terça-feira, 28 de junho de 2016

Z A C A R I A S

O   L I VR O    D E    Z A C A R I A S

O Livro de Zacarias é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia. Possui 14 capítulos.
A primeira parte do livro, composta dos capítulos 1 a 8, contém os oráculos do profeta Zacarias, cujo nome significa "YHVH se Lembra".
Apresentado como neto de Idô (1:1 e 1:7) ou como filho de Idô (Esd 5:1; 6:14 e Targum), deve ter sido chefe da família sacerdotal de Idô, por volta de 500 AC (Neemias12:16), umas das famílias sacerdotais da tribo de Levi. Ele é um dos mais messiânicos de todos os profetas do AT, dado referências distintas e comprovadas sobre a vinda do Messias.
Contemporâneo de Ageu foi um dos chamados "profetas" pós – exílicos, que viveu em uma época em que a comunidade judaica procura reconstruir as suas bases de fé e vida social. Sofrendo ainda as amargas consequências do Exílio na Babilônia, o povo sente-se desencorajado e tem dúvidas sobre a presença de Deus em seu meio.
Zacarias, em oráculos e visões, mostra que Deus continua aí para realizar o seu projeto através da comunidade. O profeta reanima a esperança de um povo que passa por grandes dificuldades materiais e dúvidas de fé e que, por isso, é levado à resignação passiva. Zacarias estimula os compatriotas a arregaçarem as mangas para reconstruir o Templo (ver Esdras 6:14), símbolo da fé e unidade nacional.
Zacarias, assim como Ageu se preocupa com a reconstrução do Templo de Jerusalém, mas dá maior destaque à restauração nacional e às suas exigências de pureza e moralidade. Essa restauração deve abrir uma era messiânica na qual o sacerdócio representado por Josué será exaltado (3:1-17), mas na qual a realeza será exercida pelo "Germe" (3:8), termo messiânico que o versículo 12 do cap. 6 aplica à Zorobabel.
A segunda parte do livro, formada dos capítulos 9 a 14, foi escrita nos últimos decênios do séc. IV AC, período em que os gregos dominavam a Palestina, depois da grande campanha de Alexandre Magno (333 AC). O autor olha para o futuro do povo de Deus. Anuncia também o aparecimento do Messias com três características: rei (9:9-10), bom pastor (11:4-17 e 13:7-9) e «transpassado» (12:9-14). Ao ler esta segunda parte, é impossível não lembrar Jesus entrando em Jerusalém montado num jumentinho (rei-messias), ou quando afirma: «Eu sou o bom pastor»; ou ainda sofrendo a paixão e morte na cruz.
Dentre os argumentos que evidenciam que a segunda parte foi escrita em um momento posterior, pode-se citar que:
·       falta de referência a datas;
·       não se fala nem de Zacarias, nem de Zorobabel, nem de Josué e nem da reconstrução do Templo;
·       o estilo é diferente;
·       utiliza-se com frequência livros anteriores como Jeremias e Ezequiel;
·       o horizonte histórico não é mais o do retorno do Exílio na Babilônia, pois Assíria e Egito são apresentados como nomes simbólicos de todos os opressores.
Também há evidências de que essa segunda parte não foi escrita por um único autor, haveria, portanto um Segundo Zacarias (Dêutero-Zacarias), que escreveu os capítulos 9 a 11 e um Terceiro Zacarias (Trito-Zacarias) que escreveu os capítulo 12 a 14, dentre as quais se pode citar:
·       os capítulos 9 a 11 formam uma seção distinta daquela compreendida nos capítulos 12 a 14, sendo cada uma introduzida por um título distinto;
·       os capítulos 9 a 11 são escritos em verso, enquanto que os capítulos 12 a 14 são escritos quase que em sua totalidade em prosa;
·       os capítulos 9 a 11 se utilizam de textos poéticos pré-exílicos e referem-se a fatos históricos difíceis de precisar, com exceção dos oito primeiros versículo do cap. 9 que referem-se à conquista de Alexandre, enquanto que os capítulos 12 a 14 descrevem em termos de apocalipse as provações e as glórias de Jerusalém dos últimos tempos.
·       Por outro lado cita-se que a escatologia não está ausente dos capítulos 9 a 11 e que certos temas encontram-se em tanto na seção compreendida pelos capítulos 9 a 11 como na seção compreendida nos capítulos finais, como, por exemplo, o dos "pastores" do povo (10:2-3; 11:4-14; 13:7-9).

DATA
A introdução do Livro de Zacarias foi escrita entre outubro e novembro de 520 AC, dois meses após a primeira profecia de Ageu , oito visões do profeta ocorreram em fevereiro de 519 AC (Zacarias 2:4). Os caps 7-8 ocorrem dois anos mais tarde, em 518 AC, o cap. 7 é um retrospecto do passado nacional, e o cap. 8 abre as perspectivas da salvação messiânica, ambos a propósito de um problema sobre o jejum, suscitado em novembro de 518 AC. A referência à Grécia em 9.13 pode indicar que os caps. 9-14 foram escritos depois de 480, quando a Grécia substituiu a Pérsia como o grande poder mundial. As profecias que abrangem o Livro de Zacarias foram reduzidas à escrita entre 520 e 475 aC.
Não há dúvidas sobre a autenticidade dos oito primeiros capítulos, mas existem evidências de que os versículos 20 a 23 do capítulo 8 são um acréscimo posterior, sendo os versículo 18 e 19 a conclusão primitiva do livro.

AS OITO VISÕES
As oito visões são o cerne da primeira parte da obra e descrevem antecipadamente a restauração definitiva da comunidade. As três primeiras visões (os cavaleiros, os ferreiros, o agrimensor) apresentam as fases preparatórias da restauração messiânica; as duas visões centrais (a investidura de Josué, os dois Ungidos) dizem respeito ao governo da nova comunidade; as três últimas (o livro, a mulher no alqueire, os cavaleiros) evocam as condições da restauração final.
Cabe observar que a quarta visão tem características literárias e teológicas particulares, e diferentemente da quinta visão que mantém os dois Ungidos em pé de igualdade, confere ao sacerdote um lugar preponderante, o que indicaria que essa quarta visão seja um acréscimo posterior, e que o texto original teria somente sete visões. Tal modificação revela a importância conquistada pelo sacerdote a partir do desaparecimento do príncipe davídico Zorobabel. Sendo que, posteriormente, o novo testamento (Hebreus cap. 3) reinterpretará a profecia declarando que Zacarias se referia a Jesus.

OUTROS ASPECTOS EM RELAÇÃO A PRIMEIRA PARTE
·       2:10-17 é um apelo aos exilados para que voltem à cidade cujas condições são evocadas na segunda e terceiras visões (2:1-9);
·       3:8.9.10c são uma promessa à Josué depois da visão de sua investidura (3:1-7.9a);
·       4:6b-10a trazem uma garantia ao governador Zoroibabel;
·       1:1-6 e 7:4-14 pregações;
·       8:1-17.20-23 promessas sobre o futuro;
·       7:1-3 e 8:18-19 consulta referente aos jejuns comemorativos das calamidades de 587 AC.

CONTEXTO HISTÓRICO
Os exilados que retornaram à sua terra natal em 536 a.C. sob o decreto de Ciro, estavam entre os mais pobres dos judeus cativos. Cerca de cinquenta mil pessoas retornaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e Josué. Rapidamente, reconstruíram o altar e iniciaram a construção do templo. Logo, todavia, a apatia se estabeleceu, à medida que eles foram cercados com a oposição dos vizinhos samaritanos, que, finalmente foram capazes de conseguir uma ordem do governo da Pérsia para interromper a construção. Durante cerca de doze anos a construção foi obstruída pelo desânimo e pela preocupação com outras atividades.
Zacarias e Ageu "persuadiram o povo a voltar ao Senhor e aos seus propósitos para restaurar o templo". Zacarias "encorajou o povo de Deus indicando-lhe um dia, quando o Messias reinaria de um templo restaurado, numa cidade restaurada".

MESSIANISMO
Zacarias é, às vezes, referido como o mais messiânico de todos os livros do Antigo Testamento.
Dentre as referências à Era Messiânica, pode-se citar, as previsões do ressurgimento da Casa de David (12) e de uma teocracia guerreira (10:3-11:3), mas também cultual no estilo de Ezequiel (14)  e dentre as referências ao Messias, pode-se citar.
·       Como o Servo do Senhor, o Renovo (Zacarias 3:8);
·       Como o homem cujo nome é Renovo (Zacarias 6:12);
·       Como Rei e como sacerdote (Zacarias 6:13);
·       Como o verdadeiro Pastor (Zacarias 11:4-11);
·       Rei Messias humilde e pacífico (9:9-10).
Ele dá um expressivo testemunho sobre a traição de Cristo por trinta moedas de prata (Zacarias 11:12-13 - Mateus 27:9, combinado com Jeremias 26:31 , sua crucificação (Zacarias 12:10), seus sofrimentos (Zacarias 13:7) e sua segunda vinda (Zacarias 14:4).
Duas referências a Cristo são consideradas pelos religiosos como de profundo significado. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém é descrita com detalhes em Zacarias 9:9, quatrocentos anos antes do acontecimento (ver Mateus 21:4; Marcos 11:7-10).
Outras passagens no Novo Testamento também ligam-se com o Livro de Zacarias, tais como: Marcos 14:27 e João 19:37.
Um dos versículos mais dramáticos das Escrituras proféticas é encontrado em Zacarias 12:10, quando, na maioria dos manuscritos a primeira pessoa é usada: "E olharão para mim, a quem traspassaram.". Jesus Cristo acreditam os religiosos, pessoalmente, profetizou sua definitiva recepção pela casa de Davi.


