segunda-feira, 6 de julho de 2015

2º SAMUEL

O    L I V R O    2 º    S A M U E L




O segundo Livro de Samuel, é uma continuação de seu primeiro Livro e neste livro são relatados a história de Davi que foi o primeiro Rei de Judá (II Sam.1.4), que mais tarde também se tornou Rei de toda a nação, tanto do Sul (Judá), quanto o Norte (Israel), conforme (II Sam. 5.24).  Este Livro relata os tempos da monarquia depois da morte de seu primeiro rei, que foi o Rei Saul, entre 1050 à 1010 A.C. Estes personagens estão também descritos nos Livros de I Crônicas, Salmos e Provérbios.



O Livro de 1º Samuel registra o fracasso de Saul, o rei pedido pelo povo e em seu segundo livro, a entronização de Davi, o rei escolhido por Deus. Davi é apresentado como o rei ideal, que obedece a Deus e serve ao povo. Qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve ao povo é ilegítima e má, pois acaba ocupando o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo. Com a entronização de Davi Deus também há a “estabilização da Casa de Davi (Isaías 9.7)  através do qual mais tarde o Messias, Jesus Cristo haveria de vir, e quando Ele voltar , sentar-se-á no Trono de Davi (Lc. 1.32)”. O Livro de 1º Samuel ocupa-se da história como homem e no 2º Livro de Samuel Davi é narrado como Rei (2º Sam. 5.3). Não somente estes livros narram a história de Davi, mas encontramos sua história em outros aspectos nos Livros de Reis, no Livro de 2ª Crônicas, e também nos Salmos.



O Livro de 2º Samuel narra as lutas de Davi contra os inimigos de “dentro e de fora”, lutas constantes para que se firmasse em seu reino e no poder a estendê-lo as outras Tribos de Israel.  Davi era um homem de profunda fé e devoção a Deus e como líder foi capaz de conquistar a lealdade do seu povo, mas também foi um homem que cometeu pecados que desagradaram a Deus, pecados de crueldade e violência, que a Bíblia não esconde, mas porém quando Natã, o profeta, apontou a Davi seus pecados, este ao contrário de Saul, os confessou, se arrependeu e aceitou o castigo de Deus.
A vida e as realizações de Davi impressionam profundamente o povo de Israel. Tanto assim que mais tarde, nos tempos de angústia, quando mais velho e necessitando de um novo rei, o povo pedia “um filho de Davi”. Desejavam um rei descendente de Davi e que fosse como ele. No início do Livro de 2º Samuel, relata-se os triunfos de Davi e suas lamentações a respeito de Saul e Jônatas, e depois sua vida como Rei, primeiramente de Judá e depois constituído Rei de todas as Tribos de Israel.
Davi acabando de regressar a Ziclague, depois de uma grande vitória sobre os Amalequitas, cansado fisicamente e revigorado em seu espírito, por causa de seu grande êxito. Agora no auge de seus trinta anos consulta a Deus para saber onde deveria estabelecer o seu trono e Deus lhe indica Hebrom.  Acabara de chegar àquela cidade, quando os homens de Judá vieram ungí-lo rei sobre a causa de judá.  O começo de seu reinado foi lento e desanimador, mas Davi porém tinha fé e estava pronto a esperar que Deus o conduzisse, Davi era um Rei humilde diante de Deus e diante dos homens. Reinou durante 40 anos, inclusive os sete anos e meio em Hebrom sobre Judá, e 33 anos em Jerusalém sobre toda a terra de Israel.  A fortaleza de Jerusalém  estava nas mãos dos Cananeus, mas foi conquistada nos primeiros anos de seu reinado (2º Sam.5. 6-10)

No capítulo dois até o décimo relata-se a conquista da cidade de Jerusalém e a derrota dos Filisteus, no governo de Davi sobre Judá (2º Sam.1.4-12, 5 ).  A condução da Arca da Aliança para a cidade e o desejo de Davi em construir  um templo, as vitórias de Davi, o caso Davi e Bate-Seba, quando já era Rei de Israel e Judá.  Um dos grandes resultados de Davi foi a unidade de toda a nação, unindo num só grupo os vários elementos em conflito.  Davi confiou em Deus de todo seu coração, e não se apoiou  em seus próprios conhecimentos. Reconheceu a Deus em todo seu caminho e Deus dirigiu-lhe as veredas (Prov. 3.6).  O que foi mais importante, Davi fez pelo povo, capturou Jerusalém  constituindo-a maior e mais poderosa, conquistou os Filisteus e unificou o Reino. “Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o SENHOR dos exércitos era com ele  (2ª Crôn. 11.9)”.  Deus mandou informar a Davi através do Profeta Natã que ao  contrario de Saul, seu filho iria sucedê-lo e que seu reino e seu trono seria estabelecido para sempre e ao seu filho concederia a honra de construir o templo. (2º Sam.7.12-16)

Nos capítulos 11, 12 e 25 relatam os problemas e as dificuldades devido sua conduta  pecaminosa, suas perturbações e as suas causas, o seu arrependimento e outros fatos.  Numa dessas descrições são relatados  seu pecado a respeito de Urias  e a repreensão do profeta Natã a Davi.  Em toda a Palavra de Deus não há capítulo mais trágico, nem mais cheio de advertências diante da queda de Davi.  Ele narra  a queda de Davi como a eclipse do sol, o pecado de adultério e virtual homicídio constitui uma terrível nódoa na sua vida.  Tornou-se um homem alquebrado.  Deus o perdoou, mas a Palavra diz: “Não apartará a espada jamais da tua casa”. Colheu o que semeou, achava-se ocioso (2º Sam. 11.12), era momento de o rei estar na guerra, mas lá não se encontrava. Permaneceu em Jerusalém no lugar da tentação, num lugar desalento, passeando pelo terraço onde viu a Bate_Seba e a desejou, e ao invés de expulsa-la, a colheu e tomou-a e ainda mandou matar a seu marido Urias, que era também seu soldado.  Fato este cometido pelo “cabeça da nação”, cujo homem destacadamente favorecido por Deus.  Um ano depois o Profeta Natã o visitou acusando-o do pecado e vemos seu arrependimento descrito no Salmo 51.  Apesar do arrependimento, Deus o pune com a morte de seu filho que morreria por causa do seu pecado. (2º Sam.12.13-32).  Quando a criança faleceu Davi levantou e adorou a Deus dizendo: Pior é uma tristeza viva do que morta.  Sua morte constitui uma dolorosa tristeza para Davi, mas a mágoa viva que teve que suportar, foi através do seu amado filho Absalão, em sua rebelião carregada de tragédia e morte.



No capítulo 13 ao 18 é mencionado o pecado de Amon, sendo este morto por Absalão filho de Davi, também descreve a rebelião de Absalão com sua derrota e morte.  A revolta de Sebá e sua repressão, a vingança dos Gibionitas, onde os descendentes de Saul são mortos (20-21). Os últimos dias de Davi, estão nos capítulos 21.1 à 24.25, também a batalha contra os Filisteus, a matança de seus gigantes, o hino da vitória e os salmos de Davi de ações e graças.  Nos capítulo 24 relatam as últimas palavras de Davi, seus principais homens de guerra, a numeração do povo e consequente castigo, sua oração e sacrifício. (2º Sam. 24.11-14, 17).
Os últimos dias de Davi está descrito em (2° Samuel 20 a 24).  Depois que a rebelião foi esmagada, o Rei Davi voltou para o seu reino. Novos oficiais foram nomeados e a reconstrução do templo começou em toda parte.  Ele acumulou grandes recursos para a construção do templo e encaminhou o filho Salomão a edifica-lo.  Davi tinha 70 anos quando faleceu.  Foi esse o homem “segundo coração de Deus”.  Temos que conhecer a vida de Davi para poder compreender seus Salmos.  Em (Atos 13.22, 23), Jesus Cristo é chamado “Filho de Davi”, e sua genealogia está no meio, entre Abraão e Jesus Cristo.  Davi cometeu erros, mas impediu que a nação caísse na idolatria.  Não obstante apesar de seus pecados serem graves, permaneceu fiel a Deus.  Foi grande santo, apesar de grande pecador.  Pecou mas arrependeu-se.  Os últimos versículos de 2º Samuel fala de Davi comprando a eira de Araúna e ali ele erigiu um altar.  Isto tem sentido especial por situar-se onde o grande templo de Salomão foi mais tarde edificado.

