segunda-feira, 20 de junho de 2016

N A U M

O    L I V R O    D E    N A U M

O livro de Naum é um livro do Velho Testamento da Bíblia Cristã, vem depois do livro de Miqueias e antes do Livro de Habacuque e da Tanakh judaica. Ele permanece em sétimo na ordem entre o que é conhecido como os doze Profetas Menores.
Este livro é uma "pronúncia contra Nínive", capital do Império Assírio. Para os crentes, o cumprimento histórico daquela pronúncia profética atestaria a autenticidade do livro. O livro teria sido escrito algum tempo depois de a cidade egípcia de Nô-Amom (Tebas) sofrer uma derrota no Século VII a.C. e completado antes da predita destruição de Nínive em 632 a.C..
Teólogos divergem sobre a data em que foi escrito o Livro de Naum, alguns entendem que é pouco posterior ao saque de Tebas em 663 AC, outros entendem que a profecia é pouco anterior à conquista de Nínive em 612 AC.
Na história antiga, como na moderna, as grandes potências se sucedem e lutam na ânsia de dominar o mundo e os homens. Este livro contém a visão da queda de um desses impérios: a Assíria, o leão que enchia a toca de caça (2:13), o opressor de Israel (1:12-13). É um canto do oprimido que sentia a que libertação se aproximava, porque o Império que dominava as nações estava prestes a vir abaixo.
Um salmo inicial mostra Javé como juiz que age na história (1:2-8). Ele é apresentado como o Deus ciumento e vingador, cheio de furor (1:2) e ao mesmo tempo como o Deus bom, o abrigo para os que são perseguidos (1:7). Já nesse salmo, Javé aparece como o Senhor de tudo e de todos, oprimidos e opressores, mas de maneira diferente.
Nas sentenças seguintes (1:9-2:1), dirigidas alternadamente ao oprimido (Judá) e ao opressor (Assíria), Javé também se apresenta alternadamente, como vingador e bom.
A ruína de Nínive, capital da Assíria (2:2-3:19), é descrita de maneira grandiosa e sem meios-termos, não deixando dúvidas sobre quem destrói a capital sanguinária e idólatra: é o próprio Deus (2:14; 3:5).
Naum deixa claro que os grandes poderes do mundo não são eternos. Por mais que dominem e amontoem, por mais que oprimam e humilhem os pequenos, um dia eles ruirão como Nínive. Aliás, desaparecerão da história justamente porque agem dessa maneira. Sobre todos os opressores obstinados pesa o julgamento implacável de Deus, que toma o partido dos oprimidos.
É uma obra da época em que a compreensão de Deus estava associada a um nacionalismo violento, compreensão essa que vai ser superada a partir de obras do tempo do Exílio na Babilônia, como os capítulos 40 a 55 do Livro de Isaías, e pela pregação de Jesus relatada nos Evangelhos.
Esse opúsculo alimentou as esperanças humanas de Israel em 612 AC, mas a alegria foi efêmera, pois a ruína de Jerusalém também estava próxima.


INTODUÇÃO AO LIVRO – Ninguém é tão poderoso assim

Jonas já havia estado em Nínive no século VIII a.C. para proclamar o juízo de Javé sobre a cidade. Naquela época houve arrependimento e Nínive foi poupada. Mais de um século depois, Naum decretou o fim de Nínive, entretanto, dessa vez, não houve arrependimento e a capital Assíria foi destruída.
É possível que Naum tenha herdado de Isaías a construção literária de seu texto, pois a expressão “Vejam sobre os montes os pés do que anuncia boas notícias e proclama a paz!” ocorre apenas nestes dois livros (Na. 1:15 e Is. 52:7).
Naum não datou seus oráculos, mas, com base nas evidências internas do livro, podemos supor sua composição depois de 663 a.C., quando Tebas (cidade egípcia) foi deportada por Assurbanípal (3:8-10), último rei da Assíria; e antes de 612 a.C., data da queda de Nínive. Os eruditos mais críticos datarão o livro no período do pós-exílio em virtude da não possibilidade de oráculos prevendo o futuro.
Porém, em 3:8 somos informados de que a cidade de Tebas (Nô-Amon em hebraico) já fora destruída e, em razão da reconstrução e novo progresso de Tebas à época de Jeremias (Jr. 46:25), no século VII a.C, essa possibilidade fica enfraquecida, uma vez que a pergunta retórica perderia sentido se Tebas já tivesse voltado a progredir.
Os reis de Judá neste período foram Manassés (695-642 a.C.) e Josias (640-606 a.C.) Entretanto o oráculo de Naum era propício a Judá, que havia sofrido opressão da Assíria por muito tempoEm vista disso, alguns especialistas vinculam o profeta Naum ao rei Josias, uma vez que Manassés fora um péssimo rei (2 Rs. 21:1-18), portanto um candidato improvável para receber um oráculo em seu favor.
Contudo Manassés se arrependeu (2 Cr. 33:12-16) após ter sido brevemente exilado na Assíria quando se opôs a Assurbanípal por volta de 652 a.C. Talvez Naum tenha até mesmo criticado a subordinação de Manassés à Assíria. Portanto podemos definir a data de produção do livro em meados do século VII a.C.
A Assíria atingira seu apogeu e esplendor com os imperadores Senaqueribe (705 – 681 a.C.) e Assurbanipal (669 – 633). Contudo, entre 640 a.C. e 630 a.C. a Assíria sofreu o início do seu processo de extinção, pois a Babilônia, em conjunto com o Império Medo, conquistou a cidade de Nínive culminando na derrocada do Império Assírio em 612 a.C.
Toda a magnificência de Nínive, superada apenas pela Babilônia, paradoxalmente representava a maldade e brutalidade, com as quais a Assíria subjugava os povos conquistados. Todavia, Deus já estava decidido a dar termo às injustiças praticadas ainda nos dias de Isaías (14:24-25) e Sofonias (2:13-15).


ESTRUTURA DE NAUM

Os oráculos de Naum podem ser esboçados da seguinte forma:
O juiz – Cap. 1
A queda – Cap. 2
O lamento – Cap. 3
A qualidade literária de Naum é surpreendente. Na primeira parte do livro, por meio de um Salmo, ele destaca as características que autorizam Deus a executar juízo contra Nínive. Naum apresenta, de forma vívida, uma espécie de corte onde Deus apresenta, alternadamente, discursos de livramento a Judá e oráculos de julgamento à Assíria. A mensagem, em grande parte direcionada a Nínive, transmitia a esperança de livramento a Judá (1:15), oprimida por muito tempo pela Assíria (1:12-13). Esta profecia se cumpriu nos dias do rei Josias, quando os israelitas puderam novamente celebrar a páscoa (2 Cr. 35).
A segunda parte do livro contém relatos de guerra. Tal qual um repórter dentro do front de guerra, Naum, de forma realista, relata o esforço inútil do exército de Nínive em deter o invasor medo-babilônio. Os assírios estavam experimentando o mesmo tratamento que dispensavam aos outros povos, expresso na figura da família dos leões, que ironicamente foi usada por Isaías para se referir à Assíria. Em contraposição à destruição da suntuosidade de Nínive, Naum faz novamente uma breve referência à restauração do esplendor de Judá.
A última parte dos oráculos de Naum alista as causas da destruição de Nínive tais como:
Grande violência (3:1)
Depravação espiritual e política (3:4)
Embora haja motivos para o julgamento, não há uma acusação formal ou uso de uma linguagem jurídica, pois entendia-se que as razões para o castigo estavam claras para todos.
Sua ruína é descrita em termos de vergonha pública (3:5-7). Naum destaca que Nínive cairia da mesma maneira com a qual havia conquistado e destruído Tebas, logo suas fortificações e muros seriam inúteis contra a ira do Senhor. Sua queda seria motivo de alegria para todos os povos (3:19).


