domingo, 24 de maio de 2020

A P O C A L I P S E / QUINTA PARTE - ISRAEL PROTEGIDO 4 - CAP.11:1-14



O TRIUNFO DAS TESTEMUNHAS – CAPÍTULO 11:1-14

O Santuário e as Duas Testemunhas (Apocalipse 11:1-14)
O intervalo entre as sexta e sétima trombetas continua no capítulo 11 com mais duas cenas que mostram a proteção divina para os fiéis. O povo é protegido, mas não totalmente. Ainda sofrerão as agressões dos inimigos e podem até morrer, mas a vitória final pertence aos santos de Deus. Essa primeira parte do capítulo 11 dá continuidade ao texto de Ap.10:8-11, pois agora temos o relato das experiências amargas daqueles que passarão no Período da Tribulação da igreja que não subiu ao encontro com o Senhor na ocasião do Arrebatamento.

A Ordem para Medir o Santuário (11:1-2)
Apocalipse 11:1 – Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram;

Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara: João continua a sua participação ativa, recebendo um caniço para medir.
Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram: O relato de João aqui não oferece detalhes, mas nos lembra da medição do templo em Ezequiel 40-42. Notando que o contexto de Ezequiel 37-39 mostra o domínio do Messias sobre as nações. Em Ezequiel 40-42, o profeta assiste enquanto um homem mede o templo. A visão de Ezequiel mostra o povo de Deus restaurado à glória e à proteção de Deus, o qual volta ao templo no capítulo 43.
Zacarias 2:1-5 apresenta outra visão de medição, esta vez de Jerusalém. Como nos intervalos do Apocalipse, o propósito da visão de Zacarias é assegurar os fiéis da proteção divina: “Pois eu lhe serei, diz o SENHOR, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória” (Zacarias 2:5).
Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram:  A ordem para medir o santuário, sem dúvida, lembrariam dessas passagens proféticas e do consolo que oferecem aos servos do Senhor.
O santuário de Deus, no Novo Testamento, é o povo do Senhor. Num texto que fala sobre a edificação da igreja, Paulo diz que os discípulos de Cristo são o santuário de Deus (1 Coríntios 3:16-17; 2 Coríntios 6:16). A família de Deus, edificada sobre a pedra angular, é o “santuário dedicado ao Senhor” (Efésios 2:19-22). O templo não é um edifício feito com mãos, e sim uma casa espiritual (1 Timóteo 3:15). Esta casa espiritual é feita de pedras que vivem (1 Pedro 2:5-6).
João tira qualquer dúvida sobre o significado do santuário quando diz que a medição incluiria “os que naquele adoram”. Não se trata de medir uma estrutura física. Este templo é composto por adoradores, pessoas, os verdadeiros sacerdotes de Deus que adoram dentro do templo.
Na visão de João ele recebe uma vara para medir três partes: o templo de Deus, o altar e o povo adorando ali. Nesse símbolo temos o Antigo Testamento como referência paralela em (Ez.40:5; 42:20; Zc.2:1) e a conclusão para o seu significado é de que a medição serve para separar a área que é santa da que é profana.
A área santa é o lugar da presença de Deus onde os santos habitam com ele por causa do sacrifício de Jesus que removeu os pecados do seu povo (Hb.9:12). O templo de Deus é símbolo da verdadeira igreja, que adora o verdadeiro Deus. Medir o altar do incenso mostra que os santos têm acesso a presença de Deus (Ap.6:9; 8:3,5 etc), e a medição dos adoradores, ou seja, todos os que adoram em qualquer lugar em espírito e em verdade (Jo.4:21-24), medição que indica que esse povo está protegido contra a condenação eterna. A medição do templo é um paralelo da selagem dos eleitos em Ap.7:1-8, apenas os símbolos são diferentes, mas o significado é o mesmo – proteção.

Apocalipse 11:2 – mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa.
Deixa de parte o átrio exterior..., porque foi ele dado aos gentios: A ordem para medir não somente oferece consolo, fala também de santificação. Os adoradores dentro do santuário são separados dos gentios no átrio. A palavra traduzida “gentios” aparece 22 vezes no Apocalipse, normalmente traduzida “nações” ou “povos”. Várias vezes, refere-se aos gentios na carne ou às nações em geral, como pessoas que ouvem o evangelho e recebem a oportunidade de serem salvas (5:9; 7:9; 14:6; 21:24-26; 22:2). Da mesma forma que palavras como judeu, circuncisão e Israel, no Novo Testamento, passam a identificar os servos de Cristo (Romanos 2:28-29), a palavra gentios, às vezes, representa os que não conhecem a Deus (1 Tessalonicenses 4:5; 3 João 7). Assim, vivemos “no meio dos gentios” (1 Pedro 2:12), mas não andamos como eles andam (Efésios 4:17; 1 Pedro 4:3). Neste sentido, a palavra gentios ou nações, em algumas das citações no Apocalipse, refere-se aos ímpios. São as nações seduzidas por Satanás para pelejarem contra o povo de Deus (20:7-9). São as mesmas que impedem o sepultamento das duas testemunhas (11:9-10) e que se enfurecem contra os servos de Deus (11:18). As nações apoiam a meretriz, Babilônia (17:15), são seduzidas pela feitiçaria dela (18:23) e se prostituem com ela (18:3). Jesus, porém, domina as nações com o cetro de ferro (12:5; 19:15). Os vencedores participam do reinado dele sobre os povos (2:26-27; 20:4,6).
Quarenta e dois meses: Este período sempre representa um tempo relativamente breve de tribulação ou sofrimento. É o mesmo período de “tempo, tempos e a metade de um tempo” (12:14; Daniel 7:25), de 1.260 dias (11:3; 12:6) ou de “três anos e seis meses” (Tiago 5:17). É a metade de sete anos, que representaria um período completo.
Calcarão aos pés a cidade santa: Há diversas interpretações da cidade santa.
Pré-milenaristas geralmente explicam que a cidade santa é Jerusalém (terrestre) e que o templo será reconstruído naquela cidade para o cumprimento desta profecia. Enfrentam inúmeras dificuldades com esta interpretação, que descarta totalmente os limites de tempo encontrados do começo ao fim do Apocalipse.
Outros acreditam que o Apocalipse foi escrito antes de 70 d.C. e que fala da destruição do templo e da cidade de Jerusalém pelos romanos. Citam Lucas 21:24, onde Jesus usou linguagem semelhante para falar sobre a destruição de Jerusalém. Uma vez que entendem a cidade literal, procuram uma explicação literal do tempo de 42 meses. Aqui a situação se complica. Frequentemente citam a duração da guerra entre os romanos e os judeus, dizendo que Nero enviou Vespasiano no início de 67 (fevereiro? – há dúvida sobre esta data) para vencer os judeus rebeldes e que o período de 42 meses termina com a destruição da cidade de Jerusalém em setembro de 70. Mas o exército romano não entrou em Jerusalém em 67. Vespasiano começou na direção de Jerusalém em 68, mas desistiu devido à morte de Nero. Tito cercou Jerusalém nos primeiros meses de 70, invadiu os muros por volta de abril ou maio, e destruiu a cidade em setembro. Assim, para dizer literalmente que calcaram aos pés a cidade literal de Jerusalém por 42 meses exige algumas explicações mais complicadas. Para defender esta posição é necessário, também, manter uma data para o Apocalipse antes de 70 d.C., contra outras evidências que ainda encontraremos.
O que é a cidade santa? Consideremos as evidências bíblicas. As expressões “cidade santa” ou “santa Cidade”, em si, aparecem onze vezes na Bíblia. Neemias 11:1 e 18 identificam a cidade física de Jerusalém. Daniel chamou Jerusalém de “santa cidade” (9:24). Isaías repreende o povo de Israel que profanaram o nome da “santa cidade” (48:2). Mais tarde ele fala de “Jerusalém, cidade santa” (52:1). Lendo o capítulo todo, percebemos a ênfase na restauração espiritual do reino de Cristo sobre seu povo, da salvação que vem pela pregação do evangelho. Mateus usa esta expressão duas vezes (4:5; 27:53) para identificar a cidade literal de Jerusalém. As outras ocorrências se encontram no Apocalipse – aqui em 11:3, e algumas outras vezes no final do livro. Em 21:2, 10 e 22:19, ele claramente descreve o povo espiritual de Deus, a nova Jerusalém que desce do céu. Outras expressões semelhantes ajudam a entender este sentido espiritual. Apocalipse 3:12 fala da presença eterna do vencedor no “santuário do meu Deus” e na “cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu”. Paulo disse que a nossa mãe é a Jerusalém livre lá de cima e não a “Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos” (Gálatas 4:25-26). O autor de Hebreus disse: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial... e igreja dos primogênitos arrolados nos céus” (Hebreus 12:22-23).
Entendendo este sentido de Jerusalém espiritual ou celestial, como podemos entender estes primeiros versículos do capítulo 11. João mede o santuário de Deus, mostrando a intenção do Senhor de proteger o seu povo, mas ainda diz que a cidade santa será pisada pelos gentios durante três anos e meio. O povo fiel seria protegido, mesmo deixando a igreja ser perseguida por um período (serão perseguidos por terem rejeitado a salvação e darão suas próprias vidas em amor a Cristo durante o Período de Tribulação). Podem afligir a igreja, e até matar os corpos dos fiéis, mas não atingirão os espíritos dos verdadeiros adoradores. “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma” (Mateus 10:28). A igreja pode ser calcada aos pés pelos perseguidores, mas eles nunca chegarão a destruir o santuário em si onde os sacerdotes adoram a Deus.
Aqui está claro que Deus faz uma clara divisão entre os verdadeiros crentes e os que são apenas nominalmente. (ver Is.29:13; Mt.15:8,9; Ap.2:9; 3:9).
A “cidade santa” é a Jerusalém espiritual, são os cristãos arrependidos que são “pisados”, ou seja, perseguidos durante “42 meses” que simbolicamente deve se referir a um intervalo de extensão que se estende da Primeira Vinda de Cristo até a sua Segunda Vinda.

O Trabalho, a Morte e a Ressurreição das Duas Testemunhas (11:3-13)
Apocalipse 11:3 – Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco.
Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias: A ordem vem de cima. As testemunhas profetizam pela autoridade de Deus.
Quem são as duas testemunhas? Comentaristas têm oferecido diversas respostas a esta pergunta. Alguns procuram personagens específicos, até sugerindo a volta à terra de pessoas do Velho Testamento (por exemplo, Moisés e Elias ou Enoque e Elias). Outros sugerem o Antigo e o Novo Testamentos. Alguns dizem que são a Lei (de Moisés) e os Profetas (veja Lucas 16:29,31; 24:27; Atos 13:15; 24:14; Romanos 3:21 e outras passagens que falam sobre a Lei e os Profetas, mas considere também comentários de Jesus mostrando que estas revelações do Antigo Testamento já seriam ultrapassadas pelo evangelho – Mateus 11:13; Lucas 16:16). Outras possibilidades incluem profetas e apóstolos (Lucas 11:49) ou o Espírito Santo e os apóstolos (João 15:26-27; Atos 5:32).
Por não ter uma identificação específica neste trecho, talvez a resposta melhor se encontra no próprio contexto. Os primeiros versículos do capítulo falaram sobre a igreja, o povo de Deus. Cristãos fiéis são descritos como testemunhas ou pessoas que dão testemunho em outros versículos do livro (2:13; 6:9; 12:11,17; 17:6; 19:10; 20:4).
O tempo do trabalho deles, 1.260 dias, é igual a 42 meses (11:2) ou três anos e meio (usando o calendário de 12 meses de 30 dias). Este período, a metade de sete anos, normalmente descreve um período de tribulação e sofrimento. Seria um trabalho difícil, cheio de angústia, mas seria temporário.
Na minha opinião o texto está se referindo à igreja que não fora arrebatada  juntamente com o povo de Israel que serão perseguidos durante a tribulação.
Vestidas de pano de saco: Pano de saco é a roupa de lamentação e angústia, sentimentos opostos à alegria (Salmo 30:11; 35:13; 69:11; Ezequiel 27:31; Joel 1:8). Jacó se vestiu de pano de saco quando lamentou a suposta morte de José (Gênesis 37:34). Quando Acabe ouviu a condenação de sua casa, ele se lamentou em pano de saco, um gesto de angústia e humildade (1 Reis 21:27-29). Pano de saco acompanha o arrependimento em várias outras citações bíblicas (Neemias 9:1-2; Jonas 3:6-8; Mateus 11:21; Lucas 10:13). Ezequias se vestiu de pano de saco quando buscou a libertação de Jerusalém diante da ameaça assíria (2 Reis 19:1-3). O pano de saco das duas testemunhas sugere a mensagem difícil e a lamentação delas em pronunciar a mensagem do Senhor, uma mensagem que certamente condenava os perversos.
Devemos interpretar as “Duas Testemunhas” aqui de maneira simbólica para não incorrermos em erros grosseiros de interpretação.
As “Duas Testemunhas” representam a Igreja de Cristo em sua totalidade que proclama o Evangelho ao mundo e sofre perseguição por isso. Tanto o povo gentio, quanto os judeus formão uma só família escolhida por Deus e estas “testemunhas” devem pregar ao mundo a Palavra de Deus (v.9), mesmo que isto os levem à morte.
Vestir pano de saco (de pelos de camelo ou cabritos) conclama o povo ao arrependimento, pois o juízo de Deus é eminente. Esse é o período da Grande Comissão, tanto a Igreja quanto Israel até a consumação dos séculos (Mt.28:19-20).
Porque assim não dizer também que as “Duas Testemunhas” constituem algo que pode continuar existindo na presença de Deus, e ser ao mesmo tempo atacado na Terra. A interpretação pode estar se referindo de que as ‘testemunhas’ são a Palavra de Deus – o Antigo e o Novo testamentos pois ambos são importante testemunhas quanto à origem e à perpetuidade da lei de Deus. Ambos são também testemunhas do plano da salvação. Os tipos, sacrifícios e profecias do Velho Testamento apontam para um Salvador por vir. Os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento falam acerca de um Salvador que veio exatamente da maneira predita pelas profecias, e a Palavra de Deus é viva, eficaz e permanece para sempre, independente dos acontecimentos vindouros.

