domingo, 21 de fevereiro de 2021

A P O C A L I P S E / SÉTIMA PARTE - O MILENIO 4

 

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O MILÊNIO?

Uma curta visão sobre o reino de mil anos surpreendente de paz que Cristo estabelecerá no fim dos tempos.

A profecia dada no livro de Apocalipse fala sobre todos os tipos de pragas terríveis e tribulações que vão cair sobre a terra no fim dos tempos. A ira de Deus será derramada sobre os servos de Satanás em abundância em um evento conhecido como a Grande Tribulação. Esta é a culminação natural do desenvolvimento do pecado sobre a terra

Mas no final de tudo isso Jesus Cristo voltará com os exércitos do céu e eles vão começar uma época gloriosa da cura na terra. Este é o início dos mil anos era de paz conhecido como o Milênio

O que é o Milênio?

O Milênio é um tempo de paz e harmonia na Terra quando Jesus e os santos hão de governar com justiça. É um momento em que todos os erros serão colocados à direita e todos os males serão limpos da terra. Isaías 65: 20-25 contém uma descrição mais completa da maravilha e da harmonia que vai caracterizar este tempo. A palavra “Milênio” não se encontra na Bíblia, mas sim a expressão “mil anos”, contudo é usada seis vezes em Ap. 20:1-7. É o período após o retorno de Cristo em que os justos reinarão com Ele na terra.

Ninguém vai explorar o outro, ninguém vai roubar ou assassinar. Toda a terra será governada por Cristo, sua noiva e os mártires. (Apocalipse 20: 4). Vai ser um governo justo, como sempre Deus pretendeu que a Terra fosse. Um refúgio de paz, de justiça e alegria. A criação, em completa harmonia com o seu Criador.

As pessoas vão viver vidas muito mais longas do que eles fazem agora. (Isaías 65:20) Mesmo os animais vão parar de matar uns aos outros e mudar seu modo alimentar, passarão a comer grama e plantas. (Isaías 65:25)

Será que vai haver pecado durante o Milênio?

Apesar de tudo isso a natureza pecaminosa que é inerente a toda a humanidade não terá mudado. As pessoas ainda vão nascer com uma carne em que não habita bem algum. (Romanos 7:18) A possibilidade de as pessoas a escolher o pecado ainda estará lá, o livre arbítrio.

Satanás será amarrado durante este tempo (Apocalipse 20: 2), ele não será capaz de exercer a sua influência externa sobre as pessoas. Portanto o pecado deixará de existir se assim o desejarem, pois será muito mais fácil para as pessoas escolher servir a Deus e viver uma vida justa quando cercadas por essa mesma justiça em todas as frentes. Quando há igualdade e justiça, há misericórdia, a paciência e humildade em todos, ao invés de guerra e da fome e da tirania e injustiça.

Aqueles que, no entanto, optar por viver uma vida pecaminosa e ceder ao seu próprio orgulho e egoísmo durante este tempo, vai morrer cedo. Leis de Deus ainda se aplica e ninguém será capaz de fugir com pecado despercebido (Isaías 65:20).

Jesus, a noiva, e os mártires

Jesus e Sua noiva, junto com os mártires mortos durante a Grande Tribulação estarão governando a terra. Estes são servos mais confiáveis de Deus. Jesus, que foi julgado em todos os pontos, mas sem pecado, tem autoridade absoluta sobre todo o pecado e injustiça.

Aqueles que estão com noiva de Cristo também venceram o pecado em suas vidas. Eles também têm autoridade para julgar e governar com justiça, e eles ensinará e pregará a justiça em todo o seu tempo na terra. Deus testou-lhes e eles foram purificados pelo fogo, da mesma forma como Jesus. Jesus e Sua noiva vão secar as lágrimas e trazer alegria e paz para as pessoas. Mas eles não terão mais suas próprias lágrimas, porque eles já estão cheios de bondade e alegria de Deus. 

Os mártires da Grande Tribulação também foram testados e também estarão juntos para governar durante o milênio, pois eles também deram suas vidas a Deus, embora de uma forma diferente do que a noiva. (Apocalipse 20: 4-6). Todos estes irão trabalhar em conjunto para assegurar que o mundo cresça em paz, harmonia, justiça e piedade durante o Milênio.

Depois do Milênio

Mesmo que o Milênio seja um tempo vivido em paz e justiça, mas não é o objetivo final de Deus para a Sua criação. Satanás foi preso, mas não completamente erradicado. E, apesar da admiração e harmonia na Terra, ainda não é perfeita aos olhos de Deus, porque ela carrega a mancha do pecado eterno.

No final do Milênio Satanás será solto de suas correntes por um curto período de tempo, embora não esteja claro exatamente quanto tempo este é. Esta é a sua última chance de enganar todas as nações e levar as pessoas a segui-lo. Incrivelmente, ele vai reunir número suficiente de pessoas de todo o mundo para criar um exército, e eles vão cercar Jerusalém novamente, em uma última tentativa desesperada para assumir a criação de Deus.

Mas agora é finalmente o suficiente, e tempo de Satanás é chegado. Deus enviará fogo do céu para devorá-los. O diabo vai finalmente ser lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o Anticristo, e serão atormentados lá para sempre. (Apocalipse 20: 7-10). Isto marca o fim do Milênio é o último evento antes do julgamento final tomar lugar.  

As principais interpretações sobre o Milênio

Como já dissemos, existem quatro interpretações principais sobre o Milênio. Basicamente os pontos discutidos em tais interpretações são os seguintes:

·         Quando o Milênio ocorrerá? Antes ou depois da Segunda Vinda de Cristo?

·         O Reino Milenar deve ser entendido de forma literal e física, ou simbólica e espiritual?

·         Quem são os indivíduos citados em Apocalipse 20 que participam do Milênio?

·         Como será o reinado de mil anos com Jesus? Haverá pessoas nascendo e morrendo? Haverá morte?

·         Como a morte pode existir onde Jesus governa? As pessoas que nascem neste tempo já estão salvas? Não haverá pecado?

As quatro posições que se propõem a tentar responder tais questionamentos são: Amilenismo, Pós-Milenismo, Pré-Milenismo Histórico e Pré-Milenismo Dispensacionalista.

O Amilenismo e o Milênio

Embora o termo Amilenismo transmita uma ideia de que não exista um milênio, não é isso o que essa corrente escatológica defende. O Amilenismo entende sim que há um Milênio descrito no capítulo 20 do Apocalipse, entretanto não o interpretam como um reino literal de mil anos com Cristo governando sobre a terra após a sua vinda. O Amilenismo defende que o Milênio já foi iniciado na primeira vinda de Cristo, e terminará com a Sua segunda vinda, quando haverá a ressurreição geral dos mortos, o Juízo Final e o estabelecimento do novo céu e da nova terra. No Amilenismo, o Milênio ocorre com o reinado dos santos com Cristo nos céus, conectado com a expansão da Igreja e o avanço do Evangelho na terra.

Eles afirmam que existem apenas duas eras: “Era Presente e Era Vindoura” – sem estado intermediário de mil anos. O reino de Deus não tem duração de mil anos, ele é eterno. Cristo veio cumprir o AT e foi ungido rei (Dn.2), Jesus é a pedra cortada sem auxílio de mãos, sem a interferência humana e estabeleceu o seu reino com a sua vinda aqui presente (“é chegado o reino dos céus”, “dou autoridades a todos vocês” “vi satanás cair como relâmpago do céu” e quando subiu ao céu disse: “todo poder me é dado no céu e na terra”. Jesus já está entronizado ao lado de Deus todo poderoso. Nós já estamos ressuscitados espiritualmente e temos uma posição privilegiada com Cristo em seu reino (Ef.2:6). Sobre esta pedra edificarei a minha igreja “nós” e as portas do inferno não prevalecerá contra ela (Mc 16) “ide”. ³O reino de Deus está em processo e não vem de aparências, é algo espiritual. O reino de Deus não virá na segunda vinda de Cristo, mas já está no meio de nós. “o que ligarmos na terra será ligado no ceu”. Os amilenistas não acreditam que terá um milênio na terra, mas apenas o Reino Eterno. O reino de Deus não é deste mundo, não vem com aparência física. O reino de Deus é aqui/agora, influenciado pela igreja. I Cor.15:16 – É necessário que Jesus Cristo reine para que seus inimigos fiquem debaixo de seus pés (reino gradativo até que a morte seja extinguida). A morte será destruída por ocasião da 2ª vinda de Cristo e não terá lugar a partir de então na eternidade.