PROPÓSITO E CONTEÚDO

O livro de Naum trata sobre os seguintes temas:
Julgamento e queda de Nínive
Restauração de Judá
O livro trata basicamente do anúncio da destruição de Nínive. Este é o tipo de mensagem mais encontrado nas coleções de oráculos dos profetas maiores. Entretanto, era uma boa notícia para Judá, que sofrera nas mãos da Assíria.
De acordo com Naum, a destruição de Nínive não seria mero acaso histórico, pois Deus planejara sua queda e a executaria. A soberania de Deus diante das nações era o fundamento da mensagem de Naum.
A mensagem de Naum distingue-se dos profetas maiores em virtude de atacar apenas o inimigo de Judá em vez de inclui-lo em seus oráculos de julgamento. Isso pode criar um obstáculo teológico em razão da dificuldade na conciliação da compaixão e perdão de Deus. Possivelmente Naum não tenha dito nada contra Judá pelo fato de estar vivendo no período das reformas que abrangeu o reinado de Josias, portanto uma época de esperanças reavivadas.
Outro ponto importante é que a profecia de Naum não representa a sede de vingança humana, mas a justiça divina em não deixar a injustiça e a impiedade impunes, seja qual nação for. O imperialismo assírio com sua crueldade sem limites ofendia a justiça do Senhor. A navalha de Deus (Is. 7:20) já havia sido usada e era tempo de quebra-la, pois os instrumentos do julgamento de Deus não estão imunes, eles mesmos, a um julgamento.


A BRUTALIDADE ASSÍRIA

Embora os filisteus sejam bastante citados nos embates com o povo israelita e a Babilônia tenha sido a responsável pela derrocada de Judá, os assírios são tomados como o inimigo mais vil no Antigo Testamento.
Suas práticas militares genocidas levaram o terror ao Oriente Médio por mais de dois séculos. Seus prisioneiros eram submetidos a torturas, amputações, esfolamentos e outras perversidades.
Naum foi o proclamador da justiça divina que não deixou a brutalidade assíria sem castigo. A mensagem de Naum é que Deus é soberano sobre todas as nações, mesmo que essas nações não invoquem seu nome. Além disto, a queda de Nínive não é explicada pela recursividade histórica, mas em virtude da ação vindicadora do Senhor em face de toda a injustiça.


RESUMINDO...

             O Profeta Naum nasceu em Elcós, na Assíria, perto das ruínas de Nínive, há um túmulo nessa região em que os nativos dizem ser do Profeta Naum. Mas a maior para das autoridades pensam que esta cidade Elcós ficava na Galiléia. Hoje ela jaz em ruínas.
             Naum significa “consolo” e foi essa sua mensagem a Judá. O Senhor é bom, é fortaleza no dia da angustiam e conhece os que nele se refugiam, Naum 1.7. O grande tema para o seu povo era o livramento para judá e destruição para seu inimigo, a Assíria.
             É digno de nota, que Cafarnaum, onde Cristo realizou tanto do seu trabalho, signifique “vila de consolo”, perto dela fica a cidade de Élcos, onde Naum nasceu.
             O Profeta Naum viveu nos tempos do Rei Ezequias e do grande Profeta Isaías, quando época em que os assírios invadiram a sua pátria e levaram cativeiro as dez tribos de Israel. Sem dúvida ele fugiu para o reino do Sul, reino de Judá, e provavelmente fixou residência em Jerusalém, quando  sete anos mais tarde presenciou o cerco contra Jerusalém a mando de Senaqueribe, que terminou com a milagrosa mão de Deus destruindo os assírios matando numa só noite 185 mil soldados, II Reis 19.35, fato este talvez registrado por Naum no capítulo 1.2.
            Pouco tempo depois deste fato Naum escreve os acontecimentos proféticos da cidade de Nínive, no qual mostra através do julgamento de Nínive, Deus julgando um mundo pecador.
           O livro de Naum foi escrito cerca de 150 anos após o despertamento  provocado pelo Profeta Jonas, ocasião aquela em que o povo se arrependeu, e a misericórdia de Deus prevaleceu contra os ninivitas, mas tempos depois o povo se perverteu, e continuaram nos mesmos pecados em que haviam se arrependido. Nínive, glória da Assíria, chegou ao ponto de um desafio completo e deliberado ao Deus vivo, II Reis 18.25, 30. 35 ; 19.10-13.
           Este livro é visto por alguns eruditos como uma continuação do Livro de Jonas. Parece que os assírios depois de seu arrependimento voltaram a pecar contra Deus caindo numa grande idolatria.

A PODEROSA CIDADE DE NÍNIVE

           A Assíria havia desfrutado um período brilhante de 300 anos, nos quais se tornou império mundial e Nínive era a sua capital, e em 701 AC foi o ano em que ela destruiu Israel e ameaçou a Judá, mas Deus tornaria a condenação da Assíria final. A mensagem de Naum mostra o que Deus pode fazer com um povo perverso e rebelde.
           Nínive fortificara-se para que nada pudesse destruí-la. Suas muralhas mediam 30 metros de altura e eram tão largas que 4 carruagens podiam correr lado a lado, sobre elas, numa circunferência de 130 quilômetros. Eram adornadas por centenas de torres. Cercada de toda essa proteção, a cidade sentava-se complacente.
Um canal cerca de 50 metros de largura por 20 de profundidade circulava a cidade, mas Nínive não levava em conta a Deus, pois tijolos e argamassas não apresentava nada para Deus.
          O poderoso império que Salmaneser, Sargão e Senaqueribe, tinham construído, Deus derrubou de um só golpe e sem possibilidade de qualquer recuperação. As invenções da civilização não têm poder contra a artilharia do céu.
          A cidade de Nínive simboliza todas as nações que se revoltam contra Deus, e em nossos dias orgulhosas civilizações depositam toda a sua confiança nos homens e no poder da máquina, com profundo desprezo a Deus, mas o indivíduo ou a nação que delibera e definitivamente rejeita a Deus, escolhe a sua própria ruína, deliberadamente e definitivamente.

O IMPÉRIO ASSÍRIO E A CIDADE DE NÍNIVE

          Este império e esta cidade foram edificados por meio da violência. Os assírios eram guerreiros fortes que viviam em expedições de ataque. Construíram o seu estado com espólio de outros povos, e com práticas cruéis onde esfolavam vivos os seus prisioneiros, arrancando suas peles e com elas forravam suas colunas. Cortavam lhe os pés, as mãos, nariz, orelhas e vasavam seus olhos. Arrancava lhes a língua, queimavam vivos os meninos e as meninas. Formavam grandes montes de crânios humanos. Tudo isto para inspirar terror e causar medo em seus adversários. Alegavam fazer isso em obediência ao seu deus Asur. Eles saqueavam outras nações e sua capital chegou a ser cova de leões cheio de presas.
          Deus iria condenar este povo a perecer de maneira violenta e extraordinária e tudo isso aconteceram 86 anos mais tarde. Naum 2.11-12. Deus é justo e, portanto deve vingar todos os crimes.

O JUÍZO DE DEUS CONTRA NÍNIVE
         
          “O Senhor é Deus zeloso e vingador”. Deus não trouxe o juízo a Nínive apressadamente, mas mostrou se paciente durante muito tempo. Ele é tardio em irar-se, mas cheio de misericórdia. O Profeta Jonas deu ênfase ao primeiro aspecto do caráter de Deus, o Amor, Jn 4.2, e Naum, sublinha o segundo que é a Santidade. A santidade de Deus faz descer o Seu juízo sobre o pecado, Naum 1.2, 6. Este santo Juiz é justo e justificador daquele que tem fé em Jesus, Rom. 3.26.
            A cidade de Nínive foi pesada na balança e achada em falta. Nos dias de hoje vemos esta cidade ainda em ruínas. Este livro apresenta o quadro da ira de Deus, “O Senhor é zeloso e vingador e cheio de ira; O Senhor toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos”. Deus odeia o pecado e sobre ele faz cair o seu juízo.

