segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

J E R E M I A S

O LIVRO DO PROFETA JEREMIAS

Deus chamou Jeremias para ser profeta do Reino Sul e Judá. Seu ministério abrangeu os últimos quarenta anos da nação, inclusive os dias que precederam a destruição de Jerusalém e a deportação do povo de Deus a Babilônia (627-586 a.C.).
Ministrou durante os reinados de Josias, de Joacaz, de Jeoaquim, de Joaquim e de Zedequias.  Durante esse período, a nação manteve-se rebelde contra Deus que confiava nas alianças políticas para conseguir livrar-se dos inimigos.  Jeremias conclamou o povo a arrepender-se dos seus pecados e os advertiu que não escapariam do castigo por rejeitarem a Deus e à sua lei.  Por causa da sua mensagem de julgamento e da sua devoção ao Senhor, Jeremias enfrentou muita oposição e sofrimento.
Depois da morte de Josias, o reino de Judá foi conduzido ao seu fim, pelo cativeiro babilônico e Jeremias ficou na terra ministrando ao pobre restante citado em 2 Rs 24.14 .
O Profeta Isaías tinha falecido há vários anos e o bom rei Ezequias fora sucedido pelo seu malvado filho Manassés, e durante 40 anos do reino dele não se ouvira nenhuma vos profética.
Então se levantou Naum, e profetizou durante os últimos dez anos do reinado de Manassés, no tempo de Amon e por uns oito anos do reinado de Josias. Foi justamente quando o ministério de Naum cessou que Sofonias e Jeremias começaram a profetizar, para serem seguidos mais tarde por Habacuque, e depois por Daniel, e em seguida por Ezequiel.
Em outras palavras, Jeremias profetizou por mais de 40 anos , durante os reinados de Josias, Joaquim (primeiro), Joaquim (segundo) e Zedequias (Jr 1.2,3).


OS PROPÓSITOS DOS PROFETAS
Os profetas eram enviados por Deus em 3 propósitos:
1- Entregar a mensagem divina de advertência da última oportunidade a um povo rebelde, cujo pecado e indiferença os conduziam a perdição, julgamento e ira de Deus. Às vezes, as mensagens dos profetas eram atendidas pelo povo e o julgamento divino era suspenso.  Outras vezes, o coração do povo se endurecia contra Deus, com a mensagem dos profetas.  Por isso, Deus permitiu Israel ser levado para o exílio babilônico.
2- Os profetas eram enviados para suplementar o ensino negligenciado pelo sacerdócio.  No Velho Testamento o cargo de sacerdote era passado de pais para filhos, contudo muitas vezes aqueles eram investidos nessa função, sem terem um relacionamento sadio com Deus, e sem desejo de servi-lo (Jr 2.8).  Naturalmente, o estado espiritual do povo se degenerou devido à falta de ensino (Os 4.6).  A fim de suprir a falha dos sacerdotes, Deus enviou seus profetas, para pregar e ensinar a lei divina.
3- Os profetas eram enviados para fazer o povo ver o plano completo de Deus para suas vidas.  Aqueles que foram levados ao cativeiro, naturalmente sentiram que Deus os tinha abandonado.  Os profetas bradaram com veemência que nada disso era verdade; lembravam ao povo que Deus permanecia onipotente como sempre, permitindo o cativeiro a fim de levá-los ao arrependimento.


JEREMIAS, SUA VIDA E MENSAGEM
O livro de Jeremias revela no profeta, o perfil de um homem de caráter extremamente firme, mas de coração muito sensível.  Ele chorou abertamente os pecados do seu povo e o julgamento que pairava sobre o mesmo.  A esse respeito ele se assemelhou a Cristo que também chorou pela cidade de Jerusalém (Lc 19.41-44).
Devido à hipocrisia e impiedade que prevaleciam naquela época, Jeremias foi instruído por Deus a pregar uma mensagem de repreensão e de julgamento iminente sobre a nação.  Essa mensagem era desagradável ao povo, e Jeremias, o mensageiro se tornou cada vez mais impopular.  Sem dúvida Jeremias era um profeta odiado de Judá e o de menor sucesso, de acordo com os padrões humanos.  A rejeição e a perseguição constantes que ele suportou levaram-no a ter, às vezes, crises de depressão.
Em certa ocasião ele ameaçou abandonar completamente o ministério porque a perseguição era intensa demais.  Porém, descobriu que o fogo dentro da sua alma era ainda mais intenso e assim não podia reter a mensagem de Deus dentro do seu coração, mas proclamá-la.
Muito embora Jeremias tivesse implorado ao povo que se voltasse de todo o coração a Deus, sua mensagem foi ignorada, sofrendo ele mesmo grande perseguição por isso.
Assim que Josias morreu, a nação mais uma vez entrou num declínio espiritual muito grande; a idolatria retornou e o pecado predominou tanto quanto nos dias de Manassés.  Uma vez que o povo não quis se arrepender, Deus não teve outra escolha a não ser privá-lo de suas bênçãos e proteção até que ele buscasse de novo perdão e libertação.


