo escolhido por Deus, ele os desafia a ficarem fortes contra falsos ensinamentos (2:1-4,8,16-19, etc.). A carta aos colossenses declara claramente que Cristo é Criador (1:16), Cabeça (1:18; 2:10), e Salvador (1:20-23), e que qualquer outra doutrina não é nada mais do que "filosofia e vãs sutilezas" de homens (2:8).
A esperança pela palavra (1:1-8). Paulo escreve a esses santos intimamente, como a família. Ele é o irmão deles, entregando esta mensagem importante na graça e paz de Deus, o Pai deles (1:1-2).
Paulo e outros irmãos têm orado pelos colossenses desde o momento que ouviram da conversão deles (1:3-4). Paulo disse que a sua fé e amor são "por causa da esperança... preservada nos céus" (1:5). O evangelho ensina sobre a esperança celestial, e a resposta natural é fé e amor (Romanos 10:17; Gálatas 5:6; 1 João 4:9-11).
Quando Epafras ensinou o evangelho em Colossos, esses irmãos ouviram e entenderam a graça de Deus (1:6-8). A graça de Deus não é alguma misteriosa bênção reservada para poucas pessoas escolhidas, mas é revelada no evangelho para todos que ouvem e obedecem (veja Atos 20:32; Romanos 1:16-17; Tito 2:11-14). A graça de Deus já estava produzindo fruto entre os colossenses, bem como vinha fazendo no mundo inteiro (1:6).
Oração pela sabedoria (1:9-12). Embora que esses irmãos estivessem produzindo fruto, Paulo sabia que corriam risco de serem induzidos abandonar a verdade (veja 2:8). Como santos de Deus, esses precisavam não somente receber o evangelho em verdade, mas também devem ficar firmes na verdade de Cristo, não se desviando (veja 2:6-7; Efésios 4:11-16; Gálatas 1:6-9; Judas 3). Paulo respondeu à necessidade deles com oração:
que transbordem de conhecimento da vontade de Deus (1:9). A vontade de Deus foi livremente revelada no evangelho (veja 1 Coríntios 2:6-13; Efésios 3:3-5). É o dever do cristão conhecer e viver de acordo com essa vontade (veja 1 Pedro 3:15). Paulo orou que esses recebessem "pleno conhecimento", edificando sobre o que já foi ensinado "em toda a sabedoria e entendimento espiritual". O evangelho não é uma revelação da sabedoria humana, mas a revelação da mente espiritual de Deus (veja 1 Coríntios 1:18-20; 2:1-13). Portanto, Paulo não ora por seu entendimento intelectual do evangelho, mas por um entendimento espiritual mais profundo a fim de viverem de modo digno do Senhor (1:10). Diferente da pessoa que tem apenas um entendimento intelectual do evangelho, aquela que o entende espiritualmente terá uma vida transformada. Não é aquele que apenas conhece o evangelho, mas a pessoa que o pratica que crescerá em discernimento espiritual para agradar ao Senhor (veja Efésios 5:10,17; Filipenses 1:9-10; Hebreus 5:13-14). O discernimento espiritual produzirá um povo que conhece o Senhor, produz o fruto de boas obras (veja Efésios 2:10), é fortalecido pelo poder dele, e que lhe agradece pela herança celestial.

·        Colossenses 1:13-29
Em Cristo, Toda a Plenitude
Tendo orado que os santos de Colossos crescessem em toda sabedoria e em pleno conhecimento (1:9-12), Paulo cumpre sua parte, os ensinando da plenitude de Cristo.
Plenitude no trabalho (1:13-14). É somente pelo trabalho de Cristo que Deus nos liberta do reino de Satanás. Quem estiver em Cristo já mudou de cidadania e não serve mais "o império das trevas", antes serve no "reino do Filho" (1:13; Efésios 2:19; Filipenses 3:20). Cristo nos faz cidadãos deste reino quando pela obediência dele recebemos a remissão dos pecados (1:14; Atos 2:37-38; Efésios 1:3-7). Portanto, qualquer que recebe remissão dos pecados, já faz parte do reino de Cristo, e não espera um futuro reino milenar.
Plenitude do estado (1:15-23):
Em relação a Deus (1:15): Cristo é "a imagem do Deus invisível". Olhando para Cristo, podemos ver Deus em forma humana (veja João 14:8-9; Filipenses 2:5-8). O escritor de Hebreus descreveu Cristo como "o resplendor da glória e a expressão exata" do ser de Deus (Hebreus 1:3). De Cristo, João contou: "o Verbo era Deus" e "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:1, 14). E em Cristo "habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9). Cristo é plenamente Divino. Cristo é Deus.
Em relação à criação (1:15-17): Sendo Deus, Cristo é também Criador. Ele não é criatura, mas sempre existia desde o princípio (veja João 1:1). Ele é chamado "primogênito" porque "nele foram criadas todas as coisas" (1:16). O ponto é que Cristo é superior a qualquer criatura, seja homem, animal, ou ser celeste. Cristo é o porque da criação – "Tudo foi feito por meio dele e para ele" (1:16). Sem Cristo, nada poderia subsistir (1:17; Hebreus 1:3).
Em relação à igreja (1:18-23): Na sua morte e ressurreição, Cristo recebeu de Deus Pai toda a autoridade para ser "a cabeça" da igreja (1:18; veja Mateus 28:18; Hebreus 5:7-9). Pelo seu sacrifício, ele trouxe paz e reconciliação para toda a criação (1:19-20). Esta paz e reconciliação estendem para todos que eram inimigos "pelas...obras malignas," mas que agora permanecem na fé do evangelho "que foi pregado a toda criatura debaixo do céu" (1:21-23). Se reconhecermos Cristo como a única cabeça da igreja, deixaremos somente ele nos guiar pela sua palavra, o evangelho. Porém, aqueles que não permanecem no evangelho, não serão achados "santos, inculpáveis e irrepreensíveis" (1:22; 2 João 9).
Plenitude na eficácia (1:24-29). A mensagem do evangelho, pela qual Paulo sofria com alegria, era "para dar pleno cumprimento à palavra de Deus" (1:24-25). O evangelho revela a resposta de Deus que foi ainda oculta nas revelações às gerações passadas. Esta resposta é "Cristo em vós, a esperança da glória" (1:26-27). O evangelho de Cristo adverte e ensina todo homem, a fim de apresentar "todo homem perfeito em Cristo" (1:28). Cristo, pelo seu sacrifício e seu evangelho, é o único que tem o poder de glorificar, aperfeiçoar, e salvar todo homem. Devemos a ele nossa lealdade.

·        Colossenses 2:1-19
Em Cristo, Todos os Tesouros
Tesouros de conhecimento (2:1-7). Paulo falou do seu trabalho como uma “grande luta” (2:1; veja 1:24-29; Efésios 6:10-12; Judas 3) com vários fins:
“para que tenham toda a riqueza” (2:2-3): Paulo lutava para o “conforto” dos irmãos e para seu vínculo “juntamente em amor” (2:2). Muitos pregam que conforto vem pela cura e pelo dinheiro e que a união vem quando esquecemos da doutrina. Porém, o conforto e a união que Paulo pregava vieram pela “riqueza da forte convicção do entendimento”. Devemos ser “ricos” no conhecimento de Cristo, porque somente nele há tesouros verdadeiros (2:3). Pela palavra dele achamos verdadeiro conforto e união (veja João 15:10-11; 17:17-21). Se esquecermos da sua doutrina para ter “união”, teremos apenas união em “obras más” (2 João 8-11).
“para que ninguém vos engane” (2:4-7): Sem a palavra de Cristo, seria fácil ser enganado pelas filosofias e doutrinas de homens (2:4). Paulo ensinou a verdade do evangelho entre os Colossenses, e assim teve certeza da sua “boa ordem” e da sua “firmeza da fé” em Cristo (2:5). Paulo os lembrava da necessidade de continuar andando em Cristo (2:6-7). É Cristo que recebemos ao obedecermos ao evangelho. Se somos “radicados e edificados e confirmados” na igreja, no pastor, ou numa doutrina que ensina coisas que Cristo não ensinou, não temos recebido Cristo.
Tesouros de perfeição (2:8-15). Por causa do grande perigo de engano nas coisas pertencentes a Deus, Paulo mostra que há perfeição somente por Cristo (2:8):
Cristo é perfeitamente Deus (2:8-9): Enquanto homens enganam com as “filosofias e vãs sutilezas” das suas tradições, Cristo ensina a verdade de Deus, sendo ele mesmo “toda a plenitude da divindade” (2:9).

“nele estais aperfeiçoados” (2:10-15): Deus fez Cristo o cabeça sobre toda autoridade (2:10; veja Mateus 28:18). Qualquer autoridade que um homem pode ter, Cristo tem mais. Por isso, somos aperfeiçoados somente por ele e pela sua palavra (veja Efésios 4:11-15). Para ser aperfeiçoado, é preciso ter a circuncisão espiritual de Cristo, e não aquela feita por mãos humanas (2:11). Isto acontece quando somos “sepultados...no batismo”. Assim Cristo “ressuscita”, “dá vida”, e “perdoa” (2:12-13). Para perdoar, Cristo removeu por completo “o escrito de dívida...encravando-o na cruz” (2:14). Este escrito é uma referência à Lei de Moisés, que condenava pecado, mas não oferecia salvação (veja Hebreus 7:11-19). Somente Cristo triunfou na cruz e oferece salvação (2:15; veja Hebreus 5:7-9).
Aplicação (2:16-19). Sendo que a perfeição é só em Cristo, ela não vem pela Lei de Moisés (2:16-17), falsa humildade, adoração de anjos, ou por visões (2:18). De fato, qualquer pessoa que não segue somente o que Cristo ensina nunca terá “o crescimento que procede de Deus” (2:19).

·        Colossenses 2:20 - 3:11
Buscai as Coisas Lá do Alto
Na luta contra o pecado a perfeição vem somente por Cristo (veja 2:1-19). Muitos, porém, insatisfeitos com a simplicidade disso, criam rígidos regulamentos físicos para "governar os fiéis" e os mantém "longe do pecado". Os fariseus fizeram isto e Jesus os reprovou (veja Mateus 15:1-9). Hoje alguns continuam seguindo suas próprias regras físicas como se fossem um meio de purificar a alma. Mas Paulo mostra aos Colossenses que a purificação só vem quando morremos com Cristo para uma nova vida espiritual.
Morremos com Cristo (2:20-23). No batismo somos "sepultados" com Cristo (veja 2:12; Romanos 6:1-4), morrendo para o pecado e "para os rudimentos do mundo" (2:20). Estes "rudimentos do mundo" incluem: 1. a lei de Moisés, com todas as suas sombras "das coisas que haviam de vir" (veja 2:13-17); 2. as coisas baseadas na "mente carnal", como "culto dos anjos" e "visões", as quais não retêm a autoridade de Cristo (veja 2:18-19); e 3. ordenanças "segundo os preceitos e doutrinas dos homens" (2:20-22).
Deus nos revelou "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" para nos livrar "da corrupção das paixões que há no mundo" (2 Pedro 1:3-4). Qualquer outra coisa – regras humanas sobre alimentos, cortes de cabelo, proibições contra TV, etc. – podem ter "aparência de sabedoria", mas "não têm valor algum contra a sensualidade" (2:23). Afinal, se um homem não morre com Cristo, ele não vai deixar de pecar nas coisas sensuais só porque não assiste a televisão.
Ressuscitamos com Cristo (3:1-4). No batismo, somos "ressuscitados" com Cristo "mediante a fé no poder de Deus" e recebemos "novidade de vida" (veja 2:12; Romanos 6:1-5). Sendo que Cristo vive "assentado à direita de Deus", nós devemos buscar "as coisas lá do alto" e pensar "nas coisas lá do alto" (3:1-2). Devemos fazer nossas vidas em Cristo, não em ordenanças (3:3-4). Quando aprendemos a amar Cristo e viver para ele, então guardaremos os mandamentos dele sem regras de homens para nos "manter fiel" (veja João 14:15, 21). Quando somos fiéis a Cristo e não a regras, seremos "manifestados com ele, em glória" (3:4).
A nova vida (3:5-11). A nova vida vem pela mudança de natureza e não pela mudança de algumas regras externas. "A natureza terrena" com todas as coisas pertencentes a ela tem que morrer (3:5). Isto acontece quando obedecemos a Cristo em amor, sabendo que "a ira de Deus [vem] sobre os filhos da desobediência" (3:6). Quando amamos a Deus, não queremos decepcioná-lo. Assim, deixamos de fazer as coisas erradas que fazíamos antes na velha vida de pecado (3:5-9), e aprendemos a nos revestir "do novo homem" (3:9-10). A vida deste novo homem é uma vida espiritual, refletindo o amor e a santidade do seu Criador (3:10; veja 1:16).