Apocalipse 11:4 – São estas as duas oliveiras e os dois candeeiros que se acham em pé diante do Senhor da terra.
São estas as duas oliveiras e os dois candeeiros que se acham em pé diante do Senhor da terra: Esta linguagem nos lembra da visão de Zacarias 4 (leia o capítulo). As duas oliveiras que alimentavam de azeite o candelabro são identificados como “os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a terra” (4:14). No Velho Testamento, sacerdotes e reis foram ungidos (Levítico 8:12,30; 1 Samuel 10:1; 16:1,13). No Novo Testamento, os cristãos são o “reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai” (1:6), o “sacerdócio real” (1 Pedro 2:9). Apoiando a interpretação das duas testemunhas como a igreja é a expressão acrescentada aqui, “os dois candeeiros”. No Apocalipse, os candeeiros representam as igrejas (1:20). Os candeeiros no templo sempre ficavam acesos diante de Deus, como os cristãos brilham diante do Senhor como a luz do mundo (Mateus 5:14-16; Efésios 5:8;1 Tessalonicenses 5:5).

Apocalipse 11:5 – Se alguém pretende causar-lhes dano, sai fogo da sua boca e devora os inimigos; sim, se alguém pretender causar-lhes dano, certamente, deve morrer.
Se alguém pretende causar-lhes dano: Agora entram os perseguidores, aqueles que queriam causar danos aos servos de Deus.
Sai fogo da sua boca e devora os inimigos: É uma visão num livro que emprega uma grande variedade de símbolos. O fogo da boca das testemunhas não é literal, mas representa o poder dos servos de Deus de persistir no seu trabalho, apesar da oposição dos inimigos. A figura nos lembra de vários profetas do Velho Testamento. Moisés e Arão enfrentaram seus adversários no Egito com uma série de pragas devastadoras (Êxodo 7-12). Quando Acazias, rei de Israel, tentou prender Elias, fogo desceu do céu e consumiu os soldados do rei (2 Reis 1:1-14). Os servos de Nabucodonosor que tentaram matar os amigos de Daniel foram consumidos pelo fogo da fornalha (Daniel 3:19-22). Deus está com as testemunhas e lhes dará a vitória. Os adversários devem morrer. Sabemos que a perseguição começou pouco tempo depois do início da igreja. Alguns discípulos foram presos, e alguns morreram (Estêvão – Atos 7; Tiago – Atos 12; etc.). Mas o trabalho da divulgação do evangelho continuou praticamente sem empecilho, e a palavra circulou pelo mundo inteiro nas primeiras três décadas (veja Colossenses 1:23), mas virá tempo em que falar de Deus será proibido pelo mundo todo.
Vs.5,6 – As “testemunhas” de João carregam características dos profetas do Antigo Testamento, o “fogo que sai da boca” revela que a Palavra de Deus não pode ser detida, é um testemunho do qual os que ouvem e não se arrependem não podem escapar. (Jr.5:14; 23:29)
Aqui temos também uma comparação das “testemunhas” do apocalipse com os profetas Elias (1Rs.17:1) e Moisés (Êx.7:17,19,20), nessa comparação vemos que Deus responde a oração da sua Igreja (Tg.5:16,17; Mt.17:20; 1Co.13:2). A Igreja do Senhor possui o poder da oração quando suplica a Deus para que ele intervenha com juízo. (Ap.6:10; Dt.32:35)

Apocalipse 11:6 – Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não chova durante os dias em que profetizarem. Têm autoridade também sobre as águas, para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda sorte de flagelos, tantas vezes quantas quiserem.
Elas têm autoridade para fechar o céu: Como fez Elias durante o reinado de Acabe (1 Reis 17:1; Tiago 5:17-18).
Têm autoridade também sobre as águas, para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda sorte de flagelos: Como fizeram Moisés e Arão no Egito (Êxodo 7-12).
Deus equipa seus servos com poder para vencer os inimigos. Deus agiu durante o ministério dos apóstolos através de milagres que demonstraram o poder divino e confundiram os inimigos (Atos 5:17-21; 12:6-24; 16:23-26; 19:13-17). Paulo cegou Elimas, um “inimigo de toda a justiça” (Atos 13:9-11) e expulsou o espírito adivinhador da jovem em Filipos (Atos 16:16-18). O período apostólico foi caracterizado pelo crescimento do evangelho: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (Atos 4:33). “Crescia a palavra de Deus” (Atos 6:7). “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevaleceu poderosamente” (Atos 19:20). O maior poder dado aos discípulos vem da própria palavra pregada. O evangelho “é o poder de Deus para a salvação” (Romanos 1:16). As armas espirituais são “poderosas em Deus, para destruir fortalezas...e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (2 Coríntios 10:3-6). A palavra de Deus é “a espada do Espírito”, usada “contra as forças espirituais do mal” (Efésios 6:10-17). Esta espada é “mais cortante do que qualquer espada de dois gumes” (Hebreus 4:12).
Elas têm poder para fechar o céu, para que não chova durante os dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem.

Apocalipse 11:7 – Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará,
Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar: Este trecho obviamente não fala do término final da missão da igreja, pois já usou a figura de um período curto (1.260 dias). Chegando ao ponto determinado por Deus, e tendo cumprido a sua responsabilidade de testemunhar, Deus permitiria que a cena continuasse. Embora tenhamos sempre trabalho para fazer, é possível encerrar uma determinada missão (Lucas 10:10-12; Atos 13:46-47). Deus determinou uma missão de tempo limitado para os seus servos, e deixou o inimigo mostrar seu poder limitado somente quando a missão fosse encerrada.
A besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá e matará: Esta besta se tornará importante nos próximos capítulos. Ela sobe do mar (13:1) ou do abismo (11:7; 17:8) e peleja contra os santos e os vence (13:7). Mas a sua vitória não é final nem completa, pois será vencida pelo Cordeiro e seus servos (17:12-14). Aqui, porém, a besta aparece e, por enquanto, vence as testemunhas do Senhor.
A era do evangelho, contudo, chegará ao final (Mt 24.14). A Igreja, como poderosa organização missionária, fin­dará seu testemunho. A besta que sobe do abismo, isto é, o mundo anticristão, movido pelo inferno, pelejará contra a Igreja e a destruirá. Assim, logo antes da segunda vinda, o cadáver da Igreja, cujo testemunho oficial e público foi silenciado e sufo­cado pelo mundo, está tombado na praça da grande cidade. Esta é a praça da Jerusalém imoral e anticristã. Jerusalém crucificou o Senhor. Por causa de sua imoralidade e perseguição dos san­tos ela se tornou, espiritualmente, como Sodoma e Egito (cf Is 1.10; 3.9; Jr 23.14; Ez 16.46). Tornou-se símbolo da Babilônia e da totalidade do mundo imoral e anticristão.
Nos dias de hoje podemos encontrar muitas igrejas mortas no meio deste mundo, elas não mais existem como instituição de influência e de poder missionário! Seus líderes estão mortos e sua voz foi silenciada. Uma prefiguração dos últimos tempos, mas com uma diferença: Na tribulação a igreja dará sua vida por amor a Cristo. A igreja será perseguida, mas os que morrerem morrerão por amor a sua Palavra.

Apocalipse 11:8 – e o seu cadáver ficará estirado na praça da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado.
E o seu cadáver ficará estirado na praça: O cadáver (cadáveres – 11:9) das testemunhas não é tratado com nenhum respeito pela besta e seus servos. Os corpos ficam na rua como troféus da vitória sobre os fiéis (veja o desrespeito mostrado pelos filisteus quando mataram Saul – 1 Samuel 31:8-10). Aqueles que morreram pelas mãos do anticristo estarão expostos para todos verem.
Da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado: Este versículo é um dos mais polêmicos do livro. Qual cidade? É uma cidade específica, ou linguagem que representa algo maior? Claramente a descrição usa linguagem simbólica, pois qualquer interpretação literal cairia em diversas contradições. Sodoma foi destruída há milhares de anos. Egito é um país, não apenas uma cidade. Jesus foi crucificado em Jerusalém, nem em Sodoma e nem no Egito. Representam a soberba, o pecado e a idolatria.
Sodoma e Egito aparecem somente neste versículo no livro do Apocalipse, mas são citados frequentemente em outros livros da Bíblia. Sodoma e Egito – “Símbolos de degeneração moral e de desafio aos mandamentos de Deus.
Vamos ver o significado destes lugares:
Sodoma: Depois de sua destruição (Gênesis 19), Sodoma serve como exemplo de destruição e castigo divino, ou de pecado aberto e perversidade exagerada. “...como Sodoma, publicam o seu pecado e não o encobrem. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos” (Isaías 3:9). “Porque maior é a maldade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, que foi subvertida como num momento, sem o emprego de mãos nenhumas” (Lamentações 4:6). “...como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição” (Judas 7). Veja também: Deuteronômio 32:32-33; Isaías 1:9-10. Sodoma seguramente representa pecadores que merecem castigo.
Egito: Muitas citações bíblicas referem-se à nação ou à terra do Egito. Quando usado simbolicamente, o Egito sugere pecado, idolatria, imundícia, escravidão e rejeição de Deus. Quando o povo de Israel chegou à terra prometida e fez a circuncisão dos homens, Deus disse: “Hoje, removi o opróbrio do Egito” (Josué 5:9). A terra do Egito foi conhecida como a casa da servidão (Josué 24:17; Judas 5), uma figura empregada no Novo Testamento para descrever a escravidão ao pecado (Atos 7:39-40; Hebreus 3:16 e, implicitamente, em 1 Coríntios 10:1). O Egito oprimiu o povo de Deus, e serve como uma figura apropriada dos perversos que oprimiam e perseguiam os cristãos na época de João.
Sodoma e Egito, então, representam as ideias de pecado, perversidade, rejeição de Deus e opressão dos fiéis. Resumindo, representam a sociedade ímpia que se colocou em oposição ao povo do Senhor, perseguindo os servos de Jesus. E a terceira descrição? O que quer dizer “onde também o Senhor foi crucificado”? Algumas pessoas, mesmo aceitando o significado simbólico de Sodoma e Egito, sugerem uma interpretação literal desta frase e concluem que Jerusalém fosse um dos principais objetos da ira de Deus no Apocalipse. É claro que Jesus foi crucificado em (ou perto de) Jerusalém. Mas, num sentido maior, ele foi crucificado pelo mundo – pelo povo ímpio – que não o aceitou. O relato do evangelho do mesmo autor destaca esta rejeição pelo mundo, não somente por Jerusalém: “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu” (João 1:10). É interessante observar que mais de um terço das ocorrências da palavra “mundo” na Bíblia todas se encontram nos livros de João. A vitória aparente do mal sobre Jesus trouxe tristeza aos discípulos e alegria ao mundo (João 16:19-20). O lugar onde o Senhor foi crucificado foi no mundo, no meio de uma sociedade rebelde que o rejeitou porque preferia permanecer nas trevas. A mesma sociedade que odiava o Mestre, também odiaria os discípulos: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (João 15:18). Regozijaram-se na vitória aparente sobre Jesus, e fariam uma grande festa quando vencerem, aparentemente, as testemunhas dele. Mas nenhuma das duas vitórias foi real.

Apocalipse 11:9 – Então, muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações contemplam os cadáveres das duas testemunhas, por três dias e meio, e não permitem que esses cadáveres sejam sepultados.
Muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações contemplam os cadáveres das duas testemunhas: Pessoas de todas as nações, ou seja, pessoas do mundo em geral, contemplam os corpos mortos das testemunhas do Senhor. A descrição usada aqui é quase a mesma encontrada algumas outras vezes no livro para identificar a sociedade em geral, ou as pessoas de diversas nações. A grande multidão que adora a Deus diante do trono vem de “todas as nações, tribos, povos e línguas” (7:9). João foi encarregado de profetizar “a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis” (10:11). A meretriz Babilônia se assenta sobre “povos, multidões, nações e línguas” (17:15). Esta linguagem denomina as pessoas do mundo ou da sociedade em geral. Algumas dessas pessoas aceitam as bênçãos que vêm pelo descendente de Abraão e, assim, fazem parte da multidão de adoradores diante do trono. Outras seguem a meretriz e se regozijam com as vitórias passageiras sobre os servos do Senhor. Muitos (mas não todos – 7:9) dentre os povos olham para os corpos dos servos mortos.
Por três dias e meio: Não há dúvida. Estão mortas. Os corpos já estariam com o mal cheiro da decomposição. Mas há mais aqui. Três dias e meio, a metade de sete dias, novamente representa um período curto, um tempo de angústia para os fiéis que sofrem das perseguições, ou seja metade dos últimos 7 anos de tribulação que a igreja será perseguida até a morte. Mas, a “vitória” da besta não dura por muito tempo. Somente as pessoas com miopia espiritual serão enganadas por esta falsa vitória.
E não permitem que esses cadáveres sejam sepultados: Os ímpios querem o proveito máximo desta “vitória” sobre os servos de Deus. Deixam os corpos expostos para mostrar o seu poder sobre os justos. O que eles não entendem, ainda, é que a morte não é o fim para os servos de Deus. Os vencedores não sofrem “dano da segunda morte” (2:11). Também não entendem como o orgulho da festa desta falsa vitória ajudará a salientar a vitória verdadeira dos servos do Senhor. O que acontecerá nos versículos 11 e 12 será visível a todos!
O mundo como inimigo da Igreja do Senhor (Ap.10:11; 13:7; 14:6; 17:15), comemora a “morte” da Noiva de Cristo, essa comemoração de triunfo sobre o povo de Deus é muito curta, são apenas três dias e meio. A Igreja com a mensagem do Evangelho é um tormento para consciência daqueles que não se arrependeram de seus pecados.