O CHAMADO DE JEREMIAS
O verso 5 do capítulo 1 de Jeremias conta-nos que o plano divino para o seu ministério já existia muito tempo antes do momento de seu chamado:
" Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta. " Este versículo assegura que Deus tem um plano para cada um de seus filhos, mesmo antes deles nascerem.
Não se entra no exercício desse plano automaticamente.  Ao contrário, isso requer aceitação e cooperação da pessoa chamada.  Deus avisou a Jeremias que se ele ficasse com seu coração voltado para as coisas vis (inúteis) dos seus dias, a oportunidade de servi-lo como seu profeta seria cancelada, mas se permanecesse fiel às doutrinas do Senhor se afastando de toda aparência do mal, seria com ele para guardá-lo e livrá-lo das mãos dos malignos e das mãos dos cruéis.
Enquanto Isaías livremente se dispôs a ser profeta de Deus, Jeremias usou de resistência.  Sua resistência a esse ministério era baseada em profundos sentimentos de incapacidade.  Ele alegou que era ignorante e jovem demais para tão grande missão.  Em vez de concentrar-se em Deus, que o tinha chamado e que era suficiente para capacitá-lo para a tarefa a que o chamava, precisou ser despertado e encorajado a aceitar essa honra pelo próprio Deus.
Observe a predominância da palavra "eu" nas desculpas de Jeremias, contrastadas com o "Eu" de Deus:
JEREMIAS / DEUS
" Eu não sei falar " (Jr 1.6) / " Eu ponho na tua boca as minhas palavras "(Jr. 1.9)
" Eu sou uma criança" (Jr 1.6) / " Eu sou contigo" (Jr 1.19)
Durante a evolução da apostasia de Judá, muito embora parecesse que Deus estava dormindo e desinteressado no seu povo, a verdade é que Ele estava atentamente observando tudo o que eles faziam e que no devido tempo traria juízo e faria justiça quanto a eles.
Um pensamento paralelo encontramos em 2 Pe 3.9, que diz:
" O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. "
Jeremias pareceria até mesmo um traidor do seu povo, recomendando, durante certo tempo, que se rendessem à Babilônia.  O conhecimento de tão grande desafio enche Jeremias de incerteza, mas Deus lhe deu promessas encorajadoras.  Deus prometeu que fortaleceria o homem interior de Jeremias, para suportar a rejeição e a oposição do povo e que Sua presença nunca deixaria o profeta.  Jeremias nunca estaria completamente só (Jr 1.18-19).


O LIVRO DE JEREMIAS

O Livro de Jeremias é o segundo livro dos principais profetas da Bíblia, vem depois do Livro de Isaias e antes do Livro das Lamentações.  Os capítulos 1 a 24 registram muitas das suas profecias.  Os capítulos 24 a 44 relatam suas experiências.  Os remanescentes contêm Profecias contra as nações.  É provável que seu auxiliar, Baruque, tenha reunido e organizado grande parte do livro.  Na história de Babel, foi usado o método Atbash de criptografia.
Jeremias (em hebraico: יִרְמְיָהוּ, Yirməyāhū) foi um profeta hebreu conhecido por sua integridade e discursos duros contra o pecado.
Filho do sacerdote Hilquias (ou Helcias), da Tribo de Benjamim, nasceu entre 650 e 640 a.C em Anadote, um pequeno povoado a nordeste de Jerusalém, e morreu no Egito, em 580 a.C.  Foi sacerdote do povoado de Anadote e previu, segundo a Bíblia entre outras coisas, a invasão Babilônica.  Nabucodonosor atacou Israel em 597 a.C, e novamente em 586 a.C (ou 607 a.C, segundo a cronologia das Testemunhas de Jeová), quando os caldeus destruíram Jerusalém e queimaram o Templo.
O significado do nome é incerto, existindo três teses aceitáveis: "Yehowah exalta", "Yehowah é sublime" ou "Yehowah abre (=faz nascer)", era um nome bastante comum nos tempos bíblicos, são conhecidos pelo menos sete personagens com este nome que é empregado 158 vezes na Bíblia.
Embora de família sacerdotal, está ligado às tradições proféticas do Norte, principalmente a Oséias, e não às tradições do sacerdócio e da corte de Jerusalém. Como Miquéias, ele pertence ao mundo camponês.  De maneira crítica, ele traz consigo a visão dos camponeses sobre a situação do país.