A EXECUÇÃO DA CIDADE

            A cidade de Nínive foi destruída em 607 AC, pelos medos e babilônios, no ápice de seu grande poder. Segundo as profecias de Naum, aconteceu realmente quando uma súbita enchente do Rio Tigre fez ruir uma grande parte da muralha, o que auxiliou o exercito atacante a destruir a cidade e parcialmente destruída também pelo fogo. Naum 2.6; 3.13, 15.
            Os medos se haviam reunido fora dos muros, com seus escudos pintados de cores vivas, com lanças temíveis que faiscavam ao sol. Laminas fixada às rodas de seus carros cintilava a luz. Dentro da cidade reinava o pandemônio, no qual o rei não conseguia arregimentar seus ébrios nobres para defendera sua amada cidade. O Tigre porém provocara uma enchente que havia levado de roldão a maior parte das muralhas que para eles parecia defesa inexpugnável. Sua rainha Huzabe foi feita prisioneira e suas servas gemiam ao seu redor como um bando de pombas.
            A cidade tinha contra si mais uma denúncia, apresentada anos mais tarde pelo Profeta Sofonias, Sof.2.13. Em 607 AC, Nínive foi destruída completamente e tudo se cumpriu. Tão completa foi sua destruição que todos os traços do império Assírio desapareceram, e muitos até julgavam que os fatos narrados na Bíblia não passavam de mitos, mas em 1820 e 1845, os historiadores descobriram as ruínas da cidade, a seus majestosos palácios dos reis da Assíria juntamente com milhares de inscrições, descrevendo os acontecimentos escrita pelos próprios assírios.



Autor: O autor do livro de Naum se identifica como Naum (em hebraico "Consolador" ou "Confortador"), o elcosita (1:1). Há muitas teorias a respeito de onde essa cidade era localizada, embora não haja evidências conclusivas. Uma teoria é que ela se refere à cidade mais tarde conhecida como Cafarnaum (que literalmente significa "aldeia de Naum") no mar da Galileia.

Quando foi escrito: Dada a limitada quantidade de informações que sabemos sobre Naum, o melhor que podemos fazer é reduzir o prazo em que o Livro de Naum foi escrito a entre 663 e 612 aC. Dois eventos são mencionados que nos ajudam a determinar essas datas. Primeiro, Naum menciona Tebas (no Amon) no Egito caindo aos assírios (663 aC) no tempo passado, então isso já tinha acontecido. Em segundo lugar, o restante das profecias de Naum se tornaram realidade em 612 aC.

Propósito: Naum não escreveu este livro como uma advertência ou uma "chamada ao arrependimento" para o povo de Nínive. Deus já tinha enviado o profeta Jonas 150 anos antes com Sua promessa do que aconteceria se continuassem em seus maus caminhos. As pessoas daquela época haviam se arrependido, mas agora viviam tão mal (se não pior) do que antes. Os assírios tinham se tornado absolutamente brutais em suas conquistas (entre outras atrocidades, eles penduravam os corpos de suas vítimas em postes e colocavam a sua pele nas paredes das suas tendas). Agora Naum estava dizendo ao povo de Judá para não se desesperarem porque Deus havia pronunciado julgamento e os assírios em breve estariam recebendo o que mereciam.

Versículos-chave: Naum 1:7: “O SENHOR é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.”
Naum 1:14a: “Porém contra ti, Assíria, o SENHOR deu ordem que não haja posteridade que leve o teu nome.”
Naum 1:15a: “Eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, do que anuncia a paz!” Veja também Isaías 52:7 e Romanos 10:15.
Naum 2:13a: “Eis que eu estou contra ti, diz o SENHOR dos Exércitos.”
Naum 3:19: “Não há remédio para a tua ferida; a tua chaga é incurável; todos os que ouvirem a tua fama baterão palmas sobre ti; porque sobre quem não passou continuamente a tua maldade?”

Nínive já tinha uma vez respondido à pregação de Jonas e abandonado seus maus caminhos para servir ao Senhor Deus 
Jeová. Entretanto, 150 anos depois, Nínive retornou à idolatria, violência e arrogância (Naum 3:1-4). Mais uma vez Deus envia um de Seus profetas para Nínive para pregar julgamento na destruição da cidade e exortá-los ao arrependimento. Infelizmente, os ninivitas não prestaram atenção à advertência de Naum e a cidade ficou sob o domínio da Babilônia.


CONCLUSÃO

Paulo repete Naum 1:15 em Romanos 10:15 em relação ao Messias e Seu ministério, bem como aos apóstolos de Cristo no Seu tempo. Também pode ser aplicado a qualquer ministro do Evangelho cuja atividade é "pregar o Evangelho da paz". Deus se reconciliou com pecadores através do sangue de Cristo, e tem dado ao Seu povo a paz que "excede todo o entendimento" (Filipenses 4:7). O dever do pregador é também "anunciar boas-novas", tais como a reconciliação, a justiça, o perdão, a vida e a salvação eterna por um Cristo crucificado. A pregação desse Evangelho e a transmissão dessas notícias tornam seus pés realmente lindos. A imagem aqui é de alguém que corre para os outros, feliz e ansioso para anunciar a Boa Nova.

Aplicação Prática: Deus é paciente e tardio para se irar. Ele dá a cada país o tempo para anunciá-lo como seu Senhor. Entretanto, Ele não se deixa escarnecer. Toda vez que um país se afasta dEle para servir aos seus próprios motivos, Ele avança com julgamento. Quase 220 anos atrás os Estados Unidos foram formados como uma nação guiada por princípios encontrados na Bíblia. Nos últimos 50 anos isso mudou e agora se dirigem diariamente na direção oposta. Como cristãos, é nosso dever defender os princípios bíblicos e a verdade bíblica pois a Verdade é a única esperança para o nosso e qualquer outro país

sábado, 18 de junho de 2016

MI Q U É I A S

O    L I V R O    D E    M I Q U É I A S

O Livro de Miquéias é o sexto livro dos doze profetas menores da Bíblia hebraica e cristã, vem depois do Livro de Jonas e antes do Livro de Naum. Este pequeno livro profético do Antigo Testamento se caracteriza pela condenação dos ricos por explorarem os pobres. Denuncia os governantes, chefes e ricos das cidades de Jerusalém e Samaria. Estes estavam roubando o povo através da língua enganosa, com armadilhas, exigiam presentes e subornos. Miquéias também denunciou a cobiça, os ganhos imorais, a maldade planejada, a balança desonesta e o crime organizado. O conteúdo deste livro apesar de ter quase 2700 anos é bem atual.
Miquéias nasceu em Morasti (Moréshet), uma vila no interior do reino de Judá, a oeste de Hebron. Por sua origem camponesa se assemelha à Amós, com quem compartilha uma aversão às grandes cidades e uma linguagem concreta e franca, nas comparações breves e nos jogos de palavras. Ele exerceu sua atividade entre os reinados de Jotão (Iotâm), Acaz, Ezequias e Manassés, isto é entre 750 e 680 AC, antes e depois da tomada de Samaria pelos assírios em 721 AC, tendo sido contemporâneo de Oséias e de Isaías.