O ¹Pós-Milenismo e o Milênio

O Pós-Milenismo, como o próprio nome sugere, entende que o Milênio também ocorrerá antes da segunda vinda de Cristo, porém, ao contrário do Amilenismo. O Pós-Milenismo entende que o Milênio será um período de grande paz e prosperidade resultante da pregação do Evangelho em todo mundo. Logo, para o Pós-Milenismo o mundo tende a melhorar antes da volta de Cristo, de modo que o Milênio será caracterizado pela maioria dos habitantes da terra respeitando a Palavra de Deus, numa espécie de cristianização do mundo. Após esse período, Satanás será solto e Cristo o destruirá em Sua segunda vinda, condenando-o eternamente.

O ²Pré-Milenismo Histórico e o Milênio

O Pré-Milenismo Histórico defende um reino literal de Cristo na terra durante mil anos que será iniciado com a Sua segunda-vinda.

Como será o reinado de mil anos com Jesus? Haverá pessoas nascendo e morrendo? Haverá morte? Como a morte pode existir onde Jesus governa? As pessoas que nascem neste tempo já estão salvas? Não haverá pecado?

Para o Pré-Milenismo Histórico, Cristo governará a partir de Jerusalém e será um período sem igual na terra. No final do Milênio, Satanás estará solto e enganará as nações influenciando-as a guerrearem contra Jerusalém e o governo de Cristo. Então, Jesus destruirá as nações rebeldes juntamente com Satanás, lançando-os em condenação eterna. Após isso, haverá o Juízo Final e o início do estado eterno.

Jesus reina por mil anos em Jerusalém e depois inaugura o Estado eterno por meio de um Juízo Final. Será um governo literal de mil anos antes de Jesus Cristo entregar o Reino a Deus Pai. Jesus em seu governo levantará o tabernáculo caído de Davi (Atos 15:14, II Sam. 7:28), promessas dadas a descendência perpétua ao Trono de Davi. Estabelecerá o reino de mil anos restaurando todas as coisas antes de entregar para Deus (Atos 15:24-28). Jesus estabelece seu reino encerrando assim a sequência dos reinos humanos da terra (Daniel 2:34-35 – império da Babilônia ao império Romano), “encheu a terra” alcance total do milênio. Prenderá Satanás por mil anos e Cristo reinará para restaurar a terra. O milênio é uma necessidade da natureza terrena e humana (Rom.8:18-19). 

No Milênio as pessoas nascerão e morrerão (terão vida longa, reprodução e morte – Zac.8). O diabo será eliminado primeiro e depois a morte. A morte existirá para aqueles que sobreviveram a Tribulação (restauração). A vida e a morte existirão no milênio, mas a maldição deixará de existir, pois a terra estará sendo restaurada enquanto satanás estará preso. A vida em Cristo é benção no milênio.

No milênio Jesus irá provar àqueles que nascerem neste período a (fidelidade). Após soltar Satanás, este formará um bloco contra Cristo (Ap.20:5-6). Satanás ainda conseguirá juntar muitos contra Cristo, mas será finalmente destruído e após isso será estabelecido o Trono Branco (julgamento), e por fim o reino será entregue a Deus. No milênio satanás insultará e enganará as nações que não conheceram o pecado como fez no Éden. As pessoas não o conheceram e da mesma forma em que agiu no início da criação, enganará a muitos assim como fez também com os anjos do céu.

O ³Pré-Milenismo Dispensacionalista e o Milênio

Também defende que o Milênio será literal na terra, e começara após a segunda fase da segunda vinda de Cristo. “²Diferente do Pré-Milenismo Histórico, essa posição estabelece um tratamento completamente distinto entre Israel e Igreja, ou seja, Deus possui dois propósitos: um com relação à terra e ao povo de Israel, e outro relacionado com o céu e a Igreja.

Para os Pré-Milenistas Dispensacionalistas, Jesus em Sua primeira vinda tentou estabelecer o Reino de Deus na terra, porém foi rejeitado pelos judeus. Então, Deus adiou esse plano e começou a tratar com a Igreja. “Somente após finalizar seus propósitos com a Igreja é que Ele retomará Seu plano para com Israel, e isso ocorrerá principalmente no Milênio, onde as promessas do Antigo Testamento serão cumpridas literalmente na restauração e exaltação de Jerusalém e do povo judeu sob todo o mundo gentio”.

Nessa posição escatológica, o Milênio durará mil anos literais, e Jesus estará governando visivelmente num trono em Jerusalém, e será um momento de grande paz e prosperidade sobre a terra. As nações adorarão a Deus em um Templo reconstruído em Jerusalém, onde também haverá novamente a oferta de sacrifícios de animais, porém não serão ofertas propiciatórias, mas ofertas memoriais em referência à morte de Cristo pela humanidade.

As pessoas viverão normalmente nessa terra maravilhosa, haverá nascimentos e mortes, já que o pecado e a morte ainda não estarão extintos como ocorrerá no novo céu e na nova terra. Entretanto, o mal será amplamente restringido com a prisão de Satanás.

Durante esse reinado, a Igreja dos santos ressurretos estará habitando a Nova Jerusalém, uma cidade celestial que estará pairando nos ares sobre a terra, e, em ocasiões especificas, os crentes poderão descer à terra para participarem de alguns julgamentos ao lado de Cristo.

No final desse período Satanás será solto, enganará as nações e fará uma guerra final contra “o acampamento dos santos“, e Cristo então os derrotará definitivamente. Depois disso haverá o julgamento perante o grande trono branco, onde todos os ímpios ressuscitarão para receberem a condenação eterna no lago de fogo.

 

Como interpretar o Milênio?

Em todas as posições citadas acima há entre seus defensores cristãos genuínos, que possuem compromisso com a Palavra de Deus e que também são muito capacitados no assunto. Portanto, antes de tudo, creio que esse tema não deva ser motivo de divisões entre os cristãos. Com isso, quero dizer que o fato de alguém defender uma posição ou outra, não o torna um herege, muito menos um seguidor de “seitas” como alguns erroneamente afirmam. Este assunto é realmente muito difícil, sobretudo por tratar de coisas ainda futuras, as quais não temos ainda o completo discernimento.

Na verdade, todas as diferentes interpretações possuem suas dificuldades particulares, portanto devemos analisá-las à luz da Bíblia como um todo, e julgar qual delas parece ser mais coerente com a Palavra de Deus.

A seguir, falarei muito brevemente qual a minha posição particular sobre esse assunto. Tratarei esse tema eliminando posição por posição, para que o entendimento fique mais claro. Começando pelo Pós-Milenismo, sei que essa posição foi muito popular durante muitos anos, e defendida por grandes homens de Deus. Porém as guerras, sobretudo do século 20, fizeram com essa posição perdesse espaço.

¹Para mim, a expectativa de um mundo maravilhoso antecedendo a volta de Cristo contrasta com várias passagens bíblicas que afirmam a contínua e crescente tensão entre o mundo decaído e incrédulo com os seguidores de Cristo. O próprio livro do Apocalipse deixa isso bem claro. Logo, para mim parece claro que o ensino bíblico é de que o mundo irá de mal a pior, até que Cristo venha.

Também tenho sérias dificuldades em aceitar a forma geralmente preterista que muitos pós-milenistas interpretam algumas passagens bíblicas. Como esperam por um mundo melhor, geralmente os pós-milenistas entendem que vários eventos escatológicos já estão no passado, como por exemplo, a grande tribulação e a apostasia mencionada pelo Apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses, no Capítulo 2.  Ainda sobre o Pós-Milenismo, penso que Apocalipse 20 não dá qualquer apoio à defesa dessa corrente escatológica.

