terça-feira, 1 de março de 2016

D A N I E L

O    L I V R O    D E    D A N I E L

O Livro de Daniel é um livro do Antigo Testamento da Bíblia, cujo título é derivado do nome do profeta.  A autoria do livro é atribuída tradicionalmente a Daniel; Cristo também apoia esta posição em Mateus 24:15-16. Nas bíblias cristãs, como por exemplo na Tradução Brasileira da Bíblia, vem depois do Livro de Ezequiel e antes do Livro de Oseias. Alguns trechos são escritos em hebraico (1:1-2:3; 8:1-12:13) e a maioria em aramaico (2:4-7:28), havendo também as adições em grego (versículos 24 a 90 do cap. 3 e caps. 13 e 14) não encontradas na versão da Bíblia proposta por Lutero
Daniel tinha três amigos: Hananias, Misael e Azarias (também chamados Sadraque, Mesaque e Abedenego, respectivamente) que foram lançados na fornalha de fogo, mais não se queimaram pois Deus estava com eles.
Contém uma linguagem conhecida pelos estudiosos bíblicos como sendo "apocalíptica", que é cheia de símbolos vivos para representar pessoa(s) ou evento(s) futuro(s). Contém basicamente seis histórias de Daniel e seus amigos judeus, quando estavam na corte do rei Nabucodonosor, e mais quatro profecias, únicas em estilo no Antigo Testamento.
O livro possui duas versões, sendo que a versão utilizada pela Igreja Católica conta com adições em grego (versículos 24 a 90 do cap. 3 e caps. 13 e 14), encontradas na Septuaginta, mas não encontradas na Bíblia Hebraica e no Antigo Testamento das Igrejas que adotam a Bíblia proposta por Lutero.

ORIGEM
Pela singularidade de seu estilo e conteúdo o livro é alvo de críticas e especulações diversas a respeito de sua origem. De maneira semelhante aquilo que se vê em relação a escritos antigos não há consenso quanto a origem do texto.
Para alguns trata-se de um escrito apocalíptico, que surgiu no séc. II AC, na época em que o rei Antíoco IV queria acabar com a cultura, costumes e religião dos judeus, e por isso perseguia quem não se sujeitava aos padrões e costumes da cultura grega. A finalidade do livro é sustentar a esperança do povo fiel e, ao mesmo tempo, provocar a resistência contra os opressores. Para uma correta compreensão deste livro, é importante lê-lo junto com os livros dos Macabeus.

TEMAS CENTRAIS
Equilíbrio alimentar e seu benefício (cap. 1)
Revelação e interpretação do sonho do rei (cap. 2)
Adoração verdadeira e a falsa (cap. 3)
Segundo este livro, todos os outros poderes, por maiores que sejam, podem ser derrubados pela ação daqueles que acreditam ser Deus o único absoluto (Dn 2:31-47). O livro de Daniel foi escrito na Babilonia e as pessoas importantes deste livro são Sadraque, Mesaque, Abede-nego,Daniel, Nabucodonosor, Belsazar e Dario.

ESTRUTURA LITERÁRIA
Estrutura literáriaO livro é organizado basicamente em duas seções: uma histórica e a outra profética ou apocalíptica.
Seção histórica - Na primeira parte (Dn 1-6), contam-se histórias passadas sob o domínio dos persas, mostrando como Daniel e seus companheiros resistiram aos poderosos do império e permaneceram fiéis à sua religião; assim foram salvos por Deus.
cap. 1 - Daniel e seus companheiros a serviço de Nabucodonosor;
cap. 2 - o Sonho da Estátua;
cap. 3 - a adoração da estátua de ouro e os três companheiros de Daniel na fornalha;
cap. 4 - a loucura de Nabucodonosor;
cap. 5 - o festim de Baltazar;
cap. 6 - Daniel na cova dos leões.
Em todos esses casos Daniel e seus companheiros saem triunfantes de uma provação e os pagãos glorificaram a Deus que os salvou.
Seção profética - Na segunda parte (Dn 7-12), em linguagem figurada, própria da apocalíptica, o autor divide a história em etapas, mostrando o conflito entre as grandes potências. Ressalta que se aproxima a última etapa da história: o Reino de Deus está para ser implantado; por isso, é preciso ter ânimo e coragem para resistir ao opressor, permanecendo fiel, ou seja contém as seguintes visões:
cap. 7 - as quatro feras;
cap. 8 - o bode e o carneiro;
cap. 9 - as setenta semanas;
caps 10 a 12 - Tempo da cólera e Tempo do fim, além das disputas do Rei do Norte com o Rei do Sul.

SINGULARIDADE DAS VERSÕES DEUTEROCANÔNICAS
As partes deuterocanônicas contém:
Versículos 24 a 90 do cap. 3: Salmo de Azarias e o cântico dos três jovens;
cap. 13 - a história de Susana;
cap. 14 - as histórias de Bel e da serpente sagrada, que são sátiras da idolatria.

CRÍTICAS
David Plotz, da revista Slate, classificou este livro como tardio, curto, e não muito importante.

PROFECIAS
Profecia da estátua de Nabucodonosor
Profecia dos quatro animais
Profecia das 70 semanas
NOTAS
Entretanto, cabe observar que este livro é relacionado como escrito profético no Antigo Testamento das bíblias cristãs, diferentemente do que ocorre na Bíblia Hebraica, na qual é relacionado entre Ester e Esdras como outros escritos (Bíblia de Jerusalém (Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.245)

REFERENCIAS
 A Bíblia de Jerusalém (cit., pp 1.244-1.245) sustenta que os 39 primeiros versículos do capítulo 11 testemunham as guerras entre Selêucidas e Lágidas e uma parte do reinado de Antíoco Epífanes, e que, portanto, o livro teria sido composto durante as perseguições promovidas por Antíoco Epífanes e antes da vitória da insurreição dos Macabeus, ou seja, entre 167 e 164 AC.
Sustenta-se que foi escrito em 164 AC, em Apocalíptica, acessado em 21 de agosto de 2010
 A Tradução Ecumênica da Bíblia (Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.358), sustenta que o livro foi escrito final de 164 ou no início de 163 AC.