Apocalipse 11:10 – Os que habitam sobre a terra se alegram por causa deles, realizarão festas e enviarão presentes uns aos outros, porquanto esses dois profetas atormentaram os que moram sobre a terra.
Os que habitam sobre a terra se alegram por causa deles: Quando a besta mata os servos do Senhor, os ímpios fazem a festa. A prática de enviar presentes é uma maneira de expressar alegria em ocasiões especiais (Neemias 8:9-10). Aqui, os perversos fazem uma festa de vitória. Há uma verdadeira guerra, uma luta entre o bem e o mal, e os malfeitores se regozijam com qualquer vitória, mesmo de pouca duração, sobre o bem. Frequentemente, os ímpios acham que suas “vitórias” servem para libertar pessoas oprimidas por regras desnecessárias de religiões ultrapassadas. Oferecem a liberdade para satisfazer qualquer desejo sexual, ou a liberdade para tirar a vida de crianças antes de elas nascerem, ou a liberdade para exigir o respeito de outros mesmo quando praticam coisas que desprezam os princípios de decência daqueles que seguem a Deus. Prometem liberdade, mas são escravos da corrupção (2 Pedro 2:19).
Porquanto esses dois profetas atormentaram os que moram sobre a terra: Aqui revela o motivo do assassinato. Os dois profetas atormentaram os ímpios. Como? Eles pregaram a verdade! A palavra de Deus atormenta os malfeitores, tirando o sossego daqueles que recusam se submeterem ao Senhor. Este é o lado amargo da pregação do evangelho. Por isso, os pregadores fiéis são odiados pelo mundo (Mateus 10:22). Paulo sofreu perseguições e avisou que os piedosos seriam perseguidos por homens perversos (2 Timóteo 3:10-13).

Apocalipse 11:11 – Mas, depois dos três dias e meio, um espírito de vida, vindo da parte de Deus, neles penetrou, e eles se ergueram sobre os pés, e àqueles que os viram sobreveio grande medo;
Depois dos três dias e meio, um espírito de vida, vindo da parte de Deus: Foram três anos e meio de profecia e três dias e meio de falsa vitória dos ímpios antes da vitória real das testemunhas de Deus. O Senhor manda um espírito de vida, pois ele é a verdadeira e única fonte de vida. Um tema constante nas Escrituras é o contraste entre a vida e a morte (Deuteronômio 30:15; Mateus 7:13-14; etc.). A vida é sempre ligada a Deus, e a morte sempre ligada ao pecado. A palavra vida aparece mais nos livros de João do que nos escritos de qualquer outro autor no Novo Testamento. João emprega esta palavra com um rico significado espiritual, a partir do prólogo de seu evangelho: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (João 1:4). A vida própria é uma qualidade divina: “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo” (João 5:26). Jesus oferece a vida aos homens, dizendo: “Eu sou o pão da vida” (João 6:48) e oferecendo a água viva (João 4:10-11). Acrescenta: “Eu lhes dou a vida eterna” (João 10:28) e “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25). Resumindo o seu papel essencial para a salvação dos homens, ele diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Na sua primeira carta, João descreve Jesus como o “Verbo da vida” (1:1) e o identifica como “a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada” (1:2). Sem o Pai e o Filho, a vida se torna impossível: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (5:11-12). Ele disse que Jesus “...não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2 Timóteo 1:10).
A vida vem de Deus.
Neles penetrou, e eles se ergueram sobre os pés: O espírito de vida enviado por Deus ressuscitou as testemunhas. A vitória da besta e dos perversos acabou! Que conforto aos discípulos do Senhor na Ásia ou em outros lugares onde a perseguição ameaçava matá-los! Poderiam até morrer, mas a morte não teria a vitória final sobre os fiéis. Eles são e sempre serão os vencedores (2:11). Este versículo serve para encorajar os servos de Deus em qualquer época, enfrentando qualquer ameaça do inimigo. Podem sofrer; podem até morrer. Mas, no final, ficarão de pé, vitoriosos!
E àqueles que os viram, sobreveio grande medo: A festa acabou! A vitória dos ímpios não durou, era falsa. Agora os perversos percebem que seu adversário é realmente invencível. Nem a morte segura os servos de Jesus! “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?.... Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:55-57). Os perseguidores têm todo motivo para sentir medo. Perderão!

Apocalipse 11:12 – e as duas testemunhas ouviram grande voz vinda do céu, dizendo-lhes: Subi para aqui. E subiram ao céu numa nuvem, e os seus inimigos as contemplaram.
As duas testemunhas ouviram grande voz vinda do céu, dizendo-lhes: Subi para aqui: Mais uma grande voz. As testemunhas ouviram esta voz, mas não sabemos se os adversários a ouviram. A voz chamou os servos vitoriosos a subirem para o céu. Missão cumprida!
E subiram ao céu numa nuvem: As testemunhas, depois de sua ressurreição, subiram como Jesus subiu (Atos 1:9). No Arrebatamento, os fiéis subirão “entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares” (1 Tessalonicenses 4:17).
E os seus inimigos as contemplaram: Que cena triste para os inimigos de Deus. As testemunhas, não contidas pela morte, agora somem de vez. A besta que surgiu do abismo e parecia tão forte se mostra incapaz de vencer os servos de Deus. O resto do livro mostrará, com mais detalhes, esta certeza da vitória dos fiéis sobre seus adversários ímpios. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 João 5:4-5).
 “Como Jesus morreu nas mãos dos ímpios, assim morrerão seus servos. Como Jesus ressuscitou dentre os mortos, assim ressuscitarão seus servos. Como Jesus subiu ao céu e uma nuvem o encobriu dos apóstolos (At.1:9), assim seus servos subiram numa nuvem à vista de seus inimigos”.

Apocalipse 11:13 – Naquela hora, houve grande terremoto, e ruiu a décima parte da cidade, e morreram, nesse terremoto, sete mil pessoas, ao passo que as outras ficaram sobremodo aterrorizadas e deram glória ao Deus do céu.
Naquela hora, houve grande terremoto: Houve grande terremoto, e ruiu a décima parte da cidade, e morreram, nesse terremoto, sete mil pessoas: Já encontramos terremotos como símbolos do castigo divino. Este terremoto afeta a décima parte da cidade e causa a morte de 7.000 pessoas. Como as primeiras trombetas, este castigo também não é final e total, mas a retirada das testemunhas de Deus traz consequências graves para a cidade mundana, a sociedade dos ímpios. Grande terremoto – “Esse terremoto não é o final da História, porque ruiu apenas a décima parte da cidade. Deve ser entendido como o derramamento de um juízo parcial de Deus para conduzir os homens ao respeito de Sua Palavra”.
As outras ficaram sobremodo aterrorizadas e deram glória ao Deus do céu: Ficaram com medo, mas o texto não diz que se converteram. Nabucodonosor, impressionado com a interpretação do seu sonho por Daniel, reconheceu o Senhor como “o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis” (Daniel 2:47) mas ainda fez a sua imagem de ouro e exigiu que os homens a adorassem (Daniel 3) e se exaltou ao ponto de ser humilhado por Deus (Daniel 4). É possível dar glória a Deus sem se converter a ele.
Agora volta-se o olhar para o que vai acontecer com o mundo ímpio antes do Juízo Final. O terremoto (símbolo de Juízo, Ap.6:12) golpeia uma parte dos ímpios e o restante dos ímpios vão dar glória a Deus, mas essa fala dos pecadores não é fruto de verdadeiro arrependimento, mas de medo do juízo que já está certo sobre suas vidas. Enquanto a Igreja proclama a Palavra de Deus, há tempo para a salvação, mas quando o Juízo Final for instaurado não haverá mais nenhuma possibilidade para isso. (Ap.19:11-21).

Apocalipse 11:14 – Passou o segundo ai. Eis que, sem demora, vem o terceiro ai.
O fim do primeiro “ai” foi em Ap.9:12 e aqui está o fim do segundo “ai”, agora começa o relato do significado do terceiro “ai” a sétima trombeta, o Juízo Final.

QUEM SÃO AS DUAS TESTEMUNHAS
Segundo alguns estudiosos estas duas testemunhas podem ser:

ELIAS – Esta testemunha teria o “poder para fechar o céu, para que não chova durante os dias da sua profecia; ...” Apocalipse 11:6 (primeira parte). Comparar com I Reis 17:1 – “Então Elias, o tisbita, que habitava em Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor, Deus de Israel, em cuja presença estou, que nestes anos não haverá orvalho nem chuva, senão segundo a minha palavra.” O profeta Elias tenazmente combateu a idolatria e a adoração aos falsos deuses.

MOISÉS – Esta testemunha teria o poder “sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem.” Apocalipse 11:6 (última parte). Comparar com Êxodo 7:19 – “Disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão: Toma a tua vara, e estende a mão sobre as águas do Egito, sobre as suas correntes, sobre os seus rios, e sobre as suas lagoas e sobre todas as suas águas empoçadas, para que se tornem em sangue; e haverá sangue por toda a terra do Egito.” O profeta Moisés recebeu as duas tábuas da LEI (Dez Mandamentos), escritas pelo próprio dedo de Deus e durante a sua vida defendeu o seu cumprimento. Moisés morreu, mas seu corpo nunca foi encontrado (Deut.34:6) e segundo a Bíblia o próprio Deus o enterrou.  No livro de Judas está escrito que satanás lutou com o anjo Gabriel pelo corpo de Moisés.

ENOQUE – Enoque andou com Deus e o Senhor o tomou para si, tipificando na pessoa de Enoque o arrebatamento da Igreja.

A PALAVRA DE DEUS – Simbolizando as testemunhas através do Velho e Novo testamento, os profetas e os apóstolos ou o Povo Judeu e a Igreja de Cristo.

Conclusão
Este texto bíblico deixa muito claro, portanto, que entre os toques da sexta trombeta (segundo “ai”) e a sétima trombeta (terceiro “ai”), haveria um período de espera. Tudo se encaixa perfeitamente, pois, de acordo com Apocalipse 10:11, haveria um tempo em que o remanescente povo de Deus receberia a incumbência de profetizar novamente a muitos povos, e nações, e línguas, e reis.

Durante esse período de espera, fatos de grande relevância deveriam ocorrer, os quais teriam como objetivo sinalizar o breve retorno de nosso Senhor Jesus Cristo.

A segunda parte do capítulo 11 do livro de Apocalipse (ver Apocalipse 11:15-19) faz referência às majestosas cenas que ocorrerão ao toque da sétima trombeta. Ela anunciará a queda de todos os reinos do mundo e a tão esperada volta de Cristo. Esta é a maravilhosa e inconfundível certeza: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos.” Apocalipse 11:15.

No auge da última e decisiva guerra do Armagedom (sexta praga), todos os inimigos de Deus serão aniquilados e os reinos do mundo serão entregues ao nosso Senhor Jesus Cristo. O Apocalipse confirma a presença e atuação do dragão, da besta e do falso profeta nesta última batalha (Apocalipse 16:13 e 14; 19:11-21).

O apóstolo Paulo diz: “Eis aqui vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis. E nós seremos transformados.” I Coríntios 15:51 e 52.

Aos tessalonicenses o apóstolo Paulo tem declarado o seguinte: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.” I Tessalonicenses 4:16.

Portanto, ao soar a última trombeta, os justos mortos serão ressuscitados e os justos vivos serão transformados.

O profeta Daniel assim descreve esse grandioso evento, ao revelar o sonho do rei Nabucodonosor:

“Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se podia achar nenhum vestígio deles; a pedra, porém, que feriu a estátua se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra. ...Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre.” Daniel 2:34, 35 e 44.

Diz também a Palavra de Deus que, ao soar a sétima trombeta “abriu-se o santuário de Deus que está no céu, e no seu santuário foi vista a arca do seu pacto; e houve relâmpagos, vozes e trovões, e terremotos e grande saraiva.” Apocalipse 11:19. Esta cena é descrita novamente quando o sétimo anjo derramar a sua taça no ar: “...e saiu uma grande voz do santuário, da parte do trono, dizendo: Está feito. E houve relâmpagos e vozes e trovões; houve também um grande terremoto, qual nunca houvera desde que há homens sobre a terra, terremoto tão forte quão grande; ...e sobre os homens caiu do céu uma grande saraivada, pedras quase do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraivada, porque a sua praga era mui grande.” Apocalipse 16:17-21.

Os textos de Apocalipse 11:19 e Apocalipse 16:17-21 tratam do mesmo evento. Ao som da sétima trombeta dar-se-á a volta de nosso Senhor Jesus, a queda total das nações, a recompensa dos santos e a implantação do Reino Milenar de Cristo.

OUTRAS INTERPRETAÇÕES
Quem são as duas testemunhas apresentadas no livro do Apocalipse, capítulo 11 e o que revelam as Escrituras Sagradas quanto ao contexto histórico ao qual estão inseridas?

Algumas respostas apresentam que as cenas que estão descritas na primeira parte do capítulo 11 do livro de Apocalipse (ver Apocalipse 11:1-14) é uma continuação do período histórico da sexta trombeta. O texto faz referência ao último período profético, quando ocorreram as mais cruéis perseguições contra o povo de Deus (ver Apocalipse 11:2 e 3). Durante este período a Palavra de Deus descreve a exaltação das duas testemunhas. Elas iniciaram o seu testemunho em 538 d.C., quando o povo de Deus foge para o deserto, e terminaram em 1798 d.C., data em que houve o aprisionamento do líder da igreja romana. A respeito desse período é nos dito o seguinte: “E concederei às minhas duas testemunhas que, vestidas de saco, profetizem por mil duzentos e sessenta dias” Apocalipse 11:3.