ATIVIDADE
Acredita-se que o livro tenha começado a ser escrito por volta de 605 a.C., quando Jeremias, preso, começa a ditá-lo a seu secretário Baruc (36:1. 2.4), no quarto ano do reinado de Jeoaquim, quando se iniciou efetivamente o ministério do profeta, e Deus teria lhe ordenado que escrevesse suas experiências num rolo.  Contudo, a obra só foi completada após a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, sendo que os acontecimentos narrados não se acham em ordem cronológica no livro.
Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que a atividade profética de Jeremias se iniciou entre os anos de 626 ou 627 AC (1:2; 25:3), quando ele ainda era jovem (1:6) e prosseguiu até 586 AC, e pode ser dividida em quatro períodos:
Primeiro período: durante o reinado de Josias (627 a 609 AC).  Com apenas oito anos de idade, Josias foi nomeado rei pelo "povo da terra", expressão que indica a camada rural da sociedade.  No início deste reinado, Jeremias proclamou um julgamento contra Israel e Judá por causa de sua infidelidade a Jeová e sua adesão a outros deuses (idolatria), especialmente os deuses que garantiam a fertilidade da natureza, os chamados baliam.
No âmbito internacional, a situação política está mudando rapidamente: a Assíria, grande potência da época, se enfraquece cada vez mais.  Josias, já maior de idade, aproveita esse enfraquecimento para realizar ampla reforma e procura tomar o território que antes era do Reino de Israel Sentencial e que pertencia à Assíria desde a queda de Samaria em 722 AC.
Josias deixa de pagar os impostos cobrados pelos dominadores e promove a reforma religiosa (cf. 2Rs 22,1-23,27), na qual tenta eliminar todos os ídolos do país e estabelecer novo relacionamento social centrado na Lei.  Estranhamente Jeremias não faz nenhuma alusão a esta reforma social e religiosa.
Foi um período de prosperidade e otimismo, por isso Jeremias emite bom conceito sobre Josias (Jr 22,15-16).
Foram escritos neste período: 2:1-4:4 e 30:1-31:37.
Segundo período: durante o reinado de Joaquim (609 a 598 AC)
Com a decadência da Assíria (queda de Nínive em 612 AC), outros povos entram no cenário: citas medos, babilônios e também os egípcios que tentam ressurgir depois de um período decadente.  Com isso, a Palestina volta a ser palco de disputas políticas e militares.  Josias morre em Meguido, em 609 AC (2Rs 23:29), quando tenta impedir a incursão do Faraó Neco, que procura deter o avanço da Babilônia.
Neco depõe Joacaz, que sucedera a Josias, e coloca no trono de Judá o despótico Joaquim.  O povo detestava Joaquim, e Jeremias critica violentamente esse rei (Jr 22,13-19).  É dessa época o famoso Discurso sobre o Templo (Jr 7,1-15; cf. cap. 26), que quase custou a vida do profeta.
O Discurso contra o Templo, que foi conservado em duas versões: 7,1-15 e 26,1-24.  O primeiro destaca o conteúdo, o segundo as circunstâncias do discurso.  Ocorreu entre setembro de 609 e abril de 608 AC, quando Jeremias colocou-se no pátio do Templo e denuncia a confiança da população judaísta no Templo de Jeová como falsa e previu a destruição do santuário, tal qual outrora acontecera com Siló.
Na opinião dos sacerdotes do Templo, Jeremias cometera uma dupla blasfêmia: falara em nome de Jeová e falara contra a casa de Jeová.  Jeremias confirmou suas palavras perante o tribunal e só não morreu porque alguém se lembrou do profeta Miquéias, que, um século antes, pregara destino parecido para o Templo e para a cidade e nada sofrera.
No começo de seu governo, Joaquim preocupa-se em construir um novo palácio, exatamente no momento em que a crise econômica se agravava, pois, Judá estava obrigada a pagar tributos ao Egito.  Jeremias denuncia o governo de Joaquim como ganancioso, assassino e violento (22:13-19), pois não cumpre sua função real de exercer a justiça e o direito e de proteger os mais fracos, e vai dizer ao rei que ele, quando morrer, nem merece ser sepultado, mas como um jumento deverá ser jogado para fora das muralhas de Jerusalém, pois, ao contrário de seu pai, Joaquim "não conhece Jeová".
A Babilônia surge como grande potência, sob o reinado de Nabucodonosor.  Jeremias adverte os israelitas que os babilônios, em breve, invadirão o país (4:5-6:30; 5:15-17; 8:13-17).  Possivelmente por volta de 605 AC, quando Nabucodonosor venceu o Faraó Naco II e ameaçou Judá, o profeta foi ao pátio do Templo e anunciou a destruição de Jerusalém (19:14-20,6), e, por isso, foi preso por Fassur, chefe da guarda do Templo, surrado e colocado no tronco por uma noite.  Depois disso, foi-lhe proibida (36,5), a entrada no Templo.
Assim mesmo, Jeremias continua denunciando o povo que se esqueceu de Deus, por falsear o culto, pela falsa segurança, pelas idolatrias e pelas injustiças sociais.  E aponta os principais responsáveis: são as pessoas importantes que detêm o poder em Jerusalém (rei, ministros, falsos profetas, sacerdotes, para isso convoca o escriba Baruc e dita-lhe as profecias de julgamento contra a nação (36:1-32), no quarto ano do governo de Joaquim, em 605 AC.
Em dezembro de 604 AC Jeremias manda Baruc ler o livro, em um momento em que Nabucodonosor atacava a cidade filistéia de Ascalão, vizinha de Judá, é o momento em que o profeta alerta: O "inimigo do norte" está às portas, ou a conversão ou a destruição.
Joaquim mandou queimar o escrito e prender Jeremias e Baruc (36:21-26), que se esconderam e não foram achados.  Posteriormente, Jeremias manda que Baruc escreva tudo de novo e ainda acrescenta ao livro outras palavras (36,27-32).
Jeremias também luta para desmascarar os falsos profetas (14:13-16; 23:13-40) que, segundo o profeta: falam em seu próprio interesse, fortalecem as mãos dos perversos, para que ninguém se converta de sua maldade, seduzem o povo com suas mentiras e seus enganos, roubando um do outro a palavra de Iahweh.
O profeta estava com a razão, e sua visão realista se confirmou: em 598 AC, o exército babilônio estava às portas de Jerusalém.  Nessa época, o rei Joaquim morreu provavelmente assassinado.  Seu filho e substituto Jeconias, não teve tempo para nada: após três meses Jerusalém era invadida.  Então o profeta, juntamente com parte da elite judaica, foi levado para o Exílio da babilônia em 597 AC.  Sedecias, tio de Jeconias, foi instalado por Nabucodonosor, para reinar em Jerusalém.
Jeremias apregoara que este castigo seria decorrente ruptura da aliança.  Em Judá, Jeremias só via rebeldia contra Jeová, levando o povo a maldades e crimes sem conta. Não havia o mínimo "conhecimento de Deus", que só é possível através da prática do direito, da justiça, da solidariedade.  Os poderosos tramam sistematicamente contra o povo, todos buscam desesperadamente a riqueza e não há paz.  A mentira domina desde o ensinamento dos profetas à lei dos sacerdotes, levando o país ao caos.  Todos se tornam inimigos de todos.  Impera a idolatria.  O fim será trágico, segundo os capítulos 8 e 9 de Jeremias.
Jeremias constata a ausência do direito e da verdade entre as pessoas comuns (5:1), mas maior corrupção encontra entre os grandes e poderosos, que não agem mal por ignorância, senão por determinação consciente e persistente (5:4-5).  Quanto mais a crise nacional se aprofunda, mais os líderes se recusam a encontrar soluções.  Só procuram satisfazer seus interesses imediatos e deixam o país afundar: "Eles cuidam da ferida do meu povo superficialmente, dizendo: 'Paz! Paz!', quando não há paz", (6:14).
Em 5:26-28 são descritos os poderosos e suas armadilhas para apanhar o povo e escravizá-lo impunemente.
Terceiro período: durante o reinado de Sedecias (597 a 586 AC)
Sedecias assume o trono com 21 anos de idade, para dirigir uma Judá arruinada, com várias cidades destruídas e uma economia desorganizada, se submete aos babilônios e se mostra indeciso.  Nesse momento surge uma disputa para determinar a identidade do Povo de Deus entre aqueles que foram para o Exílio na Babilônia e aqueles que ficaram em Judá.
O profeta se nega a participar de uma visão simplista (cap. 24) e coloca o assunto dentro da política realista: Sedecias e a corte de Jerusalém são incapazes de salvar o povo do desastre.  Por isso os deportados ainda são os que podem trazer esperança, pois estão aprendendo uma dura lição.  Essa ideia leva Jeremias novamente para a prisão.
Pressionado por seus oficiais, Sedecias tenta armar uma revolta contra a Babilônia, que, fracassa, conforme previsto por Jeremias.  Jerusalém é sitiada pelos babilônios, nesse momento, Jeremias também vê nos camponeses uma luz salvadora (32,15).  Em 587 AC ocorre a segunda deportação.
Quarto período: depois da queda de Jerusalém (a partir de 586 AC)
Em 586 AC, Nabocodonosor resolve destruir Jerusalém totalmente: incendeia o Templo, o palácio, as casas e derruba as muralhas.  Mas permite que Jeremias fique no país, então, o profeta vai viver com Godolias, novo governador da Judeia.
Nesse mesmo ano, Godolias é assassinado por um grupo antibabilônico, que se vê forçado a fugir para o Egito, obrigando Jeremias a ir com eles.  Esse grupo passa a residir na cidade de Táfnis, cidade situada a leste do Delta do Nilo, onde passa a repreender a idolatria que seus conterrâneos que ali praticavam (40,7-44,30).
Segundo o apócrifo Vidas dos Profetas, escrito por um judeu da Palestina no séc. I DC Jeremias foi apedrejado e morto por seus conterrâneos quando residia no Egito.