INTRODUÇÃO APOCALÍPTICA DO LIVRO

O livro de Daniel é um dos mais conhecidos, ao menos sua parte histórica; entretanto é dos mais complexos e de difícil interpretação do Antigo Testamento. O livro fala sobre um jovem, levado à força para a cidade da Babilônia para integrar-se à equipe diplomática do Império. Daniel teve muito êxito e esteve no topo da pirâmide organizacional da Babilônia, mesmo quando o Império sofreu sua derrocada.
Tal qual Ezequiel, o livro de Daniel também faz parte da literatura apocalíptica, pois utiliza-se de visões misteriosas para transmitir a mensagem divina de que os reinos deste mundo não estão fora do domínio de Javé. Além disso, Daniel não pode ser enquadrado como um profeta clássico, no sentido estrito do termo, pois ele não condena o comportamento pecaminoso, nem recomenda a guarda da Lei da Aliança. Os eruditos hebreus entenderam dessa forma e na Bíblia hebraica não o colocam entre os demais profetas, mas junto com os livros de Esdras-Neemias, Crônicas e os livros poéticos na seção chamada de “Escritos”.
Conforme as datas citadas no livro, Nabucodonosor levou os israelitas cativos em 605 a.C.  O sonho interpretado por Daniel aconteceu em 603 a.C e ele continuou na elite do governo até o primeiro ano do rei Ciro (Dn. 1:21; 538 a.C.). Daniel ainda recebeu uma revelação no terceiro ano do governo de Ciro (10:1; 536 a.C.), quando encerrou suas atividades nos impérios babilônico e persa.
Mas, apesar de Daniel narrar acontecimentos relativos ao século VI a.C. muitos eruditos afirmam que a obra foi composta no século II a.C. entre os anos de 168 a 164.  A razão para esta conclusão é a citação dos reinos do Norte e do Sul que coincidem com a história do período grego no Oriente Médio que abrange os séculos IV a.C. ao II a.C.
Aqueles que apoiam esta data adiantada baseiam-se no fato de Daniel ser uma literatura apocalíptica. Este tipo de literatura, entre outras características, eram:
Pseudonímia – atribuir à uma obra o nome de um personagem famoso do passado para transmitir credibilidade.
Vaticinium ex eventu – produzir uma obra literária remetendo ao passado como se o autor vivesse antes deles.
Estas características compõem a literatura apocalíptica extra bíblica do século II a.C. ao século II d.C. O livro de Daniel traz acontecimentos precisos do ano 168 a.C. e, por isso, alguns estudiosos afirmam se tratar de um autor contemporâneo que escreveu estes registros pouco tempo depois.
Outra característica apocalíptica presente em Daniel são os fatos extraordinários tais como o livramento da fornalha dos amigos de Daniel (cap. 3) e a mão que escreveu na parede no banquete de Belsazar (cap. 6). A literatura extra bíblica deste período era rica neste tipo de narrativa.
Apesar de Daniel compartilhar algumas das características da literatura apocalíptica extra bíblica o livro de Daniel diferencia-se em certos aspectos e não é simples determinar todos os aspectos da literatura apocalíptica. Um problema em considerar Daniel uma produção do século II a.C. está no estabelecimento da data, pois o período entre 168 – 164 a.C. são um período muito curto de tempo para produzir, copiar e distribuir um livro, sem mencionar o processo de canonização pela comunidade judaica.
Outros fatos que depõem contra a data avançada de Daniel:
O uso do aramaico no livro de Daniel sugere um período anterior ao século II a.C.
A inclusão de Daniel na Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento)
A presença de Daniel nos manuscritos do Mar Morto (II a.C.)
A Babilônia começou a despontar no cenário mundial como uma grande potência, aproveitando a decadência do Império Assírio. O ano era 626 a.C. quando Nabopolassar, pai de Nabucodonosor, foi firmado como rei da Babilônia. O Império Assírio ruiu definitivamente, depois de 150 anos, em 605 a.C. na batalha de Carquêmis.
Após a morte de Nabopolassar, seu filho, Nabucodonosor, assumiu o reino da Babilônia e tomou os territórios que a Assíria não havia conquistado, incluindo o Reino do Sul, Judá. Neste período, os filhos do rei Josias se envolveram em muitas conspirações contra Nabucodonosor e o resultado foi o processo da deportação de parte da população de Judá em três etapas. Nesta ocasião, Daniel já estava na corte babilônica, pois fora deportado na primeira etapa em 605 a.C.
O reinado de Nabucodonosor terminou em 562 a.C., entretanto seus sucessores não foram tão competentes quanto ele e o Império Babilônico chegou ao fim em 539 a.C. quando Ciro, o persa, tomou a Babilônia sendo recebido com um herói ao invés de conquistador. Ao assumir o governo da Babilônia, Ciro permitiu que os povos conquistados voltassem e reconstruíssem sua sociedade (Ed. 1:1-4). O povo de Judá considerou isso como o cumprimento das profecias e o restabelecimento da Aliança. Aos judeus cabia apenas aguardar a restauração do governo teocrático com a capital em Jerusalém, que de fato nunca aconteceu.

ESTRUTURA DE DANIEL
O livro de Daniel pode ter o seguinte esboço:
Parte histórica
·        A preparação babilônica de Daniel – 1
·        O sonho de Nabucodonosor – 2
·        A estátua de Nabucodonosor – 3
·        O orgulho de Nabucodonosor – 4
·        A queda da Babilônia – 5
·        O decreto de Dario e livramento de Daniel – 6
Parte apocalíptica
·        Os quatro animais e os quatro impérios – 7
·        O carneiro e o bode – 8
·        As setenta semanas e a explicação de Gabriel – 9
·        Os últimos acontecimentos – 10 a 12
Cronologicamente podemos dividir o livro de Daniel da seguinte maneira:
Capítulos 1 a 6:
·        Do primeiro ano de Nabucodonosor (cap1) ao último dia de Belsazar (Cap. 5), entrando no reino de Dario (Cap. 6)
Capítulos 7 a 10
·        Primeiro ano de Belsazar (Cap. 7) ao terceiro ano de Ciro (cap. 10)
Tomando-se por base a perseguição dos persas aos judeus temos o seguinte resultado:
·        Capítulos 1 a 5 – perseguição crescente da religião judaica: ordem para adora a estátua de Nabucodonosor (Cap. 3); profanação dos objetos do Templo (Cap. 5)
·        Capítulos 6 a 12 – Daniel lançado na cova dos leões (Cap. 6); profanação do Templo e do Altar (Caps. 8 a 12).
No capítulo 1 Javé honra a demonstração de fé que Daniel e seus amigos tiveram. No capítulo 2 o conteúdo do sonho e a interpretação dada por Daniel refletem a soberania de Javé sobre todas as nações. Entretanto ainda não havia chegado o tempo do domínio pleno do Senhor, de fato uma mensagem desanimadora para os cativos. Contudo a interpretação principal era que todos os Impérios mais poderosos ruiriam, e seriam superados pelo reino Eterno de Javé que jamais será destruído (2:44). Esta mensagem de esperança certamente sobrepunha o desânimo dos judeus.
O capítulo 3 deixa subentendido que a inspiração para a estátua de Nabucodonosor tenha vindo do seu sonho e mais uma vez a fé tem como resposta o livramento. Um destaque importante é que o texto deixa claro que o poder e soberania de Deus não serão ameaçados caso o livramento não tivesse acontecido.
Os capítulos 4 e 5 mostram que Javé detém o controle das nações muito além de apenas possuir um roteiro pré-fabricado, podendo interferir na história quando se faz necessário.
O capítulo 6 narra os planos dos gentios para eliminar Daniel em virtude de suas práticas religiosas. Neste episódio até mesmo o rei persa declara a soberania do Deus de Daniel (v. 16).
O capítulo 7 enfatiza a perversidade generalizada dos reinos, especialmente o quarto. Entretanto, após o período de adversidade, o Reino de Deus será instaurado para sempre (v. 16-18, 27).
No capítulo 8 lemos sobre o orgulho do rei e seu programa de perseguição em massa. O capítulo 9 indica que a restauração total viria lentamente, o que não queria dizer que Javé não estivesse no controle. Outra revelação feita era que, ao contrário do que os cativos que retornaram do exílio esperavam, a situação iria piorar ainda mais.
Os capítulos 10 a 12 tratam sobre o fim dos reinos das nações. Os santos não sabem quando todas as essas coisas acontecerão, pois, sua tarefa é perseverar até que o tempo de Deus para as nações se cumpra.