A MONARQUIA DE ISRAEL
O Reino Unido – 1050 – 930 A.C
·       Saul – 1050 A.C  (1º Sam. E 1ª Crôn.1.10)
·       Davi – 1010 A.C (2º Sam., Salmos, Jó, 1ª Crôn. 11 até final do Livro)
·       Salomão  970 A.C (1º Reis 1.10, Provérbios, Eclesiástes, Cantares, 2ª Crôn. 1.10)
A Monarquia começa no Reino de Saul, 1050 A.C, descrito no Livro de 1º Samuel e 1ª Crônicas 1-10.  A monarquia também é chamada de Reino Unido e teve sua dinastia de 1050 a 930 A.C. Após a morte de Saul, o Rei Davi reinou em seu lugar entre 1010 A.C até 970 A.C, cujos relatos estão nos livros de 2º Samuel e 1ª Crônicas 11 a 29, e em algumas partes nos Livros de Salmos. Em seu lugar reinou seu filho Salomão de 970 A.C à 930 A.C, relatado no Livro de 1º Reis, 2ª Crônicas 1 ao 10.  O Rei Salomão também escreveu os Livros de  Provérbios, Eclesiastes e Cantares.

Sob o governo de Davi, Israel atingiu o seu ponto culminante.  Essa época é chamada “Idade Áurea” de Israel.  Nela não havia bosques, nem culto a ídolos, nem funções mundanas. Suas caravanas cruzavam os desertos e suas rotas iam do Nilo ao Tigre e Eufrates, e Israel prosperava naquele tempo.  Quando Israel andou em retidão com Deus, foi invencível contra todas as circunstancias adversas.




domingo, 21 de junho de 2015

I SAMUEL

O    L I V R O      I   S A M U E L





A história real começa com o Livro de Samuel, e com Samuel termina o longo período de governo dos Juízes. Quando ele subiu ao poder, o povo encontrava-se em estado lastimável. Haviam praticamente rejeitado a Deus e passaram a clamar por um rei terreno (I Sam. 8.4-7). Este livro começa o período de quinhentos anos de reis em Israel, aproximadamente (1095-586 A.C).   Samuel é o último dos Juízes (I Sam.1.1 – 7.17), e a ele coube o papel de ungir o primeiro Rei de Israel (I Sam.7.15-17, 10.1).  A sua biografia está no chamado 1º Livro de Samuel e há nesse livro, paralelamente a biografia de Saul, e parcialmente, a biografia de Davi, que prossegue no 2º Livro de Samuel.

Distribuição dos Capítulos:
 1-3 – Até o chamado de Saul, 4-8 – Até o pedido de um rei, 9-12 – Até Samuel resignar o cargo, 13-15 – Até a separação entre Samuel e Saul, 16-20 – Da unção de Davi até seu pacto com Jônatas, 21-27 – Peregrinações de Davi, 28-31 – Decadência final de Saul. I Crônicas 1-10 – Genealogia até sua época.
SAMUEL – “pedido a Deus, ou ouvir de Deus! ”, este é o significado do seu nome. Filho de Elcana e de Ana. Antes de seu nascimento foi Samuel consagrado ao Senhor como nazireu, promessa cumprida em (Sam. 1.24 a 28). “O menino serviu ao Senhor perante o sacerdote Eli” (Sam. 2.11-19), usava a estola sacerdotal de linho branco, e todos os anos sua mãe o visitava trazendo-lhe uma pequena túnica.  Finéias e Hofni filhos de Eli se comportavam mal, sendo censurados pelo idoso pai, então veio a Palavra do Senhor a Samuel anunciando que ia ser afligida a casa de Eli (I Sam. 3.11-14).  Passados anos, já encontramos Samuel exercendo o alto cargo  de juiz e Governador. A Arca tinha voltado da terra dos Filisteus, e os Israelitas, exortados por Samuel, puseram fora do seu culto a Balaim e Astarote, servindo somente ao Senhor. E para comemorar essa vitória Samuel levanta um monumento a Ebenézer, que ficava em Ramá, porém na qualidade de Juiz julgava a Israel em “Betel, Gilgal, e Mispa” (I Sam. 7). Depois de um longo intervalo reaparece Samuel já ancião, nomeando os seus dois filhos, Joel e Abias, administradores da justiça em seu lugar, (I Sam. 8.11).  Dirigido por Deus ungiu a Saul Rei de Israel e intimou o povo a comparecer em Mispa para escolher o seu dominador, avisando  os Israelitas a respeito de seus deveres para com o Senhor, e prometeu sua intercessão a favor deles (I Sam.12). Quando Saul pecou foi Samuel quem lhe fez conhecer a censura divina e depois de rejeitado ungiu a Davi seu  sucessor (I Sam.13.11-15, 16.1-13, I Cron. 11.3).  Parece que Samuel ficou sempre em exercício de seu cargo de Juiz, apesar da nomeação de um rei.  Sua posição entre os Israelitas, é manifestada mais tarde nas referencia à sua personalidade e obra. Morreu lamentado por todo Israel, sendo sepultado em Ramá (I Sam.25.1, 28.3). 





O livro começa com a narrativa de Ana, mãe de Samuel, orando para ter um filho a quem Deus usasse. Samuel, o último dos Juízes foi a resposta de Deus à oração de Ana.  Eli, o sacerdote, julgou-a bêbada, e mal sabia que ali estava um coração aflito que mostrou sua alma angustiada a Deus. Ana recebeu a bênção do filho e dedicou-o ao serviço de Deus, pelo qual mais tarde se tornou um grande Juiz, Sacerdote e Profeta de Deus.
Isto foi uma provisão de Deus, pois o povo estava tão perdido, que até mesmo os sacerdotes descuidaram das coisas divinas, deixando o cuidado da família e deixando de ser piedosos para com o povo. Foi nos temerosos e agitados dias de Israel que ouvimos a oração de fé dos lábios de Ana, a mulher simples que tinha confiança em Deus e ao nascer Samuel, o trouxe ao tabernáculo em Silo e ali, Samuel foi protegido e cresceu um menino dedicado e temente a Deus. (I Sam.1.24-28; 2.12-26; 3.1-21).




Nesta ocasião EIí, era Juiz e Sacerdote: governara quarenta anos. Foi, porém, indulgente e como resultado disso, os dois filhos Hofni e Finéias, também sacerdotes, procederam de maneira desonrosa, trazendo com isso a corrupção moral e Deus advertiu a Elí sobre a queda de sua casa e finalmente a catástrofe sobreveio, pelo desastre registrado em (I Sam.4). Os Filisteus haviam enfrentado Israel e tinham levado a Arca, a qual era o símbolo da presença de Deus e mortos foram os filhos de Elí, e este agora ancião aos 98 anos que ao saber da notícia, também morreu.  A tomada da Arca caracterizava o desamparo de Deus e o castigo pela iniquidade. (I Sam. 5.1-2).
A Arca fora levada pelos Filisteus sendo Samuel ainda criança, e desde então a cidade de Silo deixou de ter grande importância. (I Sam. 4.3,11). Sob o domínio dos Filisteus, Israel não tinha mais um lugar definido de adoração. Samuel tornou-se adulto e assumiu a direção daquilo para o que nascera e exorta o povo ao arrependimento, e este lhe pede um rei. As tribos independentes iriam agora constitui-se em uma nação e para poder sobreviver entre outras nações fortes, Israel precisava tornar-se também forte. O próprio Samuel fica decepcionado, pois o povo estava rejeitando que Deus governasse sobre eles. Samuel estava despertando o povo para as grandes realidades espirituais, mas pediram um rei porque os outros povos também o tinham. Israel queria ser como as demais nações, ter um rei e a sua visão era superficial, viam numa monarquia uma estabilidade com direitos hereditários, mas ao pedirem um rei rejeitavam a Deus, e Deus não queria que seu povo ficasse independente Dele. Nunca foi a intenção de Deus que Israel tivesse outro rei, e por causa de sua apostasia Israel tomou este rumo, de ser igual às outras nações.