INTRODUÇÃO AO LIVRO DE ZACARIAS
 – O Messias vem aí
O ministério de Zacarias foi adicional ao de Ageu no período pós-exílico. Zacarias começou seu trabalho cerca de dois meses após os oráculos de Ageu. Ageu desafiara o povo a reconstruir o templo e Zacarias chamou a comunidade pós-exílica ao arrependimento. Uma vez que os trabalhos de reconstrução estavam concluídos, restava ao povo a consciência correta da adoração e serviço apropriados.
O nome Zacarias significa Javé se lembrou, e expressa o sentimento dos exilados após o cativeiro babilônico. No livro de Neemias lemos que Zacarias era neto de Ido, que retornara do cativeiro com Zorobabel e Jesua (12:4). Neemias também o identifica como membro da família sacerdotal de Ido (12:16). Zacarias, portanto, era descendente de Levi e serviu em Jerusalém como sacerdote e profeta.
O livro está indubitavelmente seccionado em duas partes. O livro pode ser dividido de acordo com seu estilo e interesse histórico entre os capítulos 1 a 8 e 9 a 14. A primeira parte se situa no período persa, antes da reconstrução do templo sob a liderança de Josué e Zorobabel. Neste trecho, as profecias são datadas e vêm em forma de visões. A segunda parte não trata mais sobre o templo; Josué e Zorobabel não são mais mencionados; as profecias não são mais datadas nem tem a forma de visões. A ênfase teológica da segunda parte é totalmente escatológica se comparada com a primeira. O estilo literário também é distinto da primeira parte, tratando-se, claramente, de uma literatura apocalíptica, gênero característico do período pós-exílico.
Da mesma maneira que Ageu, Zacarias escreveu aos hebreus de Jerusalém e proximidades que retornaram do exílio. Em virtude da impassividade espiritual neste período, Zacarias exortou e motivou os ex-cativos a reconstruir e prosseguir a vida.
Os oráculos de Zacarias foram pronunciados durante o reinado de Dario, rei da Pérsia (521 – 486 a.C.). Somente um grupo reduzido de judeus retornara a Jerusalém após os 70 de cativeiro; por isso os muros e o templo de Jerusalém continuavam destruídos. Logo, a promessa de restauração predita por Jeremias e Ezequiel estavam longe do seu cumprimento (Jr. 30 – 33; Ez. 36 – 39). Conforme estudado anteriormente, foi um período de sombras, desânimo e ameaças das nações ao redor contra qualquer tentativa mínima de progresso.
Em contraste com essa situação desoladora, as palavras de Ageu e Zacarias animaram e motivaram o povo da Aliança à reconstrução material e regeneração espiritual. Ageu iniciou este trabalho e Zacarias arrematou sua mensagem para a renovação espiritual (1:3-6; 7:8-14).
O ministério de Zacarias durou mais de 2 anos até a conclusão dos trabalhos de reconstrução do templo e celebração da páscoa em 515 a.C. (Ed. 6:13-22).

ESTRUTURA DO LIVRO
Os oráculos de Zacarias podem ser estruturados da seguinte forma:
·       A chamada ao arrependimento – 1:1-6
·       As visões de Zacarias – 1:7 – 6:8
·       A coroação de Josué – 6:9-15
·       Mensagem sobre a justiça, misericórdia e jejum – 7:1-14
·       Mensagem sobre a restauração de Jerusalém – 8:1-23
·       Oráculos sobre o Messias – 9 – 11
·       Oráculos sobre Israel – 12 – 14
O livro divide-se em duas partes principais contendo oito visões, quatro mensagens e dois oráculos. A primeira parte contém a introdução em forma de chamada ao arrependimento (1:1-6), as visões noturnas (1:7 a 6:15) e as palavras sobre o jejum (7 e 8). A segunda parte, como visto acima, tratam-se de oráculos escatológicos sobre o Messias (9 a 11) e Israel (12 a 14). Todos esses estilos literários reunidos serviram para estimular os judeus do pós-exílio a permanecerem fiéis à Aliança para o estabelecimento do seu reino por meio do Messias.
A introdução serve como uma convocação para o retorno a Javé, ratificando a mensagem de Ageu acerca da reconstrução do templo (Ag. 1:1-6). Entretanto, a reedificação do templo deveria vir acompanhada da restauração espiritual. A mensagem de retorno ao Senhor é confirmada pelas visões que confirmam que Javé está “voltando para Jerusalém” (1:3; 16; 2:10), e que seu controle sobre o cosmos não foi perdido.
Resumidamente, o conteúdo das visões pode ser entendido da seguinte maneira:


Primeira visão
1:7-17
Javé está no controle de tudo, embora o reino não esteja implantado
Segunda visão
1:18-21
Intervenção da Javé na história para a realização do seu propósito
Terceira visão
2:1-13
Encorajamento do povo ao prometer que Javé habitaria com seu povo
Quarta visão
3:1-10
Ação misericordiosa de Javé ao purificar Israel, representado por Josué
Quinta visão
4:1-14
Encorajamento do povo pela ação do Espírito Santo para a reconstrução do templo
Sexta visão
5:1-4
Encoraja a obediência à Lei
Sétima visão
5:5-11
Desencorajamento das esperanças políticas e econômicas vindas da Babilônia
Oitava
6:1-8
A ira de Deus é aplacada e seu povo vingado. A coroação de Josué indica a unificação dos ofícios de rei e sacerdote na mesma pessoa, tipificando o Renovo do Messias.


Após as visões, as mensagens de Zacarias contém a advertência contra uma religiosidade oca e superficial e o desafio à obediência a Javé. A verdadeira espiritualidade se fundamentaria na busca pela justiça social e a consequente restauração de Israel no futuro (8:9-13).
A segunda parte do livro, de cunho escatológico, trata sobre o Messias. A rejeição que o povo faria dele resultaria em sua dispersão e sofrimento nas mãos de um pastor falso e ganancioso (9:1 – 11:17). Após seu arrependimento, Deus reúne os eleitos e restaura as bençãos da Aliança onde Israel desfruta da presença de Deus em seu reino inaugurado.
Aqui o conteúdo de Zacarias tem uma ênfase diferente da primeira parte. Ao que tudo indica, o texto de Zacarias, nos capítulos 1 a 8, nutre uma esperança de que Zorobabel poderia ser o agente de implantação do Reino de Deus. Entretanto, no trecho dos capítulos 9 ao 14, Zorobabel não é sequer mencionado, dando espaço a outros elementos de mudança não apenas terrestre, mas também revolucionária, cósmica e cataclísmica.

PROPÓSITO E CONTEÚDO

O profeta Zacarias trata dos seguintes assuntos em seus oráculos:
A renovação da Aliança
Justiça social
A soberania de Deus
O Messias
Zacarias escreveu para a comunidade pós-exílica que estava seguindo os mesmos passos de seus ancestrais (1:3-5). Por isso seus oráculos são para exortação, repreensão e incentivo nos tempos difíceis que enfrentavam. Esta geração era tão culpada pelo exílio quanto as anteriores (7:8-14).
Neste momento de crise, Zacarias apela ao arrependimento e retorno a Javé (1:3-5). A adoração e culto verdadeiros, no templo reconstruído com o incentivo de Ageu, viria apenas com a renovação espiritual e a obediência à lei do Senhor. Desse modo, as bênçãos da justiça e prosperidade trazidas pelo Messias se concretizariam no Reino de Deus (6:9-15; 8:13).
Distintamente de outras literaturas apocalípticas, Zacarias não focaliza somente os aspectos futuros do Dia do Senhor, mas invoca a consciência coletiva para a justiça social ainda no presente. Isto é, antes de todos os povos buscarem o favor de Deus em Jerusalém, os judeus deveriam buscar ao Senhor e praticar a justiça para com as viúvas, pobres, órfãos e também estrangeiros (7:9-10; 14:16-21).
Ao tratar sobre a ordenação de Josué e Zorobabel, Zacarias prosseguiu ratificando a liderança divinamente instituída em Israel, recobrando as esperanças na restauração messiânica e no cuidado de Javé ao guiar o povo da Aliança.