PROPÓSITO E CONTEÚDO
O livro de Daniel menciona os seguintes assuntos:
O exercício da fé em um mundo agressivo
Javé está no controle da política internacional
O PROPÓSITO DE DEUS EM LIVRAR SEU POVO
O livro aborda do começo ao fim a soberania de Javé sobre as nações. Esta soberania se manifesta de forma espiritual e política. A vida de comunhão com Javé de Daniel e seus amigos é realizada em meio à hostilidade cada vez mais crescente. Em meio à arrogância, crueldade e orgulho dos reis das nações, Javé os faz curvarem-se à sua vontade e soberania.
As visões de Daniel destacam a soberania política de Deus sobre as nações para que os judeus exilados pudessem ter suas esperanças renovadas. A leitura dos profetas pré-exílicos durante este período levou os cativos a crerem que o Reino de Deus seria estabelecido plenamente após o retorno do cativeiro de setenta anos.
O livro de Daniel corrige esta distorção hermenêutica e afirma que apesar do retorno acontecer, isso não deve ser confundido com o estabelecimento do Reino de Deus. Na verdade, haveria mais setenta semanas de anos até que isso acontecesse.
Enquanto a inauguração do Reino de Deus não acontecesse os judeus deveriam aprender a viver sob perseguição e depender somente da soberania divina durante a queda e ascensão dos reinos das nações, pois o programa de Deus não pode ser detido, entretanto eles deveriam se preparar para uma resposta a longo prazo.
Portanto, o livro de Daniel não deve ser encarado como um calendário que marca eventos do fim dos tempos, mas encararmos sua mensagem principal que é a promessa de Deus, o soberano que governa a história do mundo, de estabelecer o seu Reino.

O REINO DE DEUS
O livro de Daniel destaca o Reino de Deus como plano final para o mundo. Embora Javé já domine em um Reino eterno (4:3,34,35), o capítulo 2 apresenta a ideia de um Reino indestrutível (2:44). Este Reino foi dado ao Filho do Homem, que, apesar de não haver maiores informações no livro, podemos identificá-lo como Jesus, pois este texto contém um forte teor messiânico, mesmo que os leitores originais não tivessem uma clara noção disso. Filho do homem será inclusive o título que Jesus adotará para si no Novo Testamento.
Como uma espécie de antítese, os Reinos humanos são retratados como temporais e limitados. Daniel percorre os principais reinos do mundo conhecido:
Babilônia – Caps. 4 e 5
Medo-Persa e Grécia – Cap. 8
Grécia – Cap. 11
O modelo apresentado de quatro reinos não é detalhado, embora Nabucodonosor seja identificado com o primeiro Reino (2:38) e os outros dois reinos mencionados (Medo-persa e Grego) sejam deduzidos como dois dos três restantes. Entretanto este mapeamento perde importância ao considerarmos que o propósito principal é destacar a eternidade e proximidade do Reino de Deus com a temporalidade dos reinos humanos.

O ORGULHO E A REBELIÃO
O orgulho dos reis das nações é um tema recorrente no livro de Daniel. Nabucodonosor com sua estátua de ouro e seu orgulho arquitetônico (cap. 3), bem como o orgulho demonstrado por Belsazar ao profanar os objetos do Templo (5:18-23) são exemplos de como esta atitude desagradou a Deus. Outros exemplos de orgulho podem ser vistos no decreto de Dario, nos atos do quarto animal da visão de Daniel no capítulo 7, no pequeno chifre do capítulo 8, no príncipe do capítulo 9 e no reino do Sul no 11.
O livro descreve o orgulho como a causa da queda destes reis; e, em contrapartida, a razão da queda e julgamento de Judá foi a rebelião contra Javé. Portanto, o orgulho das nações era comparável com a rebelião e desprezo de Judá pelo código da Aliança (a Lei de Moisés).
Daniel alerta ao povo cativo que suas angústias não terminarão após a volta do exílio; e, embora os pecados das gerações anteriores tenham sido julgados, os judeus ainda não haviam atingido a maturidade esperada por Javé, por isso sua aflição e agonia continuariam. Entretanto, em meio às tribulações o Senhor deu-lhes a esperança da ressurreição (12:2) e os encorajou a permanecerem firmes durante este período de purificação e renovo (12:10-13).



INTERPRETAÇÕES DE ALGUMAS VISÕES DE DANIEL

Este livro é chamado de o Apocalipse do Antigo Testamento, todavia o valor religioso deste Livro, a sua revelação do Plano de Deus, a sua promessa da vinda de Cristo, e todas as lições morais e espirituais, que a Igreja, em todos os tempos, tem recebido por meio de suas páginas, devem julgar-se independentes de qualquer conclusão sobre o tempo em que foi escrito e a respeito do seu autor.

·        CAPÍTULO 2.31-45 – O SONHO DOS IMPÉRIOS MUNDIAIS
             O Rei Nabucodonozor teve um sonho e a sua interpretação nos ensinam coisas interessantes acerca da história do mundo, desde àquela época até o fim dos tempos. A esse período a Bíblia chama de “tempo dos gentios”, por que Deus colocou de lado, por algum tempo, Seu próprio povo, os judeus, e entregou o governo do mundo aos gentios. Deus revelou em sonho a um monarca pagão, o Seu plano do futuro, (2.29). Imagine uma grande estátua; a cabeça de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e os quadris de bronze, e as pernas de ferro com os pés e os dedos de ferro e barro. Vemos então uma Pedra cortada sem auxílio de mãos, ferindo a estátua, quebrando-a em pedaços. E a Pedra se tornou em uma grande montanha que encheu a terra. (Essa pedra outro não era, senão Jesus Cristo).
Primeiramente Deus revela as potências gentias. Quatro grandes delas se sucederiam no governo do mundo, começando por Nabucodonozor até o fim. Deus diz: “Tu és a cabeça de ouro”, o Império Babilônico (605-538AC); o poder de Nabucodonozor era absoluto, podia ele fazer o que queria (5.19).
             O peito e os braços de prata representam o Império Medo-Persa (538-330AC); este reino era inferior ao primeiro, porque seu monarca dependia do apoio da nobreza, e não podia fazer o que desejava como demonstra a incapacidade de Dario de livrar Daniel (6.12-16). Esse império era duplo, compostos da Média e da Pérsia, que derrubara a Babilônia e a ela sucedera, sob o comando de Ciro, cujo reinado voltou os judeus a Jerusalém. Esdras 1.1-2.
             O ventre e os quadris de bronze simbolizavam o Império da Grécia (330-30AC), que por sua vez, derrubara os Medo-Persas. Apresenta o quadro do domínio grego “sobre toda a terra”, sob Alexandre Magno, o Grande. O governo de Alexandre foi uma monarquia apoiada pela aristocracia militar tão fraca quanto às ambições de seus chefes. Este império foi mais tarde foi divido em quatro partes (7.6; 8.8).
              Daniel explica o que cada metal representa. Em 2.38 diz nos ele que a cabeça de ouro é a Babilônia. Em 8.20 descobrimos que a seguir vem os Medo-Persas. Em 8.21, Daniel declara que a Grécia sucederia a Pérsia, e em 8.23-24, indica que uma quarta potência mundial. Daí em diante encontramos um reino sempre dividido e um governo sempre enfraquecido em poder, representados pelos pés de ferro e barro, os quais não se ligam, e não se unificará por completo que por fim  terminará em caos. Esta potencia mundial é representado pelo Império Romano (30 aC até o regresso de Cristo). O imperador de Roma foi eleito e seu poder dependia de boa vontade do povo. Este império será dividido nos últimos dias em dez partes. A mistura de ferro e barro nos dez dedos simboliza ainda outra deterioração deste governo em uma monarquia democrática onde o monarca executa a vontade do povo. (2.41-43).
              Na Pedra cortada sem auxílio de mãos, vemos o Reino de Cristo, o qual nunca será destruído e porá fim a todos os demais reinos. Cristo virá estabelecer um reino que durará para sempre. (2.44-45). 