Inicia-se no Cap. 9 a biografia de Saul, que era alto, cuja cabeça estava acima dos ombros de outras pessoas. Um homem fisicamente notável. Saíra da casa do pai em busca de jumentas perdidas, e depois de ter procurado mais de um dia retorna para casa, pois o pai agora, em vez de estar preocupado com as jumentas, estaria preocupado com o próprio filho. O encontro entre Samuel e Saul assinala a unção deste, e Saul embora ungido, não tinha o reconhecimento do povo, e só passou a ser reconhecido pelo povo depois de defender Israel do ataque dos Amonitas,  e passou a ser aclamado por seu considerável reconhecimento de que era líder militar, realizando uma importante tarefa de libertação (I Sam. 11.15).
Saul, o primeiro rei, foi um fracasso. Era formoso de aspecto, alto e de porte nobre. Começou de maneira esplêndida. Revelou-se hábil chefe militar. Derrotou os inimigos Filisteus, os Amalequitas, os Amonitas.  A princípio mostrou um espírito de humildade, mas vemo-lo depois orgulhoso e desobediente a Deus. Nenhum homem teve maiores oportunidades que ele e nenhum homem se revelou maior fracassado.  Ele teve dons e privilégios admiráveis, mas seu orgulho e desobediência a Deus o levou ao fracasso total.  Enquanto Saul era obediente, Deus estava com ele, mas a partir do Cap. 15,  Saul se mostra um homem arrogante e desobediente, fazendo com que o castigo venha sobre seu trono.

As funções de um Sacerdote, de um Profeta e de um Rei, era capital e de modo que o Rei não podia exercer as funções sacerdotais e nem um sacerdote exercer as funções de um rei, no entanto Saul foi desobediente a tal ponto, violando os princípios divinos, como fazer sacrifícios por conta própria. “Violentei-me e ofereci holocausto”, com as desculpas de que Samuel estava demorando. Foi precipitado, fato este ocorrido durante a guerra contra os amalequitas. Saul se torna desobediente ao ponto de separar-se de Samuel, violando as barreiras, exercendo a função de sacerdote e foi severamente repreendido por este feito.  Saul se revela um homem fútil e ao invés de obedecer a Deus, obedece aos interesses do povo. “Tem porventura o senhor prazer em holocaustos e sacrifícios, ou em que obedeça a Sua Palavra”. Saul tinha realizado sacrifícios que não era de sua competência oferecer. Saul tinha que praticar a obediência real, e isto era importante para Deus, e ele não soube dar importância ao seu reino e isto fez com que sua carreira se tornasse cada vez mais desastrosa, ao ponto de Samuel rasgar suas vestes, profetizando que Deus rasgaria seu reino. (I Sam. 15.27-28).

Nos capítulos 16 aos 30 deste Livro é descritas duas biografias distintas: A de Saul que narra um declínio espiritual e a de Davi que mostra totalmente o contrário.  Com o surgimento de Davi as referências a Saul vão diminuindo, e Deus começa a preparar Davi para assumir o seu lugar no trono.  Davi era filho de Jessé, bisneto de Rute e Boaz, nasceu em Belém.  Era o caçula de oito irmãos e aos dezoito anos Deus mandou Samuel ungi-lo como sucessor de Saul, e quando Samuel vai a casa deste, rejeita a todos os filhos mais velhos pois Davi estava apascentando as ovelhas de seu pai, com seus feitos de bravura e coragem ao defende-las de animais selvagens. Todos os outros seus irmãos eram de bela aparência, mas para Deus o que interessa é o nosso interior, o nosso coração.  É ungido rei o menor, “ruivo e de gentil aspecto”. Davi foi ungido rei ainda menino, ainda não preparado para o trono de Israel. 
Davi, “a menina dos olhos de Deus”, foi um dos maiores vultos de todos os tempos, e sua contribuição foi grande para a história de Israel, tanto espiritual como nacional.




Neste Livro o vemos como pastor, músico, escudeiro, capitão, genro do rei, autor de Salmos e fugitivo.  Por três vezes foi ungido Rei e foi o fundador da linhagem real, da qual surgiria o Rei dos reis. Como harpista, a fama de Davi chegara ao Rei Saul e sua melancolia fez com que o rei o chamasse para tocar no palácio afim de espantar suas tristezas e amarguras.
Segue-se o incidente na luta com Golias, e Davi o enfrenta destemido, empresta a armadura de Saul, mas logo em seguida a tira por causa do seu peso e prefere enfrentar Golias apenas com sua funda, arma que sempre usara nas ocasiões onde pastoreava as ovelhas de seu pai. E através dessa arma obteve uma vitória estrondosa matando o gigante Golias diante de todo Israel causando grande fama em toda a terra. As mulheres começaram a cantar que Saul tinha matado milhares, mas Davi dezena de milhares. E então se desencadeou na alma de Saul tremendo ciúme. Seu coração começou a alimentar inveja de Davi e de seus feitos, o qual se tornou seu grande inimigo desejando sua morte para não perder seu trono.




Uma das mais encantadoras histórias de verdadeira amizade vamos encontrar na que existia entre Davi e Jônatas, o filho do Rei Saul, que mais tarde o ajuda contra as perseguições de seu pai contra Davi. Ao ser promovido a um alto posto no comando do exército, o grande triunfo de Davi despertou ciúme em Saul, que determinou mata-lo e por cinco vezes tentou tirar sua vida, mas Deus, porém o livrou. (I Sam. 19.10, 15,20).
Saul deu sua filha Mical a Davi, em troca de que lutasse por ele. Pensando em talvez morresse pelos inimigos nas guerras. Saul perseguiu a Davi, por causa de sua amizade com Jônatas, e teve que viver como fugitivo para não morrer. (I Sam. 20.1-2). Apesar de várias vezes Davi ter a chance de tirar a vida de Saul, não o fez, pois temia a Deus, pois Saul ainda era o Rei, o protegido de Deus e sabia que a seu tempo herdaria o trono de Israel. (I Sam. 24.4-6).

Após a morte do Profeta Samuel, Saul caiu no abandono, se desespera e sai à procura de uma feiticeira, consultando-a, pois, queria falar com o “espírito” de Samuel, fato este que é castigado por Deus decretando sua morte por sua própria espada. Saul morreu no campo de batalha por suas próprias mãos. As vantagens e oportunidades na mocidade jamais asseguram bom êxito na idade madura. O indivíduo tem que ser fiel a Deus.  A ruína de Saul não foi tanta questão de desobediência (I Sam 15). Caiu vítima do ciúme e do orgulho.