AUTORIA
Miqueias profetizou durante os dias do Rei Ezequias de Judá. O versículos de Jeremias 26:18 contém praticamente tudo o que sabemos do próprio profeta. Alguns estudiosos discutem sobre a autoria do livro ser do próprio Miqueias. Tradicionalmente se aceita que os capítulos 1-3 são de fato de Miqueias (excluindo 2:12-13). Os trechos restantes são vistos por algumas como redações.
No entanto, alguns estudiosos do Antigo Testamento, por exemplo, o Bruce Waltke defende ser Miqueias o autor de todo o livro.
DATA
Miquéias era ativo em Judá, desde antes da queda de Samaria (1:2-7), em 722 a.C., viveu sob o rei Acaz (735-715 a.C.) e do rei Ezequias (715-687 a.C.), e (aparentemente) experimentou a devastação causada pela invasão de Senacherib em Judá (701 a.C.). O título do livro (1:1) também adiciona o nome do rei Jotão (742-735 a.C.). Isto faria Miqueias ativo de 742 a.C a 701 a.C.. A mensagem de Miqueias 1:2-9 foi dada antes da destruição de Samaria em 721 a.C.. O apelo de Jeremias a adeptos da profecia de Miqueias confirma sua ligação com Ezequias: "Levantaram-se alguns dos anciãos da terra, e falaram a toda a assembléia do povo: Miquéias, o morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá; e falou a todo o povo de Judá: Assim diz Jeová dos exércitos: Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões, e o monte da casa em altos cobertos de bosque. " (Jeremias 26: 17-18).
AMBIENTE
Durante os reinados de Uzias, rei de Judá, e Jeroboão II, rei de Israel, um período de relativa paz e prosperidade começou a minguar. Isso foi em parte devido ao aumento da nação Assíria que após um período de quiescência, tornou-se uma potente força política no Médio Oriente. Com a ascensão da Assíria, veio um aumento da pressão militar sobre os reinos de Judá e de Israel.
Ao mesmo tempo em que o comércio era crescente, grandes proprietários estavam cobiçando e se apoderando dos terrenos e casas de famílias mais pobres. Miqueias refutou essas práticas que violaram os direitos dos pequenos agricultores e resultaram em ganhos econômicos para os grandes proprietários.
Miquéias, e os outros profetas menores, também se manifestaram contra a falta de obediência da aliança. Muitos aspectos da aliança haviam sido abandonados em favor do culto a Baal e de outras práticas pagãs. A esta luz, Samaria, um dos líderes desta apostasia, está condenada à destruição.
O período da atividade de Miquéias também se sobrepõe a de Isaías, é possível que os dois fossem contemporâneos, muitas vezes confundidos um com o outro. Jeremias 26:18-20 fala do efeito de Miqueias sobre o rei, e que ele e o rei não foram capazes de atender, mas que a mensagem de Miqueias foi capaz de trazer o rei para o arrependimento. No entanto, alguns estudiosos consideram que pode ser mais provável que Isaías tenha causado o arrependimento do rei, pois ele tinha acesso ao rei, era muito mais provável de influenciar as decisões do rei.
CONTEÚDO
Mesmo sendo o livro de Miquéias relativamente curto, contém uma ampla variedade de conteúdo. A macro-estrutura do livro é composta por três partes:
I . A previsão do Juízo - 1.1-3.12 II. A previsão da Restauração - 4.1-5.15 III. O apelo ao Arrependimento - 6.1-7.20
Miquéias também é conhecido como o defensor dos oprimidos. Ele condena os ricos latifundiários por tirarem a terra dos pobres (2.2). Também ataca os comerciantes desonestos por usarem balanças fraudulentas, subornarem os juízes e cobrarem juros extorsivos. Até mesmo os sacerdotes e profetas tinham-se deixado levar pela onda de ganância e desonestidade que varria o país. Miquéias fala de forma extremamente dura com aquele povo, que está mais preocupado em seguir rituais do que em viver retamente: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus" (6.8). Esta é uma das passagens mais importantes do Antigo Testamento, pois expressa o princípio imutável de que a autêntica adoração consiste em fazer a vontade de Deus e tratar os outros com justiça.
Miquéias denuncia uma situação mais perversa do que a própria guerra em andamento: a cobiça e injustiças sociais, onde ele vê a causa principal da ira de Deus (2:8). Após descrever os estragos da guerra (1:8-16), o profeta nos conduz à capital, onde ele se defronta com os ricos e com os dirigentes políticos e religiosos. Vindo da roça, Miqueias acusa-os de roubar casas e campos para se tornarem latifundiários (2:1-2) e os condena por mandar matar até mulheres e crianças para se apoderarem das terras (2:9). Com o poder nas mãos, eles dançam ao ritmo do dinheiro, falseando o peso das mercadorias (6:10-12). Miqueias mostra que a riqueza deles se baseia na miséria de muitos e tem como alicerce a carne e o sangue do povo (7:1-4). Eles, porém, insistem, com a Bíblia na mão, em provar que são justos (2:6-7) e que Deus está com eles (3:11); procuram combinar religião com opressão aos fracos
Miquéias denuncia tal perversão, uma situação na qual os cultos são celebrados com fausto, mas não implicam conversão do coração, como atitude idolátrica (1:5); por isso, é taxativo: eles, juntamente com a luxuosa capital e o próprio Templo, serão destruídos (3:9-12).
No livro de Miquéias existem também promessas e esperanças. Entre elas se destaca o anúncio do surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (5:1-3). A precisão deste versículo messiânico é impressionante, pois fornece o nome da cidade onde o Messias iria nascer, cerca de 700 anos antes. O Novo Testamento retomará essa profecia e o atribuirá ao nascimento de Jesus (cf. Mt 2:6).
PRINCIPAIS DENÚNCIAS
1:7 - Todos os seus ganhos imorais serão consumidos pelo fogo; 2:1 - Aí daqueles que planejam maldade, dos que tramam o mal em suas camas e no alvorecer o executam. 2:2 - Cobiçam terrenos e se apoderam deles; cobiçam casas e as tomam. Fazem violência ao homem e à sua família; a ele e aos seus herdeiros. 2:8 - Mas ultimamente como inimigos vocês atacam o meu povo. Além da túnica, arrancam a capa deles. 3:1 - Ouçam, vocês que são chefes e governantes da nação. Vocês deveriam conhecer a justiça. Mas odeiam o bem e amam o mal; arrancam a pele do meu povo e a carne dos seus ossos. 6:9-13 - A voz do Senhor está clamando à cidade; é sensato temer o seu nome. Ouçam: Não há na casa do ímpio, o tesouro da impiedade e a medida falsificada, que é maldita? Poderia alguém ser puro com balanças desonestas e pesos falsos? Os ricos que vivem entre vocês são violentos; o seu povo é mentiroso e as suas línguas falam enganosamente. Por isso, eu mesmo os farei sofrer, e os arruinarei por causa dos seus pecados. 7:2 - Os piedosos desapareceram do país; não há um justo sequer. Todos estão à espreita para derramar sangue; cada um caça seu irmão com uma armadilha. 7:3 - Com as mãos prontas para fazer o mal o governante exige presentes, o juiz aceita suborno, os poderosos impõem o que querem; todos tramam em conjunto.

RECAPITILANDO...

Introdução ao Livro de Miqueias – Injustiça pouca é bobagem
Miqueias viveu na mesma época do profeta Isaías e é mencionado em Jeremias (26:18-19) acerca da destruição de Jerusalém cem anos depois. Esta citação aponta para o prestígio que Miqueias ainda tinha como profeta do Senhor e o cuidado dos hebreus na preservação destes registros. A mensagem de Miqueias, em termos de contundência, pode ser comparada à de Amós.
A introdução do livro deixa claro que o período que Miqueias pronunciou seus oráculos foi de aproximadamente quarenta anos na segunda metade do século VIII a.C., antes de 722 a.C. quando Samaria (Reino do Norte) foi aniquilada pela Assíria.
Tanto Miqueias quanto Isaías sabiam do destino de Judá em virtude de sua injustiça, opressão e idolatria; e, embora tenham tratado sobre a acusação e julgamento de Javé, escreveram acerca da esperança de restauração para o povo da Aliança.
Os profetas Miqueias e Isaías formam um contraste interessante, pois um era camponês de uma pequena vila a quarenta quilômetros de Belém; o outro era aristocrata e membro da corte real. A despeito de suas diferenças sociais, ambos os profetas defenderam a Aliança e abordaram a fé histórica de Israel. A origem social de Miqueias talvez explique sua preocupação com os pobres e explorados pela realeza.
Provavelmente Miqueias não fosse um profeta profissional e denuncia os sacerdotes e profetas que agem por interesse financeiro (3:11) ou proclamam mensagens favoráveis de acordo com o pagamento recebido (3:5). Miqueias se fundamenta no Espírito do Senhor para anunciar seus oráculos morais contra Israel, ratificando, desta forma, o seu chamado profético (3:8).
O ministério de Miqueias aconteceu durante a ameaça assíria. Nesta época as nações do leste estavam temerosas da crueldade dos assírios, famosos pelo tratamento cruel e desumano que dispensavam aos seus prisioneiros. A Assíria, em diversas ocasiões, sitiara e invadira Judá, servindo de contexto para algumas profecias. O mais famoso cerco assírio foi durante o reinado de Senaqueribe que chegou até em Jerusalém, capital do Reino do Sul. Oseias pôde até mesmo assistir a destruição e o cativeiro que a Assíria impôs ao Reino do Norte, Israel.
Todos esses elementos produziram um ambiente de instabilidade política e social, embora a campanha militar do rei Uzias (ou Azarias), na primeira metade do século VIII a.C., tenha trazido prosperidade econômica para alguns poucos privilegiados. Este progresso econômico gerou uma classe de comerciantes prósperos em Israel, e novos estratos sociais. Os pequenos proprietários de terras ficaram muito dependentes desses ricos comerciantes que agora contavam com o apoio do rei.
Este foi o cenário no qual Miqueias pronunciou seus oráculos contra a injustiça social e a hipocrisia religiosa, que se apoiava em rituais de manipulação para a obtenção do favor de Deus.