·        CAPÍTULO 4 – A GRANDE ÁRVORE DO SONHO DE NABUCODONOZOR
             Vemos agora Deus falar com Nabucodozor pela terceira vez em sonho da grande árvore que fora cortada (4.4-27). Era uma advertência da loucura que se adivinhada. Deus procura trazer esse orgulhoso homem ao extremo de si mesmo, que um ano depois perde a razão, vivendo como um animal do campo. Tudo aconteceu porque se havia constituído rival do Deus Todo Poderoso, dizia “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com meu grandioso poder, e para a glória da minha majestade?” (4.30). A loucura abriu os olhos de Nabucodonosor e sua consciência foi tocada, ao ponto de reconhecer a grandeza de Deus e dar testemunho de sua bondade. Aprendeu que o homem não é arquiteto de sua própria sorte.
              A grande árvore simbolizava o próprio Rei e a extensão desse reinado que foi deposto e mais tarde restabelecido novamente ao trono (4-20-23,34-37).

·         CAPÍTULO 7 – A VISÃO DOS ANIMAIS SIMBÓLICOS
              Durante o primeiro ano do reinado de Balsasar, Daniel teve uma visão de quatro animais selvagens, simbolizando os quatro reinos descritos no sonho de Nabucodonozor descrito no Capítulo Dois. No Capitulo Sete, a figura das feras mostra-nos o caráter moral desses impérios. No sonho de Nabucodonozor temos o modo de como o homem vê magnificência desses reinos, e no sonho de Daniel temos o modo de como Deus vê esses mesmos reinos.
7.17-23A primeira dessas feras é a própria Babilônia semelhante a “leão com asas”. O Profeta Jeremias comparou a Nabucodonozor, tanto ao leão como à águia (Jer.49.19-22).
 O segundo é a Persia, ou Medo-Persa, o representada pelo “urso”, animal cruel que se deleita em matar pelo prazer de matar, representado nos três reinos que este império subjugava: Lídia, Egito e Babilônia, prefigurados nas três costelas na boca do urso.
 O terceiro animal era o “leopardo”, ou pantera, animal de rapina e suas quatro asas significam rapidez, vemos aqui a Grécia com o rápido avanço das hostes de Alexandre Magno, o grande, e seu insensato amor pelas conquistas. Em apenas 13 anos ele tinha subjugado o mundo. As quatro cabeças significam as quatro divisões que este império recebeu após a morte de Alexandre.
 O quarto animal diferia dos demais, era “terrível e cruel, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro”. A besta não descrita representa o Império Romano e seus dez chifres, os dez reinos em que será dividido nos últimos tempos e destes chifres, saí outro, o qual será o anticristo. Os dias destes dez chifres testemunharão a vinda de Cristo com poder e glória, o qual destruíra esse grande sistema mundial e seu governante, também descrito no livro de Apocalipse 13 e 19. 

·        CAPÍTULO 8 – O PEQUENO CHIFRE
            O Anjo Gabriel explica a visão, tornando a sua explicação histórica um assunto simples. O Império dos Persas, estabelecido por Ciro, durou de 538 até ao ano de 333AC, em que foi destruído por Alexandre Magno, e na idade de 32 anos este conquistador morreu (o simbolizado chifre quebrado), que havia estabelecido domínio quase universal, e não tendo deixado herdeiro, seu grande império foi repartido entre seus generais. Depois de vinte anos de rivalidades e lutas, estabeleceram-se quatro reinos: Macedônia e Grécia, Trácia e Betínia, Egito e Síria, sendo dada à parte oriental com a Babilônia e Seleuco. Por esta razão viveu a Judéia sob o governo dos reis seleucidas, e destes foi Antíoco Epifanes o nono (175 a 164 AC), prefigurado na profecia pelo “pequeno chifre”.
           O “pequeno chifre” subindo dentre os outros dez também é representado pelo “anticristo” que está por vir, como descrito no Livro de Apocalipse, como a “besta que sobe do mar”, a mesma visão descrita em Dan.7.15-25, onde os santos serão oprimidos por ele,e ele exercerá grande poder sobre o mundo.

·        CAPÍTULO 8 – O CARNEIRO R O BODE
           As perseguições aos judeus resultaram numa revolta, chefiada por Judas Macabeu, e na reconsagração do Templo em 165, cerca de três anos depois da profanação do Templo. Antíoco Epifanes morreu alguns meses mais tarde.
           Temos em Daniel 8.20-21, dois anos mais tarde, outra visão: a do Carneiro e do Bode. Belsasar ainda estava no trono. Essa visão inclui apenas dois dos quatro reinos: Pérsia e Grécia. Essa visão contem a profecia deste último reino entre os quatro generais de Alexandre, o Magno, visão esta tida em Susã, capital da Pérsia, onde 70 anos mais tarde se deram os acontecimentos narrados no Livro de Ester.
           O Carneiro Bicorne representa o Ímpério da Média e Pérsia e o Bode representa o Império Grego que destruiu a Pérsia. O Corno Notável entre os olhos do bode representa Alexandre Magno, governante do Império Grego e os quatro cornos que surgiam, simboliza, representa as quatro divisões do Império de Alexandre, após sua morte.
O Corno Pequeno que surge de uma das divisões do Império de Alexandre é o Rei Sírio Antioco Epifânio, que na sua feroz perseguição aos judeus, contaminou o santuário e procurou abolir a religião judaica, também uma personificação do anticristo que está por vir. Dan. 11.36, 12.11.

·        CAPÍTULO 9 – AS 70 SEMANAS DE DANIEL
           “Setenta semanas estão destinadas para o teu povo, e sobre a tua santa Cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos”.
            Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas: as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido, e já estará; e o povo de um príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.
             Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que  a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele” Daniel 9.24-27).
             A palavra “Semana” é usada para significar período de 7 anos. Sendo que:
70 Semanas = 70x7 = 490 Anos
As Divisões: São divididas em três partes, com um lapso de tempo parentético para o presente “Governo Gentio”.
7 Semanas – 49 Anos, que começaram com a ordem de reconstruir Jerusalém sob Esdras e Neemias (março de 445 aC, durante o reinado de Artaxerxes, Ne 2.1-10). O período de 49 Anos provavelmente representa o tempo ocupado na construção do muro como se menciona em 9.25.
62 Semanas – 434 Anos, período em que começaram com a construção do muro de Jerusalém, e continuaram até a crucificação de Cristo. “Cristo será morto e já não estará (9.26). Neste ponto, depois de 483 Anos, o relógio da vida nacional de Israel para.
As 62 Semanas, ou 434 Anos. Depois do período de (49Anos, 62 Semanas, ou 434 Anos), ou seja, 483Anos ao todo iam passar antes da Entrada Triunfal de Cristo em Jerusalém.
70ª Semana – 7 Anos. Período este ainda não iniciado, durante os quais Deus trata exclusivamente com Israel. Começando depois da Vinda de Cristo, depois do Arrebatamento da Igreja do Senhor. O anticristo assume o poder, faz aliança com os judeus, mas rompe-a depois de meia semana, ou seja, após (Três Anos e Meio). Isso introduz o tempo de angustia mencionado em Daniel 12.1 – A Grande Tribulação do Apocalipse ( Ler Apoc.11.2,3,9 ; 12.6 ; 13.5 ).
             A tribulação do povo judeu, ao derramamento dos juízos de Deus será seguido pela Volta Triunfal de Cristo e a Restauração de Israel, que estabelecerá o período do milênio sobre a terra, antes do julgamento dos ímpios e das hostes celestiais.
             Calculando desde Março de 434aC, o ano do decreto de construir Jerusalém, levando em consideração a diferença do calendário usado naqueles dias, e dando lugar aos anos bissextos, os estudiosos têm calculado que os 483 Anos, ou as 69 Semanas, terminaram em Abril de 30 A.D, o mês e o ano exato em que Cristo entrou em Jerusalém como a Príncipe Messias (Mateus 21,1-11;12). Depois deste período o Messias será tirado. Desde então a Igreja do Senhor tem passado por um período longo a espera do arrebatamento que após este acontecimento, prosseguirá a contagem da Última Semana revelada a Daniel, o período de reconciliação dos judeus e um período de tribulação para aqueles que não o aceitaram como seu Salvador.

