domingo, 12 de novembro de 2017

O S D O I S L I V R O S D E T E S S A L O N I C E N S E S


1 TESSALONICENSES 1:1-10CRISTÃOS EXEMPLARES
Quando Paulo chegou em Tessalônica durante sua segunda viagem missionária, alguns foram convertidos pela pregação do evangelho. Outros, principalmente judeus invejosos, rebelaram-se violentamente contra Paulo e os outros pregadores, querendo levá-los à força para o meio do povo para serem julgados como criminosos (veja Atos 17:1-5). Como não podiam achá-los, "arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades", acusando-os de hospedar homens que "procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus outro rei" (veja Atos 17:6-7). Mesmo com esta tribulação a igreja floresceu. Alguns meses depois de sua saída de lá, Paulo escreveu para encorajá-los a continuarem firmes no Senhor com a mesma convicção do início.
Ações de graças (1:1-5). Ao lembrar desta igreja, Paulo dava sempre graças a Deus pela fé ativa, amor sacrificial, e esperança firme dela (1:1-3). Paulo e os outros davam graças a Deus porque os que haviam se convertido se tornaram irmãos verdadeiros, na mesma família amada de Deus, e eleitos juntos porquanto obedeceram ao mesmo evangelho (1:4-5).
Modelo para os crentes (1:6-10). Os irmãos tessalonicenses seguiram o exemplo dos evangelistas e do próprio Cristo, obedecendo a palavra e aprendendo o viver do servo de Deus (veja Mateus 28:18-20). Assim, eles mesmos se tornaram exemplos para outros ao redor (1:6-7). Observemos o exemplo perfeito destes irmãos:
"A operosidade da [sua] fé" (1:3, 8): a fé deles era ativa - se dedicavam em divulgar a palavra do Senhor. Fé verdadeira levará o servo de Deus a ensinar o evangelho por palavra e por exemplo (veja Colossenses 3:16-17; Atos 4:12-20; 1 Pedro 4:11).
"A abnegação do [seu] amor" (1:3, 9): o amor deles para com Deus se manifestou visivelmente em suas vidas. Eles deixaram de servir ídolos, se converteram a Deus e serviram a Deus. O amor de Deus exige que deixemos a velha vida e mudemos para servir a ele de acordo com a sua vontade e não a nossa (veja Marcos 8:34).
"A firmeza da [sua] esperança" (1:3, 10): os tessalonicenses ficaram firmes mesmo no meio de tribulações porque sua esperança estava em Cristo, no céu, e não aqui na terra. Muitos perdem a esperança em tribulação porque esperam por dinheiro ou saúde ou coisas desta vida. Mas estes esperavam o galardão verdadeiro do céu - a salvação.

1 TESSALONICENSES 2:1-16 -  EVANGELISTAS EXEMPLARES
A pregação do puro evangelho do Senhor quase sempre encontra resistência, pois homens preferem fazer o que lhes agrada do que mudar e fazer a vontade de Deus (veja João 3:19-20; 2 Timóteo 4:1-4). Quando Paulo e Silas chegaram a Tessalônica, eles carregavam marcas desta resistência em seus próprios corpos, pois ainda estavam se recuperando dos açoites que receberam em Filipos por pregar o evangelho (2:1-2; veja Atos 16:19-23). Mesmo assim, eles e seus companheiros se empenhavam em pregar sem medo toda a verdade de Deus aos tessalonicenses.
Firmes em tribulação (2:1-6). É fácil imaginar que Paulo mudaria sua pregação para não sofrer mais. Porém, confiando no Senhor, Paulo e os outros pregaram firmemente o evangelho na sua integridade, a fim de produzirem fruto para Deus (2:1-2). Eles não estavam preocupados em fazer amigos, ganhar dinheiro, ou ter reconhecimento dos homens. Deus havia confiado a eles a palavra da salvação, e por isso podiam pregar somente aquilo que o agradasse e o glorificasse (2:3-6; veja 1 Pedro 4:11; 2 João 9).
Carinhosos com os irmaõs (2:7-12). Como prova do seu amor e seus motivos puros para com os tessalonicenses, Paulo e os outros deixaram de receber deles qualquer sustento pelo seu trabalho, mesmo que este trabalho era penoso, e mesmo que eram os escolhidos do Senhor (2:7-9). Em vez disso, olharam para os irmãos tessalonicenses como seus próprios filhos, com muito amor e carinho. Qual mãe pede um salário pelo trabalho de cuidar da sua família? O pai trabalha muito mais na disciplina da sua família do que para seu chefe, e nunca pensa em receber sustento por isso (2:10-12; veja Hebreus 12:5-11; 1 Timóteo 4:11-16; 2 Timóteo 4:1-5; Tito 2:15).
O resultado (2:13-16). Vendo que Paulo e os outros não mudaram a pregação para ela ser "conveniente", mesmo quando isto trouxe perseguição, os tessalonicenses entenderam que ela era verdadeiramente a palavra de Deus (2:13). Com a convicção de que estavam servindo a Deus de acordo com a verdade, os tessalonicenses ficaram firmes em tribulação, assim como fizeram as outras igrejas, os apóstolos, e o próprio Senhor Jesus (2:14-16).

1 TESSALONICENSES 2:17 - 3:13 – PREOCUPAÇÃO COM OS IRMÃOS
Saudades deles (2:17-20). Paulo e os que estavam com ele não foram embora de Tessalônica porque queriam. Antes, por causa da tribulação dos judeus invejosos, os irmãos os impeliram a saír de noite às pressas (Atos 17:5-10). Estando longe dos irmãos pelas circunstâncias, com grande amor Paulo e os outros faziam de tudo para poder estar com eles novamente, onde teriam motivo de alegria e glória perante Deus (2:17,19-20). Porém, Satanás os impediu, fazendo com que fosse necessário que pregassem o evangelho também para pessoas perdidas em outros lugares (2:18; veja 2 Timóteo 2:24-26; Atos 17:16; etc.).
Paulo envia Timóteo (3:1-5). Enquanto estavam separados, Paulo ficou preocupado com a saúde espiritual deles, posto que continuavam sendo perseguidos. Por isso, ele mandou Timóteo para servi-los "em benifício da [sua] fé". Como ministro do evangelho, o trabalho dele era de fortalecer os irmãos e encorajá-los a não se deixarem abalar por causa do sofrimento (3:1-3). A tribulação faz parte da vida cristã, e Timóteo precisava lembrá-los disso para que não desistissem na luta contra "o Tentador" (3:3-5; veja Filipenses 1:29-30; 2 Timóteo 3:12). Paulo lhes mandou Timóteo porque sabia que a pregação do evangelho é a única coisa capaz de dar ao homem o que é preciso para resistir a todos os ataques do diabo (veja João 8:31-36; Efésios 6:10-18).
Consolados pelas boas notícias (3:6-13). Quando ele voltou da Tessalônica, Timóteo trouxe melhores notícias do que haviam esperado. Visto que os irmãos continuavam firmes em Cristo, Paulo podia sentir alívio mesmo no meio de sua própria tribulação (3:6-8). Notemos que consolação e paz em Cristo não são o resultado de uma vida sem perseguições, e sim de uma vida cujo foco é o Senhor e o bem-estar dos servos dele (veja Filipenses 4:4-9; 1 Timóteo 2:1-4).
Sobremaneira alegres com estas notícias, Paulo e os outros reagiram com constantes ações de graças a Deus, pedindo ainda mais que Deus lhes concedessem maneira de estarem todos juntos novamente (3:9-11). Além das ações de graças, Paulo pediu que Deus ajudasse os tessalonicenses a continuarem crescendo em amor, a fim de que fossem inteiramente prontos para a vinda de Jesus (3:12-13).

1 TESSALONICENSES 4:1-12 - DEUS NOS CHAMOU PARA SANTIFICAÇÃO
Continuem progredindo (4:1-2). Ao ouvir o evangelho de Cristo e ao recebê-lo como a palavra de Deus e não como a dos homens (veja 1 Tessalonicenses 2:13), os tessalonicenses aprenderam a maneira pela qual deviam viver e agradar a Deus (4:1). O evangelho revela "a justiça de Deus", ou seja, tudo aquilo que Deus julga necessário que saibamos, a fim de vivermos vidas que lhe sejam agradáveis e que levem à vida eterna (veja Romanos 1:16-17; 2 Pedro 1:3-4). Estes irmãos foram "inteirados" nas instruções do Senhor Jesus (4:2; veja Mateus 28:18-20), e precisavam continuar "progredindo cada vez mais" (4:1). A vida cristã não é o resultado do mero conhecimento da vontade de Deus, e sim da prática desta vontade (veja Tiago 1:22-25).
Da santidade (4:3-8). O ensino do evangelho visa a vontade de Deus para nos santificar (4:3; veja 1 Pedro 2:4-5, 9-10). "Santificar" (e assim, "santo," "santidade," etc.) literalmente quer dizer "separar", e significa que Deus, pelo evangelho, separa do mundo para salvação as pessoas que lhe obedecem (veja Hebreus 5:9; 2 Tessalonicenses 2:13-14; 1 Pedro 1:14-16). Quem é santo se disciplinará na vontade de Deus em todos os aspectos da sua vida, mas aqui Paulo fala explicitamente de santidade nas relações sexuais. A ordem de Deus é que o cristão não participe de prostituição, ou seja, relações sexuais antes de casar ou com quem não é seu cônjuge (4:3).
Estas não são meras recomendações de Paulo baseadas na ética ou na moralidade, e sim são mandamentos de Deus, visando a disciplina e a santidade do corpo e da mente, pois até "o desejo de lascívia" não cabe a pessoas que conhecem a Deus (4:4-5). O cristão se afastará da sensualidade do mundo, sabendo que Deus vai julgar toda impureza, quer seja pública, quer seja em particular (4:6-8; veja Hebreus 4:12-13).
Do amor fraternal (4:9-12). Nunca é possível amar demais, e mesmo que os irmãos já fossem instruídos e estivessem fazendo bem na prática do amor fraternal, Paulo achou necessário exortá-los a progredir (4:9-10). Ele lhes deu exemplos de como aplicar o amor em suas vidas: vivendo sua própria vida de maneira que não perturbassem a outros (veja Romanos 12:17-18, 13:13-14), e trabalhando para suprir as suas necessidades e as de outras pessoas (veja Efésios 4:28), para que não viessem a ser um peso a ninguém (4:11-12).