O primeiro Livro de Samuel termina com a morte de Saul e em I Crônicas, capítulos 1 ao 10 temos uma série de genealogias. Genealogia de Adão até Noé, Genealogia de Noé e seus descendentes, genealogia dos descendentes de Davi, genealogia dos descendentes de Judá.... Uma coletânea de genealogias! As genealogias vão exatamente até Saul e o capítulo 10 faz uma referência à morte de Saul.  Daí em diante vai nos trazer também uma biografia de Davi, onde anualizaremos melhor no Livro de 2º Samuel e no 1º Livro de Crônicas onde estão narrados a vida de Davi como o Rei Ungido de Israel, segundo o coração de Deus.

sábado, 6 de junho de 2015

R U T E

O    L I V R O    D E    R U T E



A LUTA DOS POBRES PELOS SEUS DIREITOS – Sob forma de uma história familiar, o Livro de Rute apresenta um roteiro para a luta do povo pobre em busca de seus direitos. Foi escrito em Judá, depois do exílio da Babilônia, pela metade do Sec. V a.C.
O período do exílio foi muito difícil. Era preciso recomeçar tudo. As antigas tradições tinham sido esquecidas, e se tornava necessário fazer sérias reformas, que atingissem os fundamentos econômicos, políticos e sociais, para que um povo de Deus não perdesse sua identidade.
O Livro cita princípios de orientação para reorganizar a comunidade, que sofreu grandes abalos, E isso acontece a partir da situação do povo pobre, apontando-se o caminho para a luta em vista do pão, da terra e da família. Por outro lado, o Livro salienta: Deus não quer leis que, em nome da ordem, acabam obrigando as pessoas a sacrificar seus direitos básicos. É também uma grave advertência para aqueles que fazem as leis e para quem obedeça à letra e não ao espírito das leis. Elas devem, acima de tudo, ser meios eficazes para que os pobres tenham como defender seus direitos. Quando não servem para proteger o povo pobre, devem ser modificadas, atualizadas ou abolidas. A protagonista desse Livro é uma estrangeira, e isso mostra que a salvação não tem fronteiras: o Amor de Deus não é nacionalista, nem exclusivista. Ele quer liberdade e vida para todos.
A história de Rute se passou nos tempos em que os Juízes julgavam a nação de Israel. Rute 1.1, no tempo da decadência, época em que o povo teve que se humilhar, devido a intromissão dos povos estranhos. Época em que Deus castigou Israel com grande fome que se espalhou sobre a terra.
Rute era Moabita que foi casada com Quilom, um dos filhos de Elimeleque, que era natural de Belém da Judéia. Elimeleque era marido de Noemi e esta foi sogra de Rute. Após a morte de Elimeleque e seus filhos durante a invasão dos midianitas contra Israel, Jz.6.1, Rute ficou viúva e por causa da fome em Moabe, partiu de volta para Belém em companhia de sua sogra Noemi. 



Rute foi ao campo respigar e conheceu Boaz, um lavrador natural de Belém e descendente de Jacó, homem abastado, reto, que mais tarde se casou com Rute.
Apesar de Rute ser de origem gentílica, a união com Boaz, um dos antepassados dos reis judaicos, a torna uma das avós de Jesus Cristo, devido a sua linhagem genealógica. Desta união nasce Obede, que foi avô de Davi, o grande Rei de Israel.
A história de Rute é narrada, não tanto pelo romance em si, mas para mostrar como esta mulher passou a fazer parte do Povo de Deus. Sua história é uma conversão, “O teu povo será meu povo, o teu Deus será o meu Deus.” Rt. 1.16.
No auge da desgraça e desilusão da terra para onde se migrou, o povo decide voltar para a terra natal e aí lutar pela sobrevivência. A atitude de Rute é o comportamento de todos aqueles que estão dispostos a deixar suas seguranças para se comprometer com o povo pobre, que nada mais tem, a não ser a esperança que nasce da fé.




Rute enquanto não conhecera a Noemi, não havia ainda conhecida a religião de Israel, e no fim do Livro, verificamos que ao final desse maravilhoso Livro Rute se torna uma ascendente do futuro Messias, e por esta razão Rute entra na própria genealogia de Jesus Cristo. Rute 4.7, Mat. 1.5.
O que de mais significativo no livro é exatamente o fato da sua conversão, e o de participar da linhagem dos ascendentes de Jesus Cristo. Desse modo a história de Rute deixa bem claro que através da solidariedade na resistência e na luta, que os pobres constroem a história e o mundo novo.
Este Livro nos mostra que o Deus do Êxodo se alia aos pobres e oprimidos, para lhes dar LIBERDADE E VIDA.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

J U Í Z E S

O    L I V R O    J U Í Z E S



O Livro de Juízes relata fatos situados entre 1200 e 1020 a.C, descrevendo a continuação da conquista da Terra e a vida das Tribos até o início da Monarquia. Trata-se de um tempo de “democracia tribal” (Jz. 17.6, 21, 25) e cheio de dificuldades. As Tribos são governadas por chefes que tem um cargo vitalício (Juízes Menores); nos momentos de dificuldades surgem chefes carismáticos (Juízes Maiores), que unem a lideram as Tribos na luta contra os inimigos.
Infelizmente o Povo de Israel não pisou com a “planta dos seus pés”, em toda porção da Terra Prometida por Deus. De maneira que ficaram ainda por ser dominados por alguns povos que vieram e se constituírem inimigos de Israel.
Deus prometera que o Povo de Israel poderia dominar desde o Egito até o Eufrates, mas isto não aconteceu. Não há notícia de ter Israel dominado do Egito ao Eufrates. Deus fizera a promessa, mas estabelecera a condição, “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé”. A medida que o povo recusou a avançar, então perdeu a chance de conquistar.

Mas ao mesmo tempo que Deus responsabiliza o Povo de Israel por suas deficiências, por outro lado, Ele usa a própria deficiência do povo para um plano Seu, Deus usa a deficiência do povo para provar a Israel. Jz. 3.1-2. Algumas nações ficaram e provaram a Israel por meio das influencias religiosas, nos cultos aos deuses estranhos, na idolatria, na contaminação com o pecado, etc.... Muitas vezes nações inimigas conseguiram dominar Israel, não somente nas tentações religiosas, mas também através dos inimigos políticos, onde levou os israelitas a uma série de escravidão, fomes e desgraças. Neste livro é narrado muitos sofrimentos do Povo de Israel por parte dos povos vizinhos e ao mesmo tempo uma série de reações contra estes inimigos, graças à liderança dos Juízes que foram constituídos.



O Livro de Juízes descreve tal época como contínua opressão e reação, narra uma época em que outros povos dominaram a Israel e com a intervenção dos Juízes a reação se fez. O Povo de Israel clamava a Deus por um Salvador.  O primeiro Juiz de Israel foi Otoniel, um valente irmão caçula de Calebe, Jz. 3.9, que derrotou vários reis e Israel viveu em paz durante 40 anos.
Após este período os israelitas voltaram a fazer o que era mau aos olhos do senhor, e Deus os entregou na mão de Eglon, rei de Moab, o qual se aliou aos Amonitas e Amalequitas que marcharam contra Israel derrotando-os ficando escravos durante 18 anos. Israel voltou a clamar ao senhor e Deus enviou Eude, Benjaminita, homem canhoto que venceu Eglon matando-o a traição.
 Após o período de Eude, a Bíblia relata Debora, uma profetiza que era procurada por suas sábias respostas que continha uma força moral excepcional, e que encantava aos poderosos daquele tempo. Jz. 4.6-9. Israel voltara a fazer o que era mal aos olhos do Senhor e Deus os entregou a Jabin, rei de Canaã
 Depois temos a história de Gideão, que com apenas 300 homens destruiu os Midianitas, depois que os Israelitas estiveram por 7 anos seu domínio, Jz. 7.16.
Depois de um tempo os Amonitas declararam guerra a Israel e o povo pede ajuda a Jefte. Então Jefte pede ao Senhor que o faça vencedor e em troca sacrificaria a Ele a primeira pessoa que encontrasse ao receber na porta de sua casa. Há uma informação de que ele fez um voto precipitado, e depois de ter ganho a batalha sacrificou sua própria filha. Jz. 11.34-35. Trata-se de uma decadência espiritual, época em que o Povo de Israel se deixou influenciar por cultos pagãos. Depois disso outros Juízes surgiram em Israel, mas suas histórias não foram narradas na bíblia. Costuma-se distinguir os juízes entre maiores e menores, de acordo com o tamanho da notícia que se tem deles e seguindo esse critério, os Juízes maiores são: Otoniel, Eude, Débora e Barac, Gideão, Jefté e Sansão. Os menores são: Samgar, Tola, Jair, Abesã, Elon, Abdon. È difícil destinguir a função própria de cada um. Como Juízes a função desses Juízes maiores era defender o sistema tribal em situações de emergência e os Juízes menores , ao que parece, eram chefes regulares de tribos, e sua função era principalmente administrar a justiça.
Já a biografia de Sansão é muito conhecida. Sansão foi traído, foi preso, e feito escravo e no final de seus dias se arrepende de ter usado erradamente o poder de Deus. Sansão se reconcilia com Deus e pede a morte, levando consigo a maioria dos Filisteus a morrerem juntos. Jz.16.28-27.