·        Colossenses 3:12 - 4:1
Fazei-o em Nome do Senhor Jesus
A nova vida em Cristo não é feita somente pelo despojo de algumas coisas erradas. Muitas pessoas até poderiam parar de beber, fumar, roubar, adulterar ou cometer outros pecados, mas isto, em si, não as tornaria cristãs. Mesmo se deixassem de fazer qualquer pecado desde agora até as suas mortes, mas não se revestissem "do novo homem" segundo a imagem de Cristo (veja Colossenses 3:10), elas não alcançariam a salvação! O que importa não é a quantidade de coisas erradas deixadas para trás, e sim a obediência ao Senhor.
"Revesti-vos...como eleitos de Deus" (3:12-17). Paulo fala da nova vida em Cristo como um "revestimento". Assim como uma mudança de roupa seria óbvia no corpo, a vida cristã deve se tornar aparente no comportamento. Diferente de roupa, que só cobre o corpo por fora, o revestimento em Cristo é feito de ações (veja Apocalipse 19:7-8) que são o resultado de mudanças internas.
A natureza do cristão imita a natureza de Cristo (3:12-14; veja Romanos 8:29; 2 Pedro 1:3-4). O cristão não aproveita ou usurpa outros, mas age de acordo com "a paz de Cristo" (3:15; veja 1 Coríntios 6:1-11). "A paz de Cristo" é o que nos dá acesso ao Pai juntos num só corpo (veja Efésios 2:13-18). Quem age de acordo com esta paz ensina a verdade de Deus, a qual promove união verdadeira (veja João 17:17-21).
"A palavra de Cristo" habita "ricamente" no cristão (3:16). A reação natural desta convivência é que o cristão "instrui" e "aconselha" de acordo com a sabedoria verdadeira (veja Tiago 3:17), e que ele louva a Deus, dando ações de graças.
O cristão faz tudo "em nome do Senhor Jesus" (3:17). Isto não quer dizer que ele fala sempre "em nome de Jesus" antes de fazer algo, mas que ele tem a cautela de viver sempre de acordo com a vontade do Senhor. Devemos pensar muito bem antes de fazer qualquer coisa que não podemos afirmar ser a vontade de Cristo. Isto se aplica a adoração ou em qualquer outro aspecto da vida. O cristão se reveste da vontade de Cristo, e não da sua própria vontade ou da dos homens!
Aplicações individuais (3:18 - 4:1). A vida cristã também imita o serviço do nosso Senhor, que procurou servir ao invés de ser servido (veja Mateus 20:26-28). Paulo destaca este serviço nos vários papéis da vida. No lar, a mulher cristã serve ao marido pela submissão, e o marido cristão serve a mulher com amor (3:18-19; veja Efésios 5:22-31). Os filhos servem aos pais pela obediência, e os pais servem aos filhos pela maneira de criá-los (3:20-21; veja Efésios 1-4). No emprego, o trabalhador cristão serve ao chefe com trabalho honesto e bem feito, mesmo quando o chefe não está olhando (3:22-25). O chefe cristão também serve ao trabalhador, pagando um salário justo e exigindo alvos atingíveis (4:1).

·        Colossenses 4:2-18
"A Graça Seja Convosco"
Exortação à oração (4:2-6). Paulo começou a carta falando das suas orações constantes pelos irmãos de Colossos (veja Colossenses 1:3, 9), e a terminou exortando a eles que continuassem também em oração, "vigiando com ações de graças" (4:2).
Paulo mesmo precisava das orações dos irmãos Colossenses: ele estava na prisão por causa da pregação de Jesus (4:3). Porém, ao invés de pedir orações a favor das suas algemas, Paulo pensava numa coisa mais urgente – a pregação da palavra de Cristo (4:3-4)! Paulo se preocupava com a vontade de Deus antes de sua própria vontade. Como Paulo, devemos orar que Deus nos dê oportunidade e coragem para cumprirmos a vontade dele!
Enquanto os Colossenses oravam pelo sucesso de Paulo no evangelho, estes também precisavam "pregar" pelo seu comportamento e por suas palavras, aproveitando oportunidades de "responder a cada um" (4:5-6; veja 1 Pedro 3:15). É necessário que a vida do cristão e as palavras dele sejam de acordo com a verdade. Isto exige dele muita oração e estudo cuidadoso da palavra de Deus.
Notícias de Paulo (4:7-9). Desejando aliviar os corações preocupados dos Colossenses, Paulo enviou Tíquico e Onésimo com "o expresso propósito" de falar da situação dele e dos outros presos conhecidos por eles. Paulo podia ter segurado estes dois "irmãos amados" para servirem a ele mesmo na prisão (veja Filemom 13). Porém, ele se preocupou mais com os Colossenses do que consigo mesmo, e assim enviou os dois para servirem a eles.
Saudações pessoais (4:10-18): A família de Deus é caracterizada por seu amor (veja João 13:35), e todos os irmãos que estavam com Paulo enviaram seu amor na forma de saudações individuais (4:10-14). A saudação de Epafras devia ter sido particularmente tenra para eles ouvirem, sendo que ele era mesmo um membro da igreja em Colossos, e que ele tinha ensinado a eles muito no evangelho (veja 1:7). Paulo relatou o cuidado especial que Epafras teve para com os irmãos, e como ele se esforçou sempre em oração por eles e por outros (4:12-13). Sem dúvida, Paulo conheceu e amou os irmãos Colossenses através do que ele ouviu deles pela boca de Epafras.

Por fim, Paulo enviou suas próprias saudações escritas em amor por sua própria mão, desejando a eles a graça de Deus, e lembrando dos irmãos em outros lugares que iriam ler esta carta também (4:15-18). Mesmo que as cartas contenham informação pessoal para as pessoas imediatas, elas foram escritas sob a inspiração do Espírito Santo, e assim precisam ser lidas pelas igrejas como autoridade de Deus (4:16; veja 2 Pedro 1:19-21; 3:14-16; 1 Coríntios 7:17; 14:33, 37).

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

F I L I P E N S E S

E P Í S T O L A     A O S     F I L I P E N S E S

Epístola aos Filipenses - é conhecida como a carta que o apóstolo Paulo redigiu aos habitantes de Filipos, uma cidade importante no Império Romano por causa de sua localização geográfica na região montanhosa entre a Ásia e a Europa.
Cidade da Macedônia fundada por Felipe II, pai de Alexandre, o Grande, no ano 358 a.C. Foi a primeira cidade da Europa que ouviu a pregação de um missionário cristão (Atos 16:6-40).


AUTORIA
No primeiro versículo da Epístola aos Filipenses, Paulo anuncia-se como autor da mesma e saúda os irmãos:
«Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos: Graças a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.» (Filipenses 1:1-2)
Filipenses 1:1 identifica o apóstolo Paulo como o seu autor, provavelmente com a ajuda de Timóteo.


DATA E LOCAL DE ESCRITA
A epístola foi escrita, provavelmente, entre 53 e 61 D.C.  e segundo a tradição, a carta teria sido escrita numa prisão em Roma, para a igreja em Filipos. Entretanto há pesquisadores que argumentam em favor da carta ter sido escrita numa prisão em Cesareia ou ainda em Éfeso.


CONTEÚDO
Esta afetuosa epístola elogia os filipenses por sua fé em Jesus e por seu apoio. Paulo os ajuda a centralizar a vida em Cristo e a estar contentes em todas as situações, ser fortes em oração e imitar com alegria o exemplo de seu Salvador, Jesus Cristo.


PROPÓSITO
O propósito do Apóstolo Paulo ao escrever essa carta, era incentivar a igreja a se alegrar, e ele mostra para eles que mesmo preso ele se alegrava, e que devemos nos alegrar independente de qual seja as circunstancias. A Epístola aos Filipenses, uma das epístolas de Paulo na prisão, foi escrita em Roma. Foi em Filipos, onde Paulo visitou em sua segunda viagem missionária (Atos 16:12), que Lídia e o carcereiro e sua família foram convertidos a Cristo. Agora, alguns anos mais tarde, a igreja estava bem estabelecida, como se pode deduzir pelo seu tratamento inicial, o qual diz: "bispos (presbíteros) e diáconos" (Filipenses 1:1).
O motivo para a epístola foi reconhecer uma oferta monetária procedente da igreja em Filipos e levada ao apóstolo por Epafrodito, um dos seus membros (Filipenses 4:10-18). Esta é uma delicada carta para um grupo de cristãos que eram especialmente próximos ao coração de Paulo (2 Coríntios 8:1-6) e, comparativamente, pouco é dito sobre o erro doutrinário.


ESBOÇOS PRINCIPAIS
1º Paulo ora pelos Filipenses. (Filipenses 1:1-11)
2º As cadeias de Paulo fazem com que o evangelho avance. (Filipenses 1:12-26)
3° Cristo é modelo de humildade. (Filipenses 1:27 à Filipenses 2:18)
4º Paulo louva a Timóteo e Epafrodito. (Filipenses 2:19-30)
5º Exortação ao conhecimento e à paz de Cristo Jesus. (Filipenses 3:1-4,20)
6° Saudações finais. (Filipenses 4:21-23)


VERSÍCULOS CHAVES
Filipenses 1:21: "Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro."

Filipenses 3:7: "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo."

Filipenses 4:4: "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos."

Filipenses 4:6-7: "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus."

Filipenses 4:13: "Tudo posso naquele que me fortalece."



RESUMO
Filipenses pode ser chamado de "Recursos através do sofrimento". O livro é sobre Cristo em nossa vida, Cristo em nossa mente, Cristo como nossa meta, Cristo como nossa força e alegria através do sofrimento. Ele foi escrito durante a prisão de Paulo em Roma, cerca de 30 anos após a ascensão de Cristo e cerca de dez anos depois de Paulo ter pregado em Filipos pela primeira vez.

Paulo era um prisioneiro de Nero, mas a Epístola transborda com mensagens de triunfo. As palavras "alegria", "gozo" e "regozijo" aparecem com frequência (Filipenses 1:4, 18, 25, 26, 2:2, 28; Filipenses 3:1, 4:1, 4,10). Uma experiência cristã correta é experimentar, independente de nossas circunstâncias, a vida, a natureza e a mente de Cristo habitando em nós (Filipenses 1:6, 11; 2:5, 13). Filipenses atinge o seu auge em 2:5-11 com a declaração gloriosa e profunda sobre a humilhação e exaltação de nosso Senhor Jesus Cristo.



DIVISÃO DO LIVRO
Filipenses pode ser dividido da seguinte forma:
Introdução, 1:1-7
I. Cristo, a vida do cristão: Regozijar-se apesar do sofrimento, 1:8-30
II. Cristo, o modelo do cristão: Regozijar-se em servir com humildade, 2:1-30
III. Cristo, o objeto da fé, desejo e perspectiva do cristão, 3:1-21
IV. Cristo, a fortaleza do cristão: Regozijar-se em meio à angústia, 4:1-9
Conclusão, 4:10-23

Conexões: Assim como em muitas de suas cartas, Paulo advertiu os novos crentes na igreja de Filipos para terem cuidado com a tendência ao legalismo que continuamente aparecia nas igrejas primitivas. Os judeus estavam tão ligados à lei do Antigo Testamento que havia um esforço constante por parte dos judaizantes de retornar ao ensino da salvação pelas obras. Entretanto, Paulo reiterou que a salvação é somente pela fé em Cristo e apelidou os judaizantes de "cães" e "maus obreiros". Em particular, os legalistas estavam insistindo que os novos crentes em Cristo deviam continuar sendo circuncidados de acordo com os requisitos do Antigo Testamento (Gênesis 17:10-12; Levítico 12:3). Desta forma, eles tentaram agradar a Deus por seus próprios esforços e elevar-se a uma posição superior à dos cristãos gentios que não participavam do ritual. Paulo explicou que aqueles que foram lavados pelo sangue do Cordeiro não mais precisavam realizar o ritual que simbolizava a necessidade de um coração puro.


