domingo, 28 de fevereiro de 2016

E Z E Q U I E L

L I V R O     D E     E Z E Q U I E L

Ezequiel é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia, vem depois do Livro das Lamentações e antes do Livro de Daniel. Possui 48 capítulos.
Ezequiel, era um sacerdote que foi chamado para profetizar durante o Exílio do povo judeu na Babilônia, tendo exercido sua atividade entre os anos 593 a 571 AC. Diz-se que fundou uma escola de profetas e que ensinava a Lei à beira do Rio Kebar que corta a cidade de Babilônia.
São curiosas as visões que o profeta teve sobre a glória de Deus e os sinais que aconteceram em sua própria vida demonstrando que as ações de Deus são fortes e marcantes. Ezequiel perdeu a sua esposa como sinal da queda de Jerusalém.
A comunidade, em meio à qual ele vivia, acreditava que em breve tudo voltaria a ser como antes, para seus contemporâneos o projeto de Deus era mero sistema que lhe dava segurança. Ezequiel, no entanto, sabe que o sistema passado estava agonizando de maneira irrecuperável, pois Jerusalém seria destruída.
Segundo ele, a sociedade sofria de doença crônica e incurável, pois havia abandonado o projeto de Javé em troca de uma vida luxuosa e fascinante. Por isso, Ezequiel vê o próprio Deus deixando o Templo (11:22-24) e largando os rebeldes ao bel-prazer dos amantes.
Isso era causa de sofrimento para o profeta, mas não de desânimo e desespero. Para ele, o futuro seria de ressurreição (caps. 36-37) e novidade radical. Com sua linguagem simbólica, Ezequiel indicava os passos para a construção do mundo novo:
Assumir a responsabilidade pelo fracasso histórico de um sistema que se corrompeu completamente, provocando a ruína de toda a nação.
Compreender que a simples reforma de um sistema corrompido não gera nenhuma sociedade nova; apenas reanima o velho sistema que, cedo ou tarde, acabará sempre nos mesmos vícios.
Converter-se a Javé, assumindo o seu projeto; e, a partir daí, construir uma sociedade justa e fraterna, voltada para a liberdade e a vida.
Com esse programa profético, vislumbrava-se um futuro novo: Deus voltaria para o meio de seu povo (43:1-7), provocando o surgimento de uma sociedade radicalmente nova. Aí todos poderão participar igualmente dos bens e decisões que constroem a relação social a partir da justiça. Desse modo, todos poderão reconhecer que a partir desse dia, o nome da cidade será: Javé está aí (48:35).
A doutrina deste profeta tem por núcleo a renovação interior: é preciso criar para si um coração novo e um espírito novo (18:31); ou ainda, o próprio Deus dará "outro" coração, um coração "novo", e infundirá no homem um espírito "novo" (11:19; 36:26).
Ezequiel dá origem à corrente apocalíptica, suas grandiosas visões antecipam as de Daniel e as do autor de Apocalipse.

PLANO DA OBRA
Introdução (relato da vocação do profeta): caps. 1 a 3:21;
Censuras e advertências antes do cerco de Jerusalém: caps. 3:22 a 24;
Oráculos contra as nações: caps. 25 a 32;
Mensagens de consolação: caps. 33 a 39;
Visão do fim do Exílio na Babilônia (caps. 40 a 48)

Autor: O profeta Ezequiel é o autor do Livro (Ezequiel 1:3). Ele era um contemporâneo de ambos Jeremias e Daniel.

Quando foi escrito: O Livro de Ezequiel foi provavelmente escrito entre 593 e 565 AC durante o cativeiro babilônico dos judeus.

Propósito: Ezequiel ministrou à geração de sua época, uma geração extremamente pecaminosa e completamente sem esperança. Por meio de seu ministério profético, ele tentou levá-los ao arrependimento imediato e à confiança no futuro distante. Ele ensinou que: (1) Deus trabalha através de mensageiros humanos; (2) Mesmo com a derrota e desespero, o povo de Deus precisa afirmar a soberania de Deus; (3) A Palavra de Deus nunca falha; (4) Deus está presente e pode ser adorado em qualquer lugar; (5) As pessoas têm que obedecer a Deus se quiserem receber bênçãos e (6) o Reino de Deus virá.

Versículos-chave:
Ezequiel 2:3-6: "Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje. Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o SENHOR Deus. Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta. Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde."

Ezequiel 18:4: "Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá."

Ezequiel 28:12-14: "Filho do homem, levanta uma lamentação contra o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas."

Ezequiel 33:11: "Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?"

Ezequiel 48:35: "Dezoito mil côvados em redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: O SENHOR Está Ali."


RESUMO
Como você pode lidar com um mundo desviado? Ezequiel, destinado a iniciar o ministério de sua vida como um sacerdote aos trinta anos, foi tirado de sua terra natal e enviado para a Babilônia com a idade de 25. Por cinco anos ele viveu em desespero. Aos trinta anos, ele teve uma visão majestosa da glória do Senhor que cativou o seu ser na Babilônia. O sacerdote/ profeta descobriu que Deus não era limitado pelas restrições estreitas da terra nativa de Ezequiel. Em vez disso, Ele é um Deus universal que comanda e controla as pessoas e nações. Na Babilônia, Deus concedeu a Ezequiel Sua Palavra para o povo. A experiência de sua chamada transformou Ezequiel. Ele se tornou avidamente dedicado à Palavra de Deus. Ele percebeu que pessoalmente não tinha nada para ajudar aos cativos em sua situação amarga, mas estava convencido de que a Palavra de Deus falava ao seu estado e poderia dar-lhes a vitória. Ezequiel usou vários métodos para transmitir a Palavra de Deus ao seu povo. Ele utilizou arte ao desenhar um retrato de Jerusalém, ações simbólicas e conduta incomum para assegurar a sua atenção. Ele cortou seu cabelo e a barba para demonstrar o que Deus faria a Jerusalém e seus habitantes.

O livro de Ezequiel pode ser dividido em quatro seções:
Capítulos 1-24: profecias sobre a ruína de Jerusalém
Capítulos 25-32: profecias do juízo de Deus sobre as nações vizinhas
Capítulo 33: uma última chamada para o arrependimento de Israel
Capítulos 34-48: profecias sobre a futura restauração de Israel

Prenúncios: Ezequiel 34 é o capítulo em que Deus denuncia os líderes de Israel como falsos pastores pelo seu mau atendimento de Seu povo. Ao invés de cuidar das ovelhas de Israel, eles cuidaram de si mesmos. Eles comeram bem, eram bem vestidos e bem cuidados pelas próprias pessoas que tinham sido colocadas sob sua autoridade (Ezequiel 34:1-3). Em contraste, Jesus é o Bom Pastor que dá a sua vida pelas ovelhas e as protege dos lobos que iriam destruir o rebanho (João 10:11-12). O versículo 4 do capítulo 34 descreve as pessoas às quais os pastores deixaram de ministrar como sendo fracas, doentes, feridas e perdidas. Jesus é o Grande Médico que cura as nossas feridas espirituais (Isaías 53:5) através da Sua morte na cruz. Ele é aquele que busca e salva o que está perdido (Lucas 19:10).

