sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A P O C A L I P S E / QUARTA PARTE - EXECUÇÃO DIVINA 2


No capítulo 15, um dos quatro seres viventes deu as sete taças da cólera de Deus aos sete anjos, e o santuário se encheu com a fumaça da glória e do poder de Deus. Agora, cada um dos anjos derramará a sua taça, trazendo uma série de sete flagelos para castigar os adoradores da besta e os servos do dragão. Algumas dessas pragas nos lembram das pragas que Deus enviou para castigar os egípcios quando Moisés foi libertar o povo de Israel. Perceba que na estrutura do livro de Apocalipse, João o autor, utiliza muitas figuras do Antigo Testamento. Em Apocalipse 16, por exemplo, vemos uma clara alusão as pragas derramadas sobre o Egito, no Êxodo. A sequência não é a mesma, mas a similaridade é inegável.
Os Anjos Derramam as Suas Taças (Apocalipse 16:1-21)
A primeira das taças causa feridas nas pessoas (v.2), assim como a praga das úlceras em Êxodo 9:10. A terceira taça que transformou águas do rio e fontes, em sangue (v.4) é uma clara alusão à praga que tornou a água do Egito em sangue (Êxodo 7:19). A quinta taça trouxe trevas sobre a Terra (v.10) e é um reflexo da praga que trouxe escuridão ao Egito (Êxodo 10:22). A sexta taça secou as águas do rio Eufrates e fez surgir três espíritos diabólicos com a semelhança de rãs (v.13), o que nos lembra a praga das rãs que cobriram a terra do Egito (Êxodo 8:6). Por fim, a sétima taça trouxe chuva de granizo a terra (v.21), algo semelhante a chuva de granizo que arrasou o Egito (Êxodo 9:23,24).
Antes de considerar o conteúdo de cada taça, observemos os paralelos entre as sete taças e as sete trombetas:
As Trombetas
As Taças
1ª – Terça parte da terra (8:7)
1ª – Adoradores da besta na terra (16:1-2)
2ª – Terça parte do mar se torna em sangue (8:8-9)
2ª – O mar se torna em sangue (16:3)
3ª – Terça parte dos rios e das fontes se torna amargosa (8:10-11)
3ª Os rios e as fontes se tornam em sangue (16:4-7)
4ª – Terça parte do sol, da lua e das estrelas escurece (8:12)
4ª – O sol queima os homens com fogo (16:8-9)
5ª – O rei dos gafanhotos traz escuridão e tormento aos homens ímpios (9:1-11)
5ª – O reino da besta se torna em trevas; os homens ímpios sofrem dor (16:10-11)
6ª – Os anjos atados junto ao Eufrates soltam o exército (9:13-19)
6ª – O Eufrates seca para preparar o caminho dos reis para a peleja (16:12-16)
7ª – Cumprir-se-á o mistério de Deus (10:7); Chegou a ira de Deus contra as nações para destruir os que destroem a terra; Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada (11:15-19)
7ª – Feito está! (16:17); Caíram as cidades das nações; Deus dá o cálice da sua ira; Relâmpagos, vozes, trovões e terremoto (16:18-19)




























 A Primeira Taça (16:1-2)
Apocalipse 16:1 – Ouvi, vinda do santuário, uma grande voz, dizendo aos sete anjos: Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus.
Ouvi, vinda do santuário, uma grande voz, dizendo aos sete anjos: Deus está no santuário, envolto na fumaça impenetrável (15:8). Esta voz, então, é a voz de Deus dando ordem aos sete anjos.
Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus: Os anjos recebem a ordem de derramar as suas taças, trazendo a ira de Deus. A cólera ou furor de Deus vem em resposta à cólera do dragão (12:12) e à fúria da prostituição da grande Babilônia (14:8). Mas a cólera do dragão dura pouco tempo (12:12) enquanto esta fúria vem de “Deus, que vive pelos séculos dos séculos” (15:7).
Apocalipse 16:2 – Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra, e, aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem, sobrevieram úlceras malignas e perniciosas.
Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra: A obediência imediata é característica dos servos fiéis ao Senhor. Deus mandou, e o anjo foi. A sua taça castiga a terra ou, mais precisamente, os adoradores da besta na terra.
Aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem: Aqueles que cederam à pressão e participaram do culto imperial para evitar as consequências diante do governo romano (13:14-17) agora sofrem nas mãos do Soberano Rei dos reis.
Sobrevieram úlceras malignas e perniciosas: Como a sexta praga no Egito (Êxodo 9:8-9), os adoradores da besta foram afligidos por úlceras. Aquela praga atingiu os próprios magos, aqueles que induziam as pessoas a acreditarem em falsas religiões. (Êxodo 9:11). Esta afeta os participantes de falsa religião.
Também o que se percebe entre um período e o outro, é um aumento na gravidade dos danos causados por cada uma das séries. O que fica ainda mais claro, quando cada trombeta e taça, é analisada individualmente.

A Segunda Taça (16:3)
Apocalipse 16:3 – Derramou o segundo a sua taça no mar, e este se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que havia no mar.
Derramou o segundo a sua taça no mar: Já observamos que o mar, muitas vezes, simboliza a sociedade mundana (13:1). Aqui o castigo vem sobre as nações rebeldes. O mar Mediterrâneo, também, foi o foco comercial do império romano. Qualquer praga que ataque o mar sempre trará a grande impacto financeiro (18:17-19). E este se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que havia no mar: Como na primeira praga no Egito, que causou a morte dos peixes (Êxodo 7:1-25), este flagelo causa a morte dos seres viventes no mar.
Pelo fato que todos os outros flagelos afligem pessoas, e não a natureza, podemos concluir que os seres viventes no mar são, também, homens. Este entendimento se torna mais forte com os flagelos que se seguem.

A Terceira Taça (16:4-7)
Apocalipse 16:4 – Derramou o terceiro a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue.
Derramou o terceiro a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue: Rios e fontes são essenciais para sustentar a vida. Esta praga, como a praga no Egito, deixa os perversos sem água potável. Se não vier algum alívio, a consequência será a morte.
Apocalipse 16:5 – Então, ouvi o anjo das águas dizendo: Tu és justo, tu que és e que eras, o Santo, pois julgaste estas coisas;
Então, ouvi o anjo das águas dizendo: Além do seu trabalho de derramar sua taça sobre os rios e as fontes das águas, este anjo tem uma proclamação.
Tu és justo, tu que és e que eras, o Santo, pois julgaste estas coisas: Em executar uma parte do julgamento dos ímpios, o anjo percebe a justiça de Deus, e o adora. A justiça divina sempre foi motivo de louvor: “Levanto-me à meia-noite para te dar graças, por causa dos teus retos juízos” (Salmo 119:62). Deus é eterno, Santo e justo.
Apocalipse 16:6 – porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tens dado a beber; são dignos disso.
Porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tens dado a beber; são dignos disso: A água se torna em sangue porque os habitantes do mundo haviam derramado sangue inocente. Mais uma vez, observamos a ligação entre os castigos e a pergunta do quinto selo: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (6:10). Desde a morte de Abel, Deus ensinara aos homens o princípio da vingança de sangue: “Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; de todo animal o requererei, como também da mão do homem” (Gênesis 9:5).
Este motivo é citado frequentemente em outras profecias do Velho e Novo Testamentos para explicar o castigo de diversas pessoas – indivíduos, cidades e nações. Considere estes exemplos: Jerusalém e Judá foram castigados porque o rei Manassés derramou muito sangue inocente e fez Judá pecar com os seus ídolos (2 Reis 21:10-16); Jeoaquim, um dos últimos reis de Judá, foi condenado pelo mesmo motivo (Jeremias 22:17-19); o derramamento de sangue inocente foi um dos motivos da opressão e do cativeiro do povo de Israel (Salmo 106:34-46); os profetas citaram o mesmo motivo quando falaram das consequências dos pecados de Israel e de Judá (Isaías 26:21; 59:3,7; Jeremias 7:6; Ezequiel 22:27). Uma outra passagem importante fala sobre a casa de Acabe, especialmente Jezabel, que foram castigados por terem derramado o sangue dos servos, dos profetas (2 Reis 9:7). Todas essas profecias foram cumpridas nos séculos antes da vinda de Jesus. Servem para entender a linguagem do Apocalipse, mas não para identificar o cumprimento principal destas profecias de João, feitas depois da morte de Jesus.
Uma profecia relevante ao contexto do Apocalipse se encontra em Joel. Depois de estabelecer Jerusalém espiritual (Joel 2:28 - 3:1), Deus reúne as nações para o julgamento no vale de Josafá (Joel 3:2). Os crimes são ofensas contra o povo do Senhor, inclusive o pecado de terem derramado sangue inocente em Judá. Esta vingança é ligada ao estabelecimento do reino de Deus e à sua habitação em Sião (Joel 3:17-21), temas principais no Apocalipse.
Quando chegamos aos evangelhos, as figuras mais próximas se encontram nos comentários de Jesus sobre os pecados dos judeus. Ele condenou os escribas e fariseus por imitar as atitudes dos seus ancestrais em matar profetas e justos (Mateus 23:29-36) e, logo em seguida, profetizou sobre a destruição de Jerusalém, uma profecia cumprida em 70 d.C. Comentários semelhantes são relatados em Lucas 11:45-52.
Observando a semelhança das palavras de Jesus e a condenação da meretriz do Apocalipse (16:6; 17:6; etc.), alguns estudiosos concluem que são profecias do mesmo castigo, e que a meretriz (Babilônia) do Apocalipse é a cidade de Jerusalém. Existem vários argumentos a favor dessa interpretação, e outros contra. Alguns estudiosos apontam para a cidade de Roma onde está a profanação religiosa do mundo através do papismo, mas acredito que seja mesmo a cidade de Jerusalém curvada diante do papismo adotando uma única religião em adoração ao anticristo.
As semelhanças entre os comentários de Jesus e a linguagem do Apocalipse provam que a meretriz é Jerusalém? Na verdade, é a mesma questão que surgiu no capítulo 11, quando falou da “grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado” (11:8).
Apocalipse 16:7 – Ouvi do altar que se dizia: Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.
Ouvi do altar que se dizia: Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos: Novamente, voltamos ao quinto selo (6:9-11). As almas debaixo do altar pediram vingança, e Deus respondeu que teriam que esperar mais um pouco. Agora que o Senhor deu sangue para os opressores beberem, o altar proclama a justiça de Deus. A justiça divina pode demorar, mas ela vem! Pedro diz que qualquer demora na aplicação da justiça divina deve ser vista como uma demonstração da misericórdia e longanimidade de Deus (2 Pedro 3:7-10).