APLICAÇÃO E PRÁTICA
 Filipenses é uma das cartas mais pessoais de Paulo e, como tal, tem várias aplicações pessoais aos crentes. Escrita durante a sua prisão em Roma, Paulo exorta os filipenses a seguirem o seu exemplo e anunciar “a palavra com maior determinação e destemor” (Filipenses 1:14) em tempos de perseguição. Todos os cristãos têm experimentado, em um momento ou outro, a animosidade dos incrédulos contra o evangelho de Cristo. Isso é de se esperar. Jesus disse que o mundo o odiava e odiaria os Seus seguidores também (João 5:18). Paulo exorta-nos a perseverar em face de perseguição, a permanecer firmes "num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho" (Filipenses 1:27).

Uma outra aplicação de Filipenses é a necessidade dos cristãos permanecerem unidos em humildade. Estamos unidos com Cristo e temos que nos esforçar para estar unidos uns aos outros da mesma maneira. Paulo nos encoraja a “ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” e a repudiar a vaidade e egoísmo, mas ”humildemente considerem os outros superiores a si mesmo", prestando atenção aos interesses dos outros e cuidando uns aos outros (Filipenses 2:2-4). Haveria muito menos conflito nas igrejas hoje se todos seguíssemos o conselho de Paulo.

Uma outra aplicação de Filipenses é a do gozo e alegria encontrados ao longo de sua carta. Ele se alegra que Cristo está sendo proclamado (Filipenses 1:8), em sua perseguição (2:18), exorta os outros a se alegrarem no Senhor (3:1), e refere-se aos irmãos de Filipos como a sua “alegria e coroa” (4:1). Ele resume com esta exortação aos crentes: "Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!" (4:4-7). Como crentes, podemos nos alegrar e experimentar da paz de Deus quando lançamos todos os nossos cuidados sobre Ele: "Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus" (4:6). A alegria de Paulo, apesar da perseguição e prisão, brilha através desta carta e temos a promessa da mesma alegria quando focalizamos nossos pensamentos no Senhor (Filipenses 4:8).



O LIVRO DE FILIPENSES

1.     1:1-26 - Introdução

Da prisão, Paulo escreve aos irmãos filipenses um apelo emocionante e encorajador para serem unidos e constantes.
 
Saudação (1:1-2). Paulo não escreve aos seus amigos em Filipos de sua posição como apóstolo, mas sim de sua posição ao lado deles, em jugo como eles no serviço ao Senhor. Suas palavras são para todos  os santos em Cristo Jesus em Filipos -- frisando a importância deles serem unidos na recepção da mensagem que ele está enviando, mas com ênfase especial nos bispos e diáconos da congregação, cujo trabalho é de ajudar em manter os irmãos unidos e constantes no serviço do Senhor.

Ele lhes deseja graça e paz de Deus; onde essas coisas abundam, a unidade e constância também abundarão.

A oração de Paulo (1:3-11).  Paulo é sempre agradecido por tudo que ele tem recebido do Senhor, e ele vê os irmãos em Filipos como mais uma dádiva de Deus, porque o ajudaram desde o início de seu serviço de evangelização. Ele tem saudades deles "na terna misericórdia de Jesus Cristo" (1:8), mas, ao invés de orar pelo próprio desejo de vê-los de novo, ele ora pelo crescimento espiritual deles. Se eles crescerem em amor, com conhecimento e discernimento, Paulo sabe que terá oportunidade de os ver de novo após esta vida, que é mais importante que os ver outra vez nesta vida. O desejo dele é que Deus seja glorificado pelo crescimento frutífero dos irmãos em Filipos.

Pregando Cristo (1:12-18). Paulo não perdeu nenhuma oportunidade para pregar Cristo; mesmo na cadeia, ele estava pregando aos perdidos. Outros, também, estavam pregando. Alguns ficaram animados pelo exemplo de Paulo na prisão e se esforçaram para pregar mais fora da prisão. Outros, talvez egoístas em querer mostrar que o apóstolo não era o único capaz de ganhar almas, estavam pregando zelosamente. Paulo não demonstrou o mesmo caráter daqueles com atitudes erradas. Ele não sentiu inveja deles como eles esperavam. Antes, ele louvou ao Senhor porque Cristo estava sendo pregado. O poder da salvação está na palavra (veja Romanos 1:16); aqueles que procuram a salvação, vão ouvir a palavra da verdade e a seguir, ao invés de seguir os homens que a ensinam.

Vivendo em Cristo (1:19-26). Paulo conhece apenas duas opções: viver como Cristo viveu, ou morrer como Cristo morreu (1:21). Essa é a chave para entender a atitude de Paulo. Porque ele vive como Cristo viveu, ele não se envergonha de estar preso. Sabe que será provado justo no dia do Senhor, assim como Cristo foi provado justo pela ressurreição. Uma vez que ele vive como Cristo, sabe que a morte será para ganhar a recompensa eterna com o Pai. Portanto, o desejo sincero de Paulo é que Cristo seja magnificado no seu corpo, e que sua vida encoraje os irmãos em Filipos. Ele preferiria morrer agora para estar com Cristo. Mas, se a decisão fosse dele, ele escolheria ficar para trás para continuar servindo, ainda na carne, aos seus irmãos, para o bem maior deles e não para o próprio bem dele.


·        1:27-2:30 - A Mente de Cristo                                                                                      
A importância da união (1:27 - 2:4). Filipos era uma colônia do Império romano. Os cidadãos viviam como romanos, respeitando as leis de Roma e pagando impostos a César. Eles gozavam da segurança e dos benefícios de serem cidadãos romanos, ainda que vivessem a uma grande distância de Roma. Parte da força de Roma era a união de suas colônias através do mundo antigo: todas elas estavam se esforçando juntas pelo bem comum.
 
Semelhantemente, os cristãos filipenses eram uma "colônia" do céu. Quando Paulo escreveu "vivei de um modo digno" (v. 27), ele estava lhes dizendo para "viverem como cidadãos" de sua cidade capital: o céu (veja 30:20). Um cidadão tem que manter um certo perfil. Como o resto do mundo saberia que os filipenses eram romanos? Eles viviam como romanos. Como o mundo saberia que eles eram cidadãos do céu? Eles teriam que viver como santos: em união, amor e serviço. O Império Romano era forte, mas no fim caiu. A unidade da cidadania cristã é parte de "um reino inabalável" (veja Hebreus 12:28).
 
A mente de Cristo (2:5-11). Para os santos filipenses servirem bem uns aos outros, deixando seus próprios desejos pelo bem comum de todos os santos, eles teriam que aprender a ser desprendidos. Muitos reinos tinham caído por causa do egoísmo e da ganância. Mas o reino do céu estava estabelecido no serviço desinteressado aos outros. Jesus Cristo -- o próprio Rei -- veio como um servo (vs. 6-7), e serviu a toda a humanidade vivendo sem pecado e morrendo numa cruz. Se Jesus pode humilhar-se para descer do céu e servir os homens, estes podem humilhar-se para descer de seu orgulho e servir os outros.

Realize sua salvação (2:12-16). A salvação é uma dádiva de Deus (veja Romanos 6:23), mas exige uma resposta por parte dos homens para a receberem. Essa resposta é obediência. Paulo encoraja-os a continuarem obedecendo, justo como tinham feito quando ele estava com eles (v. 12). Ele incita-os a obedecer "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (v. 13). Quando obedecemos a Deus fielmente, ele trabalha em nós para a salvação. A obediência jubilosa e unida dos servos de Deus é "luz" num mundo escuro onde as pessoas vivem com ira e disputa, servindo só a si mesmas.

Vários exemplos (2:17-30). Paulo conclui com três exemplos de serviço desinteressado. Paulo estava feliz (vs. 17-18) por ser "oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé". Timóteo (vs. 19-24) não era como os outros, que "buscam o que é seu próprio" (v. 21), mas queria fazer as jornadas perigosas de ida e volta a Filipos para servir a Paulo e seus irmãos. E Epafrodito (vs. 25-30), "por causa da obra de Cristo chegou às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida". Que Deus ajude todos nós a sermos um exemplo de serviço desinteressado.

·        3:1-16 - Não Confiar na Carne

"No Senhor" (3:1). A chave à nossa alegria deve estar "no Senhor" (v. 1), e não nas nossas próprias obras. Devemos estar buscando "em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça" (Mateus 6:33). Por este motivo, Paulo escreve aos filipenses mais uma vez "as mesmas coisas" que já ouviram dele em Cristo. É nossa segurança no evangelho que continuamos estudando as mesmas palavras do Senhor, ao invés de criar novos e "melhores" credos. Tudo que precisamos para sermos fiéis e piedosos já foi nos dado nas Escrituras (veja 2 Timóteo 3:16-17; 2 Pedro 1:3; Judas 3). Quando acrescentamos ou tiramos alguma coisa da vontade divina revelada, mostramos que nossa confiança está em nós mesmos e na nossa sabedoria e não na dele.
 
A verdadeira circuncisão (3:2-3). Alguns chegaram a filipos ensinando coisas que não faziam parte do evangelho de Cristo. Falaram que os irmãos precisavam se circuncidar e cumprirem a Lei de Moisés. Paulo explica que a circuncisão verdadeira é do espírito, e não da carne (veja Colossenses 2:11-14). É Cristo quem circuncida nosso coração e em espírito quando, pela fé obediente, somos batizados nele. A falsa circuncisão tem ligação com Abraão apenas pela descendência física, mas a verdadeira circuncisão são aqueles que têm a fé de Abraão (veja Gálatas 3:7-14,26-29).

Considerando tudo como perda (3:4-11). Paulo mostra a futilidade de confiar na carne, usando o exemplo da própria vida dele. Se alguém poderia ter confiado na carne, seria Paulo. As coisas que ele conseguiu fazer, como judeu, era notável. Mas, para Paulo, nada disso importava. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. Até as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida não são nada quando comparadas com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v. 8). Paulo considerava tudo refugo para não ser tentado confiar nas coisas que ele tinha feito. Ele sabia que precisava se conformar com Cristo na sua morte (v. 10-11).  Se houver algo que ameaça nos impedir de participar da ressurreição, precisamos considerar tal coisa refugo e jogá-la fora.

Prosseguindo para alcançar (3:12-16). Até o próprio apóstolo Paulo não acreditou que uma vez que ele foi salvo, foi salvo para sempre. Enquanto ele era confiante da sua salvação em Cristo, é óbvio que ele continuou cada dia a fazer o que pôde para prosseguir na luta. Ele não quis perder "o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (v. 14). Se Paulo tinha que batalhar todos os dias, todos os discípulos de Cristo precisamos fazer o mesmo. Utilizemos o que já aprendemos em Cristo para nos ajudar a prosseguir cada dia para aprender mais de Cristo e de seu plano eterno para aqueles que o amam!



·        3:17-4:9 - Aplicando as Lições

Um contraste de caráter (3:17- 4:1). Paulo começa aplicando as lições a si mesmo, como um exemplo aos irmãos. Ele os faz lembrar de sua caminhada como cidadão do céu, cujo Deus é o Salvador, com poder para mudar nossos humildes corpos terrestres em outros glorificados (3:21). Ele se contrasta com outros que entraram no meio deles, aqueles que servem a seus próprios desejos e paixões em vez da verdade e poder de Deus. Seu deus "do ventre" não pode dar glória eterna aos seus seguidores, mas pode somente levá-los à "perdição", que é a "glória" do ganho terrestre temporário (3:19). É a esperança de glória celestial que fortalece os fiéis quando os infiéis caem (4:1).

Responsabilidades individuais (4:2-3). A unificação do corpo de Cristo começa num nível pessoal. A igreja se compõe de pessoas que vêm de uma variedade de ambientes, com uma variedade de personalidades e níveis de maturidade. Certamente, aparecerão diferenças de opinião entre irmãos. Mesmo o próprio Paulo tinha uma forte diferença de opinião com dois outros discípulos (veja Atos 15:36-41). Mas, se estas diferenças espirituais forem tais que afetem nossa unidade espiritual, elas precisam ser superadas. Nossa tarefa é permanecer unidos para que possamos continuar a luta contra Satanás (veja 1:27-28). Evódia e Síntique são instruídas a superar suas diferenças, pensando "concorde mente, no Senhor" (4:2). E, como o "fiel companheiro de jugo" não nomeado (4: 3), aqueles que estão unidos no Senhor deverão trabalhar duramente ajudando aqueles que estão lutando.