Falando agora sobre as posições pré-milenistas, posso dizer que o ²Pré-Milenismo Histórico é uma visão muito mais equilibrada do que o ³Pré-Milenismo Dispensacionalista. Para mim, esta última posição, que também é a mais recente dentro do cristianismo, possui sérios problemas e acaba sendo totalmente confusa. A distinção radical entre Israel e Igreja presente no Dispensacionalismo, biblicamente penso ser injustificável. Sobre isto, podemos rapidamente dizer que qualquer distinção entre judeus e gentios já foi abolida, e Deus possui apenas um único povo, a noiva, a Igreja (At 13:32-39; Gl 3:28,29; Cl 3:11; Ef 2:14,19; 1Pe 2:9).

Focando agora na questão do Milênio, não há base bíblica para afirmar que Deus adiou seus planos e o estabelecimento de Seu Reino. Nesse ponto, prefiro concordar com Jó ao dizer que “nenhum dos Teus planos pode ser frustrado” (Jó 42:2). A questão é que o objetivo do ministério de Jesus não foi oferecer um reino político a Israel, restaurando o reino de Davi, ao contrário, quando quiseram fazê-lo rei, Ele se recusou (Jo 6:15). O próprio Jesus foi categórico ao afirmar na ocasião de seu ministério que o Reino de Deus não viria com visível aparência (Lc 17:20-21).

É importante também entendermos o caráter presente e futuro do Reino de Deus, ou seja, já foi inaugurado (Mt 2:2; 4:23; 9:35; 27:11; Mc 15:2; Lc 16:16; 23:3; Jo 18:37), está em prosseguimento (Mt 24:14; Rm 14:16,17; 1Co 4:19,20; Cl 4:11) e será completamente consumado (1Co 15:50-58; Ap 11:15).

Também podemos colocar como um problema das visões Pré-milenistas, especialmente o Dispensacionalismo, a grande diferença entre o Milênio citado em Apocalipse 20 com o Milênio que eles defendem, além da falta de qualquer referência bíblica no Antigo Testamento acerca de um reino terreno futuro de mil anos.

Sei que há muitas referências no Antigo Testamento que são utilizadas por Pré-milenistas para tentar justificar tal posição, porém eles falham na interpretação de profecias que naturalmente se referem a volta de Israel do exílio babilônico, ou à Igreja do Novo Testamento, ou até mesmo ao novo céu e a nova terra. ³Não há necessidade de um reino terreno temporário para que tais profecias se cumpram, nem mesmo a obrigatoriedade do cumprimento literal de todas as profecias.

No Novo Testamento encontramos um ótimo exemplo sobre isso. Em Atos 15:14-18, Tiago interpreta uma profecia registrada no livro do Profeta Amós de maneira não-literal. Em Amos 9:11,12, a profecia fala sobre o concerto do tabernáculo caído de Davi, para que “possuam o restante de Edom e todas nações” que são chamadas pelo nome do Senhor.

Já em Atos, Tiago entendeu que essa profecia se cumpriu quando Deus chamou os gentios à salvação, tornando judeus e gentios um só povo em Cristo. Logo, nem todas as profecias do Antigo Testamento devem ser interpretadas de maneira estritamente literal.

Apesar de tudo isso já citado, os argumentos ainda podem até parecer fracos para contestar as visões pré-milenistas. Portanto, para concluir, quero citar algumas perguntas que não consigo encontrar respostas para elas dentro do Pré-Milenismo:

1.    Se haverá um reino milenar e literal após a segunda vinda de Cristo, por que não há qualquer referência sobre isso nos Evangelhos e nas Epístolas do Novo Testamento?

2.    Por que no Sermão Escatológico (Mt 24; Mc 13; Lc 17) Jesus apresentou uma descrição detalhada sobre os acontecimentos que iriam ocorrer, e não citou em nenhum momento um reino milenar futuro?

3.    Se o reino milenar futuro diz respeito principalmente às promessas feitas ao povo de Israel, por que Jesus nunca falou nada sobre ele aos seus discípulos que eram judeus? Isso não teria os confortado de algum modo?

4.    Ainda no Sermão Escatológico, Jesus foi claro ao dizer: “Eis que de antemão vos tenho dito tudo” (Mc 13:23). Se Ele afirmou ter dito tudo acerca do fim dos tempos, por qual motivo ele não citou o Milênio? Não creio que Ele tenha se esquecido justamente do reino milenar futuro.

5.    Pedro foi um dos discípulos que estava presente quando Jesus pronunciou o Sermão Escatológico, e pessoalmente ouviu as palavras do Mestre. Então por que em sua segunda epístola (2Pe 3) ao falar sobre a segunda vinda de Cristo, ele não fala nada sobre um reino milenar futuro? Será que talvez seja porque Jesus não o ensinou nada sobre isso? Para o apóstolo Pedro, haverá a segunda vinda de Cristo, o julgamento de todas as pessoas e o início do estado eterno, com o mundo sendo “purificado” transformando-se em novos céus e nova terra.

6.    Como explicar o retorno de crentes glorificados para uma terra ainda imperfeita, onde existe pecado e morte, mesmo que isso seja em ocasiões específicas? Isso não seria uma violação da finalidade da glorificação?

7.    Como explicar o convívio do Cristo glorificado e de pessoas em corpos glorificados, juntamente com pessoas ainda vivendo em corpos de carne e sangue? Que estranha convivência haverá entre pessoas que são imortais com pessoas ainda mortais?

8.    O que acontecerá com as pessoas que morrerem no Milênio literal? Para onde elas irão? Será que ressuscitarão imediatamente?

9.    Como será um mundo em que Cristo estará em um trono físico governando? Como Satanás conseguirá manipular as pessoas a se rebelarem contra uma presença tão visível e notória de Deus? Se isso de fato ocorrer, qual foi a eficácia dos mil anos de paz e prosperidade?

10.  Como encontrar base bíblica para defender a ideia de salvação após a vinda de Cristo? As pessoas durante o Milênio precisarão crer em Jesus para serem salvas? Se sim, como alguém então não crerá diante de um reino literal de Cristo na terra? Isso não será injusto com quem viveu antes desse período, e não contrariará a doutrina bíblica de que a fé é crer no invisível (Hb 11:1)?

11.  A ideia da retomada dos sacrifícios durante o Milênio, mesmo que memoriais, não significa um retrocesso considerando a excelente explanação do autor da Epístola aos Hebreus onde claramente ele coloca todas essas coisas como algo temporário?

12.  Se o reino milenar futuro exige um julgamento após mil anos da segunda vinda de Cristo, como entender o ensino de todo o Novo Testamento de que o Juízo Final segue imediatamente à segunda vinda Cristo? Também como explicar o fato de a Bíblia se referir a apenas um único juízo, ao contrário do que ensina o Pré-Milenismo?

13.  Se o Pré-Milenismo exige pelo menos duas ressurreições (em alguns casos até mais de três), como explicar a doutrina bíblica que haverá apenas uma única ressurreição (Jo 5:28,29; Jo 6:39-54; 11:24)?

Estes são apenas alguns dos questionamentos que me fazem rejeitar a posição Pré-Milenista, entretanto, respeito muito quem defende tal posição.

Bem, se considero que o Pós-Milenismo e as formas de Pré-Milenismo falham em ter fundamentação bíblica suficiente, só me resta agora o Amilenismo. Sob esse ponto de vista, vamos brevemente entender alguns pontos acerca do Milênio do capítulo 20 do Apocalipse.

Diante destes fatos e dessas perguntas que talvez ficaremos sem respostas, só posso dizer que há muitas coisas que jamais conseguiremos entender por tais coisas fazem parte dos pensamentos de Deus e ninguém conseguirá entender por completo os pensamentos de Deus. Se assim eu me comportar, também terei que perguntar como pode um mar se abrir diante de um povo e este povo passar e chegar a seco do outro lado? Como pode o Profeta Elias ser levado para o céu diante dos olhos de seu servo Eliseu? Como pode um homem possuir a força de mil homens nas tranças de seu cabelo? Como pode o próprio Jesus ser gerado no ventre de uma mulher através do Espírito Santo? São perguntas que só Deus pode nos responder que um dia creio que Ele nos responderá (Jó 5:9, Ecl.11:5, I Cor.2:9). Resumo dizendo: Milagre não é para quem vê, mas para quem crê. Deus criou todas as coisas por intermédio de sua palavra. Eu creio!