As ações do povo de Deus em defender os ensinamentos dos profetas e preservar a eterna lei do Senhor durante esse período, também conhecido como “idade média”, foram comparadas à atuação destas duas testemunhas, identificadas como “profetas”, conforme Apocalipse 11:10, as quais no passado atormentaram os habitantes da terra. Não foi por um acaso que as duas testemunhas tiveram destaque durante o ministério de Jesus, ao serem vistas por três de Seus apóstolos em uma visão do futuro reino milenar de Cristo (ver Mateus 16:28; 17:1, 3 e 9). Com os mesmos ideais que as duas testemunhas tiveram quando enalteceram a eterna lei de Deus e quando combateram a idolatria, assim também o povo de Deus prossegue anunciando o verdadeiro Evangelho aos que habitam sobre a Terra.
Outra interpretação está no livro “O Grande Conflito” de Ellen , baseado em Apoc. 11:19 “Abriu-se o santuário de Deus que está no céu, e no seu santuário foi vista a arca do seu pacto; e houve relâmpagos, vozes e trovões, e terremoto e grande saraivada”.
Abriu-se o santuário – “As palavras de São João no sentido de que ‘abriu-se… o santuário de Deus, que se acha no Céu, e foi vista a arca da aliança no Seu santuário’, descrevem o lugar santíssimo, pois era ali que a arca estava. Foi ali que Jesus entrou ao se cumprirem os 2.300 dias, em 1844, o que nos permite entender que a partir dessa época entramos no período da sétima trombeta. Quando Cristo sair do lugar santíssimo, terão terminado o juízo investigativo, Sua obra mediadora e o tempo da graça, e terão lugar as bodas do Cordeiro.” – SRA/EP, p. 134.
“O começo do julgamento que precede o Segundo Advento. …’A arca do concerto de Deus está no santo dos santos, ou lugar santíssimo, que é o segundo compartimento do santuário. No ministério do tabernáculo terrestre, que servia como ‘exemplar e sombra das coisas celestiais’, este compartimento se abria somente no grande dia da expiação, para a purificação do santuário. Portanto, o anúncio de que o templo de Deus se abrira no Céu, e de que fora vista a arca de Seu concerto, indica a abertura do lugar santíssimo do santuário celestial, em 1844, ao entrar Cristo ali para efetuar a obra finalizadora da expiação. Os que pela fé seguiram seu Sumo sacerdote, ao iniciar Ele o ministério no lugar santíssimo, contemplaram a arca de Seu concerto. Como houvessem estudado o assunto do santuário, chegaram a compreender a mudança operada no ministério o Salvador, e viram que Ele agora oficiava diante da arca de Deus, pleiteando com Seu sangue em favor dos pecadores.” – O Grande Conflito, p. 433.
Outra mais recente interpretação baseada  no Livro de Daniel 8:9-16, onde fala sobre o “peque no chifre”  interpretam que este evento também se refere aos 2300 dias. O pequeno chifre não é Epifânio, o imperador de Roma, mas o surgimento do Império Romano em 280 a.C que são as pernas da estátua de Nabucodonozor (visão do livro de Daniel) e que este chifre cresce para o sul indicando a Grécia se expandindo por toda a Europa, indo ao oriente até a terra formosa (Jerusalém), isto é, os romanos declarando guerra contra os gregos que se iniciou em 280 a.C. e terminara em 272 a.C. que matematicamente associado ao ano de 2020 soma-se os 2300 dias ou em anos conforme Ez.4:6, Num.14:34. Esta interpretação ainda sugere que o arrebatamento da igreja acontecerá no mês de Nisã, ou seja, no mês de Abril, na primavera (Cant.2:11-13) onde Jesus virá buscar sua noiva, o filho varão (a Igreja) conforme Gn 18 e Ap.12:5. No ano 280 a.C. também foi feito a primeira tradução da Bíblia do hebraico para o grego que se chamou Septuaginta, se referindo as duas testemunhas segundo estas interpretações. Segundo esta interpretação o arrebatamento acontecerá em 08 de abril de 2020. (280 + 2020 = 2300).
Após as duas testemunhas serem exaltadas nos é dito: “E passado o segundo ai; o terceiro ai cedo virá.” Apocalipse 11:14.

Observação:
 Se estas interpretações forem verdadeiras então estamos vivendo o Período da Tribulação, e o que dizer então da visão que João teve das 7 Igrejas (Apoc. 2-3), visto que depois desta visão, no Cap.4:1, o Apóstolo é levado para o céu e uma voz lhe diz que mostrará o que deve acontecer depois destas coisas, que no meu entender  depois desta coisas”, estava se referindo as coisas que deveriam acontecer depois do arrebatamento da igreja, fatos estes que ocorrerão depois do período das 7 Igrejas aqui na terra. Como ainda estamos vivenciando este Período da Era da Igreja, só posso discordar com esta teoria, e se de fato estamos vivendo o Período da Tribulação, então o Arrebatamento da Igreja já aconteceu. A pergunta que fica então é: Em que período descrito no Livro de Apocalipse estamos vivendo então???







segunda-feira, 27 de abril de 2020

A P O C A L I P S E / ISRAEL PROTEGIDO 3 - CAP. 10


UM PEQUENO LIVRO   -   APOCALIPSE 10

Em Apocalipse 10 temos um outro intervalo na narrativa do juízo de Deus sobre os incrédulos. Aqui, João vê um poderoso Anjo segurando um pequeno rolo.
Este, provavelmente é o mesmo rolo que João vê em Apocalipse 5. O diminutivo que aparece aqui, de acordo com os intérpretes não é utilizado por João para caracterizar um outro rolo, mas o mesmo.
Este rolo é o elo entre o capítulo 10 e o 11, isto porque, ao que tudo indica o rolo tem o conteúdo do evangelho de Jesus Cristo, que a Igreja anuncia desde a sua ascensão ao céu, e que durante o período da tribulação este Evangelho será pregado para conversão do povo judeu (Apocalipse 11:3-7).
A ordem de Jesus na grande comissão, é a de que nos sejamos testemunhas de Sua Palavra e a anunciemos por todo o mundo, antes que chegue o fim das eras (Mateus 28:19-20).
As duas testemunhas que aparecem no capítulo 11, são uma representação da Igreja, em sua missão eles proclamam a verdade do Evangelho em meio a rejeição (Apocalipse 11:3). Isto é, o Evangelho que será pregado no período da tribulação pelos cristãos que não foram arrebatados, e possivelmente este Evangelho converterá os judeus que desacreditavam do Messias.
Muitos acreditam que o período em que eles anunciam o Evangelho, é entre a sexta e última trombeta, mas provavelmente refere-se a todo o tempo retratado pelo livro, isto é, da ascensão  de Jesus até a Sua volta, na ocasião de sua segunda vinda, incluindo então também o período da tribulação. A interpretação ganha força, porque a João é ordenado comer o rolo, e a descrição é que ele é amargo no estômago e doce na boca.
Esta é missão da Igreja e é por isso que João estava preso em Patmos, por causa da pregação do Evangelho.
Novamente, uma série de sete é interrompida por um intervalo. Entre o sexto e o sétimo selos, houve um intervalo para assegurar os fiéis da proteção divina (capítulo 7). Agora, entre a sexta e a sétima trombetas, Deus oferece outras mensagens de consolação aos seus servos numa série de cenas no intervalo nos capítulos 10 e 11.

Esboço de Apocalipse 10: Os Sete Trovões e o Livrinho 
10:1 – 4  Um anjo poderoso
10:5 – 7  A mensagem do anjo
10:8 – 11  O pequeno rolo e seu propósito

Apocalipse 10:1 – 4  Um anjo poderoso
Apocalipse 10:1  - Vi outro anjo forte, descendo do céu, envolto em nuvem, com o arco-íris acima de sua cabeça; o rosto era como o sol, e as pernas, como colunas de fogo;
Vi outro anjo forte descendo do céu: Três anjos fortes aparecem no Apocalipse. O primeiro procurou alguém para abrir o livro que estava na mão direita de Deus (5:2). O terceiro anunciará, com um gesto dramático, a queda da Babilônia (18:21). O segundo, aqui no capítulo 10, desce com a glória do céu trazendo um livrinho aberto e as vozes dos sete trovões.
Alguns comentaristas acreditam que este anjo forte seja o próprio Jesus, pois algumas características nos lembram a descrição de Jesus no capítulo 1. Embora não haja provas desta interpretação, claramente o anjo forte vem do céu com a glória celestial e traz a revelação de Deus.
Envolto em nuvem: Desde a primeira vez que nuvens aparecem na Bíblia (Gênesis 9:13-16), há uma forte ligação entre elas e as demonstrações da glória e poder de Deus. Nuvens são citadas mais de cem vezes no Velho Testamento, frequentemente em relação a aparições de Deus ou demonstrações do poder de Deus. Considere alguns exemplos: “O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho” (Êxodo 13:21). “Disse o SENHOR a Moisés: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo.... Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clamor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu” (Êxodo 19:9,16). “E a glória do SENHOR pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; ao sétimo dia, do meio da nuvem chamou o SENHOR a Moisés” (Êxodo 24:16). “Então, disse Salomão: O SENHOR declarou que habitaria em nuvem espessa!” (2 Crônicas 6:1). Nuvens representam a justiça de Deus e a sua vinda para julgar: “Nuvens e escuridão o rodeiam, justiça e juízo são a base do seu trono” (Salmo 97:2). “Sentença contra o Egito. Eis que o SENHOR, cavalgando uma nuvem ligeira, vem ao Egito...” (Isaías 19:1). “Eis o nome do SENHOR vem de longe, ardendo na sua ira, no meio de espessas nuvens; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como fogo devorador” (Isaías 30:27). Podemos ver a semelhança entre a descrição da vinda do anjo forte neste texto e a aparição da glória do Senhor em Ezequiel 1:4-5,26-28. Daniel descreveu uma das suas visões desta maneira: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem” (Daniel 7:13). Naum fala sobre a soberania de Deus: “O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés” (Naum 1:3).
A grande maioria dos mais de 20 versículos no Novo Testamento que usam esta palavra se refere, também, a Deus ou à manifestação de sua glória ou poder. No monte da transfiguração, “Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mateus 17:5). Quando Jesus profetizou a destruição de Jerusalém, e o final dos tempos ele disse: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mateus 24:30). Quando Jesus avisou o Sinédrio sobre o iminente julgamento dos judeus rebeldes, ele usou linguagem semelhante: “Eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64). Os fiéis encontrarão Jesus nas nuvens (1 Tessalonicenses 4:17). O Apocalipse abre com a aparição divina nas nuvens: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” (1:7).
Os outros aspectos da aparição deste anjo forte reforçam a origem celestial da sua mensagem:
Com o arco-íris por cima de sua cabeça: Deus usou o arco-íris para selar a sua aliança com os homens depois do dilúvio (Gênesis 9:12-13,16). Na visão de João do trono de Deus, houve um arco-íris ao redor do trono (4:3).
O rosto era como o sol: A luz brilhante da glória de Deus. A luz da presença de Deus é mais forte do que o próprio sol (Isaías 60:19-20). Malaquias mistura os temas de castigo e consolação quando nasce o sol da justiça: “Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas” (Malaquias 4:1-2). O brilho do sol é refletido nos servos do Senhor. “Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai” (Mateus 13:43; veja 2 Coríntios 3:18).
E as pernas, como colunas de fogo: A perna ou pé na descrição dos quatro seres viventes, ou querubins, na visão de Ezequiel, “luzia como o brilho de bronze polido” (Ezequiel 1:7; veja a descrição dos pés de Jesus em Apocalipse 1:15).

Apocalipse 10:2 – e tinha na mão um livrinho aberto. Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a terra,
Ele segurava um livrinho, que estava aberto em sua mão. Colocou o pé direito sobre o mar e o pé esquerdo sobre a terra,
E tinha na mão um livrinho aberto: Aqui, observamos algumas diferenças entre este livrinho e o livro do capítulo 5: 1. Este é um livrinho, mas Jesus recebeu um livro (maior) da mão de Deus.  O livrinho está na mão do anjo que desceu do céu, não na mão de Deus no trono. O livrinho está aberto e, assim, não precisa de uma pessoa “digna” para abri-lo; o livro estava selado com sete selos e podia ser aberto somente pelo Leão/Cordeiro.
Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a terra: Imagine o tamanho e o poder deste anjo forte! Pode colocar os pés sobre a terra e o mar, assim mostrando domínio sobre o mundo inteiro. Deus nos lembra que o anjo dele tem poder superior a toda a força de Satanás e de seus servos.

Apocalipse 10:3 – e bradou em grande voz, como ruge um leão, e, quando bradou, desferiram os sete trovões as suas próprias vozes.
Deu um alto brado, como o rugido de um leão. Quando ele bradou, os sete trovões falaram, desferiram os sete trovões as suas próprias vozes.
E bradou em grande voz, como ruge um leão: O anjo forte em 5:2 fez sua proclamação em grande voz. O segundo anjo forte, também, tem voz forte, como a de leão. O leão claramente representa a força da voz deste anjo. “O leão, o mais forte entre os animais, que por ninguém torna atrás” (Provérbios 30:30; veja Isaías 21:8; Jeremias 25:30; Oséias 11:10).
Desferiram os sete trovões as suas próprias vozes: Agora chegamos a mais uma série de sete – os sete trovões. Com toda a força da voz que vem do céu, eles proclamam mais uma parte da vontade de Deus. Por diversas vezes nas Escrituras, trovões acompanham os castigos enviados por Deus. A sétima praga no Egito incluiu trovões, chuva de pedras e fogo (Êxodo 9:23-34). Deus pelejou contra os filisteus com seus trovões (1 Samuel 7:10).