·        CAPÍTULO 11 – OS ÚLTIMOS DIAS
            Encontramos em Daniel 11, a visão que diz respeito ao futuro próximo do reino em que Daniel foi tão grande figura. Três reis ainda se sucederiam no Império Medo-Persas. Depois surgiria Alexandre, o poderoso rei da Grécia (11.2-3). Seu império seria dividido entre seus quatro generais, conforme já predito. O curso do acontecimento conduz-nos até Antíoco Epifanes “O Pequeno Chifre”, e sua profanação no santuário, (Daniel 8,12.11). Uma clara demonstração de como será o período da Tribulação nos últimos dias que antecedem a Volta de Cristo.
             Como descreve Daniel 12.1, será um tempo de lutas sem paralelo. Dele falou Jesus Cristo, em Mateus 24.21. Duas ressurreições são mencionadas, (Dan. 12.2), e ambas separadas por mil anos, (Apoc.20.1-6). A primeira ressurreição é a dos santos para a vida eterna, na Vinda de Cristo, no arrebatamento da Igreja. Seguir-se-ão mil anos, o Milênio, e então virá a ressurreição dos ímpios, para a vergonha eterna. “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para o horror e vergonha eterna”.







domingo, 28 de fevereiro de 2016

E Z E Q U I E L

L I V R O     D E     E Z E Q U I E L

Ezequiel é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia, vem depois do Livro das Lamentações e antes do Livro de Daniel. Possui 48 capítulos.
Ezequiel, era um sacerdote que foi chamado para profetizar durante o Exílio do povo judeu na Babilônia, tendo exercido sua atividade entre os anos 593 a 571 AC. Diz-se que fundou uma escola de profetas e que ensinava a Lei à beira do Rio Kebar que corta a cidade de Babilônia.
São curiosas as visões que o profeta teve sobre a glória de Deus e os sinais que aconteceram em sua própria vida demonstrando que as ações de Deus são fortes e marcantes. Ezequiel perdeu a sua esposa como sinal da queda de Jerusalém.
A comunidade, em meio à qual ele vivia, acreditava que em breve tudo voltaria a ser como antes, para seus contemporâneos o projeto de Deus era mero sistema que lhe dava segurança. Ezequiel, no entanto, sabe que o sistema passado estava agonizando de maneira irrecuperável, pois Jerusalém seria destruída.
Segundo ele, a sociedade sofria de doença crônica e incurável, pois havia abandonado o projeto de Javé em troca de uma vida luxuosa e fascinante. Por isso, Ezequiel vê o próprio Deus deixando o Templo (11:22-24) e largando os rebeldes ao bel-prazer dos amantes.
Isso era causa de sofrimento para o profeta, mas não de desânimo e desespero. Para ele, o futuro seria de ressurreição (caps. 36-37) e novidade radical. Com sua linguagem simbólica, Ezequiel indicava os passos para a construção do mundo novo:
Assumir a responsabilidade pelo fracasso histórico de um sistema que se corrompeu completamente, provocando a ruína de toda a nação.
Compreender que a simples reforma de um sistema corrompido não gera nenhuma sociedade nova; apenas reanima o velho sistema que, cedo ou tarde, acabará sempre nos mesmos vícios.
Converter-se a Javé, assumindo o seu projeto; e, a partir daí, construir uma sociedade justa e fraterna, voltada para a liberdade e a vida.
Com esse programa profético, vislumbrava-se um futuro novo: Deus voltaria para o meio de seu povo (43:1-7), provocando o surgimento de uma sociedade radicalmente nova. Aí todos poderão participar igualmente dos bens e decisões que constroem a relação social a partir da justiça. Desse modo, todos poderão reconhecer que a partir desse dia, o nome da cidade será: Javé está aí (48:35).
A doutrina deste profeta tem por núcleo a renovação interior: é preciso criar para si um coração novo e um espírito novo (18:31); ou ainda, o próprio Deus dará "outro" coração, um coração "novo", e infundirá no homem um espírito "novo" (11:19; 36:26).
Ezequiel dá origem à corrente apocalíptica, suas grandiosas visões antecipam as de Daniel e as do autor de Apocalipse.

PLANO DA OBRA
Introdução (relato da vocação do profeta): caps. 1 a 3:21;
Censuras e advertências antes do cerco de Jerusalém: caps. 3:22 a 24;
Oráculos contra as nações: caps. 25 a 32;
Mensagens de consolação: caps. 33 a 39;
Visão do fim do Exílio na Babilônia (caps. 40 a 48)

Autor: O profeta Ezequiel é o autor do Livro (Ezequiel 1:3). Ele era um contemporâneo de ambos Jeremias e Daniel.

Quando foi escrito: O Livro de Ezequiel foi provavelmente escrito entre 593 e 565 AC durante o cativeiro babilônico dos judeus.

Propósito: Ezequiel ministrou à geração de sua época, uma geração extremamente pecaminosa e completamente sem esperança. Por meio de seu ministério profético, ele tentou levá-los ao arrependimento imediato e à confiança no futuro distante. Ele ensinou que: (1) Deus trabalha através de mensageiros humanos; (2) Mesmo com a derrota e desespero, o povo de Deus precisa afirmar a soberania de Deus; (3) A Palavra de Deus nunca falha; (4) Deus está presente e pode ser adorado em qualquer lugar; (5) As pessoas têm que obedecer a Deus se quiserem receber bênçãos e (6) o Reino de Deus virá.

Versículos-chave:
Ezequiel 2:3-6: "Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje. Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o SENHOR Deus. Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta. Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde."

Ezequiel 18:4: "Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá."

Ezequiel 28:12-14: "Filho do homem, levanta uma lamentação contra o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas."

Ezequiel 33:11: "Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?"

Ezequiel 48:35: "Dezoito mil côvados em redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: O SENHOR Está Ali."


RESUMO
Como você pode lidar com um mundo desviado? Ezequiel, destinado a iniciar o ministério de sua vida como um sacerdote aos trinta anos, foi tirado de sua terra natal e enviado para a Babilônia com a idade de 25. Por cinco anos ele viveu em desespero. Aos trinta anos, ele teve uma visão majestosa da glória do Senhor que cativou o seu ser na Babilônia. O sacerdote/ profeta descobriu que Deus não era limitado pelas restrições estreitas da terra nativa de Ezequiel. Em vez disso, Ele é um Deus universal que comanda e controla as pessoas e nações. Na Babilônia, Deus concedeu a Ezequiel Sua Palavra para o povo. A experiência de sua chamada transformou Ezequiel. Ele se tornou avidamente dedicado à Palavra de Deus. Ele percebeu que pessoalmente não tinha nada para ajudar aos cativos em sua situação amarga, mas estava convencido de que a Palavra de Deus falava ao seu estado e poderia dar-lhes a vitória. Ezequiel usou vários métodos para transmitir a Palavra de Deus ao seu povo. Ele utilizou arte ao desenhar um retrato de Jerusalém, ações simbólicas e conduta incomum para assegurar a sua atenção. Ele cortou seu cabelo e a barba para demonstrar o que Deus faria a Jerusalém e seus habitantes.