BALANÇO
Pode-se dizer que a missão de Jeremias fracassou em querer que seu povo retornasse à genuína aliança com Deus.  Ele se tornou uma espécie de Moisés fracassado, que viu seu povo perder suas instituições e a própria terra.   Apresenta-se como um grande solitário (15:17), incompreendido e perseguido até pelos membros de sua família (12:6; 20:10; 16:5-9), nunca chegou a ser pai (16:1-4), foi arrastado contra a sua vontade para o Egito, nenhum vestígio restará de sua tumba.
No entanto, sua confiança no Deus que é sempre fiel lhe deu a capacidade de mostrar, ao povo e a nós, que esse mesmo Deus manterá seu relacionamento conosco, sem precisar de instituições mediadoras (31,31-34).  Ao colocar em primeiro plano os valores espirituais, destacando o relacionamento íntimo que a alma deve ter com Deus, ele antecipou elementos da Nova Aliança; e sua vida de sofrimentos a serviço de Deus, pode ter inspirado o Segundo Isaías na construção da Imagem do Servo (Isaías 53).




CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Há quatro tipos de textos no livro de Jeremias:
Profecias em forma de poesia, como 4:5-6:30;
Relatos autobiográficos ou Confissões de Jeremias, em verso ou prosa, como 1:4-19; 11:18-12:6; 15:10-21; 17:14-18; 18:18-23 e 20:7-18, que não chegam a ser uma autobiografia, mas um testemunho comovente, com o estilo empregado no Livro das Lamentações.
Relatos biográficos em terceira pessoa, atribuídos a Baruc, que não se encontram em ordem cronológica, entretanto, por meio da seguinte sequência de trechos: 19:1-20:6; 26; 45; 28-29; 51:59-64; 34:8-22; 37-44, pode-se fazer uma leitura destes na ordem cronológica.
Discursos em prosa, em número de 10, de autoria incerta, mas que muitos atribuem aos mesmos autores de Josué, Juízes, I Samuel, II Samuel, I Reis e II Reis, a chamada Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr), possivelmente composta por levitas, como 7:1-8.
As longas seções em prosa que ora estão na forma de diálogo e em outras ocasiões como narrativa, embora grande parte da obra esteja esteticamente formatada com forte presença das então denominadas metáforas vivas, utilizando-se com muita habilidade o idioma hebraico.  Segundo alguns estudiosos, o simbolismo utilizado pelo profeta serviria para personificar a sua mensagem, conforme se vê em várias passagens, como a do cinto estragado ou na aquisição de uma propriedade em Anatote.


ADIÇÕES
A obra contém discursos em prosa com estilo semelhante ao Deuteronômio cuja redação pode ser uma obra de discípulos posterior ao Exílio na Babilônia, no séc. VII AC ou começo do séc. VI AC;
O longo Oráculo contra Babilônia (caps. 50 e 51) também data do final do Exílio;
O cap. 52 é um apêndice histórico paralelo a 2Rs 24:18-25:30.