Estrutura de Miqueias
O livro de Miqueias, de acordo com seu conteúdo, pode ser estruturado da seguinte forma:
Introdução – 1:1
Acusação, julgamento e esperança para o povo – 1:2 – 2:11
Acusação, julgamento, esperança e restauração dos líderes – 3:1 – 5:15
Acusação, julgamento e esperança para a nação – 6:1 – 7:20
As três seções de acusação começam com a chamada para ouvir a Palavra do Senhor. Cada um desses trechos é composto por oráculos de acusação dos pecados de Israel ressaltando as suas consequências em virtude do julgamento de Javé. No final de cada um desses oráculos há a mudança do tema da acusação para a esperança e restauração.
A estrutura da primeira e da última seção é semelhante em virtude do uso de uma linguagem jurídica, que coloca Javé como relator dos pecados do povo (1:2) passando depois para o papel de promotor de acusação (6:2). A seção do meio (3:1 – 5:15) é diferente e um pouco mais complexa que as demais por não usar nenhuma terminologia jurídica ou legal.
A seção do meio é composta por palavras duras remetendo à grande injustiça social às quais os líderes de Israel submetiam o povo (3:2-11). Além dessas acusações a seção intermediária altera o seu teor para um elemento de restauração, apontando para o futuro, que se inicia com a expressão “naquele dia” (4:1-6). A seção se altera novamente, dessa vez para o apontamento da crise atual, quando o profeta diz “agora” (4:9; 5:1). Como em todos os oráculos proféticos, a crise é solucionada pela intervenção divina (5:2-9), resultando na restauração e purificação de Israel (5:10-15).
Propósito e conteúdo
Miqueias aborda os seguintes temas em seu livro:
·       Acusações contra injustiça
·       Rituais que objetivam manipular a divindade não diminuem a ira de Deus
·       Messias davídico
·       Livramento da Assíria
Miqueias deixou seu objetivo muito claro quando disse que, por meio do Espírito do Senhor, acusaria todas as transgressões e pecados de Israel (3:8). Imbuído de coragem pronunciou seus oráculos de acusação, principalmente contra a classe rica e abastada de Judá, apontando toda a injustiça sobre a qual sua riqueza descansava. O resultado seria o cativeiro e a destruição. A referência aos do Reino do Norte Onri e Acabe (6:16) indicam que Judá praticava as mesmas coisas que levaram à destruição de Israel poucos anos antes.
Miqueias divide sua crítica e acusação em cinco julgamentos:
·       Julgamento religioso com uso de linguagem cósmica que lembra muito a apocalíptica (1:3-7; 3:12).
·       Julgamento social e cativeiro (1:10-16)
·       Julgamento de pessoas específicas (2:3-5)
·       Julgamento contra os falsos profetas (3:6-7)
·       Julgamento econômico (6:13-16)
Ao mesclar entre os oráculos de julgamento promessas de esperança e restauração, Javé dizia ao povo da Aliança que o castigo jamais seria a última palavra dele dirigida a seu povo escolhido.
O Salvador
Miqueias em seu texto aborda em dois momentos um salvador para seu povo. Este tema está presente nos trechos 2:13 e 5:2-9.
Em 2:13 o rei que vai adiante do povo é comparado ao Senhor, e isso levou alguns intérpretes a associar este rei ao próprio Deus. Outros dizem que este rei está sob o comando de Javé. O versículo 2:12 trata sobre os sobreviventes (remanescentes) salvos em um aprisco, enquanto o capítulo 1 descreve a destruição de Jerusalém; portanto, este trecho de 2:12-13 pode indicar os sobreviventes do massacre assírio sobre Judá em 701 a.C. e o livramento de Javé em resposta ao pedido do rei Ezequias.
No trecho de 5:2-9 o salvador não é um rei, mas um governante. A expressão Messias não foi usada por nenhum profeta do período pré-exílico, uma vez que este conceito floresceu durante o exílio babilônico. O seu aparecimento em Belém sugere uma quebra de continuidade real, já que os herdeiros do trono de Judá nasciam em Jerusalém. Este governante traria a liberdade aos sobreviventes ou remanescentes.
Está claro que Miqueias tratou sobre o rei davídico ideal, mas não há qualquer evidência no texto de que ele tenha tido um vislumbre do que costumamos considerar como messiânico no sentido estrito do termo, afinal ele estava muito mais preocupado com a questão da quebra da Aliança que se traduziu na injustiça social e apostasia religiosa.
Os autores no NT, guiados pelo Espírito Santo, entenderam que este governante, nascido em Belém, foi Jesus, o novo Davi. Isso nos dá segurança em crer que Deus é o autor da salvação que foi preparada durante toda a história.
A exigência do Senhor
Frequentemente o verso 6:8 de Miqueias é tido como a exigência mais abrangente daquilo que Deus requer do seu povo. Mas, para uma interpretação mais apurada, devemos analisar o contexto no qual estas palavras foram escritas.
O verso 8 foi escrito para contrastar com as práticas ritualistas dos versos 6 e 7, que se propunham a manipular a Deus com o objetivo de aplacar a sua ira. Os israelitas estavam sempre inclinados a apaziguar a ira do Senhor por meio de rituais religiosos, mas não se propunham a abandonar suas práticas injustas e idólatras.
Miqueias então lhes explica que a questão não era evitar a ira de Deus por meio de sacrifícios ou ofertas, mas sim corrigir o relacionamento do povo da aliança com Javé. Portanto, o verso 6:8 não se trata de uma exigência em termos da responsabilidade do povo perante Deus, mas sim o que Israel deveria fazer para renovar e restaurar o relacionamento da Aliança. Em outros termos, a obediência era muito mais importante do que o sacrifício (1 Sm. 15:22).
Uma exigência mais completa sobre a responsabilidade humana diante do Senhor está expressa em Dt. 10:12-13: “E agora, ó Israel, que é que o Senhor seu Deus pede de você, senão que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os seus caminhos, que o ame e que sirva ao Senhor, ao seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma,

e que obedeça aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu próprio bem?”.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

J O N A S

O    P R O F E T A    J O N A S
Jonas é o nome de um livro bíblico do Antigo Testamento, vem depois do Livro de Obadias e antes do Livro de Miqueias. Segundo a interpretação tradicional seria um relato biográfico do profeta Jonas, na qual o Deus de Israel o terá mandado profetizar ao povo de Nínive, grande capital do Império Assírio, para persuadi-los a se arrependerem ou seriam destruídos dentro de 40 dias. O Livro relata o profeta Jonas, filho de Amitai, que profetizou no Reino de Israel Setentrional, no 7.º Século A.C., no reinado de Jeoboão II. (Jonas 1:1; II Reis 14:25).