O valor de Zacarias para os Cristãos
As duas parte de Zacarias colocam os gentios no plano de salvação e trata sobre a prática do culto correto e a busca pelo Reino de Deus em primeiro lugar.
O Novo Testamento cita em torno de 70 trechos de Zacarias, dos quais a maior parte encontram-se em Apocalipse. As citações mais conhecidas estão nos capítulos 9 a 14. Os cristãos encontram o cumprimento da vinda do rei vencedor, mesmo que humilde (Zc. 9:9) na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt. 21:5). A traição de Judas por 30 moedas de prata (Mt. 27:3-5) foi associada com Zc. 11:12-13. Mesmo o abandono de Jesus pelos discípulos (Mt. 26:31, 56) foi relacionado com Zc. 13:7.
Ademais Zacarias traz consolo e esperança para aqueles que sofrem nas mãos de pastores opressores e anima os leitores à construção de um mundo melhor, ao mesmo tempo que incentiva a olhar além do mundo material aguardando nossa redenção esperando por uma cidade melhor, da qual Deus é o construtor.

Autor: Zacarias 1:1 identifica o seu autor como sendo o profeta Zacarias.

Quando foi escrito: O Livro de Zacarias foi provavelmente escrito em dois segmentos principais entre 520 e 470 aC.

Propósito: Zacarias enfatizou que Deus tem usado Seus profetas para ensinar, advertir e corrigir o seu povo. Infelizmente, eles se recusaram a ouvir. Seu pecado trouxe a punição de Deus. O livro também traz evidências de que até mesmo a profecia pode ser corrompida. A história mostra que nesse período a profecia caiu em descrédito entre os judeus, dando entrada ao período entre os Testamentos quando nenhuma voz profética duradoura falava ao povo de Deus.

Versículos-chave: 
Zacarias 1:3: "Portanto, dize-lhes: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Tornai-vos para mim, diz o SENHOR dos Exércitos, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos."

Zacarias 7:13: "Visto que eu clamei, e eles não me ouviram, eles também clamaram, e eu não os ouvi, diz o SENHOR dos Exércitos."

Zacarias 9:9: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta."

Zacarias 13:9: "Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: é meu povo, e ela dirá: O SENHOR é meu Deus."


RESUMINDO...
O livro de Zacarias ensina que a salvação pode ser obtida por todos. O último capítulo descreve os povos de todo o mundo vindo adorar a Deus, o qual deseja que todas as pessoas o sigam. Esta não é a doutrina do universalismo, ou seja, que todas as pessoas serão salvas porque salvar faz parte da natureza de Deus. Em vez disso, o livro ensina que Deus deseja que todas as pessoas o adorem e aceitem aqueles que o fazem, independentemente de suas expressões nacionais ou políticas, como na liberação de Judá e de Jerusalém de seus inimigos políticos. Finalmente, Zacarias pregou que Deus é soberano sobre este mundo, apesar de qualquer aparência do contrário. Suas visões do futuro indicam que Deus vê tudo o que vai acontecer. As representações da intervenção de Deus no mundo ensinam que Ele, no fim das contas, trará os eventos humanos ao fim que Ele escolher. Ele não elimina a liberdade do indivíduo de seguir a Deus ou se rebelar, mas mantém as pessoas responsáveis pelas escolhas que fazem. No último capítulo, até mesmo as forças da natureza respondem ao controle de Deus.

PRENÚNCIOS
Profecias sobre Jesus Cristo e a era messiânica são abundantes em Zacarias. Desde a promessa de que o Messias viria habitar em nosso meio (Zacarias 2:10-12, Mateus 1:23), ao simbolismo do Renovo e da Pedra (Zacarias 3:8-9, 6:12-13, Isaías 11:1; Lucas 20,17-18), à promessa de Sua Segunda Vinda, onde aqueles que o traspassaram iriam olhar para Ele e lamentar (Zacarias 12:10, João 19:33-37), Cristo é o tema do livro de Zacarias do início ao fim. Jesus é o Salvador de Israel, uma fonte cujo sangue cobre os pecados de todos os que vêm a Ele para a salvação (Zacarias 13:1; 1 João 1:7).

APLICAÇÃO PRÁTICA

Deus deseja adoração sincera e vida moral de nós hoje. O exemplo de Zacarias de romper com preconceitos nacionais nos lembra que devemos alcançar todas as áreas da nossa sociedade. Devemos estender o convite de Deus de salvação às pessoas de todas as origens nacionais, línguas, raças e culturas. Elas precisam saber que a salvação está disponível apenas através do sangue derramado de Jesus Cristo na cruz, o qual morreu em nosso lugar para expiar o pecado. Entretanto, se rejeitarmos esse sacrifício, não há um outro sacrifício pelo qual possamos ser reconciliados com Deus. Não há outro nome debaixo do céu pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12). Não há tempo a perder, hoje é o dia da salvação (2 Coríntios 6:2).

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A G E U

O LIVRO DE AGEU

O Livro de Ageu é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia.
Possui dois capítulos. Está entre os chamados Profetas Menores.
O autor pode ser chamado "O Profeta do Templo", provavelmente tenha nascido durante os setenta anos de exílio na Babilônia. Deve ter regressado a Jerusalém com Zorobabel.
Pertence ao último período profético (profetismo posterior ao Exílio). Antes do Exílio a mensagem central era o anúncio do castigo, durante o Exílio havia uma mensagem consoladora, após o Exílio era o momento de promover a restauração.
Ageu, seu escritor, foi um profeta hebreu e contemporâneo de Esdras, Neemias e Zacarias. Sua mensagem foi de exortação e motivação a respeito da restauração de Jerusalém e seu Templo. Possui quatro principais mensagens do Senhor para os judeus que retornaram do exílio em Babilónia. São fortes repreensões devido ao descaso na reconstrução do Templo.
Escrito entre o final de agosto e meados de dezembro de 520 AC, cerca de 17 anos depois do retorno dos judeus do exílio, quando ainda não se completara a construção do Templo. O profeta Ageu, indicava que o povo estava se preocupando com as próprias vidas e esquecendo do principal - a casa de Deus. Este livro frisa a importância nas obras de Deus e que Ele deve estar sempre em primeiro lugar, na vida e nas obras das pessoas.
No ano 538 AC, quando os judeus voltaram do Exílio da Babilônia, a situação de Judá e de Jerusalém era deplorável: cada um procurando se defender sozinho, sem nenhum interesse em formar a unidade que lhes desse a característica de povo. Mesmo aqueles que voltaram do exílio estavam preocupados em construir a própria casa, plantar a sua roça, vender as suas mercadorias, mais do que restabelecer a dignidade nacional. Um leigo (Zorobabel) e um sacerdote (Josué) procuram reunir esse povo e reconstruir Jerusalém e o Templo, a fim de reestruturar o povo de Deus.
No ano 520 AC o profeta Ageu entra em cena para encorajar os compatriotas. Suas exortações têm como eixo o seguinte tema: Se o Templo for reconstruído, tudo vai melhorar, pois Deus habitará de novo no meio deles e espalhará as suas bênçãos. Trata-se de um apelo veemente para tornar viva e fraterna a comunidade, que está ameaçada de total desintegração.
Entretanto, Ageu não se contenta em estimular o tempo presente, mas procura fazer com que todos vejam no futuro uma esperança maior para o povo de Deus, que retornará à sua grandeza anterior, tendo como chefe um descendente de David.
O Templo ganhará dimensões magníficas no tempo de Herodes, mas será deturpado e se tornará fonte de exploração. Jesus vai criticar essa degradação a que chegou o lugar de encontro com Deus e o símbolo da unidade do povo, e anunciará a substituição desse Templo por outro: o seu próprio corpo (Jo 2:21). Desse modo, torna-se presente um futuro maior do que o sonhado por Ageu: o verdadeiro Templo que dá vida e une o povo é o próprio Filho de Deus, que se fez homem, e que não é apenas descendente de David, mas também seu Senhor.

AS QUATRO MENSAGENS DO LIVRO DE AGEU
·       Aos que moram em grandes casas, ao passo que o Templo estava em ruínas. (1:1-15)
·       Proclamação de que Deus encheria a sua casa de glória. (2:1-9)
·       O abandono da reconstrução do Templo tornou a todos impuros perante Deus. (2:10-19)

·       Mensagem a Zorobabel faria tremer os céus e a terra. (2:20-23)