Alegria em Cristo (4:4-7). Não é fácil estar contente no sofrimento, mas isto é o que o cristão é chamado frequentemente a fazer. O cristão que está lutando contra Satanás sofrerá nesta vida (veja 2 Timóteo 3:12). Mas podemos regozijar-nos, não importa quão dura seja a situação, se regozijamos "no Senhor". Se simplesmente nos mantivermos perto do Senhor, em oração, e pelo nosso próprio comportamento moderado, até mesmo no sofrimento poderemos conhecer a paz "que excede todo o entendimento" (4:7). Paulo está escrevendo com experiência: lembre-se, foi em Filipos que ele e Silas estavam alegremente cantando hinos a Deus mesmo depois de terem sido espancados e atirados na prisão (veja Atos 16:19-25).

Como pensar (4:8-9). Tornar-se um cristão forte envolve uma mudança completa de personalidade, do coração para fora. Para se comportar como um cristão precisa-se pensar como um cristão. O cristão precisa pensar ativamente, e não passivamente. Paulo diz para deixar que esta coisa "ocupe o vosso pensamento” (4:8). Uma mente ociosa acolherá todo tipo de pensamentos, desde os bons até os maus; mas uma mente ativa trabalhará para controlar-se, detendo-se no que é nobre e bom, deixando fora o que corrompe. Jesus ensinou que, não somente nossos atos, mas nossos pensamentos por trás deles serão julgados no dia final (veja Mateus 5:21-32).



·        4:10-23 - Gratidão e Bênção

Paulo começou sua carta agradecendo a Deus pelos filipenses (1:3). Ele encerra com  agradecimento pessoal aos irmãos.
 
A vida contente (4:10-13). Ao receber ajuda dos filipenses, Paulo se regozija grandemente "no Senhor"(4:10). Mesmo assim, ele explica que seu contentamento vem não das coisas que ele tem nesta vida, mas em sua relação com o Senhor. O contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (4:11). Em todas as coisas que Paulo sofreu por amor do evangelho (veja 1:17; 3:4-11; 2 Coríntios 11:23-30), ele aprendeu a manter sua atenção em Cristo (veja também 2 Coríntios 12:7-10). Se aprendermos a ter Cristo como o foco de nossa vida, a nossa circunstância material perderá sua importância (4:12-13).
 
O verdadeiro donativo (4:14-20). Ainda que Paulo não precisasse do donativo deles para ficar contente, assim mesmo ele se regozijou em recebê-lo porque eles participaram da aflição dele (4:14). Eles tinham ajudado a Paulo desde o início, quando ele saiu de Filipos para ensinar em Tessalônica (4:15-16; veja Atos 16:11-17:4 e 2 Coríntios 8:1-5). Agora que tinham oportunidade de ajudá-lo novamente, isso significaria "fruto"para crédito deles (4:17). Eles colheriam ricas recompensas do Pai (4:19). A dádiva deles era um sacrifício pessoal, "como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus" (4:18). Não é o objeto do sacrifício que dá a suave fragrância a Deus, mas o coração daquele que faz o sacrifício. Os corações dos filipenses eram suaves para Deus, em seu abundante amor para com Paulo.
 
Essa generosidade é o modelo para os cristãos de hoje. Eles não deram esperando receber bênçãos em retribuição. Não deram porque era algo que "a igreja" exigia. Eles deram com ânimo e de coração, sabendo que sua dádiva estava indo para a divulgação do evangelho e que "Deus ama a quem dá com alegria" (2 Coríntios 9:7).
 
Saudações e bênçãos (4:21-23). Nosso amor genuíno de uns pelos outros e nosso cuidado com a unidade no corpo de Cristo devem compelir-nos a ver uns aos outros assim como Cristo nos vê. Podemos saudar nossos irmão "em Cristo Jesus", se há lutas entre nós? (veja 4:2-3). Temos que humilhar-nos e abandonar nossas diferenças pessoais para ajudar uns aos outros chegar ao céu. Isso é exatamente o que Jesus fez por nós (2:5-11).
 
Paulo envia saudações de todos os irmãos que estavam com ele (4:21-22). Os filipenses haviam ajudado a levar o evangelho até aqueles da casa de César, que se lembravam deles com amor. Em tudo isto, a graça do Senhor é óbvia. Paulo começou sua carta desejando-lhes a graça do Senhor, e encerra-a com o mesmo desejo (4:23). Onde abunda a graça do Senhor, haverá paz, unidade, e força para superar as tentativas de Satanás a destruir os servos de Deus (veja 2 Coríntios 12:9-10). 



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O LIVRO DE EFÉSIOS

L I V R O     D E     E F É S I O S

Autor:
Efésios 1:1 identifica o apóstolo Paulo como o autor do livro de Efésios.

Quando foi escrito: 
O livro de Efésios foi muito provavelmente escrito entre 60-63 dC.

Propósito:
Paulo desejava que todos os que ansiavam pela maturidade semelhante à de Cristo recebesse esse registro. O livro de Efésios descreve a disciplina necessária para se transformar em verdadeiros filhos de Deus. Além disso, um estudo de Efésios vai ajudar a fortalecer e estabelecer o crente para que ele possa cumprir o propósito e chamado de Deus. O objetivo desta epístola é confirmar e equipar a igreja a amadurecer. Ele apresenta uma visão equilibrada do corpo de Cristo e sua importância na economia de Deus.

Versículos-chave:
Efésios 1:3: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo."

Efésios 2:8-10: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas."

Efésios 4:4-6: "... há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos."

Efésios 5:21: “... sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”

Efésios 6:10-11: "Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo."

Resumo:
Doutrina ocupa a maior parte do livro de Efésios. Metade do ensino nesta epístola diz respeito à nossa posição em Cristo e o restante ao que afeta a nossa condição. Com muita frequência àqueles que ensinam deste livro ignoram toda a instrução fundamental e vão diretamente ao capítulo final. É este capítulo que destaca a guerra ou a luta dos santos. No entanto, para beneficiar-se plenamente do conteúdo desta epístola, é importante começar no início da instrução de Paulo nesta carta.

Em primeiro lugar, como seguidores de Cristo, devemos compreender quem Deus declara que somos. Devemos também estar fundamentados no conhecimento da realização de Deus para toda a humanidade. Em seguida, nossa existência e caminhada atual devem ser exercitadas e reforçadas. Isso deve continuar até que não mais flutuemos ou nos deixemos ser levados em todas as direções por qualquer vento de doutrina e/ou pela sutileza dos homens.

Paulo divide sua obra em três segmentos principais. (1) Os capítulos um a três introduzem princípios relativos ao que Deus tem feito. (2) Os capítulos quatro e cinco expõem princípios sobre a nossa existência atual. (3) O capítulo seis apresenta princípios a respeito de nossa luta diária.

Conexões:
A principal ligação ao Antigo Testamento em Efésios está no surpreendente (aos judeus) conceito da igreja como Corpo de Cristo (Efésios 5:32). Este mistério maravilhoso (uma verdade anteriormente não revelada) da igreja é que "os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus" (Efésios 3:6). Este foi um mistério completamente oculto aos santos do Antigo Testamento (Efésios 3:5, 9). Os israelitas que eram verdadeiros seguidores de Deus sempre acreditavam que somente eles eram o povo escolhido de Deus (Deuteronômio 7:6). Aceitar os gentios em uma posição de igualdade nesse novo paradigma foi extremamente difícil e provocou muitas disputas entre os crentes judeus e gentios convertidos. Paulo também fala do mistério da igreja como a "noiva de Cristo", um conceito nunca antes escutado no Antigo Testamento.

Aplicação Prática: 
Talvez mais do que qualquer outro livro da Bíblia, o livro de Efésios enfatiza a ligação entre a sã doutrina e a prática correta na vida cristã. Muitas pessoas ignoram a "teologia" e ao invés querem discutir apenas coisas que são "práticas". Em Efésios, Paulo afirma que a teologia é prática. A fim de viver a vontade de Deus para nós em nossa vida prática, devemos primeiro entender quem somos em Cristo doutrinariamente.

UM ESTUDO MAIS PROFUNDO DESTE LIVRO
INTRODUÇÃO
Na sua segunda viagem missionária, Paulo passou por Éfeso (Atos 18:18-21). Ficou pouco tempo, mas deixou Áqüila e Priscila, seus companheiros desde o tempo que ele havia ficado em Corinto (Atos 18:1-3). Paulo saiu de Éfeso com a intenção de voltar. Terminou a segunda viagem em Antioquia, donde partiu na terceira viagem (Atos 18:22-23).
Antes de Paulo chegar de volta a Éfeso, outro pregador passou pela cidade. Apolo foi um pregador capaz e eloquente, mas chegou em Éfeso com entendimento incompleto da obra do Senhor. Ele entendeu o plano de Deus até o batismo de João, mas evidentemente não conheceu o comprimento do plano de Deus. João e seu batismo olhavam para frente, ainda esperando a morte e a ressurreição de Cristo. Áqüila e Priscila ensinaram este evangelista zeloso e ele continuou pregando ousadamente em outros lugares, principalmente na Acaia (província que incluía a cidade de Corinto). O relato desta história se encontra em Atos 18:24-28.
Quando Paulo chegou a Éfeso, ele encontrou um grupo de discípulos que nada sabiam da vinda do Espírito Santo (Atos 19:1-2). Pelo contexto, deduzimos que estes discípulos ouviram e aceitaram a mensagem pregada por Apolo antes de aprender melhor de Áqüila e Priscila. Paulo esclareceu o assunto, mostrando que Jesus já morreu, ressuscitou, voltou aos céus e enviou o Espírito Santo. Entendendo melhor, estes doze homens "foram batizados em o nome do Senhor Jesus" (Atos 19:3-5). Depois do batismo, Paulo impôs as mãos e eles receberam dons de línguas e profecia do Espírito Santo (Atos 19:6-7).
Paulo continuou em Éfeso por três anos (Atos 20:31), ensinando na sinagoga e na escola de Tirano, realizando milagres extraordinários, e conduzindo muitas pessoas a Cristo. O trabalho de Paulo e outros discípulos em Éfeso provocou um grande tumulto por parte dos seguidores da "deusa" Diana (Atos 19). Paulo prosseguiu para a Macedônia e a Grécia. Na volta, passou perto de Éfeso. De Mileto, ele chamou os presbíteros da igreja de Éfeso e conversou com eles, avisando sobre o perigo de lobos vorazes entrarem no meio deles (Atos 20).
Paulo continuou a sua viagem até Jerusalém, onde foi preso (Atos 21-23). Foi transferido para Cesaréia onde foi detido por dois anos ou mais (Atos 23-26) e, depois, foi levado a Roma (Atos 27-28). Lucas encerra a história do livro de Atos com Paulo ainda em Roma dois anos depois da chegada àquela cidade. Durante estes anos de prisão, ele escreveu o livro de Efésios (veja 3:1; 4:1; 6:20).

O LIVRO DE EFÉSIOS
Há grandes similaridades entre Efésios e Colossenses. Um estudo paralelo dos dois livros mostra muitos pontos iguais e estruturas paralelas. Mas, os livros não são iguais. Colossenses frisa a primazia de Cristo. Efésios, também, fala de sua primazia, mas destaca mais o papel da igreja no plano eterno de Deus.
Existe um debate sobre os destinatários da carta. Alguns manuscritos omitem as palavras "em Éfeso" em 1:1. Nós não entraremos nesta discussão aqui, porque não muda o sentido do livro para nós. Se Paulo enviou esta carta exclusivamente aos efésios ou a vários irmãos em diversos lugares, a mensagem para os dias de hoje é a mesma.
Entre os assuntos tratados neste livro:
As bênçãos espirituais em Cristo
A primazia de Jesus Cristo
A salvação pela graça mediante a fé
A paz em Cristo
O plano eterno de Deus para a igreja
Os dons concedidos à igreja para promover a edificação dela
A importância da santificação
A conduta cristã em várias relações: marido/mulher, pais/filhos, servos/senhores
A armadura de Deus para enfrentar os inimigos espirituais

CAPÍTULO 1

·       1:1-2    Paulo se descreve como apóstolo (enviado) de Jesus pela vontade de Deus.
**Obs.: Nesta carta, Paulo pretende mostrar como Deus preparou a salvação desde a eternidade. O plano perfeito dele, o mistério revelado, envolve as próprias pessoas divinas e, também, depende dos homens escolhidos para divulgar a mensagem (veja 3:1-7).
Ele descreve os seus destinatários como santos (separados ou santificados) e fiéis (leais ao Senhor).
**Obs.: A palavra "santo" é usada na Bíblia para identificar cristãos vivos. A pessoa se torna "santa" quando é separada do mundo na salvação (1 Coríntios 6:11).
Graça e paz são as saudações costumarias nas cartas de Paulo.