A parte final do Livro de Juízes é um apêndice sobre a decadência de Israel, onde por não haver um líder, cada qual fazia o que bem aos seus olhos. Jz. 19.1, 20.27, 21.24-25.  O povo estava sem a devida orientação. A Arca do Conserto ficara à margem e os próprios levitas encarregados de cuidarem do templo estavam sendo influenciados por maus costumes.
Foi necessária uma reação, e o grande vulto que vai aparecer é o último dos Juízes, Samuel. E Samuel vem a concorrer, para a libertação de Israel, num sentido mais nobre. A LIBERTAÇÃO ESPIRITUAL



A chave desse Livro é apresentada em Jz. 2.6, 3.6, e reaparece várias vezes no texto e é preciso levar à frente a memória ativa ou consciência histórica, adquirida através da resistência e da luta. A geração que luta mante viva essa consciência. A nova geração quebra essa memória e ameaça voltar atrás. O resultado é um conflito na história, entre a fidelidade a Deus e seu projeto, e o culto aos ídolos, que corrompe a sociedade.
Jz. 2.11-16 apresenta a dinâmica que marca o destino histórico de um povo:
PECADO – Alienação da consciência histórica: O povo abandona Deus, o Senhor que produz liberdade e vida, para servir aos ídolos que corrompem, produzindo um sistema social injusto.
CASTIGO – Perda da liberdade e da vida: Servindo aos ídolos da escravidão e da morte, o povo alienado perde a liberdade e a vida que tinham sido duramente conquistadas.
CONVERSÃO – Volta à consciência histórica: No extremo limite do sofrimento, o povo volta à consciência histórica e clama a Deus.
GRAÇA – Libertação: Deus responde ao clamor, fazendo surgir lideres (Juizes) que organizam o povo e o ajudam a reconquistar a liberdade e a vida.

sábado, 30 de maio de 2015

J O S U É

O     L I V R O    D E    J O S U É




O Livro de Josué relata acontecimentos situados no séc. XIII a.C.: a conquista e partilha de Canaã, a Terra Prometida, pelas Tribos de Israel. À primeira vista, o livro apresenta a tomada global da Terra, feita por uma geração, mas a conquista foi de um modo longo e lento, ora pacífico e ora violento que terminou dois séculos mais tarde, com o Rei Daví. O conteúdo deste livro pode ser dividido em três partes: na primeira (Js. 1-12) temos a Conquista, a segunda parte apresenta a Partilha da Terra entre as Tribos e a terceira parte Js. 23 e 24 apresenta O fim da Vida de Josué que conclui com o retorno das tribos transjordânicas para seus territórios (Js.22), o último discurso de Josué (Js.23) e Aliança em Siquém e morte de Josué (Js 24). O personagem principal desse livro é a terra Prometida, Deus realizou sua promessa feita aos patriarcas e renovada aos seus descendentes. O povo foi libertado da escravidão do Egito para ser livre e próspero na Terra que Deus lhes deu (Exodo 3.7-8). Deus concede o dom, porém não suprime a liberdade e a iniciativa do homem, pelo contrário, supõe e exige que o homem busque e conquiste o Dom de Deus. A TERRA PROMETIDA TEM QUE SER CONQUISTADA

O livro de Josué narra a entrada do Povo de Israel em Canãa, a Terra Prometida por Deus ao seu povo escolhido. Aí estava a ordem de Deus: “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”. Josué 1.3
Para guardarmos todo o conteúdo deste livro podemos dividi-lo em uma série de palavras que começam com a letra “P”, para melhor facilidade neste estudo: PREPARAÇÃO, PASSAGEM, PRÉLIOS, PARTILHA E PACTOS.

PREPARAÇÃO – Cap. 1 e 2 – Trata-se da preparação do Líder Josué e do Povo de Israel na passagem do Rio Jordão e a consequente entrada na Terra Prometida, partindo do Monte Nebo rumo a Canaã e do envio dos espias à Terra Santa secretamente por Josué.

PASSAGEM – Cap. 3 ao 5 – Narra a passagem do povo pelo Rio Jordão em terra seca de onde tiraram 12 pedras, cada uma relativa a uma das tribos de Israel. Foi um marco histórico de Israel em que os que carregavam a Arca ficavam no meio cercado do povo ao seu redor.



PRÉLIOS – Cap. 6 ao 12 – Narram as batalhas travadas primeiro na cidade de Jericó (6.20), onde suas frondosas muralhas foram derrubadas, após o cerco de vários dias. Depois a conquista de outras cidades e reinos, como a batalha contra a cidade de Ai, que ocasionou em uma derrota por causa do pecado de Açã, o qual sentiu-se seduzido por uma capa babilônica, roubando-a. Isto ocasionou a derrota dessa batalha e o povo todo teve que se organizar e por meio de uma emboscada conseguiram conquistar a cidade. Em seguida surge o incidente com os Gabaonitas, que se fingiram ter vindo de longe, trazendo coisas velhas e roupas rasgadas, fazendo com que Josué fizesse um pacto de não os destruís, desobedecendo a ordem expressa de Deus de que o povo teria que destruir a todos. Depois de descoberta a mentira, como castigo, Josué os reduziu a rachadores de lenha e pagadores de água.                                                   
No capítulo 10 vemos relatos das lutas do Sul, o episódio em que Josué fez o sol parar por quase um dia inteiro. No capítulo 11 as lutas do Norte que provavelmente que confirmaram mais tarde, pois os textos nos faz supor tribos que já viviam na região. O relato dessa conquista termina em (Js.11.23)”E a terra ficou em paz, sem guerra” . Josué tomando posições estratégicas fez o ataque pelo centro e não havia ninguém que resistisse suas tropas. Os avanços pelo Sul, faz referência à conquista de Jerusalém de Hebron, e de outros lugares nos quais habitavam os Cananeus, os Amorreus, os Perezeus, os Gebuzeus, Heteus, e outros povos.  



PARTILHA – Cap. 13 ao 22 – Se refere a partilha ou repartição das Tribos de Israel. Percebe-se que a Tribo de Manassés aparece nos dois lados do Jordão. Parece que Manassés foi protegido. O importante não é o tamanho, mas sim a melhor terra, critério este no qual as porções das terras foram divididas por um critério proporcional de tamanho e valor. Temos também a descrição das fronteiras e somente a Tribo de Leví, não recebeu terras pois sua missão era religiosa, e não teriam tempo de cuidar da agricultura, e nem da criação, “aquele que cuida do altar, do altar deve viver”. A tribo de Leví recebeu somente 40 cidades e destas, seis eram consideradas cidades de refúgio, que foram designadas para coabitar as pessoas perseguidas injustamente, que ficavam ali até o estabelecimento de um juízo mais justo.