O livro de Ezequiel pode ser dividido em quatro seções:
Capítulos 1-24: profecias sobre a ruína de Jerusalém
Capítulos 25-32: profecias do juízo de Deus sobre as nações vizinhas
Capítulo 33: uma última chamada para o arrependimento de Israel
Capítulos 34-48: profecias sobre a futura restauração de Israel

Prenúncios: Ezequiel 34 é o capítulo em que Deus denuncia os líderes de Israel como falsos pastores pelo seu mau atendimento de Seu povo. Ao invés de cuidar das ovelhas de Israel, eles cuidaram de si mesmos. Eles comeram bem, eram bem vestidos e bem cuidados pelas próprias pessoas que tinham sido colocadas sob sua autoridade (Ezequiel 34:1-3). Em contraste, Jesus é o Bom Pastor que dá a sua vida pelas ovelhas e as protege dos lobos que iriam destruir o rebanho (João 10:11-12). O versículo 4 do capítulo 34 descreve as pessoas às quais os pastores deixaram de ministrar como sendo fracas, doentes, feridas e perdidas. Jesus é o Grande Médico que cura as nossas feridas espirituais (Isaías 53:5) através da Sua morte na cruz. Ele é aquele que busca e salva o que está perdido (Lucas 19:10).

Aplicação Prática: O livro de Ezequiel nos convida a participar de um novo e vivo encontro com o Deus de Abraão, Moisés e profetas. Temos que ser vencedores ou seremos vencidos. Ezequiel nos desafiou a: experimentar de uma visão transformadora do poder, conhecimento, presença eterna e santidade de Deus; deixar Deus nos dirigir; compreender a profundidade e compromisso com o mal que se aloja em cada coração humano; reconhecer que Deus dá aos seus servos a responsabilidade de advertir os ímpios de seu julgamento e, por último, ter uma experiência genuína de uma relação viva com Jesus Cristo, o qual disse que a nova aliança pode ser encontrada em Seu sangue.


DÚVIDAS QUANTO A VERACIDADE DO LIVRO
Outro educado ateu com quem estou trocando ideias questionou a veracidade histórica da Bíblia, especialmente do capítulo 29 do livro de Ezequiel.
Ele alegou que os eventos históricos preditos pelo profeta não se cumpriram, entre eles: a invasão ao Egito liderada por Nabucodonosor e o restabelecimento do Egito ao final de 40 anos, período mencionado em Ezequiel 29:13.
Logo abaixo, lhe disponibilizo uma breve resposta que dei a ele, com o objetivo de lhe auxiliar na defesa da confiabilidade da Bíblia. Fiz pequenas adaptações e acrescentei duas citações de Ellen White, importantes para reflexão de todo ateu e dos estudantes sinceros das Escrituras.
Considerações sobre Ezequiel 29
1º: Reconhecemos que na Bíblia há certas dificuldades que só podem ser explicadas por um estudo mais detalhado, enquanto que outras serão resolvidas durante o progresso nos estudos na área da teologia, arqueologia e crítica textual.
Ellen White foi muito feliz ao comentar: “Ao mesmo tempo em que Deus deu prova ampla para a fé, nunca removeu toda desculpa para a descrença. Todos os que buscam ganchos em que pendurar suas dúvidas, encontrá-los-ão. E todos os que se recusam a aceitar a Palavra de Deus e lhe obedecer antes que toda objeção tenha sido removida, e não mais haja lugar para a dúvida, jamais virão à luz.” (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 672).
Ela continua, ao falar sobre a descrença humana:
“A desconfiança em Deus é produto natural do coração não renovado, que está em inimizade com Ele. A fé, porém, é inspirada pelo Espírito Santo, e unicamente florescerá à medida que for acalentada. Ninguém se pode tornar forte na fé sem esforço decidido. A incredulidade é fortalecida ao ser incentivada; e, se os homens, em vez de se ocuparem com as provas que Deus deu a fim de sustentar sua fé, se permitirem discutir e especular, verão que suas dúvidas se tornam constantemente mais acentuadas” (Ibidem)
2º: O evento de Ezequiel 29 é inquestionável para muitos estudiosos e não há erro histórico algum. De acordo com Norman Geilser (ex-ateu) e Thomas Howe:
“Um pequeno fragmento de uma crônica babilônica de cerca de 567 a.C. confirma tanto o registro de Josefo[historiador judeu que relata a invasão do Egito] como o relato bíblico referente à invasão do Egito por Nabucodonosor. Há ainda uma confirmação provinda da inscrição na estátua de Neshor, governador do Edito meridional sob Hofra. Nabucodonosor realmente invadiu e devastou o Egito […]” (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 288).
3º: Realmente, não há nenhum registro fora da Bíblia de um exílio de 40 anos do povo egípcio (Ez 29:13). Porém, isso não é improvável. Há muitas coisas que a ciência não pôde explicar e comprovar e, nem por isso, diremos que os cientistas são “falsos” ou “imprecisos”.
Um erro muito comum entre os críticos da Bíblia é afirmar que o que não foi explicado, é inexplicável. O fato de alguma afirmação bíblica não poder ser explicada historicamente, não significa que um dia não o possa ser.
Um cientista tem na dificuldade uma motivação para continuar pesquisando e esse é o mesmo comportamento do teólogo e arqueólogo que procuram compreender as dificuldades bíblicas. O tempo tem mostrado que essa fé e perseverança têm sido recompensadas.
Por exemplo: os críticos acreditavam que a Bíblia estava errada em mencionar o povo heteu cerca de 20 vezes (ver, por exemplo, Gn 15:20; Ex 3:8), porém, com a descoberta, na Turquia, de uma biblioteca hitita, os descrentes tiveram que se calar novamente (Geisler e Howe, p. 18).
Segundo a Andrews Study Bible (Andrews University Press, 2010), p. 1079:
“O número 40 [mencionado em Ezequiel 29:13] é uma recordação da punição daquela geração do povo de Israel que morreu no deserto, por causa sua rebelião contra Deus. O Egito caiu diante dos babilônios em 568 a.C; Nabucodonosor atacou o palácio do faraó em Tafnes, queimou os templos dos deuses egípcios, e destruiu os obeliscos de Heliópolis (Jr. 43-44).”
4º: Em Ezequiel 29:1 a 32:32 há 7 oráculos (sentenças) contra o Egito e Faraó e apenas um não é datado (cap. 30:1 em diante). O primeiro, do verso 1, é datado de 7 de janeiro de 587 a.C, de modo que não há necessidade de duvidar do texto. Além disso, os estudiosos podem confirmar os nomes de lugares e cidades citados no capítulo, o que mostra mais uma vez a veracidade histórica da Bíblia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apenas para o período de 40 anos de exílio não temos registro extra bíblico. Esse detalhe não deveria tirar nossa confiança na historicidade das Escrituras, que tem sido evidenciada (ou comprovada, como preferem alguns) cada vez mais pela arqueologia. Para que possa comprovar isso através de dados concretos, recomendo ao leitor o livro Escavando a Verdade, do arqueólogo Rodrigo P. Silva, publicado pela Casa Publicadora Brasileira (www.cpb.com.br).
Jesus Cristo, o personagem que dividiu a história, confiava na Bíblia (Lc 24:27, 44), inclusive em detalhes históricos (Mt 19:4-6; 24:38; Lc 10:12, etc). Sendo que é muito improvável uma pessoa com uma inteligência emocional tão avançada (algo comprovado pelo cientista e psicanalista Augusto Cury, em sua série “Análise da Inteligência de Cristo”) errar tão abertamente, não vemos motivos para, com base (também) em nossa confiança em Jesus, rejeitar a historicidade da Palavra de Deus.