A Quarta Taça (16:8-9)
Apocalipse 16:8 – O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo.
O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo: Nos primeiros quatro flagelos, como nas primeiras quatro trombetas (8:7-13), as forças da natureza são os instrumentos de Deus para castigar os homens perversos. O sol normalmente ilumina, possibilitando a vida. Em outras situações, Deus castigou os homens negando-lhes a luz do sol (8:12; Êxodo 10:21-23; Joel 2:32; Mateus 24:29). Esta vez, o castigo vem por meio do calor excessivo que queima, e serve para afligir os adversários do Senhor. Deus usa o fogo para destruir os seus inimigos (Salmo 97:3; 104:4). Da mesma maneira que algumas das pragas atingiram os egípcios e não os israelitas, as pessoas que sofrem sede por não terem água potável (16:4-7) são punidas com esta praga de calor insuportável, enquanto os fiéis que saem da grande tribulação são protegidos do calor e nunca terão sede (7:16).
Apocalipse 16:9 – Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória.
Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus: O castigo vem por causa da injustiça dos homens, mas os ímpios ainda ousam levantar as suas vozes contra o Senhor. É triste observar como a mesma coisa acontece hoje. O sofrimento entrou no mundo por causa do pecado do homem, mas muitos usam a dor como motivo de questionar a justiça e negar a bondade de Deus. Alguns até rejeitam a existência de Deus por causa da injustiça do homem!
Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos: Os castigos vêm de Deus. Em vez de buscar perdão e clemência, os homens blasfemam o nome do Senhor.
E nem se arrependeram para lhe darem glória: Da mesma maneira que Faraó endureceu seu coração depois das pragas no Egito (Êxodo 7:22; 8:15,19,32; 9:7,12,34-35; 10:1,20,27; 13:15), este povo recusa a se arrepender. Não aceitaram o castigo como disciplina (3:19; Hebreus 12:5-6), e sim como motivo para rejeitar o Senhor. Quando pessoas hoje usam o sofrimento como motivo para negar a existência de Deus, cometem o mesmo erro fatal. Independente da fonte do sofrimento, devemos usá-lo para nos aproximar de Deus (Tiago 1:2-4; 2 Coríntios 12:7-10). 

A Quinta Taça (16:10-11)
Apocalipse 16:10 – Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam
Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta: A besta não é o poder superior! O anjo de Deus derrama sua taça sobre o trono da besta, porque vem de um lugar mais alto. Homens enganados podem exaltar a besta (13:4), mas ela não é igual a Deus, nem ao mensageiro usado por Deus para derramar a sua ira.
A quinta trombeta trouxe escuridão e tormento (9:1-12), como também a quinta taça.
Cujo reino se tornou em trevas: Os egípcios adoraram o sol, e Deus causou três dias de escuridão (Êxodo 10:21-23). Aqui o reino da besta se torna em trevas, provavelmente referindo-se ao engano das mentiras daquela que se apresenta como um deus digno de adoração.
E os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam: O reino da besta sofre dor insuportável. Enquanto o Senhor oferece refúgio e proteção aos seus servos (7:16-17), os servos da besta são atormentados.
Apocalipse 16:11 – e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras.
E blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam, e não se arrependeram de suas obras: Como fizeram na sexta trombeta (9:20-21) e na quarta taça (16:9), os ímpios ainda recusam a se arrependerem. É mais fácil colocar a culpa em Deus do que aceitar a responsabilidade pelo próprio pecado. Diferente das pragas do Egito, onde cessou uma antes de começar a próxima, estes flagelos continuam. Chegamos à quinta taça, e os homens ainda estão sofrendo com as aflições que começaram na primeira (16:2). As obras dos pecadores são o motivo do castigo, em contraste com as obras dos santos que são as roupas puras que usam na presença do Cordeiro (19:8).

A Sexta Taça (16:12-16)
Apocalipse 16:12 – Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol.
Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol: Esta figura apresenta algumas dificuldades, e as explicações são diversas. Quais reis vêm do oriente? É o mesmo exército que os espíritos imundos se ajuntam nos versículos seguintes, ou é o povo de Deus vindo para estar com ele diante das ameaças dos servos do diabo?
Por vários motivos, parece-me mais razoável ver aqui os servos de Deus. Considere:
1. Quando Deus voltou para abençoar seu povo e habitar no meio dele, sua glória “entrou no templo pela porta que olha para o oriente” (Ezequiel 43:4).
2. Todas as pessoas na Bíblia que atravessam corpos de água em terra seca são os servos de Deus sob a sua proteção, não os seus inimigos: os israelitas na saída do Egito (Êxodo 14:15-25; Salmo 106:9-10); os israelitas na entrada em Canaã (Josué 3:12 - 4:18); Elias e Eliseu juntos (2 Reis 2:4-8); Eliseu sozinho (2 Reis 2:13-14). Na profecia de Isaías 11:15-16, Deus seca o Eufrates para permitir o restante do seu povo escapar do cativeiro. Em Isaías 51:10, Deus secou as águas do mar para deixar passar os remidos (cf. Zacarias 10:10-12).
3. Exércitos são representados como águas ou rios, até pelas águas do Eufrates (Isaías 8:7-8), e o vento de Deus seca e espalha essas águas (Isaías 17:12-14).
4. O exército que vem do Eufrates na sexta trombeta é de Deus, trazendo fogo e enxofre e matando a terça parte dos homens ímpios (9:13-21).
Baseado nestas observações, o que vemos aqui é a ação de Deus para vencer o poder militar dos ímpios e deixar os seus fiéis atravessarem o Eufrates em terra seca para chegar ao Senhor. É uma imagem do povo voltando do cativeiro para habitar na presença de Deus, e para ficar com o Senhor contra o diabo e seus servos.
Apocalipse 16:13 – Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs;
Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta: O diabo e seus dois principais aliados: a besta (do mar) e o falso profeta (a besta da terra, que induz as pessoas a adorarem a besta do mar). Sabemos que tudo que sai da boca deles é mau, pois o diabo é o pai da mentira (João 8:44).
Três espíritos imundos semelhantes a rãs: Saindo da boca destes três personagens, obviamente são imundos. Rãs são mencionadas aqui e nas referências à segunda praga no Egito (Êxodo 8:1-15; etc.). No Antigo Testamento, foram consideradas imundas e, por isso, abominações (Levítico 11:9-10).
Apocalipse 16:14 – porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso.
Porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais: É uma batalha espiritual, e os servos do diabo vêm com seus sinais para enganar os homens. Foi por causa dos sinais dos magos que Faraó endureceu seu coração nas primeiras pragas (Êxodo 7:22). Paulo falou dos sinais da mentira usados pelo iníquo para enganar os homens (2 Tessalonicenses 2:9-12).
E se dirigem aos reis do mundo inteiro: Estes espíritos têm um objetivo específico. Querem enganar os reis do mundo. Novamente, a figura destaca a influência mundial do dragão e de seus aliados, um fato que se enquadra bem com as características do império romano identificado no capítulo 13.
Com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso: O propósito dos espíritos enganadores é colocar os reis contra Deus. Desde o Éden, o Diabo tem procurado criar inimizade entre Deus e os homens. Ele distorceu e contrariou a palavra de Deus para enganar Eva, e vem fazendo a mesma coisa ao longo da história. Aqui, os servos dele têm o propósito de ajuntar os reis da terra contra os servos de Deus.
A peleja pode ser uma batalha física, como a batalha entre Israel e Síria, em que um “espírito mentiroso na boca de todos os ... profetas” de Acabe enganou o rei para provocar a guerra (1 Reis 22:1-28). Também pode ser uma batalha espiritual, como as batalhas contra os príncipes da Pérsia e da Grécia em Daniel 10:13-21. Podemos incluir os dois aspectos, como a luta do Faraó contra Deus, que envolveu tanto a batalha espiritual de um coração obstinado como o exército do Egito que morreu no Mar Vermelho. Independente da natureza da batalha em si, o resultado seria o julgamento dos povos rebeldes, semelhante a cena no vale da Decisão em Joel 3. Deus vai julgar os reis enganados pelos espíritos que saem da boca do dragão, da besta e do falso profeta.
Apocalipse 16:15 – (Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.)
Antes de deixar João continuar o relato do trabalho dos espíritos imundos, Jesus interrompe com uma mensagem de exortação aos fiéis.
Eis que venho como vem o ladrão: A figura do ladrão é utilizada na Bíblia para enfatizar o julgamento repentino e a falta de preparo das pessoas julgadas. Representa as consequências naturais do pecado e da negligência nesta vida (Provérbios 6:9-11), como também a vinda do Senhor para julgar (Lucas 12:35-40; Mateus 24:42-43; 1 Tessalonicenses 5:2-4; 2 Pedro 3:10; Apocalipse 3:3). A ênfase está na preparação para a chegada do Senhor.
Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha: Esta é a terceira de sete bem-aventuranças no livro. A pessoa preparada, que não teme a vinda do Senhor, vigia e aguarda o Senhor (cf. Mateus 25:1-13). Guardar as vestes indica a pureza dos fiéis, que “não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco” (3:4; cf. Tiago 1:27). A nudez, por outro lado, mostra a impureza de pessoas despreparadas, como a igreja em Laodicéia (3:17). Quando Adão perdeu a sua inocência e ouviu a voz de Deus no jardim, ele se escondeu porque estava nu e envergonhado (Gênesis 3:8-10). A nudez representa a vergonha, especialmente a vergonha de castigo (Ezequiel 16:36-37; Oséias 2:9-10; Miquéias 1:1; Naum 3:5).
Apocalipse 16:16 – Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom.
Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom: A batalha não acontece no capítulo 16. Teremos que esperar até o capítulo 19 para ver o resultado desta guerra. No momento, o Senhor quer mostrar o lugar da batalha – Armagedom. Esta palavra aparece somente aqui, mas o próprio versículo diz que ela é de origem hebraica. A palavra significa “monte de Megido” ou “cidade de Megido”, e nos lembra do significado da região de Megido em batalhas decisivas do Antigo Testamento. Foi o local da vitória de Israel sobre Jabim e Sísera (Juízes 4 e 5, especialmente 5:19). Josias morreu da ferida que sofreu na batalha contra Neco, rei do Egito, no vale de Megido (2 Crônicas 35:22-24). Outras batalhas na região de Jezreel e Megido incluem: a vitória de Gideão sobre os midianitas (Juízes 7); a batalha final de Saul contra os filisteus (1 Samuel 31). Quando Jeú, encarregado com a exterminação da casa de Acabe, mandou matar Acazias, rei de Judá, este morreu em Megido (2 Reis 9:27). Armagedom, então, representa um lugar de julgamento e de batalhas decisivas. Certamente, Deus julgará e aplicará a sua justiça!