ESTRUTURA DE AGEU

O livro de Ageu estrutura-se da seguinte forma:
·       Oráculo 1: o desafio da renovação da Aliança – 1:1-15
·       Oráculo 2: a promessa da renovação – 2:1-9
·       Oráculo 3: o chamado à santidade – 2:10-19
·       Oráculo 4: Zorobabel como descendente davídico – 2:20-23
As mensagens de Ageu são pormenorizadamente datadas. Provavelmente ele tenha seguido a tradição iniciada por Jeremias e Ezequiel, os profetas do período do exílio. Sua mensagem começa com o apelo à população para reconstruir o templo de Jerusalém. Fundamentados nas profecias de Ezequiel (caps. 40 a 48), tanto Ageu quanto Zacarias, provavelmente, consideravam a reconstrução do templo como o início da era messiânica.
Ageu passa um sentido de urgência e gravidade em sua mensagem ao usar por 29 vezes a expressão “assim diz o Senhor”. Sua mensagem foi endereçada aos líderes de Judá, Zorobabel (político) e Josué (religioso).
Ageu utilizou-se de uma disposição de textos invertida, chamada de quiasmo. Este padrão é notado quando lemos que a primeira e a terceira mensagens começam como o termo “assim diz o senhor” (1:2; 2:11) e tratam sobre a agricultura, terminando com uma advertência. A segunda e quarta mensagens terminam com a expressão “declara o Senhor dos exércitos” (2:9; 2:23) e tratam sobre a restauração de Israel e contém uma benção.
A primeira mensagem era um chamado à reconstrução do templo, que havia parado na época de Sesbazar. O povo, em virtude das condições escassas, estava cuidando em primeiro lugar de seus interesses pessoais. Ageu os confronta associando o fracasso das colheitas ao abandono pela casa de Javé. Ageu os anima a colocar os interesses de Javé à frente dos interesses particulares a fim de obter a benção divina (1:8; 1:13).
A segunda mensagem veio um mês depois como continuação do encorajamento à reconstrução e também foi endereçado ao governador e ao sumo sacerdote. O desânimo abateu-se sobre a população quando comparou-se a nova estrutura do templo com a antiga forma nos tempos de Salomão (2:3; Ed. 3:12). Ageu os incentiva a continuar e anuncia uma promessa escatológica de que todas as nações viriam a Jerusalém, e essa nova casa seria cheia da glória do Senhor (2:6-7). Ageu transmite que a benção não estava na aparência ou riqueza externa, mas na presença de Deus entre seu povo. Entretanto, essa promessa teve um cumprimento imediato quando Dario encontrou o decreto de Ciro e permitiu que não apenas o templo fosse reconstruído, mas também enviou provisões para que se terminasse o templo o mais breve possível (Ed. 6:4, 8-10).
A terceira mensagem de Ageu veio um mês após a primeira profecia de Zacarias (Zc. 1:1-6), que anunciava a necessidade de arrependimento do povo. Por isso a mensagem de Ageu insiste nessa atitude (Ag. 2:17). Ageu afirma que a impureza contamina muito mais do que a santidade, e confronta os sacerdotes que tinham a função de interpretar as escrituras. Contanto que os sacrifícios servissem para a remoção do pecado a iniquidade do povo era tamanha que estava contaminando o sacrifício (Ag. 2:14). O pecado do povo era a apatia em não colocar os alicerces do templo (Ag. 2:15); por essa razão Javé os castigara com uma produção menor do que estavam acostumados (2:16-17). A mensagem de Ageu exigia o retorno do povo (2:17) que termina com o lançamento dos fundamentos do templo e um tom positivo do Senhor (2:18-19).
A quarta mensagem (2:20-23) foi endereçada a Zorobabel e é muito parecida com a primeira com o acréscimo de uma linguagem escatológica (“destruir o trono dos reinos”). Essa mensagem também inclui elementos messiânicos ao comparar Zorobabel com um anel de selar (2:23). Zorobabel, um descendente de Joaquim é a esperança messiânica. O profeta Zacarias também associou Zorobabel com as esperanças messiânicas, pois descendia da família do rei Davi (Zc. 3:8; 6:12).
Essa esperança messiânica serviu para encorajar toda a nação na reconstrução do templo, que foi finalizada em 515 (Ed. 6:14-15).

 PROPÓSITO E CONTEÚDO

Ageu trata sobre os seguintes assuntos:
§  A definição das prioridades corretas
§  A fidelidade de Javé na renovação da Aliança
§  O templo como símbolo da Aliança
A tarefa de Ageu era incentivar os judeus que retornaram do exílio a reconstruir o templo de Jerusalém que fora destruído por Nabucodonosor setenta anos antes. Suas quatro mensagens tinham o objetivo de animar o povo para suas responsabilidades, direitos e deveres para com a Aliança.


O TEMPLO

O livro de Deuteronômio estabelece um lugar para a adoração de Deus (Dt. 14:23-25; 16:2-11). Durante a época dos juízes, Siló foi este lugar (Js. 18:1). O lugar definitivo tom ou forma apenas no reinado de Davi, que, embora, não tenha construído o templo, deixou tudo planejado e reunido para a execução do projeto (1 Cr. 22:1-16).
O templo simbolizava a presença de Javé entre o povo de Israel e tinha a função de lembrar o povo sobre a verdadeira adoração que deveria ser prestada a Deus.
Entretanto, na época de Jeremias (627 – 582 a.C.) o templo havia se tornado uma espécie de objeto mágico para o povo de Israel. Os judeus pensavam que simplesmente o templo, por si só, garantiria segurança e bem-estar. Em razão dessa confiança mal depositada Jeremias previu sua destruição. Ezequiel, pouco tempo depois, viu a glória de Deus deixar o templo. Isso representava a insatisfação de Deus por causa de suas transgressões, mas também a presença de Deus no meio do povo durante o exílio. Deus não estava restrito a apenas um lugar.
A mensagem de reconstrução do templo não deve ser vista como contraditória a Jeremias, pois Ageu estava convidando o povo à correta adoração a Javé e não à confiança cega em uma construção. A atitude de humildade e reverência diante de Deus seria acompanhada pela reconstrução daquilo que simbolizava a presença de Deus entre o povo.
A sociedade estava se renovando e renovava-se também a presença de Javé entre Israel, por isso a reconstrução do templo foi tão importante naqueles dias.


 RESUMINDO...

Autor: Ageu 1:1 identifica o autor do Livro de Ageu como sendo o profeta Ageu.

Quando foi escrito: O livro de Ageu foi escrito em aproximadamente 520 aC.

Propósito: Ageu buscou desafiar o povo de Deus com respeito às suas prioridades. Ele os chamou a reverenciar e glorificar a Deus através da construção do Templo, apesar da oposição local e oficial. Ageu os exortou a não se desanimar porque este templo não seria tão ricamente decorado como o de Salomão. Ele os exortou também a abandonar a impureza de seus caminhos e a confiar no poder soberano de Deus. O Livro de Ageu é um lembrete dos problemas que o povo de Deus enfrentou naquele momento, de como as pessoas corajosamente confiaram em Deus e como Deus providenciou para as suas necessidades.

Versículos-chave:
 Ageu 1:4: "Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?"

Ageu 1:5-6: "Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado."

Ageu 2:9: "A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos."

Será que o povo de Deus vai reavaliar suas prioridades, tomar coragem e agir com base nas promessas de Deus? Deus buscou advertir as pessoas a ouvir as Suas palavras. Deus não apenas os advertiu, mas Ele também ofereceu promessas por meio de Seu servo Ageu a fim de motivá-los a segui-Lo. Porque o povo de Deus inverteu suas prioridades e não colocou Deus em primeiro lugar em suas vidas, Judá foi enviado para o exílio babilônico. Em resposta à oração de Daniel e como cumprimento das promessas de Deus, o Senhor dirigiu o rei persa daquela época, Ciro, a permitir que os judeus no exílio voltassem a Jerusalém. Um grupo de judeus retornaram à sua terra com grande alegria, colocaram Deus em primeiro lugar em suas vidas, adoraram-no e começaram a reconstruir o Templo de Jerusalém sem a ajuda do povo local que vivia na Palestina. Sua fé corajosa se encontrou com a oposição da população local, bem como do governo persa, por cerca de 15 anos.

Tal como acontece com a maioria dos livros dos profetas menores, Ageu termina com promessas de restauração e bênção. No último versículo, Ageu 2:23, Deus usa um título claramente messiânico em referência a Zorobabel: "Servo Meu" (Compare 2 Samuel 3:18; 1 Reis 11:34, Isaías 42:1-9; Ezequiel 37:24 , 25). Através de Ageu, Deus promete fazê-lo como um anel, o qual era um símbolo de honra, autoridade e poder, algo como o cetro do rei usado para selar cartas e decretos. Zorobabel, como o anel de sinete de Deus, representa a casa de Davi e a retomada da linha messiânica interrompida pelo exílio. Zorobabel restabeleceu a linha davídica de reis que culminaria no reinado milenar de Cristo. Zorobabel aparece na linha de Cristo tanto no lado de José (Mateus 1:12) quanto no de Maria (Lucas 3:27).


APLICAÇÃO PRÁTICA

 O Livro de Ageu chama a atenção para os problemas mais comuns que as pessoas enfrentam ainda hoje. Ageu nos pede para: 1) examinar nossas prioridades a fim de vermos se estamos mais interessados em nossos próprios prazeres do que em fazer a obra de Deus, 2) rejeitar uma atitude derrotista quando nos deparamos com oposição ou situação desanimadora, 3) confessar nossos fracassos e buscar viver uma vida pura diante de Deus; 4) agir corajosamente por Deus porque temos a certeza de que Ele está sempre conosco e está em pleno controle de nossas circunstâncias, e 5) descansar seguro nas mãos de Deus sabendo que Ele vai nos abençoar abundantemente quando o servimos fielmente.