Aplicação Prática: O livro de Ezequiel nos convida a participar de um novo e vivo encontro com o Deus de Abraão, Moisés e profetas. Temos que ser vencedores ou seremos vencidos. Ezequiel nos desafiou a: experimentar de uma visão transformadora do poder, conhecimento, presença eterna e santidade de Deus; deixar Deus nos dirigir; compreender a profundidade e compromisso com o mal que se aloja em cada coração humano; reconhecer que Deus dá aos seus servos a responsabilidade de advertir os ímpios de seu julgamento e, por último, ter uma experiência genuína de uma relação viva com Jesus Cristo, o qual disse que a nova aliança pode ser encontrada em Seu sangue.


DÚVIDAS QUANTO A VERACIDADE DO LIVRO
Outro educado ateu com quem estou trocando ideias questionou a veracidade histórica da Bíblia, especialmente do capítulo 29 do livro de Ezequiel.
Ele alegou que os eventos históricos preditos pelo profeta não se cumpriram, entre eles: a invasão ao Egito liderada por Nabucodonosor e o restabelecimento do Egito ao final de 40 anos, período mencionado em Ezequiel 29:13.
Logo abaixo, lhe disponibilizo uma breve resposta que dei a ele, com o objetivo de lhe auxiliar na defesa da confiabilidade da Bíblia. Fiz pequenas adaptações e acrescentei duas citações de Ellen White, importantes para reflexão de todo ateu e dos estudantes sinceros das Escrituras.
Considerações sobre Ezequiel 29
1º: Reconhecemos que na Bíblia há certas dificuldades que só podem ser explicadas por um estudo mais detalhado, enquanto que outras serão resolvidas durante o progresso nos estudos na área da teologia, arqueologia e crítica textual.
Ellen White foi muito feliz ao comentar: “Ao mesmo tempo em que Deus deu prova ampla para a fé, nunca removeu toda desculpa para a descrença. Todos os que buscam ganchos em que pendurar suas dúvidas, encontrá-los-ão. E todos os que se recusam a aceitar a Palavra de Deus e lhe obedecer antes que toda objeção tenha sido removida, e não mais haja lugar para a dúvida, jamais virão à luz.” (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 672).
Ela continua, ao falar sobre a descrença humana:
“A desconfiança em Deus é produto natural do coração não renovado, que está em inimizade com Ele. A fé, porém, é inspirada pelo Espírito Santo, e unicamente florescerá à medida que for acalentada. Ninguém se pode tornar forte na fé sem esforço decidido. A incredulidade é fortalecida ao ser incentivada; e, se os homens, em vez de se ocuparem com as provas que Deus deu a fim de sustentar sua fé, se permitirem discutir e especular, verão que suas dúvidas se tornam constantemente mais acentuadas” (Ibidem)
2º: O evento de Ezequiel 29 é inquestionável para muitos estudiosos e não há erro histórico algum. De acordo com Norman Geilser (ex-ateu) e Thomas Howe:
“Um pequeno fragmento de uma crônica babilônica de cerca de 567 a.C. confirma tanto o registro de Josefo[historiador judeu que relata a invasão do Egito] como o relato bíblico referente à invasão do Egito por Nabucodonosor. Há ainda uma confirmação provinda da inscrição na estátua de Neshor, governador do Edito meridional sob Hofra. Nabucodonosor realmente invadiu e devastou o Egito […]” (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 288).
3º: Realmente, não há nenhum registro fora da Bíblia de um exílio de 40 anos do povo egípcio (Ez 29:13). Porém, isso não é improvável. Há muitas coisas que a ciência não pôde explicar e comprovar e, nem por isso, diremos que os cientistas são “falsos” ou “imprecisos”.
Um erro muito comum entre os críticos da Bíblia é afirmar que o que não foi explicado, é inexplicável. O fato de alguma afirmação bíblica não poder ser explicada historicamente, não significa que um dia não o possa ser.
Um cientista tem na dificuldade uma motivação para continuar pesquisando e esse é o mesmo comportamento do teólogo e arqueólogo que procuram compreender as dificuldades bíblicas. O tempo tem mostrado que essa fé e perseverança têm sido recompensadas.
Por exemplo: os críticos acreditavam que a Bíblia estava errada em mencionar o povo heteu cerca de 20 vezes (ver, por exemplo, Gn 15:20; Ex 3:8), porém, com a descoberta, na Turquia, de uma biblioteca hitita, os descrentes tiveram que se calar novamente (Geisler e Howe, p. 18).
Segundo a Andrews Study Bible (Andrews University Press, 2010), p. 1079:
“O número 40 [mencionado em Ezequiel 29:13] é uma recordação da punição daquela geração do povo de Israel que morreu no deserto, por causa sua rebelião contra Deus. O Egito caiu diante dos babilônios em 568 a.C; Nabucodonosor atacou o palácio do faraó em Tafnes, queimou os templos dos deuses egípcios, e destruiu os obeliscos de Heliópolis (Jr. 43-44).”
4º: Em Ezequiel 29:1 a 32:32 há 7 oráculos (sentenças) contra o Egito e Faraó e apenas um não é datado (cap. 30:1 em diante). O primeiro, do verso 1, é datado de 7 de janeiro de 587 a.C, de modo que não há necessidade de duvidar do texto. Além disso, os estudiosos podem confirmar os nomes de lugares e cidades citados no capítulo, o que mostra mais uma vez a veracidade histórica da Bíblia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apenas para o período de 40 anos de exílio não temos registro extra bíblico. Esse detalhe não deveria tirar nossa confiança na historicidade das Escrituras, que tem sido evidenciada (ou comprovada, como preferem alguns) cada vez mais pela arqueologia. Para que possa comprovar isso através de dados concretos, recomendo ao leitor o livro Escavando a Verdade, do arqueólogo Rodrigo P. Silva, publicado pela Casa Publicadora Brasileira (www.cpb.com.br).
Jesus Cristo, o personagem que dividiu a história, confiava na Bíblia (Lc 24:27, 44), inclusive em detalhes históricos (Mt 19:4-6; 24:38; Lc 10:12, etc). Sendo que é muito improvável uma pessoa com uma inteligência emocional tão avançada (algo comprovado pelo cientista e psicanalista Augusto Cury, em sua série “Análise da Inteligência de Cristo”) errar tão abertamente, não vemos motivos para, com base (também) em nossa confiança em Jesus, rejeitar a historicidade da Palavra de Deus.