A Sétima Taça (16:17-21)
Apocalipse 16:17 – Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está!
Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar: Especialmente quando pensamos nos paralelos entre as taças e as trombetas (veja a tabela comparativa no início), chegamos à última taça esperando o cumprimento da ira de Deus. Encontraremos mais detalhes nos capítulos 17 e 18, mas a segunda voz já anunciou a queda da Babilônia (14:8). A vitória sobre os reis da terra será declarada no capítulo 19, mas já sabemos que os povos enganados aguardam em Armagedom, onde Deus pronunciará a sentença de condenação (16:16). Atrás de todos os reis e atrás da cidade mundana jaz a influência do dragão, o diabo. A sétima taça leva a batalha à casa do Adversário. A taça é derramada pelo ar, diretamente atingindo “o príncipe da potestade do ar” (Efésios 2:1). Satanás é o príncipe deste mundo (João 12:31; 14:30; 16:11) e o “deus deste século” que cega os incrédulos (2 Coríntios 4:14).
Saiu grande voz do santuário, do lado do trono: A voz vem do trono que está no santuário. Deus está no santuário, e ninguém mais podia entrar até que se cumprissem os sete flagelos (15:8).
Feito está!: As palavras enganadoras dos espíritos imundos podem conduzir os reis da terra a uma falsa expectativa de vitória, mas o verdadeiro vencedor é o próprio Senhor. Quando ele declara o seu plano cumprido, podemos ter certeza da vitória dos fiéis.
Apocalipse 16:18 – E sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande.
E sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto: É de Deus! São os sinais que saem do trono de Deus (4:5) e do altar que se acha diante do trono (8:5). São os sinais que vêm do santuário depois da sétima trombeta (11:19). Aqui, estes sinais reforçam as palavras da voz do santuário. Está feito!
Terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande: Há uma tendência por parte de muitas pessoas de entender expressões proverbiais de forma literal. Mas, da mesma maneira que falamos do “melhor dia da minha vida” ou dizemos “eu nunca vi nada igual”, a Bíblia também emprega provérbios que não devem ser interpretados literalmente. Podemos ilustrar a linguagem proverbial comparando duas afirmações sobre Jerusalém. Deus falou da destruição de Jerusalém em 586 a.C. nestas palavras: “Executarei juízos no meio de ti, à vista das nações. Farei contigo o que nunca fiz e o que jamais farei, por causa de todas as tuas abominações” (Ezequiel 5:8-9). Literalmente nunca fez e jamais faria coisa igual? Não! O próprio Jesus falou da mesma cidade 600 anos depois, e disse: “Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mateus 24:21). Se Ezequiel e Jesus falassem literalmente, as suas palavras se contradiriam. Mas são expressões proverbiais. Não precisamos procurar a maior tribulação da história para acreditar e entender as palavras de Ezequiel e as de Jesus, e não precisamos procurar o pior terremoto da história para acreditar na profecia da sétima taça. Nem precisamos de um terremoto literal para entender o ponto. Mas não devemos diluir a mensagem e perder o impacto. Deus disse “Feito está!” e chamou atenção a suas palavras com sinais assustadores.
Apocalipse 16:19 – E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira.
A grande cidade: Encontramos, novamente, a grande cidade que recebe a cólera de Deus. Há um contraste importante no livro entre a cidade santa, a nova Jerusalém e a grande cidade mundana, a Babilônia. A grande cidade representa a corrupção de uma cidade que vivia da prostituição de suas relações comerciais com as nações, e destaca mais uma característica do poder do império romano. A besta do mar enfatiza seu poder de dominar, especialmente o poder militar dos reis. A besta da terra representa seu poder religioso, a religião imperial pela qual as pessoas foram obrigadas a adorarem Roma ou seus imperadores. A Babilônia destaca as relações comerciais pelas quais Roma dominava a economia mundial. O sétimo flagelo fala do castigo da grande cidade Babilônia, que será descrito em mais detalhes nos capítulos 17 e 18.
Se dividiu em três partes: A divisão em três partes enfatiza a derrota total da grande cidade. Ezequiel dividiu a cidade de Jerusalém, simbolicamente, em três partes, para mostrar a destruição total dela (Ezequiel 5:1-4). A Babilônia é ferida por três flagelos em um só dia (18:8), frisando a sua destruição total.
Caíram as cidades das nações: As cidades das nações dependiam da grande cidade. Quando ela cai, elas também caem. O lamento dos reis e comerciantes em 18:9-19 mostra como a queda da Babilônia teria impacto enorme nas outras nações. Não teriam mais o seu mercado principal, causando um colapso econômico geral.
E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho da sua ira: Já observamos o significado do cálice da ira de Deus. Os adoradores da besta beberiam deste cálice. Agora aprendemos que a própria Babilônia, a mesma que deu às nações o “vinho da fúria da sua prostituição” (14:8) teria que beber da ira de Deus (cf. 18:5-6).
Apocalipse 16:20 – Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados;
Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados: Este versículo reforça o sentido do anterior, mostrando os efeitos mundiais da queda da Babilônia. A linguagem nos lembra do sexto selo (6:12-17). Quando Deus desce para julgar, “os montes debaixo dele se derretem” (Miquéias 1:4; cf. Naum 1:5; Salmos 18:7-15; 97:5). As ilhas, por serem espalhadas e ocupadas por diversos povos, são ligadas às nações (Gênesis 10:5; Isaías 40:15; 41:1; Sofonias 2:11). Quando Ezequiel profetizou a queda de Tiro, uma cidade que vivia do comércio no mar Mediterrâneo, ele falou de seu impacto nas ilhas: “Agora, estremecerão as ilhas no dia da tua queda; as ilhas, que estão no mar, turbar-se-ão com a tua saída” (Ezequiel 26:18). Da mesma maneira, o castigo de Roma prejudicaria as ilhas e os povos de toda a extensão do império.
Apocalipse 16:21 – também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande.
Também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento: Chuva de pedras de 45 quilogramas cada! Lembrando que os flagelos são cumulativos (16:10-11), podemos imaginar o sofrimento dos adoradores da besta. Têm úlceras, não têm água, sofrem sobre o calor intenso do sol, e agora vem chuva de pedras enormes!
Os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande: Todo este sofrimento deve ser motivo para se arrependerem, mas continuam endurecendo os corações. Não admitem os seus erros, nem a justiça de Deus.

Conclusão
A besta da terra tem poder para afligir e até matar os servos de Deus, aqueles que recusam adorar a besta. Mas Deus mostra seu poder para castigar com muito mais severidade os adoradores da besta. Os sete flagelos trazem sofrimento incrível aos seguidores da besta, mas eles ainda não se humilham diante de Deus.


sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A P O C A L I P S E / QUARTA PARTE - EXECUÇÃO DIVINA 1


PARTE 4 – EXECUÇÃO DIVINA

CAPÍTULO 15 – A CÓLERA DIVINA
Deus Envia os Sete Flagelos (Apocalipse 15:1-8)
Este capítulo destaca a Igreja Fiel e os vencedores da Grande Tribulação e a Ira de Deus sobre os ímpios na terra. Conforme a organização dos capítulos 14 e 15, este capítulo contém o sétimo sinal que, por sua vez, revela a próxima série de sete – os flagelos (as taças). Explicando o capítulo desta maneira, o sétimo sinal é interrompido por um pequeno intervalo, semelhante aos intervalos que precederam o sétimo selo do capítulo 7,  e a sétima trombeta (11:15). Como os outros intervalos, este serve para assegurar os fiéis. Deus prepara provações e castigos, mas não esquece dos seus servos, os vencedores exaltados que adoram a Deus e ao Cordeiro.
A representação dos anjos derramando as taças, encerra o ciclo da representação dos “sete”: selos, trombetas e os castigos.
Perceba que durante a abertura dos selos temos o registro da frase: “a quarta parte da terra” (6:8). Durante as trombetas vemos a expressão “um terço” para revelar danos parciais (8:7). Aqui, no derramamento das taças o julgamento é finalizado e a destruição é total.
Os sete anjos se preparam para derramar as taças da Ira de Deus sobre a terra, enquanto que a Igreja Fiel (Mar de Vidro) e os vencedores da Tribulação estão na glória e entoam o Cântico de Moises (Êxodo 15:1) e o Cântico do Cordeiro (Jer. 10:7)
O Santuário do Tabernáculo se abre para que seja entregue aos anjos as sete taças contendo a Ira de Deus e mais ninguém podia entra nele até que se cumpra toda sua ira sobre os ímpios. (Ex.40:34-35, I Rs 8:10-11, Isaias 6:2-4).