S O F O N I A S

O   L I V R O    D E    S O F O N I A S

Sofonias é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia. Possui três capítulos.
O nome Sofonias significa "o Senhor o escondeu" ou "o Senhor escondeu-se". Ele era tetraneto de Ezequias, Sofonias 1.1. Caso este tenha sido o rei Ezequias, Sofonias foi um profeta de sangue real. o seu ministério ocorreu no tempo do rei Josias em 640 a.C. - 609 a.C. tendo profetizado, provavelmente antes da reforma desse rei em 621 a.C.
O tema de sua mensagem é que o Senhor ainda está firmemente em controle do Seu mundo, apesar das aparências contrárias, e que comprovará isso no futuro próximo ao aplicar um castigo terrível sobre a nação desobediente de Judá, e completa destruição sobre as nações pagãs gentias, somente através de um arrependimento em tempo é que haveria possibilidade de escape dessa ira.
O profeta Sofonias viveu e exerceu a sua atividade num momento em que Judá era disputado pelas grandes potências da época. Dentro do país se formaram dois partidos: um querendo ficar sob a influência do Egito, outro da Assíria. Durante longo período, nos reinados de Mamassés e Amon, a Assíria predominava. Uma tentativa de mudar a situação a favor do Egito, através de uma revolta de oficiais da corte, não obteve sucesso, porque cidadãos de grande influência econômica reagiram e colocaram no trono Josias, que ainda era menor de idade. Esse rei promoveu uma grande reforma, mas a situação voltaria a ser a mesma: o que era bom para a Assíria, era bom para Judá, inclusive a maneira de vestir (1:8).
Nesse contexto, Sofonias exerce seu ministério entre os anos 640-630 AC, durante a menoridade de Josias e antes de sua reforma religiosa e do ministério de Jeremias. Ele mostra como pesa, sobre toda essa situação, o Julgamento de Deus (1:2-18). O Dia de Javé ou O Dia do Senhor não é essencialmente o fim do mundo e da história, mas a transformação do povo de Deus e o fim de uma era de idolatria. Para o profeta, são ídolos não somente as divindades estrangeiras, mas também a absolutização das grandes potências, do dinheiro e do poder. Esses ídolos estão presentes, tanto nas outras nações quanto na cidade de Jerusalém, seja no palácio real, seja no Templo e nos bairros da cidade (2:4-3:8). A única possibilidade de salvação que Sofonias vislumbra para escapar à ira divina são os pobres da terra (2:3), isto é, os destituídos de poder e riqueza, que depositam sua confiança no verdadeiro Absoluto e clamam por justiça. São eles os únicos que poderão formar um resto para conduzir na história o projeto de Deus, e assim fazer com que o Dia de Javé se torne dia de alegria e restauração, e não de destruição (3:9-20).
A catástrofe anunciada atingiria tanto as nações quanto Judá inspiradas pelo orgulho (3:1.11) o castigo seria uma advertência (3:7) que deveria conduzir o povo à obediência e a humildade (2:3), sendo a salvação reservada aos humildes, que põem em prática a vontade do Senhor (3:12-13).

PRINCIPAIS ASSUNTOS
A época do livro descreve um tempo de grande apostasia e corrupção Sf 1.12; 3.2-4. A Assíria ainda ocupava o cenário Sf. 2.13. A adoração de Milcon ( em outras versões Malcã) era praticada Sf 1.5. * milcon = Moloque, uma divindade Amonita, verificar 1 Rs 11.5. As condições morais e religiosas então prevalecentes eram baixas, devido à influência maligna dos reinados de Manassés e Amom. O livro descreve uma provável invasão ( esse povo invasor teria sido os Citas que entre os anos 630 a 626 a.C. ameaçaram muitas nações e trouxeram calamidade aos povos do oriente médio) que chegaria à terra de Judá Sf 1.2-3, e alcançaria outras nações Sf 2.4,12-13.

O PROPÓSITO DO LIVRO
Partindo da ameaça cita, o profeta adverte severamente o seu povo sobre a aproximação do dia do Senhor e, juntamente com a advertência terrível, há o apelo ao arrependimento endereçado primariamente ao remanescente, mais do que para a nação inteira Sf. 2.3.
"O dia do Senhor", que é descrito 18 vezes no livro especialmente, um dia de julgamento Sf 1.2-3, 7-16, 18, 3.20.

DIVISÃO DO LIVRO
O julgamento de Judá (O Dia de Javé) 1:2-2:3
O julgamento de nações 2:4-15
Os motivos do julgamento de Jerusalém 3:1-7
O remanescente e o reino Messiânico 3:8-20

INFUÊNCIA
Esse livro inspirou o versículo 41 do capítulo 13 do Evangelho de Mateus, e a descrição do Dia de Javé (1:14-18) inspirou Joel.

ACRÉSCIMOS POSTERIORES
Os anúncios de conversão dos pagãos (2:11 ; 3:9-10);
Pequenos Salmos (3:14-15; 16-18a)
Os dois últimos versículos (3:18b-20) foram escritos após o Exílio na Babilônia.


INTRODUÇÃO AO LIVRO DE SOFONIAS

Ninguém escapa do Dia do Senhor
Sofonias foi um profeta que viveu no mesmo período de Jeremias, e talvez tenha sido um membro da corte governamental, pois provavelmente era descendente do rei Ezequias. Na introdução (1:1) ao livro são citadas quatro gerações de sua família, talvez para ratificar o conhecimento que tinha sobre os pecados de Judá e dar credibilidade à sua pregação, uma vez que era descendente de um dos grandes reis de Jerusalém.
O século VII a.C. foi um período conturbado, pois a Babilônia estava em plena ascensão mundial com a derrocada do Império Assírio. O trabalho de Sofonias e Jeremias era testemunhar a favor de Deus na iminência da destruição do Templo e de Jerusalém pela Babilônia.
Do ponto de vista cronológico Sofonias se situa entre o fim do ministério de Isaías, no século VIII a.C., e o início de Jeremias. Sofonias quebrou o período de cinquenta anos de silêncio profético do reinado agressivo de Manassés e, junto com Jeremias, ajudou a fundamentar a reforma religiosa promovida por Josias (628-622 a.C. – 2 Cr. 34). Sofonias usou os principais temas teológicos dos profetas do século VIII para aplicá-los ao cenário turbulento do século VII.
Manassés reinou por cinquenta e cinco anos. Seu reinado reinstituiu o sincretismo religioso com a religião baalista, e embora tenha se arrependido no cativeiro babilônico, Judá não se recuperou mais deste reinado catastrófico. Uma geração inteira de hebreus só havia conhecido apenas um rei, e em condições, social e religiosa, completamente desfavoráveis. A tímida tentativa de reforma por Manassés (2 Cr. 33:12-19) não foi suficiente para apagar as manchas deixadas pela apostasia de cinco décadas e influenciou negativamente seu filho Amon, que herdou a apostasia do pai, arrematando o julgamento de Judá.
Josias, filho de Amon, começou a reinar aos oito anos de idade, e, entre seu 12º e 18º ano de reinado Josias instituiu a maior reforma religiosa até então. As práticas cúlticas e litúrgicas foram mudadas e eliminaram-se os elementos estrangeiros, contudo o coração do povo pareceu não ter mudado. Por esta razão os profetas Sofonias e Jeremias, após ele, denunciaram o pecado e anunciaram o juízo que já estava às portas de Judá.
Sofonias, tal qual Oséias e Amós, estava atento aos movimentos da política internacional; ao enfraquecimento da Assíria como potência mundial e à ascensão da Babilônia no Antigo Oriente Próximo. Alguns anos após a profecia de Sofonias, Nínive, capital do Império Assírio, foi destruída; Josias foi morto em Megido (2 Rs. 23:29); Nabucodonosor derrotou o Egito na batalha de Carquemis e tomou o controle da Palestina e da Síria das mãos da Assíria. Judá foi então destruída e o grande dia do sacrifício do Senhor havia chegado (Sf. 1:8).