LIMITES TEOLÓGICOS DO LIVRO
Ezequiel era sacerdote e pertencia à família sacerdotal da linhagem de Zadoque, e foi um dos que foram levados prisioneiros na primeira deportação babilônica em 597 a.C. Seu nome significa “Deus fortalece”, aliás, bem apropriado para o momento que os hebreus estavam vivendo. Sua profecia, por ser um subproduto da primeira parte do cativeiro, se diferencia do profetismo clássico pré-exílio.
O pensamento corrente em Israel é que Javé estava restrito à Palestina e ao Templo de Jerusalém. No exílio esta ideia foi posta em xeque, pois os judeus aprenderam que Javé poderia ser adorado fora dos limites da Terra Prometida.
Ele era casado e seu casamento corria bem, até que Javé anunciou a morte de sua esposa que serviria como um sinal do sofrimento que os hebreus enfrentariam.
Seu livro sempre fez parte do cânon hebraico, mas, em virtude das diferenças em relação às cerimônias do templo e das leis mosaicas (Nm. 28:11 e Ezequiel 46:6), eruditos judeus, posteriormente, chegaram a questionar sua canonicidade até que os rabinos restringiram seu uso quando as divergências fossem solucionadas na “vinda de Elias” (Ml. 4:5). O capítulo 1 foi proibido nas sinagogas e a leitura privada só era permitida àqueles que tivessem mais de trinta anos.
De acordo com a análise literária do livro de Ezequiel podemos afirmar que ele mesmo escreveu suas profecias, em virtude do uso constante dos pronomes “eu”, “me” e “meu”. O estilo e uniformidade de sua escrita e linguagem também contribuem para corroborar a tese de Ezequiel como autor único da obra que leva seu nome.
A data da produção do livro de Ezequiel é determinada principalmente em razão da evidência interna de treze profecias datadas  a partir do dia, mês e ano do exílio do rei Joaquim. Seu chamado é do ano de 593 a.C., e sua última profecia, contra o Egito, de 571 a.C. Uma vez que Ezequiel nada fala sobre a libertação de Joaquim em 562 a.C. é possível supor que o registro das suas atividades proféticas tenha ocorrido entre 571 e 562 a.C.
Quanto ao local onde deu-se suas atividades é questão de intenso debate acadêmico, pois Ezequiel é muito preciso quando cita a localização do templo em sua visão nos capítulos 8 a 11. Evidências dentro do próprio texto apontam para a Babilônia, entretanto, não há como explicar seu registro dos acontecimentos em Jerusalém estando na Babilônia, exceto pelo verso 8:3, quando Javé o arrebatou até lá.
A profecia de Ezequiel foi uma consequência dos atos políticos e religiosos do rei Manassés quando decretou o baalismo como religião oficial (2 Rs. 21:1-9). Este decreto estabeleceu, inevitavelmente, o fim da nação de Judá (2 Rs. 21:9-15; 24:3-4).
Josias, neto de Manassés, foi o último a tentar restabelecer o padrão ético, moral e religioso de Judá, quando o livro da Lei (provavelmente Deuteronômio) foi redescoberto (2 Rs. 22:3-13). Entretanto, com a morte de Josias em 609 a.C. (2 Rs. 23:28-30; 2 Cr. 35:20-27), pelo faraó egípcio Neco, sua tentativa não teve continuidade.
Após este episódio, todos os demais reis de Judá foram marionetes dos reinos que procuravam dominar a região da Palestina, que não obedeceram às regras da Aliança e não se arrependeram de seus atos, mesmo com grande volume de mensagens proféticas. O cronista vê nesta situação um caminho sem retorno (2 Cr. 36:15-16).
O faraó Neco deixou os filhos de Josias, Jeoacaz e Eliaquim, como vassalos do Egito, porém Jeoacaz foi destituído por insubordinação (2 Rs. 23: 31-35). Então Eliaquim, também chamado de Jeoaquim, governou Jerusalém por onze anos (2 Rs. 23:34 – 24:7), cujo governo Jeremias avaliou como corrupto, idólatra, com injustiças sociais, assassinatos, roubos, extorsão e abandono da Aliança com Javé (Jr. 22:1-17).
Em 605 a.C. na batalha de Carquêmis, o Egito fugiu diante da Babilônia (2 Rs. 24:7) e Judá teve que pagar tributo a  Nabucodonosor. Porém Jeoaquim rebelou-se contra a Babilônia e o resultado foi o cerco de Jerusalém em 598-597 a.C. quando Jeoaquim morreu. Joaquim, seu filho, governou em seu lugar por apenas três meses até que os babilônios invadiram e destruiriam a cidade (2 Rs. 24:1-17).
A partir daí a família real e outras 10 mil pessoas da elite judaica foram levadas para a Babilônia, e, entre elas estava Ezequiel, que aproveitou o exílio de Joaquim para datar muitas de suas profecias aos hebreus deportados (Ez. 1:1-3; 8:1).

ESTRUTURA DE EZEQUIEL
O livro de Ezequiel pode ser dividido em três partes, da seguinte forma:
CONTRA JERUSALÉM:
O chamado de Ezequiel – 1 a 3
Símbolos e oráculos I – 4 a 7
Visão de Jerusalém – 8 a 11
Símbolos e oráculos II – 12 a 15
Adultério – 16
Parábola – 17
Responsabilidade pessoal – 18
O lamento da leoa – 19
Rebelião – 20 a 22
As duas prostitutas – 23
A panela – 24
Contra as nações – 25 a 32
A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL
Símbolos e oráculos – 33 a 35
Os montes de Israel são confortados – 36
Ossos secos – 37
Contra Gogue e Magogue – 38 e 39
A restauração do Templo – 40 a 43
Cerimônias e rituais do Templo – 44 a 46
As fronteiras e a divisão de Israel – 47 e 48
Treze oráculos de Ezequiel são datados, e tudo indica que foram transmitidos oralmente (3:10-11; 14:4; 20:27; 24:1-3; 43:10) aos habitantes hebreus da Babilônia e registrados posteriormente. Uma evidência pode ser a falta de ordem cronológica em alguns oráculos, que pode indicar que o próprio Ezequiel tenha compilado este livro, pois um organizador distinto teria provavelmente se preocupado com a organização cronológica.
Em termos de estilo Ezequiel incorpora discursos proféticos, poesia, e drama. Este último quesito, inclusive, choca o povo exilado com uma linguagem por vezes grosseira quando utiliza o simbolismo da prostituição nos capítulos 16 e 23. Outros recursos estilísticos usados por Ezequiel foram a alegoria e a teatralização simbólica, rejeitados pelos cativos (Ez. 20:49). As alegorias de Ezequiel tinham por objetivo representar de forma simples a queda de Jerusalém, que aconteceria em breve, e o fim da nação de Judá. As dramatizações simbólicas tinham o mesmo objetivo. Estas encenações dramáticas reforçavam as profecias de julgamento que Javé prometera. Abaixo estão relacionadas estas encenações:
Texto
Encenação
Significado
4:1-3
Desenha a cidade de jerusalém em um tijolo
A cidade será cercada
4:4-8
Deita-se sobre seu lado esquerdo por 390 dias e sobre o direito por 40 dias.
Os anos de pecado e a punição de Judá
4:9-17
Come alimentado controlado e cozido em fezes
Fome em Jerusalém à época do cerco
5:1-12
Raspa a cabeça com uma espada e divide em três partes iguais com destinos distintos
O destino dos que ficaram em Jerusalém à época do cerco
12:1-12
Cava um buraco na parede e passa levando bagagens do exílio
O exílio será inevitável
21:18-23
Traça duas estradas das quais uma leva a Jerusalém. O rei decidiria por meio de sortes qual caminho seguir
Javé levaria o rei da Babilônia para Jerusalém
25:15-24
Morte da sua esposa
O povo escolhido morreria ou seria exilado