1 TESSALONICENSES 4:13 - 5:11 - CONSOLAI-VOS COM ESTAS PALAVRAS
Acerca dos que "dormem" (4:13-18). A morte é um assunto que assusta quase todos. Mas a Bíblia afirma que Cristo veio para destruir "aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" e livrar "todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida" (Hebreus 2:14-15). A palavra do Senhor foi revelada para que pessoas não fossem desconhecedoras dos planos de Deus (4:13; veja 1 Coríntios 12:1). Os irmãos tessalonicenses conheceram e aceitaram a palavra, e não faria sentido eles encararem a morte com o desespero daqueles que não conhecem a Deus (veja 4:5). Por isso, Paulo, assim como fazia Jesus, trata os mortos como "os que dormem" (4:13-15; veja Marcos 5:39; João 11:11-14). Essa descrição é bastante consoladora, pois realça que a morte é um estado temporário. Assim como quem dorme acordará, também quem está morto ressuscitará (veja João 5:24-29; 1 Coríntios 15:21-22). A morte e a ressurreição de Jesus são a garantia disso (4:14). Posto que no último dia todos serão ressuscitados, Paulo fala aqui apenas dos "mortos em Cristo", ou seja, daqueles que morrem obedientes a Jesus (4:16). O verdadeiro consolo é que a morte física dos fiéis não tira deles o galardão. De fato, quando Cristo voltar, eles ressuscitarão primeiro e estarão em sua companhia para buscar os fiéis que ainda vivem (4:14-18).
"Vigiemos e sejamos sóbrios" (5:1-11). Muitos perdem seu tempo "estudando" os "sinais dos tempos" para determinar exatamente quando o Senhor voltará. Estes trabalhos são geralmente espetaculares e assustadores para quem não conhece a Bíblia. Porém, a palavra de Deus deixa claro que o Senhor virá "como ladrão de noite", quando as pessoas menos esperam (5:1-3; veja Mateus 24:42-44). Assim como o ladrão não avisa quando vai chegar, é certo que também não haverá avisos sobre quando Cristo voltará.
Portanto, Paulo aconselha os irmãos a viverem sempre preparados como "filhos da luz e filhos do dia" (5:4-7; veja João 12:35-36). Quem obedece a palavra anda na luz, como Cristo andou (veja 1 João 1:5-7), sempre vigilante e sóbrio (5:6-8). A vida do cristão é uma vida de passos deliberados e não apenas uma vida à deriva. O cristão, pelo estudo honesto da palavra de Deus, vai se revestir de fé, amor e esperança, a fim de "alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (5:8-9). Assim, quem anda na luz terá a esperança de estar com Jesus seja na vida, seja na morte (5:10-11).

1 TESSALONICENSES 5:12-28 - DIVERSAS EXORTAÇÕES FINAIS
Para que os tessalonicenses continuem a crescer, Paulo termina a carta com várias exortações práticas.
Valorizar os líderes (5:12-13). Deus determinou que a fé e o crescimento espiritual viriam pela pregação da palavra (veja Romanos 10:17; 2 Timóteo 2:15). Ele concedeu e capacitou homens para fazerem este trabalho (veja Efésios 4:11-16; 1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9). Assim, é uma grande bênção do Senhor quando homens fiéis e maduros nos admoestam e nos corrigem pela palavra da verdade. Em vez de ficar irritado com quem o admoesta, o cristão deve apreciar e amar os que se dedicam neste serviço de cuidado pelas almas de outros.
Ajudar pessoas que têm dificuldades (5:14-15). Nem todos os membros de uma congregação serão espiritualmente maduros, e alguns até precisarão de atenção imediata. Os insubmissos, por exemplo, deixam de andar de acordo com o ensino do evangelho e isto influencia a congregação toda. É necessário admoestá-los para que entendam o perigo do pecado e não contaminem os outros com sua rebeldia (veja 1 Coríntios 5:1-6). A luta contra o pecado é dura, e às vezes haverá quem se desanime. Devemos consolar estes com a lembrança da esperança eterna, para que não desistam de vez (veja 4:13-18; 5:11; Hebreus 12:1-13). E alguns, por serem novos na fé ou por não terem crescido como deviam, serão mais fracos e precisarão de bastante ajuda dos outros membros para que cresçam além das suas fraquezas. Pois, a igreja é um corpo, e não funcionará bem se seus membros não são fortes e saudáveis (veja 1 Coríntios 12:25-26).
Ao lidarmos com essas necessidades especiais, devemos ser pacientes, e nunca devemos "corrigir" alguém por motivo de vingança, mas somente por causa da preocupação com as suas almas (5:14-15; veja Tiago 5:19-20).
A vida constante (5:16-18). Não importa a situação, o cristão terá sempre motivo para regozijo, oração e ações de graças (veja Filipenses 4:4-13). Estas coisas são a reação natural na vida de quem tem a salvação em Cristo Jesus (veja Salmo 51:10-15).
Acerca das profecias (5:19-22). A palavra de Deus foi revelada pelos apóstolos e profetas no Espírito (veja Efésios 3:3-5). É a responsabilidade de cada pessoa aceitar o que vem de Deus e rejeitar o que é do mal. Há necessidade, então, de julgarmos tudo que aprendemos para que possamos fazer a vontade de Deus com discernimento (veja Hebreus 5:13-14). A única maneira que temos para julgar o que pessoas nos ensinam sobre Deus é de compará-lo com a palavra do Espírito que já nos foi confirmada na Bíblia (veja Hebreus 2:1-4; 1 João 4:1; 2 João 9-10).
Desejos finais (5:23-28). Ao terminar a carta, Paulo ressalta a fidelidade de Deus em santificar inteiramente os que lhe obedecem (5:23-24). Então, ele pede a oração dos irmãos (5:25), lhes manda uma saudação de amor santo (5:26), e pede que leiam a carta perante todos (5:27). A carta encerra com a graça de Deus, assim como começou (5:28; veja 1:1).



2 TESSALONICENSES 1:1-12 - CUMPRE-NOS DAR GRAÇAS A DEUS
Provavelmente apenas alguns meses depois de enviar sua primeira carta, Paulo, ainda junto com Silvano e Timóteo, escreve mais uma vez à igreja dos tessalonicenses (1:1-2).
Dando graças pelo crescimento deles (1:3-5). Na primeira carta Paulo e seus companheiros oraram pelo crescimento da fé e do amor dos tessalonicenses (1 Tessalonicenses 3:11-13). Portanto, ao começar a segunda carta, agradecem a Deus pela maneira que ele já estava respondendo a estas orações nas vidas dos irmãos (1:3). Mesmo em meio a muita perseguição e tribulação, a fé e o amor deles continuava crescendo de tal forma que Paulo podia usar estes irmãos como exemplos perante as outras igrejas que ele visitava (1:4; veja 1 Tessalonicenses 1:6-10; 2 Coríntios 8:1-5). Paulo disse que tanto as provações quanto a confiança destes irmãos eram provas de que Deus é justo e que os estava preparando para o seu reino (1:5). De fato, enquanto muitos evitam a todo custo o passar por tribulações, a Bíblia ensina que elas são úteis, e que fazem parte do crescimento espiritual (veja Tiago 1:2-4). Não que o cristão deva procurar ou provocar tribulação na sua vida ou na dos outros (veja Romanos 12:17-18), mas a própria vida de piedade traz perseguição para pessoas convertidas que ainda habitam um mundo dominado pelo mal (veja João 17:15-16; 2 Timóteo 3:10-13; 1 João 3:13).
Dando graças pelo reto juízo de Deus (1:6-10). Muitos se desesperam ao ver pessoas que não buscam a Deus se dando bem nesta vida enquanto as que o buscam em verdade sofrem (veja Salmo 73:2-13). Porém, Deus a tudo vê e a justiça dele é verdadeira (veja Hebreus 4:12-13). Paulo consola os irmãos com a lembrança de que a justiça de Deus trará alívio para eles e tribulações para aqueles que agora os perseguem "quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder", ou seja, no dia de julgamento (1:6-7). Neste dia Deus há de tomar "vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho do nosso Senhor Jesus" (1:8). Ele é justo em assim fazer, porque todos foram criados para buscá-lo, e porque ele enviou seu Filho para os chamar por meio do evangelho (veja Atos 17:24-31; 2 Tessalonicenses 2:13-14). No julgamento Deus fará clara distinção entre os justos e os injustos, expulsando os rebeldes da sua presença eternamente e sendo glorificado na obediência e na fé dos santos (1:9-10).
Oração que glorifiquem e que sejam glorificados (1:11-12). Em vista da justiça eminente de Deus, Paulo e os outros continuam orando fervorosamente a favor dos irmãos, para que, ao passar por tudo, sejam cada vez mais preparados (1:11). Assim, quando Cristo vier para julgar, ele será mostrado justo - glorificado pela obediência destes irmãos que se mantiveram fiéis apesar das tribulações, e glorificando-os com o alívio eterno da graça da sua presença (1:12; veja 1:6,9).

2 TESSALONICENSES 2:1-12 - NÃO SEJAM FACILMENTE MOVIDOS
Depois de orar pela glorificação futura destes irmãos junto com Cristo (veja 1:11-12), Paulo corrige uns erros acerca da vinda de Jesus que estavam perturbando os irmãos.
Primeiras coisas primeiro (2:1-6). Alguns dos tessalonicenses ouviram um ensinamento errado de que talvez o Senhor já tivesse voltado (2:2; veja também 2 Timóteo 2:16-19). É claro que isto perturbaria estas pessoas esforçadas em fazer a vontade de Cristo. Poderiam imaginar que haviam sido esquecidas no julgamento, já que não estavam com Jesus conforme a promessa. Paulo os consola, lembrando-os que, de fato, haverá uma "reunião" dos irmãos com o Senhor. Explicou que os ensinamentos errados que ouviram não vieram por meio dos profetas e dos apóstolos de Jesus (2:1-2; veja Efésios 3:3-5).
Portanto, os irmãos não deveriam se abalar ou se deixar enganar. Em vez disso, deveriam lembrar-se de tudo que Paulo já havia lhes ensinado (2:3-4). Muitos continuam até hoje perturbados desnecessariamente acerca da volta do Senhor porque dão ouvidos a fábulas e histórias fantásticas quando deveriam estudar e praticar o que foi revelado pelos apóstolos. Paulo estava confiante que tudo que os irmãos precisavam saber ele já havia revelado (2:5-6).
A operação do erro (2:7-12). Paulo os lembra de que as forças do mal continuarão operando ocultamente no mundo ("o mistério da iniqüidade") até mesmo a volta do Senhor. Então tudo será exposto ("revelado") e o Senhor destruirá com facilidade os que praticam o erro (2:7-8; veja 1:6-10; Mateus 7:21-23).
Mesmo que o Senhor seja capaz de destruir com seu sopro as forças de Satanás, não devemos imaginar que sejam fracas e facilmente vencidas por nós. Paulo disse que o erro que opera no mundo é "segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça..." (2:9-10). A Bíblia ensina que Satanás é um mentiroso que se aproveita de qualquer astúcia para enganar os fiéis. Cientes disso, cristãos precisam de muito cuidado para não caírem no engano. De fato, Deus sempre deu ao seu povo avisos sobre falsos sinais e profecias (veja Deuteronômio 13:1-5; 2 Pedro 2:1; 1 João 4:1). Paulo mostra claramente que os que se perdem são aqueles que "não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2:10). Portanto, para não cair no engano do poder de Satanás é preciso muito mais de que apenas conhecer a verdade na palavra de Deus - é necessário amar a verdade, praticando-a completamente!