Apocalipse 10:4 – Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever, mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram e não as escrevas.
Logo que os sete trovões falaram, eu estava prestes a escrever, mas ouvi uma voz dos céus, que disse: “Sele o que disseram os sete trovões, e não o escreva”.
Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever: Obediente às instruções recebidas no início do livro (1:19), João prepara-se para relatar as mensagens dos sete trovões.
Mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram: A instrução geral de 1:19 é suplantada pela ordem mais específica dada aqui. A voz vem do céu, e João é obrigado a obedecê-la “Não escreva as coisas que os trovões falaram”. Num livro com o propósito de revelar, por que guardar em segredo as mensagens que Deus enviou nos trovões? Devemos observar, pelo menos, dois motivos: 
1. Em geral, Deus não revela tudo aos homens, e não teríamos a capacidade de compreender todos os pensamentos sublimes de Deus (Isaías 55:8-9). Moisés disse que Deus revela o que precisamos para saber como servi-lo (Deuteronômio 29:29). João disse que o registro da vida de Cristo inclui uma pequena parte de tudo que Jesus fez, mas que foram relatadas as coisas necessárias para criar fé nos leitores (João 21:24-25; 20:30-31). 
2. Quando se trata da proteção dos fiéis, Deus faz muito mais do que ele mostra ao homem. De vez em quando, ele abre a cortina para revelar alguma batalha nas regiões celestiais, para nos confortar com o fato de ele estar constantemente lutando a favor dos servos. Antes da batalha de Jericó, o príncipe do exército do Senhor apareceu a Josué (Josué 5:13-15). Eliseu pediu que Deus mostrasse ao seu ajudante o exército do céu que os protegia dos siros (2 Reis 6:15-16). Daniel foi consolado por um mensageiro que explicou que estava ocupado com a guerra contra o príncipe da Pérsia (Daniel 10:12-21). Os cristãos primitivos enfrentaram perseguições, mas recebiam, às vezes, confirmações do poder ativo de Deus lutando a favor deles (Atos 4:23-31). Romanos 8 enfatiza o papel ativo do Pai, do Filho e do Espírito Santo a nosso favor. E não é isso o que o Apocalipse ensina? O homem na terra pode ver o que acontece aqui, mas Deus e seus servos fazem muito mais, nas regiões celestiais, para ajudá-lo (Efésios 6:12).

Apocalipse 10:5-6 – Então, o anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora,
O anjo ... levantou a mão direita ... e jurou...: Se precisa guardar em segredo as palavras dos trovões, será que o cumprimento será adiado? O juramento do anjo responde imediatamente a esta possível dúvida. Ele levanta a mão direita (veja Daniel 12:7) e jura pelo eterno Deus. Não há dúvida! Mesmo sem revelar todos os pormenores, a palavra de Deus será cumprida.
Já não haverá demora: Novamente, encontramos uma referência ao tempo de cumprimento que promete que as coisas profetizadas aqui aconteceriam em breve (veja, também, 1:1-3; 22:6-7,10,12,20). As muitas interpretações que sugerem tudo que foi escrito em Apocalipse já aconteceu, mas temos que ter em mente que a Palavra de Deus é viva e é empregada a todo tempo “a Palavra do Senhor se renova a cada dia” portanto, mesmo que fatos ocorridos tenham semelhança com as descrições do livro de Apocalipse, ainda acontecimentos finais estão escritos para os nossos dias. A visão que João teve foi para os seus dias e também para tempos futuros que ainda virão após o arrebatamento da igreja. Tudo no Apocalipse ainda acontecerá, mais de 2 mil anos depois de João, simplesmente não podemos contradizer a palavra do Senhor.

Apocalipse 10:5 – 7  A mensagem do anjo
E jurou por aquele que vive para todo o sempre, que criou os céus e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela há, e o mar e tudo o que nele há, dizendo: Não haverá mais demora!

Apocalipse 10:7 – mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas.
Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai cumprir-se o mistério de Deus, da forma como ele o anunciou aos seus servos, os profetas
Nos dias da voz do sétimo anjo: Reforçando ainda mais a iminência do cumprimento do mistério de Deus, este anjo que domina a terra e o mar olha para a sétima trombeta. As primeiras seis já passaram. Não será necessário esperar muito, porque a sétima já trará o cumprimento esperado pelos santos perseguidos.
O mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas: A palavra mistério, na Bíblia, refere-se a coisas ocultas, frequentemente à palavra de Deus outrora oculta e agora revelada. No Velho Testamento, o único livro que usa a palavra mistério é Daniel. A revelação do sonho de Nabucodonosor, no qual o servo de Deus profetizou sobre a missão do Cristo em estabelecer o reino do céu durante o período romano, usa a palavra “mistério” várias vezes (Daniel 2:18-19,27-30,47). A palavra aparece mais uma vez, em Daniel 4:9. A grande maioria das ocorrências desta palavra no Novo Testamento fala do evangelho de Jesus Cristo. Estes “mistérios” também foram revelados e estão preservados para os fins dos tempos.
Paulo disse: “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos” (Romanos 16:25). Ele descreveu seu papel de apóstolo aos gentios: “...da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus: o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos” (Colossenses 1:25-28). Veja outros exemplos em Mateus 13:11; 1 Coríntios 2:7; 4:1; Efésios 1:9; 3:3,4,9; 6:19; Colossenses 2:2; 4:3; 1 Timóteo 3:9,16. No Apocalipse, “mistério” refere-se a aspectos das visões explicados a João (1:20; 17:5,7). Somente aqui tem o sentido mais amplo do “mistério de Deus”. O cumprimento do mistério de Deus, então, seria relacionado à divulgação do evangelho para salvar judeus e gentios, e ao estabelecimento do domínio de Cristo sobre as nações. Deus já anunciou estes planos aos profetas. Quais profetas? Alguns comentaristas citam apenas profetas do Novo Testamento, como o próprio João. Mas, a Bíblia fala sobre os “servos, os profetas” 13 vezes no Velho Testamento antes de usar esta expressão duas vezes no Apocalipse (aqui e em 11:18). Não devemos descontar a importância de profecias do Velho Testamento na interpretação do mistério revelado no Apocalipse.
No Antigo Testamento, os “servos, os profetas” foram enviados para avisar o povo do perigo da desobediência (Esdras 9:10-12; Jeremias 7:25-28; 25:4-7) e dos castigos que Deus traria sobre os infiéis (2 Reis 17:23; Jeremias 26:4-6; 44:4-6).
De especial interesse são algumas profecias do Velho Testamento que olharam para o estabelecimento do reino de Jesus e a sua soberania sobre as nações. Ezequiel 36 e 37 profetizam da restauração de Israel, ou seja, do estabelecimento do reino de Cristo, Israel espiritual. Uma vez estabelecido, o reino seria ameaçado pelas nações, representadas pela multidão liderada por Gogue de Magogue. Mas Gogue não prevaleceria, pois o Senhor chamaria “contra Gogue a espada em todos os meus montes” e contenderia “com ele por meio da peste e do sangue; chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre....” (Ezequiel 38:21-22). O resultado destes castigos divinos: “Assim, eu me engrandecerei, vindicarei a minha santidade e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o SENHOR” (38:23). Davi disse que o estabelecimento do reino do Messias seria acompanhado por desafios e rebeliões dos gentios, povos, reis e príncipes, mas que o Rei os despedaçaria com sua vara de ferro (Salmo 2). Joel profetizou da vinda do Espírito (Joel 2:28-32), profecia esta cumprida a partir do Dia de Pentecostes (Atos 2:16-21). Logo em seguida, ele disse que as nações ameaçariam o povo de Deus (Israel espiritual) e seriam julgados por Deus no vale de Josafá ou vale da Decisão (Joel 3). Desta maneira, Deus venceria os inimigos e estabeleceria, em segurança, a sua habitação em Jerusalém (Joel 3:18-21). As comparações entre Joel 3 e vários temas do Apocalipse são inegáveis. Ainda mais óbvias são algumas comparações entre Daniel e o Apocalipse. O reino de Deus seria estabelecido durante o período do império romano (nascimento de Jesus Cristo) e teria domínio eterno sobre todas as nações (milênio) conforme Daniel 2:44.
O que podemos esperar, então, na sétima trombeta? Que será cumprida a missão de Jesus de se estabelecer como o soberano Rei, dominando as nações com a vara de ferro e despedaçando os inimigos rebeldes. Mas, antes de ouvir a sétima trombeta, ainda precisamos ver o resto das coisas que João viu no intervalo.

Apocalipse 10:8 – 11  O pequeno rolo e seu propósito
Apocalipse 10:8 – A voz que ouvi, vinda do céu, estava de novo falando comigo e dizendo: Vai e toma o livro que se acha aberto na mão do anjo em pé sobre o mar e sobre a terra.
Depois falou comigo mais uma vez a voz que eu tinha ouvido falar dos céus: “Vá, pegue o livro aberto que está na mão do anjo que se encontra em pé sobre o mar e sobre a terra”.
A voz que ouvi ... estava de novo falando comigo: A mesma voz do versículo 4. A primeira vez, esta voz proibiu que João escrevesse sobre os sete trovões. Esta vez, ela lhe dará outra instrução.
Vai e toma o livro que se acha aberto na mão do anjo: Já observamos vários pontos de contraste entre este livrinho e o livro do capítulo 5. Agora a voz manda João a tomar o livro da mão do anjo.
Anjo em pé sobre o mar e sobre a terra: Novamente, o narrativo destaca a posição deste anjo (10:2). Muito diferente do anjo caído do céu que abriu o poço do abismo, este anjo tem seus pés firmemente plantados sobre a terra e o mar. A estrela caída do céu dominou os gafanhotos durante cinco meses. O anjo forte no capítulo 10 pode garantir o cumprimento do plano de Deus. Que consolo saber que João recebe as suas ordens da mão deste anjo forte.

Apocalipse 10:9 – Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel.
Assim me aproximei do anjo e lhe pedi que me desse o livrinho. Ele me disse: “Pegue-o e coma-o! Ele será amargo em seu estômago, mas em sua boca será doce como mel”.
Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho: João foi obediente à voz do céu e foi pedir o livrinho.
Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o: Esta cena é semelhante à de Ezequiel 2:8 - 3:6. No início do sexto século a.C., Ezequiel foi enviado como profeta à casa de Israel. O rolo do livro que ele comeu representou a sua incumbência como profeta. O sabor era doce, mas a tarefa difícil. O anjo avisou João que este livrinho seria doce na boca, mas amargo no estômago. João recebeu uma tarefa desagradável.

Apocalipse 10:10 – Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo.
Peguei o livrinho da mão do anjo e o comi. Ele me pareceu doce como mel em minha boca; mas, ao comê-lo, senti que o meu estômago ficou amargo.
Tomei o livrinho ... e o devorei: João foi obediente. Ele não fez desculpas e não fugiu da sua missão. Comeu o livrinho.
Na minha boca, era doce como mel; quando, porém. O comi, o meu estômago ficou amargo: O livrinho foi exatamente como o anjo dissera. Veremos a amargura da missão de João no próximo versículo. O trabalho no reino do Senhor envolve esses dois aspectos. Traz uma grande alegria quando presenciamos as transformações de vidas que o evangelho causa. Por outro lado, o servo fiel tem a obrigação de avisar sobre as consequências da rejeição da palavra e sobre a punição preparada para os desobedientes. João não fugiu da sua responsabilidade, mas muitos pregadores hoje negligenciam o lado severo do evangelho e divulgam uma mensagem incompleta e desequilibrada. É muito mais agradável falar da bondade do que da severidade (Romanos 11:22). É bom falar sobre o perdão e a salvação (Hebreus 9:28), mas não devemos excluir a mensagem de vingança e castigo (Hebreus 10:26-31). Deus é santo, e assim não pode manter comunhão com o pecado. Ele é, também, amor, e quer salvar todos dos seus pecados. A tendência do homem é de exagerar um lado do caráter de Deus e diminuir a importância do outro, esquecendo que o mesmo Deus que oferece alívio tomará vingança e banirá de sua face os que não o conhecem ou que não o obedecem (2 Tessalonicenses 1:6-10).

Apocalipse 10:11 – Então, me disseram: É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis.
Então me foi dito: “É preciso que você profetize de novo acerca de muitos povos, nações, línguas e reis”.
É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis: Este versículo reforça o significado do livrinho. João é obrigado a profetizar sobre nações e reis. Já falou sobre pragas e castigos atingindo um número cada vez maior de pessoas, até causando a morte de grandes multidões. Mas tem mais pela frente. A difícil missão de João incluirá profecias sobre muitos povos. A missão do servo de Deus tem seu lado doce, mas inclui, também, a amargura de pregar a pessoas condenadas por sua rebeldia.