A estrutura das profecias de Ezequiel aponta para a soberania de Javé. Os capítulos 1 a 24 refletem o julgamento que recaiu sobre Jerusalém em 586 em virtude do descumprimento da Aliança por parte do povo hebreu. Estes oráculos foram importantes para Israel em um período posterior pelos seguintes motivos:
O SIGNIFICADO DA DESASTROSA HISTÓRIA DE ISRAEL
O povo deveria encarar com seriedade os julgamentos de Javé e pautar sua vida pela obediência
Os oráculos de julgamento são uma introdução à salvação dita por Ezequiel em 33:1 a 34:24
A esperança futura dos exilados está relacionada à responsabilidade no presente.
Os capítulos 25 a 32 tratam sobre os oráculos contra as nações indicando que Javé é soberano sobre o povo escolhido, mas também sobre todas as nações ao redor. Estes oráculos dirigem-se principalmente a Tiro (26:1 – 28:19) e Egito (29 – 32). Mas as nações de Amon, Moabe, Edom, Filístia também seriam atingidas pelo julgamento de Javé (25). Nesta seção há uma grande ênfase na morte (26:19-21; 28:8; 31:14-18; 32:18-22) em contraste com a promessa de vida para Israel (33).
Os capítulos 33 a 48 ressaltam a renovação da Aliança e a restauração do governo davídico em Israel. A visão sobre o novo templo reafirma a soberania de Javé em Israel por causa do seu Santo Nome (Ez. 36:22-32). A repetição por 90 vezes da expressão “e vocês saberão que eu sou o Senhor” indica a certeza do juízo e a garantia que tudo que o Senhor prometera se cumpriria.
PROPÓSITO E CONTEÚDO
O livro de Ezequiel abrange os seguintes temas:
A soberania de Javé sobre Israel e as nações
O exílio como punição pela idolatria
Relação entre o indivíduo e o grupo
Fidelidade de Javé às suas promessas da Aliança
A responsabilidade individual e o julgamento divino
Restauração de Israel sob o governo davídico
            .
A estrutura na qual o livro de Ezequiel se apoia reflete as três etapas de seu ministério com os hebreus deportados para a Babilônia e se constitui em uma defesa do julgamento que Javé executara em Judá. Os capítulos 1 a 24 formam a base de sua mensagem. Estes capítulos tratam da queda de Jerusalém, que estava por vir, onde Ezequiel, como atalaia do Senhor, tinha três funções:
advertir uma geração de pecadores que não se arrependeram de que o julgamento estava muito próximo – 2:3-8
destacar a responsabilidade de cada uma das gerações pelo pecado – 18:20
chamar ao arrependimento – 18:21-23, 32
Quando Judá foi destruída em 586 a.C. Ezequiel abordou, entre os capítulos 25 a 32, o julgamento que Javé daria às nações vizinhas por terem ficado contentes com a capitulação de Jerusalém. Por isso, o Senhor vingaria estas nações com sua ira (Ez. 25:1-11). Desta forma, Israel veria que Javé era realmente justo e soberano sobre todas as nações (Ez. 28:24-26).
Nos capítulos 33 a 48, Ezequiel trata sobre a restauração do seu povo sob uma aliança de paz por meio do pastor davídico (Ez. 34:20-31). Javé, que é fiel à sua palavra e à promessa da aliança, unificaria Judá e Israel em uma só nação, representada pelo pedaço único de madeira, que seria governada pelo Messias davídico (Ez. 37:15-28).
FILHO DO HOMEM
Apenas os livros de Daniel e Ezequiel trazem esta expressão. Entretanto, em Daniel temos apenas uma única ocorrência (Dn. 8:7), para ressaltar a origem humana do mensageiro em comparação com a divindade da mensagem. Em Ezequiel, contudo, esta expressão é utilizada por cerca de noventa vezes, todas elas dirigindo-se de Javé para Ezequiel no contexto de uma convocação, e não deve ser comparado com o título que Jesus atribui a si mesmo no Novo Testamento.
Este título destaca o papel de mero mortal de Ezequiel e seu ministério para com os exilados na Babilônia e com os que ficaram em Jerusalém.  Seu estilo de vida exótico foram autorizados por Javé como uma espécie de tratamento de choque para um povo de coração e entendimento endurecidos pelo pecado. Seu comportamento não convencional serviria para denunciar que um profeta esteve no meio deste povo.
AS VISÕES DA CARRUAGEM CÓSMICA
As visões de Ezequiel ressaltaram a soberania de Javé sobre o mundo e destacaram o conhecimento que o profeta tinha deste papel cósmico que o Senhor desempenhava. A escatologia presente nestas visões indicavam para o povo que as promessas de Deus se cumpririam, pois os ossos secos tornariam à vida.
O livro de Ezequiel inicia-se com uma dessas impressionantes visões, na qual Deus chega numa tempestade de fogo, sentado num trono sustentado por criaturas celestiais. Ao lado de cada um destes seres celestiais havia uma espécie de mecanismo feito por engrenagens que que moviam o trono em todas as direções. Esta visão mesclava elementos israelitas e algumas ideias do Antigo Oriente, agora conhecidas dos cativos.
Este aparelho celestial, uma espécie de carruagem cósmica, é citada novamente nos capítulos 8 a 11, que tratam sobre a destruição de Jerusalém. O dispositivo para no átrio do templo (10:3) e o fogo aceso na base (1:13) é usado para incendiar a cidade (10:2). Os seres celestiais são chamados de querubins  (10:1-3) para reforçar a ideia dos querubins imóveis da arca da aliança que ficava no Templo (9:3). O Senhor sobe no trono móvel e abandona Jerusalém para sua destruição (10:18-19; 11:22-23).
Uma explicação detalhada sobre esta visão desafia nossa lógica, contudo, podemos afirmar que o objetivo primordial era mostrar que Javé estava no controle absoluto do universo, pois seus olhos estavam voltados em todas as direções. A característica motora de seu trono simbolizava sua presença em todos os lugares. Portanto, o povo cativo poderia ter certeza de que o Senhor estava com eles na Babilônia.
A RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL
Ezequiel apela para o conceito da responsabilidade individual (Cap. 18), pois a geração do exílio culpou seus ancestrais pela calamidade que se abateu sobre Judá, consequência do julgamento de Javé. Ao reagir desta maneira, o povo hebreu concluiu que o julgamento do Senhor era injusto.
Na verdade esta era uma interpretação incorreta de Ex. 20:5 e Ex. 34:7, que, embora trate sobre o castigo do pecado da terceira e quarta gerações, foi mal aplicado  pela justificação de seu próprio pecado baseado no pecado das gerações anteriores. Ezequiel corrigiu esta distorção interpretativa lembrando os hebreus de que cada geração, e individuo, é também responsável pelo próprio pecado (Dt. 24:16).
Ao abordar a responsabilidade individual Ezequiel rompeu com a teologia daquele tempo, sem contudo negar a solidariedade comunitária hebraica. Afinal alguns Salmos, tal qual o 51, de Davi, afirma a individualidade da fé. Portanto Ezequiel estava apenas reequilibrando os conceitos da responsabilidade coletiva e individual.
LITERATURA APOCALÍPCA
Ezequiel contribuiu muito para o desenvolvimento do estilo literário apocalíptico,  constituindo uma nova etapa no processo profético. Com suas visões (caps 1-3 e 8-11), símbolos e êxtases arrebatadores (8:1-4; 40:1-4) apontando para uma redenção escatológica mediante o julgamento das nações por Javé (caps. 25-32),  Ezequiel esteve na vanguarda do cenário literário apocalíptico que ganharia destaque no pós-exílio.
Ezequiel também serve como ligação entre o mini apocalipse de Isaías no pré-exílio (caps. 24-27) e a apocalíptica de Daniel no exílio.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