  
PACTO – Cap. 23 e24 -  Tratava-se da renovação do Pacto, da Aliança de Deus com seu Povo, Este fato sempre aconteceu desde o início. Deus já havia feito com Adão, com Noé, com Abraão, com Isaac e Jacó. No entanto Josué conhecia naturalmente todas as promessas confirmadas por Moisés e depois de ter conquistado a Terra de Canaã e de a ter distribuído ao seu povo, entende que é útil renovar o pacto, e então manda erguer o Altar de testemunho, e faz uma convocação ao povo.

“ESCOLHEI HOJE A QUEM HAVEIS DE SERVIR”. Josué 24.15, 27
O Livro de Josué constitui, portanto, um inseparável tratado sobre a graça de Deus, que é a base da vida e da história. A graça não é dom paternalista de Deus, deixando o homem passivo. Ela é o dom que Deus faz das possibilidades já contidas na estrutura de toda criação, e principalmente da pessoa humana. Sem a atitude livre e responsável que procura descobrir, tomar posse e endereçar as possibilidades, o homem jamais encontrará a graça.

A VIDA É O DOM DE DEUS QUE O HOMEM DEVE DESCOBRIR E CONQUISTAR

sábado, 16 de maio de 2015

O LIVRO DE DEUTERONÔMIO

O    L I V R O    D E    D E U T E R O N Ô M I O




Deuteronômio é um Livro de recordações. O nome significa “Segunda Lei”, indicando com isso que nele a Lei é repetida. Moisés esforça-se por lembrar ao povo o que Deus havia feito por eles e o que eles deviam fazer para servi-LO, quando entrassem na terra prometida.
O livro de Gênesis conta as origens da nação escolhida de Israel, Êxodo, a organização do povo como nação e o recebimento da Lei. O livro de Levítico fala do modo pelo qual esse povo devia adorar a Deus, e o livro de Números narra a história das peregrinações desse povo.
Deuteronômio relata a preparação final para entrar na terra prometida.

OS DISCURSOS DE MOISÉS
Deuteronômio consta de três discursos de Moisés, o homem de Deus. Esses discursos não foram dirigidos àqueles que estiveram no Sinai, pois todos já haviam perecido no deserto, portanto era preciso repassar as dádivas da Lei para aqueles que agora estavam preparados para entrar em Canaã.




·      1º Discurso de Moisés – Olhando para Trás – Cap.1-4
O livro começa mostrando-nos os filhos de Israel no limiar da terra de Canaã, num ponto que poderiam ter atingido a Terra Prometida com apenas onze dias de jornada, quarenta anos antes. Todavia tinham levado quarenta anos em circulo ao redor do Monte Sinai.
Moisés exorta o povo a obediência, depois de tantos anos de expectativa e esperança, agora estavam prontos para entrarem na Terra Prometida, terra admirável e rica, em cujas fronteiras se achavam.
Moisés faz aos filhos de Israel uma narração retrospectiva, recorda-lhes a história de Israel e passa em revista as suas peregrinações. Lembra-lhes da fidelidade de Deus e insiste que sejam agradecidos e obedientes.

·     2° Discurso de Moisés – Olhando para o Alto – Cap.5.26
Encontra-se em Deut.12.1 a chave desta divisão: “São estes os estatutos e os juízos que cuidareis de cumprir na terra que vos deu o Senhor”. Israel estava para entrar numa nova terra e tudo dependia de sua constante e inteligente obediência a Deus, que era o doador da terra. Ele queria ensinar a Israel o amor que é o real cumprimento da Lei. Rom.18.8-10; Mateus 22.37-40.
Moisés enuncia a Lei de modo simples e claro, para que assim ela possa exercer vivo domínio sobre o povo. Deus diz: “Sois povo meu; eu vos amo e vos tenho escolhido; estou no vosso meio, proteger-vos-ei. Exijo apenas que, para vosso próprio bem, me presteis obediência.” Diz ainda: “Sede santos, pois Eu sou Santo”.




·      3º Discurso de Moisés – Olhando para Frente – Cap.27.33
Vemos aqui, Moisés dirigir ao povo algumas solenes advertências. Primeiro falou das bênçãos que os filhos de Israel poderiam desfrutar, se fossem obedientes. Depois lhes falou dos resultados da desobediência.  Resultados estes que os acompanharia em todos os empreendimentos: nos negócios, na agricultura, e na saúde.  Sofreriam as conseqüências da sua desobediência a Deus.
O capítulo 28 é sobremodo notável. Traça aquilo que, através da obediência (1-14), Israel poderia ter sido; contudo, é o que vai acontecer durante o milênio vindouro. Isaias 60-62; Zac. 14.8-21; Jer.31.1-9, Deut. 30.1-10, Rom.11.25-31.

Os versículos 47-49 falam da invasão romana no ano 70 AD, sob o comando de Tito.  Esta foi realmente uma página sangrenta da história de Israel.

Os versículos 63-67 descrevem o judeu dos nossos dias. Deus falou sobre isso há mais de três mil anos atrás. O capítulo 28 deixa Israel onde se encontra hoje – “disperso”.
Disperso – Ele estará disperso de uma a outra extremidade da terra (O povo judeu hoje está em toda parte, na Alemanha, na Rússia, na Itália, no Brasil,etc.

Intranqüilo – Não há tranqüilidade para o judeu nesses paises, Vers.65.

Acabrunhado – O judeu leva um temor no coração e na vida um pesar. Considere como ele tem sido tratado em muitos países. Vers. 65-67.

O PRÓPRIO DEUS PREDISSE TUDO ISSO



             O TíTULO
O título do quinto livro do Pentateuco, em hebraico, é Debarim (“palavras”). A Septuaginta (LXX), antiga versão grega do Antigo Testamento, o chamou de Deuteronômio. O significado deste termo grego é, propriamente, “segunda lei”. Quando aplicado a este livro, é importante entender que aqui não se trata de uma nova lei diferente da “primeira” (a mosaica), mas de uma repetição da mesma.

A SITUAçãO HISTóRICA
A chegada dos israelitas às terras de Moabe é o fato que, praticamente, marcou o final da caminhada iniciada no Egito quarenta anos antes (1.3). As planícies de Moabe, situadas a leste do Jordão, foram a última etapa daquela longa caminhada, no curso da qual foram morrendo, um após o outro, os membros do povo que tinham vivido a experiência de escravidão e que, depois, coletivamente, haviam protagonizado o drama da libertação (1.34-39; cf. Nm 14.21-38). Este foi o castigo para a pertinaz rebeldia de Israel: com a exceção de Calebe e de Josué, nenhum dos que fizeram parte da geração do êxodo entraria em Canaã. Nem sequer o próprio Moisés, o fiel guia, legislador e profeta (1.34-40; 34.1-5; cf. Nm 14.21-38).
Nas campinas de Moabe, em frente a Jericó, compreendendo que o fim da sua vida estava próximo, “encarregou-se Moisés de explicar esta lei” ao povo (1.5). Reuniu, pois, pela última vez, o povo, para entregar-lhe o que se poderia chamar de o seu “testamento espiritual”. Diante de “todo o Israel” (1.1), Moisés evoca os anos vividos em comum, instrui os israelitas acerca da conduta que deviam observar para serem realmente o povo de Deus e lhes recorda que a sua permanência na Terra Prometida depende da fidelidade com que observem os mandamentos e preceitos divinos (8.11-20).