PLANO DA OBRA
1:1-24:14 – Profecias contra Judá;
26:1-45:5 - Profecias de Salvação para Israel e judá e relatos biográficos (provavelmente redigidos por Baruc);
25:15-38 (Introdução) e 46:1-51:64 - Profecias contra as nações estrangeiras; (na Septuaginta) não há descontinuidade entre a introdução e o restante desta parte da obra, pois todo o corpo das "profecias contra as nações estrangeiras" inicia-se no cap 25 e é anterior as "Profecias de Salvação para Israel e Judá ";
52:1-34 - Anexo baseado em 2Rs 24:18-25:30.




PROCESSO DE COMPOSIÇÃO
O livro de Jeremias passou por um longo e complicado processo de formação. Profecias (palavras proféticas) isoladas foram sendo reunidos ao longo dos anos, de modo que temos hoje uma antologia da pregação de Jeremias e não uma obra perfeitamente planejada.  Mais precisamente, pode-se dizer que temos uma antologia de antologias, em um processo que começou ainda durante a vida de Jeremias e prosseguiu ao longo da época pós-exílica.
A Septuaginta tem um texto de Jeremias bem mais curto do que o Texto Massorético além de colocar várias profecias noutra ordem.  Isso permite supor que existiram dois textos independentes de Jeremias: um mais antigo e mais curto, que se perdeu, e que serviu de base para a Septuaginta; outro, mais recente, que recolheu vários acréscimos, e que nos foi transmitido pelos massoretas (= os rabinos "transmissores" do texto hebraico).


CONFISSÕES DE JEREMIAS
As "confissões" são diálogos com Jeová, lamentos, orações, disputas, que ocorreram durante o governo de Joaquim, quando Jeremias mais sentiu o peso de sua missão. Obrigado a ser do contra, a pregar a desgraça para o seu povo, a remar contra a corrente, ameaçado, rejeitado, caluniado, desprezado, ele se lamenta, amaldiçoando até mesmo o dia em que nasceu.
É possível que tenham sido escritos em 605 AC como um desabafo, podem ser lidos como uma síntese das crises vividas pelo profeta desde o começo de sua atividade.  São 5 trechos:
Jr 11:18-12:6 - Lamenta que seus conterrâneos e familiares tentaram matá-lo em Anatot, quando jovem e questiona porque persiste a prosperidade dos ímpios e a paz dos apóstatas, daqueles que vivem falando em Jeová, mas na verdade estão muito longe Dele, daqueles que têm uma fachada de piedade, mas não estão, de fato, com Jeová.
Jr 15:10-11.15-21 - Questiona se vale a pena ser profeta e confessa estar sendo tentado a desistir, aceitar a cooptação, "ser normal", passar para o lado daqueles a quem ele critica para sair da solidão a que é obrigado a viver.
Jr 17:14-18 - Apela a Jeová contra os seus perseguidores que lhe cobram a realização da palavra por ele pregada, se sente desacreditado perante seus ouvintes, porque as desgraças prometidas não acontecem.
Jr 18:18-23 - Denuncia nova trama contra a sua vida, seus adversários argumentam que podem tranquilamente eliminá-lo, já que tem apoio dos sacerdotes, dos sábios e dos profetas ligados aos interesses da corte.  Fica triste ao perceber que estes que querem eliminá-lo são os mesmos a quem ele tantas vezes defendeu diante de Jeová.
Jr 20:7-10.14-18 - Usando fortes imagens, chega ao máximo de sua angústia, acredita que Jeová o enganou: o seduziu para ser profeta e o dominou, para depois abandoná-lo, quando todos querem sua queda, inclusive seus amigos e por isso, ele quer parar de ser profeta, mas o problema é que não consegue, pois, as palavras de Jeová queimam-no como fogo que atinge até os ossos.  Então, amaldiçoa o dia em que nasceu: "Maldito o dia em que eu nasci! (...) maldito o homem que deu a meu pai a boa nova: 'Nasceu-te um filho homem!' (...) porque ele não me matou desde o seio materno, para que minha mãe fosse para mim o meu sepulcro e suas entranhas estivessem grávidas para sempre.  Por que saí do seio materno para ver trabalhos e penas e terminar os meus dias na vergonha?".
Segundo os relatos em seu livro, Jeremias não se julgava justo aos seus próprios olhos, mas incluía a si mesmo ao admitir a iniquidade daquela nação (Jr 14:20, 21).  Depois de liberto por Nebuzaradã, hesitou em abandonar aqueles que estavam sendo levados para o babilônico, talvez achando que devia compartilhar a sorte deles, ou desejando continuar servindo aos interesses espirituais deles (Jr 40:5).
Por vezes, em sua longa carreira, Jeremias ficou desanimado e necessitou a confirmação do apoio de Jeová, mas, mesmo em adversidade, não deixou de invocar a Jeová, pedindo-lhe ajuda. - Jr 20:7-13.
Encontrou bons companheiros, a saber, os recaibitas, Ebede-Meleque e Baruque.  Por meio destes amigos, foi ajudado e livrou-se da morte.




AUTORIA DE LAMENTAÇÕES
A atribuição da autoria do Livro de Lamentações à Jeremias é questionada, pois Jeremias, tal como é conhecido por suas profecias autênticas, não poderia ter dito que a inspiração profética tinha se esgotado (2:9), nem louvar Sedequias (4:20 x Jr 24:8), nem esperar auxílio do Egito (4:17 x Jr 37:5-7), nem apoiar a doutrina da dívida pelos pecados dos pais (5:7 x Jr 31:29-30; 5:6 x Jr 2:18) além disso seu gênio espontâneo é incompatível com o estilo erudito dos poemas que estão no Livro das Lamentações, havendo quem sustente que foram escritas por adversários de Jeremias.