L A M E N T A Ç Õ E S

LIVRO DE LAMENTAÇÕES

Lamentações é um poema fúnebre relatando as misérias e desolações de Jerusalém, resultantes de seu estado de sítio e posterior destruição.  
Lamentações obteve seu título na Vulgata. A posição do livro após Jeremias no cânon reflete a influência do Antigo Testamento grego, a Septuaginta, que no primeiro versículo atribui a poesia a Jeremias. O título hebraico, ekah, é derivado da primeira palavra dos capítulos 1, 2 e 4. A palavra ekah geralmente é traduzida por “como” e era usada com frequência no verso inicial dos cantos fúnebres israelitas. Por exemplo, no lamento de Davi pela morte de Jônatas, encontra-se: “Como caíram os guerreiros! ” (2Sm 1.19), e no cântico de zombaria contra o rei da Babilônia: “Como você caiu dos céus” (Is 14.12). 
O livro de Lamentações está incluído na terceira divisão do cânon hebraico, “os Escritos”. O livro é o terceiro dos cinco livros que compõem as megilloth ou “rolo das festas” que são: Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester, usados em determinadas festas judaicas. Lamentações deve ser lido anualmente no nono dia do mês de Av (julho), dia de lamento pela destruição de Jerusalém pelos babilônios em 587 a.C. e pelos romanos em 70 d.C. 
Lamentações ocupa no Antigo Testamento lugar entre o de Jeremias e o de Ezequiel. Nas Escrituras hebraicas, estava incorporado na divisão dos Livros Sagrados, ou Hagiógrafo, entre o livro de Rute e o de Eclesiastes. 
O livro de Lamentações é completamente poético. Os cinco poemas equivalem aos cinco capítulos.  Poema bem estruturado levando em conta o alfabeto hebraico.  As estrofes ou versos contemplam o número de letras do alfabeto. Esse é outro livro da Bíblia de invulgar beleza poética. Não contém só tristeza; acima das nuvens de lamento do poeta pelos pecados de seu povo, brilha a luz de Deus. Em 3.22-27, a luz rompe através das nuvens para formar um luminoso arco-íris.
Os judeus cantam este livro todas às sextas-feiras junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, e o leem nas sinagogas, em jejum no nono dia de Av (julho), o dia destinado à lamentação das grandes calamidades que sobrevieram à nação.

AUTOR
Embora Lamentações não cite o nome do autor e não possamos ter certeza de quem escreveu o livro, a tradição judaica e o consenso entre a maioria dos biblistas da atualidade atribui sua autoria ao profeta Jeremias. 
A Septuaginta declara tal atribuição desde o segundo século (250 a.C.), e a Vulgata Latina desde o quarto século a.C. Argumentos convincentes baseados na tradição judeu-cristã, sobre a autoria de Jeremias, têm sido apresentados. A ideia de Jeremias como autor do livro pode ter sido estimulada com base no que está escrito em 2Cr 35.25, onde se lê que Jeremias compôs lamentações para o rei Josias. No livro propriamente dito, não há indícios diretos de que o profeta Jeremias tenha sido o seu autor, embora algumas passagens do livro lembrem nitidamente as características e estilo desse profeta, especialmente no capítulo 3 (3.48-51 com Jr 14.17). 
O cabeçalho do livro na Septuaginta e na Vulgata Latina apresenta o seguinte comentário: “Jeremias se assentou a chorar e compôs este poema de lamento por Jerusalém”. 
Além disso, como o profeta Jeremias foi testemunha ocular do juízo divino contra Jerusalém em 586 a.C., é razoável supor que fosse o autor do livro que tão vividamente retrata o acontecimento. Lamentações compartilha, de modo pungente, o senso avassalador de perda que acompanhou a destruição da cidade, do templo e do ritual, bem como o exilo dos habitantes de Judá. 
Aceitando-se a autoria de Jeremias, o livro de Lamentações se torna um suplemento do livro de Jeremias, que tão frequentemente prediz uma catástrofe tal como aquela que é descrita em Lamentações. Porém, as lamentações de Jeremias são inteiramente isentas daquela atitude mental que diz “Eu avisei”. Ele apenas preocupa-se tão somente em lamentar as aflições de Jerusalém, e em pleitear perante Deus que não a rejeite para sempre.

DATA
Essa coleção de lamentos por Jerusalém, provavelmente foi composta entre a queda da cidade, em 587/586 a.C., e a libertação do rei Joaquim da prisão na Babilônia (562 a.C.). O tom desesperador do pedido de renovação nacional, nos versos finais do último poema (5.19-22), indica o desconhecimento aparente do autor da libertação de Joaquim e de suas implicações para o cumprimento das profecias de Jeremias sobre a restauração de Israel (Jr 30 – 33).