O Sétimo Sinal Introduzido (15:1)
Apocalipse 15:1 – Vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos tendo os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus.
Vi no céu outro sinal grande e admirável: Um “outro sinal” no céu sugere uma ligação aos sinais anteriores. Há dois possíveis significados:
1. A primeira possibilidade se baseia na linguagem do versículo em relação a dois outros versículos no Apocalipse que usam a mesma expressão (12:1 e 12:3). Nesta interpretação, este seria o terceiro de três grandes sinais no céu. Os primeiros dois apresentaram os dois lados da batalha – a mulher (igreja) e o dragão (diabo). Agora, o terceiro traz a resposta final de Deus, os sete últimos flagelos. 
2. A segunda possibilidade explica este versículo em relação ao contexto mais imediato, contando os sinais a partir das quatro vozes no capítulo 14. A primeira voz: o evangelho para as nações, avisando sobre o juízo de Deus. A segunda voz: a Babilônia caiu. A terceira voz: os adoradores da besta atormentados. A quarta voz: os que morrem no Senhor serão abençoados. Depois disto o filho do homem ceifa a terra e logo em seguida os sete anjos recebem as taças dos sete flagelos.
Sete anjos tendo os sete últimos flagelos: Do mesmo modo que o sétimo selo revelou os sete anjos com as sete trombetas, o sétimo sinal revela os sete anjos com os sete flagelos. “Flagelo” vem de uma palavra que significa ferimento (Lucas 10:30), açoite (Atos 16:23; 2 Coríntios 11:23; etc.) ou praga (diversas vezes na LXX). Os sete flagelos são os açoites enviados por Deus para castigar os homens dignos de sua reprovação. Da mesma maneira que ele mandou pragas sobre os egípcios, os israelitas rebeldes, etc., ele agora envia pragas para castigar aqueles que adoram a besta.
Com este se consumou a cólera de Deus: Sobre a cólera de Deus, (11:18 e 14:10). A cólera de Deus põe um fim em relação aos malfeitores no Apocalipse. A mesma linguagem descreve o castigo do povo de Israel (Ezequiel 7:1-10).

O Intervalo (15:2-4)
Apocalipse 15:2 Vi como que um mar de vidro, mesclado de fogo, e os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome, que se achavam em pé no mar de vidro, tendo harpas de Deus;
Vi como que um mar de vidro, mesclado de fogo: O mar de vidro já apareceu na descrição de Deus no trono (4:6). Representa a santidade de Deus, separado de suas criaturas. Agora, a figura é ampliada para mostrar o progresso dos fiéis. Não é apenas o mar, mas o mar de vidro mesclado de fogo. O fogo representa, muitas vezes na Bíblia, o castigo divino. Mas desta vez, não está saindo do altar ou do trono. O fogo está relacionado às pessoas que se aproximam do Senhor. Um outro sentido mais relevante é das provações que servem para purificar e santificar os servos do Senhor (Números 31:23; Salmos 17:3; 66:10,12; Zacarias 13:9; 1 Coríntios 3:12-15; 1 Pedro 1:7; Apocalipse 3:18). Juntando as figuras do mar de vidro e do fogo, esta imagem destaca a necessidade de ser santificado pelo fogo para se aproximar de Deus. Este sentido é reforçado no restante do versículo.
E os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome: Como as figuras dos 144.000 (7:1-8; 14:1-5) e da grande multidão (7:9-17), esta descrição identifica os fiéis que resistem a tentação de adorar a besta. Aceitam a tribulação nesta vida e até aceitam a sua própria morte (13:14-17), mas não negam o Senhor (12:11).Que se achavam em pé no mar de vidro: A posição dos vencedores apresenta duas possibilidades pela frase “no mar”. A preposição usada aqui (grego, epi) pode ser traduzida de várias maneiras. Um sentido é “perante” ou “perto de”. Neste caso, os vencedores estariam na beira do mar, cantando o cântico de Moisés, nos lembrando da celebração de vitória quando os israelitas chegaram ao lado oriental do Mar Vermelho (Êxodo 14-15). O sentido mais provável, porém, é a tradução encontrada em muitas versões, usando o significado de “em” ou “sobre”. Neste caso, a imagem é dos vencedores em pé sobre o mar de vidro e fogo, passando pelas tribulações para chegar perto de Deus. Consistente com os símbolos do tabernáculo, dos altares, etc. já encontrados no livro, esta figura nos lembra do “mar de fundição” (1 Reis 7:23-26,39) ou “bacia de bronze” (Êxodo 30:17-21) do Antigo Testamento. Esta bacia ou mar servia para a purificação dos sacerdotes antes de entrarem na presença de Deus no tabernáculo ou templo. Os vencedores são os fiéis que, passando pela provação de fogo, são purificados para entrarem na presença de Deus (1 Coríntios 3:12-15; 1 Pedro 1:7).
Tendo harpas de Deus: A figura do louvor no templo se completa com a menção de harpas, que foram usadas na adoração em Jerusalém desde a época de Davi (2 Samuel 6:5; 1 Crônicas 25:1; etc.).

Apocalipse 15:3-4 – e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! 4 Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.
Duas figuras fortes de vitória se juntam aqui:  O cântico de Moisés celebrou a vitória que Deus deu aos israelitas sobre os egípcios (Êxodo 15). A salvação em Cristo é comparada à passagem pelo mar Vermelho (1 Coríntios 10:1-2). O Egito já tem aparecido como figura do adversário mundano que odeia os discípulos do Senhor (11:8). A vitória sobre as forças perseguidoras, sobre a besta e seus aliados, certamente seria motivo de louvor.  O cântico do Cordeiro, obviamente, refere-se à vitória dos remidos em Cristo. Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Deus é louvado por sua onipotência (cf. 1:8; 4:8; 11:17; 16:7,14; 19:6,15; 21:22). Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Ele é adorado por sua perfeita justiça (cf. 16:5; 19:2,11), e honrado como o soberano Rei dos reis (cf. 1:5; 6:10; 17:14; 19:16). Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor?: Palavras de desafio. Depois de ver todas as demonstrações do poder do soberano Rei, quem teria coragem de adorar a besta? Quem não daria honra e glória ao Senhor? Pois só tu és santo: Os quatro seres viventes já iniciaram o louvor no céu com a proclamação da santidade de Deus (4:8). Agora, todos são convocados a participarem da adoração merecida por Deus. Por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos: Quando completar a sua demonstração de poder, soberania e santidade, Deus será honrado por todos. Na cena de louvor dos capítulos 4 e 5, “toda criatura” participa da adoração (5:13). Deus exaltou o seu Filho, pois este merece a adoração de todos: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11). Alguns se humilham e honram a Deus voluntariamente (Tiago 4:10; 1 Pedro 5:6). Outros recusam se humilhar e são humilhados pela mão do Senhor (Lucas 14:11; 18:14). De um modo ou do outro, reconheceremos a justiça de Deus.

Apocalipse 15:5 – Depois destas coisas, olhei, e abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho
Depois destas coisas, olhei, e abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho: A cena continua com figuras do louvor no Velho Testamento. O santuário no céu, onde Jesus permanece à destra do Pai (Hebreus 9:11-12; Atos 2:34-36; 7:55-56), servia como a base da cópia feita por Moisés (Hebreus 9:23-24). As referências ao santuário no Apocalipse têm, como base, aquelas citações do tabernáculo e do templo dos judeus, mas falam do santuário verdadeiro. O Testemunho, ou arca da aliança, ficava no Santo dos Santos, e representava a presença de Deus no meio do povo. O que se segue neste sinal vem do trono de Deus.

Apocalipse 15:6 – e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro.
E os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário: Os mesmos sete anjos que João viu no versículo 1 agora saem do santuário com seus flagelos, claramente enviados por Deus. Vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro: Quando José foi escolhido como representante do Faraó, ele recebeu roupas de linho e um colar de ouro (Gênesis 41:42). Mordecai foi honrado pelo rei com vestes reais de ouro e linho (Ester 8:15). Ouro e linho faziam parte da vestimenta da rainha em Ezequiel 16:13. Linho fino e ouro foram usados no tabernáculo (Êxodo 25-27), e também nas vestes sacerdotais (Êxodo 28:4-8). As vestimentas de linho puro e de ouro mostram a santidade (cf. 19:8) e a autoridade destes anjos como representantes de Deus. Este significado se torna evidente em Daniel 10:5, onde a oração de Daniel foi respondida por “um homem vestido de linho, cujos ombros estavam cingidos de ouro puro de Ufaz”. A mensagem naquele capítulo é da vitória dos servos de Deus sobre os ímpios, a mesma mensagem que vem com os sete flagelos.