·       1:3-14    Deus tem nos abençoado em Cristo. Este trecho apresenta diversos fatos importantes sobre o plano eterno de Deus para nossa salvação. Entre eles:
(1) Recebemos bênçãos espirituais.
(2) Entramos em regiões celestiais. Mesmo enquanto estamos na Terra, Deus habita em nós e nós nele (João 14:17,23; 1 Coríntios 6:19; Gálatas 3:27).
(3) As bênçãos estão em Cristo. Não há outro caminho que leve à salvação (Atos 4:12).
(4) O plano para nossa salvação é eterno. Ele nos escolheu e nos predestinou segundo o bom propósito de sua vontade (5,11). O texto aqui não sugere nada de predestinação arbitrária segundo o capricho de Deus. A ideia é que tudo que Deus tem feito desde a eternidade tinha o propósito de nos salvar.
(5) Ele quer pessoas santas e irrepreensíveis.
(6) Recebemos a adoção de filhos. Que privilégio de entrar na família de Deus como filhos dele! Os cristãos são primogênitos de Deus (Hebreus 12:23) e irmãos de Jesus (Hebreus 2:11-13).
(7) Deus nos concedeu sua gloriosa graça no seu amado Filho. A história da salvação é uma história de graça e amor.
(8) Temos a redenção/remissão dos pecados pelo sangue de Cristo. "...sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hebreus 9:22).
(9) Deus derramou sobre nós abundantemente sua rica graça pela revelação de sua vontade. Pela revelação do mistério eterno, Deus nos oferece a salvação que ele preparou desde a eternidade.
(10) Todos os aspectos do plano dele se convergiram em Cristo no tempo determinado por Deus.
(11) Em Cristo, fomos feitos herança. Não somente recebemos a herança como primogênitos, mas também nos tornamos a herança de Deus para a glória dele. Ele nos recebe!
(12) A mesma salvação que Deus ofereceu aos judeus foi também concedida aos gentios. Eles foram selados com o mesmo Espírito da promessa. Judeus e gentios recebem a salvação da mesma fonte e pertencem ao mesmo Espírito.
(13) O Espírito é o penhor (garantia, sinal, entrada) da nossa herança. As afirmações do Espírito sobre a nossa salvação nos consolam enquanto aguardamos a vinda de Cristo e a glória eterna. (Veja 2 Coríntios 1:22; 5:5; Romanos 8:16-17).

·       1:15-23   Neste parágrafo, Paulo relata o teor das suas orações em favor dos irmãos.
(1) Ele sempre agradecia por eles por causa da fé e amor que demonstravam.
(2) Ele pedia que eles recebessem sabedoria, conhecimento e iluminação para apreciar a grandeza das bênçãos espirituais concedidas por Deus.
(3) Ele confiava no poder daquele que ressuscitou e exaltou Jesus Cristo.
**Obs.: O poder da oração. Muitas pessoas confiam na oração, mas não entendem o poder dela. O poder não está na oração em si, nem na pessoa que a faz. O poder permanece naquele que ouve e responde às orações (Efésios 3:20).
Jesus é o cabeça sobre todas as coisas. A igreja é o corpo dele, e ele o cabeça dela (veja Colossenses 1:18)
Jesus tem a primazia sobre todos os poderes de todas as épocas.
Aqui percebemos a perfeição, a plenitude, do plano de Deus. Cristo é o cabeça e a igreja é o corpo, mostrando para o mundo a beleza do plano eterno de Deus para a salvação do homem.

CAPÍTULO 2

·       2:1-3    Vos, vós, vossos. Paulo já começou a falar sobre os gentios no capítulo 1 ("...em quem também vós..." - 1:13), e agora fala especificamente do pecado e da salvação deles pela graça de Deus.
**Obs.: "Ele vos deu vida" estas palavras não se encontram no texto original do versículo 1. São do versículo 5 e foram colocadas aqui pelos tradutores. Paulo não começou o seu argumento com a salvação, e sim com o problema do pecado: "Estando vós mortos...". Precisamos reconhecer o problema do pecado para apreciar a importância e o valor da salvação.
Estávamos mortos no pecado. É possível estar fisicamente vivo e espiritualmente morto (o caso do pecador). Também, é possível estar fisicamente morto e espiritualmente vivo (veja Mateus 22:32; Apocalipse 6:9-11).
O mundo jaz no pecado, segundo o espírito da desobediência. Nós cristãos, antes de nos convertermos ao Senhor, andávamos no pecado.
**Obs.: A vontade da carne e dos pensamentos mostra que os maus desejos dos homens vêm tanto da carne (lascívia, etc. - veja Gálatas 5:19-21) como dos pensamentos (incluindo orgulho, filosofia, etc. - veja 2 Coríntios 10:4-5; Colossenses 2:4,8).

·       2:4-10    "Mas Deus". A resposta ao problema do pecado é único: Deus! A riqueza da sua misericórdia e do seu amor ultrapassa a pobreza e a podridão do nosso pecado.
Ele nos deu vida. A salvação não vem de nós, porque estávamos mortos! Não nos ressuscitamos; ele nos ressuscitou!
Ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo (veja 1:3).
**Obs.: Note o paralelo entre Jesus e nós. Jesus morreu, ressuscitou, e subiu aos lugares celestiais onde permanece com o Pai. Nós morremos, fomos ressuscitados pelo Senhor, e ele nos transportou aos lugares celestiais onde permanecemos com Deus.
A intenção de Deus é mostrar a sua graça às futuras gerações.
A salvação é pela graça, não por obras de mérito. Estes versículos contêm, na minha opinião, o mais completo resumo do plano da salvação encontrado na Bíblia. Devemos entender bem a grande afirmação de Paulo aqui.
(1) A graça inclui tudo que Deus faz para nossa salvação: a vida e a morte de Cristo, a sua ressurreição, a revelação do evangelho, o amor de Deus, o sangue de Jesus, a pregação da palavra, etc. A graça é tudo que Deus tem feito desde a eternidade para efetuar a nossa salvação. Não temos direito de negar nenhuma parte da obra de Deus.
(2) A fé inclui tudo que o homem faz para a salvação: ouvir e aceitar a palavra de Cristo arrepender-se dos pecados, confessar a fé, ser batizado para remissão dos pecados, perseverar firme no Senhor. Não temos direito de negar nenhuma coisa que Deus nos pede, pois mostramos a fé pela obediência a ele.
(3) Não de obras. Ele exclui aqui qualquer tipo de obra de mérito. Ninguém jamais será capaz de se salvar. Dependemos da graça de Deus.
(4) Criado para obras. Embora não nos salvemos por obras de mérito (9), devemos praticar as boas obras designadas por Deus (10). A fé do discípulo de Cristo é uma fé operante (Tiago 2:14-26).
**Obs.: Andar no que? Este trecho apresenta a opção que cada pessoa encara: andar segundo as inclinações da carne no pecado (1-3) ou andar segundo a vontade de Deus nas boas obras que ele preparou (10).

·       2:11-22    Este trecho apresenta dois aspectos importantes do ministério da reconciliação de Jesus:
(1) Reconciliação entre judeus e gentios.
(2) Reconciliação entre homens e Deus.
O estado anterior dos gentios. Os gentios andavam sem Cristo, sem comunhão com o povo de Israel, sem as alianças da promessa, sem esperança e sem Deus.
O estado dos gentios em Jesus. Foram aproximados pelo sangue de Cristo.
A reconciliação em Jesus. Jesus é a nossa paz (o "Príncipe da Paz" - veja Isaías 9:6). Ele derrubou a parede de separação (inimizade) entre judeus e gentios, abolindo a lei que separava os povos. Assim, todos têm acesso ao Pai por meio de Jesus.
**Obs.: A linguagem de Paulo aqui é forte e inegável. Uma vez que Jesus cumpriu a lei (Mateus 5:17-18), ele a aboliu e deu uma nova aliança que inclui judeus e gentios (veja Gálatas 3:14-26; Hebreus 8:7-13; 10:1,9-10; Colossenses 2:13-14; Romanos 7:6).
**Obs. Paulo fez distinção para mostrar que não há distinção! O uso de "nós" e "vós" faz uma distinção entre judeus e gentios. Mas o propósito dele é de mostrar que não há distinção em Cristo. Tanto judeu como gentio recebem a salvação pelo sangue de Jesus.
**Obs.: Na cruz, Jesus destruiu a inimizade. Que ironia que o instrumento de inimizade empregado pelo inimigo fosse usado por Jesus para trazer paz e reconciliação.

·       2:17-22    A obra de Jesus seria incompleta se a mensagem não fosse divulgada. A mensagem da paz foi comunicada a outros, dando acesso ao Pai no Espírito.
Os que eram estrangeiros e peregrinos (veja o versículo 12) agora são concidadãos e membros da família de Deus.
A família de Deus (a igreja) é edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Jesus é a pedra angular, veja 1 Pedro 2:4-10).
Cada parte do edifício precisa crescer para glorificar o Senhor, quem habita em nós.

CAPÍTULO 3

·       3:1-7    Paulo destaca a sua posição como prisioneiro de Cristo. Note:
Ele se considerou prisioneiro de Cristo. Ele entendeu muito bem que o sofrimento de prisão veio por causa do compromisso que ele assumiu com Deus (veja Atos 9:15-16; 21:10-14; 23:11)
Ele se tornou prisioneiro por amor dos gentios. A prisão literal de Paulo teve como motivo a acusação falsa de que ele tivesse levado Trófimo, um efésio, ao templo (Atos 21:28-29). Mas, o maior laço de obrigação na vida de Paulo foi o seu próprio compromisso com Cristo, que incluía a sua missão de levar a palavra aos gentios. Nisso, ele se sentiu devedor, por ter recebido gratuitamente a própria salvação (veja Romanos 1:14-16).
Deus dispensou a graça, confiando em Paulo para levar a mensagem salvadora aos gentios.
Paulo compreendeu o mistério do evangelho porque Deus lhe deu discernimento dos fatos anteriormente ocultos dos homens.
Esta revelação não foi dada exclusivamente a Paulo. O Espírito a revelou aos apóstolos e profetas que, por sua vez, repassaram seu conhecimento aos outros.
**Obs.: Apóstolos e Profetas. O livro de Efésios esclarece o papel dos apóstolos e profetas no início da era cristã. Os apóstolos foram escolhidos por Cristo, receberam a palavra por meio do Espírito Santo e foram encarregados de levar o evangelho ao mundo. Os profetas foram pessoas que recebiam revelações da palavra pelo Espírito Santo, muitas vezes servindo para edificar irmãos em vários lugares. Eram cargos temporários, mas essenciais nos primeiros anos da igreja quando ainda não tinham a palavra completa em forma escrita. Na carta aos efésios, Paulo fala dos apóstolos e profetas três vezes (e usa a palavra apóstolo mais uma vez na saudação - 1:1). Em 2:19-20, ele diz que a família de Deus é edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Jesus a pedra angular. Em 3:5-6, ele diz que o mistério do evangelho foi revelado aos apóstolos e profetas para que os gentios pudessem participar da promessa em Jesus. Em 4:11-12, diz que Jesus concedeu apóstolos, profetas, evangelistas e pastores/mestres à igreja para sua edificação e aperfeiçoamento. Em todos estes casos, podemos ver os mesmos fatos básicos. Jesus passou a sua palavra aos apóstolos e profetas para dar a base necessária para a igreja. Sabemos que os apóstolos (testemunhas oculares de Jesus ressuscitado - Atos 1:22; 1 Coríntios 15:8) morreram há muito tempo e que o dom de profecia ia desaparecer quando a mensagem completa fosse revelada (1 Coríntios 13:8-13. Mas ainda temos todo o benefício do trabalho deles, a palavra escrita para estabelecer a fé (João 20:30-31) e nos conduzira "à vida e à piedade" (2 Pedro 1:3). A revelação de Cristo "uma vez por todas foi entregue aos santos" (Judas 3). Ninguém hoje tem direito de revelar outra mensagem (Gálatas 1:8-9), nem de ultrapassar aquela já revelada no primeiro século (1 Coríntios 4:6; 2 João 9).
Paulo foi feito ministro conforme a graça concedida pelo poder de Deus (7).
**Obs.: Não há nada aqui de glória para Paulo! Ele se descreve como ministro (grego, diakonos - servo). Esta não é palavra de exaltação ou de autoridade, mas de serviço. Ele fala da graça concedida. Já disse que lhe foi dado o privilégio de servir como prisioneiro. Em outras passagens, Paulo fala de graça concedida em termos de sacrifício, sofrimento e perseguições (veja 2 Coríntios 8:1-7; Filipenses 1:29). Ele participou abundantemente de tal graça!