ESTRUTURA DE SAFONIAS
·       O livro de Sofonias pode ser dividido da seguinte maneira:
·       Aviso do julgamento universal (1:1-3)
·       O julgamento de Judá e Jerusalém (1:4-13)
·       O julgamento das nações (1:14 – 2:15)
·       A acusação de Judá e Jerusalém (3:1-7)
·       Aviso do julgamento universal (3:8)
·       A Restauração (3:9-20)
Além de Amós, Sofonias é o único profeta menor que proclama oráculos contra as nações além de Judá. Portanto, esses julgamentos não devem ser vistos isoladamente, mas parte de um programa de Javé para punir os crimes contra a humanidade que essas nações cometiam.
Sofonias é o profeta que mais mencionou o “Dia do Senhor”. Sua ênfase no julgamento divino dá a tônica do livro tanto em termos do julgamento manifestado na história de cada nação como parte da completude escatológica na preservação do remanescente (3:13).
A expressão “Naquele dia” evoca uma ideia de terror e angústia onde Judá e todas as nações ao seu redor seriam julgadas. Esse julgamento é descrito em termos universais e ecológicos (1:2-3), quando a humanidade seria julgada por seus pecados. Mais uma vez a natureza sofre as consequências pela transgressão da humanidade.
Em virtude do sincretismo religioso com seus sacrifícios humanos, idolatria e astrologia Judá seria julgada. Esse julgamento alcançaria todas as camadas da sociedade, que estavam contaminadas pelo pecado (1:4-13). Embora Sofonias fizesse parte da família real, isso não o impediu de denunciar o uso de roupas estrangeiras (1:8) pelos príncipes de Judá, isto é, a aceitação dos valores éticos, morais e espirituais dos pagãos.
Depois de alistar as razões do castigo, Sofonias descreve as características terríveis do julgamento do Senhor, com cataclismos e angústia sem precedentes (1:14-18).Não obstante, este julgamento seria apenas um vislumbre do grande julgamento dos fins dos tempos que ainda há de vir.
Os próximos trechos dos oráculos de Sofonias (2:4 – 3:8) atingem as nações ao redor de Judá. O julgamento em geral acontece em razão do orgulho e arrogância dessas nações que desprezaram Israel (2:8-11).
A parte final do livro trata sobre a restauração de Deus após seu julgamento e enfatiza o amor por seu povo. Os gentios também serão renovados e haverá a possibilidade de servirem ao Senhor com harmonia (3:9-10). Israel será purificado e reunido (3:11) assim que buscar ao Senhor e fugir do pecado (3:12-13). Jerusalém receberá o perdão de Deus e terá a presença do Senhor em seu meio (3:14-17).
Israel, por fim, será restaurado de acordo com as bênçãos da Aliança em Deuteronômio (Dt. 26:18-19).

PROPÓSITO E CONTEÚDO
Sofonias aborda os seguintes temas:
O dia do Senhor vem aí
O juízo por vir será universal
Os humildes devem buscar o Senhor
Sofonias pretendeu causar mudanças profundas em Judá quando declarou seus oráculos, pois o anúncio do juízo divino tinha a intenção de restaurar o povo da Aliança. O teor de sua mensagem era o Dia do Senhor, que se aproximava rapidamente, e incluía a denúncia contra os líderes religiosos e os oficiais corruptos. Portanto, o julgamento não seria punitivo, mas corretivo.
Embora o julgamento tenha sido claramente exposto, Sofonias não mencionou a forma que teria. A corrupção político-espiritual traria consequências permanentes. Ao mesmo tempo, Sofonias insiste para que os justos busquem ao Senhor, a fim de que fossem poupados pela misericórdia no dia da ira de Deus.
A restauração mencionada em 3:9-20 foi de caráter religioso-espiritual, onde o remanescente disporia da paz e segurança do Senhor (3:15).

O DIA DO SENHOR
O termo “dia do Senhor” foi usado pelos profetas para indicar o dia quando Deus instalasse sua própria ordem no mundo e quase todas as profecias que se utilizam deste termo apontam para movimentos rumo a essa condição ideal. Entretanto, antes da concretização final, que será realizada diretamente pelo Senhor, cumpre-se o processo de acabar com a iniquidade.
Logo, antes do dia do Senhor escatológico, isto é, o dia que inaugurará a ordem estabelecida pelo próprio Deus, existem diversos “dia do Senhor”. Por isso, a queda de Nínive, da Babilônia e a própria derrocada de Jerusalém são consideradas como “dia do Senhor”. Neste caso, o julgamento divino não é final, embora fosse bastante drástico. O resultado deste dia do Senhor permitiria o surgimento de um remanescente purificado.
O dia do Senhor é um momento onde a justiça é feita e geralmente é retratado com a inversão da ordem atual. Um exemplo é que o dia do Senhor é descrito como um dia de trevas e não de luz; os pobres são exaltados acima dos ricos e os senhores servirão os servos. Esta é uma característica da literatura profética que se utiliza do conceito de Dia do Senhor.
O povo hebreu sempre imaginou um dia do Senhor como um dia de alegria onde Javé destruiria para sempre seus inimigos e eles triunfariam. Mas jamais esperaram que também seriam julgados nesse dia. Desde Amós, os profetas desmistificaram essa ideia, dizendo que os israelitas também estariam entre os inimigos de Deus, maduros para o dia do juízo (Am. 5:18-20).
Javé não podia tolerar o orgulho, que impedia que o povo confiasse no Senhor para sua salvação. O orgulho era o mal enraizado no coração do ser humano; Judá (2:3), Moabe (2:10) e Nínive (2:15) não estavam isentos dessa doença. A declaração de independência de Deus era o terrível pecado. Os únicos aptos a escapar da fúria da ira do Senhor era o humilde que confiaria em seu nome (3:12).
No Novo Testamento, o próprio Deus, encarnado em Jesus aprofundaria ainda mais todos esses conceitos, e daria ele mesmo o exemplo em sua própria vida.

RESUMINDO...


Autor: Sofonias 1:1 identifica o seu autor como sendo o profeta Sofonias. O nome de Sofonias significa "defendido por Deus".

Quando foi escrito: O Livro de Sofonias foi provavelmente escrito entre 735 e 725 AC.

Propósito: A mensagem de Sofonias de julgamento e incentivo contém três doutrinas principais: 1) Deus é soberano sobre todas as nações. 2) Os ímpios serão punidos e os justos serão recompensados no dia do julgamento. 3) Deus abençoa aqueles que se arrependem e confiam nEle.

Versículos-chave:
Sofonias 1:18: "Nem a sua prata nem o seu ouro os poderão livrar no dia da indignação do SENHOR, mas, pelo fogo do seu zelo, a terra será consumida, porque, certamente, fará destruição total e repentina de todos os moradores da terra."
Sofonias 2:3: "Buscai o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do SENHOR."
Sofonias 3:17: "O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo."

CONCLUSÃO
Sofonias pronuncia o juízo do Senhor sobre toda a terra, sobre Judá, sobre as nações vizinhas, sobre Jerusalém e sobre todas as nações. Isso é seguido por proclamações de bênçãos do Senhor sobre todas as nações e especialmente sobre o remanescente fiel do Seu povo em Judá.
Sofonias teve a coragem de falar abertamente porque sabia que estava proclamando a Palavra do Senhor. Seu livro começa com "A palavra do Senhor" e termina com "diz o Senhor". Ele sabia que nem os muitos deuses que o povo adorava nem o poder do exército assírio poderiam salvá-los. Deus é misericordioso e compassivo, mas quando todos os seus avisos são ignorados, o julgamento é de se esperar. O Dia do Julgamento de Deus é frequentemente mencionado nas Escrituras. Os profetas o chamaram de "Dia do Senhor". Eles se referiam a vários eventos (como a queda de Jerusalém) como manifestações do Dia de Deus, cada um dos quais apontava para o último Dia do Senhor.
Grande parte das bênçãos finais sobre Sião (pronunciadas nos versículos 14-20) ainda está para ser cumprida, o que nos leva a concluir que são profecias messiânicas que aguardam a segunda vinda de Cristo para serem finalmente concretizadas. O Senhor remove o nosso castigo somente através de Cristo, o qual veio para morrer pelos pecados de Seu povo (Sofonias 3:15, João 3:16). Entretanto, Israel ainda não reconheceu o seu verdadeiro Salvador. Isso ainda está para acontecer (Romanos 11:25-27).
A promessa de paz e segurança para Israel, numa altura em que o seu Rei está no seu meio, será cumprida quando Cristo voltar para julgar o mundo e resgatá-lo para Si próprio. Assim como Ele subiu ao céu depois da Sua ressurreição, assim Ele regressará e criará uma nova Jerusalém na terra (Apocalipse 21). Naquela época, todas as promessas de Deus para Israel serão cumpridas.

APLICAÇÃO PRÁTICA
 Com alguns ajustes em nomes e situações, esse profeta do século 7 aC poderia ficar atrás dos nossos púlpitos hoje e entregar a mesma mensagem de julgamento dos ímpios e de esperança para os fiéis. Sofonias nos recorda que Deus fica ofendido com os pecados morais e religiosos de Seu povo. O povo de Deus não escapará de punição quando peca deliberadamente. A punição pode ser dolorosa, mas o seu propósito é redentor e não punitivo. A inevitabilidade da punição sobre a impiedade dá conforto em um momento em que parece que o mal está desenfreado e vitorioso. Temos a liberdade de desobedecer a Deus, mas não a liberdade para escapar das consequências dessa desobediência. Aqueles que são fiéis a Deus podem ser relativamente poucos, mas Deus não os esquece.