2 TESSALONICENSES 2:13-17 – DEUS VOS ESCOLHEU
Enquanto o mundo jaz na operação do erro por haver desprezado a palavra da verdade (veja 2:9-12), Paulo dá graças a Deus pelo que o Senhor fez com os tessalonicenses desde que estes aceitaram e obedeceram a palavra (veja 1 Tessalonicenses 1:8-10; 2:13).
Deus os escolheu (2:13-14). Paulo chama os irmãos de "amados pelo Senhor" (2:13). De fato, Deus ama a todos e deseja a salvação de cada um (veja João 3:16 e 1 Timóteo 2:3-4), mas Paulo se refere aqui ao amor especial que Deus tem pelos que se tornam verdadeiramente seus filhos pela obediência ao evangelho (veja João 1:12; 1 João 3:1). Estes amados foram escolhidos por Deus "desde o princípio para a salvação". O Senhor fez o plano para salvar os homens obedientes, como estes, mesmo antes de ele formar o mundo (veja Efésios 1:3-5).
A salvação que Deus planejou vem "pela santificação do Espírito e fé na verdade" (2:13). Deus é santo e exige que os que se aproximam dele também sejam santos (a palavra santo quer dizer "separado"; veja 1 Pedro 1:14-16). Quem ama a verdade não anda como o mundo, pois o mundo age pelo erro e pela mentira. Assim, Deus santifica quem pratica a verdade (veja João 17:17).
Portanto, é necessário conhecer a verdade para poder praticá-la. O Senhor revelou toda a verdade por meio do evangelho, e por ele chama todos à obediência (2:14; veja Romanos 1:16-17; 1 Pedro 1:22-25; etc.). Quem obedece ao evangelho será ressuscitado e glorificado com Jesus, para estar eternamente na presença de Deus (veja Romanos 6:3-9, 8:18-23; 2 Coríntios 4:16-18; etc.).
O dever dos escolhidos (2:15). Como temos visto, o mero conhecimento da verdade não é o suficiente para a salvação, pois Deus santifica quem pratica a verdade. Assim, Paulo enfatiza para os irmãos tessalonicenses a necessidade de continuar com toda firmeza nas "tradições que vos foram ensinadas" (2:15). Devemos entender que as tradições religiosas dos homens são fortemente condenadas por Jesus (veja Mateus 15:1-20). Aqui, porém, Paulo usa a palavra para descrever tudo que ele pessoalmente ensinava. Quando Paulo ensinava em cada lugar, e escrevia as cartas mais tarde, ele falava a verdade de Deus em Cristo Jesus (veja 1 Coríntios 2:1-2 e 12-13, 14:37). Como ele ensinava a mesma coisa em todas as igrejas (veja 1 Coríntios 7:17, 16:1; Gálatas 1:1-2; Colossenses 4:16; etc.) e os irmãos praticavam o que Paulo os ensinava, a verdade de Cristo se tornou a "tradição" na prática dos santos.
A oração pela firmeza dos escolhidos (2:16-17). Deus provou seu amor pelos santos lhes entregando, pela sua graça, a palavra que dá "eterna consolação e boa esperança" (2:16). Sendo que os irmãos têm se mostrado fiéis à palavra, Paulo ora para que Deus possa consolar os seus corações, mesmo em meio as tribulações, e os manter firmes na verdade em tudo o que fizerem e disserem (2:17; veja Colossenses 3:16-17).

2 TESSALONICENSES 3:1-18 - EXORTAÇÕES FINAIS
Havendo falado muito sobre o reto juízo de Deus contra os rebeldes (veja 1:6-10; 2:7-12), Paulo agora mostra como os irmãos podem ajudá-los antes que seja tarde demais.
Ajuda pela oração (3:1-5). Para escapar do juízo, é necessário conhecer a Deus e obedecer ao evangelho (veja 1:8). Consciente disso, Paulo pede que os tessalonicenses orem a favor de seu trabalho. Antes ele elogiou o exemplo deles em propagar a palavra (veja 1 Tessalonicenses 1:6-10). Agora pede as suas orações para que possa pregar com a mesma coragem e fé (3:1). Antes ele ensinou que Deus julgará os que perturbam os servos fiéis (veja 1:6). Agora pede orações para que os "homens perversos e maus", e que rejeitam a fé não impeçam que ele pregue livremente (3:2; veja Atos 17:1-5, 10-13).
Mesmo que alguns desprezem o evangelho, o Senhor se mantém fiel. Assim, os que aceitam e continuam na palavra serão espiritualmente confirmados e protegidos contra o diabo, a fim de conseguirem maior amor e firmeza no Senhor (3:3-5; veja Filipenses 4:4-9).
Ajuda pela correção (3:6-18). Enquanto alguns são rebeldes contra Deus por ainda não haverem ouvido e reconhecido a palavra da verdade, há outros que se rebelam mesmo depois de se converter ao Senhor. No caso destes, é preciso mais do que apenas oração. Paulo ensina que é necessário se separar de "todo irmão que ande desordenadamente" (3:6). A palavra "desordenadamente" é uma palavra militar que descreve um soldado que não segue as instruções do seu comandante, ou que marcha fora da ordem dos outros da sua companhia. As instruções que dão ordem são "a tradição que de nós recebestes", ou seja, a palavra do evangelho que Paulo pregou, junto com o próprio exemplo dele (3:6-9; veja 2:15).
Na sua primeira carta, Paulo falou da necessidade de "admoestar os insubmissos" (veja 1 Tessalonicenses 5:14), algo que ele mesmo fez enquanto estava junto deles (3:10). Na segunda carta o assunto em questão é de irmãos que, em vez de trabalhar para o seu sustento e para ajudar outros, "andam desordenadamente" e "se intrometem na vida alheia" (3:10-13; veja Efésios 4:28). Paulo diz que qualquer irmão que "não preste obediência à nossa palavra" deve ser "notado", que a associação com o grupo deve ser cortada, e que os irmãos devem adverti-lo (3:14-15). O ensino de Paulo de se apartar destes insubmissos talvez pareça radical, mas visa a correção e a salvação deles. Notando-os publicamente e afastando-os do grupo fará com que sintam vergonha dos seus pecados. Assim, com as advertências contínuas dos irmãos em amor, a esperança é que eles se arrependam e voltem a servir a Cristo (veja 1 Coríntios 5:1-5,9-11; 2 Coríntios 2:5-7).

Confiante que os tessalonicenses continuarão servindo a Deus de acordo com a palavra, Paulo deseja paz e a presença do Senhor com eles (3:16-18). Se nós desejarmos estas coisas, temos que aplicar plenamente o ensino do evangelho em nossas vidas.

2ª E P Í S T O L A A O S T E S S A L O N I C E N S E S

2ª EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES
Autor:
2 Tessalonicenses 1:1 indica que o livro de 2 Tessalonicenses foi escrito pelo apóstolo Paulo, provavelmente junto com Silas e Timóteo.

Quando foi escrito:
O livro de 2 Tessalonicenses foi provavelmente escrito em 51-52 DC.

Propósito:
A igreja de Tessalônica ainda tinha alguns equívocos sobre o Dia do Senhor. Eles achavam que já tinha acontecido, então pararam de trabalhar. Eles estavam sendo gravemente perseguidos. Paulo escreveu para esclarecer os mal-entendidos e confortá-los.

Versículos-chave:
 2 Tessalonicenses 1:6-7: “se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder.”

2 Tessalonicenses 2:13: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade.”

2 Tessalonicenses 3:3: “Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno.”

2 Tessalonicenses 3:10: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma.”

Resumo: 
Paulo saúda a igreja em Tessalônica e os encoraja e exorta. Ele os elogia pelo que tem ouvido sobre o que estão fazendo no Senhor e ora por eles (2 Tessalonicenses 1:11-12). No capítulo 2, Paulo explica o que acontecerá no Dia do Senhor (2 Tessalonicenses 2:1-12). Paulo então os encoraja a permanecerem firmes e a manterem distância dos homens ociosos que não vivem pelo evangelho (2 Tessalonicenses 3:6).

Conexões: 
Paulo se refere a várias passagens do Antigo Testamento em seu discurso sobre o fim dos tempos, assim confirmando e reconciliando os profetas do Antigo Testamento. Grande parte do seu ensinamento sobre o fim dos tempos nesta carta é baseado no profeta Daniel e suas visões. Em 2 Tessalonicenses 2:3-9, ele refere-se à profecia de Daniel sobre o "homem do pecado" (Daniel 7-8).

Aplicação Prática: 
O livro de 2 Tessalonicenses é cheio de informações sobre o fim dos tempos. Ele também nos exorta a não sermos ociosos e a trabalharmos pelo que temos. Existem também algumas grandes orações em 2 Tessalonicenses que podem nos servir de exemplo sobre como orar pelos outros crentes de hoje.
A Segunda Epístola aos Tessalonicenses - é conhecida como a segunda carta que o apóstolo Paulo redigiu aos habitantes de Tessalônica.
Entre os acadêmicos e estudiosos, há controvérsia a respeito de se atribuir a autoria desta epístola ao Apóstolo Paulo. Muitos[quem?] argumentam que seu estilo literário e vocabulário são muito similares ao da primeira epístola aos tessalonicenses. Outros não negam esta semelhança, porém chamam a atenção para o conteúdo desta epístola em relação à primeira. Como salienta Bart Ehrman, escritor ateu e crítico do cristianismo:[quem?]
"A chave para considerar que II Tessalonicenses foi escrita por ele é que sua tese principal parece contradizer o que o próprio Paulo disse em I Tessalonicenses.". Segundo a primeira epístola, o retorno de Cristo seria inesperado, repentino. Já na segunda, o fim não seria imediato, repentino, inesperado, mas precedido de vários sinais que o indicariam.