INTRODUÇÃO
“Palavras do Senhor a Jonas, filho de Amitai, II Reis 14.25, dizendo: Levanta-t, vai a cidade de Nínive”. O livro de Jonas é muito conhecido, por ser a história pitoresca, e até exótica. O resumo do livro é muito simples: Cap. 1º trata da fuga do Profeta, o 2º cap. Trata da história do grande peixe, o 3º cap. Da pregação do Profeta, e o 4º registra a contenda. Jonas estava todo aborrecido de Deus ter perdoado o povo de Nínive. E então através do símbolo da aboboreira, Deus repreende o Profeta por causa de seu estranho e extremo desgosto.
Este livro traz um destaque importante que está no 2º capítulo, “a oração de Jonas de dentro do peixe”.”Na minha angústia clamei ao Senhor e ele me respondeu: do ventre do inferno gritei e tu ouviste a minha voz, pois tu me lançaste no profundo, no coração dos mares”.Quando procuramos as referencias, vemos que há nessa oração um conjunto de citações. Lamentações 3.55, Salmos 41.7 e 31.22. O fato é que este Profeta sentiu em seu momento de angústia as vibrações da Palavra de Deus na hora amarga.
Jonas havia anunciado o aumento do Reino de Israel, o qual recuperaria seus antigos limites, tendo este fato a sua realização no valor e predomínio de Jereboão II. Jonas provavelmente viveu nos tempos deste rei, ou talvés, antes, nos tempos de Jeoacaz.
O Profeta Jonas foi enviado, no cumprimento de sua missão à cidade de Nínive, procurou fugir para Tarsis, mas sendo surpreendido pos uma tempestade, é lançado ao mar e engolido por um peixe em cujo ventre permaneceu por três dias, no fim pelo qual, em sua oração fervorosa é maravilhosamente salvo.
Jonas teve uma segunda chance e ali na cidade de Nínive pregou a Palavra de Deus anunciando sua destruição, mas os ninivitas creram em suas palavras e se arrependeram de seus pecados e por isso são poupados da destruição divina. Jonas imaginando que o considerariam um falso profeta desgosta-se daquele ato de divina misericórdia, e deseja morrer.
Quando deixou a cidade sentou embaixo de uma aboboreira, mas em pouco tempo a planta secou-se e Jonas mais uma vez se entristeceu. E então Deus lhe fez ver naquele fato, a razão de salvar o povo que estava no pecado e quanta razão havia na Sua suprema bondade para com os ninivitas arrependidos.
A Assíria, inimiga do povo de Israel de longa data, era império dominante aproximadamente entre 885 A.C. a 665 A.C.. Segundo o relato, parece evidente que a agressividade militar assíria era mais fraca durante o tempo de Jonas. Além disso, o Rei Jeroboão II foi capaz de reivindicar áreas da Palestina desde Hamate até o Mar Morto, como teria sido profetizado por Jonas.
Por outro lado, outros estudos indicam que trata-se de um escrito posterior ao Exílio na Babilônia, escrito no séc V AC (ou mesmo posterior), e que o livro de Jonas é considerado profético unicamente porque em 2Rs 14:25 se menciona um profeta com o mesmo nome.
Tal tese baseia-se no fato de que seu estilo e tema diferem muito dos outros livros proféticos, que em geral são escritos em verso. Enquanto os profetas ameaçam as nações pagãs, o livro de Jonas relata a conversão dos ninivitas e anuncia a misericórdia a esse que foi um dos povos mais odiados por Israel. Os profetas estão solidamente enraizados na situação político-social; Jonas parece estar solto no ar.
Portanto, o livro de Jonas seria um escrito sapiencial, não pertencendo ao gênero histórico, mas ao gênero parabólico, uma espécie de novela para ilustrar o tema da misericórdia de Javé, que não é um Deus nacional, mas um Deus de toda a humanidade; ele quer que todos se convertam, para que tenham a vida (4:2).
O livro rompe com uma interpretação estreita da profecia contra as nações feitas por outros profetas, afirmando que profecias são condicionais, pois Deus quer a conversão das nações e não sua destruição.
A obra nasceu no pós-exílio, quando o povo judeu estava se fechando num exagerado nacionalismo exclusivista (cf. Esd 4:1-3; Ne 13:3), bem refletido na mesquinhez do justo Jonas. Por outro lado, os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens: Deus quer salvar também os inimigos, os pagãos de Nínive, capital da Assíria, modelo de crueldade e opressão contra o povo de Israel. Deus não quer que suas criaturas se percam (cf. Sb 1:12ss) e para ele ninguém está irremediavelmente perdido (cf. Ez 18:23.32; Lc 15).
A história do peixe tornou famoso o livro, pois os evangelhos celebrizam a figura e aventura de Jonas como sinal da morte e ressurreição de Jesus: assim como Jonas ficou três dias no ventre do peixe, Jesus vai ficar três dias no ventre da terra; depois ressuscitará, como Jonas voltou à luz do dia (cf. Mt 12:39-41 e paralelos).


O LIVRO DE JONAS

Autor: Jonas 1:1 especificamente identifica o profeta Jonas como o autor do Livro de Jonas.
Quando foi escrito: O Livro de Jonas foi provavelmente escrito entre 793 e 758 AC.
Propósito: Desobediência e revitalização são os principais temas deste livro. A experiência de Jonas no ventre da baleia lhe proporciona uma oportunidade única para buscar uma libertação ao se arrepender durante este retiro bastante diferente. Sua desobediência inicial o leva não apenas à sua revitalização pessoal, mas à dos ninivitas também. Muitos classificam a restauração que ele trouxe a Nínive como um dos maiores esforços evangelístico de todos os tempos.
Versículos-chave: Jonas 1:3: "Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis...."
Jonas 1:17: "Deparou o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe."
Jonas 2:2: "Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz."
Jonas 3:10: "Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez."

RESUMO
O medo e orgulho de Jonas levam-no a fugir de Deus. Ele não quer ir a Nínive pregar o arrependimento ao povo, como Deus ordenou, porque ele sente que os ninivitas são seus inimigos e está convencido de que Deus não vai seguir adiante com sua ameaça de destruir a cidade. Ao invés, ele embarca num navio para Társis, uma cidade na direção oposta. Uma grande tempestade logo faz com que a tripulação lance lotes para determinar que Jonas é o problema. Eles atiram-no ao mar, e ele é engolido por um peixe grande. Em seu ventre por 3 dias e 3 noites, Jonas se arrepende do seu pecado a Deus, e o peixe o vomita em terra seca (perguntamo-nos por que levou tanto tempo para se arrepender). Jonas, em seguida, faz a viagem de cerca de 800 km a Nínive e lidera a cidade a um grande reavivamento. Entretanto, o profeta fica insatisfeito (na verdade, reclama), ao invés de agradecido, quando Nínive se arrepende. Jonas aprende a lição, porém, quando Deus usa um vento, uma planta e um verme para lhe ensinar que Ele é misericordioso.

PRENÚNCIOS
As palavras do próprio Jesus deixam claro que Jonas é um tipo de Cristo. Em Mateus 12:40-41, Jesus declara que Ele vai estar no túmulo a mesma quantidade de tempo que Jonas estava no ventre da baleia. Ele segue a dizer que, enquanto os ninivitas se arrependeram diante da pregação de Jonas, os fariseus e doutores da Lei que rejeitaram a Jesus estavam rejeitando Aquele que é muito maior do que Jonas. Assim como Jonas trouxe a verdade de Deus sobre o arrependimento e salvação para os ninivitas, assim também Jesus traz a mesma mensagem (Jonas 2:9; João 14:6) de salvação alcançada apenas através de Deus (Romanos 11:36).

APLICAÇÃO PRÁTICA
Não podemos nos esconder de Deus. O que Ele deseja realizar através de nós virá a acontecer, apesar de todas as nossas oposições e reclamações. Efésios 2:10 nos lembra que Ele tem planos para nós e vai assegurar que vamos nos conformar com esses planos. Quanto mais fácil seria se nós, ao contrário de Jonas, nos submetêssemos a Ele sem demora!