H A B A C U Q U E

O LIVRO DE HABACUQUE


Habacuque ou Habacuc é o livro bíblico cuja autoria é atribuída ao profeta de mesmo nome.
Se discute a data em que o livro foi escrito, havendo duas hipóteses:
O livro foi escrito pouco antes da queda de Nínive em 612 AC, nessa hipótese os opressores seriam os Assírios;
Olivro foi escrito entre a Batalha de Carquemis em 605 AC e o primeiro cerco a Jerusalém em 597 AC, nessa hipótese os opressores seriam os caldeus.
Habacuque significa "abraço", e está incluso na subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Menores, sendo um livro de apenas três capítulos. Provavelmente tenha sido escrito no século V a.C..
Habacuque nos sugere que observava a sociedade judaica a partir do Templo, onde possivelmente servia como levita, isto é cantor, ornamentador, prontificador do templo ver Nm 3. 6-10, podemos notar o capítulo três de seu livro é uma canção, sendo que os últimos versos são considerados uma das maiores expressões de fé do Antigo Testamento.
O livro de Habacuque é diferente dos demais livros dos profetas em seu estilo literário, pois em momento algum há profecias contra esta ou aquela nação ou pessoa em particular, porém o que se pode ver é um diálogo entre o profeta e Deus. Entre seu texto há no capítulo dois a expressão: "O justo viverá da fé", que mais tarde inspiraria o apóstolo Paulo a escrever a mais teológica de suas cartas, a Carta aos Romanos, que posteriormente inspirou também Martinho Lutero na elaboração das 95 Teses "gatilho" da Reforma Protestante.
O profeta Habacuc inicia o livro interrogando a Deus e pedindo socorro, pois está cansado de ver o seu país sofrer opressão violenta, onde a Lei enfraquece e o direito está distorcido (1:2-4). A resposta de Deus é a intervenção de um grande império, que deveria corrigir os desmandos (1:5-10). Isso, porém, não satisfaz o profeta, pois o invasor não vem para fazer justiça, mas para substituir uma opressão por outra pior (1:12-17).
Habacuc continua esperando uma resposta satisfatória de Deus. A resposta definitiva é dada, agora, com uma proposta diferente, mais difícil, que exige paciência, mas que não falha: "O justo viverá por sua fidelidade" (2:4). Com isso, os que sofrem as consequências da violência são chamados a ser agentes na história, opondo-se firmemente aos que não são corretos. Tal acontecerá somente se esse grupo for fiel ao projeto de Deus; se estiver permanentemente vigilante na realização da justiça.
No momento em que os injustiçados se descobrem não só como vítimas, mas principalmente como agentes de uma transformação na história, surgem a possibilidade e a coragem de desmascarar os opressores. Esse desmascaramento se realiza através da desmistificação de sua potência, até chegar ao cerne de sua fraqueza: são adoradores de ídolos mudos e inertes, que não podem vir socorrê-los no momento crucial.
A segunda profecia (2:5-20) contém cinco imprecações contra a opressão iníqua.
Descobrindo a fraqueza do opressor, é possível celebrar a sua queda e o surgimento de uma nova era, de um mundo novo. É a celebração do justo, em tom de lamentação, cheia de estremecimentos e temores, porém com uma certeza: a justiça um dia se tornará realidade, porque o Deus dos justos é o Deus vivo que age na história (3:1-19).
No quadro da doutrina Habacuque inova ao questionar por que Deus escolhe os bárbaros caldeus para exercer sua vingança.

INTRODUÇÃO AO LIVRO
Não nos é revelado nada no texto sobre o profeta Habacuque. Seu livro, ao invés de guardar seus oráculos, serve como um diário de suas crises teológicas e existenciais. Seu livro é distinto dos demais escritos proféticos por assumir um tom mais filosófico e de diálogo com Deus. O tema deste diálogo filosófico se concentra em torno da justiça divina.
O vácuo de informações a respeito de Habacuque gerou uma grande gama de especulações sobre a data de seus escritos e a própria pessoa do profeta. O consenso geral é que Habacuque tenha pertencido à época do rei Jeoaquim (609 – 598 a.C.). Em virtude disso, seus questionamentos teológicos podem ser datados entre a ascensão de Jeoaquim ao trono de Judá e a Batalha de Carquêmis em 605 a.C.
Este período é escolhido em razão de:
O caos ético e social que o texto de 1:2-4 apresenta combina com a decadência moral com os dias de reinado de Jeoaquim, conforme Jeremias denunciou.
A proximidade da realização dos eventos descritos em 1:6-11, conforme a expressão “nos dias de vocês” no verso 5. Javé havia prometido a Josias que seu reinado não terminara com a invasão e cativeiro (2 Rs. 22:18-20). Talvez os oráculos de Habacuque se refiram aos últimos 20 anos de independência de Judá.
A ascensão da Babilônia como superpotência mundial no século VII a.C. acontece no período previsto em Habacuque, embora isso não sirva como prova irrefutável.
O verso 5 ainda nos ajuda a definir esse período, pois, tendo o Egito como aliado, Judá dificilmente acreditaria que seriam vencidos pela Babilônia; o que de fato aconteceu quando Nabucodonosor derrotou o faraó Neco em Carquêmis (Jeremias 46:2,6,10; II Reis 24:7).
Alguns argumentam que as denúncias de injustiça de Habacuque não se encaixam no período de governo do rei Josias (pai de Jeoaquim), uma vez que este recebe uma avaliação tão boa. Entretanto, a reforma que o rei Josias fez, abrangeu apenas a parte litúrgica da sociedade hebraica, sem atingir a parte social. Por isso a reclamação de Habacuque acerca da injustiça não se choca com os relatos do governo de Josias, embora tenha tido uma boa apreciação. Além disso, os efeitos negativos dos cinquenta anos do reinado catastrófico de Manassés (avô de Josias) demorariam a desaparecer.
Habacuque baseou seus questionamentos em sua experiência com os eventos históricos de seu tempo. Tal qual Jeremias (Jr. 22:13-23), Habacuque também se indignou com a situação de injustiça, violência e opressão gritantes em Judá; por isso reclama para Deus pedindo o castigo para os maus e a defesa dos justos. A crise teológica de Habacuque começa justamente com o atraso do julgamento dos líderes injustos.
Habacuque fica espantado e confuso diante da revelação de Deus sobre a vinda dos babilônios como instrumento de Deus para o julgamento de Judá, ao invés de um discurso sobre a salvação ou livramento. O questionamento de Habacuque foi: poderia um Deus justo e bom usar meios perversos para executar sua justiça? (Hc. 1:12-17).

ESTRUTURA DO LIVRO
O livro de Habacuque pode ser dividido em diálogos da seguinte maneira:
Diálogo 1 – Habacuque questiona a justiça divina – 1:1-11
Diálogo 2 – Habacuque questiona a coerência divina – 1:12 – 2:20
Diálogo 3 – Habacuque louva a Deus por suas intervenções na história – 3:1-19
O diálogo 1 começa com a reclamação de Habacuque a Deus sobre as injustiças que estavam à sua volta, e porque os perversos não eram julgados. Judá ainda não havia sido julgada por sua impiedade, e o primeiro alvo da queixa de Habacuque não é o povo, mas Deus (1:2-4). Deus então responde a Habacuque (1:5-11) dizendo que essa situação de opressão e injustiça não duraria muito tempo mais, pois, ainda nessa geração, os ímpios seriam castigados. Deus usaria a nação da Babilônia para aplicar o seu julgamento. Até este momento, as nações vizinhas eram alvo do castigo divino, e a surpresa de Habacuque reside no fato de Deus escolher uma das nações mais agressivas daquele tempo para executar seu julgamento contra Judá. Em vez de anunciar o livramento e restauração em forma de promessa, o livramento e a salvação viriam por meio do ataque de uma nação inimiga. Aqui, Deus não responde apenas ao profeta, mas a toda nação, conforme percebemos pelo emprego do plural.
O segundo diálogo propõe um problema lógico. Além de não resolver o problema da injustiça, as pessoas corretas seriam prejudicadas; e, ademais, um inimigo impiedoso seria vitorioso a despeito de ser castigado. Habacuque afirma a Deus que essa medida de julgamento não se ajusta com o caráter santo de Deus (1:12). Habacuque, embora soubesse das injustiças de Judá, achava que a perversidade dos babilônios era muito pior. Por isso se horroriza ao imaginar a destruição que os babilônios fariam em Judá. Habacuque os compara com um pescador inescrupuloso que pesca pelo simples prazer de matar os peixes. Outro problema de lógica levantado por Habacuque é em relação à soberania de Deus, que não interviria para proteger o seu povo. Habacuque não faz essa declaração de maneira leviana ou desrespeitosa, entretanto buscava sinceramente uma resposta. Deus responde que o julgamento se cumpriria e não procura defender sua justiça, mas afirma que o justo seria preservado (2:4). No NT Paulo usa este versículo para ressaltar a fé do cristão, contudo, no contexto de Habacuque, indica a integridade na vida do servo de Deus, mesmo que não consiga entender todo o processo. Deus prossegue em sua resposta apontando para a sua justiça, na qual o perverso é castigado.
Habacuque abre o terceiro diálogo expondo sua confiança em Deus, que a seu tempo castigaria o ímpio; e apelou à sua misericórdia na execução do julgamento de Judá. A consciência do verdadeiro relacionamento com Deus produziu o salmo de louvor registrado em 3:3-15, que descreve os feitos poderosos de Deus, não somente para julgar, mas também para livrar (3:13). Habacuque recorre à história de Israel comprovando sua obra redentora contra os inimigos do seu povo, fazendo um contraponto literário com a ameaça babilônica no capítulo 1. O livro termina com a confiança de Habacuque na justiça de Deus. Mesmo com tantas desgraças que viriam acontecer, a fé inabalável de Habacuque permitiu-lhe ter a alegria que não dependia mais das circunstâncias externas, mas do seu relacionamento verdadeiro com Deus.