RESUMO
O Capítulo 10 de Apocalipse, principalmente no v.1 serve como um interlúdio entre os juízos da sexta e da sétima trombetas (Ap 11.15-19), assim como Apocalipse 7 o foi entre o sexto e o sétimo selo. Mais uma vez, existem dois cenários: o livrinho (cap. 10) e as duas testemunhas (Ap 11.1-14), da mesma maneira que existia no primeiro interlúdio (Ap 7.1-8; 7.9-17).
O anjo forte poderia ser aquele mencionado em Apocalipse 5.2 ou o que tinha grande poder, descrito em Apocalipse 18.1. É improvável que ele seja Miguel, citado pelo nome em outro lugar (Ap 12.7; Dn 12.1), ou Cristo, já que Ele nunca e chamado de anjo no Novo Testamento. Além disso, diferente de Jesus, esse anjo vem a terra antes que o tempo da tribulação termine.
O livrinho pode ou não e o mesmo de onde foram retirados os selos em Apocalipse 6.1—8.1. Ou também mais provável que seja o livro engolido por Ezequiel (Ez 2.9—3.3), embora esse livro fizesse com que o ventre de João ficasse amargo (Ap 10.9,10), e não apenas o seu espírito (Ez 3.14).
O anjo com o seu pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra simboliza o controle de Deus sobre os acontecimentos. Um representante majestoso do trono de Deus está intervindo nos assuntos terrenos.
O diabo e seus demônios se apresentam como leões ferozes (1 Pe 5.8; Ap 9.8,17). Mas o vitorioso Leão da tribo de Judá (Ap 5.5) também tem um servo angelical que brama como um leão. Não é possível saber o que os sete trovoes soaram porque uma voz celestial, provavelmente a de Cristo, ordenou que João selasse o que ele tinha ouvido (Dn 12.4,9). Talvez os sete trovoes constituam justiça absoluta sem espaço para a misericórdia ou qualquer outra coisa que Deus não desejava que fosse revelada ao homem.
O anjo jurou por aquele que vive para todo o sempre. Apenas por meio da autoridade todo-poderosa do Criador eterno, o anjo forte pode fazer a declaração sobre como e quando se cumpriria o mistério divino. Apos soar a sétima trombeta (Ap 11.15-19), não haverá mais demora no desenrolar dos acontecimentos que levam ao retorno de Cristo (Ap 19.11-21). Tudo acontecera rapidamente. Atraso (gr. chronos, tempo) aqui implica um prolongamento do tempo da obra final de Deus, não um retardo causado pelo Altíssimo, arbitrariamente adiando a estancia final da história profetizada pelos profetas (v.7).
O segredo (gr. mistério) de Deus — a verdade que ainda não foi totalmente revelada (Ef 3.9) — será manifesto e cumprido conforme a sucessão dos acontecimentos da metade para o final de Apocalipse. Os aspectos significativos desse mistério já tem sido revelados por intermédio dos profetas do Antigo e do Novo Testamentos, mas muitos ainda restam, os quais serão compreendidos plenamente apenas quando os eventos ocorrerem.
Como palavras de juízo, o livro faria amargo o ventre de João, da mesma maneira que o espirito de Ezequiel se tornou amargo (Ez 3.14). Os acontecimentos em Ezequiel 2 e 3 ocorreram antes do juízo de Deus sobre Judá e Jerusalém, e tiveram efeito na comissão do profeta. João pode ter sentido uma comissão parecida aqui para profetizar essa mensagem de juízo para o mundo. A profecia de João para muitos povos, e nações, e línguas, e reis pode referir-se especificamente ao restante do segundo ai (Ap 11.1 -14), já que existe um enfoque nas duas testemunhas. No entanto, o uso de expressões parecidas em Apocalipse 13.7; 14.6 e 17.15 indicam a comissão de João para profetizar a maior parte ou todo o livro de Apocalipse, uma profecia que fala de todos os acontecimentos ligados a segunda vinda de Cristo (Ap 19.11-21).
Um anjo desce do céu com um livro aberto e se põe entre o mar e a terra, isto quer dizer que após a Grande Tribulação, Cristo voltará a terra tomando posse do que lhe é de direito. Neste período a terra estará desabitada, pois a ira de Deus já se cumpriu sobre todos os ímpios.
O título de propriedade, o qual satanás havia tomado do homem no jardim do Éden agora está nas mãos de Jesus Cristo mostrando através do anjo o domínio dessa terra, com seus pés entre o mar e a terra, a composição de nosso planeta e ao tocar da Última Trombeta tudo estará concluído e então o mistério de Deus que foi anunciado a seus servos e profetas estará cumprido (Dn.12:7-10).


sábado, 21 de março de 2020

A P O C A L Í P S E / QUINTA PARTE - ISRAEL PROTEGIDO 2


APOCALIPSE 7:9-17     A IGREJA MARTIR

A Grande Multidão (7:9-17)
Apocalipse 7:9 - Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
Vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar: Algumas interpretações tratam a grande multidão como um grupo distinto dos 144.000. Para alguns, os 144.000 habitam no céu enquanto a grande multidão herda a terra. Para outros, os 144.000 são judeus e a grande multidão, gentios. Parece mais coerente, porém, ver aqui uma progressão que passa dos fiéis na terra aguardando a tribulação aos fiéis no céu depois de passar pela tribulação. Nas próximas linhas, vamos ver as evidências apoiando esta interpretação.
De todas as nações, tribos, povos e línguas: Esta grande multidão não consiste em anjos ou outros seres celestiais. São pessoas redimidas de todas as nações – pessoas abençoadas por meio do descendente de Abraão (Gênesis 12:3; Gálatas 3:28-29).
Em pé diante do trono e diante do Cordeiro: Somente os vencedores, aqueles justificados pelo sangue do Cordeiro, teriam como se susterem no Dia da ira de Deus para ficar em pé diante do trono (6:17; 7:14).
Vestidos de vestiduras brancas: A vestimenta dos vencedores (3:4-5; 6:11). Descobriremos mais sobre essas pessoas nos versículos 13-15.
Com palmas nas mãos: As palmas, ou ramos de palmeiras, identificam para nós o pano de fundo desta cena. Levítico 23:33-43 descreve a Festa dos Tabernáculos. Nesta festa anual, o povo se alegrava perante o Senhor em lembrar da libertação do Egito e do seu tempo com Deus, habitando em tendas, no deserto. Esta festa era comemorada logo após o Dia da Expiação (Levítico 23:26-32). Foi numa Festa dos Tabernáculos que Jesus ofereceu a água da vida ao povo (João 7:37-39). Lembramos, também, das festividades e dos ramos de palmeiras quando Jesus entrou em Jerusalém (João 12:13).

Apocalipse 7:10 – e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.
A grande multidão, além de louvar o Altíssimo e o Cordeiro pela salvação, mais adiante, glorificara a Deus por julgar a Babilônia (Ap 19.1-3) e proclamara as bodas do Cordeiro (v.6,7). Essa multidão de caráter multinacional poderia muito bem representar o fruto evangelístico do trabalho dos 144 mil durante o período de sete anos de tribulação. Em Seu furor, Deus se lembrara da misericórdia. As vestes brancas podem ser as dos crentes vencedores (Ap 3.5,18) ou as dos mártires (Ap 6.11). Palmas eram normalmente agitadas pela multidão em celebrações de vitória (Jo 12.13). 
Por meio da retomada depois destas coisas, João vê  “(vi... vs. 7”), anuncia-se novamente uma mudança de cena. É uma troca de local, pois agora João não está mais olhando, como em Ap 7.1, para a terra, e sim para o santuário celestial (vs. 15). Acrescenta-se uma total mudança de situação. Enquanto o selamento precedia expressamente as tempestades do fim dos tempos, agora a grande tribulação já é coisa do passado (v. 14). Associa-se a esta mudança uma alteração da disposição. No lugar de uma tensão prenhe de desgraça em vista do perigo iminente ocorre o cântico de vitória.
E eis grande multidão que ninguém podia enumerar. Assim como o v. 4 impõe-se novamente a impressão da magnitude. A promessa a Abraão em Gn 15.5 foi cumprida: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.” Abraão não é capaz de contá-las. Conforme Hb 11.12 ela é para ele incontável, o que obviamente não pode valer para Deus. Desta maneira também a presente multidão é incontável para João, porém enumerável para Deus, não ocorrendo uma contradição com o v. 4. Lá Deus contou e pode revelar o número, aqui João tenta fazê-lo, deparando-se com a impossibilidade de contar.
Na especificação subsequente da origem intensifica-se a lembrança de Abraão. De todas as nações, tribos, povos e línguas.323 Em Abraão haveriam de ser “abençoadas todas as nações, todas as gerações da terra” (Gn 22.18; 12.3). O número de quatro definições volta a ressaltar a dimensão da abrangência. João vê na igreja a humanidade abençoada em Abraão.
João tem a visão da igreja formada de todas as nações, tribos, raças e línguas, superando a Babilônia que confundia os povos e representando as primícias (Ap 14.4) de uma humanidade reunificada, congregada em torno do centro da restauração, em pé diante do trono e diante do Cordeiro (Ap 5.13). Estão vestidos de vestiduras brancas como os mártires na visão do quinto selo. Agora, portanto, está completo o número deles (Ap 6.11), todos estão reunidos como uma grande multidão, e a tribulação chegou ao fim. O número cheio relembra novamente Ap 7.4. Além da vestimenta de vencedores trazem ainda ramos de palmas nas mãos. A ilustração de um vencedor. Contudo, também um escrito judaico traz a frase: “Quem traz em suas mãos a folha de palmeira, dele sabemos que é vitorioso”.
Clamavam em grande voz: A voz da multidão de vencedores.
Ao nosso Deus ... e ao Cordeiro pertencem a salvação: O louvor é direcionado ao Pai que se assenta no trono, e ao Cordeiro, que se mostrou digno. A salvação é possível somente por intervenção divina, somente pelo plano de Deus e o sacrifício do Cordeiro
Por meio da retomada depois destas coisas, João vê  “(vi... vs. 9”), anuncia-se novamente uma mudança de cena. É uma troca de local, pois agora João não está mais olhando, como em Ap 7.1, para a terra, e sim para o santuário celestial (vs. 15). Acrescenta-se uma total mudança de situação. Enquanto o selamento precedia expressamente as tempestades do fim dos tempos, agora a grande tribulação já é coisa do passado (v. 14). Associa-se a esta mudança uma alteração da disposição. No lugar de uma tensão prenhe de desgraça em vista do perigo iminente ocorre o cântico de vitória.
E eis grande multidão que ninguém podia enumerar. Assim como o v. 4 impõe-se novamente a impressão da magnitude. A promessa a Abraão em Gn 15.5 foi cumprida: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.” Abraão não é capaz de contá-las. Conforme Hb 11.12 ela é para ele incontável, o que obviamente não pode valer para Deus. Desta maneira também a presente multidão é incontável para João, porém enumerável para Deus, não ocorrendo uma contradição com o v. 4. Lá Deus contou e pode revelar o número, aqui João tenta fazê-lo, deparando-se com a impossibilidade de contar.
Na especificação subsequente da origem intensifica-se a lembrança de Abraão. De todas as nações, tribos, povos e línguas.323 Em Abraão haveriam de ser “abençoadas todas as nações, todas as gerações da terra” (Gn 22.18; 12.3). O número de quatro definições volta a ressaltar a dimensão da abrangência. João vê na igreja a humanidade abençoada em Abraão.
João tem a visão da igreja formada de todas as nações, tribos, raças e línguas, superando a Babilônia que confundia os povos e representando as primícias (Ap 14.4) de uma humanidade reunificada, congregada em torno do centro da restauração, em pé diante do trono e diante do Cordeiro (Ap 5.13). Estão vestidos de vestiduras brancas como os mártires na visão do quinto selo. Agora, portanto, está completo o número deles (Ap 6.11), todos estão reunidos como uma grande multidão, e a tribulação chegou ao fim. O número cheio relembra novamente Ap 7.4. Além da vestimenta de vencedores trazem ainda ramos de palmas nas mãos. A ilustração de um vencedor. Contudo, também um escrito judaico traz a frase: “Quem traz em suas mãos a folha de palmeira, dele sabemos que é vitorioso”.

Apocalipse 7:11 – Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus,
Todos os anjos ... os anciãos e os quatro seres viventes... adoraram a Deus: As cenas anteriores de louvor iniciaram com os seres viventes e irradiaram pelos anciãos aos anjos e às multidões (4:8-11; 5:8-13,14). Esta vez, a sequência é invertida. Começa com a grande multidão dos redimidos da terra, passa pelos anjos e chega aos anciãos e seres viventes. É interessante observar que a vinda de Jesus ao mundo e a nossa redenção são motivos de louvor, não somente entre nós, mas entre os seres celestiais (Hebreus 1:6; Efésios 3:9-11; Lucas 15:7,10).

Apocalipse 7:12 – dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!
Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força...: O Deus perfeito merece toda a honra e adoração. Aqui, como em 5:12, encontramos sete palavras de expressão de louvor. A única diferença é a inclusão de “ações de graças” no lugar de “riqueza”. Certamente, a riqueza das bênçãos espirituais recebidas de Deus são motivo para oferecer ações de graças.
A intensificação do cenário de adoração continua na sala do trono celestial (Ap 4; 5) com a adição do elemento das ações de graças (Ap 7.12), aparentemente por causa da salvação da grande multidão (v. 9). Salvação em Cristo é algo pelo qual se deve ser eternamente agradecido!

Apocalipse 7:13 – Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram?
Um dos anciãos tomou a palavra: A impressão é que João ainda estava no mesmo lugar onde se encontrou em 5:5, quando um dos anciãos o consolou. Agora, um deles inicia novamente a conversa com ele, esta vez usando uma pergunta para ajudar o apóstolo a se focalizar no significado da visão.
Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Baseado nas mensagens às igrejas, João já poderia ter uma noção. Ele certamente teria lembrado das almas debaixo do altar no quinto selo (6:9-11). Mas a pergunta do ancião dá ocasião para ele tirar as suas dúvidas.
Um dos anciãos (como ele faz parte da Igreja no céu, sabe a resposta. Compare com 1 Coríntios 13.12) perguntou a João a identidade da grande multidão, evidentemente para chamar a atenção para a natureza básica deles.