“O amor de Deus se manifesta em Sua acessibilidade a todos, independentemente da nossa reputação, nacionalidade ou raça. A livre oferta do Evangelho é para todos os povos em todos os tempos. Nossa tarefa como Cristãos é ser o meio pelo qual Deus fala ao mundo dessa oferta e alegrar-nos com a salvação de outras pessoas. Esta é uma experiência que Deus quer que compartilhemos com Ele, e não que sejamos ciumentos ou ressentidos com os que vêm a Cristo em ‘conversões de última hora’ ou que passam por situações diferentes das nossas”.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O B A D I A S

O    L I V R O    D E     O B A D I A S


Este livro é o mais curto do Velho Testamento. Contem apenas 23 versículos, mas encerra dois temas importantes: a ruína dos orgulhosos e rebeldes e o livramento dos mansos e humildes.
A data da profecia deste livro deve estar relacionada à tomada de Jerusalém pelo Rei babilônio Nabucodonosor, e sua profecia são dirigidas contra os Edumeus, antigo povo inimigo de Israel, Nm 20.14-21, II Reis 16.6, que evidentemente se juntaram com os babilônios para humilhar o povo de Israel.
O Profeta Obadias acusa os Idumeus desta ofensa que provavelmente teve a sua efetuação nos anos 588 a 586 AC. As predições com respeito à Edom foram completamente cumpridas. O profeta declara que Edom ainda seria como se nunca estivesse existido, desaparecida completamente (profecia que teve seu cumprimento notavelmente), Salmos 137.7,15, mas Israel havia de levantar-se novamente daquela queda, reconquistando, não somente sua própria terra, mas também a Filístia e Edom, e regozijando finalmente no reinado do Messias. Ez.35, Joel 3.19-20, Amós 1.11-12, 9.11-15, Jer.49.7-22.
Lemos a denúncia do espírito de egoísmo, indiferença e manifesta a hostilidade do vizinho Edom que, mantendo a atitude de Esaú, se conservou à parte e permitiu que Jerusalém fosse saqueada. Chegou mesmo a participar da destruição e interessou-se por sua parte nos despojos. Deus ordenara a Israel: “Não aborrecerás o Idumeu, pois é teu irmão” Deut.23.7. Edom, porém tinha revelado seu ódio implacável à Israel a partir do dia em que lhes recusara passar pelos seus territórios em sua jornada para Canaã. Num.20.14-21, até o dia da destruição de Jerusalém pelos caldeus, quando Edon clamou: “Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos” Salmos 137.7.Em virtude desse ódio cruel, sua destruição foi decretada por Deus. Obadias 3, 4, 10,15. Nada podia salvar essa nação. Seu povo foi expulso das casas na rocha, cinco anos após a destruição de Jerusalém, quando Nabucodonosor, ao passar pelo vale de Arabá, que constituía a estrada militar para o Egito, esmagou os Idumeus. Deixaram de existir como nação cerca do ano 150 AC, e seu nome pereceram com a captura de Jerusalém pelos romanos.


EDOM

Ao sul do Mar Morto, na beira ocidental do planalto da Arábia, estende-se uma cordilheira de picos íngremes de pedra arenosa vermelha conhecida por Monte Seir. Foi ali que estabeleceu Esaú, após ter vendido o direito de primogenitura a seu irmão Jacó, e expulsando os horeus, tomou posse de toda a montanha, Gn. 14.5-6. Sela, ou Petra, era a sua capital, que significa “Rocha”. É conhecida hoje como a “silenciosa cidade do esquecido passado”, no mundo da arqueologia. Os descendentes de Esaú, chamavam-se Idumeus e saíam em expedições de ataques e depois voltavam à sua fortaleza inexpugnáveis, onde guardavam viva no coração uma amarga inimizade contra os judeus, que começou com Jacó e Esaú. Nos dias de Cristo, por meio de Herodes eles conseguiram controlar a Judéia, mas desapareceram da história após a destruição de Jerusalém por Tito em 70 AD.
O juízo de Deus contra Edom, inimigo de Israel, deve servir de advertência para as nações de hoje. Deus não abandonou seu povo, e as nações que o oprimem trarão sobre si mesmas a Seu santo juízo. Gen. 12.3.



INTRODUÇÃO AO LIVRO DE OBADIAS

O livro de Obadias é o mais curto do Antigo Testamento; possui apenas 21 versículos. A biografia de Obadias ainda é um tema discutido entre os estudiosos, pois quase nada se sabe sobre o profeta. A tradição judaica de que o autor do livro foi o mordomo do rei Acabe não se apoia em nenhuma evidência ou confirmação histórica (Talmude: Sanhedrin 39b; 1 Rs. 18:3-16).
A dificuldade se encontra na identificação do personagem, pois os oráculos apresentados não identificam o profeta nem a época em questão. Seu nome significa servo de Javé, um nome bastante comum em Israel. Este nome está associado a mais de uma dezena de personagens no Antigo Testamento em diferentes momentos da história. 
O assunto principal do livro de Obadias é a sua reação diante do crime e oportunismo de Edom para com Judá, seu irmão. Os crimes descritos por Obadias podem ser situados em dois períodos entre 850 a.C e 400 a.C: 
Os filisteus e árabes invadem Jerusalém por volta de 844 a.C no reinado de Jeorão: 2 Rs. 8:16-20 e 2 Cr. 21:16-17
Os babilônios sitiam, invadem e destroem Jerusalém em 587 a.C: 2 Rs. 25:1-12 e  Ez. 25:1-3
A segunda opção parece ser mais plausível do ponto de vista do verso 11. Portanto, as profecias de julgamento contra Jerusalém se cumpriram. A Babilônia invadira a terra, levara cativo o rei, devastara o templo, levando milhares de hebreus para o exílio. Embora o castigo de Judá fosse merecido, as nações ao redor, especialmente Edom, aproveitaram-se da fragilidade momentânea de Judá para promover saques e o massacre étnico contra os seus habitantes.

Outras características que reforçam a datação pós exílica são os paralelos que Obadias faz com Jeremias 49:7-22 citando uma tradição mais primitiva e o termo exilados no verso 20 referindo-se aos israelitas.

A gravidade destes oráculos contra Edom reside no parentesco entre Edom e Israel, que foram respectivamente os patriarcas Esaú e Jacó, filhos de Isaque e Rebeca (Gn. 25:23-26). A nação de Edom vivia nas montanhas e tinham uma organização social estruturada desde a época dos patriarcas (Gn. 36:1-30) e adotaram o governo monárquico antes do Êxodo dos hebreus do Egito. Nesta época os edomitas negaram a passagem dos israelitas pelo leste mostrando seu potencial militar (Nm. 20:14-21; 21:4).

A data da destruição de Edom não pode ser precisada, mas, no tempo do profeta Malaquias (500 – 400 a.C.) a nação já estava arruinada (Ml. 1:2-4). Por volta de 312 a.C. (domínio grego) os árabes nabateus tomaram as terras edomitas e expulsaram os sobreviventes para a Iduméia, ao norte. No Novo Testamento o representante mais famoso desse povo foi Herodes, o grande.