·       3:8-13 Paulo se sentiu privilegiado por poder pregar o evangelho aos gentios.
**Obs.: As insondáveis riquezas de Cristo. A palavra grega traduzida "insondáveis" aqui aparece apenas uma outra vez no Novo Testamento. Em Romanos 11:33, Paulo fala sobre os "insondáveis" juízos de Deus. Em Efésios, ele falou sobre "toda sorte de bênção espiritual" em Cristo (1:3) e a "suprema riqueza da sua graça" (2:7; 1:7). Comentou sobre "a riqueza da glória da sua herança nos santos" (1:18). Ainda falará sobre "o amor de Cristo, que excede todo entendimento" (3:19). As riquezas de Cristo realmente ultrapassam a compreensão do homem. Paulo foi abençoado em poder falar dessas riquezas.
A sabedoria de Deus se torna evidente pela igreja. Note:
Quem conhece a sabedoria de Deus: principados e potestades (seres/autoridades espirituais).
Como é conhecida esta sabedoria: por meio da igreja. Observando como Deus uniu velhos inimigos no mesmo corpo demonstra para todos a sua sabedoria (veja João 17:20-23).
O que é conhecida: a sabedoria de Deus. A igreja do Senhor não mostra a sabedoria humana, e sim a divina.
De novo, Paulo afirma que tudo que Deus tem feito segue um plano eterno realizado em Jesus Cristo.
Em Cristo, temos ousadia para aproximar do Pai.
**Obs.: Acesso ao Pai. A palavra "acesso" aparece apenas três vezes no Novo Testamento, duas delas em Efésios (2:18 e 3:12) e a outra em Romanos 5:2. Em todos os casos, o acesso é por meio de Jesus Cristo. Ele é o único caminho que nos leva ao Pai e a sua graça.
Com esta confiança em Cristo, Paulo incentivou os efésios a não desistir. As tribulações dele poderiam ser motivo de desânimo e falta de coragem. Poderiam ser consumidos pela tristeza em ver o amado apóstolo sofrendo (veja Atos 20:36-38). Poderiam desmaiar com medo de tribulações iguais às dele (Hebreus 10:32-39). Tribulações, porém, não devem ser motivo para abandonar a fé. Ao contrário, devem fortalecer a nossa fé (Tiago 1:2-4).

·       3:14-19 "Por esta causa": Pensando ainda na sua preocupação com o bem-estar dos efésios, Paulo ora ao Pai.
**Obs.: Aqui, Paulo diz que orou ajoelhado. Várias vezes no Novo Testamento, encontramos pessoas orando de joelhos: Jesus (Lucas 22:41); pessoas pedindo curas (Mateus 17:14-15; Marcos 1:40); Estêvão (Atos 7:60); Pedro (Atos 9:40); Paulo e outros irmãos (Atos 20:36; 21:5). Pôr-se de joelhos sugere a humildade que todos nós devemos mostrar diante do Senhor, ou até a humilhação de estar na presença dele para sermos julgados (Romanos 14:11; Filipenses 2:10). Mas, nem sempre mostra a atitude certa. Em Mateus 27:29 os escarnecedores se ajoelharam diante de Jesus. Embora ninguém tenha motivo para criticar a prática de orar ajoelhados, não devemos fazer regras dizendo que seja a única postura aceitável. É muito comum achar pessoas na Bíblia prostradas com rosto na terra adorando o Senhor. O ponto principal é a atitude do coração, e não apenas a posição do corpo. É interessante observar que, em Lucas 18:9-14, dois homens oraram. Os dois estavam em pé. Deus aceitou uma oração e rejeitou a outra. A diferença? Os corações!
Todos que fazem parte da família espiritual têm o privilégio de tomar o nome do Pai; somos filhos dele.
A família de Deus é fortalecida com poder, mediante o Espírito que revelou a palavra que nos traz conhecimento e entendimento. Note:
O evangelho é o poder de Deus para nos salvar (Romanos 1:16).
O Espírito revelou a palavra por meio dos apóstolos e profetas (3:5).
A palavra precisa ser implantada firmemente no coração (Tiago 1:21).
Quando recebemos e seguimos a palavra por fé, Jesus habita em nós (João 14:23).
Assim somos alicerçados em amor (João 14:15,23).
O amor de Cristo excede todo entendimento (18-19). Normalmente medimos objetos em três dimensões (altura, largura e comprimento). Tudo que existe no universo físico pode ser medido assim. Mas o amor de Cristo é descrito aqui em quatro dimensões (largura, comprimento, altura e profundidade), algo que realmente excede todo entendimento. A plenitude de Deus é incompreensível para a mente humana!

·       3:20-21 Deus na plenitude de seu amor, excede o nosso entendimento. Não deve nos surpreender que ele faça obras muito além da nossa imaginação.
**Obs.: Ele opera em nós, fazendo infinitamente mais do que pensamos. Quando insistimos em fazer as coisas do nosso próprio jeito, ao invés de confiar na palavra de Deus, acabamos até lutando com Deus e resistindo a sua infinita sabedoria. Devemos cooperar com ele e deixá-lo completar a boa obra que começou em nós (Filipenses 1:5-6).
Deus merece toda a glória:
Na igreja (3:10).
Em Cristo Jesus (João 17:4).
Para sempre!
**Obs.: A glória pertence a Deus, e não aos homens. Salmo 115:1 diz: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade." Existem muitas tendências hoje, até em igrejas, de exaltar homens. Algumas igrejas fazem homenagens aos homens, destacam os feitos de determinadas pessoas, usam títulos de honra para exaltar alguns acima de outros, convidam políticos para receber apoio e honra da igreja, etc. Se toda a glória pertence a Deus, nenhuma sobra para os homens! Devemos servir, jamais procurando reconhecimento e glória entre os homens.

CAPÍTULO 4

·       4:1-6 Neste parágrafo, Paulo chega a um dos temas principais do livro. A igreja é o corpo de Cristo (1:22-23). Jesus é a paz que venceu a inimizade e a separação (2:14). A sabedoria de Deus é manifesta na igreja (3:10-11). Participamos do amor de Deus (3:17-19). Considerando todos esses fatos, devemos estar unidos.
Devemos andar de modo digno da nossa vocação. Fomos chamados para ser santos. Portanto, devemos nos manter santificados, separados da imundícia do mundo.
**Obs.: Unidos e separados. É importantíssimo observar o equilíbrio no Novo Testamento entre a santidade e a unidade. Grandes textos que falam sobre a unidade dos servos de Deus também destacam a separação do pecado. Um dos exemplos mais nítidos é João 17:14-23. Os discípulos não são do mundo e precisam manter a sua santificação. Mas, por outro lado, Jesus ora ao Pai pela união dos discípulos com Deus e uns com os outros. Qualquer ensinamento sobre a unidade cristã precisa começar com a santificação. Sem a santificação, não podemos ter união com Deus (Hebreus 12:14; 2 Coríntios 6:14 - 7:1), e qualquer comunhão com outros homens se torna vã.
Atitudes são essenciais para a unidade entre cristãos). Considere bem as atitudes e os comportamentos que Paulo pede para ter a unidade:
Toda a humildade: modéstia em pensamento e comportamento. "Toda" nos lembra que esta característica deve governar tudo que fazemos e pensamos.
Mansidão: Bondade e submissão. Esta atitude não disputa com Deus, porque aceita a autoridade dele. Em relação ao homem, é tolerante e pronto para perdoar.
Longanimidade: Paciência, tolerância, perseverança, não facilmente provocado.
Suportando uns aos outros em amor: Amor constante, apesar das falhas dos outros. Procura ajudar ao invés de destruir.
Esforço diligente: Trabalho árduo; dedicação. A unidade não vem por acaso, e não é mantida sem esforço.
A natureza espiritual da unidade:
Jesus é a paz (2:14), e a paz entre seus discípulos é claramente espiritual. Elementos que nos unem:
Unidade do Espírito: O Espírito Santo revelou a mensagem para Paulo e outros, a mesma palavra que eles repassaram para nós (3:2-9). A unidade que Deus quer não é carnal, mas espiritual.
Vínculo da paz: É a paz que liga os seguidores de Jesus.
Um corpo: Jesus é o cabeça da igreja dele (veja Mateus 16:18). Ele não governa as igrejas humanas que desrespeitam a palavra dele.
Um Espírito: O mesmo Espírito é a fonte de tudo que nos une (veja 1 Coríntios 12:13-20).
Uma esperança: A convicção do galardão que vem por meio do evangelho de Cristo (veja Colossenses 1:23,27; 1 Tessalonicenses 1:3).
Um Senhor: Servimos exclusivamente aquele que tem toda autoridade (Mateus 28:18; Atos 2:36). Não podemos servir dois (Mateus 6:24).
Uma fé: Não é minha fé ou sua fé (subjetiva), mas "a fé" (objetiva). A fé não vem de mim; ela foi entregue aos santos (Judas 3). O evangelho é a fé que nos une. Doutrinas, tradições e opiniões de homens são as coisas que nos dividem.
Um batismo: o batismo nas águas para remissão dos pecados nos dá entrada em Cristo (veja 5:26; Gálatas 3:26-27; Atos 2:38; 22:16).
Um Deus e Pai de todos: O monoteísmo é a posição apresentada e defendida nas Escrituras desde a criação. A Bíblia fala sobre Deus usando pronomes plurais (Gênesis 1:26) porque há três pessoas distintas mas perfeitamente unidas (veja Marcos 1:9-11; João 17:21; 2 Coríntios 13:13).
**Obs.: Unidade artificial ou carnal. Em contraste com a unidade do Espírito citado por Paulo, existem muitas maneiras de criar e manter unidade artificial ou carnal entre pessoas. A unidade que Deus quer e exige, em primeiro lugar, a comunhão com Deus. Se eu estou em comunhão com ele, e você está em comunhão com ele, nada impede nossa comunhão um com o outro. Esta unidade não é forçada, nem um mero vínculo externo; é unidade do Espírito, baseada na verdade que Deus revelou. Na medida que cada pessoa se submete à vontade de Deus, as mesmas pessoas terão concordância entre si. Infelizmente, muitas pessoas querem unidade sem o esforço diligente que Deus requer. As maneiras mais comuns de criar tal unidade são:
 Obrigar - conformidade por meio de regras, doutrinas oficiais, decretos de líderes, concílios, congressos, ou conferências. Esta abordagem cria unidade superficial dentro de uma seita ou denominação, e pode ajudar em manter uma aparência de comunhão, mas não é a unidade do Espírito.
Ignorar -  diferenças, diminuindo a importância de determinadas doutrinas ou convicções que homens julgam ser de pouca importância. Esta abordagem ecumênica se reflete quando pessoas chamam outros de irmão sem saber nada sobre a vida da pessoa, nem se ela foi realmente convertida a Cristo.
Valorizar a unidade acima de tudo. A unidade é importante, e devemos nos esforçar diligentemente para preservá-la. Mas, jamais devemos sacrificar a verdade para manter a unidade. "A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois pacífica..." (Tiago 3:17). Não temos direito de colocar a paz acima da pureza da palavra.