CONTEXTO HISTÓRICO DE LAMENTAÇÕES
O livro é uma resposta à destruição de Jerusalém e suas consequências pelos exércitos babilônicos do rei Nabucodonosor em 587 a.C. Os registros bíblicos da invasão de Judá e a queda de Jerusalém se encontram em 2Reis 24 e 25 e 2Crônicas 36. 
Os profetas advertiram Judá da catástrofe iminente durante dois séculos (2Rs 21.12; 24.3). Infelizmente a repetição da ameaça de juízo divino não fazia sentido para o povo e criou uma barreira contra a ideia de arrependimento. Além disso, a demora na vinda do juízo de Javé gerou um falso senso de segurança na nação (Jr 6.13,14; Jr 7.1-4). O livro lamenta o dia previsto pelos profetas, em que Javé se tornou “como inimigo” que destruiu Israel sem piedade (2.2,5).

TEMAS E TEOLOGIA
Lamentações não é o único livro do Antigo Testamento que contem lamentações individuais ou comunitárias. Muitos dos Salmos são poemas de lamento, e todos os livros proféticos, exceto Ageu, trazem um ou mais exemplos do gênero das lamentações. No entanto, esse livro bíblico é o único que consiste somente em lamentações. 
A fidelidade de Deus. Na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão do grande Senhor do universo. Lamentações deve gerar em todos os verdadeiros adoradores a obediência e integridade, dando ao mesmo tempo aviso temível concernente àqueles que desconsideram a revelação de Deus por meio de sua Palavra. Não há registro na história de outra cidade arruinada que tenha sido lamentada em tal linguagem poética e comovente. É, certamente, proveitoso em descrever a severidade de Deus para com os que continuam a ser rebeldes, obstinados e impenitentes. 
Lamentações é tudo, menos um texto de resignação passiva. A ira de Deus é aceita, mas não sem grande carga de resistência emocional. Poderia Deus agir como inimigo do seu próprio povo e levá-lo a terrores que são penosos até de se descreverem (2.4-5, 20-22)? Embora o escritor compreenda a justiça de Deus, a agonia e perplexidade do acontecimento podem ser livremente expressas. O livro é uma mensagem poderosa em tempos de angústia. 
No meio do livro, a teologia compartilhada mediante as lamentações do profeta, chega ao seu clímax ao focalizar a bondade incondicional de Deus, o Senhor Deus. Ele é o Eterno, o Altíssimo de toda a esperança (3.21,24,24); do amor (3.22), da fidelidade (3.23), da salvação (3.26). Apesar de toda prova em contrário, porquanto as suas misericórdias são inegociáveis. Renovam-se a cada manhã; interminável é a sua fidelidade (3.22,23).

PROPÓSITO E MENSAGEM
O propósito de Lamentações não pode ser definido em uma única palavra. De certa forma, a sua produção foi em si mesmo uma forma de lidar com a questão da destruição de Sião. O centro da gravidade da ira de Deus contra seu povo. A ira de Deus é considerada justa. Judá pecou, e os profetas transmitiram o aviso de Deus. Amós, há muito tempo, havia falado sobre um dia do Senhor contra seu povo (Am 5.18), dia este que agora havia chegado (1.12). Lamentações não expressa uma total perplexidade, como às vezes, parece acontecer em Jó. Ao invés disso, ele justifica a punição de Judá e oferece uma defesa dos profetas que a predisseram. 
Ao contrário de 2Reis 24 e 25, que registram os fatos históricos da queda de Jerusalém, Lamentações apreende a emoção da mudança trágica na experiência de Israel com o Senhor. Os poemas preservam a reação dos hebreus ao inimaginável e inexpressível, a destruição total da Sião de Davi, a ruína do templo do Deus e o abandono divino dos “eleitos” de Jeová. Embora a tragédia confirmasse a mensagem profética e vindicasse a interpretação profética do relacionamento entre estipulações e maldições com base na aliança, isso não servia de consolo para os sobreviventes abalados com o ataque babilônico. 
Lamentações registra o “Dia do Senhor” para Judá vindo com toda a fúria. A ameaça de maldição da aliança tornou-se uma realidade terrível e um pesadelo inesquecível. As admoestações de Moisés de que as violações da aliança colocavam em risco a presença de Israel na terra de Canaã provou ser muito mais que um discurso teológico vazio. Javé finalmente impusera o castigo pelas transgressões de Judá. O povo de Deus foi “vomitado” da terra da promessa divina (Lv 18.24-30). O único consolo para Jerusalém era saber que um dia as nações ao seu redor também beberiam do cálice da ira de Deus (4.21,22; 3.55-66). 
 Lamentações é tudo, menos um texto de resignação passiva. A ira de Deus é aceita, mas não sem uma grande carga de resistência emocional. 
Como cânticos fúnebres, os poemas de Lamentações foram criados para oferecer uma purificação aos sobreviventes da calamidade de Judá. Esta expressão de tristeza e extravasamento de emoções jamais responderia por completo as perguntas sobre a soberania do Senhor ao castigar seu povo, mas permitiu que os hebreus sofredores lidassem sinceramente com sua tristeza para aliviar o trauma de serem abandonados por Deus. 
 O poeta revelou a alma à nação penitente, prostrada de vergonha, e reconheceu as muitas transgressões e a grande rebeldia (1.4,22). A purificação do pecado e da culpa permitiu que a “viúva” de Sião reconhecesse a justiça de Deus em seu juízo contra a infidelidade de Jerusalém à aliança (1.18). 
Somente essa resposta de confissão e arrependimento poderia dar sentido e substância às palavras de esperança futura do capítulo 3. A própria ira de Deus indicava seu amor, fundamentado na aliança, por Israel. O pai que ama deve castigar o filho desobediente. O chamado para esperar no Senhor e na sua misericórdia infalível imprimiu esperança da futura restauração de Israel, pois a história da nação demonstrava que Javé não o rejeitará para sempre (3.21-29). 
O autor de Lamentações compreende com clareza que os babilônios eram meros agentes do castigo divino, e que o próprio Deus destruíra sua cidade e seu templo (1.12-15; 2.1-8, 17,22; 4.11). Não foi, no entanto, arbitrária a atuação de Deus; o pecado desavergonhado que desafiava ao Senhor e a rebeldia que violava a aliança foram as causas principais do infortúnio do povo (1.5,8,9; 4.13; 5.7,16). Embora fosse de esperar o choro (1.16; 2.11,18; 3.48-51) e fosse natural o clamor por punição contra o inimigo (1.22; 3.59-66), o modo certo de reagir ao juízo de Deus é o arrependimento sincero, de todo o coração (3.40-42). O livro que começa com uma lamentação (1.1,2) termina acertadamente com arrependimento (5.21-22).