ESTRUTURA DO LIVRO

Obadias pode ser esboçado da seguinte forma: 
·       Cabeçalho – 1a
·       Oráculo contra Edom – 1b – 14
·       O julgamento é anunciado – 1b – 9
·       Acusação de crueldade contra seu irmão Judá – 10 – 14
·       A descrição dia do Senhor – 15 – 21
·       O julgamento de todas as nações – 15 e 16
·       O livramento de Judá – 17 e 18
·       O estabelecimento do Reino de Javé – 19 – 21 
Obadias não é o único com profecias dirigidas a Edom. Outros oráculos estão registrados em: Is. 21:11-12; 34:5-17; Jr. 49:7-22; Ez. 25:12-14; 35:1-15; Am. 1:11-12. A recorrência aos edomitas nas profecias do Antigo Testamento surge desde a bênção de Isaque para Esaú (Gn. 27:39-40) até a confirmação da destruição total de Edom em Malaquias (Ml. 1:2-4). 
O termo visão que Obadias usa pode se referir ao processo de comunicação entre Deus e o profeta bem como ao método propriamente dito. A brevidade da mensagem de Obadias pode ser explicada pela visão que o Senhor lhe dera; desta maneira, o destino de Edom, visto com antecedência, pouparam-lhe as palavras. 
Conforme visto anteriormente, Obadias repete um trecho já citado por Jeremias (compare Ob. 1b, 4-6 e Jr. 49:9-10,14-16). A explicação mais adequada é que ambos os profetas tenham utilizado uma fonte comum antiedomita mais antiga. 
Do ponto de vista literário, Obadias constrói sua mensagem com a tradicional estrutura profética, contendo: 
·       As acusações dos pecados
·       O julgamento divino
·       A promessa de restauração

A mensagem de Obadias pode ser organizada em quatro partes :

Primeira parte: descrição da ruína total de Edom. Mesmo as fortificações mais inacessíveis serão aniquiladas. Seu motivo de orgulho, os guerreiros e sábios, seriam destruídos. Edom será saqueada pelas nações nas quais confiava.
Segunda parte: descrição dos crimes contra a humanidade de Edom. A violência injustificada e a falta de compaixão de Edom contra Judá são as causas do julgamento de Edom.
Terceira parte: anúncio do dia do Senhor como um dia de julgamento contra Edom. Essa mensagem para Edom servia para todas as demais nações inimigas de Israel.
Quarta parte: descrição da ruína de Edom e restauração de Israel.


PROPÓSITO E CONTEÚDO

O profeta Obadias trata dos seguintes assuntos: 
·       A soberania de Javé sobre as nações
·       A restauração de Israel
·       O conceito de retribuição 
Obadias, como mensageiro de Javé, tratou sobre a restauração de Israel e o julgamento de todas as nações que cometeram crimes contra a humanidade. Obadias utilizou-se do tema do Dia do Senhor, comum aos profetas, para predizer o livramento de Jerusalém e declarar o domínio universal do Senhor sobre todos os povos. A punição de Edom serviria de aviso a todas as demais nações acerca da retribuição que teriam pela maneira injusta à qual submeteram os israelitas. 
Mais importante do que a punição a Edom o livro de Obadias mostra o amor e cuidado do Senhor pelo povo da Aliança. 


ORGULHO
O orgulho foi uma das grandes tragédias do povo edomita. Sua confiança se baseava inteiramente em seus sábios e guerreiros. Obadias demonstra que esses mesmos sábios não livrariam Edom da pilhagem de sua colheita e tesouro (Ob. 5-6). Esse orgulho transformou-se em crueldade e impediu a compaixão, por isso o Senhor condena os orgulhosos (Pv. 16:18). Enfim, toda a sabedoria de Edom foi inútil diante do julgamento pelo qual passou. O Novo Testamento confirma esse conceito afirmado que isso acontecerá com todos aqueles que usarem da sabedoria humana em confronto com Deus (1 Co. 1:18-31).


O DIA DO SENHOR 

A partir do verso 15 há a mudança de ênfase do julgamento individual de Edom para todas as nações. Esta mudança pode ter dois objetivos básicos à luz da teologia do Antigo Testamento: 
Atender à expectativa de Israel com relação à sua vindicação por justiça naquele momento
Renovar a esperança de Israel em relação ao triunfo final de Javé sobre as nações com o estabelecimento de seu Reino. Este é um tema recorrente no Antigo Testamento que foi trabalhado por outros profetas (Is. 24 – 27; Jr. 29 – 33; Ez. 33 – 35; Os. 13 – 14; Am. 9). 
O tema do dia do Senhor traz o ensinamento de que Javé é um Deus que exige justiça; não apenas em um futuro escatológico, mas também nesta era. Embora seja misericordioso, que estende sua paciência, fica claro que ele não tolera a injustiça para sempre. Ele pune a desobediência.


RESTAURAÇÃO DE ISRAEL

Seguindo a tendência teológica de outros profetas, Obadias também trata sobre a restauração do remanescente de Israel (Jl. 3:17-21; Am. 9:11-15; Mq. 7:8-20). Obadias cita os nomes dos patriarcas para promover a esperança de que os exilados veriam as promessas cumpridas, reforçando, desta maneira, a fé do povo judeu em Javé como um Deus fiel à sua Palavra (Sl. 115; Mq. 7:20). 
Este ensino é intensificado por outros profetas que trabalham o tema do domínio eterno de Javé por meio do Messias vindo no Dia do Senhor (Ez. 37:24-28; Dn. 2:44,45; Zc. 12:3 – 13:6).


RESUMINDO...

A mensagem do livro de Obadias é uma visão a respeito de Edom. Os edomitas foram os descendentes de Esaú, irmão de Jacó e neto de Abraão. A rivalidade entre as duas famílias (que se tornaram nações) continuou por séculos após a morte destes irmãos. Enquanto vários profetas falaram dos pecados do povo de Israel (descendentes de Jacó), Obadias falou sobre Edom e os motivos do castigo divino sobre este povo.
Obadias é o menor dos livros do Antigo Testamento. Por não incluir referências específicas a acontecimentos históricos, a data do livro é desconhecida. Há sugestões de datas do século 9 ao século 5 a.C. A tradição dos judeus geralmente trata Obadias como um dos primeiros dos livros proféticos. A mensagem é muito parecida com a profecia de Jeremias 49:7-27, mas este fato ainda não determina a data precisa, nem qual destes profetas escreveu primeiro. Independente da data de composição, este livro ensina lições importantes.
A história dos edomitas começa em Gênesis, no relato da gravidez de Rebeca, mulher de Isaque e nora de Abraão. Deus disse para Rebeca: “Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá o mais moço” (Gênesis 25:23). Esaú foi o mais velho, e Jacó o mais novo dos gêmeos que nasceram. Durante décadas, Jacó e Esaú eram inimigos, mas, quando tiveram mais de 90 anos de idade, se reconciliaram. Seus descendentes, porém, viviam em conflito. A linhagem de Jacó, também conhecido como Israel, foi a nação escolhida por Deus para cumprir as promessas importantes feitas a Abraão. Deus cumpriu também a promessa de fazer uma nação dos descendentes de Esaú, mas os edomitas nunca tiveram a mesma importância dos israelitas.
Ao longo do Antigo Testamento, houve conflito entre estes povos. Os edomitas ocupavam um território a sudeste do mar Morto e recusaram passagem livre quando os israelitas tentaram chegar à terra prometida (Números 20:14-21). Deus não permitiu que os israelitas atacassem os edomitas nem tomassem suas terras (Deuteronômio 2:4-8). Por volta de 1.000 anos a.C., Davi subjugou os edomitas (1 Crônicas 18:12-13). Mas o filho dele, Salomão, não conseguiu manter este domínio total sobre os descendentes de Esaú (1 Reis 11:14-22). Quando os descendentes de Jacó sofreram nas mãos dos inimigos, Edom achou prazer nisso e até ajudou os adversários de Israel contra estes “irmãos” (Obadias 10-14). Foi Deus que trouxe o castigo contra Judá, mas ele não achou prazer nisso e condenou os edomitas por sua atitude. Mesmo quando Deus traz a justiça contra um malfeitor, não é motivo de comemoração, pois aqueles que amam aos inimigos como Deus o faz (Mateus 5:44-48) não acharão prazer na morte de ninguém (Ezequiel 18:32).
Apesar do seu foco no castigo dos edomitas, o livro de Obadias traz uma mensagem de esperança. Este livro não desenvolve os temas messiânicos com a mesma profundidade e clareza de outros profetas, como Isaías e Daniel, mas não devemos perder a importância da sua mensagem sobre o “Dia do SENHOR” que traria justiça contra os inimigos de Deus e paz para seus servos fiéis. Obadias não oferece detalhes, mas termina com uma confiante afirmação da soberania de Deus: “... o reino será do SENHOR”(Obadias 21).