O CONTEúDO DO LIVRO
O Deuteronômio (Dt), tal como outros textos de caráter normativo recolhidos no Pentateuco, expressa o que Deus requer do seu povo escolhido. E o faz explicitando concretamente o mandamento que Jesus qualificou de “o principal”: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (6.5; cf. Mc 12.30). Estas palavras são a coluna vertebral de todo o discurso mosaico, que agora assume um caráter mais pessoal do que quando o povo o ouvia no Sinai (chamado de “Horebe” em Dt, com exceção de 33.2), porque ali Moisés se limitou a transmitir o que recebia de Deus, enquanto que, em Moabe, ele fala na primeira pessoa, para, na sua qualidade de profeta (18.15-18), revelar ao povo a vontade do Senhor (4.40; 5.1-5,22-27; 28.1). O Deuteronômio destaca essa imagem de Moisés mediante frases introdutórias como: “São estas as palavras que Moisés falou a todo o Israel” (1.1; cf., p. ex., 1.3,5; 4.44; 5.1). Um lugar de destaque neste livro é ocupado pelo chamado “código deuteronômico” (caps. 12—26), que começa com uma série de “estatutos e juízos” (12.1) relativos ao estabelecimento de um único lugar de culto, de um único santuário, ao qual todo o Israel estaria obrigado a peregrinar regularmente: “Buscareis o lugar que o Senhor, vosso Deus, escolher de todas as vossas tribos...” (12.5; cf. vs. 1-28). A esse núcleo de caráter legal, que aparece no livro precedido dos dois grandes discursos (1.6—4.40 e 5.1—11.32), seguem-se algumas disposições complementares (p. ex., no cap. 31, a nomeação de Josué como sucessor de Moisés) e também advertências e exortações de diferentes tipos (caps. 27—31). Os últimos caps. contêm o “cântico de Moisés”, as “bênçãos às doze tribos” (caps. 32—33), a morte de Moisés (34.5) e o seu sepultamento em um lugar ignorado da região de Moabe (34.6).




A MENSAGEM
O relacionamento especial que Deus estabelece com o seu povo é, sem dúvida, a proclamação que o Deuteronômio sublinha com a maior ênfase. O Senhor é, certamente, o Deus criador do céu e da terra (10.14); porém, com base exclusivamente no seu amor, ele escolheu Israel para com este povo estabelecer uma aliança particular. Antes que o próprio Israel fosse chamado à existência, Deus já havia escolhido os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, aos quais prometeu que os seus descendentes herdariam a terra de Canaã (6.10; 7.6-8). O cumprimento da promessa está permanentemente no horizonte do Deuteronômio. Isso se evidencia, por um lado, na evocação dos acontecimentos que puseram fim à escravidão de Israel no Egito e, por outro lado, na evocação dos muitos prodígios de que o povo foi testemunha durante os anos do deserto. E, agora, junto à margem oriental do Jordão, quando o cumprimento da promessa já está a ponto de se converter numa esplêndida realidade, Moisés exorta os israelitas a que, livremente, se atenham ao compromisso a que a aliança de Deus os obriga: “... te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele” (30.19-20). Ao amor de Deus, Israel deve corresponder com a sua entrega total e sem reservas, acatando a vontade divina: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, e todos os dias guardarás os seus preceitos, os seus estatutos, os seus juízos e os seus mandamentos” (11.1).

ESBOçO:
1. Primeiro discurso de Moisés (1.1—4.43)
2. Segundo discurso de Moisés (4.44—11.32)
3. O código deuteronômico (12.1—26.19)
4. Terceiro discurso de Moisés (27.1—28.68)
5. Quarto discurso de Moisés (29.1—30.20)
6. Últimas disposições. (31.1—32.47)
7. Último dia da vida de Moisés (32.48—34.12)
a. Visão de Canaã (32.48-52)
b. Bênção de Moisés (33.1-29)
c. Morte de Moisés (34.1-12)


quarta-feira, 13 de maio de 2015

O LIVRO DE NÚMEROS

O    L I V R O    D E     N Ú M E R O S




Os acontecimentos narrados neste livro ocorreram durante a peregrinação no deserto pelos filhos de Israel, num período de 40 anos, datado em 1450-1410 AC. Este livro está dividido da seguinte forma: Cap. 1 ao10 em Preparativos e Leis, do Cap.11 ao 13 está descrito o percurso do Sinai até Gades-Barnea, e do Cap. 14 ao 20 o itinerário até Gades (Kadesh). Os Cap. 21 ao 26 relatam as lutas contra os reis para possuírem a terra de Canaã e Censo do povo de Israel. Nos Cap. finais de 27 ao 36 há um apêndice ao Livro de Deuteronômio colocando algumas leis na vida prática de Israel.
Este livro também é denominado pelos judeus de:
·      O Livro da Peregrinação no Deserto
·      O Livro das Caminhadas, 33.1-2
·      Rol de Caminhada
·      Livro das Murmurações, Salmo 95.10 (rebelião contra Deus)

O Livro de Números tem este nome devido à menção que se faz ao recenseamento depois que o povo de Israel havia saído do Egito, fato este ocorrido depois da partida do Monte Sinai rumo a Canaã.
Quando o povo obedecia a Deus e se mantinha fiel a Sua Palavra, tudo ocorria bem, entretanto, quando desobedeciam, pagavam o preço da desobediência com sofrimento, derrotas, atrasos nas jornadas e morte pelo deserto.
Em Gênesis vemos o homem perdido, em Êxodo o homem redimido, e no Livro de Levítico o homem adorando, e em Números o homem servindo. Este livro narra os acontecimentos no deserto, inclusive o livro começa com as palavras,...”No deserto...”






NO DESERTO...
·      No deserto as Leis de Deus foram dadas aos israelitas no Monte Sinai
·      O tabernáculo foi construído
·      Os sacerdotes designados para suas funções ao serviço de Deus
·      Agora, Deus prepara sua nação para sua obra.



A PREPARAÇÃO
·      Deus numera e distribui as Tribos de Israel – Cap.1-2 (Censo). O livro de Números também é chamado do Livro do Censo. O 1º Censo de Israel, foi feito quando o povo chegou ao Monte Sinai, o seja no segundo ano da saída do Egito.
            O 2º Censo foi feito à beira do Rio Jordão, ao final dos 40 anos de peregrinação.
·      Deus escolhe e designa deveres aos sacerdotes e levitas – Cap.3-4. Seiscentos homens de 20 anos para cima , servindo ao sacerdócio. Ao todo são três milhões de homens, mulheres e crianças, num arraial de aproximadamente 20 Km. Nr.9.15-23.
·      Deus cuida e protege seu povo – A nuvem e a coluna de fogo são prova disso, e Deus está no meio do arraial.




A PEREGRINAÇÃO
·      Murmuração – O povo murmurava contra Deus e Deus manda juízo sobre eles através do fogo, Nr. 11.1-3.
·      Providencia – Deus a tudo provê, pois Ele estava lá, para alimentar seu povo, vestir seu povo, dar calçados para seu povo, mas mesmo assim não se satisfaziam.
·      Deus castiga seu povo com pragas, por causa de sua desobediência e muitos adoeceram e morreram. Nr. 11.33.
·      Ciúme – Não obedeciam a seus líderes, queriam honra para si próprios, e foram feridos com lepras. Nr. 12.1-16.

OS ANOS PERDIDOS PELO DESERTO
    
·      Falta de Confiança em Deus – andavam em círculos, de Gades a Gades, como um povo perdido no deserto.
·      Incredulidade - Não deram ouvidos a Josué e Calebe, deram ouvidos aos espias, temendo os gigantes de Canaã. Nr. 13.30. O itinerário do Sinai a Gades-Barnea, ao sul da Palestina, de onde foram enviados os espias, depos as peregrinações no deserto em retrocesso  até Ezion-Geber, chegando à parte final deste livro no Monte Nebo, onde fatos ocorridos são narrados no Livro de Deuteronômio.