·       4:7-16 Deus não pede a unidade sem nos oferecer os recursos necessários para tê-la. Este parágrafo mostra como Deus nos equipou para construir e manter uma igreja unida.
Jesus subiu aos céus e concedeu a graça (7-10):
Antes de subir para assumir a sua posição à destra do Pai, Jesus desceu à terra, até as regiões inferiores da terra (veja João 3:13; Filipenses 2:5-8).
Depois de mostrar a sua submissão, cumprindo a missão que o Pai lhe deu, Jesus foi exaltado.
Ele concedeu servos para edificar o corpo de Cristo (11-12):
Apóstolos: enviados ao mundo com o evangelho.
Profetas: pessoas que recebiam e comunicavam a palavra de Deus.
Evangelistas: homens que divulgam as boas novas.
Pastores e mestres: também conhecidos como presbíteros (anciãos) e bispos (veja Atos 20:17,28).
**Obs.: Por que esta ordem? Algumas pessoas procuram usar o versículo 11 para estabelecer uma hierarquia de autoridade, dizendo que evangelistas têm autoridade sobre pastores. Mas, no contexto da mensagem de Efésios podemos perceber outro motivo na sequência que Paulo usou aqui. Apóstolos começaram a revelação da mensagem e impuseram as mãos e transmitiram o dom de profecia a alguns que continuaram revelando as boas novas. Evangelistas acompanharam os apóstolos ou ficaram em algumas cidades para continuar o trabalho, fortalecendo as igrejas. Algum tempo depois do estabelecimento de novas igrejas, pastores foram escolhidos nas congregações locais (Atos 14:23; Tito 1:5) para guiar a igreja.
Estes dons pessoais concedidos por Jesus têm o propósito de:
Aperfeiçoar os santos para o serviço deles.
Edificar o corpo de Cristo.
Contribuir à unidade de todos.
Conduzir outros ao conhecimento de Jesus.
Ajudar a igreja a amadurecer-se. Cristãos fortes não serão levados por falsas doutrinas, nem pela astúcia dos homens.
**Obs.: Evitando a destruição de falsas doutrinas. Devemos nos preocupar com a possibilidade de infiltração de falsas doutrinas na igreja do Senhor. Mas a defesa contra tal ameaça não deve ser por táticas carnais de imposição de regras e doutrinas oficializadas. A nossa única defesa é o ensino da palavra pura (13-14; veja 1 Coríntios 1:10).
**Obs.: Todos os membros contribuem à edificação do corpo (15-16). Cristo é a cabeça. A verdade é o alimento. O amor é o motivo. O crescimento é o resultado.

·       4:17-24 A edificação do corpo de Cristo envolve todos os membros. Para ter o crescimento desejado, cada pessoa que faz parte do corpo precisa se preocupar com seu próprio progresso espiritual. Neste parágrafo, Paulo fala sobre este crescimento pessoal.
O cristão não deve andar mais na vaidade que domina os pensamentos das pessoas do mundo.
**Obs.: Vaidade é algo que não tem valor, que é vazio. Os pensamentos que ocupam a mente carnal não têm valor e não levam para nada.
As pessoas sem Deus vivem na ignorância, fechando os corações às coisas espirituais que vêm do Senhor.
Com corações endurecidos, elas se tornam insensíveis e se entregam ao pecado.
Paulo deixa bem claro que a vida cristã é outra: "Mas não foi assim que aprendestes a Cristo".
O conhecimento da verdade em Jesus exige uma transformação, deixando o velho homem e se revestindo do novo homem segundo a verdade.
**Obs.: A fé em Cristo não é mera aceitação intelectual de alguns fatos. Quando compreendemos a mensagem do evangelho, este conhecimento exige mudanças - mudanças radicais - em nossas vidas.

·       4:25-32 Baseando-se nos princípios já apresentados, Paulo sugere aqui diversas aplicações na prática. O cristão deve:
Deixar a mentira e falar a verdade. Não há nada aqui de mentirinha. O servo de Deus segue a verdade e fala a verdade.
**Obs.: A palavra "mentira" aqui vem de uma palavra (pseudos) que quer dizer falsidade. O cristão deve rejeitar todas as formas de falsidade - falsas doutrinas e práticas religiosas, falsidade nos negócios e na vida particular. Deve falar a verdade e cumprir a sua palavra.
Evitar pecados de ira. A ira descontrolada leva ao pecado. Devemos procurar soluções aos problemas e arrancar a ira pelas raízes no mesmo dia, não deixando brecha para o Diabo.
Ganhar a vida por meios honestos. A pessoa que se converte a Cristo tem de abandonar qualquer prática desonesta e trabalhar honestamente. O trabalho não é somente para o sustento próprio, mas também para poder ajudar outras pessoas.
**Obs.: Você reconhece que Deus criou o homem para trabalhar? Antes do pecado, Deus já colocou Adão no jardim "para o cultivar e o guardar" (Gênesis 2:15; 2 Tessalonicenses 3:10-12). Preguiça não faz parte do caráter cristão. Quando trabalhamos e ganhamos, temos a responsabilidade de administrar os nossos recursos. No seu orçamento pessoal ou familiar, você tem costume de separar uma parte para ajudar os necessitados? Deveria!
Controlar a língua, falando palavras boas que edificam. Uma palavra torpe é comunicação corrupta, não aquela que vem do autor da Vida para nossa edificação. Não devemos usar a língua para entristecer o Espírito Santo.
**Obs.: O Espírito Santo tem sentimentos. Este fato é uma das evidências que ele é uma pessoa, e não meramente uma força ativa como alguns ensinam.
Tirar da vida as obras da carne. Paulo encerra este trecho com um resumo negativo e um positivo. No sentido negativo, devemos tirar as obras da carne (veja Gálatas 5:19-21). Positivamente, precisamos desenvolver as características boas que aprendemos de Deus (veja Gálatas 5:22-23).
**Obs.: Uns aos outros. Várias vezes nesta carta Paulo fala sobre responsabilidades mútuas entre cristãos (32; 5:21; etc.). Tais responsabilidades vêm da relação que os cristãos têm no corpo de Cristo: "porque somos membros uns dos outros" .

CAPÍTULO 5

O capítulo 5 continua com o mesmo tema da última parte do capítulo 4. Uma vez que entendemos nossa relação com Deus como pessoas santificadas, novos homens, filhos de Deus, faremos tudo para imitar o exemplo do nosso Pai.

·       5:1-2  Como filhos de Deus, devemos imitá-lo. Que desafio! Imitar o Deus santo que nos criou!
Especificamente, devemos imitar o amor de Cristo.
**Obs.: O amor resume os mandamentos de Deus (Mateus 22:37-40), mas não temos direito de definir o amor ao nosso agrado. Deus nos ensina como amar (1 João 4:7-12). Em amor, guardamos os mandamentos dele (João 14:15,23). O amor é a mais elevada das qualidades produzidas pelo Espírito na vida do cristão (veja 1 Coríntios 13:4-7,13; Gálatas 5:22-23; 2 Pedro 1:5-7).
Andar em amor. Andávamos no pecado, fazendo a vontade da carne (2:2-3). Agora andamos em boas obras (2:10). O amor se torna o caminho da vida do discípulo.

·       5:3-7 Para andar em amor, temos de abandonar as obras da carne, que não mostram amor para com o nosso santo Deus (3-4).
Obs.: "...nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos". No passado, andávamos no pecado praticando coisas inconvenientes que não pertencem a nova vida. Não devemos sentir orgulho, nem achar engraçadas as coisas do passado. Rejeitemos o velho homem por completo.
A boca que usávamos no passado para falar coisas vãs e profanas serve agora para agradecer ao Senhor.
Pessoas que continuam praticando as obras da carne não terão herança no reino de Cristo (5-7). Note o significado das palavras usadas aqui:
(1) Incontinente: a palavra grega (pornos) traz o sentido de fornicador ou pessoa imoral.
(2) Impuro: literalmente, uma coisa não lavada ou não purificada. Precisamos ser lavados em o nome de Jesus (1 Coríntios 6:11).
(3) Avarento: aquele que deseja adquirir mais e mais coisas, especialmente desejando as coisas dos outros. Bens materiais se tornam seu ídolo (veja Colossenses 3:5).
Podemos ser lavados de tais pecados (1 Coríntios 6:9-11), mas sem a justificação que vem de Jesus, não teríamos nenhuma esperança no reino do Senhor.
Alguém pode tentar nos enganar, minimizando o significado destes pecados (6). O mundo está cheio de pessoas que sugerem que alguns pecados são comuns, normais, até bons. Deus não considera tais coisas pecadinhos. Trazem a ira dele sobre as pessoas que os cometem.
A única solução ao problema: "Portanto, não sejais participantes com eles" (7). Não podemos fazer acordos com o pecado ou servir Cristo a meio termo. Temos de deixar o pecado e nos dedicar a ele.

·       5:8-21  Passamos das trevas para a luz. Observe os contrastes apresentados aqui:
Éramos trevas (5:8) X Agora somos luz (5:8)
Andávamos no pecado (2:1-2) X Andamos como filhos da luz (5:9)
Obras infrutíferas (5:11) X Fruto da luz (5:9-10)
Obras ocultas (5:12) X Todas as coisas manifestas (5:13)
Néscios (5:15) X Sábios (5:15)
Insensatez (5:17) X Compreensão da vontade do Senhor (5:17)
Embriagados com vinho (5:19) X Cheios do Espírito (5:17)
**Obs.: Não sejam cúmplices (11). A postura do cristão em relação ao pecado precisa ser bem definida. Não podemos ocultar a nossa fé (Marcos 8:38), nem devemos ser cúmplices nos pecados de outros. Muitas pessoas apoiam os erros de membros da própria família, ou participam de igrejas que ensinam e praticam coisas erradas, e procuram lavar as mãos como Pilatos o fez (Mateus 27:24). Paulo condena a cumplicidade no pecado, dizendo que devemos reprovar as obras das trevas. Amar a Deus exige odiar o pecado!
**Obs.: Como se encher do Espírito? A resposta está aqui! Não é algo que esperamos de fora, mas algo que fazemos, obedecendo a instrução de Paulo (18). Mas como? Ele continua nos versículos seguintes falando de três maneiras de nos encher do Espírito:
(1)  Falando, entoando, louvando com salmos, hinos e cânticos espirituais (19).
(2) Dando graças ao Pai em nome de Jesus (20).
(3) Sujeitando-nos uns aos outros no temor de Cristo (21).
Resumindo o ensinamento destes versículos, precisamos ocupar os nossos pensamentos com as palavras de Deus, desenvolver a nossa comunhão com ele, e demonstrar o espírito do Senhor em nosso serviço aos outros. Assim, estaremos nos enchendo do Espírito!
**Obs.: Cantando do coração (19). O louvor em muitas igrejas hoje é um espetáculo que agrada aos ouvintes. É um "louvor" que vem de baterias, guitarras e teclados e que mexe com as emoções das pessoas. É isso que Deus quer? Paulo falou aqui de adoração que vem do coração na forma de falar, entoar e louvar. Para isso, usamos a voz que Deus nos deu e o coração que entregamos a ele. Há uma grande diferença entre o louvor praticado em muitas igrejas modernas e a adoração simples do Novo Testamento. Nenhuma vez no Novo Testamento encontramos os cristãos primitivos usando qualquer tipo de instrumento no louvor. A adoração deles saiu do coração e foi transmitida pela voz, pela qual se instruíram e se aconselharam mutuamente. Assim, agiram em nome do Senhor Jesus e agradaram ao Senhor (Colossenses 3:16-17). Hoje, algumas pessoas achariam muito radical um louvor voltado ao Senhor feito na simplicidade que ele pediu! Tenhamos amor para ele e coragem para agradar a Deus, e não aos homens.
Obs.: "Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (20). Agir em nome do Senhor não quer dizer meramente falar "em nome de Jesus". Temos de agir pela autoridade dele em tudo que fazermos (veja Mateus 7:20-23; Colossenses 3:17). Quem respeita a autoridade de Cristo (Mateus 28:18-20) não ultrapassará a palavra dele (1 Coríntios 4:6; 2 João 9).