PROPÓSITO E CONTEÚDO
Habacuque trata sobre os seguintes temas principais:
A justiça de Deus ao lidar com as nações
A confiança em Deus a despeito das circunstâncias históricas
O castigo de Judá por meio dos babilônios e o castigo da Babilônia
O império Assírio estava no domínio do Antigo Oriente Médio há mais de um século. Entretanto, começou a entrar em declínio, e Judá ainda não havia sido punida pela quebra de Aliança, conforme anúncio dos profetas. Esta foi a razão da queixa inicial de Habacuque. A resposta de Deus revelou que os babilônios seriam o instrumento do julgamento de Deus.
O problema, para Habacuque, estava na teodiceia, isto é, a justificação dos atos de Deus quando a humanidade sofre. Em nenhum momento Habacuque questiona o merecimento da punição de Judá; mas, se preocupa com a vitória dos babilônios em detrimento da ruína de Judá. De certa forma pareceria que Deus estava aprovando os métodos genocidas da Babilônia. Como Deus, sendo justo, poderia permitir que uma nação perversa prosperasse?
O problema em Habacuque gira basicamente em torno do mesmo tema de Jó. No final do livro que narra seu drama, Deus aparece para mostrar que a finitude humana não consegue dar respostas para todas as questões da vida; mas, Deus está presente em todos os momentos de dúvidas e aflição pelos quais a humanidade passa. Em Habacuque, a teofania do capítulo três tem a mesma função. Muito embora Habacuque não tivesse todas as respostas, a presença de Deus era suficiente para dar toda a confiança que o profeta precisava para aquele momento.
Contudo, em Habacuque, Deus revelou algumas respostas que serviram como eixo do livro. A primeira delas está em 2:4-5 e trata sobre a responsabilidade individual que não é descartada mesmo em caso de tempos sombrios. Nessas circunstâncias a confiança em Deus torna-se mais difícil e a fidelidade do justo adquire destaque.
A segunda resposta, encontrada em 2:6-20, Deus anuncia que castigaria os babilônios em virtude dos seus crimes contra a humanidade, mas ainda não havia chegado o momento. O fato dos babilônios serem o instrumento de Deus para o julgamento de Judá não significava que Deus aprovasse seus métodos. A certeza que Habacuque teve é que eles também seriam julgados, tanto por seus crimes de guerra, quanto pela impotência de seus deuses. O Habacuque entendeu naquele momento é que Deus governava o mundo e sua história a partir do templo; por isso, em virtude de sua soberania, todos deveriam calar-se diante dele (2:20).

O AGIR DE DEUS COM AS NAÇÕES
No Antigo Testamento, as ações boas e más de todas as nações são pesadas. Quando o lado com as ações más atinge um determinado limite o julgamento de Deus é acionado. Cada geração contribui com as ações boas e más contrapostas umas às outras e retardam ou adiantam a execução do juízo de Deus. O arrependimento era uma forma de se retardar o julgamento, como se as ações boas fossem somadas diminuindo o limite das ações más (Jn. 3:10; 2 Rs. 22:19-20). A nação voltaria a enfrentar o risco de julgamento somente se voltasse a realizar ações más. O texto de Jeremias 18:7-10 exemplifica esse tratamento que Deus dava às nações.
Além desse aspecto do “peso” das boas e más ações a misericórdia de Deus tem um efeito mais prolongado do que seu castigo, de acordo com Deuteronômio 5:9-10. Outra característica de Deus em seu agir com as nações é que sua misericórdia, aplicada sobre o lado das boas ações retarda o julgamento pelas más ações, entretanto o peso das más ações não é eliminado até que o castigo seja aplicado. O texto de Êxodo 32:34 mostra como este princípio de aplica. Deus não puniu o povo naquele momento, por terem feito o bezerro de ouro em virtude de sua misericórdia. Contudo, chegaria a hora de serem punidos também por isso futuramente.
Ainda mais um princípio pode ser entendido. Os povos que contavam com a revelação de Deus, tal qual os hebreus, eram punidos com mais severidade em detrimento daqueles que não conheciam acerca de sua revelação indicando que a tolerância de Deus com os pagãos é maior. O Novo Testamento aplica esse princípio em Lc. 12:48.
Esse princípio pode ser aplicado a Judá. Embora os babilônios fossem realmente muito mais cruéis os israelitas deveriam ter sido mais obedientes em virtude da revelação da Lei e do aviso constante dos profetas sobre sua apostasia. Agora o momento da execução do castigo havia chegado.
Esse esquema só é atribuído às nações, não a indivíduos e não se trata de salvação. Por isso não há a preocupação de uma salvação baseada em boas obras.

A VIDA DE FIDELIDADE
Deus mostrara a Habacuque que, embora o castigo fosse severo, isso não seria o fim de Judá, mas haveria um remanescente preservado. O fundamento da preservação seria a fidelidade. No Novo Testamento, o apóstolo Paulo usa o conceito de Habacuque 2:4 para fundamentar a doutrina da justificação pela fé. Paulo cria uma ponte entre ‘emûnâ, que significa fidelidade e pistis, fé.
Em Habacuque a fidelidade, ou o posicionamento correto diante das circunstâncias adversas foi percebido por Paulo como o elemento universal de salvação, expresso mais claramente por Paulo em Romanos 8.

RESUMINDO...
·       Autor: Habacuque 1:1 identifica o livro de Habacuque como sendo um oráculo do profeta Habacuque.
·       Quando foi escrito: O livro de Habacuque foi provavelmente escrito entre 610 e 605 aC.

·       Propósito: Habacuque estava se perguntando por que Deus estava permitindo que seu povo escolhido sofresse nas mãos de seus inimigos. Deus responde e a fé de Habacuque é restaurada.
·       Versículos-chave:
Habacuque 1:2: “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?.”
Habacuque 1:5: “Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada.”
Habacuque 1:12: “Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos.”
Habacuque 2:2-4: “O SENHOR me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.”
Habacuque 2:20: “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.”
Habacuque 3:2: “Tenho ouvido, ó SENHOR, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó SENHOR, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia.“
Habacuque 3:19: “O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.”

O livro de Habacuque começa com Habacuque clamando a Deus por uma resposta a por que o Seu povo escolhido tem sofrido em cativeiro (Habacuque 1:1-4). O Senhor dá a sua resposta a Habacuque, essencialmente afirmando: "você não acreditaria se eu lhe dissesse" (Habacuque 1: 5-11). Habacuque diz em seguida: "Ok, tu és Deus, mas ainda me conte mais sobre por que isso está acontecendo" (Habacuque 1:17-2:1). Deus então responde-lhe novamente e dá-lhe mais informações, dizendo então que a Terra é para estar silenciosa diante dEle (Habacuque 2:2-20). Então Habacuque escreve uma oração expressando sua forte fé em Deus, mesmo passando por estas tribulações (Habacuque 3:1-19).

O apóstolo Paulo cita Habacuque 2:4 em duas ocasiões diferentes (Romanos 1:17, Gálatas 3:11) para reiterar a doutrina da justificação pela fé. A fé que é dom de Deus e disponível através de Cristo é ao mesmo tempo uma fé que salva (Efésios 2:8-9) e sustenta por toda a vida. Alcançamos a vida eterna pela fé e vivemos a vida cristã por essa mesma fé. Ao contrário dos "orgulhosos" no início do verso, a sua alma não está reta dentro dele e seus desejos não estão corretos. Entretanto, nós, os que somos feitos justos pela fé em Cristo, somos assim declarados porque Ele trocou a Sua justiça perfeita pelo nosso pecado (2 Coríntios 5:21) e tem nos capacitado a viver pela fé.

APLICAÇÃO PRÁTICA

A lição para o leitor de Habacuque é que é admissível questionar o que Deus está fazendo, embora isso deva ser feito com respeito e reverência. Às vezes não é evidente para nós o que está acontecendo, especialmente quando somos lançados em sofrimento por um período de tempo ou se parece que nossos inimigos estão prosperando enquanto estamos apenas sobrevivendo. O livro de Habacuque, entretanto, afirma que Deus é um Deus soberano e onipotente, que tem todas as coisas sob controle. Precisamos apenas nos aquietar e confiar que Ele está trabalhando. Ele é quem afirma ser e sempre cumpre Suas promessas. Ele punirá os perversos. Mesmo quando não podemos ver, Ele ainda está no trono do universo. Precisamos manter a seguinte realidade em foco: "O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente" (Habacuque 3:19). Permitir-nos andar altaneiramente é levar-nos aos mais altos lugares com Ele, onde nos distanciamos do mundo. Às vezes o caminho que temos que percorrer para chegar lá é através do sofrimento e da tristeza, mas se descansarmos e confiarmos Nele, alcançaremos o Seu objetivo para nós.