Apocalipse 7:14 – Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro,
Respondi-lhe, meu Senhor, tu o sabes: João mostra, ao mesmo tempo, humildade e curiosidade. Ele chama o ancião de Senhor, não para alegar sua divindade (pois obviamente não é Deus), mas como expressão de respeito. É semelhante ao uso comum da palavra “senhor” para identificar um homem mais velho ou, por outro motivo, merecedor de respeito e educação especial. João não ousava responder à pergunta. Ele aguardou a orientação do seu professor.
São estes os que vêm da grande tribulação: O ancião já sabia a resposta, e não demora em ajudar João a entender a visão. A palavra vem mostra que pessoas ainda estavam chegando ao céu da grande tribulação. Que grande tribulação? O sexto selo falou de sofrimento terrível, e a primeira visão deste intervalo falou de selar os servos de Deus. Aqui, percebemos que os selados não seriam protegidos do sofrimento na terra, até enfrentariam horríveis perseguições. Poderiam até sofrer a morte física, mas seriam protegidos da segunda morte (2:11). Interpretações que dizem que esta grande tribulação começará em algum momento futuro destorcem o sentido do trecho, e usam o livro para apoiar doutrinas humanas. Alguns, devido, em parte, à linguagem similar, pensam na profecia de Mateus 24:21. Aquela profecia falou da destruição de Jerusalém, que ocorreu no ano 70 d.C.
Primeiro, esta mensagem foi enviada primeiramente às igrejas na Ásia, não aos santos em Jerusalém; segundo, Jesus já falou de tribulação na carta à igreja de Esmirna (2:10); terceiro, os selos anteriores falaram de castigos que atingiriam a terra com seus reis e poderosos, figuras que vão além de Jerusalém; quarto, a primeira visão deste intervalo falou dos quatro cantos e quatro ventos, sugerindo um castigo abrangente.
Lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro: Sangue causa manchas que, às vezes, são difíceis de tirar de uma roupa. Nenhum processo humano usaria sangue para alvejar uma roupa. É só Deus que consegue fazer isso. O sangue do Cordeiro justifica, lava, purifica e deixa a roupa branca como a neve.
Essa vasta multidão vem da grande tribulação, referindo-se a hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo (Ap 3.10). Como resultado da grande perda de vidas durante esse período, o martírio e, provavelmente, o meio de escape deles. A tribulação já foi experimentada pela Igreja na época de João (Ap 2.10; At 14-22). No entanto, a grande tribulação, profetizada em Daniel 12.1, será de uma intensidade tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais (Mt 24.21). Lavaram as suas vestes [...] no sangue do Cordeiro pode indicar martírio, mas é mais provável que se refira a perdão de pecados por meio da fé em Cristo e de Seu sangue derramado (Ap 1.5; 5.9).

Apocalipse 7:15 – razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.
Razão por que se acham diante do trono de Deus: Jesus chegou ao trono de Deus por sua própria dignidade. Venceu a morte na sua própria justiça. Esses vencedores chegam ao trono pelo sangue de Jesus. A dignidade do homem não vem de si mesmo, mas da justiça do sacrifício perfeito e eficaz – o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!
E o servem de dia e de noite no seu santuário: Não somente os quatro seres viventes (4:8), mas todos os vencedores servem a Deus de dia e de noite. O ponto aqui não é somente o fato de eles o servirem, mas o motivo e o lugar. Servem a Deus porque o sangue de Jesus os salvou. Ele é digno de adoração porque foi morto e comprou para Deus um povo santo. Este povo adora eternamente por causa do sacrifício dele. Este serviço é oferecido no santuário de Deus. Os vencedores, como sacerdotes de Deus, têm o privilégio de entrar no santuário para oferecer sacrifícios por intermédio de Jesus Cristo (1:6; 5:10; 20:6; 1 Pedro 2:5).
Aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo: A presença do tabernáculo do Senhor significa a sua aceitação do povo (Levítico 26:11). Quando o tabernáculo foi erguido no deserto, a glória de Deus o encheu (Êxodo 40:34-35). Deus faz o seu tabernáculo com os homens quando estes estão em comunhão com ele (21:3; veja João 1:14; 14:23). Ele estende a sua tenda para acolher e proteger os fiéis.
A grande multidão (v.9) servira ao Cordeiro de dia e de noite. Os 144 mil são descritos mais adiante como os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai (Ap 14.4). Servir indica serviço sacerdotal diante do Senhor (Ap 1.6; 5.10). O sacerdócio dos cristãos atingirá uma nova fase na presença de Deus no céu. O templo, na verdade, refere-se ao santuário interior do templo, e não ao pátio externo (Ap 11.19). Dizer que Ele os cobrira com a sua sombra significa que viverão em uma tenda. Esse versículo remete a João 1.14. Os crentes que não viram Jesus quando Ele viveu na terra em Sua primeira vinda irão para o céu, onde Cristo habitara entre eles.

Apocalipse 7:16 – Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum,
Jamais terão fome, nunca mais terão sede: Na proteção de Deus, todas as necessidades dos vencedores serão supridas. Os perseguidos, que sofriam na terra, seriam sustentados por Deus no tabernáculo dele. A fome é citada no Velho Testamento, muitas vezes, junto com a peste e a espada, como castigo divino (Jeremias 21:9; 24:10; Ezequiel 6:11). A fome e a sede foram características do cativeiro do povo rebelde (Isaías 5:13). Os vencedores, na tenda de Deus, seriam isentos desse sofrimento.
Não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum: A luz do sol, frequentemente, representa a presença de Deus e da verdade. Aqui o sentido é outro. O sol queima, e o homem precisa de proteção dele. Qualquer pessoa que morava ou viajava pelos desertos do Oriente Médio entenderia perfeitamente esta necessidade de se protegerem do sol ardente. A tenda de proteção dos fiéis é o próprio Senhor (veja Salmo 121:3-8; Isaías 49:10). Os vencedores não são destruídos pela ira ardente do Senhor (Malaquias 4:1).

Apocalipse 7:17 — pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono as apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.
O Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará: Jesus, que está no Santo dos Santos, à destra do Pai. Ele que é digno de revelar e executar a vontade de Deus é o mesmo Pastor que cuida dos vencedores. A Bíblia usa vários termos interessantes, quase contraditórios para os homens, para descrever Jesus e seu trabalho. Ele é Leão e Cordeiro, Sacerdote e Sacrifício, Cordeiro e Pastor. O sangue dele tira manchas e alveja as roupas sujas dos homens.
Este versículo, como o anterior, vem da linguagem de Isaías 49:10, que profetiza sobre o papel do Servo do Senhor na salvação dos homens: “Não terão fome nem sede, a calma nem o sol os afligirá; porque o que deles se compadece os guiará e os conduzirá aos mananciais das águas.” Jesus se compadece do homem, e o leva aos mananciais da água da vida (Marcos 1:41; Mateus 11:28-30; João 4:14).
E lhes servira de guia para as fontes das águas da vida lembra o Salmo 23. O Senhor, que é o Pastor no Salmo 23.1, e identificado aqui com o Cordeiro. Tanto o rei Davi quanto a grande multidão (v.9) habitarão na Casa do SENHOR por longos dias (SI 23.6), com Cristo como seu Pastor. As águas da vida explicam por que não se tem sede (Ap 7.16). A água da vida está disponível livremente a todos que se achegarem a Cristo pela fé (Ap 22.17).
Deus enxugará toda lágrima: A declaração de que Deus limpara de seus olhos toda lagrima significa que não haverá choro, tristeza nem dor na presença do Altíssimo.
E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima: Deus enxuga as lágrimas pela vitória sobre a morte (Isaías 25:8). Jesus, na sua vitória na cruz, nos livrou dos laços da morte (Hebreus 2:15; 1 Coríntios 15:54-55; Romanos 8:2). Os servos fiéis esperam a vitória final sobre a morte (21:4).

Conclusão
Os primeiros seis selos estavam cheios de morte e sofrimento. Mas o intervalo do capítulo 7 é uma mensagem de vida e esperança. Deus protege os fiéis e dá a vida eterna para aqueles que vencem o inimigo. Ainda sem saber o que vem pela frente, os discípulos do Senhor podem confiar totalmente nele. Ele é a fonte da vida que cuida do seu povo e o protege na sua tenda.
A grande multidão (v.9) servira ao Cordeiro de dia e de noite. Os 144 mil são descritos mais adiante como os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai (Ap 14.4). Servir indica serviço sacerdotal diante do Senhor (Ap 1.6; 5.10). O sacerdócio dos cristãos atingirá uma nova fase na presença de Deus no céu. O templo, na verdade, refere-se ao santuário interior do templo, e não ao pátio externo (Ap 11.19). Dizer que Ele os cobrira com a sua sombra significa que viverão em uma tenda. Esse versículo remete a João 1.14. Os crentes que não viram Jesus quando Ele viveu na terra em Sua primeira vinda irão para o céu, onde Cristo habitara entre eles.





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A P O C A L I P S E / QUINTA PARTE - ISRAEL PROTEGIDO


QUINTA PARTE
APOCALIPSE 7:1-9        AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL

Os Servos que Pertencem a Deus 
Quando estudamos os Capítulos 16, 17 e 18 de Apocalipse vemos acontecimentos da ira de Deus sobre a terra, sobre o anticristo, e a Grande Babilônia, enfim sobre todos aqueles que de certa forma não serviram ao Senhor. Neste estudo focando o Capítulo 7 de Apocalipse nada mais é do que uma complementação desses capítulos citados no qual mostra que os primeiros seis selos já passaram e o principalmente e sexto que irá mostrar o desespero total das pessoas castigadas – dos poderosos e ricos até os pobres e escravos. A pergunta no final do capítulo 6 salienta ainda mais a circunstância difícil dos habitantes da terra – “porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (6:17). Se o sexto selo revelou coisas tão terríveis, imagine o que o sétimo traria! Quem é que pode sobreviver à ira do Senhor?
O capítulo 7 responde a esta pergunta. Este intervalo entre o sexto e o sétimo selos consola os fiéis. Deus não se esqueceu deles, e não abandonaria os seus servos. Ele já providenciou uma maneira de proteger aqueles que lhe pertencem.

 As Doze Tribo de Israel - Os 144.000 Selados (7:1-8)
Existem duas visões nesse capítulo: os 144 mil servos de Deus (v.1-8) e a incontável multidão agora no céu (v.9-17). Os quatro anjos parecem ser agentes do Senhor associados aos juízos, e os quatro ventos representam forças destrutivas de todas as direções.
Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra. Os quatro cantos, a partir dos quais os furacões do juízo varrem a terra, constituem conceitos sólidos (Jr 49.36; Dn 7.2; Zc 6.5). Em virtude da última referência surge uma estreita ligação com os quatro cavalos da desgraça da abertura dos quatro primeiros selos. No caso dos quatro ventos, assim como no dos quatro cavalos, trata-se, portanto, de poderes de destruição do fim dos tempos. Não é fortuito que sua atividade seja mencionada aqui no (v. 3) com o mesmo verbo usado em Ap 6.6. Tornam a terra um campo de catástrofes. O número quatro novamente indica uma ideia de totalidade: como a tribulação em Ap 3.10, eles passam sobre a terra inteira.

Apocalipse 7:1 – Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma.
Quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra: Os anjos não são identificados, mas a tarefa deles fica evidente. Têm poder para danificar a terra (2), mas ainda não receberam a ordem para fazer isso. O trabalho desses anjos claramente se refere à terra. Qualquer interpretação que procura aqui um número fixo de pessoas no céu desrespeita a linguagem óbvia do texto. Além das referências à terra, ao mar, às árvores, etc., o número quatro (quatro anjos, quatro cantos, quatro ventos) sugere algo relacionado à terra. Os quatro cantos e quatro ventos representam os quatro pontos cardeais (1 Crônicas 9:24; Isaías 11:12; Jeremias 49:36; Ezequiel 7:2; Zacarias 2:6; Mateus 24:31).
Conservando seguros os quatro ventos da terra: Neste intervalo, os quatro anjos estão parados. Estão segurando os ventos, aguardando a ordem. Agir precipitadamente, sem a autorização divina, não caracteriza os servos fiéis do Senhor. Agir sem primeiro ouvir a palavra de Deus traz consequências negativas (1 Crônicas 15:13). Não devemos ultrapassar a doutrina de Cristo, escrita para nos guiar (1 Coríntios 4:6; 2 João 9).
Para que nenhum vento soprasse: Ventos aparecem na Bíblia com poder para aliviar o sofrimento dos homens, ou para trazer castigo (Êxodo 10:13,19; 14:21; 15:10; Salmo 11:6; 78:26; Isaías 29:6). Independente da natureza do vento é algo que demonstra o poder de Deus – “um vento do Senhor” (Números 11:31; Salmo 107:24-25; 135:5-7). Neste contexto, os ventos trarão destruição. Mas, por enquanto, os anjos seguram o poder destrutivo do vento. Ainda não chegou a hora. Deus pretende resolver uma outra questão antes de liberar esta força contra a terra.
Terra, mar, árvore: Estas referências reforçam o fato de esta visão tratar de acontecimentos aqui na terra. Os homens são avisados, mas a natureza vai sofrer, também. Como foi o caso das pragas e das calamidades naturais usadas por Deus para castigar os rebeldes da antiguidade, estes castigos atingirão a terra, o mar e as árvores.

Apocalipse 7:2 – Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar,
Vi outro anjo que subiu da nascente do sol: O nascente do sol, a direção de onde vem a luz, representa a habitação de Deus. O tabernáculo abria para o oriente, com Moisés e Arão e seus filhos acampados na frente (Números 3:38), e a tribo de Judá acampada ao lado oriental (Números 2:3). Assim do ponto de vista do tabernáculo, o Senhor guiava o seu povo do oriente, por meio dos líderes escolhidos (reis de Judá e sacerdotes de Levi). O templo em Jerusalém, também, abria para o lado oriental (Ezequiel 8:16; 10:19; 11:1). Quando Deus abandonou o templo cheio de imundícia, ele foi para o oriente (Ezequiel 11:23). Quando voltou, a glória de Deus veio do oriente (Ezequiel 43:2-4). Este anjo vem de Deus. Do ponto de vista do santuário (o povo de Deus – 1 Coríntios 3:16-17; 1 Timóteo 3:15), o anjo traz alívio: “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas” (Malaquias 4:2).
Tendo o selo do Deus vivo: O selo de Deus, mais uma prova que este anjo veio do Senhor. O selo pertencia exclusivamente ao seu dono, e servia para o identificar (Gênesis 38:18,25). A pessoa que segurava o anel de um rei retinha a autoridade para selar decretos e agir como seu representante autorizado (Gênesis 41:42; Ester 3:10; 8:2). O selo também indica posse, que algo ou alguém pertence exclusivamente ao dono do selo (Cântico dos Cânticos 8:6). No Novo Testamento, os discípulos fiéis têm o selo de Deus (2 Coríntios 1:21-23; Efésios 1:13-14; 4:30). Talvez o trecho mais confortante para os que fazem parte do santuário de Deus seja 2 Timóteo 2:19 – “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem”. Os quatro anjos seguram os ventos da ira de Deus, mas o Senhor jamais esqueceria do seu povo fiel!
Clamou...aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar: O anjo que chega do Senhor traz uma ordem importante para os quatro anjos. Aqui ele confirma o propósito dos ventos que eles seguravam. O poder dos ventos, uma vez liberado, faria dano à terra e ao mar.