LIMITES TEOLÓGICOS DO LIVRO
Ezequiel era sacerdote e pertencia à família sacerdotal da linhagem de Zadoque, e foi um dos que foram levados prisioneiros na primeira deportação babilônica em 597 a.C. Seu nome significa “Deus fortalece”, aliás, bem apropriado para o momento que os hebreus estavam vivendo. Sua profecia, por ser um subproduto da primeira parte do cativeiro, se diferencia do profetismo clássico pré-exílio.
O pensamento corrente em Israel é que Javé estava restrito à Palestina e ao Templo de Jerusalém. No exílio esta ideia foi posta em xeque, pois os judeus aprenderam que Javé poderia ser adorado fora dos limites da Terra Prometida.
Ele era casado e seu casamento corria bem, até que Javé anunciou a morte de sua esposa que serviria como um sinal do sofrimento que os hebreus enfrentariam.
Seu livro sempre fez parte do cânon hebraico, mas, em virtude das diferenças em relação às cerimônias do templo e das leis mosaicas (Nm. 28:11 e Ezequiel 46:6), eruditos judeus, posteriormente, chegaram a questionar sua canonicidade até que os rabinos restringiram seu uso quando as divergências fossem solucionadas na “vinda de Elias” (Ml. 4:5). O capítulo 1 foi proibido nas sinagogas e a leitura privada só era permitida àqueles que tivessem mais de trinta anos.
De acordo com a análise literária do livro de Ezequiel podemos afirmar que ele mesmo escreveu suas profecias, em virtude do uso constante dos pronomes “eu”, “me” e “meu”. O estilo e uniformidade de sua escrita e linguagem também contribuem para corroborar a tese de Ezequiel como autor único da obra que leva seu nome.
A data da produção do livro de Ezequiel é determinada principalmente em razão da evidência interna de treze profecias datadas  a partir do dia, mês e ano do exílio do rei Joaquim. Seu chamado é do ano de 593 a.C., e sua última profecia, contra o Egito, de 571 a.C. Uma vez que Ezequiel nada fala sobre a libertação de Joaquim em 562 a.C. é possível supor que o registro das suas atividades proféticas tenha ocorrido entre 571 e 562 a.C.
Quanto ao local onde deu-se suas atividades é questão de intenso debate acadêmico, pois Ezequiel é muito preciso quando cita a localização do templo em sua visão nos capítulos 8 a 11. Evidências dentro do próprio texto apontam para a Babilônia, entretanto, não há como explicar seu registro dos acontecimentos em Jerusalém estando na Babilônia, exceto pelo verso 8:3, quando Javé o arrebatou até lá.
A profecia de Ezequiel foi uma consequência dos atos políticos e religiosos do rei Manassés quando decretou o baalismo como religião oficial (2 Rs. 21:1-9). Este decreto estabeleceu, inevitavelmente, o fim da nação de Judá (2 Rs. 21:9-15; 24:3-4).
Josias, neto de Manassés, foi o último a tentar restabelecer o padrão ético, moral e religioso de Judá, quando o livro da Lei (provavelmente Deuteronômio) foi redescoberto (2 Rs. 22:3-13). Entretanto, com a morte de Josias em 609 a.C. (2 Rs. 23:28-30; 2 Cr. 35:20-27), pelo faraó egípcio Neco, sua tentativa não teve continuidade.
Após este episódio, todos os demais reis de Judá foram marionetes dos reinos que procuravam dominar a região da Palestina, que não obedeceram às regras da Aliança e não se arrependeram de seus atos, mesmo com grande volume de mensagens proféticas. O cronista vê nesta situação um caminho sem retorno (2 Cr. 36:15-16).
O faraó Neco deixou os filhos de Josias, Jeoacaz e Eliaquim, como vassalos do Egito, porém Jeoacaz foi destituído por insubordinação (2 Rs. 23: 31-35). Então Eliaquim, também chamado de Jeoaquim, governou Jerusalém por onze anos (2 Rs. 23:34 – 24:7), cujo governo Jeremias avaliou como corrupto, idólatra, com injustiças sociais, assassinatos, roubos, extorsão e abandono da Aliança com Javé (Jr. 22:1-17).
Em 605 a.C. na batalha de Carquêmis, o Egito fugiu diante da Babilônia (2 Rs. 24:7) e Judá teve que pagar tributo a  Nabucodonosor. Porém Jeoaquim rebelou-se contra a Babilônia e o resultado foi o cerco de Jerusalém em 598-597 a.C. quando Jeoaquim morreu. Joaquim, seu filho, governou em seu lugar por apenas três meses até que os babilônios invadiram e destruiriam a cidade (2 Rs. 24:1-17).
A partir daí a família real e outras 10 mil pessoas da elite judaica foram levadas para a Babilônia, e, entre elas estava Ezequiel, que aproveitou o exílio de Joaquim para datar muitas de suas profecias aos hebreus deportados (Ez. 1:1-3; 8:1).

ESTRUTURA DE EZEQUIEL
O livro de Ezequiel pode ser dividido em três partes, da seguinte forma:
CONTRA JERUSALÉM:
O chamado de Ezequiel – 1 a 3
Símbolos e oráculos I – 4 a 7
Visão de Jerusalém – 8 a 11
Símbolos e oráculos II – 12 a 15
Adultério – 16
Parábola – 17
Responsabilidade pessoal – 18
O lamento da leoa – 19
Rebelião – 20 a 22
As duas prostitutas – 23
A panela – 24
Contra as nações – 25 a 32
A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL
Símbolos e oráculos – 33 a 35
Os montes de Israel são confortados – 36
Ossos secos – 37
Contra Gogue e Magogue – 38 e 39
A restauração do Templo – 40 a 43
Cerimônias e rituais do Templo – 44 a 46
As fronteiras e a divisão de Israel – 47 e 48
Treze oráculos de Ezequiel são datados, e tudo indica que foram transmitidos oralmente (3:10-11; 14:4; 20:27; 24:1-3; 43:10) aos habitantes hebreus da Babilônia e registrados posteriormente. Uma evidência pode ser a falta de ordem cronológica em alguns oráculos, que pode indicar que o próprio Ezequiel tenha compilado este livro, pois um organizador distinto teria provavelmente se preocupado com a organização cronológica.
Em termos de estilo Ezequiel incorpora discursos proféticos, poesia, e drama. Este último quesito, inclusive, choca o povo exilado com uma linguagem por vezes grosseira quando utiliza o simbolismo da prostituição nos capítulos 16 e 23. Outros recursos estilísticos usados por Ezequiel foram a alegoria e a teatralização simbólica, rejeitados pelos cativos (Ez. 20:49). As alegorias de Ezequiel tinham por objetivo representar de forma simples a queda de Jerusalém, que aconteceria em breve, e o fim da nação de Judá. As dramatizações simbólicas tinham o mesmo objetivo. Estas encenações dramáticas reforçavam as profecias de julgamento que Javé prometera. Abaixo estão relacionadas estas encenações:
Texto
Encenação
Significado
4:1-3
Desenha a cidade de jerusalém em um tijolo
A cidade será cercada
4:4-8
Deita-se sobre seu lado esquerdo por 390 dias e sobre o direito por 40 dias.
Os anos de pecado e a punição de Judá
4:9-17
Come alimentado controlado e cozido em fezes
Fome em Jerusalém à época do cerco
5:1-12
Raspa a cabeça com uma espada e divide em três partes iguais com destinos distintos
O destino dos que ficaram em Jerusalém à época do cerco
12:1-12
Cava um buraco na parede e passa levando bagagens do exílio
O exílio será inevitável
21:18-23
Traça duas estradas das quais uma leva a Jerusalém. O rei decidiria por meio de sortes qual caminho seguir
Javé levaria o rei da Babilônia para Jerusalém
25:15-24
Morte da sua esposa
O povo escolhido morreria ou seria exilado