PROFECIAS
Jeremias encenou para Jerusalém vários pequenos dramas como símbolos da condição dela e da calamidade que lhe sobreviria.  Entre eles:
A visita à casa do oleiro (Jr 18:1-11) e o incidente com o cinto estragado. (Jr 13:1-11) Ordenou-se a Jeremias que não se casasse; isto servia de aviso das "mortes por enfermidades", das crianças que nascessem naqueles últimos dias de Jerusalém. (Jr 16:1-4).  Ele quebrou uma botija diante dos anciãos de Jerusalém, qual símbolo do impendente destroçamento da cidade. (Jr 19:1, 2, 10, 11).  Comprou de volta um campo de Hanamel, filho de seu tio paterno, como figura da restauração que viria depois do exílio de 70 anos, quando se comprariam novamente campos em Judá (Jr 32:8-15, 44).  Lá em Tafnes, no Egito, ele ocultou grandes pedras no terraço de tijolos da casa de Faraó, profetizando que Nabucodonosor fixaria seu trono sobre aquele exato ponto. - Jr 43:8-10.





RELAÇÃO COM OUTRAS FIGURAS BÍBLICAS
O profeta Daniel com base no estudo das palavras de Jeremias a respeito do exílio de 70 anos, pôde fortalecer e encorajar os judeus a respeito da proximidade da sua libertação. (Dn 9:1, 2; Je 29:10).  Esdras trouxe à atenção o cumprimento das palavras dele. (Ed 1:1; veja também 2 Cr 36:20, 21.).
O Apóstolo Mateus apontou para o cumprimento de uma das profecias de Jeremias nos dias em que Jesus era criancinha. (Mt 2:17, 18; Jr 31:15).  O autor de Hebreus mencionou os profetas, entre os quais se achava Jeremias, cujos escritos citou, em Hebreus 8:8-12. (Jr 31:31-34) A respeito destes homens, o mesmo escritor disse que "o mundo não era digno deles", e que 'receberam testemunho por intermédio de sua fé'. - Hb 11:32, 38, 39.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

I S A Í A S

I S A Í A S



O profeta Isaías, teria vivido entre 765 AC e 681 AC., durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe que sitiou a cidade com um exército de 185 mil assírios em 701 a.C
Isaías, cujo nome significa "Iahveh ajuda" ou "Iahveh é auxílio" exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.
O capítulo 6 do livro informa sobre o chamado de Isaías para tornar-se profeta através de uma visão do trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.
Focando em Jerusalém, a profecia de Isaías, em sua primeira metade, transmite mensagens de punição e juízo para os pecados de Israel, Judá e das nações vizinhas, tratando de alguns eventos ocorridos durante o reinado de Ezequias, o que se verifica até o final do capítulo 39.
A outra metade do livro (do capítulo 40 ao final) contém palavras de perdão, conforto e esperança.
Pode-se afirmar que Isaías é o profeta quem mais fala sobre a vinda do Messias, descrevendo-o ao mesmo tempo como um "servo sofredor" que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça. Por isso, um dos capítulos mais marcantes do livro seria o de número 53 que menciona o martírio que aguardava o Messias:
"Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados". (Is 53:5)
Segundo um livro apócrifo do século I DC, Vidas dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina, o rei Manassés teria mandado serrar Isaías ao meio.  

CONTRA A FALSA RELIGIÃO
Na época de Isaías, as pessoas frequentavam o Templo, mas para o profeta isso não basta, pois, encher o Templo com iniquidade e solenidade é um erro enorme (1:10-20), isso porque as pessoas que levam oferendas para Deus são as mesmas que não se importam em fazer o direito (mishpât) funcionar, que não fazem justiça ao desprotegido órfão e à abandonada viúva. Isaías, em um dos textos proféticos mais violentos contra um culto que funciona só para mascarar as injustiças que se cometem no dia a dia, pede aos príncipes de Sodoma e ao povo de - na verdade, de Jerusalém - para ouvirem a palavra de Deus.
10 Escutem a palavra de Jeová, chefes de Sodoma; preste atenção ao ensinamento do nosso Deus, ó povo de Gomorra:
11 Que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios? - diz Jeová. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos.
12 Quando vocês vêm à minha presença e pisam meus átrios, quem exige algo da mão de vocês?
13 Parem de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembleias… não suporto injustiça junto com solenidade. (1:10-13).
16 Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista as maldades que vocês praticam. Parem de fazer o mal,
17 aprendam a fazer o bem: busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. (1:16-17)


CRÍTICA À INJUSTIÇA SOCIAL
O profeta denuncia o comportamento dos ricos e latifundiários, dos que vivem em grandes festas custeadas pelo trabalho dos pobres, dos que exploram o povo negando-lhe a justiça e dos que se fazem grandes e importantes vivendo em grandes banquetes (5:8-24).
Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e sejam os únicos a habitarem no meio do país. (5:8)
Nesse aspecto destaca-se sua semelhança com o profeta Amós, até porque eles são quase contemporâneos: Amós é de 760 AC e Isaías inicia sua atividade em 740 AC. A problemática social era a mesma para ambos, embora Amós fosse um camponês e Isaías um homem culto ligado a corte, ambos atacam os grupos dominantes da sociedade: autoridades, magistrados, latifundiários, políticos.
Isaías é duro e irônico com as damas da classe alta de Jerusalém (3:16-24), assim como Amós o fora com as madames de Samaria em Am. 4:1-3, além disso Isaías defende, com paixão, órfãos, viúvas, oprimidos, o povo explorado e desgovernado pelos governantes, denuncia igualmente a máscara da religião que encobre a injustiça (1:10-20), do mesmo modo que Amós em (2:6-16), (4:4-5) e 5:21-27.