Apocalipse 15:7 – Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos.
Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus: Não pode haver dúvida. O que os sete anjos vão derramar vem de Deus. Anjos com roupas de sacerdotes reais saem do santuário e recebem as taças dos quatro seres viventes. As pragas que serão enviadas sobre a criação vêm do próprio Senhor, pois as taças estão cheias da ira do Senhor. As referências às taças de ouro ensinam uma coisa importante sobre a oração. A primeira vez que encontramos taças de ouro no Apocalipse é no 5:8, onde os quatro seres viventes tinham “taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”. Agora um dos quatro seres viventes entrega aos sete anjos as “taças de ouro, cheias da cólera de Deus”. Eles levaram as orações dos santos e trouxeram a resposta na forma da ira de Deus contra os ímpios. Já encontramos uma figura paralela no sétimo selo, quando o anjo com um incensário de ouro ofereceu o incenso e as orações dos santos e, em seguida, usou o incensário para atirar à terra o fogo do altar (8:3-5). Deus, que vive pelos séculos dos séculos: O dragão, as bestas, a Babilônia e todos os servos deles podem ser destruídos, mas Deus é eterno. A perseguição pode ser intensa, mas é passageira. Deus vive eternamente. A vida física do homem dura pouco, mas a vida com Deus é eterna. Esta perspectiva eterna se torna imprescindível para os discípulos, especialmente diante de tribulações.

Apocalipse 15:8 – O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos.
O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder: Na destruição de Sodoma e Gomorra, a fumaça subiu do fogo de castigo divino (Gênesis 19:28). Quando Deus desceu sobre o monte Sinai, o fogo do Senhor criou espessa fumaça (Êxodo 19:18). Davi juntou estas figuras – fogo, fumaça e castigo divino – num salmo de louvor ocasionado pelo seu livramento das mãos dos seus inimigos: “Na minha angústia, invoquei o SENHOR, clamei a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos. Então, a terra se abalou e tremeu, vacilaram também os fundamentos dos céus e se estremeceram, porque ele se indignou. Das suas narinas, subiu fumaça, e, da sua boca, fogo devorador; dele saíram carvões, em chama” (2 Samuel 22:7-9; cf. Salmo 18:6-8). Estas palavras de Davi se enquadram perfeitamente na mensagem dos flagelos. Os discípulos angustiados clamaram ao Senhor e suas orações foram levadas ao trono (5:8; 8:3-4), de onde veio a resposta do castigo divino para com os perseguidores (8:5; 15:8). E ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos: O santuário cheio da glória de Deus reflete as imagens da inauguração do tabernáculo (Êxodo 34:34-35) e do templo (1 Reis 8:10-11). Deus está no santuário, e nem os sacerdotes conseguem ficar na presença da sua glória. As obras dele na fumaça de glória e poder não são totalmente manifestas, mas depois de cumprir os seus julgamentos, o seu povo estará livre para caminhar rumo a terra prometida (Êxodo 40:36). Depois da fumaça dos flagelos e o castigo dos inimigos, os santos terão a visão clara da nova Jerusalém e da glória de Deus (capítulos 21 e 22).

Conclusão
Da mesma maneira que o sétimo selo revelou os sete anjos com as sete trombetas, o sétimo sinal apresentou os sete anjos com os sete flagelos. As orações dos santos foram ouvidas, e serão respondidas por meio de uma série de castigos derramados das sete taças de ouro. Deus está no seu santuário fazendo o seu trabalho. Ninguém pode penetrar este santuário até ele cumprir estes julgamentos.



sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A P O C A L Í P S E / TERCEIRA PARTE - A FÚRIA DE DEUS - Apoc.14:6-13


A FÚRIA DE DEUS - Apocalipse 14:6-13
O JUÍZO ANUNCIADO
Após a visão da primeira voz em Ap 14.1-5, que retrata a vitória daqueles que foram fiéis a Cristo em meio às dificuldades causadas pelos dois primeiros aliados do dragão, as duas bestas, que representam os governos anticristãos e as falsas religiões e filosofias ao longo da história da Igreja, João relata a visão de outras quatro vozes. Estas vozes darão continuidade ao contraste com o capítulo 13, entre a vida dos que servem ao Senhor e a dos que não servem.
As pessoas que optaram por uma vida de impiedade desfrutarão de prazeres e aparentes benefícios momentâneos, porém, estão fadados à perdição eterna. Entretanto, aqueles que perseverarem em sua fé em Cristo passarão por perseguição e outras dificuldades, mas têm a vitória garantida quando Cristo voltar trazendo juízo sobre a humanidade.
É uma referência àqueles que foram perseguidos e mortos durante a tribulação (Ap.7:9-17) por não aceitarem a imposição do anticristo, e que foram selados com o selo de Deus e agora estão diante do Trono em agradecimento a Deus. (Ez.9:4-6, Sof.3:13).

OS TRÊS ANJOS E SUAS MENSAGENS
6 Então vi outro anjo voando muito alto, com uma mensagem eterna do evangelho para anunciar aos povos da terra, a todas as raças, tribos, línguas e nações. 7 Ele disse com voz forte: - Temam a Deus e louvem a sua glória, pois já chegou a hora de Deus julgar a humanidade. Adorem aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas! 8 Um segundo anjo seguiu o primeiro, dizendo: - Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela embriagou todos os povos, dando-lhes o seu vinho, o vinho forte da sua terrível imoralidade! 9 Um terceiro anjo seguiu o segundo, dizendo com voz forte: - Aqueles que adorarem o monstro e a sua imagem e receberem o sinal na testa ou na mão 10 beberão o vinho de Deus, o vinho da sua ira, que ele derramou puro na taça do seu furor. Eles serão atormentados no fogo e no enxofre diante dos santos anjos e do Cordeiro. 11 A fumaça do fogo que os atormenta sobe para todo o sempre. Ali não há alívio, nem de dia nem de noite, para os que adoram o monstro e a sua imagem, nem para qualquer um que tenha o sinal do nome dele. 12 Isso exige que o povo de Deus aguente o sofrimento com paciência. Esse povo é aquele que obedecem aos mandamentos de Deus e são fiéis a Jesus. 13 Então ouvi uma voz do céu, que disse: - Escreva isto: felizes as pessoas que desde agora morrem no serviço do Senhor! - Sim, isso é verdade! - responde o Espírito de Deus. —Elas descansarão do seu duro trabalho porque levarão consigo o resultado dos seus serviços. (Ap.14:6-13 NTLH)

Apocalipse 14:6-7  -  A primeira voz: João vê um anjo voando pelo meio do céu tendo um evangelho eterno para pregar aos que estão acomodados neste mundo. O fato do anjo está voando no meio do céu garante sua visibilidade. Todos podem contemplá-lo e ouvi-lo, pois emite uma grande voz a cada nação, tribo, língua e povo. Isto demonstra o alcance de sua mensagem. Este é o Evangelho Eterno, o mesmo em todas as épocas. Os ouvintes dessa voz estão assentados sobre a terra. São “os que habitam sobre a terra”. Esta expressão em Apocalipse é utilizada em relação aos ímpios (6.10; 8.13; 11.10; 13.7,14), àqueles que vivem suas vidas alheias a vida de Deus (Ef. 4.17-19; Mt 24.37-39). Finalmente é pregado a todas as nações, povos, raças, línguas (Mt 24.14).
A mensagem anunciada é o evangelho de Cristo, entretanto, a ênfase é a ira de Deus. Observe que em Ap 8.13 a águia que voava pelo meio do céu trazia uma mensagem de juízo. Aqui, a mensagem diz que é chegada a hora do juízo. Nessa hora, todos temerão a Deus e lhe darão glória (Ap 11.13).  Até a terra e o céu fugirão da sua presença (Ap 20.11). Todos reverenciarão sua presença e reconhecerão sua glória, pois Ele é o Senhor e Criador e não a besta que surge do mar (Ap 13.4).
Deus é misericordioso e como é grande a Sua bondade! Mesmo em meio a tanta rebeldia sobre a Terra, o Senhor ainda dá a chance para o arrependimento. No entanto, a graça Divina um dia chegará ao seu fim e aqueles que rejeitam o amor de Deus serão desprezados por Ele. O Evangelho se baseia numa Pessoa, Jesus Cristo. É por meio Dele que Deus salva a humanidade de seus pecados e do mundo. No Velho Testamento, a salvação decorria de os homens olharem para o futuro, para Aquele que viria e morreria na cruz. Depois da morte e ressurreição de Jesus, nós olhamos para trás, para o que ocorreu na cruz. Os que estiverem na Grande Tribulação terão que crer na morte e ressurreição de Jesus como nós cremos, para serem salvos e conduzidos à eternidade ao lado de Deus. Portanto, a mensagem do Evangelho não muda e é somente em Cristo que o homem pode se relacionar com Deus, para obter a Sua salvação.