A estrutura das profecias de Ezequiel aponta para a soberania de Javé. Os capítulos 1 a 24 refletem o julgamento que recaiu sobre Jerusalém em 586 em virtude do descumprimento da Aliança por parte do povo hebreu. Estes oráculos foram importantes para Israel em um período posterior pelos seguintes motivos:
O SIGNIFICADO DA DESASTROSA HISTÓRIA DE ISRAEL
O povo deveria encarar com seriedade os julgamentos de Javé e pautar sua vida pela obediência
Os oráculos de julgamento são uma introdução à salvação dita por Ezequiel em 33:1 a 34:24
A esperança futura dos exilados está relacionada à responsabilidade no presente.
Os capítulos 25 a 32 tratam sobre os oráculos contra as nações indicando que Javé é soberano sobre o povo escolhido, mas também sobre todas as nações ao redor. Estes oráculos dirigem-se principalmente a Tiro (26:1 – 28:19) e Egito (29 – 32). Mas as nações de Amon, Moabe, Edom, Filístia também seriam atingidas pelo julgamento de Javé (25). Nesta seção há uma grande ênfase na morte (26:19-21; 28:8; 31:14-18; 32:18-22) em contraste com a promessa de vida para Israel (33).
Os capítulos 33 a 48 ressaltam a renovação da Aliança e a restauração do governo davídico em Israel. A visão sobre o novo templo reafirma a soberania de Javé em Israel por causa do seu Santo Nome (Ez. 36:22-32). A repetição por 90 vezes da expressão “e vocês saberão que eu sou o Senhor” indica a certeza do juízo e a garantia que tudo que o Senhor prometera se cumpriria.
PROPÓSITO E CONTEÚDO
O livro de Ezequiel abrange os seguintes temas:
A soberania de Javé sobre Israel e as nações
O exílio como punição pela idolatria
Relação entre o indivíduo e o grupo
Fidelidade de Javé às suas promessas da Aliança
A responsabilidade individual e o julgamento divino
Restauração de Israel sob o governo davídico
            .
A estrutura na qual o livro de Ezequiel se apoia reflete as três etapas de seu ministério com os hebreus deportados para a Babilônia e se constitui em uma defesa do julgamento que Javé executara em Judá. Os capítulos 1 a 24 formam a base de sua mensagem. Estes capítulos tratam da queda de Jerusalém, que estava por vir, onde Ezequiel, como atalaia do Senhor, tinha três funções:
advertir uma geração de pecadores que não se arrependeram de que o julgamento estava muito próximo – 2:3-8
destacar a responsabilidade de cada uma das gerações pelo pecado – 18:20
chamar ao arrependimento – 18:21-23, 32
Quando Judá foi destruída em 586 a.C. Ezequiel abordou, entre os capítulos 25 a 32, o julgamento que Javé daria às nações vizinhas por terem ficado contentes com a capitulação de Jerusalém. Por isso, o Senhor vingaria estas nações com sua ira (Ez. 25:1-11). Desta forma, Israel veria que Javé era realmente justo e soberano sobre todas as nações (Ez. 28:24-26).
Nos capítulos 33 a 48, Ezequiel trata sobre a restauração do seu povo sob uma aliança de paz por meio do pastor davídico (Ez. 34:20-31). Javé, que é fiel à sua palavra e à promessa da aliança, unificaria Judá e Israel em uma só nação, representada pelo pedaço único de madeira, que seria governada pelo Messias davídico (Ez. 37:15-28).
FILHO DO HOMEM
Apenas os livros de Daniel e Ezequiel trazem esta expressão. Entretanto, em Daniel temos apenas uma única ocorrência (Dn. 8:7), para ressaltar a origem humana do mensageiro em comparação com a divindade da mensagem. Em Ezequiel, contudo, esta expressão é utilizada por cerca de noventa vezes, todas elas dirigindo-se de Javé para Ezequiel no contexto de uma convocação, e não deve ser comparado com o título que Jesus atribui a si mesmo no Novo Testamento.
Este título destaca o papel de mero mortal de Ezequiel e seu ministério para com os exilados na Babilônia e com os que ficaram em Jerusalém.  Seu estilo de vida exótico foram autorizados por Javé como uma espécie de tratamento de choque para um povo de coração e entendimento endurecidos pelo pecado. Seu comportamento não convencional serviria para denunciar que um profeta esteve no meio deste povo.
AS VISÕES DA CARRUAGEM CÓSMICA
As visões de Ezequiel ressaltaram a soberania de Javé sobre o mundo e destacaram o conhecimento que o profeta tinha deste papel cósmico que o Senhor desempenhava. A escatologia presente nestas visões indicavam para o povo que as promessas de Deus se cumpririam, pois os ossos secos tornariam à vida.
O livro de Ezequiel inicia-se com uma dessas impressionantes visões, na qual Deus chega numa tempestade de fogo, sentado num trono sustentado por criaturas celestiais. Ao lado de cada um destes seres celestiais havia uma espécie de mecanismo feito por engrenagens que que moviam o trono em todas as direções. Esta visão mesclava elementos israelitas e algumas ideias do Antigo Oriente, agora conhecidas dos cativos.
Este aparelho celestial, uma espécie de carruagem cósmica, é citada novamente nos capítulos 8 a 11, que tratam sobre a destruição de Jerusalém. O dispositivo para no átrio do templo (10:3) e o fogo aceso na base (1:13) é usado para incendiar a cidade (10:2). Os seres celestiais são chamados de querubins  (10:1-3) para reforçar a ideia dos querubins imóveis da arca da aliança que ficava no Templo (9:3). O Senhor sobe no trono móvel e abandona Jerusalém para sua destruição (10:18-19; 11:22-23).
Uma explicação detalhada sobre esta visão desafia nossa lógica, contudo, podemos afirmar que o objetivo primordial era mostrar que Javé estava no controle absoluto do universo, pois seus olhos estavam voltados em todas as direções. A característica motora de seu trono simbolizava sua presença em todos os lugares. Portanto, o povo cativo poderia ter certeza de que o Senhor estava com eles na Babilônia.
A RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL
Ezequiel apela para o conceito da responsabilidade individual (Cap. 18), pois a geração do exílio culpou seus ancestrais pela calamidade que se abateu sobre Judá, consequência do julgamento de Javé. Ao reagir desta maneira, o povo hebreu concluiu que o julgamento do Senhor era injusto.
Na verdade esta era uma interpretação incorreta de Ex. 20:5 e Ex. 34:7, que, embora trate sobre o castigo do pecado da terceira e quarta gerações, foi mal aplicado  pela justificação de seu próprio pecado baseado no pecado das gerações anteriores. Ezequiel corrigiu esta distorção interpretativa lembrando os hebreus de que cada geração, e individuo, é também responsável pelo próprio pecado (Dt. 24:16).
Ao abordar a responsabilidade individual Ezequiel rompeu com a teologia daquele tempo, sem contudo negar a solidariedade comunitária hebraica. Afinal alguns Salmos, tal qual o 51, de Davi, afirma a individualidade da fé. Portanto Ezequiel estava apenas reequilibrando os conceitos da responsabilidade coletiva e individual.
LITERATURA APOCALÍPCA
Ezequiel contribuiu muito para o desenvolvimento do estilo literário apocalíptico,  constituindo uma nova etapa no processo profético. Com suas visões (caps 1-3 e 8-11), símbolos e êxtases arrebatadores (8:1-4; 40:1-4) apontando para uma redenção escatológica mediante o julgamento das nações por Javé (caps. 25-32),  Ezequiel esteve na vanguarda do cenário literário apocalíptico que ganharia destaque no pós-exílio.
Ezequiel também serve como ligação entre o mini apocalipse de Isaías no pré-exílio (caps. 24-27) e a apocalíptica de Daniel no exílio.