ÉPOCA DE ACAZ
Nessa época ocorreu uma grande crise política e militar em Judá provocada pelo crescente ameaçado Império Assírio e pelos muitos erros do governo de Judá. Era o tempo da política expansionista do rei Teglat Falasar III, iniciada em 745 AC, que implicava numa grave ameaça para os pequenos reinos da região, Israel Setentrional, Damasco e outros da região tornaram-se tributários da Assíria. Golpes de Estado em Israel, alianças contra ou a favor da Assíria faziam parte da política internacional da época.
Facéia, um rei golpista, de Israel, fez uma aliança com o Damasco e ambos decidiram invadir Judá derrubar Acáz e colocar um estrangeiro em seu lugar, para usar o reino do sul numa coalizão militar contra a Assíria, trata-se da Guerra Siro-Efraimita iniciada em 734 AC. Acaz pede o auxílio da Assíria e Teglat Falasar III tomou Damasco e 3/4 de Israel, restando apenas a Samaria que, posteriormente (em 722 AC), foi tomada pelas tropas assírias de Salmanazar e de Sargão II.
Como preço pelo auxílio da Assíria, Judá perdeu sua independência Acaz viu-se obrigado a reconhecer os deuses assírios como seus libertadores e a prestar-lhes culto, apresentar-se a Teglat Falazar III para prestar-lhe obediência e pagar pesados tributos, o que resultou num aumento os impostos pagos pelo povo, aumentando as injustiças que antes já eram denunciadas por Isaías. Nesse contexto, a religião oficial procurava encobrir os problemas com grandes festas.


ESPERANÇA EM EZEQUIAS
Alguns teólogos denominam a parte do Livro de Isaías compreendida entre o início do cap. 7 até o sexto vers. do cap. 12 (7:1-12:6) como Livro do Emanuel (7:14), estima-se que essa parte da obra foi escrita e, portanto, deve ser interpretada no contexto da Guerra Siro-Efraimita e da consequente dependência da Assíria. São seis capítulos organizados pelo redator do livro de Isaías em torno de três temas:
os sinais, como o do menino que vai nascer (7:14-15);
o binômio invasão/libertação, que aparece em vários textos;
o significado de nomes próprios.
O início do cap. 7 (7:1-17) revela a esperança de Isaías em Ezequias. É um texto que deve ser lido considerando-se a existência de dois blocos distintos:
 O primeiro bloco (7:1-9), relata o encontro de Isaías com Acaz, às vésperas da Guerra Siro-Efraimita, em 734 ou 733 AC. Quando os reis de Damasco e de Samaria  planejam invadir Judá para depor Acaz e no seu lugar colocar um rei não-davídico - o filho deTabeel - que envolveria o país na coalizão contra o Império Assírio, Isaías vai ao encontro de Acaz, que está cuidando das defesas de Jerusalém.
O segundo bloco (7:10-17) relata novo encontro de Isaías com Acaz, desta vez, talvez, no palácio, no qual o profeta oferece ao rei um sinal de que tudo se arranjará diante da ameaça Siro-Efraemita. Com a recusa do rei em pedir um sinal a Iahweh, Isaías muda de tom e relata a Acaz que Iahweh, por própria iniciativa, dar-lhe-á um sinal, que consiste no seguinte: a jovem mulher dará à luz um filho, seu nome será Emanuel (Deus-conosco) e ele comerá coalhada e mel até que chegue ao uso da razão.
É razoável concluir que a jovem mulher seja jovem rainha, mãe de Ezequias, considerando-se que Isaías falou a Acaz nos primeiros meses de 733 AC, e Ezequias teria nascido no inverno de 733-32 AC.
Isaías volta a falar de Ezequias no início do cap. 9 (8:23b-9:6), pois este início de capítulo deve ser compreendido em conjunto com o final do cap. 8, no qual menciona as três regiões de Israel conquistadas entre 734 e 732 AC por Teglat-Falazar III, que são: Zabulon (caminho do mar), Neftali (o além-Jordão) e a Galileia (o território das nações). Isaías fala destas regiões para despertar a esperança: Iahweh, que humilhou estas terras, as cobrirá de glória. E o povo, que vivia nas trevas e na tristeza, viverá na luz e na alegria. Uma alegria enorme, que é causada pelo fim da opressão (o jugo, a canga e o bastão do opressor foram quebrados), pelo fim da guerra (a bota e o uniforme militar foram queimados) e, principalmente, pelo nascimento de um menino em Judá.
Este menino é um personagem da casa real, de acordo com os quatro títulos que lhe são atribuídos em 9:5, títulos que parecem ser características sobre-humanas e messiânicas, mas que podem caber bem aos reis, segundo a mentalidade da época: a sabedoria do rei na administração (Conselheiro), sua capacidade militar (Deus-forte), zelo pela prosperidade do povo (Pai), preocupação com a felicidade do povo (Príncipe-da-paz), além disso, 9:6 esclarece que este menino é da "casa de David" e caracteriza suas ações: governará com direito e justiça, e, por isso, deve tratar-se de Ezequias.
Isaías volta a referir-se a Ezequias no início do cap. 11 (11:1-9), pois o ponto de referência do profeta continua sendo um rei da época, descendente de David que salvaria o país da catástrofe. O texto fala de um personagem régio (11:1), de suas qualidades (11:2), de sua atuação (11:3b-5), da instauração de uma nova realidade (11:6-8) para concluir que então haverá em Israel conhecimento de Iahweh.
Este personagem esperado, fiel a Iahweh vai instaurar um reino de justiça e paz, onde o pobre e o oprimido serão protegidos contra a prepotência dos poderosos. Justiça e paz que são simbolizadas, no poema, pela convivência harmoniosa de animais selvagens e domésticos. A identificação deste personagem da família davidica é problemática. Alguns acreditam que o poema trata da utopia profética de Isaías por ocasião da coroação de Ezequias como rei em 716 ou 715 AC. Outros defendem que se Ezequias fora o objeto da esperança de Isaías de tirar o país da crise, como aparece em 7:1-17 e 8:23b-9:6, agora, decepcionado com sua política pró-egípcia que acaba provocando a invasão do assírio Senaqueribe, pensa em alguém que no futuro possa resgatar Israel.
Ezequias tomou posse como rei em em 716 ou 715 AC, após a morte de seu pai Acaz, e aproveitou a pouca vigilância assíria para fazer uma reforma em Judá. Foi uma reforma religiosa, social e econômica, na qual defendeu os artesãos dos exploradores, com a criação de associações profissionais, retirou do Templo de Jerusalém os símbolos idolátricos e construiu um novo bairro em Jerusalém, para abrigar os refugiados de Israel. Entretanto, em 701 AC, Senaqueribe destruiu 46 cidades fortificadas de Judá e sitiou Jerusalém.