1ª E P Í S T O L A A O S T E S S A L O N I C E N S E S

1ª EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES

I Tessalonicenses - é como é conhecida a primeira epístola que o apóstolo Paulo redigiu aos habitantes de Tessalônica. Ela foi talvez a segunda epístola escrita pelo apóstolo (Gálatas seria a primeira).

Autor: 
1 Tessalonicenses 1:1 indica que o livro de 1 Tessalonicenses foi escrito pelo apóstolo Paulo, provavelmente junto com Silas e Timóteo.

Quando foi escrito: 
O livro de 1 Tessalonicenses foi escrito em cerca de 50 dC.

Propósito:
 Na igreja de Tessalônica havia alguns mal-entendidos sobre o retorno de Cristo. Paulo desejava esclarecê-los em sua carta. Ele também a escreve como uma instrução a uma vida santa.

Versículos-chave: 
1 Tessalonicenses 3:5: “Foi por isso que, já não me sendo possível continuar esperando, mandei indagar o estado da vossa fé, temendo que o Tentador vos provasse, e se tornasse inútil o nosso labor.”

1 Tessalonicenses 3:7: “...sim, irmãos, por isso, fomos consolados acerca de vós, pela vossa fé, apesar de todas as nossas privações e tribulação...”

1 Tessalonicenses 4:14-17: "Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor."

1 Tessalonicenses 5:16-18: “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”

Resumo: 
Os três primeiros capítulos são sobre Paulo desejando visitar a igreja de Tessalônica mas não podendo porque Satanás os impediu (1 Tessalonicenses 2:18), e sobre como Paulo se preocupava com eles e se animava em escutar como tinham estado. Paulo então ora por eles (1 Tessalonicenses 3:11-13). No capítulo 4, Paulo está instruindo os crentes em Tessalônica sobre como viver uma vida santa em Cristo Jesus (1 Tessalonicenses 4:1-12). Paulo prossegue a instruí-los sobre um equívoco que eles tinham. Ele diz que as pessoas que morreram em Cristo Jesus também vão ao céu quando Ele voltar (1 Tessalonicenses 4:13-18, 5:1-11). O livro termina com instruções finais de viver a vida cristã.

Conexões: 
Paulo relembra os tessalonicenses de que a perseguição que estavam recebendo de seus "concidadãos" (2:15), os judeus que rejeitaram o Messias, é a mesma que os profetas do Antigo Testamento sofreram (Jeremias 2:30, Mateus 23:31 ). Jesus advertiu que os verdadeiros profetas de Deus sempre receberiam a oposição dos injustos (Lucas 11:49). Em Colossenses, Paulo recorda-lhes dessa verdade.

Aplicação Prática: 
Este livro pode ser aplicado a muitas situações da vida. Ele nos dá a confiança de que, como cristãos, quer estejamos vivos ou mortos quando Cristo voltar, estaremos juntos com Ele (1 Tessalonicenses 4:13-18). Assegura-nos também, como cristãos, que não receberemos a ira de Deus (1 Tessalonicenses 5:8-9). Esse livro também fornece lições sobre como andar a vida cristã diariamente (1 Tessalonicenses 4-5).

IGREJA DE TESSALÔNICA
Na segunda viagem missionária, Paulo de Tarso pregou na sinagoga desta cidade - o templo principal dos judeus daquela região da macedônia - lançando as fundações de uma das mais marcantes igrejas da época (a que se destina esta epístola). Alguma animosidade contra Paulo, por parte dos judeus da cidade, levaram-no a fugir para Bereia.
Paulo, Silas e Timóteo chegam pela primeira vez a Tessalônica, após passar por Filipos e esvaziar as sinagogas com suas pregações, ele então é acusado de traição a César e obrigado a fugir estando em Corinto, Paulo recebe ótimas notícias sobre a fé esperança, amor e perseverança dos irmãos de Tessalônica, mesmo em meio às perseguições sofridas.
Paulo expressa nesta Epístola como um sentimento para com seus filhos na fé, sua emoção é notada em cada linha desta carta. Ele os encoraja a permanecer em sua fé e no crescente amor mútuo e a se alegrar dando sempre graças a Deus. Essa igreja, no entanto, ainda era muito jovem e tinha uma quantidade de problemas. Paulo não conseguiu terminar os ensinamentos do evangelho devido ao curto tempo que lá esteve, e diversos problemas surgiram após sua partida, alguns acusavam Paulo de se auto promover e de pensar em dinheiro.

Conteúdo
I Tessalonicenses é composta de cinco capítulos.
No capítulo 1, Paulo agradece a fidelidade da igreja ao Senhor, dizendo que eles são fiéis a Cristo e imitadores Dele.
No capítulo 2, Paulo lembra aos irmãos de como se portou durante sua estada em Tessalônica, exercendo seu ministério sem más intenções (v. 1-12), havendo eles então aceitado a Palavra de Deus e padecido na mão dos judeus (v. 13-16). Paulo comunica sua vontade de ir visitar a igreja tessalônica (v. 17-20).
No capítulo 3, Paulo fala a respeito do envio de Timóteo a Tessalônica (v. 1-5) e de seu retorno ao apóstolo (v. 6-10) e pede que continuem tendo amor cristão uns pelos outros (v. 12) para que permaneçam irrepreensíveis diante do Pai (v. 13).
No capítulo 4, Paulo lembra à Igreja que deve andar de maneira que agrade a Deus, que cada um busque santificar-se cada dia mais. Que os irmãos permaneçam se afastando da prostituição, pois Deus requer um povo santo e que Ele despreza a imundícia. Paulo também fala a respeito dos que dormem em Cristo, para que creiam na ressurreição, dos que morreram em Cristo, quando Jesus voltar nos altos céus para buscar a sua Igreja. Fala a respeito do retorno de Cristo para buscar a sua igreja.

No capítulo 5, Paulo fala a respeito de como será a vinda de Cristo: ele compara que a sua vinda será como o ladrão à noite (v. 2), que, portanto, devemos sempre estar alerta e nos comportarmos como Cristo requer de sua igreja. Que o povo deve continuar em constante oração (v. 17), dando graças ao Senhor em todas as coisas (v. 18), não reprimindo o Espírito Santo (v. 19), não desprezando as profecias (v. 20), examinando todas as coisas e guardando somente o bem (v. 21), e afastando-se de tudo que aparentar ser mal (v. 22).

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

C O L O S S E N S E S

E P Í S T O L A   A O S  C O L O S S E N S E S


Autor: O apóstolo Paulo foi o autor principal do livro de Colossenses (Colossenses 1:13). Timóteo também recebe algum crédito (Colossenses 1:1).  Colossenses  é o nome pelo qual é conhecida a epístola que o apóstolo Paulo redigiu aos cristãos da Igreja situada em Colossos, uma cidade da Ásia Menor, aproximadamente no ano 60 da era comum, durante a sua prisão em Roma. Também alguns estudiosos datam sua escrita entre 58-62 Dc.

Motivo da escrita: O apóstolo Paulo escreveu aos colossenses depois que foi informado sobre a situação espiritual daquela Igreja através de Epafras, um colossense fundador e dirigente desta igreja, numa época em que outros mestres tentavam combinar elementos do paganismo e da filosofia secular com as doutrinas cristãs, induzindo a um relativismo religioso. Embora nunca tenha passado por Colossos, Paulo esteve em Laodiceia, em sua terceira viagem missionária (ver: Atos).

Propósito: O livro de Colossenses é um mini-curso de ética, abordando todas as áreas da vida cristã. Paulo progride da vida individual ao lar e família, do trabalho à forma na qual devemos tratar os outros. O tema deste livro é a suficiência de nosso Senhor, Jesus Cristo, em satisfazer nossas necessidades em todas as áreas.

Conteúdo: O conteúdo desta epístola aborda a supremacia e a plena suficiência de Cristo. Alguns dos assuntos de maior relevância tratados na carta seriam:
1. A pessoa e obra de Cristo (Colossenses 1:15-23);
2. Advertências acerca das heresias e falsas doutrinas (Colossenses 2:8-23);
3. E a união do cristão com Cristo (Colossenses 3:1-4).

Versículos-chave:
·        Colossenses 1:15-16: "Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele."


·        Colossenses 2:8: "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo."


·        Colossenses 3:12-13: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós."


·        Colossenses 4:5-6: "Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um."

Resumo: Colossenses foi escrito expressamente para derrotar a heresia que tinha surgido em Colossos e que tinha ameaçado a existência da igreja. Enquanto não sabemos o que foi dito a Paulo, esta carta é a sua resposta.

Podemos supor, com base na resposta de Paulo, que ele estava lidando com uma visão defeituosa de Cristo (Sua humanidade real e verdadeira e a falta de aceitação da Sua plena divindade). Paulo parece também disputar a ênfase "judaica" na circuncisão e tradições (Colossenses 2:8-11, 3:11). A heresia em questão aparenta ser proveniente do gnosticismo-judaico ou de uma mistura entre o ascetismo judaico e a filosofia grega (estoica?). Ele faz um trabalho notável em nos apontar para a suficiência de Cristo.

O livro de Colossenses contém instruções doutrinárias sobre a divindade de Cristo e falsas filosofias (1:15-2:23), bem como exortações práticas em relação à conduta cristã, incluindo as amizades e o falar (3:1-4:18).

Conexões: Como com todas as igrejas primitivas, a questão do legalismo judaico em Colossos era de grande preocupação para Paulo. Tão radical era o conceito da salvação pela graça independentemente das obras, que os submergidos na lei do Antigo Testamento achavam esse conceito muito difícil de entender. Consequentemente, houve um movimento contínuo entre os legalistas a fim de adicionar certas exigências da lei para essa nova fé. Primeiramente entre eles estava o requisito da circuncisão, o qual ainda era praticado entre alguns dos judeus convertidos. Paulo rebateu esse erro em Colossenses 2:11-15, onde declarou que a circuncisão da carne já não era necessária porque Cristo tinha vindo. A sua era uma circuncisão do coração, não da carne, tornando os ritos cerimoniais da lei do Antigo Testamento não mais necessários (Deuteronômio 10:16, 30:6, Jeremias 4:4, 9:26, Atos 7:51 e Romanos 2:29).

Aplicação Prática: Embora Paulo se dirija a muitas áreas, a maior lição para nós hoje é a suficiência total e completa de Cristo em nossas vidas, tanto para nossa salvação como para nossa santificação. Devemos conhecer e entender o Evangelho de modo que não seremos distraídos por formas sutis de legalismo e heresia. Devemos estar atentos a qualquer desvio que diminua a centralidade de Cristo como Senhor e Salvador. Qualquer "religião" que tenta igualar-se com a verdade usando livros que afirmam possuir a mesma autoridade que a Bíblia, ou que combina o esforço humano com a realização divina da salvação, deve ser evitada. Outras religiões não podem ser combinadas ou adicionadas ao Cristianismo. Cristo nos dá padrões absolutos de conduta moral. O Cristianismo é uma família, um modo de vida e um relacionamento -- não uma religião. Boas ações, ocultismo, astrologia e horóscopos não nos mostram os caminhos de Deus. Somente Cristo mostra. Sua vontade é revelada em Sua Palavra, sua carta de amor a nós; devemos chegar a conhecê-la!