Sei que esse é um tema muito complexo, e que todas as posições, inclusive a que eu defendo, apresentam suas dificuldades. Porém, precisamos deixar claro acima de tudo que a Palavra de Deus é inerrante e infalível, ou seja, não há qualquer erro ou contradição nela.

Se nossas posições escatológicas possuem dificuldades em alguns pontos, tais dificuldades estão firmadas em nosso erro humano de interpretação da perfeita Palavra de Deus.

Ademais, também sabemos que há mistérios que não nos foram revelados, mas devemos ter a plena certeza de que tudo ocorre conforme a soberana vontade de Deus, por mais que não compreendamos.

Mais uma vez ressalto que essas discussões são secundárias, e o importante é que Pré-Milenistas, Amilenistas e Pós-Milenistas concordam que Cristo voltará, julgará todos os homens, condenará eternamente Satanás, seus agentes e os incrédulos ao lago de fogo, e os santos viverão eternamente com Ele no novo céu e na nova terra. Se mil anos antes, ou mil anos depois, diante de uma eternidade inteira isso é só um detalhe.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

A P O C A L I P S E / SÉTIMA PARTE - O MILÉNIO 3

 

A SENTENÇA FINAL – Apocalipse 20:11-15

O Juízo Final

E Apocalipse 20:11-15 Vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. 12 E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. 14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. 15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.

O fim da história é o julgamento no qual se manifesta a vida. A morte e o mal vão ser destruídos para sempre e os homens vão ser julgados como viveram. O trono evoca a presença do Juiz. Este céu e esta terra desaparecem porque tudo se renovará. O julgamento de Deus não é arbitrário: quem pronuncia a sentença é a própria vida de cada um. O livro da vida é o Livro do Cordeiro e nele está o nome dos que deram Testemunho de Jesus (13:8). A morte e a morada dos mortos personificam os poderes do mal porque doravante tudo será vida.

Deus julgará seu povo discriminado entre aqueles que, verdadeiramente são Dele e os apóstatas, conforme descrito em Deut. 32.35-36 e I Pedro 4.17. O Apóstolo Paulo escreve para advertir e prevenir o povo que vive deliberadamente em pecado, Heb.10.26, deixando sem efeito o sacrifício de Jesus Cristo, visto que tudo o que fizermos sem arrependimento leva-nos a expectativa do Juízo de Deus sobre nós, pois todos estaremos nas mãos de Deus, e prestaremos conta individual diante de Deus, e Deus através de Cristo retribuirá a cada um segundo o seu procedimento. Rom. 2.6, Mat. 16.27, Apoc. 22.12. Portanto todos estão nas mãos de Deus e Dele receberemos a recompensa, e para os ímpios “horrenda coisa é estar nas mãos de Deus”, pois Dele receberão a condenação.

Quando Cristo voltar e a história for completa, todas as pessoas de todos os tempos ressurgirão para o “julgamento divino”, e tomarão  seu lugar diante do Trono de Cristo. Este acontecimento supera a imaginação humana.  Mas a imaginação humana não é a medida daquilo que Deus fará.  No “dia do juízo” cada pessoa prestará conta individual diante de Deus, através de Cristo, e Cristo retribuíra a cada um segundo o seu procedimento. Rom. 2.6-7; Salmo 62.12, Mat. 16.27. Os regenerados que, como servos de Cristo aprenderam a amar, e desejam a glória do céu, serão reconhecidos a base do mérito de Cristo a seu favor, e serão recompensados com a justiça que buscam. Os demais seguirão o destino apropriado pelo modo ímpio de vida que escolheram um lugar para o qual irão com base no seu próprio demérito. Rom. 2.8-12.

Haverá juízo para aqueles que professam pertencer a Cristo, ao exame de suas palavras e de suas obras, Mat. 12.36-37, os quais mostrarão então, se suas palavras são palavras de fé e fruto de um coração puro, ou se falam hipocrisia e mentira. Mat. 12.33, 7.21-23. Tudo será desmascarado no dia do juízo, e cada um receberá o que lhe pertence. Deus é justiça e trará todos à sua justiça, portanto um julgamento justo. I Cor. 4.5.

Não há justiça sem julgamento, contudo, Deus anunciou o “dia do juízo” em tempo hábil, e tem ordenando a cada um que se arrependa e ame a vida ao invés da morte. Det. 30.19 e Lucas 13.24.

JUÍZO E JULGAMENTO DE DEUS

Deus é Fogo Consumidor, tanto para destruir, como para purificar. Deut.4.24, Heb. 12.29, Exodo 3.2-5 “fogo purificador”, Lev.10.1-2 “fogo destruidor”. Todos um dia se dobrarão diante do “Fogo”. Uns diante do Fogo de Deus para “purificação, conforme Exodo 3.2-5, e outros diante do Fogo Consumidor, “ o fogo estranho”, ou o próprio “inferno” que está preparado para satanás e seus anjos. O “juízo de Deus” será Fogo Purificador para os fiéis, e Fogo destruidor para os ímpios, I Cor. 3.13, Eclesiástes 12.13-14.

COMO SERÁ COMPOSTO O JUÍZO DE DEUS

Primeiro vamos entender como é formado um Juízo Tribunal de julgamento: Todo cidadão, quer seja ele bom ou mau tem direito a um julgamento correto, tem direito à uma defesa, e a uma sentença baseado em uma formação de um corpo de jurados. Assim também Deus fará conosco.

Como é a formação de um julgamento. Um julgamento e composto de:

JUÍZ – Aquele que julga e dá a sentença final, baseado em todos os tipos de provas, laudos, testemunhas de defesa e acusação e nos votos do corpo de jurados.

ADVOGADO DE DEFESA – Aquele que usa todos os argumentos da lei na defesa do réu

ADVOGADO DE ACUSAÇÃO OU PROMOTOR PÚBLICO – É aquele que usa todos os argumentos para acusar o réu

JURI – É representado pelas testemunhas e corpo de jurado

RÉU – Aquele que infringiu a Lei e está sendo julgado pela corte

LEI – Normas ou conduta para qualquer cidadão

 

TIPOS DE JUÍZOS

Para se condenar alguém é preciso antes de tudo que haja uma investigação, acompanhada de provas, com as quais se leva a aplicação da Lei, no sentido de executar a justiça.

JUÍZO INVESTIGATIVO – É feito através de uma investigação minuciosa e detalhada

JUÍZO COMPROVATIVO – É feito com provas objetivas e concretas dentro dos parâmetros legais

JUÍZO DE EXECUÇÃO – É através dele e mediante as investigações com provas detalhadas se executa e sentencia o réu a uma punição, absolvição ou condenação.

ALGUNS ESTUDOS DE COMO DEUS FARÁ SEU JULGAMENTO NA TERRA

ATRAVÉS DO JUÍZO INVESTIGATIVO

JUÍZ – Deus “Salmo 119.137, 142, 144”

ADVOGADO – Jesus Cristo “I João 2.1-2”

ACUSAÇÃO – Satanás “Apoc.12.9-10 Eden”

JURI – Os Anjos de Deus “Apoc. 1.1-2”

RÉU – A Igreja “os fiéis I Pe 4.17

LEI – A Lei de Deus é eterna “João 12.50”

Quando será? Este juízo já está sendo executado, nos dias de hoje conforme descrito em II Cor. 5.21, Tiago 2.12 e II Cor. 6.1-10 “vs 2”.

ATRAVÉS DO JUÍZO COMPROVATIVO

Este juízo será feito através de provas e evidências, e acontecerá após o “arrebatamento da Igreja”, depois do “tempo das tribulações”, ou seja, no início do “milênio”, conforme descrito em Apoc. 20.1-4.