·      Desejaram voltar para o Egito – Recusaram a entrar em Canaã e por isso tiveram que peregrinar por 40 anos no deserto, até outra geração, com apenas 11 dias da terra prometida. Trocaram 11 dias de progresso por 40 anos de peregrinação.
·      Pelo relatório dos espias havia sim gigantes, mas os Israelitas eram como os gafanhotos. Nr.13.33
·      Murmuraram pela falta de água, ao ponto de Moisés perder a paciência chamando-os de “povo rebelde”, ferindo a rocha com seu bastão, desobedecendo a Deus que pediu que apenas tocasse nela. Apesar de sua desobediência, Deus cumpre sua promessa dando água para seu povo. Nr.20.10.
Gades-Barneia, onde está localizada a Rocha que jorrou água para os israelitas, flui água até os dias de hoje. O exército Turco estendeu uma linha de cano na 1ªGuerra Mundial e abasteceu-se de água durante todo o período de guerrilha. Hoje apesar das ruínas da cidade de Gades, neste local a um belíssimo oásis.


A JORNADA PARA MOABE

Do capítulo 10.11 à 22.1, este livro descreve os acontecimentos que ocorreram do Monte Sinai até a região de Moabe.

·      Os israelitas partem de Sinai. Nr.10.11-36
·      As murmurações dos israelitas e Deus designa auxiliares a Moisés. Nr.11
·      As rebelião de Miriã a Arão, por causa da liderança do povo. Nr.12
·      Os doze espias. Nr.13
·      As murmurações do povo contra Moisés e Arão gerando conflitos e tentações. Nr.14
·      Leis a respeito de ofertas. Nr.15
·      A rebelião de Coré, Data e Abião pelo direito ao sacerdócio. Nr.16
·      O florescimento da vara de Arão. Nr.17
·      Deveres e direitos dos sacerdotes. Nr. 18
·      A água purificadora. Nr.19
·      A morte de Miriã – Moisés fere a rocha em Meribá – A morte de Arão. Nr.20
·      A sepente de bronze. Nr.21
·      Acampamento em Moabe e o povo diante da terra prometida. Nr.22

A PERMANÊNCIA EM MOABE (NR.22.2 A 25.18)

Os filhos de Israel que saíram do Egito já haviam morrido, e uma nova geração começa a se preparar para entrar em Canaã. Todos morreram, exceto Moisés, Josué e Calebe e aqueles que tinham menos de 20 anos de idade. Esta geração batalha contra os cananeus, e depois tiveram que contornar as terras dos Edomitas, descendentes de Esaú, também chamado de Edon, irmão de Jacó, pois não podiam matá-los por serem nações irmãs, gerando muitas desavenças entre os israelitas.
O povo começa novamente a murmurar contra Deus, e são castigados por serpentes abrasadoras enviadas por Deus, mas desta vez o povo se arrepende e Deus pede para que Moisés construa um monumento com uma serpente de bronze, para que todo aquele que quisesse ser salva da morte olhasse para cima, para a serpente de bronze. Deus vem ao seu socorro como uma serpente de bronze, tipificando Jesus Cristo, na cruz do calvário. S.João 3.14-15.

·      O erro e a doutrina de Balaão, sedução da idolatria a uma nova sociedade. Nr.22.2 a 25.18
·      O censo da nova geração. Nr.26
·      Josué é escolhido para substituir Moisés. Nr.27
·      Orientações gerais sobre ofertas, festas e votos. Nr.28-30
·      A vitória sobre Mídia. Nr.31
·      Duas tribos e meia recebem terra na Transjordânia. Nr.32
·      A descrição da caminhada desde a saída do Egito. Nr.33
·      As divisões de Canaã – Cidades de refúgio. Nr.34-36




O Título
O nome em português do quarto livro do Pentateuco vem do latim Liber numerorum (“Livro dos Números”), que, por sua vez, vem do grego Arithmoi (como é chamado este livro na LXX) e que significa “números”. É óbvio que a razão de ser desse título é a presença no livro de dois recenseamentos do povo de Israel (cap. 1 e 26), da divisão dos despojos de guerra depois da vitória dos israelitas sobre os midianitas (cap. 31) e de certos esclarecimentos relacionados aos sacrifícios e às ofertas e que envolvem quantidades (caps. 7; 15; 28—29). Em hebraico, o título do livro é Bemidbar (lit. “no deserto”), referência expressa à região sinaítica na qual tiveram lugar os acontecimentos que são narrados no livro.

CONTEÚDO DO LIVRO
No livro de Números (Nm) aparecem com destaque a personalidade e a obra de Moisés, o grande libertador e legislador de Israel. A essa missão, que ele assumiu desde o princípio, se acrescenta agora a de organizar os israelitas e de guiá-los durante os anos da sua peregrinação em busca da Terra Prometida. No cumprimento dessa missão, Moisés, que sempre atuou com total fidelidade a Deus e motivado pelo amor ao seu povo (14.13-19), sentiu-se, às vezes, abatido pela pesada carga moral da sua responsabilidade (11.10-15) e pela incompreensão daqueles que o rodeavam. Até os seus próprios irmãos, Arão e Miriã, o criticaram e murmuraram contra ele, que era pessoa mansa, “mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (12.3). Contudo, Moisés não desistiu no seu empenho e continuou velando por Israel até o fim dos seus dias. Quando viu aproximar-se o momento da sua morte, tomou as precauções necessárias para que o seu sucessor, Josué, pudesse levar a bom termo a tarefa de chegar à Terra Prometida e tomar posse dela (27.15-23).
Em contraste com a figura solitária de Moisés, a conduta dos israelitas é descrita em Números com traços bastante negativos. Do Egito certamente havia saído “um misto de gente” (Êx 12.38), que, no deserto, começou a constituir uma coletividade animada pelos mesmos interesses e um destino comum. Mas com as agruras da penosa jornada rumo a uma meta ainda desconhecida e que devia lhes parecer sempre distante, aqueles que haviam sido libertados do duro cativeiro egípcio protestaram e se rebelaram de vez em quando; nas suas queixas, chegaram a considerar como melhores os tempos de escravidão. Com tudo isso não cessaram de provocar a ira de Deus e atraíam maiores desventuras sobre Israel, (cf., p. ex., cap. 14). Não obstante, mesmo com tão constantes faltas de fidelidade o Senhor não deixou de se mostrar compassivo e perdoador: assim Deus, falando com Moisés “boca a boca... claramente e não por enigmas” (12.8), o escuta quando este intercede em favor do povo, quando lhe roga que perdoe aos culpados (11.2; 12.3; 14.13-19; 21.7-9).

COMPOSIÇÃO
Visto no seu conjunto e atendendo especialmente a razões geográficas e cronológicas, Números não tem falta de unidade na sua composição. O relato, mantendo-se no mesmo fluxo narrativo que vem desde o livro do Êxodo, dá conta dos movimentos de Israel depois do seu período de permanência no Sinai, até a chegada ao rio Jordão: os preparativos para retomar a caminhada (caps. 1—8), a celebração da Páscoa (cap. 9), a marcha do Sinai a Moabe (caps. 10.11—21.35), a permanência em Moabe (caps. 22—32) e as instruções que Moisés dá ao povo junto ao Jordão (caps. 33—36). Sendo assim, apesar dessa certa unidade global do livro, é preciso reconhecer que a sua estrutura literária consiste mais de uma cadeia de seqüências justapostas, independentes entre si, que alternam trechos narrativos de fácil leitura com trechos muito densos, de caráter jurídico, legal, censitário ou cúltico ou dizem respeito aos censos levantados em diferentes momentos da seqüência narrativa. Poderia ser dito que o livro de Números não foi escrito a partir de um plano inicial claro, mas que a sua formação foi um processo paulatino.

ESBOÇO:
1. A permanência no Sinai (1.1—10.10)
2. A longa marcha até Moabe (10.11—21.35)
3. A permanência nas planícies de Moabe (22.1—36.13)