AS DIVISÕES DO LIVRO
Nas Escrituras hebraicas os capítulos 1,2, 4 e 5 têm cada um vinte e dois versos, e cada verso começa com cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico em ordem. 
No capítulo 3 os primeiros três versos começam com a letra alef, os segundos três com a letra bet, e assim sucessivamente. 
O capítulo 5 tem vinte e dois versos, mas não estão em forma de acróstico. 
Cada um dos cinco capítulos, é um lamento poético:
- Capítulo 1. Jerusalém como uma viúva chorando. Uma elegia poética, acrostica, cada versículo começando com uma as 22 letras do alfabeto hebraico.
- Capítulo 2. Jerusalém como uma mulher velada em luto, chorando no meio das ruínas. Um poema fúnebre, como o primeiro e também acróstico.
- Capítulo 3. Jerusalém como e pelo profeta em luto chorando ante Jeová o Juiz. Outro poema que encerra tristeza profunda como os dois primeiros.
- Capítulo 4. Jerusalém como ouro embaçado, mudado e degradado. Outro canto fúnebre e acróstico como os dois primeiros.
- Capítulo 5. Jerusalém como suplicante rogando ao Senhor. Outro poema fúnebre, de 22 versículos, mas não em ordem alfabética.

CARACTERÍSTICAS
Lamentações é a mais clara evidencia para a existência da métrica na poesia hebraica que parece utilizar um verso de cinco sílabas métricas divididas em três e dois. Essa métrica é chamada de qinah, derivada do nome hebraico para Lamentações e é encontrada com frequência na poesia de caráter melancólico como Lamentações. 
Uma segunda forma poética encontrada em Lamentações é o acróstico, em que os versos ou conjuntos de versos são dispostos de acordo com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Cada novo verso ou grupo de versos inicia com uma letra subsequente. Esse método talvez indique que o poeta está tratando o assunto de forma completa. O acróstico consiste também de uma forma para a expressão literária do pesar, permitindo ao seu autor tratar de temas que são tão profundos para serem expressos por palavras.

FESTAS DE PEREGRINAÇÃO (1.4)
Havia três festas de peregrinação no calendário israelita: a festa do pão sem fermento, a festa das semanas e a festa dos tabernáculos. Em circunstâncias normais, nessas ocasiões as estradas estariam cheias de peregrinos em viagem para Jerusalém. Eram momentos de alegria e celebração. Em tempos de dificuldades, poucos corriam o risco e agora não havia cidade nem templo para onde dirigir-se.

PAGÃOS NO SANTUÁRIO (1.10)
Havia regras rígidas para o acesso a não israelitas aos recintos do templo (Dt 23). Apenas os sacerdotes tinham acesso ao santuário, e ainda assim era um acesso limitado. O cuidado em preservar a santidade da morada de Deus fora frustrado por causa da profanação.

ESBOÇO DE LAMENTAÇÕES
I.                   Lamentação pela miséria e deserção de Jerusalém (1)
II.                 Lamentação pela cidade de Sião derrubada na ira de Javé (2)
III.              Tristeza e esperança do poeta (3)
IV.              O Horror do cerco (4)
V.                Recordação da desgraça de Sião; pedido de restauração (5).



LIVRO DAS LAMENTAÇÕES

O Livro das Lamentações ( איכה ʾēḫā(h), Eikha ou Eiká, cuja tradução literal é "Como!", ou ainda "Oh!") é um livro que faz parte da subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Maiores, na Bíblia vem depois do Livro de Jeremias e antes do Livro de Ezequiel ou depois do Livro de Baruque nas Bíblias utilizadas das Igrejas Católicas e Ortodoxas.
Livro cuja autoria é tradicionalmente atribuída ao Profeta Jeremias, quando com os próprios olhos via a destruição da cidade de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia, por volta do ano 589 a.C.
São cantos fúnebres que descrevem, de modo doloroso e poético, a destruição de Jerusalém pelos Babilônicos em 586 a.C., e os acontecimentos que se sucederam a essa catástrofe nacional: fome, sede, matanças, incêndios, saques e exílio forçado (cf. 2Rs 24-25).
As Lamentações são usadas na Liturgia da igreja Católica por ocasião da Semana Santa para lembrar o sofrimento de Jesus. A tradição popular conservou, durante a procissão da Sexta Feira Santa, no canto de Verônica, em que Verônica canta um trecho das Lamentações, posto na boca de Jesus: "Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor?" (1,12).
Os judeus recitam o livro no grande jejum que lembra a destruição do Templo de Jerusalém, no dia 9 do quinto mês do Calendário Judaico.

ESTILO LITERÁRIO
Os caps. 1, 2 e 4 são cantos fúnebres, semelhantes a 2Sm 1,17ss, o cap. 3 é uma lamentação individual e o cap. 5 é uma lamentação coletiva, também conhecida como Oração de Jeremias.
Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, ou seja, as primeiras letras dos 22 versículos correspondem às 22 letras do Alfabeto Hebraico colocadas em ordem, havendo uma pequena diferença na ordem do alfabeto observada no primeiro capítulo e a ordem observada nos três capítulos seguintes. Merecendo destaque o fato de que no terceiro poema, o alfabetismo é tríplice, ou seja, a letra correspondente a cada verso é empregada no início das três primeiras palavras de cada verso. .

AUTORIA
A atribuição da autoria à Jeremias é questionada, pois Jeremias, tal como é conhecido por seus oráculos autênticos, não poderia ter dito que a inspiração profética tinha se esgotado (2,9), nem louvar Sedecias (4,20 x Jr 24,8), nem esperar auxílio do Egito (4,17 x Jr 37,5-7), nem apoiar a doutrina da dívida pelos pecados dos pais (5,7 x Jr 31,29-30; 5,6 x Jr 2,18) além disso seu gênio espontâneo é incompatível com o estilo erudito dos poemas que estão no Livro das Lamentações,, havendo quem sustente que foram escritas por adversários de Jeremias..









LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS – ISRAEL CHORA


O nome Lamentações vem da tradução da Bíblia para o latim: a Vulgata. O título hebraico é ‘ekah, derivado das primeiras palavras dos capítulos 1, 2 e 4. Este termo era usado nas canções fúnebres e significa “como”. Podemos verificar seu uso em 2 Sm. 1:19, quando Davi chora a morte de Jônatas dizendo: “Como caíram os guerreiros!
O livro está em forma poética, organizado em um acróstico alfabético. Os cinco capítulos equivalem aos cinco poemas.
Lamentações deve ser lido todos os anos no nono dia do m6es de Abe, como recordação da destruição do Templo de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a.C. e por Tito em 70 d.C.
 Foi composto provavelmente entre a destruição do Templo em 587 a.C. e a libertação do rei Joaquim da prisão na Babilônia em 562 a.C. (2 Rs. 25:27-30). O desespero demonstrado nos versos finais do livro (5:19-22) parecem indicar que o autor não tinha conhecimento sobre a libertação de Joaquim e o cumprimento das profecias de Jeremias acerca da restauração de Israel (Jr. 30-33).
 O livro é uma reação da alma sobre a destruição de Jerusalém pelo exército babilônico em 587 a.C. O registro histórico dessa destruição está em 2 Rs. 24 e 25 e 2 Cr. 36. Durante dois séculos os profetas procuraram alertar a nação de Israel sobre o julgamento iminente, entretanto os ouvidos do povo se acostumaram com as ameaças e seu coração endureceu-se. Em virtude da demora no julgamento, o povo ficou com uma falsa impressão de segurança (Jr. 6:13-14; Jr. 7:1-4). O livro mostra de maneira poética o horror que a invasão babilônica representou para o povo hebreu e como Javé tornou-se como um inimigo de Israel (Lm. 2:2-5).