Apocalipse7:3 – dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.
Não danifiqueis... até selarmos na fronte os servos do nosso Deus: O que detinha o castigo pelos quatro ventos foi a determinação divina de identificar os fiéis para a proteção deles. O verbo plural aqui indica que outros iam ajudar o anjo que veio do oriente. Mais uma vez, Ezequiel nos fornece uma cena parecida, na sua profecia sobre a destruição de Jerusalém em 586 a.C. Quando os executores chegaram para matar as pessoas em Jerusalém, Deus mandou na frente um homem que marcou com um sinal a testa dos fiéis. Os executores seguiam matando as pessoas que não receberam o sinal (Ezequiel 9:1-8). Aqui também, antes de mandar os ventos executores, Deus manda alguém na frente para marcar, com um selo na testa, os fiéis. Quando chegamos ao capítulo 13, vamos encontrar uma marca da besta, mas somente depois de ver que Deus deu sua marca aos seus servos. O contraste é entre a marca do Deus vivo que viverá para sempre e a marca da besta que seria lançada ao lago de fogo.
Antes de os juízos serem desatados, Deus prepara os 144 mil de Seus servos para serem selados na fronte. Os selos são sinais de posse ou autoridade, que, nos tempos antigos, eram estampados em documentos pressionando-se um carimbo ou cilindro em um pedaço de argila no local onde o documento era aberto ou fechado. O Altíssimo tem autoridade para abrir qualquer selo que Ele desejar (Mct. 27.66) ou colocar em Seus filhos um selo que ninguém mais pode quebrar (Ef 1.13; 4.30). As duas perspectivas proporcionam confiança e segurança aos crentes. Nesse caso, o selo garante-lhes a preservação durante a tribulação. A identificação deles, como servos de forma declarada (em suas frontes), indica que estão regenerados por meio da fé em Cristo e que confessam sua fé abertamente.

Apocalipse7:4 – Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel:
Foram selados...cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel: Literalmente 144.000? Literalmente de Israel? Precisamente 12.000 de cada uma das 12 tribos citadas? Poderíamos fazer ainda mais uma lista de perguntas para ilustrar o problema com interpretações literais deste trecho. Em um livro cheio de símbolos, seria uma abordagem errada tentar forçar uma interpretação literal dos detalhes aqui. 144.000 representa o povo de Deus. Doze já é conhecido como o número do povo do Senhor, como observamos em 4:4 – doze tribos, doze apóstolos, etc. 12 x 12 x 1.000 enfatiza mais ainda a totalidade dos servos de Deus. Para evitar qualquer dúvida, ele fala de Israel. Desde os comentários de Jesus em João 8:39 em diante, o significado de judeu e israelita mudou entre os seus discípulos. Enquanto estas palavras ainda podem significar os descendentes, pela carne, de Abraão, frequentemente identificam os descendentes espirituais desse grande patriarca da fé. Paulo bem disse: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é o interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:28-29). Em um livro de símbolos, não nos surpreende achar uma referência a Israel espiritual, o povo de Deus, isto é, o povo de Deus em todas as nações quer judeu ou gentio.

Apocalipse 7:5-8 – da tribo de Judá foram selados doze mil; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil; 6 da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; 7 da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; 8 da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim foram selados doze mil. Foram selados doze mil:
O número 144 mil pode ser considerado tanto um real como um símbolo de totalidade (12x12x1000), referindo-se a todos que serão salvos (no AT e no NT). A primeira opção e mais provável por causa dos detalhes desenvolvidos nos v.5-8. Os filhos de Israel são entendidos por alguns como agrega, a nova Israel, que inclui os gentios, aqueles que aceitaran a salvação em Cristo (Gl. 6.16), e por outros como a nação de Israel [ou ambos].
De cada tribo, doze mil receberam o selo de Deus. As tribos citadas são:
Quando lemos esta lista, diversas perguntas surgem.
Por que esta ordem? Judá está em primeiro lugar, talvez por ter a primazia e por ser a tribo do Messias. Benjamim, a última, foi a tribo do caçula de Jacó. Mas esta lista não segue a ordem do nascimento dos patriarcas (Gênesis 29:31-35; 30:1-24; 35:16-18), nem se apresenta segundo as quatro mães dos filhos de Jacó (Gênesis 35:23-26).
Por que estas tribos? Sabemos que as doze tribos, normalmente, foram vistas como treze. Jacó teve doze filhos homens. Doze receberam herança de terra, excluindo a tribo de Levi, que recebeu 48 cidades e teve Deus como sua herança. Para manter o número de doze na divisão da terra, José foi dividida em duas, Efraim e Manassés. Na lista do Apocalipse 7, Levi está incluída, e o nome de José aparece. Os nomes omitidos são Efraim (um dos filhos de José) e Dã. Nenhuma explicação é dada aqui, mas a história do Velho Testamento sugere um possível motivo. De todas as tribos, Dã e Efraim foram as duas mais ligadas à idolatria. Um dos apêndices do livro de Juízes relata a história de Mica e os danitas, mostrando como a idolatria se tornou comum nesta tribo (Juízes 17-18). No início do reino dividido, Jeroboão, o rei efraimita de Israel, introduziu a idolatria, erigindo bezerros de ouro em Dã e Betel (1 Reis 12:29). Betel ficava na divisa entre os territórios de Efraim e Benjamim, mas foram os efraimitas que tomaram controle desta cidade no início do período dos juízes (Juízes 1:22-25). Durante o resto da história de Israel, “Efraim” praticamente se tornou sinônimo de “idolatra” (Oséias 4:17; 5:11; 8:11; 13:12). O filho de uma mulher de Dã, também, foi morto por sua blasfêmia na época de Moisés (Levítico 24:10-14). A omissão destas duas tribos pode ser uma maneira de mostrar que Deus expulsaria qualquer tribo manchada com o pecado, especialmente com a idolatria.
É 144.000 o número fixo de pessoas que estarão no céu? Há pessoas que ensinam que este número identifica, literalmente, o número exato de pessoas que estarão no céu. Há muitos problemas com esta interpretação. Observe alguns fatos:
1 -  A visão de 7:1-8 fala dos fiéis na terra, e nada diz sobre o céu até voltar ao trono, a partir de 7:9. Ironicamente, os 144.000 estão na terra e a grande multidão diante do trono celestial, exatamente ao contrário da doutrina que alega 144.000 no céu e a grande multidão na terra.
2 - As pessoas que defendem essa interpretação decidem, por capricho próprio, tratar o número como um valor literal, mas consideram os outros aspectos como figuras. Não dizem que os 144.000 são literalmente judeus, ou que a tribo de Dã é literalmente excluída, ou que todos são literalmente homens virgens (veja 14:4). Ou tratemos todos os detalhes como descrições literais, ou reconheçamos a natureza simbólica desta visão, a única maneira coerente de interpretá-la no seu contexto. Os 144.000 são os servos de Deus selados na terra antes de começar os grandes castigos dos quatro ventos. Estes, permanecendo fiéis, iam se encontrar no céu entre os vencedores.
Judá esta em primeiro lugar nessa lista das tribos de Israel porque Cristo, o Messias, e o Leão da tribo de Judá (Ap 5.5; Gn 49.8-10). Rubem e a seguinte, como o primogênito de Jacó (Gn 49.3,4). As tribos de Da e Efraim são omitidas, talvez por causa da idolatria deles no período dos Juízes, ilustrada pelo incidente em Da (Jz 18). Jose e seu filho Manasses estão incluídos, assim como Levi, chegando a 12 o numero das tribos.

A Grande Multidão (7:9-17)

Apocalipse 7:9 - Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
Vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar: Algumas interpretações tratam a grande multidão como um grupo distinto dos 144.000. Para alguns, os 144.000 habitam no céu enquanto a grande multidão herda a terra. Para outros, os 144.000 são judeus e a grande multidão, gentios. Parece mais coerente, porém, ver aqui uma progressão que passa dos fiéis na terra aguardando a tribulação aos fiéis no céu depois de passar pela tribulação. Nas próximas linhas, vamos ver as evidências apoiando esta interpretação.
De todas as nações, tribos, povos e línguas: Esta grande multidão não consiste em anjos ou outros seres celestiais. São pessoas redimidas de todas as nações – pessoas abençoadas por meio do descendente de Abraão (Gênesis 12:3; Gálatas 3:28-29).
Em pé diante do trono e diante do Cordeiro: Somente os vencedores, aqueles justificados pelo sangue do Cordeiro, teriam como se susterem no Dia da ira de Deus para ficar em pé diante do trono (6:17; 7:14).
Vestidos de vestiduras brancas: A vestimenta dos vencedores (3:4-5; 6:11). Descobriremos mais sobre essas pessoas nos versículos 13-15.
Com palmas nas mãos: As palmas, ou ramos de palmeiras, identificam para nós o pano de fundo desta cena. Levítico 23:33-43 descreve a Festa dos Tabernáculos. Nesta festa anual, o povo se alegrava perante o Senhor em lembrar da libertação do Egito e do seu tempo com Deus, habitando em tendas, no deserto. Esta festa era comemorada logo após o Dia da Expiação (Levítico 23:26-32). Foi numa Festa dos Tabernáculos que Jesus ofereceu a água da vida ao povo (João 7:37-39). Lembramos, também, das festividades e dos ramos de palmeiras quando Jesus entrou em Jerusalém (João 12:13).

Apocalipse 7:10-12 – e clamavam em grande voz dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação...
A grande multidão, além de louvar o Altíssimo e o Cordeiro pela salvação, mais adiante, glorificara a Deus por julgar a Babilônia (Ap 19.1-3) e proclamara as bodas do Cordeiro (v.6,7). Essa multidão de caráter multinacional poderia muito bem representar o fruto evangelístico do trabalho dos 144 mil durante o período de sete anos de tribulação. Em Seu furor, Deus se lembrara da misericórdia. As vestes brancas podem ser as dos crentes vencedores (Ap 3.5,18) ou as dos mártires (Ap 6.11). Palmas eram normalmente agitadas pela multidão em celebrações de vitória (Jo 12.13).
Por meio da retomada depois destas coisas, João vê  “(vi... vs. 9”), anuncia-se novamente uma mudança de cena. É uma troca de local, pois agora João não está mais olhando, como em Ap 7.1, para a terra, e sim para o santuário celestial (vs. 15).

Apocalipse 7:13-17 - Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes que se vestem de vestiduras brancas, quem são e de onde vieram?...
Acrescenta-se uma total mudança de situação. Enquanto o selamento precedia expressamente as tempestades do fim dos tempos, agora a grande tribulação já é coisa do passado (v. 14). Associa-se a esta mudança uma alteração da disposição. No lugar de uma tensão prenhe de desgraça em vista do perigo iminente ocorre o cântico de vitória.
E eis grande multidão que ninguém podia enumerar. Assim como o v. 4 impõe-se novamente a impressão da magnitude. A promessa a Abraão em Gn 15.5 foi cumprida: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.” Abraão não é capaz de contá-las. Conforme Hb 11.12 ela é para ele incontável, o que obviamente não pode valer para Deus. Desta maneira também a presente multidão é incontável para João, porém enumerável para Deus, não ocorrendo uma contradição com o v. 4. Lá Deus contou e pode revelar o número, aqui João tenta fazê-lo, deparando-se com a impossibilidade de contar.
Na especificação subsequente da origem intensifica-se a lembrança de Abraão. De todas as nações, tribos, povos e línguas.323 Em Abraão haveriam de ser “abençoadas todas as nações, todas as gerações da terra” (Gn 22.18; 12.3). O número de quatro definições volta a ressaltar a dimensão da abrangência. João vê na igreja a humanidade abençoada em Abraão.
João tem a visão da igreja formada de todas as nações, tribos, raças e línguas, superando a Babilônia que confundia os povos e representando as primícias (Ap 14.4) de uma humanidade reunificada, congregada em torno do centro da restauração, em pé diante do trono e diante do Cordeiro (Ap 5.13). Estão vestidos de vestiduras brancas como os mártires na visão do quinto selo. Agora, portanto, está completo o número deles (Ap 6.11), todos estão reunidos como uma grande multidão, e a tribulação chegou ao fim. O número cheio relembra novamente Ap 7.4. Além da vestimenta de vencedores trazem ainda ramos de palmas nas mãos. A ilustração de um vencedor. Contudo, também um escrito judaico traz a frase: “Quem traz em suas mãos a folha de palmeira, dele sabemos que é vitorioso”.

RESUMINDO...
Os quatro anjos se preparam para o julgamento dos ímpios, mas recebem ordem para não danificarem a terra até que seu povo, os judeus, que aguardam a vinda do seu Messias como Rei. Esses judeus juntamente com a igreja que não fora arrebatada receberão uma proteção de Deus através do seu selo para não sofrerem a ira de Deus, assim como o povo de Israel foi protegido das 10 pragas sobre o Egito nos tempos de Moisés.
A multidão que João vê, a qual ninguém consegue contar, são os salvos da tribulação que juntamente com toda a Igreja arrebatada e os Anjos se prostram diante de Deus dando-lhe glórias e aleluias e louvor, em sinal de misericórdia, pois mesmo não sendo merecedores, Deus os fez dignos de seu reino.