JUÍZ – A Igreja do Senhor “I Pedro 4.17, I Cor. 6.2-3”

ADVOGADO – A Palavra de Deus

ACUSAÇÃO – Satanás “através do anticristo”, II Tess. 2.3-4, 8-10, Apoc. 13.1-4, 11-14

JURI – As Testemunhas de Deus, ou seja, os Anjos Celestiais “Apoc. 7.11-14”

RÉU – O anticristo, os falsos profetas, e os ímpios, “Rom. 1.18, 2.5-6, Apoc. 20.1, 4-5”

LEI – A Lei do Senhor “Salmo 119.8-9,144, 19.7”

 

ATRAVÉS DO JUÍZO DE EXECUÇÃO OU SEJA O JUÍZO FINAL

Quando isto acontecerá? Isto acontecerá depois do “milênio”, será “o grande dia do Senhor”, conforme descrito em Apoc. 8.1-6, 11.15.

JUÍZ – Jesus Cristo “Apoc. 5.1-12”

Não terá Advogado, pois será a sentença final.

ACUSAÇÃO – Satanás “Apoc. 20.7-10

JURI – Os Anjos de Deus

RÉU – Todos os povos da terra, os fiéis, os ímpios, os anjos caídos e satanás “Apoc. 11.18, 20.10-15, Mat. 25.31-34”

LEI – Os Mandamentos Divinos “Tiago 2.9-13, Salmo 119.1, 33-35”

UM DEUS DE MISERICÓRDIA

A misericórdia triunfa sobre o juízo. Deus é justo, e também um Deus misericordioso. Deus é Justiça, e seus juízos são misericordiosos.

A morte que é a inimiga do homem torna-se misericórdia, e elimina o sofrimento eterno, Salmo 136.1, 118.1, Crônicas 16.34. As misericórdias de Deus são a causa de não sermos consumidos, Lam. 3.22, Salmo 136.

A Lei de Deus representa os Mandamentos, a “Ordem e a Obediência”, e a Misericórdia é a “Graça de Deus”, ou seja, ela representa Jesus Cristo a nossa “Salvação”.

O Espírito Santo de Deus é o “fogo” que consome, e qual aplica “a Lei ou a Misericórdia”, Ele condena pela Lei ou absolve através da Misericórdia.

Em nossa vida Deus sempre se manifestou. A primeira vez Deus se manifestou pela Lei, Os mandamentos, e depois pela Graça, Jesus Cristo, e agora se manifesta através do “fogo”, o Espírito Santo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A P O C A L I P S E / SÉTIMA PARTE - O MILÊNIO PARTE 2

 

SATANÁS É SOLTO – Apocalipse 20:7-10

Satanás é solto e depois vencido para sempre

Apocalipse 20:7-10 E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os devorou. 10 E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.

Quando se completar os mil anos Satanás será solto da prisão do Abismo. Ele vai sair e seduzir as nações dos quatro cantos da terra. Gog e Magog reunindo-os para o combate. O número deles é como a areia do mar. Eles se espalharão por toda a terra e cercarão o acampamento dos santos  e a Cidade amada. Mas descerá fogo do céu e eles serão devorados. O diabo que tinha seduzido a todos, será jogado no lago de fogo e enxofre juntamente com o Anticristo e o Falso Profeta.

O povo de Deus (acampamento dos Santos e a Cidade Amada) continuam na luta contra as foras do mal (Satanás), mas são protegidos por Deus (fogo do céu). Gog e Magog são nomes que representam os poderes da idolatria, inimigos de Deus e do seu povo. Mas o poder do mal será completamente destruído (lago de fogo).

I N F E R N O     E     O     L A G O    D E    F O G O

O QUE É INFERNO

O Novo Testamento considera o inferno como um lugar de habitação final dos condenados à punição eterna, depois do Juízo Final, conforme descrito em Mat. 15.41-46, Apoc. 20.11-15. O inferno é descrito como um lugar de tormento, lugar de trevas, de choro e ranger de dentes, lugar de destruição, etc... Esses termos são provavelmente simbólicos ao invés de literais, porém de qualquer modo, a realidade será ainda mais terrível do que estas cenas. Estas são as consequências de todo àquele que pratica o mal, e que precisa ser realisticamente enfrentadas.

O inferno não é tanto a ausência de Deus, mas sim a consequência de Sua ira contra o pecado. O inferno é a justa condenação daqueles que O desafiaram apegando-se ao pecado, pois os que forem condenados compreenderão que, se condenaram a si próprios, pois amaram mais as trevas do que a luz, e como base de escolha humana do livre arbítrio.

O LAGO DE FOGO – APOC. 20.13-15

Injustiças e sofrimento, nunca fogem aos olhos de Deus. Aqueles que perseguem e praticam a injustiça não podem vencer no fim. Deus julgará a toda obra. A expectativa do Juízo Final deve ser um terror para os inimigos de Deus, pois Deus é o Juiz de todas as coisas, e o “lago de fogo” é a sentença final de todo aquele que pratica a iniquidade do pecado.

Estar nas mãos de Deus, mostra que Deus é soberano, e é Ele quem determina o nosso destino, para o bem ou para o mal.

HORRÍVEL COISA É CAIR NAS MÃOS DE DEUS – HEBREUS 10.31

Deus julgará seu povo discriminado entre aqueles que, verdadeiramente são Dele e os apóstatas, conforme descrito em Deut. 32.35-36 e I Pedro 4.17. O Apóstolo Paulo escreve para advertir e prevenir o povo que vive deliberadamente em pecado, Heb.10.26, deixando sem efeito o sacrifício de Jesus Cristo, visto que tudo o que fizermos sem arrependimento leva-nos a expectativa do Juízo de Deus sobre nós, pois todos estaremos nas mãos de Deus, e prestaremos conta individual diante de Deus, e Deus através de Cristo retribuirá a cada um segundo o seu procedimento. Rom. 2.6, Mat. 16.27, Apoc. 22.12. Portanto todos estão nas mãos de Deus e Dele receberemos a recompensa, e para os ímpios “horrenda coisa é estar nas mãos de Deus”, pois Dele receberão a condenação.

CONCLUSÃO:

O propósito do Ensino Bíblico sobre o inferno é fazer-nos aceitar a gratidão de Deus em Cristo, que nos livra da punição do pecado, pois Deus não tem prazer na morte do ímpio. (Ez. 33.11).

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 21 de novembro de 2020

A P O C A L I P S E / O MILÊNIO - PARTE 1

 JULGAMENTO FINAL – Apocalipse 20:1-6

Satanás é amarrado por mil anos. Os fiéis reinam com Cristo

Apocalipse 20:1-3 E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.

Pela morte na cruz e ressurreição, Jesus conquistou a vitória sobre o mal (Dragão), que já não tem mais plena liberdade para agir. A ação do Dragão será passageira e fraca (pouco tempo). O povo de Deus participa da realeza de Jesus e do seu julgamento.

 Apocalipse 20:4-6 E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos.

O plural “TRONOS”é usado somente quatro vezes em apocalipse (4:4, 11:16), e aqueles sentados são os 24 anciãos (a quem foi dado o poder de julgar) como representantes da igreja no céu e na terra. As “Almas daqueles que foram degolados” simboliza todos os mártires (os mortos da época do V.T, os santos mortos da igreja, e aqueles que foram martirizados por seu testemunho durante a grande tribulação. Eles não sofrerão a segunda morte, pois deram suas vidas, e não recusaram a salvação em Cristo.

O    J U Í Z O    F I N A L

A certeza do Juízo Final é o contexto da graça salvática do Novo Testamento, “ I Tess.1.10”. No “dia da ira” e da revelação do Justo Juízo Divino, conforme descrito em “João 3.16-18 e Romanos 5.8-9”. Por toda a parte das escrituras, a indignação e a ira de Deus são judiciais, e isto aponta o Santo Criador como ativo Juiz do pecado e que, Jesus completará a obra de Seu Reino e mediador em nome do Pai. Mat.13.40-43; 25.41,34; Jo 5.22-24; II Tim.4.1.