·       Para entender bem o trecho incluído neste estudo, temos de lembrar do finalzinho do último parágrafo. A terceira coisa que fazemos para nos encher do Espírito é sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (21). A submissão mútua é a base do ensinamento sobre várias relações humanas que estudaremos agora. Mulheres devem se submeter aos maridos, mas em outro sentido, os maridos devem se submeter às esposas. Filhos devem ser sujeitos aos pais, mas os pais se submetem aos filhos, também. Servos devem obedecer aos seus senhores, mas o patrão serve o empregado! Vamos aprender mais!

·       5:22-33 Marido e mulher. Antes de considerar este texto, devemos observar que o ponto principal de Paulo é sobre a submissão da igreja a Cristo, o perfeito marido. Mas, ele aproveita esta questão para ensinar, também, sobre o casamento. Também, note que ele não fala aqui de obediência condicionada na atitude do outro. A mulher deve ser submissa, independente da atitude do marido. Ele deve amá-la, mesmo se ela não for submissa. Cada um deve cumprir seu papel.
As mulheres devem ser submissas aos maridos (22-24). "Como ao Senhor" mostra que há uma lealdade maior atrás deste mandamento. Quando a mulher olha para o seu marido, deve se imaginar que Jesus esteja atrás dele apoiando as suas palavras. Mas, se o marido pedir algo que claramente contradiz a palavra de Deus, ela deve obedecer a Cristo e não o homem (Atos 5:29). Observe bem este ponto. Ela deve obedecer tudo que ele diz que não conflite com a palavra de Deus. Mesmo se ela não goste da decisão dele ou não a ache sábia, ela deve cumprir a palavra do marido. Mas, se ele pedir que ela peque, terá que desobedecê-lo.
Da mesma forma, a igreja deve fazer tudo que Cristo manda, mesmo quando a palavra dele for difícil. Ele é o marido perfeito, e nós não temos direito de recusar nenhuma palavra dele.
Os maridos devem amar as suas esposas (25-30). Se acharmos difícil a submissão que Paulo exige das mulheres, devemos pensar mais sobre o amor que ele requer dos maridos! O homem deve amar a sua esposa como Cristo Amou a igreja! O amor aqui é a forma mais elevada de amor sacrificial. Ele procura o bem-estar do amado acima dos seus próprios interesses. Jesus se entregou, sacrificando a própria vida, para salvar a igreja. O marido deve fazer tudo para salvar a sua esposa, até dando a própria vida.
**Obs.: Você daria sua vida por sua mulher? Podemos pensar que mostraríamos grande coragem para proteger as nossas esposas. Se alguém assaltasse a sua esposa, você tomaria uma bala para salvar a vida dela? Mas são poucos os casos onde tal heroísmo seja necessário. O que devemos fazer é reconhecer um compromisso absoluto de dedicar as nossas vidas todos os dias ao bem-estar das nossas esposas. Se daria a vida num ato heroico, deve estar disposto a se gastar servindo a ela no dia-a-dia ao longo dos anos.
Jesus purificou a igreja (26). Alguns fatos importantes aqui:
(1)   Na aplicação ao casamento, entendemos que o homem deve se dedicar à salvação da sua mulher. O homem que ama a sua mulher jamais tentaria envolvê-la no erro. Sempre procurará ser um bom líder espiritual, conduzindo a sua família no caminho de Cristo.
(2)  No "casamento" de Cristo com a igreja, aprendemos que Jesus santifica e purifica a igreja "por meio da lavagem de água pela palavra". Para entender esta afirmação, precisamos lembrar que a igreja não é uma instituição; é pessoas chamadas para fora do mundo. Então, ele santifica e purifica pessoas. Como? "Por meio da lavagem de água" claramente se refere ao batismo, pelo qual entramos em Cristo (Mateus 28:18-20; Marcos 16:16; João 3:5; Atos 2:38; 22:16; Romanos 6:3-4; Gálatas 3:26-27; Tito 3:5; 1 Pedro 3:20-21). "Pela palavra" deixa bem claro que aprendemos sobre Cristo e a necessidade do batismo pela pregação do evangelho dele. O batismo citado aqui é de pessoas capazes de ouvir a palavra e tomar as suas próprias decisões.
Ele quer uma igreja pura (27). Da mesma forma que cada pessoa que entra em Cristo é purificada dos seus pecados, deve se manter pura e sem defeito. Se cada pessoa se mantiver santa, a igreja toda será pura e gloriosa.
O marido deve amar a esposa como a si mesmo (28-29). Estes versículos condenam o egoísmo que alguns homens mostram em relação às esposas. Elas devem ser valorizadas e bem cuidadas por maridos carinhosos.
Somos membros do corpo de Cristo (30). Assim, ele cuida de cada um!
Paulo repete o princípio original do casamento (31); veja Gênesis 2:24; Mateus 19:5. O homem deixa os seus pais e se une a sua mulher, os dois se tornando uma só carne. No casamento, a lealdade se transfere dos pais à esposa.
A mensagem de Paulo neste trecho se refere principalmente a Cristo e à igreja, mas tudo que falou sobre o casamento é válido (32-33).

·       6:1-4
Filhos devem:
(1) Obedecer aos pais (no Senhor, ou seja, enquanto as instruções dos pais não contradizem a vontade de Deus - veja Atos 5:29).
(2) Honrar aos pais.
Pais devem:
(1) Não provocar os filhos à ira.
(2) Criar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor.

·       6:5-9
Servos devem:
(1) Obedecer os seus senhores.
(2) Não servir para agradar aos homens, e sim ao Senhor.
Senhores devem:
(1) Tratar os servos com respeito.
(2) Evitar ameaças.
(3) Lembrar que todos - os senhores e os servos - são servos do mesmo Pai, e que ele não faz acepção de pessoas.
**Obs.: Embora não estejamos hoje debaixo de um sistema de escravidão, como na época de Paulo, os princípios aqui podem ser bem aplicados na conduta de empregados e patrões. O cristão deve ser o empregado modelo ou o melhor chefe em qualquer ambiente, porque respeitará a vontade de Deus na maneira de tratar outras pessoas.

·       6:10-24

Este trecho nos traz mais uma exortação de Paulo e o encerramento do livro.
·       6:10-18
A exortação final de Paulo neste livro se refere à preparação do cristão para enfrentar os desafios no mundo. Devemos ser fortalecidos no Senhor (10).
**Obs.: Mais uma vez, observamos que o poder não vem de nós, mas de Deus. Muitos cristãos se sentem derrotados porque olham constantemente para as coisas erradas. Veem as tentações e as provações e estas parecem enormes. Olham no espelho e enxergam suas próprias falhas e fraquezas. O problema é o foco. Qualquer homem é pequeno e frágil, mas Deus é muito maior do que nossos desafios. Foi assim que pensou o bom rei Ezequias quando o exército da Assíria ameaçou o seu país: "Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos assusteis por causa do rei da Assíria, nem por causa da multidão que está com ele; porque um há conosco maior do que o que está com ele. Com ele está o braço de carne, mas conosco, o Senhor, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear nossas guerras. O povo cobrou ânimo com as palavras de Ezequias, rei de Judá" (2 Crônicas 32:7-8). Deus é maior do que nossos problemas!
É com a armadura de Deus que podemos enfrentar e vencer o diabo e as outras forças do mal (11-12).
**Obs.: O diabo é um derrotado, um perdedor. Sinceramente fico triste com as igrejas que enfatizam demasiadamente os poderes do diabo e seus servos. Parece que algumas igrejas falam mais sobre as forças do mal do que sobre o Vencedor e Senhor de todos. Preocupam-se com questões de hierarquias de poder no reino das trevas; fazem espetáculos dramáticos de expulsão de demônios; falam detalhadamente sobre características e poderes de Satanás. O Novo Testamento apresenta o diabo como um derrotado contra quem devemos resistir confiantes na vitória (Hebreus 2:14-15; 1 João 3:8; Apocalipse 12). Ele tem poder (veja 1 Pedro 5:8-9), mas o poder dele nem se compara com a força superior do nosso Rei!
Para vencer o Adversário e "permanecer inabaláveis", precisamos vestir a armadura de Deus (13-17; veja 1 Tessalonicenses 5:8):
(1) O cinto da verdade (14). O cinto do soldado foi a peça central de sua armadura, segurando a roupa dele perto do corpo e dando lugar para carregar a sua espada e outras necessidades da batalha. Na vida do discípulo, esta peça central é a verdade, que vem de Deus (João 17:17). Para servir de proteção, a verdade precisa ser conhecida, recebida e aplicada. Isso exige estudo cuidadoso, aceitação de coração bom e sincero, e a coragem de aplicar a palavra em nossas vidas e efetuar as mudanças necessárias.
(2) A couraça da justiça (14). A couraça protege o coração, o peito do soldado. A proteção do servo de Deus não vem por meios carnais. A injustiça de mentiras, engano, etc. não protege ninguém do inimigo real. A justiça, a santidade, a integridade moral são a proteção do servo do Senhor.
(3) Os calçados (sandálias) de preparação do evangelho (15). As sandálias usadas pelos soldados romanos, na época de Paulo, tinham cravos para dar aos soldados uma vantagem contra inimigos despreparados (com sandálias inadequadas ou até descalços). O servo do Senhor tem de estar preparado, com as sandálias já nos pés. Se esperar a invasão do inimigo para se vestir, não conseguirá resistir. A preparação do soldado de Cristo é o evangelho da paz. É interessante que, no meio a tanta linguagem de guerra, Paulo nos lembra que a nossa missão é de reconciliação, como servos do Príncipe da Paz (veja 2:14-18).
(4) O escudo da fé (16). O escudo do soldado romano cobria boa parte do corpo dele, e servia para repelir dardos, flechas, etc. O diabo lança seus dardos inflamados, mas o cristão se defende com o escudo da fé. Quando temos convicções fundadas na palavra de Deus, podemos resistir aos assaltos do Inimigo (Romanos 10:17).
(5) O capacete da salvação (17). O capacete é de extrema importância. A nossa proteção contra golpes mortais é a salvação que Cristo nos trouxe (Atos 4:12).
(6) A espada do Espírito (18). Não devemos entender que a nossa guerra seja apenas defensiva. Entramos na batalha armados para enfrentar e vencer o Inimigo. "Porque, embora, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas, e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão" (2 Coríntios 10:3-6). A nossa espada, nossa única arma ofensiva, é a palavra de Deus.
Assim armados e confiando no Senhor, devemos desenvolver o hábito de oração constante (18). Note aqui:
(1) Oração é a comunicação com Deus.
(2) Súplicas são apelos ou petições pedindo ajuda.
(3) Orando "no Espírito" tem duas possíveis interpretações: (a) Orando como aprendemos do Espírito Santo, de acordo com a vontade do Senhor; (b) Orando no espírito (a letra maiúscula não está no original; é questão de interpretação) no sentido de oração sincera do coração.
(4) Vigiando com perseverança sugere uma atitude de dedicação incansável à oração.
(5) Devemos orar pelos santos, fazendo súplicas em favor dos irmãos em Cristo.
**Obs.: A comunicação sempre envolve dois sentidos. Uma pessoa fala e a outra ouve. Depois esta fala e aquela escuta. A comunicação com Deus funciona da mesma maneira. Quando oramos, nós falamos e Deus ouve. Quando lemos e estudamos a palavra, Deus fala e nós escutamos. Este entendimento sugere dois perigos que devemos evitar: (1) Ouvir sem falar. Não é suficiente meramente estudar a Bíblia. Precisamos desenvolver a comunhão com Deus em oração. (2) Falar sem ouvir. Algumas pessoas oram muito, até fazendo súplicas constantemente, mas não dão importância ao estudo da palavra. É importante falar com Deus, mas jamais devemos negligenciar o estudo da palavra dele.

·       6:19-20
Paulo especificamente pediu orações por ele, para que pudesse ter coragem de falar a palavra de Deus (19).
Embora em cadeias, ele era embaixador de Cristo (20). A prisão de Paulo apresentou várias oportunidades para ele pregar a palavra (Atos 23:11; Filipenses 1:12-18).

·       6:21-22
Paulo enviou Tíquico para consolar os irmãos com notícias a seu respeito. Paulo descreve Tíquico como o irmão amado (sua relação com Paulo) e fiel ministro do Senhor (sua relação com Jesus). Para maiores informações sobre o trabalho deste servo, veja Atos 20:1-6; 2 Timóteo 4:12; Tito 3:12 e Colossenses 4:7-9.

·       6:23-24
Paulo encerra a carta desejando paz, amor e graça aos fiéis.