 Estrutura de Lamentações de Jeremias
 O livro de Lamentações de Jeremias está estruturado da seguinte forma:
·         Pranto pela cidade fantasma – 1
·         Pranto pela ira da Javé manifestada em Jerusalém – 2
·         Um canto de esperança – 3
·         O caos de Jerusalém – 4
·         A desgraça e a restauração – 5
Conforme a lista acima Lamentações é composto de cinco poemas. Os poemas contidos nos capítulos 1, 2 e 4 são canções fúnebres que começam com a interjeição “como” (‘ekah). Os outros dois capítulos são poemas de pranto individual e coletivo, os capítulos 3 e 5 respectivamente.
 Conforme exposto anteriormente, os poemas em Lamentações são acrósticos alfabéticos, seguindo as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Há ao menos três benefícios para disposição dos lamentos no formato acróstico:
·         Facilita a memorização da catástrofe que se abateu em Jerusalém. O povo hebreu tinha uma forte tradição oral, e este método ajuda no processo de disseminação do conteúdo.
·         Os poemas acrósticos simbolizam de forma completa toda tristeza pela lamentação de Jerusalém.
·         A forma acróstica obrigava o poeta a pensar em todas as faces de um mesmo tema, atingindo a completude.
O primeiro poema personifica a cidade de Jerusalém como uma mulher orgulhosa, brutalmente estuprada e abandonada, enfatizando a solidão, a decadência e o abandono (Lm. 1:2,9,16,17).
O segundo trata sobre a força da ira de Javé contra Jerusalém e o quarto mostra as terríveis consequências do julgamento divino. O único consolo de Jerusalém é saber que seu castigo terminará (Lm. 4:22).
O terceiro poema acróstico é o mais longo e bem construído do livro com três versos para cada letra do alfabeto. Só perde em complexidade para o Salmo 119, que possui sete versos para cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico. É o centro de toda composição da obra, tanto no viés literário quanto no teológico. Este trecho contém:
·         sofrimento pessoal do poeta, que também expressa o sentimento da nação (3:1-20)
·         oração por consolo e esperança (3:21-29)
·         oração de arrependimento (3:40-54)
·         pedido de vingança (3:55-66)
·          
Propósito e conteúdo
O livro de Lamentações de Jeremias aborda os seguintes assuntos:
·         Javé castiga o pecado
·         O sofrimento é um meio de aprendizado
·         O julgamento de Javé reflete sua justiça
·         Apesar do sofrimento há esperança
Na narrativa de 2 Reis 24 e 25 lemos o registro histórico, embora do ponto de vista teológico, da tomada e destruição de Jerusalém pela Babilônia. Em Lamentações, Jeremias capta o estado de espírito dos hebreus àquilo que eles consideravam impossível: a queda de Jerusalém e a ruína do Templo. Apesar de constantemente advertidos sobre esta tragédia, resultado da quebra da Aliança deuteronômica, os sobreviventes estavam inconsoláveis.
A ameaça de expulsão da Terra da Promessa não era uma simples cláusula nos termos da Aliança moisaica. O povo finalmente havia experimentado a concretização das ameaças contidas na Lei e foram vomitados da terra (Lv. 18:24-30). Agora, a única fonte de consolação era saber que haveria a restauração para Jerusalém e também o julgamento das nações ao seu redor (Lm. 4:21-22; 3:55-66).
Embora não respondesse questionamentos “como” e “por quê”, o pranto registrado em Lamentações servia uma catarse, um extravasamento do turbilhão de emoções que os judeus sentiam diante da destruição de sua cidade e abandono por Javé. Em meio à dor e sofrimento, tentando lidar sinceramente com este trauma, o texto de Lamentações revela que o povo reconheceu sua culpa, rebeldia e infidelidade (Lm. 1:14-22).
Essa confissão de arrependimento pôde dar um sentido na esperança da restauração para o futuro conforme o capítulo três. A ira de Javé indicava seu amor pelo povo escolhido, tal qual um pai castiga um filho que o desobedece. Esta ira estava indicada como um dos itens da Aliança que o Senhor havia feito com os hebreus. O livro ainda mostra que a misericórdia de Deus é infinita e ele não rejeitará seu povo para sempre (Lm. 3:21-29).
O sofrimento humano
O sofrimento humano é inevitável, pois é uma consequência do afastamento da humanidade de Deus (Gn. 3). Ao se afastar do Senhor, a humanidade fez somente o que era mal (Sl. 14:1-4) e tornaram-se corruptos.
Javé, embora longânimo (Na. 1:3), em virtude de sua santidade e justiça, não deixará os culpados sem castigo. O Antigo Testamento fornece oito sugestões para o entendimento do sofrimento humano (de acordo com R.B.Y. Scott).
1. Retributivo
castigo justo pelo pecado
Jó 4:7-9; 8:20
2. Disciplinador
aflição corretiva
Dt. 8:3; Pv. 3:11-12
3. Probatório
teste divino do coração
Dt. 8:2; Jó 1:6-12; 2:10
4. Temporário
comparado com a boa ou má sorte dos outros
Jó 5:18; 8:20-21; Sl. 73
5. Inevitável
resultado da queda
Jó 5:6-7; Sl. 14:1-4
6. Misterioso
caráter e plano de Deus não são plenamente conhecidos
Jó 11:7; Ec. 3:11
7. Fortuito e sem sentido moral
tempo e acaso afetam a todos
Jó 21:23-26; Ec. 9:11-12
8. Vicário
um sofre por outro ou por muitos
Dt. 4:21; Sl. 106:23; Is. 53:3,9,12
Judá reconheceu merecer o castigo como execução da justiça da Javé (Lm. 1:5,14,22; 4:13)
O abandono divino
Uma das consequências do julgamento de Javé foi seu abandono de Judá. Este assunto do abandono divino de seu templo e povo foi registrado também pelos povos mesopotâmicos. Nesta literatura a divindade deixa o templo em razão da destruição da cidade porque foi incapaz de corrigir a situação.
Entretanto, o abandono de Javé foi devido à falta do cumprimento da Aliança pelo povo e não pela incapacidade do Senhor. Por causa disso Deus removeu sua glória do Templo.
Na literatura mesopotâmica, o abandono da divindade provocava clamor para seu retorno e a confissão de pecados. Em Judá, o efeito foi justamente o contrário, pois, aproveitando a ausência do Senhor se rebelaram e