Quando Cristo voltar e a história for completa, todas as pessoas de todos os tempos ressurgirão para o “julgamento divino”, e tomarão  seu lugar diante do Trono de Cristo. Este acontecimento supera a imaginação humana.  Mas a imaginação humana não é a medida daquilo que Deus fará.  No “dia do juízo” cada pessoa prestará conta individual diante de Deus, através de Cristo, e Cristo retribuíra a cada um segundo o seu procedimento. Rom. 2.6-7; Salmo 62.12, Mat. 16.27. Os regenerados que, como servos de Cristo aprenderam a amar, e desejam a glória do céu, serão reconhecidos a base do mérito de Cristo a seu favor, e serão recompensados com a justiça que buscam. Os demais seguirão o destino apropriado pelo modo ímpio de vida que escolheram um lugar para o qual irão com base no seu próprio demérito. Rom. 2.8-12.

Haverá juízo para aqueles que professam pertencer a Cristo, ao exame de suas palavras e de suas obras, Mat. 12.36-37, os quais mostrarão então, se suas palavras são palavras de fé e fruto de um coração puro, ou se falam hipocrisia e mentira. Mat. 12.33, 7.21-23. Tudo será desmascarado no dia do juízo, e cada um receberá o que lhe pertence. Deus é justiça e trará todos à sua justiça, portanto um julgamento justo. I Cor. 4.5.

Não há justiça sem julgamento, contudo, Deus anunciou o “dia do juízo” em tempo hábil, e tem ordenando a cada um que se arrependa e ame a vida ao invés da morte. Det. 30.19 e Lucas 13.24.

 

 

domingo, 4 de outubro de 2020

A P O C A L I P S E / SEXTA PARTE - O FIM DE TUDO 3

 O FIM DE TUDO 3

APOCALIPSE 20 

PRISÃO DE SATANÁS E O MILÊNIO - Apocalipse 20:1-6

Satanás é amarrado por mil anos. Os fiéis reinam com Cristo

Há basicamente duas interpretações amplas relacionas a este capítulo principalmente em relação ao “Reino de Mil Anos, ou Milênio”. A visão Premilenista sustenta que após a vitória do Cap.19, Cristo estabelecerá o Reino precoce e reinará com os santos ressuscitados com paz e justiça por Mil Anos ao que pode ser um período literal ou simbólico.

A visão Amilenista também chamada de Milenar Atual sustenta que os Mil Anos, simbolizam o período dos dois adventos de Cristo sendo realizado completo ou progressivamente, um Reino “espiritual” na terra ou no céu.

Qualquer que seja a interpretação sobre o Milênio, a verdade central da derrota de Satanás em estágios continua a mesma. O objetivo da “prisão de Satanás” é para que não mais engane as nações.

Outras interpretações sustentam que o escritor do Apocalipse prediz não apenas o banimento de Satanás, mas a condição de caos e desolação a que a Terra deve ser reduzida. Tal interpretação declara que esta condição existirá durante mil anos. Depois de apresentar as cenas da segunda vinda do Senhor e da destruição dos ímpios. A expressão “abismo” representa a Terra em estado de confusão e trevas que é evidente em outras passagens. Aqui deverá ser a morada de Satanás com seus anjos maus durante mil anos. Restrito a Terra, não terá acesso a outros mundos para tentar e molestar os que jamais caíram. É nesse sentido que ele está amarrado: não restou ninguém sobre quem ele possa exercer seu poder. Está inteiramente separado da obra de engano e ruína que, durante tantos séculos, em que foi seu único prazer.

Durante seis mil anos, a obra de rebelião de Satanás tem feito “estremecer a Terra” (Is 14:16). Ele tornou “o mundo como um deserto” e destruiu “suas cidades”. “A seus cativos não deixava ir soltos” (v. 17). Durante seis mil anos, seu cárcere (o sepulcro) recebeu o povo de Deus, e ele queria conservá-los cativos para sempre. Entretanto, Cristo quebrou os seus laços, pondo em liberdade os prisioneiros.

Durante mil anos, Satanás vagueará de um lugar para outro na Terra desolada, para contemplar os resultados de sua rebelião contra a lei de Deus. Durante esse tempo, seus sofrimentos serão intensos. Agora, porém, ele está despojado de seu poder e entregue a si mesmo não apenas para contemplar a parte que desempenhou desde que se rebelou contra o governo do Céu, mas para aguardar, com temor e tremor, o futuro terrível... A sua derrota final.

O REINO MILENAR

O reino milenar de Cristo é literal ou simbólico? Acontecerá no céu, ou será na terra? Os crentes que julgarão com Cristo são apenas os mártires ou todos os crentes?

Numa primeira leitura, despreocupada e descompromissada, aparentemente, o texto descreve um período de tempo em que Cristo exercerá um governo terreno de Mil Anos. Durante esses mil anos, Satanás será preso, e alguns crentes – os quais não sabemos quem são – se assentarão em tronos, tendo autoridade para julgar. Se os crentes decapitados por causa do testemunho de Cristo não são os mesmo que se assentarão em tronos, então temos dois grupos que reinarão com Cristo durante o milênio. Além disso, é dito que, após o milênio será necessário soltar Satanás; felizes e santos são os que tem parte na primeira ressurreição, além de que não estarão mais submissos à morte.

Diferentes posições sobre o milênio

Neste artigo veremos as quatro posições milenistas – a saber, Premilenismo Histórico, Premilenismo Dispensacionalista, Pós-milenismo e Amilenismo – e como cada uma delas responde perguntas como as que fizemos.

Premilenismo Histórico

A primeira posição sobre o milênio que iremos analisar é o Premilenismo Histórico. Na concepção de Irineu, um dos pais da igreja, o mundo atual durará seis mil anos, referentes aos seis primeiros dias da criação, enquanto que o milênio do governo de Cristo será referente ao dia do descanso, o sétimo dia. Nesse período (O Milênio), Cristo reinará, Jerusalém será restaurada, a terra dará seu fruto com rica abundância, seguindo-se então o juízo final. 

O Premilenismo Histórico crê num reino milenar de Cristo e seus crentes aqui na terra. Isso ocorrerá antes da era vindoura, daí o nome Premilenismo. Os fiéis que tiverem sido mortos ressuscitarão por ocasião da volta de Cristo, e os vivos receberão corpo glorificado. Os Premilenistas Históricos creem que os sinais da volta de Cristo irão precedê-la, e que por ocasião dessa volta os crentes vivos serão arrebatados para um encontro com Cristo nos ares. Para eles, durante o reino milenar terreno a morte e o pecado ainda existirão, mas com seu grau de influência mínimo sobre os homens pois a vida continuará com seu ritmo normal e as pessoas que nascerem durante o milênio ainda estarão sujeitas ao pecado e por consequência disso a morte ainda existirá.

Embora, diferente dos Premilenistas Dispensacionalistas, os Premilenistas Históricos creem na volta de Cristo como evento único, ainda assim, creem também em uma dupla ressurreição, onde os salvos ressuscitarão na vinda de Cristo, para participarem do reino milenar, enquanto que os infiéis ressuscitarão ao final do milênio, para seguirem ao juízo final. Anthony A. Hoekema, teólogo reformado, em seu livro “A Bíblia e o futuro”, mostra como George Eldon Ladd, um dos proponentes do Premilenismo Histórico, defende a dupla ressurreição com base na 1ª carta de Paulo aos coríntios:

Ladd encontra mais apoio para seu ensino em 1 Coríntios 15.23-26, embora ele admita que esta passagem não fornece prova conclusiva para um milênio terreno. Ele apela especialmente para os versos 23 e 24: “Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias, depois (epeita) os que são de Cristo, na sua vinda. E então (eita) virá o fim (telos), quando ele entregar o Reino ao Deus e Pai…” De acordo com Ladd, Paulo retrata aqui o triunfo do Reino de Cristo realizado em três etapas. A primeira etapa e a ressurreição de Cristo. A segunda etapa ocorre na Parousia, quando os crentes são ressuscitados. Então vem o fim, quando Cristo entrega o Reino a Deus Pai; esta é a terceira etapa. Uma vez que há um intervalo significativo entre a primeira e a segunda etapa, não parece improvável que haja também um intervalo significativo entre a segunda e a terceira etapa. 