L I V R O   D E    C O L O S S E N S E S

·        Colossenses 1:1-12
Toda a Sabedoria e Entendimento
É bem provável que Paulo não conheça estes santos pessoalmente (1:4,7-9; 2:1). Escrevendo como apóstolo escolhido por Deus, ele os desafia a ficarem fortes contra falsos ensinamentos (2:1-4,8,16-19, etc.). A carta aos colossenses declara claramente que Cristo é Criador (1:16), Cabeça (1:18; 2:10), e Salvador (1:20-23), e que qualquer outra doutrina não é nada mais do que "filosofia e vãs sutilezas" de homens (2:8).
A esperança pela palavra (1:1-8). Paulo escreve a esses santos intimamente, como a família. Ele é o irmão deles, entregando esta mensagem importante na graça e paz de Deus, o Pai deles (1:1-2).
Paulo e outros irmãos têm orado pelos colossenses desde o momento que ouviram da conversão deles (1:3-4). Paulo disse que a sua fé e amor são "por causa da esperança... preservada nos céus" (1:5). O evangelho ensina sobre a esperança celestial, e a resposta natural é fé e amor (Romanos 10:17; Gálatas 5:6; 1 João 4:9-11).
Quando Epafras ensinou o evangelho em Colossos, esses irmãos ouviram e entenderam a graça de Deus (1:6-8). A graça de Deus não é alguma misteriosa bênção reservada para poucas pessoas escolhidas, mas é revelada no evangelho para todos que ouvem e obedecem (veja Atos 20:32; Romanos 1:16-17; Tito 2:11-14). A graça de Deus já estava produzindo fruto entre os colossenses, bem como vinha fazendo no mundo inteiro (1:6).
Oração pela sabedoria (1:9-12). Embora que esses irmãos estivessem produzindo fruto, Paulo sabia que corriam risco de serem induzidos abandonar a verdade (veja 2:8). Como santos de Deus, esses precisavam não somente receber o evangelho em verdade, mas também devem ficar firmes na verdade de Cristo, não se desviando (veja 2:6-7; Efésios 4:11-16; Gálatas 1:6-9; Judas 3). Paulo respondeu à necessidade deles com oração:
que transbordem de conhecimento da vontade de Deus (1:9). A vontade de Deus foi livremente revelada no evangelho (veja 1 Coríntios 2:6-13; Efésios 3:3-5). É o dever do cristão conhecer e viver de acordo com essa vontade (veja 1 Pedro 3:15). Paulo orou que esses recebessem "pleno conhecimento", edificando sobre o que já foi ensinado "em toda a sabedoria e entendimento espiritual". O evangelho não é uma revelação da sabedoria humana, mas a revelação da mente espiritual de Deus (veja 1 Coríntios 1:18-20; 2:1-13). Portanto, Paulo não ora por seu entendimento intelectual do evangelho, mas por um entendimento espiritual mais profundo a fim de viverem de modo digno do Senhor (1:10). Diferente da pessoa que tem apenas um entendimento intelectual do evangelho, aquela que o entende espiritualmente terá uma vida transformada. Não é aquele que apenas conhece o evangelho, mas a pessoa que o pratica que crescerá em discernimento espiritual para agradar ao Senhor (veja Efésios 5:10,17; Filipenses 1:9-10; Hebreus 5:13-14). O discernimento espiritual produzirá um povo que conhece o Senhor, produz o fruto de boas obras (veja Efésios 2:10), é fortalecido pelo poder dele, e que lhe agradece pela herança celestial.

·        Colossenses 1:13-29
Em Cristo, Toda a Plenitude
Tendo orado que os santos de Colossos crescessem em toda sabedoria e em pleno conhecimento (1:9-12), Paulo cumpre sua parte, os ensinando da plenitude de Cristo.
Plenitude no trabalho (1:13-14). É somente pelo trabalho de Cristo que Deus nos liberta do reino de Satanás. Quem estiver em Cristo já mudou de cidadania e não serve mais "o império das trevas", antes serve no "reino do Filho" (1:13; Efésios 2:19; Filipenses 3:20). Cristo nos faz cidadãos deste reino quando pela obediência dele recebemos a remissão dos pecados (1:14; Atos 2:37-38; Efésios 1:3-7). Portanto, qualquer que recebe remissão dos pecados, já faz parte do reino de Cristo, e não espera um futuro reino milenar.
Plenitude do estado (1:15-23):
Em relação a Deus (1:15): Cristo é "a imagem do Deus invisível". Olhando para Cristo, podemos ver Deus em forma humana (veja João 14:8-9; Filipenses 2:5-8). O escritor de Hebreus descreveu Cristo como "o resplendor da glória e a expressão exata" do ser de Deus (Hebreus 1:3). De Cristo, João contou: "o Verbo era Deus" e "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:1, 14). E em Cristo "habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9). Cristo é plenamente Divino. Cristo é Deus.
Em relação à criação (1:15-17): Sendo Deus, Cristo é também Criador. Ele não é criatura, mas sempre existia desde o princípio (veja João 1:1). Ele é chamado "primogênito" porque "nele foram criadas todas as coisas" (1:16). O ponto é que Cristo é superior a qualquer criatura, seja homem, animal, ou ser celeste. Cristo é o porque da criação – "Tudo foi feito por meio dele e para ele" (1:16). Sem Cristo, nada poderia subsistir (1:17; Hebreus 1:3).
Em relação à igreja (1:18-23): Na sua morte e ressurreição, Cristo recebeu de Deus Pai toda a autoridade para ser "a cabeça" da igreja (1:18; veja Mateus 28:18; Hebreus 5:7-9). Pelo seu sacrifício, ele trouxe paz e reconciliação para toda a criação (1:19-20). Esta paz e reconciliação estendem para todos que eram inimigos "pelas...obras malignas," mas que agora permanecem na fé do evangelho "que foi pregado a toda criatura debaixo do céu" (1:21-23). Se reconhecermos Cristo como a única cabeça da igreja, deixaremos somente ele nos guiar pela sua palavra, o evangelho. Porém, aqueles que não permanecem no evangelho, não serão achados "santos, inculpáveis e irrepreensíveis" (1:22; 2 João 9).
Plenitude na eficácia (1:24-29). A mensagem do evangelho, pela qual Paulo sofria com alegria, era "para dar pleno cumprimento à palavra de Deus" (1:24-25). O evangelho revela a resposta de Deus que foi ainda oculta nas revelações às gerações passadas. Esta resposta é "Cristo em vós, a esperança da glória" (1:26-27). O evangelho de Cristo adverte e ensina todo homem, a fim de apresentar "todo homem perfeito em Cristo" (1:28). Cristo, pelo seu sacrifício e seu evangelho, é o único que tem o poder de glorificar, aperfeiçoar, e salvar todo homem. Devemos a ele nossa lealdade.

·        Colossenses 2:1-19
Em Cristo, Todos os Tesouros
Tesouros de conhecimento (2:1-7). Paulo falou do seu trabalho como uma “grande luta” (2:1; veja 1:24-29; Efésios 6:10-12; Judas 3) com vários fins:
“para que tenham toda a riqueza” (2:2-3): Paulo lutava para o “conforto” dos irmãos e para seu vínculo “juntamente em amor” (2:2). Muitos pregam que conforto vem pela cura e pelo dinheiro e que a união vem quando esquecemos da doutrina. Porém, o conforto e a união que Paulo pregava vieram pela “riqueza da forte convicção do entendimento”. Devemos ser “ricos” no conhecimento de Cristo, porque somente nele há tesouros verdadeiros (2:3). Pela palavra dele achamos verdadeiro conforto e união (veja João 15:10-11; 17:17-21). Se esquecermos da sua doutrina para ter “união”, teremos apenas união em “obras más” (2 João 8-11).
“para que ninguém vos engane” (2:4-7): Sem a palavra de Cristo, seria fácil ser enganado pelas filosofias e doutrinas de homens (2:4). Paulo ensinou a verdade do evangelho entre os Colossenses, e assim teve certeza da sua “boa ordem” e da sua “firmeza da fé” em Cristo (2:5). Paulo os lembrava da necessidade de continuar andando em Cristo (2:6-7). É Cristo que recebemos ao obedecermos ao evangelho. Se somos “radicados e edificados e confirmados” na igreja, no pastor, ou numa doutrina que ensina coisas que Cristo não ensinou, não temos recebido Cristo.
Tesouros de perfeição (2:8-15). Por causa do grande perigo de engano nas coisas pertencentes a Deus, Paulo mostra que há perfeição somente por Cristo (2:8):
Cristo é perfeitamente Deus (2:8-9): Enquanto homens enganam com as “filosofias e vãs sutilezas” das suas tradições, Cristo ensina a verdade de Deus, sendo ele mesmo “toda a plenitude da divindade” (2:9).

“nele estais aperfeiçoados” (2:10-15): Deus fez Cristo o cabeça sobre toda autoridade (2:10; veja Mateus 28:18). Qualquer autoridade que um homem pode ter, Cristo tem mais. Por isso, somos aperfeiçoados somente por ele e pela sua palavra (veja Efésios 4:11-15). Para ser aperfeiçoado, é preciso ter a circuncisão espiritual de Cristo, e não aquela feita por mãos humanas (2:11). Isto acontece quando somos “sepultados...no batismo”. Assim Cristo “ressuscita”, “dá vida”, e “perdoa” (2:12-13). Para perdoar, Cristo removeu por completo “o escrito de dívida...encravando-o na cruz” (2:14). Este escrito é uma referência à Lei de Moisés, que condenava pecado, mas não oferecia salvação (veja Hebreus 7:11-19). Somente Cristo triunfou na cruz e oferece salvação (2:15; veja Hebreus 5:7-9).
Aplicação (2:16-19). Sendo que a perfeição é só em Cristo, ela não vem pela Lei de Moisés (2:16-17), falsa humildade, adoração de anjos, ou por visões (2:18). De fato, qualquer pessoa que não segue somente o que Cristo ensina nunca terá “o crescimento que procede de Deus” (2:19).