Apocalipse 14:8 -  A segunda voz: O segundo anjo anuncia a queda da Babilônia. Aqui, o termo Babilônia é utilizado pela primeira vez no livro. A Babilônia é o terceiro aliado do dragão e representa a sedução mundana. O texto é baseado em Isaías 21.9 e remete-nos a um sistema iníquo que terá seu fim. Roma era vista como uma “Babilônia” na época. As nações se entorpecem com o “vinho” da Babilônia que faz com que não enxerguem a mensagem do evangelho. Os homens se embriagam com este vinho irado (ardente) que produz paixão pelos prazeres ilícitos.
Um segundo anjo é visto voando no meio do céu. O primeiro anjo proclamou o Evangelho e a necessidade de que todos temessem, louvassem e adorassem o Criador, o Eterno Deus. Infelizmente, a humanidade tem deixado Deus, para adorar deuses falsos e praticar a idolatria. Na Grande Tribulação, o mundo adorará o Anticristo, enquanto Satanás tentará distorcer os propósitos Divinos. O segundo anjo anuncia a queda da grande Babilônia e descreve a razão da sua queda. Nós veremos mais detalhes sobre isso nos capítulos 17 e 18. A “Babilônia” mencionada aqui se refere à falsa religião, a qual estará sob a liderança do Falso Profeta, o monstro que subiu da terra. O cristianismo idólatra estará à frente dessas religiões falsas. A razão da destruição dessa Babilônia religiosa é a sua imoralidade, e o termo exato é “fornicação”. Isso significa que ela nunca foi unida com Cristo, pois se assim fosse, o termo seria “adúltera”, ao se prostituir com os ídolos. Ela será justamente julgada por Deus, por influenciar o mundo a se posicionar contra os Seus propósitos e propriamente contra Ele. A grande meretriz finalmente cai, e juntamente com ela seus adoradores. (Isaias 21:9, Ap 18:2, Isaias 51:37, 34:19).

Apocalipse 14:9-11 – A quarta voz: O terceiro anjo anuncia as consequências para os que ao invés de adorar a Deus e servi-lo, adoram e servem à besta. Os que têm a marca da besta são aqueles que servem aos governos anticristãos, às falsas religiões e filosofias mundanas e, os que são se embriagam com a sedução mundana. Eles não beberão mais do vinho da Babilônia, mas provarão do cálice da ira de Deus. O cálice da ira de Deus não tem mistura. O vinho naquela época era diluído em água pelos gregos. A ira de Deus não será atenuada, mas será pura, completa, sem misericórdia (Hb 10.31). Cristo bebeu deste cálice em nosso lugar (Mt 26.39). Aleluia! A ira de Deus é aqui simbolizada por tormento através de fogo e enxofre (Ap 19.20; 20.10,14 e 15). A referência é a Gn 19.24 que relata a destruição de Sodoma e Gomorra. Entretanto, não devemos entender que os ímpios serão aniquilados, pois vemos claramente que serão atormentados eternamente.
A realidade do Inferno. (vs.9-11) - O terceiro anjo traz uma mensagem de advertência. O Falso Profeta obterá sucesso ao unir o mundo todo, exceto, os eleitos de Deus, para adorar o Anticristo. O Falso Profeta influenciará toda a humanidade a participar da “fornicação espiritual” com o falso cristianismo, para depois, beber do vinho da ira de Deus. A ira Divina será terrível e será derramada “pura” ou “sem nenhuma mistura”, e o sentido é que ela será extrema. A razão dessa expressão provém do costume hebreu de misturar água com vinho, a fim de enfraquecê-lo.
Aqueles que pensam que Deus se arrependerá e finalmente desistir porque Ele é o Deus de amor perceberão que estão extremamente enganados. Nós cremos que Deus é amor, mas usar essa verdade para pensarmos que Ele desistirá de punir os rebeldes e incrédulos, esse pensamento é um grande engano! Deus é justo e exercerá a Sua justiça!
Há muitos em nosso meio que tentam anular a verdade da existência do Inferno, mas, infelizmente, viverão a eternidade em pleno sofrimento e desiludidos por não terem crido nas palavras de Jesus, a respeito dessa dimensão eterna.
Deus não é mentiroso e quando Ele diz que “eles serão atormentados no fogo e no enxofre”, ou seja, aqueles que rejeitam o Seu Evangelho e a Jesus, acreditemos Nele! Jesus estará presente quando os rebeldes forem lançados justamente no Inferno e não fará nada para amenizar a situação.
O verso 11 fala que o Inferno é eterno. É um tormento e asfixia eterna! É um fogo que queima sem descanso e, portanto, não vale a pena arriscar!

Apocalipse 14:12 – Os santos devem guardar e confiar nestas palavras. Devem perseverar em sua fé mesmo diante destas dificuldades, pois Deus há de julgar e punir aqueles que servem ao dragão e seus aliados com o propósito de perseguir e fazer mal ao povo de Deus.
Aguente o sofrimento com paciência e obediência aos mandamentos de Deus. Andar com Deus tem se tornado cada vez mais difícil, pois o espírito do engano e do Anticristo já atua tremendamente em nosso tempo. No entanto, devemos olhar para a glória dos Céus e para os terrores do Inferno, a fim de agradecermos a Deus por nos dar a coragem de nos mantermos em Cristo. Que essa visão nos conduza a uma vida de perseverança na doutrina de Cristo e de Seus apóstolos. Que nós não nos cansemos de fazer a vontade de Deus neste mundo, em um espírito de fidelidade a Ele.

Apocalipse 14:13 – A quarta voz: Uma voz celestial ordena que João escreva a segunda de sete bem-aventuranças do livro de Apocalipse (1.3; 14.13; 16.15; 19.9; 20.6; 22.7,14). Esta voz é um consolo para aqueles que estavam perdendo suas vidas por causa da escolha que fizeram de servir ao Senhor: “morrem no Senhor”. Desde o momento de sua morte eles seriam bem-aventurados, pois estariam na presença do Senhor (Lc 23.43; Fp 1.23). Lá, suas obras seriam galardoadas, seu sofrimento e perseverança seriam recompensados (2 Tm 4.8; Ap 22.12).

Felizes ou abençoados os que morrem no serviço do Senhor! “Então ouvi uma voz do céu, que disse: - Escreva isto: felizes as pessoas que desde agora morrem no serviço do Senhor! - Sim, isso é verdade! - responde o Espírito de Deus. - Elas descansarão do seu duro trabalho porque levarão consigo o resultado dos seus serviços”
Na Grande Tribulação, os cristãos sinceros sofrerão terrivelmente, e morrer será uma benção para eles. Estar com o Senhor na eternidade será muito melhor do que estar sobre a Terra, especialmente, naqueles dias!
Eles descansarão do trabalho pelo Evangelho e levarão consigo os seus frutos, o resultado da boa obra que realizaram e serão galardoados pelo Senhor.




quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A P O C A L I P S E / TERCEIRA PARTE - A FIGURA DO FALSO PROFETA - Ap. 13:11-18


Parte 2 – A BESTA QUE EMERGE DA TERRA – Ap. 13: 11-18
Apocalipse 13: 11-18 - A BESTA DA TERRA – O FALSO PROFETA

Esta besta tem dois chifres, parecendo cordeiro. O Cordeiro em Apocalipse, é símbolo de Cristo. A besta da terra se faz parecer com Cristo.
Fala como o dragão – Embora a besta se pareça com Cristo, ela tem a mensagem ou a fala do diabo, porque obedece ao diabo.
Ela faz os homens adorarem a primeira besta – a do mar – e faz sinais (milagres). Ela confunde os homens com a sua aparência e os leva a adorar a primeira besta, a que tem poderes terrenos, em lugar de adorarem a Deus. Esta besta usa elementos religiosos para fazer a sua ação política ter a aparência religiosa.
A besta da terra é de caráter religioso, espiritual.
A marca 666:
Não há certeza sobre o que este número indica. Não são recomendáveis as tentativas de chegar ao nome da pessoa que o número possa representar, através de sistemas criptográficos (cálculo do valor das letras). Dependendo da língua (hebraico, grego, alemão, português, etc.), o valor de cada letra indicará nomes diferentes, que nada têm a ver com o assunto.
O que se sabe é que este é o número de homem. O homem foi criado no sexto dia. Mas, porque é 3 vezes 6 (666)? Talvez para reforçar a oposição à Trindade Divina. O número 666 indicaria a Trindade do mal: Dragão, besta do mar e besta da terra. Nos capítulos 17 e 18 de Apocalipse, há uma referência a esta besta, descrevendo-a como pior do que a outra, e que domina a outra.
Está claro que se trata de uma força espiritual falsa, um falso cristianismo. É o ANTICRISTO.
O mais provável é que não se trate de uma pessoa apenas, mas de todas as pessoas que constituem o poder, ou os poderes que negam, que combatem, que enganam, que falsificam a verdade do Evangelho através da história, servindo-se de aparência cristã mas para o engano.

O FALSO PROFETA
O falso profeta é identificado como a “besta de dois chifres”, isto quer dizer que de alguma forma ele será um ministro da “besta de sete chifres”, um subalterno do anticristo. O falso profeta será manso como um cordeiro e feroz como um lobo pois terá o poder da primeira besta, ou seja, terá autonomia em nome do anticristo, ele encantará os povos com seus prodígios e cura e com engano fará com que as pessoas adorem ao anticristo como se fosse Deus. Esse falso profeta e ministro do anticristo provavelmente será uma pessoa religiosa e conhecida mundialmente, e quem apresentará o anticristo, o novo governante para a humanidade o qual solucionará todos os problemas e conflitos que assolam a terra. Com o aumento da criminalidade, da corrupção, da desordem, do desemprego, o mundo está em busca de solução e um sistema político-religioso que possa trazer tranquilidade e harmonia a humanidade onde os ricos, pobres, livres, servos tenham total sobrevivência e solução de seus problemas.