Assim, algumas das características básicas do Premilenismo é sua defesa de uma dupla, às vezes até tripla ressurreição, e do Reino Milenar (literal ou não) sobre a terra. Para seus defensores, Cristo inaugurará um período de reinado, cujo o tempo será marcado por uma significativa paz e prosperidade.

Premilenismo Dispensacionalista

O Premilenismo Dispensacionalista é relativamente uma posição recente e teve seu início na época de John Nelson Darby (1800-1882). Basicamente, ambos Premilenismos – Histórico e Dispensacionalista – adotam linhas semelhantes de interpretação, entretanto, algumas diferenças são marcantes. Conforme observa George Eldon Ladd, teólogo Premilenista Histórico conforme vimos, “A primeira condição sine qua non do Dispensacionalismo é a distinção entre Israel e a Igreja”. 

Tal método de interpretação se dá à luz da abordagem bíblica, uma mistura de alianças e dispensações, conforme observa Louis Berkhof, teólogo reformado do séc. XX:

Deus trata o mundo da humanidade no transcurso da História com base em diversas alianças e conforme os princípios de sete dispensações diferentes. Cada dispensação é distinta, e cada uma delas representa uma diferente prova para o homem natural; e desde que o homem não consegue vencer nas sucessivas provas, cada dispensação acaba num juízo. […] (a teocracia em Israel) se seguisse o caminho da obediência poderia ter crescido em poder e glória, mas, em resultado da infidelidade do povo, foi finalmente derrotada, e o povo foi levado para o exílio. Os profetas predisseram essa derrota, mas também trouxeram mensagens de esperança e inspiraram a expectativa de que nos dias do Messias Israel tornaria ao Senhor com vero arrependimento, o trono de Davi seria restabelecido com inexcedível glória, e até os gentios participariam das bem-aventuranças do reino futuro. Mas quando o Messias veio e se ofereceu para estabelecer o Reino, os judeus deixaram de mostrar o requerido arrependimento. O resultado foi que o Rei não estabeleceu o Reino, mas se retirou de Israel e foi para um país distante, pospondo o estabelecimento do reino, até o seu regresso (Mt.25). Contudo, antes de deixar a terra, fundou a igreja, que nada tem em comum com o Reino, e da qual os profetas nunca falaram… desta igreja, Cristo não é Rei, mas a Cabeça divina”.  – (Grifos meus).

Assim, uma vez que o homem é incapaz de responder satisfatoriamente a cada aliança que Deus fez com ele, dá-se início a uma nova aliança, e, portanto, uma nova dispensação começa. É desse ponto de vista que advém a distinção entre igreja e Israel. De tal distinção, portanto, que não ocorre no Dispensacionalismo Histórico, surge um método de interpretação cuja escatologia difere em alguns pontos. Mais uma vez podemos evocar as palavras de Berkhof:

A volta de Cristo agora é iminente, isto é, ela pode vir a qualquer momento, pois não há eventos preditos que devam precedê-la. Contudo, sua vinda consiste de dois eventos distintos, separados um do outro por um período de sete anos. O primeiro deles será a “parousia”, quando Cristo aparecerá nos ares para encontrar-se com os santos… No fim do período de sete anos, dar-se-á a “revelação”, isto é, a vinda do Senhor, agora não para os seus santos, mas com eles. As nações existentes serão julgadas (Mt 25.31), e as ovelhas serão apartadas dos cabritos; os ímpios serão destruídos; e Satanás será preso por mil anos […]. Após o milênio, Satanás será solto por breve lapso de tempo, e as hordas de Gogue e Magogue juntarão forças contra a Cidade Santa. Todavia os inimigos serão devorados pelo fogo do céu, e Satanás será lançado numa cova sem fundo, precedido pelas duas bestas ( o Anticristo e o Falso Profeta. Depois desse curto período de tempo, os ímpios ressuscitarão e comparecerão a juízo, perante o grande trono branco, Ap 20.11-15. E então haverá novos céus e nova terra.” – (Grifos meus).

Portanto, a interpretação feita pelos Dispensacionalistas crê que a “primeira parte” da segunda volta de Cristo não precisará ser antecedida pelos eventos descritos nas Escrituras como sinais do tempo da sua vinda (Mt 24.1-55), ela pode acontecer a qualquer momento. Nessa ocasião, ainda na primeira parte de sua segunda vinda, Cristo arrebatará a igreja, que não passará pelos sete anos de tribulação. Durante esse tempo de tribulação e após, durante o milênio, Israel se converterá, e o relacionamento de Deus com seu povo do Antigo Testamento será restaurado. Cristo regerá as nações com mãos de ferro a partir do Monte Santo. Ao final do Milênio, quando Satanás, enfim, for solto, tentará contra Cristo e seu povo, mas será definitivamente derrotado, dando início assim, a aquilo que chamamos de era vindoura.

Pós-milenismo

Se as duas primeiras posições se assemelham, e ao mesmo tempo se diferem uma da outra, o mesmo pode ser dito entre as duas próximas. Na maioria das vezes, os Premilenistas – Históricos e Dispensacionalistas – tendem a se comunicar melhor entre si, assim como os Pós-milenistas e Amilenistas.

Em geral, o Pós-milenismo afirma que o retorno de Cristo será depois do Milénio.  Geralmente os Pós-milenistas creem que o Reino Milenar não se trata de um período de tempo literal, mas de um reinado literal não-terreno, quando, por meio da disseminação do evangelho, adentraremos uma era dourada, que ocorrerá progressivamente. Também podemos dividir o Pós-milenismo sob duas perspectivas, uma antiga e outra mais recente. Berkhof observa que, em relação ao:

Pós-milenismo Antigo

Embora suas exposições diferissem nalguns pormenores, a ideia predominante era que o Evangelho, que se propagará gradativamente pelo mundo todo, no fim se tornará imensuravelmente mais eficiente do que no presente e introduzirá um período de ricas bênçãos espirituais para a igreja de Jesus Cristo, uma idade de ouro em que os judeus também compartirão as bênçãos do Evangelho de maneira sem precedentes […], a idade de ouro da igreja, segundo se diz, será seguida por um breve período de apostasia, um terrível conflito entre as forças do bem e do mal, e pela ocorrência simultânea do advento de Cristo, da ressurreição geral e do juízo final. 

O Pós-milenismo Moderno

O Pós-milenismo chamado Moderno, aparentemente, é mais audacioso, pois acredita que a era dourada da igreja, também ocorrerá por meio da propagação do evangelho, entretanto, diante do empenho dos crentes em proclamá-lo, o que demanda certo esforço (e por que não crédito?) dos homens. Essa declaração de Shirley Jackson Case nos ajuda a entender como pensa um Pós-milenista Moderno: Continuaremos buscando a Deus para introduzir uma nova ordem por meios catastróficos, ou assumiremos a responsabilidade de produzir o nosso próprio milênio, crendo que Deus está operando em nós e em nosso mundo o querer e o fazer para o seu beneplácito?  – (Grifos meus).

O curso da História exibe um longo processo de luta de evolução pelo qual a humanidade como um todo eleva-se cada vez mais na escala da civilização e da consecução, melhorando sua condição de quando em quando mediante sua maior habilidade e evangelho. Vista segundo a longa perspectiva das eras, a carreira do homem tem sido de real ascensão. Em vez de piorar, vê-se que o mundo melhora constantemente. […] desde que a História e a ciência mostram que o melhoramento é sempre resultado de esforços de realização, o homem acaba imaginando que os males ainda não vencidos haverão de ser eliminados por estrênuos esforços e reforma gradual, e não pela intervenção catastrófica da Divindade. […] as moléstias devem ser curadas ou evitadas pela habilidade do médico, os males da sociedade devem ser remediados pela educação e pela legislação, e as desgraças internacionais devem ser impedidas pelo estabelecimento de novos padrões e novos métodos de tratamento medicinal, e não por uma aniquilação repentina.  – (Grifos meus).