·        Colossenses 2:20 - 3:11
Buscai as Coisas Lá do Alto
Na luta contra o pecado a perfeição vem somente por Cristo (veja 2:1-19). Muitos, porém, insatisfeitos com a simplicidade disso, criam rígidos regulamentos físicos para "governar os fiéis" e os mantém "longe do pecado". Os fariseus fizeram isto e Jesus os reprovou (veja Mateus 15:1-9). Hoje alguns continuam seguindo suas próprias regras físicas como se fossem um meio de purificar a alma. Mas Paulo mostra aos Colossenses que a purificação só vem quando morremos com Cristo para uma nova vida espiritual.
Morremos com Cristo (2:20-23). No batismo somos "sepultados" com Cristo (veja 2:12; Romanos 6:1-4), morrendo para o pecado e "para os rudimentos do mundo" (2:20). Estes "rudimentos do mundo" incluem: 1. a lei de Moisés, com todas as suas sombras "das coisas que haviam de vir" (veja 2:13-17); 2. as coisas baseadas na "mente carnal", como "culto dos anjos" e "visões", as quais não retêm a autoridade de Cristo (veja 2:18-19); e 3. ordenanças "segundo os preceitos e doutrinas dos homens" (2:20-22).
Deus nos revelou "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" para nos livrar "da corrupção das paixões que há no mundo" (2 Pedro 1:3-4). Qualquer outra coisa – regras humanas sobre alimentos, cortes de cabelo, proibições contra TV, etc. – podem ter "aparência de sabedoria", mas "não têm valor algum contra a sensualidade" (2:23). Afinal, se um homem não morre com Cristo, ele não vai deixar de pecar nas coisas sensuais só porque não assiste a televisão.
Ressuscitamos com Cristo (3:1-4). No batismo, somos "ressuscitados" com Cristo "mediante a fé no poder de Deus" e recebemos "novidade de vida" (veja 2:12; Romanos 6:1-5). Sendo que Cristo vive "assentado à direita de Deus", nós devemos buscar "as coisas lá do alto" e pensar "nas coisas lá do alto" (3:1-2). Devemos fazer nossas vidas em Cristo, não em ordenanças (3:3-4). Quando aprendemos a amar Cristo e viver para ele, então guardaremos os mandamentos dele sem regras de homens para nos "manter fiel" (veja João 14:15, 21). Quando somos fiéis a Cristo e não a regras, seremos "manifestados com ele, em glória" (3:4).
A nova vida (3:5-11). A nova vida vem pela mudança de natureza e não pela mudança de algumas regras externas. "A natureza terrena" com todas as coisas pertencentes a ela tem que morrer (3:5). Isto acontece quando obedecemos a Cristo em amor, sabendo que "a ira de Deus [vem] sobre os filhos da desobediência" (3:6). Quando amamos a Deus, não queremos decepcioná-lo. Assim, deixamos de fazer as coisas erradas que fazíamos antes na velha vida de pecado (3:5-9), e aprendemos a nos revestir "do novo homem" (3:9-10). A vida deste novo homem é uma vida espiritual, refletindo o amor e a santidade do seu Criador (3:10; veja 1:16).

·        Colossenses 3:12 - 4:1
Fazei-o em Nome do Senhor Jesus
A nova vida em Cristo não é feita somente pelo despojo de algumas coisas erradas. Muitas pessoas até poderiam parar de beber, fumar, roubar, adulterar ou cometer outros pecados, mas isto, em si, não as tornaria cristãs. Mesmo se deixassem de fazer qualquer pecado desde agora até as suas mortes, mas não se revestissem "do novo homem" segundo a imagem de Cristo (veja Colossenses 3:10), elas não alcançariam a salvação! O que importa não é a quantidade de coisas erradas deixadas para trás, e sim a obediência ao Senhor.
"Revesti-vos...como eleitos de Deus" (3:12-17). Paulo fala da nova vida em Cristo como um "revestimento". Assim como uma mudança de roupa seria óbvia no corpo, a vida cristã deve se tornar aparente no comportamento. Diferente de roupa, que só cobre o corpo por fora, o revestimento em Cristo é feito de ações (veja Apocalipse 19:7-8) que são o resultado de mudanças internas.
A natureza do cristão imita a natureza de Cristo (3:12-14; veja Romanos 8:29; 2 Pedro 1:3-4). O cristão não aproveita ou usurpa outros, mas age de acordo com "a paz de Cristo" (3:15; veja 1 Coríntios 6:1-11). "A paz de Cristo" é o que nos dá acesso ao Pai juntos num só corpo (veja Efésios 2:13-18). Quem age de acordo com esta paz ensina a verdade de Deus, a qual promove união verdadeira (veja João 17:17-21).
"A palavra de Cristo" habita "ricamente" no cristão (3:16). A reação natural desta convivência é que o cristão "instrui" e "aconselha" de acordo com a sabedoria verdadeira (veja Tiago 3:17), e que ele louva a Deus, dando ações de graças.
O cristão faz tudo "em nome do Senhor Jesus" (3:17). Isto não quer dizer que ele fala sempre "em nome de Jesus" antes de fazer algo, mas que ele tem a cautela de viver sempre de acordo com a vontade do Senhor. Devemos pensar muito bem antes de fazer qualquer coisa que não podemos afirmar ser a vontade de Cristo. Isto se aplica a adoração ou em qualquer outro aspecto da vida. O cristão se reveste da vontade de Cristo, e não da sua própria vontade ou da dos homens!
Aplicações individuais (3:18 - 4:1). A vida cristã também imita o serviço do nosso Senhor, que procurou servir ao invés de ser servido (veja Mateus 20:26-28). Paulo destaca este serviço nos vários papéis da vida. No lar, a mulher cristã serve ao marido pela submissão, e o marido cristão serve a mulher com amor (3:18-19; veja Efésios 5:22-31). Os filhos servem aos pais pela obediência, e os pais servem aos filhos pela maneira de criá-los (3:20-21; veja Efésios 1-4). No emprego, o trabalhador cristão serve ao chefe com trabalho honesto e bem feito, mesmo quando o chefe não está olhando (3:22-25). O chefe cristão também serve ao trabalhador, pagando um salário justo e exigindo alvos atingíveis (4:1).

·        Colossenses 4:2-18
"A Graça Seja Convosco"
Exortação à oração (4:2-6). Paulo começou a carta falando das suas orações constantes pelos irmãos de Colossos (veja Colossenses 1:3, 9), e a terminou exortando a eles que continuassem também em oração, "vigiando com ações de graças" (4:2).
Paulo mesmo precisava das orações dos irmãos Colossenses: ele estava na prisão por causa da pregação de Jesus (4:3). Porém, ao invés de pedir orações a favor das suas algemas, Paulo pensava numa coisa mais urgente – a pregação da palavra de Cristo (4:3-4)! Paulo se preocupava com a vontade de Deus antes de sua própria vontade. Como Paulo, devemos orar que Deus nos dê oportunidade e coragem para cumprirmos a vontade dele!
Enquanto os Colossenses oravam pelo sucesso de Paulo no evangelho, estes também precisavam "pregar" pelo seu comportamento e por suas palavras, aproveitando oportunidades de "responder a cada um" (4:5-6; veja 1 Pedro 3:15). É necessário que a vida do cristão e as palavras dele sejam de acordo com a verdade. Isto exige dele muita oração e estudo cuidadoso da palavra de Deus.
Notícias de Paulo (4:7-9). Desejando aliviar os corações preocupados dos Colossenses, Paulo enviou Tíquico e Onésimo com "o expresso propósito" de falar da situação dele e dos outros presos conhecidos por eles. Paulo podia ter segurado estes dois "irmãos amados" para servirem a ele mesmo na prisão (veja Filemom 13). Porém, ele se preocupou mais com os Colossenses do que consigo mesmo, e assim enviou os dois para servirem a eles.
Saudações pessoais (4:10-18): A família de Deus é caracterizada por seu amor (veja João 13:35), e todos os irmãos que estavam com Paulo enviaram seu amor na forma de saudações individuais (4:10-14). A saudação de Epafras devia ter sido particularmente tenra para eles ouvirem, sendo que ele era mesmo um membro da igreja em Colossos, e que ele tinha ensinado a eles muito no evangelho (veja 1:7). Paulo relatou o cuidado especial que Epafras teve para com os irmãos, e como ele se esforçou sempre em oração por eles e por outros (4:12-13). Sem dúvida, Paulo conheceu e amou os irmãos Colossenses através do que ele ouviu deles pela boca de Epafras.

Por fim, Paulo enviou suas próprias saudações escritas em amor por sua própria mão, desejando a eles a graça de Deus, e lembrando dos irmãos em outros lugares que iriam ler esta carta também (4:15-18). Mesmo que as cartas contenham informação pessoal para as pessoas imediatas, elas foram escritas sob a inspiração do Espírito Santo, e assim precisam ser lidas pelas igrejas como autoridade de Deus (4:16; veja 2 Pedro 1:19-21; 3:14-16; 1 Coríntios 7:17; 14:33, 37).

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

F I L I P E N S E S

E P Í S T O L A     A O S     F I L I P E N S E S

Epístola aos Filipenses - é conhecida como a carta que o apóstolo Paulo redigiu aos habitantes de Filipos, uma cidade importante no Império Romano por causa de sua localização geográfica na região montanhosa entre a Ásia e a Europa.
Cidade da Macedônia fundada por Felipe II, pai de Alexandre, o Grande, no ano 358 a.C. Foi a primeira cidade da Europa que ouviu a pregação de um missionário cristão (Atos 16:6-40).


AUTORIA
No primeiro versículo da Epístola aos Filipenses, Paulo anuncia-se como autor da mesma e saúda os irmãos:
«Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos: Graças a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.» (Filipenses 1:1-2)
Filipenses 1:1 identifica o apóstolo Paulo como o seu autor, provavelmente com a ajuda de Timóteo.


DATA E LOCAL DE ESCRITA
A epístola foi escrita, provavelmente, entre 53 e 61 D.C.  e segundo a tradição, a carta teria sido escrita numa prisão em Roma, para a igreja em Filipos. Entretanto há pesquisadores que argumentam em favor da carta ter sido escrita numa prisão em Cesareia ou ainda em Éfeso.


CONTEÚDO
Esta afetuosa epístola elogia os filipenses por sua fé em Jesus e por seu apoio. Paulo os ajuda a centralizar a vida em Cristo e a estar contentes em todas as situações, ser fortes em oração e imitar com alegria o exemplo de seu Salvador, Jesus Cristo.