Apocalipse 13:11 – Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão.
Vi ainda outra besta emergir da terra: Lembramos que o dragão estava na praia esperando os seus aliados (12:17). De um lado (o mar) apareceu a primeira besta. Do outro lado (a terra) aparece a segunda. Estas bestas não vêm de cima; não foram enviadas por Deus. Vêm dos homens, do mar (sociedade) e da terra (mundo dos homens). Especificamente, este poder se levanta daqueles que absorveram as mentiras da boca do dragão (12:16).
Alguns sugerem que a terra, aqui, seja a Palestina, pois a palavra terra frequentemente se refere ao território ocupado pelos israelitas. Como em outros casos de dúvida sobre o significado de palavras, devemos começar com exemplos no próprio Apocalipse, e depois olhar para outros livros da Bíblia. Em diversos exemplos no Apocalipse, a palavra terra significa o mundo todo ou os homens ímpios: Jesus é “o Soberano dos reis da terra” (1:5). A provação viria “sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (3:10). Quando o sexto selo foi aberto, as estrelas caíram do céu à terra, e os reis e povos tentaram se esconder (6:13-15). O Pai e Filho recebem louvor de todas as criaturas do mundo (5:13). Deus criou o céu e a terra (14:7). Os reis da terra se prostituíram com a grande meretriz, e ela dominava sobre eles (17:2,18; 18:3,9,23). Os reis e exércitos da terra apoiam a besta do mar (19:19). Satanás seduz as nações da terra (20:7-8). As nações e os reis da terra glorificam o Senhor (21:24). Veja, também, 5:3,6,10; 6:10; 7:1-3.
Em outros livros da Bíblia, a palavra “terra” se refere, muitas vezes, à terra da Palestina (Números 32:11; Deuteronômio 32:47; Josué 1:15; 2 Crônicas 8:8; etc.). Muitas outras vezes, porém, refere-se ao mundo em termos mais gerais (Daniel 8:5; Atos 3:25; 4:24; 17:24,26; Romanos 9:17; Colossenses 1:16,20; 3:2; Hebreus 1:10; 2 Pedro 3:5).
Nossa interpretação da origem da segunda besta precisa concordar com a mensagem do livro, também. O Apocalipse foi escrito principalmente para os cristãos na Ásia, não para habitantes da Palestina, portanto se refere ao mundo todo, assim como as igrejas descritas neste livro.
Já notamos o significado da profecia de Daniel 7, que fala de grandes impérios que se levantariam. Os animais subiram do mar (a sociedade humana), e representaram os impérios da Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. No mesmo capítulo, ele diz que os grandes animais “são quatro reis que se levantarão da terra” (Daniel 7:17). Os grandes impérios representados nesta profecia não se levantaram da terra da Palestina, e sim do mundo, das nações. Obviamente, o sentido é o mesmo quando chegamos à profecia ampliada no Apocalipse. A segunda besta de Apocalipse 13 vem do mundo, e serve ao dragão.
Possuía dois chifres, parecendo cordeiro: Esta besta não é nada igual, em aparência, à primeira. A besta do mar é assustadora, com sete cabeças, dez chifres e características de leão, urso, leopardo, etc. A besta da terra tem a aparência de inocência e mansidão; parece um cordeiro.
Mas falava como dragão: Aparências enganam. Esta besta não é um cordeirinho inocente. As suas palavras vêm do próprio dragão, o sedutor dos homens. Apesar de sua aparência inofensiva, esta besta tem o mesmo alvo que o dragão tem. Ambos querem destruir os homens.

Apocalipse 13:12 – Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada.
Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença: A besta da terra pode ter aparência menos assustadora, mas ela tem o mesmo poder da besta do mar. Ela domina com a autoridade de reis. Tem poder até para tirar a vida daqueles que não a obedecem e não se submetem à autoridade da besta.
Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta: A função da segunda besta é induzir os homens à adoração à autoridade imperial. Ela promove o culto imperial, obrigando as pessoas a adorarem o anticristo. Assim entendemos que a primeira besta representa o poder de um governo militar, e a segunda representa a sua autoridade religiosa de promover a idolatria oficial. Por isso, a besta da terra é conhecida, também, como o falso profeta (16:13; 19:20; 20:10).
Cuja ferida mortal fora curada: Novamente, ele menciona a ferida mortal curada. A força perseguidora foi ferida mortalmente, mas voltou. Veremos no capítulo 17 que isso se refere a um rei morto, seguido um tempo depois por outro que continuava a sua política de perseguição aos fiéis.

Apocalipse 13:13 – Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens.
Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens: Paulo falou do homem da iniquidade, que demonstraria poder “segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (2 Tessalonicenses 2:9-12).

Apocalipse 13:14 – Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu;
Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta: O dragão é enganador, e seus aliados, também. No Egito, os magos imitaram os sinais de Moisés para enganar o Faraó e o povo, para que estes continuassem resistindo à verdade (Êxodo 7:11-13,22-23; 8:7). Devemos lembrar que o poder de Deus e da sua verdade é sempre superior ao poder enganador do Maligno e dos seus servos. O Senhor se identificou a Israel como o Deus que desfaz “os sinais dos profetizadores de mentiras” e que confirma a palavra e o conselho de seus mensageiros (Isaías 44:25-26). Assim, o poder dos magos egípcios não foi igual ao poder dos servos de Deus (Êxodo 8:18-19). O dedo de Deus é maior do que a mão do diabo!
Mas aqueles que não amam a verdade são facilmente seduzidos pela besta, e aceitam suas mentiras. O trabalho desta segunda besta seria de convencer as pessoas a participarem da falsa religião. Obviamente, o verdadeiro cristão não aceitará tal atitude idólatra, e sofrerá as consequências de sua desobediência.
Dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta: Os que habitam no céu jamais fariam uma imagem à besta. Imagens feitas para adoração foram proibidas na Antiga Aliança (Êxodo 20:3-5) e foram sempre tratadas como abominações diante de Deus (Deuteronômio 7:25). Observamos que tais imagens não foram somente proibidas aos israelitas. As imagens idólatras dos povos pagãos foram, igualmente, detestáveis para o Deus verdadeiro (Isaías 21:9; Jeremias 51:47,52; Ezequiel 30:13,19). Deus não aceitou a conduta dos israelitas que fizeram imagens como objetos de louvor no deserto ou depois de chegar à terra prometida, e claramente não aceitaria tal prática dos cristãos. A tolerância de pessoas na igreja da Ásia que apoiavam estas práticas foi motivo de fortes repreensões (2:14,20). É impossível “ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1 Coríntios 10:21).
A besta da terra promoverá a idolatria oficial, incentivando as pessoas a fazerem uma imagem idólatra para a honrar o anticristo. Como já observamos, a idolatria está cada vez mais forte, especialmente a partir das últimas décadas do primeiro século. Àquela que, ferida à espada, sobreviveu: Já passou uma onda de perseguição, mas virá outra (2:10) e aqueles que ficarem na tribulação tem que estar preparados para as perseguições vindouras.

Apocalipse 13:15 – e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta.
E lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta: A besta da terra, o falso profeta, não deu vida à besta, mas transmitiu uma aparência de vida e poder. Até hoje, falsos profetas usam falsos milagres para enganar seus seguidores. Muitas pessoas acham fascinante a possibilidade de algum sinal. Simão enganava os samaritanos (Atos 8:9-11). Muitos dos efésios praticavam artes mágicas (Atos 19:18-19). Não nos surpreende muitos falsos profetas nos dias de hoje usariam tais meios para iludir o povo e engrandecer os seus falsos deuses, ou até mesmo nos enganar diante de Deus, induzindo-nos a caminhos errantes da Palavra de Deus.

Apocalipse 13:16 – A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte,
A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos: A autoridade da besta da terra é abrangente. Ela exercerá poder sobre todas as classes, dos mais poderosos cidadãos até os pobres e os escravos.
Faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte: Ouvimos, hoje em dia, muitas especulações e acirrados debates sobre a marca da besta. Pessoas falam de códigos de barras, de tatuagens, de implantação de microchips, etc., dizendo que tais coisas são a marca da besta mas, devemos lembrar que a marca selando os fiéis era uma maneira simbólica de dizer que eles pertenciam ao Senhor. Da mesma maneira, a marca da besta é uma forma simbólica de dizer que os ímpios foram identificados como servos de seu senhor, a besta da terra, o anticristo.
Apocalipse 13:17 – para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.

Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca: Os que são selados por Deus (Efésios 1:13) recebem as bênçãos dadas pelo Senhor. Os que foram selados pela besta recebem os benefícios oferecidos pelo governo, especificamente, privilégios econômicos. Podemos entender este problema com uma ilustração prática. Segundo as leis atuais do Brasil, o cidadão que não comprova a sua participação nas eleições perde certos privilégios, entre eles alguns direitos econômicos. É possível que o governo do anticristo poderá exigir algum tipo de comprovante de participação nos sacrifícios aos ídolos oficiais para os cidadãos manterem ou adquirirem determinados privilégios econômicos. Sabemos, também, de associações ou sindicatos profissionais ligados à idolatria (Fatos semelhante a carta à igreja em Tiatira – 2:18). Os cristãos fiéis, obviamente, seriam discriminados por não cederem a tais exigências. O nome da besta: Os selados de Deus recebem a marca do “nome de seu Pai” (14:1). Os servos da besta recebem uma marca do nome dela. Ou o número do seu nome: O nome pode ser comunicado por meio de um número que representa a besta.