Além disso, também há divergências entre os Pós-milenistas acerca de como será o reino milenar, e quem serão os que reinarão com Cristo. Sobre isso, Hoekema diz:

Benjamim B. Warfield, geralmente alistado entre os Pós-milenistas, afirma que Apocalipse 20.1-6 descreve o aprisionamento de Satanás durante a era atual da Igreja, e o Reino das almas dos crentes mortos com Cristo nos céus durante a presente era. Em sua obra mais recente sobre o assunto, Loraine Boettner concorda com a interpretação de Warfield sobre esta passagem. Portanto, estes dois Pós-milenistas adotaram a interpretação Amilenista comum acerca dos seis primeiros versos de Apocalipse 20. J. Marcellus Kik, entretanto, mesmo concordando que o aprisionamento de Satanás esteja acontecendo no tempo presente, afirma que a expressão – “e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” – se refere aos crentes que vivem agora sobre a terra. De acordo com Kik, a “primeira ressurreição” (v.6) significa a regeneração destes crentes enquanto eles estão vivendo na terra, e os tronos do verso 4 são interpretados como um modo figurativo de descrever o reinado do povo de Cristo com ele agora sobre a terra. Normm Shepherd, também um Pós-milenista, sustenta, que o aprisionamento de Satanás ainda é futuro. No entanto, ele concorda com Kik ao interpretar a “primeira ressurreição” como se referindo à regeneração. Ele também interpreta o “viver e reinar com Cristo” como descrevendo a vida presente dos crentes sobre a terra”  – (Grifos meus).

Para finalizarmos, podemos perceber também que, para os Pós-milenistas a prisão de Satanás será simbólica, mas que para alguns ela já aconteceu, e para outros, essa prisão ainda vai acontecer, gradualmente, à medida que o evangelho progredir. Assim, a influência de Satanás não será totalmente anulada, mas diminuirá potencialmente. Muitos Pós-milenistas também creem que, em relação aos sinais do tempo, pelo menos a tribulação e apostasia já passaram, e os outros sinais ocorrerão gradativamente. Ao contrário dos Dispensacionalistas, creem que a volta de Cristo será um evento único, a ressurreição será geral, seguindo então o Juízo final, e a era vindoura, Céu e Inferno.

Amilenismo

Inicialmente precisamos dar a devida atenção ao termo Amilenismo. Hoekema observa que o termo pode não ser o ideal:

O termo Amilenismo não é muito feliz. Ele sugere que os Amilenistas ou os que não creem em nenhum milênio ou, simplesmente, ignoram os primeiros seis versos de Apocalipse 20, que falam de um reinado milenar. Embora seja verdadeiro que os Amilenistas não crêem em um reinado terreno literal de Mil Anos, que se seguiria à volta de Cristo, o termo Amilenismo não é uma descrição acurada de sua posição.  – (Grifos meus).

Hoekema diz isso, pois, na concepção dele, todo Amilenista crê em um reino milenar de Cristo, entretanto, não literal e não terreno. Contudo, ao lermos Berkhof, teólogo também Amilenista, em sua Teologia Sistemática, podemos perceber que este não tem nenhum problema com o uso do termo, e nem mesmo, pelo que parece, se constrange de ser acusado de não crer em um milênio:

Alguns que esperam um milênio no futuro afirmam que o Senhor voltará antes do milênio e, portanto, são chamados de Premilenistas; ao passo que outros acreditam que a sua segunda vinda ocorrerá após o milênio, e daí, são conhecidos como Pós-milenista. Numerosos são, porém, os que não creem que a Bíblia autoriza a expectativa de um milênio, sendo costume falar deles como Amilenistas.

Como o nome indica, o conceito Amilenista é puramente negativo, afirma que não há base suficiente para a expectação de um milênio e está firmemente convencido de que a Bíblia favorece a ideia de que a presente dispensação do Reino de Deus seguir-se-á imediatamente o Reino de Deus em sua forma consumada e Eterna.  – (Grifos meus).

Isto posto, adotaremos a linha de Amilenismo apresentada por Hoekema e seus pares, que parece ser a mais comum, crendo sim num reino milenar não literal nem terreno, não desprezando, todavia, a erudição de Berkhof.

O Amilenismo, assim observado, é a posição teológica que crê que o milênio de Apocalipse 20, é vivido por todos os crentes desde que Cristo derrotou Satanás no deserto. Nesse sentido, como já faz quase “dois milênios” que isso aconteceu, obviamente, os Amilenistas não interpretam tal milênio como literal, mas simbólico.

Uma vez que o número “dez” significa totalidade, e uma vez que “mil é dez elevado à terceira potência”, podemos considerar a expressão “mil anos” como indicando um período completo, um período muito longo de duração indeterminada.

Interessante observar é que os Amilenistas creem que os crentes que reinarão com Cristo não são os que estão vivos atualmente, mas os mártires que deram suas vidas pela fé que tinham em Cristo. O Reino Milenar, então, não ocorre na terra, como pensam os Pós-milenistas, mas no céu, com os tronos dos mártires. Isso significa que aqueles que morreram em Cristo já estão experimentando bênçãos espirituais nas regiões celestiais.

Em relação à prisão de Satanás, os Amilenistas igualmente a interpretam como simbólica, entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, essa prisão não anula toda a ação de satanás, mas restringe a sua atuação como o “enganador das nações”. 

Para o Amilenismo os sinais da vinda de Cristo aumentarão à medida que tal vinda se aproxima, e tal vinda se dará em um evento único, pensamento alinhado ao Premilenismo Histórico e Pós-milenismo.

Entre tais sinais estão a manifestação do iníquo, a perseguição cada vez maior à igreja, o evangelho aos gentios, além de sinais da natureza.

 A ressurreição será geral; o arrebatamento será um cortejo da igreja com Cristo nos ares, de onde retornarão à terra para darem início ao juízo final, e assim, à era vindoura, seguindo-se céu para os salvos e inferno para os não-eleitos.

Por tudo o que sabemos, o apóstolo Paulo foi para a glória sem saber que o reino eterno do Messias começaria com um período de 1.000 anos que antecede as eras sem fim que seguirão.

As Escrituras hebraicas são explícitas e inequívocas: o reino messiânico escatológico é eterno (Dn 2.44; Dn 7.27). Apenas nas páginas finais do Novo Testamento, dadas ao apóstolo João três décadas depois do martírio de Paulo, foi que Deus introduziu o conceito de um Reino Milenar, revelando que o drama do final dos tempos terá início com um período de 1.000 anos.

Esse segmento do Reino do Messias será diferente do segmento eterno por, pelo menos, dois relatos importantes. Primeiro, seres humanos mortais entrarão no Reino Milenar e terão filhos que precisarão ser evangelizados. Segundo, muitos daqueles que nascerem no reino rejeitarão a Cristo, se ajuntarão em um exército contra Ele, e se rebelarão no final dos 1.000 anos, quando Satanás for solto “por pouco tempo” (Ap 20.3). Claramente, o reino de 1.000 anos de Apocalipse 20 deve ser entendido como o estágio inicial do reino eterno a ser governado pelo Messias Jesus.

No estágio milenar do Reino, o Diabo será preso; ele ficará incapacitado de perturbar os mortais que estarão vivendo na terra. O mundo estará sob o governo perfeito do Rei Jesus, com paz, igualdade, justiça e suficiência em todo o globo.

Depois de mil anos Satanás será solto; e, como um raio, o tentador juntará um vasto exército de entre aqueles que aproveitaram da vida idílica que o Rei Jesus lhes proporcionou. O exército se levantará em uma rebelião insana e fútil contra Ele.

O Reino Milenar demonstrará infalivelmente ao universo moral inteiro que o problema do homem é ele mesmo – sua própria rebelião; seu orgulho e seu egoísmo sem fim; e, sobretudo, seu ódio pelo Deus que merece sua devoção e fidelidade.

Na verdade, o Reino Milenar é mais bem concebido como a conclusão do processo que o Criador move contra uma raça rebelde. Deus moldou e moldará toda a história humana de maneira que mostre a Sua glória o mais perfeitamente possível; e é apenas contra a demonstração da total depravação e rebeldia da humanidade, como está descrito em Apocalipse 20, que podemos entender as profundidades da misericórdia e da graça de Deus (1Co 1.21).