PROPÓSITO
O propósito do Apóstolo Paulo ao escrever essa carta, era incentivar a igreja a se alegrar, e ele mostra para eles que mesmo preso ele se alegrava, e que devemos nos alegrar independente de qual seja as circunstancias. A Epístola aos Filipenses, uma das epístolas de Paulo na prisão, foi escrita em Roma. Foi em Filipos, onde Paulo visitou em sua segunda viagem missionária (Atos 16:12), que Lídia e o carcereiro e sua família foram convertidos a Cristo. Agora, alguns anos mais tarde, a igreja estava bem estabelecida, como se pode deduzir pelo seu tratamento inicial, o qual diz: "bispos (presbíteros) e diáconos" (Filipenses 1:1).
O motivo para a epístola foi reconhecer uma oferta monetária procedente da igreja em Filipos e levada ao apóstolo por Epafrodito, um dos seus membros (Filipenses 4:10-18). Esta é uma delicada carta para um grupo de cristãos que eram especialmente próximos ao coração de Paulo (2 Coríntios 8:1-6) e, comparativamente, pouco é dito sobre o erro doutrinário.


ESBOÇOS PRINCIPAIS
1º Paulo ora pelos Filipenses. (Filipenses 1:1-11)
2º As cadeias de Paulo fazem com que o evangelho avance. (Filipenses 1:12-26)
3° Cristo é modelo de humildade. (Filipenses 1:27 à Filipenses 2:18)
4º Paulo louva a Timóteo e Epafrodito. (Filipenses 2:19-30)
5º Exortação ao conhecimento e à paz de Cristo Jesus. (Filipenses 3:1-4,20)
6° Saudações finais. (Filipenses 4:21-23)


VERSÍCULOS CHAVES
Filipenses 1:21: "Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro."

Filipenses 3:7: "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo."

Filipenses 4:4: "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos."

Filipenses 4:6-7: "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus."

Filipenses 4:13: "Tudo posso naquele que me fortalece."



RESUMO
Filipenses pode ser chamado de "Recursos através do sofrimento". O livro é sobre Cristo em nossa vida, Cristo em nossa mente, Cristo como nossa meta, Cristo como nossa força e alegria através do sofrimento. Ele foi escrito durante a prisão de Paulo em Roma, cerca de 30 anos após a ascensão de Cristo e cerca de dez anos depois de Paulo ter pregado em Filipos pela primeira vez.

Paulo era um prisioneiro de Nero, mas a Epístola transborda com mensagens de triunfo. As palavras "alegria", "gozo" e "regozijo" aparecem com frequência (Filipenses 1:4, 18, 25, 26, 2:2, 28; Filipenses 3:1, 4:1, 4,10). Uma experiência cristã correta é experimentar, independente de nossas circunstâncias, a vida, a natureza e a mente de Cristo habitando em nós (Filipenses 1:6, 11; 2:5, 13). Filipenses atinge o seu auge em 2:5-11 com a declaração gloriosa e profunda sobre a humilhação e exaltação de nosso Senhor Jesus Cristo.



DIVISÃO DO LIVRO
Filipenses pode ser dividido da seguinte forma:
Introdução, 1:1-7
I. Cristo, a vida do cristão: Regozijar-se apesar do sofrimento, 1:8-30
II. Cristo, o modelo do cristão: Regozijar-se em servir com humildade, 2:1-30
III. Cristo, o objeto da fé, desejo e perspectiva do cristão, 3:1-21
IV. Cristo, a fortaleza do cristão: Regozijar-se em meio à angústia, 4:1-9
Conclusão, 4:10-23

Conexões: Assim como em muitas de suas cartas, Paulo advertiu os novos crentes na igreja de Filipos para terem cuidado com a tendência ao legalismo que continuamente aparecia nas igrejas primitivas. Os judeus estavam tão ligados à lei do Antigo Testamento que havia um esforço constante por parte dos judaizantes de retornar ao ensino da salvação pelas obras. Entretanto, Paulo reiterou que a salvação é somente pela fé em Cristo e apelidou os judaizantes de "cães" e "maus obreiros". Em particular, os legalistas estavam insistindo que os novos crentes em Cristo deviam continuar sendo circuncidados de acordo com os requisitos do Antigo Testamento (Gênesis 17:10-12; Levítico 12:3). Desta forma, eles tentaram agradar a Deus por seus próprios esforços e elevar-se a uma posição superior à dos cristãos gentios que não participavam do ritual. Paulo explicou que aqueles que foram lavados pelo sangue do Cordeiro não mais precisavam realizar o ritual que simbolizava a necessidade de um coração puro.


APLICAÇÃO E PRÁTICA
 Filipenses é uma das cartas mais pessoais de Paulo e, como tal, tem várias aplicações pessoais aos crentes. Escrita durante a sua prisão em Roma, Paulo exorta os filipenses a seguirem o seu exemplo e anunciar “a palavra com maior determinação e destemor” (Filipenses 1:14) em tempos de perseguição. Todos os cristãos têm experimentado, em um momento ou outro, a animosidade dos incrédulos contra o evangelho de Cristo. Isso é de se esperar. Jesus disse que o mundo o odiava e odiaria os Seus seguidores também (João 5:18). Paulo exorta-nos a perseverar em face de perseguição, a permanecer firmes "num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho" (Filipenses 1:27).

Uma outra aplicação de Filipenses é a necessidade dos cristãos permanecerem unidos em humildade. Estamos unidos com Cristo e temos que nos esforçar para estar unidos uns aos outros da mesma maneira. Paulo nos encoraja a “ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” e a repudiar a vaidade e egoísmo, mas ”humildemente considerem os outros superiores a si mesmo", prestando atenção aos interesses dos outros e cuidando uns aos outros (Filipenses 2:2-4). Haveria muito menos conflito nas igrejas hoje se todos seguíssemos o conselho de Paulo.

Uma outra aplicação de Filipenses é a do gozo e alegria encontrados ao longo de sua carta. Ele se alegra que Cristo está sendo proclamado (Filipenses 1:8), em sua perseguição (2:18), exorta os outros a se alegrarem no Senhor (3:1), e refere-se aos irmãos de Filipos como a sua “alegria e coroa” (4:1). Ele resume com esta exortação aos crentes: "Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!" (4:4-7). Como crentes, podemos nos alegrar e experimentar da paz de Deus quando lançamos todos os nossos cuidados sobre Ele: "Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus" (4:6). A alegria de Paulo, apesar da perseguição e prisão, brilha através desta carta e temos a promessa da mesma alegria quando focalizamos nossos pensamentos no Senhor (Filipenses 4:8).



O LIVRO DE FILIPENSES

1.     1:1-26 - Introdução

Da prisão, Paulo escreve aos irmãos filipenses um apelo emocionante e encorajador para serem unidos e constantes.
 
Saudação (1:1-2). Paulo não escreve aos seus amigos em Filipos de sua posição como apóstolo, mas sim de sua posição ao lado deles, em jugo como eles no serviço ao Senhor. Suas palavras são para todos  os santos em Cristo Jesus em Filipos -- frisando a importância deles serem unidos na recepção da mensagem que ele está enviando, mas com ênfase especial nos bispos e diáconos da congregação, cujo trabalho é de ajudar em manter os irmãos unidos e constantes no serviço do Senhor.

Ele lhes deseja graça e paz de Deus; onde essas coisas abundam, a unidade e constância também abundarão.

A oração de Paulo (1:3-11).  Paulo é sempre agradecido por tudo que ele tem recebido do Senhor, e ele vê os irmãos em Filipos como mais uma dádiva de Deus, porque o ajudaram desde o início de seu serviço de evangelização. Ele tem saudades deles "na terna misericórdia de Jesus Cristo" (1:8), mas, ao invés de orar pelo próprio desejo de vê-los de novo, ele ora pelo crescimento espiritual deles. Se eles crescerem em amor, com conhecimento e discernimento, Paulo sabe que terá oportunidade de os ver de novo após esta vida, que é mais importante que os ver outra vez nesta vida. O desejo dele é que Deus seja glorificado pelo crescimento frutífero dos irmãos em Filipos.

Pregando Cristo (1:12-18). Paulo não perdeu nenhuma oportunidade para pregar Cristo; mesmo na cadeia, ele estava pregando aos perdidos. Outros, também, estavam pregando. Alguns ficaram animados pelo exemplo de Paulo na prisão e se esforçaram para pregar mais fora da prisão. Outros, talvez egoístas em querer mostrar que o apóstolo não era o único capaz de ganhar almas, estavam pregando zelosamente. Paulo não demonstrou o mesmo caráter daqueles com atitudes erradas. Ele não sentiu inveja deles como eles esperavam. Antes, ele louvou ao Senhor porque Cristo estava sendo pregado. O poder da salvação está na palavra (veja Romanos 1:16); aqueles que procuram a salvação, vão ouvir a palavra da verdade e a seguir, ao invés de seguir os homens que a ensinam.

Vivendo em Cristo (1:19-26). Paulo conhece apenas duas opções: viver como Cristo viveu, ou morrer como Cristo morreu (1:21). Essa é a chave para entender a atitude de Paulo. Porque ele vive como Cristo viveu, ele não se envergonha de estar preso. Sabe que será provado justo no dia do Senhor, assim como Cristo foi provado justo pela ressurreição. Uma vez que ele vive como Cristo, sabe que a morte será para ganhar a recompensa eterna com o Pai. Portanto, o desejo sincero de Paulo é que Cristo seja magnificado no seu corpo, e que sua vida encoraje os irmãos em Filipos. Ele preferiria morrer agora para estar com Cristo. Mas, se a decisão fosse dele, ele escolheria ficar para trás para continuar servindo, ainda na carne, aos seus irmãos, para o bem maior deles e não para o próprio bem dele.


·        1:27-2:30 - A Mente de Cristo                                                                                      
A importância da união (1:27 - 2:4). Filipos era uma colônia do Império romano. Os cidadãos viviam como romanos, respeitando as leis de Roma e pagando impostos a César. Eles gozavam da segurança e dos benefícios de serem cidadãos romanos, ainda que vivessem a uma grande distância de Roma. Parte da força de Roma era a união de suas colônias através do mundo antigo: todas elas estavam se esforçando juntas pelo bem comum.
 
Semelhantemente, os cristãos filipenses eram uma "colônia" do céu. Quando Paulo escreveu "vivei de um modo digno" (v. 27), ele estava lhes dizendo para "viverem como cidadãos" de sua cidade capital: o céu (veja 30:20). Um cidadão tem que manter um certo perfil. Como o resto do mundo saberia que os filipenses eram romanos? Eles viviam como romanos. Como o mundo saberia que eles eram cidadãos do céu? Eles teriam que viver como santos: em união, amor e serviço. O Império Romano era forte, mas no fim caiu. A unidade da cidadania cristã é parte de "um reino inabalável" (veja Hebreus 12:28).
 