Apocalipse 13:18 – Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.
Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta: Apesar de qualquer dificuldade que tenhamos em compreender este símbolo, Deus o revelou para comunicar uma mensagem aos leitores originais do Apocalipse. Mais uma vez, devemos lembrar que este livro é uma revelação, não um mistério oculto. O número da besta pôde ser calculado ou decifrado para que o leitor entendesse o sentido. Este comentário sugere que os primeiros leitores teriam condições de compreender a mensagem.
Pois é número de homem: A explicação pode ser tão simples, e assim não estaria falando de um determinado homem. O número pode simplesmente representar o homem em termos gerais, sem tentar identificar uma pessoa específica. Da mesma maneira que a besta surge da terra, recebe sua força da sociedade ímpia, esta figura estaria frisando o fato deste inimigo ser de origem humana.
Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis: A explicação mais simples, e que se enquadra bem com o comentário acima sobre o número de homem, é de entender que sete é o número da perfeição divina, e seis seria o número da imperfeição e do fracasso humano. Desta maneira, 666 enfatizaria a qualidade humana e imperfeita da besta. Pode ser um inimigo violento, um terrível enganador, um assassino dos cristãos, mas seu poder não passa de poder humano. Antes de ficarem aterrorizados pela besta da terra, ou até pela besta do mar (“Quem é semelhante à besta?” – 13:4), os fiéis devem lembrar de Miguel (Quem é semelhante a Deus? – 12:7). A besta fracassará!
Devemos observar, porém, uma outra maneira de explicar o número da besta. Desde o segundo século a.C., diversos autores têm baseado suas interpretações deste número num sistema de cálculo, usado especialmente pelos judeus da época, chamado gematria, no qual cada letra recebe um valor numérico. Como se pode imaginar, as possibilidades são várias, e diversos valores atribuídos às letras podem ser manipulados para aplicar este método aos nomes de diversas personagens históricas ou atuais. Pode encontrar explicações de como chegar a nomes como George W. Bush (eleito presidente dos EUA em 2000 e 2004), Al Gore (vice presidente dos EUA de 1993 a 2001), Príncipe Charles (da Grã Bretanha), Saddam (Hussein, ex-ditador de Iraque), Hitler (ditador alemão durante a segunda guerra mundial) e até Barney, o dinossauro de um programa infantil na televisão! Tem tantas línguas (alguns até usam “línguas” de computadores, como código ASCII) e tantas maneiras de fazer os cálculos que parece que alguém poderia tornar praticamente qualquer nome em 666! Mas, isso não nega a possibilidade de alguma interpretação relevante à mensagem do Apocalipse.
Uma outra sugestão, também baseada na gematria, envolve a tradução do nome de Nero César do grego ao hebraico, depois aplicando o sistema de gematria. Desta maneira, chega ao número 666. (Mas, se fizer a mesma coisa com o nome grego dele, o cálculo daria 1.005!) Se o número for de Nero, poderia se relacionar a um mito da época relatado por alguns historiadores. Depois da morte de Nero, correram rumores durante décadas de que ele estava voltando. Historiadores como Tácito e Suetônio se referem a estas ideias de que Nero ressurgiria de algum modo. Isto é muito semelhante às tendências modernas de pensar que qualquer mau ditador seja um outro Adolfo Hitler.
Entendendo o número 666 como o fracasso do poder humano, em termos gerais, ou como a identificação de um líder com as características de Nero, ainda chegamos ao mesmo ponto importante. A besta tem poder humano, e mais nada. Não merece adoração. Não deve ser honrada como Deus. Não pode fazer nada que o homem não seja capaz de fazer. Colocando este poder ao lado do poder daquele que segura sete estrelas na mão direita, como discípulos de Cristo não precisamos teme-lo!

PREPARANDO O TERRENO
Antes do período de sete anos da tribulação haverá um sistema universal político e religioso que ajudará o mundo a se preparar para receber o anticristo. Um dos tópicos para essa preparação é a unificação dos povos “política”, das raças “preconceitos”, e da língua “educação”. Estamos caminhando para este acontecimento brevemente, pois já podemos notar algumas nações se unindo com um mesmo objetivo em comum como o Mercado Comum Europeu, MERCOSUL, OTAN União dos Países Petroleiros, como também a moeda única na Europa através do EURO. Estes são alguns exemplos para a formação dos “dez chifres da cabeça da besta”, países ou conjunto de nações que apoiarão na formação do Império do Anticristo. Estes “dez chifres” se refere à confederação de dez nações que terão sete líderes que formarão uma aliança com o anticristo (Ap.13:1, Dn.7:8, 23-24).
Outro tópico importante para se analisar é a grande apostasia que pode levar o mundo a um único sistema religioso. As religiões se unificarão onde tudo será comum como a astrologia, búzios, cartomancia, mágicas videntes, curandeirismo e muitas falsas ideologias lideradas por influência de grandes nomes religiosos que apoiarão o falso profeta. Este falso profeta será as relações públicas do anticristo, será o sócio do grande ditador, o elo de ligação entre as nações e o anticristo. O falso profeta terá que ser uma pessoa mundialmente conhecida pois é quem apresentará o anticristo para o mundo, por este motivo algumas teorias relacionam estes fatos a um “papa romano”, pois além de ser da cidade de Roma, é conhecido mundialmente e exerce grande influência religiosa no mundo todo. (Ap.13:12-14, 17:3-4,9,18, 13:13-15).
Com a união do Sistema Político e Religioso, o anticristo enganará as nações com promessas de uma nova era de paz, prosperidade e conseguirá fazer com que todos o idolatre ao ponto de chama-lo de Deus (II Tess.2). Ele acabará com a guerra, com a fome, com a miséria tornando o mundo num novo sistema de uma nova vida onde as pessoas terão tudo em comum “comunismo”.  Com a situação em que o mundo se encontra hoje, em colapso na economia, na saúde, na educação, na política, com miséria extrema, empobrecimento, desemprego, aumento na criminalidade, atentados, sequestros, um mundo onde tudo está se tornando um caos, as pessoas buscam e almejam alguém que possa trazer soluções para todos estes problemas. A tecnologia e o crescimento cada vez maiores da humanidade farão com que cada vez mais o mundo se torne numa máquina mortífera de desocupados levando o povo a conclamar qualquer “Cesar” que consiga trazer paz, harmonia e unidade entre os todos os povos.
Apocalipse 13:11 Então vi outra besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão.
Apocalipse 13:12 Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia sido curado.
Apocalipse 13:13 E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens.
Apocalipse 13:14 Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra à besta que fora ferida pela espada e contudo revivera.

 A Marca da Besta
Entendo que o apóstolo João está escrevendo para as igrejas de um modo geral que compreende a todos os períodos e épocas, desde a ascensão de Jesus até nossos dias, e não sobre um momento específico no tempo, isolado. Precisamos analisar Apocalipse 13:18 de maneira mais abrangente.
A princípio, é preciso notar que a expressão “marca”, é vista diversas vezes neste livro (13:18; 19:20; 20:4. 14:11).
Quem tem a marca da besta é um de seus adoradores (Apocalipse 14:11). Ou seja, é alguém que lhe serve voluntariamente e com prazer. Quem possui a marca se opõe a Deus, Sua Palavra e Seu povo de maneira intencional.
Eles se destacam porque tem a marca na mão direita e na testa, na bíblia, isto significa amizade e comunhão (Gálatas 2:9). Ou seja, a marca na mão mostra que o adorador da besta é seu cooperador, tem prazer em ajudar na sua causa e de ser oposição a verdade de Deus.
Já o sinal da testa, revela que seus seguidores são influenciados por sua filosofia e forma de pensar. São adeptos de todo ensino que se opõe a Deus e Sua vontade revelada nas Escrituras.
Podemos supor, que assim como os santos recebem uma marca invisível na mão e na testa com os nomes de Deus Pai e do Cordeiro Jesus, provavelmente a marca da besta seja da mesma maneira.
Dessa forma, a marca é uma referência clara a um sistema devoção ao que se opõe a Deus, ao invés de um sinal visível no corpo.
João ainda nos diz, que quem não tiver esta marca será incapaz de comprar e vender, qualquer coisa. Analisando de forma podemos concluir que poderá haver alguma forma de serem reconhecidos os adoradores e os que não adoram a besta e por não se devotarem ao paganismo e a idolatria serão severamente perseguidos.  Perseguição esta lhes farão viver em extrema pobreza, pois ninguém irá contrata-los para o trabalho, nem comprar suas mercadorias. Percebemos em nossos dias fatos como estes acontecendo, de igrejas sendo perseguidas em lugares do Oriente Médio e da África, e muitos dos nossos irmãos vivendo em situação semelhante.
A Bíblia descreve o anticristo como o número 666, porque? Sabemos que Deus fez o mundo em 7 dias e criou o homem no sexto dia (Gn.1:27-31, 2:1-3). O número sete tem o significado de (perfeição, completo, totalidade), enquanto que o número seis significa (imperfeição). O homem que Deus havia criado no Éden se tornou imperfeito após o pecado (Gn.6:5-7). Outro fato para se analisar é que se colocarmos o número 6 em sequência três vezes vamos formar uma trindade imperfeita (666), isto que dizer teremos uma trindade demoníaca, formada pelo (dragão, a besta do mar e a besta da terra) ou seja satanás, o anticristo e o falso profeta imitando a trindade perfeita divina (777) Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Concluímos que o número 666 é o símbolo do homem recaído fazendo de si mesmo um deus (Dn.12:7-8).
Também a uma provável conclusão de que com o avanço da tecnologia da informática, da mecânica, industrial, econômica e até mesmo com a evolução da inteligência dos seres humanos, o mundo estará a caminho de uma modernidade que com a criação de um chip implantado sob a pele poderá ser adotado um sistema eletrônico, ou então um visor eletrônico pela Íris dos olho humano, os quais substituirão toda a modernidade dos dias de hoje como cartão bancário,  cartão de crédito, dinheiro, e até mesmo documentos pessoais que facilitarão na identificação de qualquer cidadão, seja ele quem for. Tudo isso nos leva a crer que daqui a pouco tem todos os povos poderão estar sob o domínio do anticristo, isto é, sobre todos aqueles que ficarem no período da tribulação.