A mente de Cristo (2:5-11). Para os santos filipenses servirem bem uns aos outros, deixando seus próprios desejos pelo bem comum de todos os santos, eles teriam que aprender a ser desprendidos. Muitos reinos tinham caído por causa do egoísmo e da ganância. Mas o reino do céu estava estabelecido no serviço desinteressado aos outros. Jesus Cristo -- o próprio Rei -- veio como um servo (vs. 6-7), e serviu a toda a humanidade vivendo sem pecado e morrendo numa cruz. Se Jesus pode humilhar-se para descer do céu e servir os homens, estes podem humilhar-se para descer de seu orgulho e servir os outros.

Realize sua salvação (2:12-16). A salvação é uma dádiva de Deus (veja Romanos 6:23), mas exige uma resposta por parte dos homens para a receberem. Essa resposta é obediência. Paulo encoraja-os a continuarem obedecendo, justo como tinham feito quando ele estava com eles (v. 12). Ele incita-os a obedecer "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (v. 13). Quando obedecemos a Deus fielmente, ele trabalha em nós para a salvação. A obediência jubilosa e unida dos servos de Deus é "luz" num mundo escuro onde as pessoas vivem com ira e disputa, servindo só a si mesmas.

Vários exemplos (2:17-30). Paulo conclui com três exemplos de serviço desinteressado. Paulo estava feliz (vs. 17-18) por ser "oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé". Timóteo (vs. 19-24) não era como os outros, que "buscam o que é seu próprio" (v. 21), mas queria fazer as jornadas perigosas de ida e volta a Filipos para servir a Paulo e seus irmãos. E Epafrodito (vs. 25-30), "por causa da obra de Cristo chegou às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida". Que Deus ajude todos nós a sermos um exemplo de serviço desinteressado.

·        3:1-16 - Não Confiar na Carne

"No Senhor" (3:1). A chave à nossa alegria deve estar "no Senhor" (v. 1), e não nas nossas próprias obras. Devemos estar buscando "em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça" (Mateus 6:33). Por este motivo, Paulo escreve aos filipenses mais uma vez "as mesmas coisas" que já ouviram dele em Cristo. É nossa segurança no evangelho que continuamos estudando as mesmas palavras do Senhor, ao invés de criar novos e "melhores" credos. Tudo que precisamos para sermos fiéis e piedosos já foi nos dado nas Escrituras (veja 2 Timóteo 3:16-17; 2 Pedro 1:3; Judas 3). Quando acrescentamos ou tiramos alguma coisa da vontade divina revelada, mostramos que nossa confiança está em nós mesmos e na nossa sabedoria e não na dele.
 
A verdadeira circuncisão (3:2-3). Alguns chegaram a filipos ensinando coisas que não faziam parte do evangelho de Cristo. Falaram que os irmãos precisavam se circuncidar e cumprirem a Lei de Moisés. Paulo explica que a circuncisão verdadeira é do espírito, e não da carne (veja Colossenses 2:11-14). É Cristo quem circuncida nosso coração e em espírito quando, pela fé obediente, somos batizados nele. A falsa circuncisão tem ligação com Abraão apenas pela descendência física, mas a verdadeira circuncisão são aqueles que têm a fé de Abraão (veja Gálatas 3:7-14,26-29).

Considerando tudo como perda (3:4-11). Paulo mostra a futilidade de confiar na carne, usando o exemplo da própria vida dele. Se alguém poderia ter confiado na carne, seria Paulo. As coisas que ele conseguiu fazer, como judeu, era notável. Mas, para Paulo, nada disso importava. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. Até as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida não são nada quando comparadas com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v. 8). Paulo considerava tudo refugo para não ser tentado confiar nas coisas que ele tinha feito. Ele sabia que precisava se conformar com Cristo na sua morte (v. 10-11).  Se houver algo que ameaça nos impedir de participar da ressurreição, precisamos considerar tal coisa refugo e jogá-la fora.

Prosseguindo para alcançar (3:12-16). Até o próprio apóstolo Paulo não acreditou que uma vez que ele foi salvo, foi salvo para sempre. Enquanto ele era confiante da sua salvação em Cristo, é óbvio que ele continuou cada dia a fazer o que pôde para prosseguir na luta. Ele não quis perder "o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (v. 14). Se Paulo tinha que batalhar todos os dias, todos os discípulos de Cristo precisamos fazer o mesmo. Utilizemos o que já aprendemos em Cristo para nos ajudar a prosseguir cada dia para aprender mais de Cristo e de seu plano eterno para aqueles que o amam!



·        3:17-4:9 - Aplicando as Lições

Um contraste de caráter (3:17- 4:1). Paulo começa aplicando as lições a si mesmo, como um exemplo aos irmãos. Ele os faz lembrar de sua caminhada como cidadão do céu, cujo Deus é o Salvador, com poder para mudar nossos humildes corpos terrestres em outros glorificados (3:21). Ele se contrasta com outros que entraram no meio deles, aqueles que servem a seus próprios desejos e paixões em vez da verdade e poder de Deus. Seu deus "do ventre" não pode dar glória eterna aos seus seguidores, mas pode somente levá-los à "perdição", que é a "glória" do ganho terrestre temporário (3:19). É a esperança de glória celestial que fortalece os fiéis quando os infiéis caem (4:1).

Responsabilidades individuais (4:2-3). A unificação do corpo de Cristo começa num nível pessoal. A igreja se compõe de pessoas que vêm de uma variedade de ambientes, com uma variedade de personalidades e níveis de maturidade. Certamente, aparecerão diferenças de opinião entre irmãos. Mesmo o próprio Paulo tinha uma forte diferença de opinião com dois outros discípulos (veja Atos 15:36-41). Mas, se estas diferenças espirituais forem tais que afetem nossa unidade espiritual, elas precisam ser superadas. Nossa tarefa é permanecer unidos para que possamos continuar a luta contra Satanás (veja 1:27-28). Evódia e Síntique são instruídas a superar suas diferenças, pensando "concorde mente, no Senhor" (4:2). E, como o "fiel companheiro de jugo" não nomeado (4: 3), aqueles que estão unidos no Senhor deverão trabalhar duramente ajudando aqueles que estão lutando.

Alegria em Cristo (4:4-7). Não é fácil estar contente no sofrimento, mas isto é o que o cristão é chamado frequentemente a fazer. O cristão que está lutando contra Satanás sofrerá nesta vida (veja 2 Timóteo 3:12). Mas podemos regozijar-nos, não importa quão dura seja a situação, se regozijamos "no Senhor". Se simplesmente nos mantivermos perto do Senhor, em oração, e pelo nosso próprio comportamento moderado, até mesmo no sofrimento poderemos conhecer a paz "que excede todo o entendimento" (4:7). Paulo está escrevendo com experiência: lembre-se, foi em Filipos que ele e Silas estavam alegremente cantando hinos a Deus mesmo depois de terem sido espancados e atirados na prisão (veja Atos 16:19-25).

Como pensar (4:8-9). Tornar-se um cristão forte envolve uma mudança completa de personalidade, do coração para fora. Para se comportar como um cristão precisa-se pensar como um cristão. O cristão precisa pensar ativamente, e não passivamente. Paulo diz para deixar que esta coisa "ocupe o vosso pensamento” (4:8). Uma mente ociosa acolherá todo tipo de pensamentos, desde os bons até os maus; mas uma mente ativa trabalhará para controlar-se, detendo-se no que é nobre e bom, deixando fora o que corrompe. Jesus ensinou que, não somente nossos atos, mas nossos pensamentos por trás deles serão julgados no dia final (veja Mateus 5:21-32).



·        4:10-23 - Gratidão e Bênção

Paulo começou sua carta agradecendo a Deus pelos filipenses (1:3). Ele encerra com  agradecimento pessoal aos irmãos.
 
A vida contente (4:10-13). Ao receber ajuda dos filipenses, Paulo se regozija grandemente "no Senhor"(4:10). Mesmo assim, ele explica que seu contentamento vem não das coisas que ele tem nesta vida, mas em sua relação com o Senhor. O contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (4:11). Em todas as coisas que Paulo sofreu por amor do evangelho (veja 1:17; 3:4-11; 2 Coríntios 11:23-30), ele aprendeu a manter sua atenção em Cristo (veja também 2 Coríntios 12:7-10). Se aprendermos a ter Cristo como o foco de nossa vida, a nossa circunstância material perderá sua importância (4:12-13).
 
O verdadeiro donativo (4:14-20). Ainda que Paulo não precisasse do donativo deles para ficar contente, assim mesmo ele se regozijou em recebê-lo porque eles participaram da aflição dele (4:14). Eles tinham ajudado a Paulo desde o início, quando ele saiu de Filipos para ensinar em Tessalônica (4:15-16; veja Atos 16:11-17:4 e 2 Coríntios 8:1-5). Agora que tinham oportunidade de ajudá-lo novamente, isso significaria "fruto"para crédito deles (4:17). Eles colheriam ricas recompensas do Pai (4:19). A dádiva deles era um sacrifício pessoal, "como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus" (4:18). Não é o objeto do sacrifício que dá a suave fragrância a Deus, mas o coração daquele que faz o sacrifício. Os corações dos filipenses eram suaves para Deus, em seu abundante amor para com Paulo.
 
Essa generosidade é o modelo para os cristãos de hoje. Eles não deram esperando receber bênçãos em retribuição. Não deram porque era algo que "a igreja" exigia. Eles deram com ânimo e de coração, sabendo que sua dádiva estava indo para a divulgação do evangelho e que "Deus ama a quem dá com alegria" (2 Coríntios 9:7).
 
Saudações e bênçãos (4:21-23). Nosso amor genuíno de uns pelos outros e nosso cuidado com a unidade no corpo de Cristo devem compelir-nos a ver uns aos outros assim como Cristo nos vê. Podemos saudar nossos irmão "em Cristo Jesus", se há lutas entre nós? (veja 4:2-3). Temos que humilhar-nos e abandonar nossas diferenças pessoais para ajudar uns aos outros chegar ao céu. Isso é exatamente o que Jesus fez por nós (2:5-11).
 
Paulo envia saudações de todos os irmãos que estavam com ele (4:21-22). Os filipenses haviam ajudado a levar o evangelho até aqueles da casa de César, que se lembravam deles com amor. Em tudo isto, a graça do Senhor é óbvia. Paulo começou sua carta desejando-lhes a graça do Senhor, e encerra-a com o mesmo desejo (4:23). Onde abunda a graça do Senhor, haverá paz, unidade, e força para superar as tentativas de Satanás a destruir os servos de Deus (veja 2 Coríntios 12:9-10).