CONTROVÉRSIAS SOBRE A AUTORIA DO LIVRO E SUA UNIDADE
Embora a teologia tradicional judaico-cristã defenda a existência de um único autor, respaldada por Eclesiásticos 48:24-25, existem fortes evidências de que o livro foi obra de mais de um autor, merecendo destaque o início do capítulo 40, onde se verifica a descontinuidade entre o Primeiro e o Segundo Isaías, pois ocorre uma mudança abrupta do século VIII AC para o período do Exílio na Babilônia (século VI AC), não se fala mais uma única vez de Isaías e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com frequência, assim como o nome de Ciro II, rei dos medos e persas. Havendo estudos que indicam que dos 66 capítulos do livro, menos de 20 foram escritos pelo profeta do século VIII AC que viveu durante os governos dos reis Joatão (739-734 AC), Acaz (734 ou 733 - 716 AC) e Ezequias (716 ou 715 - 699 ou 698 AC), estando tais capítulos concentrados na primeira parte do livro, que engloba os caps. 1 a 39, também conhecida como Proto-Isaías ou Primeiro Isaías.
 Portanto, o livro de Isaías é uma coletânea de oráculos proféticos de épocas bem diferentes, cuja redação final deve ter acontecido por volta de 400 AC, ou mesmo mais posteriormente. Trezentos anos depois da morte de Isaías ainda se atualizavam suas palavras, pois mesmo os oráculos da época dele foram relidos na perspectiva pós-exílica. O horizonte de leitura do livro completo de Isaías é o da época persa e da comunidade judaica pós-exílica.
Portanto, de acordo com a teoria da crítica bíblica moderna, foram dois Isaías que escreveram o livro. O Proto-Isaías escreveu parte dos capítulos 1 a 39do Livro de Isaías. Ele admoestava Israel pelas convulsões sociais e pela sua política externa, pronunciou-se contra a ameaça dos Assírios e foi o primeiro a mencionar a espera de um Messias. De acordo com alguns teólogos, os capítulos 24 a 27 e 33 a 39 contêm dados adicionais posteriores.
Os capítulos 40-55 do livro de Isaías foram escritos por um profeta anônimo. A este anónimo costuma chamar-se de Dêutero-Isaías, para distingui-lo do primeiro. Ele viveu por volta de 550-539 a.C. e deu a sua consolação ao povo israelita que tinha sido feito prisioneiro e enviado para o Cativeiro Babilônico. Falava também num vassalo de Deus que iria trazer o povo de regresso a Israel.
Os capítulos 55-66 do Livro de Isaías são tidos por alguns pesquisadores modernos como acréscimos posteriores ao Dêutero-Isaías, que por volta de 1900, acreditou-se ser um terceiro autor (um terceiro Isaías), mas que, de acordo com a teoria, podem ter sido vários.
Porém, a teoria de um único Isaías é aceita pelos fundamentalistas, que encontram termos em comum nos três livros e consideram tais termos como prova de veracidade. Não aceitam imaginar que antes da invenção da escrita, os livros eram reproduzidos por copistas, e que eles os traduziam. Ora, se uma só pessoa cópia e traduz um texto, é natural que no fim ela consiga dar coerência aos textos.
Mesmo com pesadas críticas, a posição tradicional entre os teólogos e fundamentalistas é a de que o Livro de Isaías foi escrito por uma única pessoa entre 740 a 681 a.C. pelos seguintes motivos:
- - - Nos capítulos nas duas seções existem palavras que atestam sua unidade, como:
- -
"o Santo de Israel".
-
“… as vossas mãos estão cheias de sangue." (1:15; 59:3)
-
“… será a coroa de glória e o formoso diadema para os restantes de seu povo." (28:5; 62:3)
-
“… pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo."(35:6; 41:18)
- - - As mudanças no tema acontecem para preparar o leitor e fazer com que o mesmo entenda a mensagem. Norman Geisler explica:
- - "Os capítulos 1 a 39 preparam o leitor para as profecias contidas nos capítulos 40 a 66. Sem esses capítulos preparatórios, a última seção do livro não faria muito sentido.
Por outro lado, filólogos e historiadores, especializados na análise apropriada de textos e desprovidos de preconceitos religiosos, refutam cada uma dessas tentativas de defender a unicidade do livro, mantendo suas hipóteses acerca da tripla autoria do livro, que é a atual posição entre a maioria dos historiadores.



A QUESTÃO EM TORNO DE ISAÁS 40.22
Uma das passagens bíblicas que talvez tenham gerado mais controvérsias e problemas na História, atingindo crucialmente a questão do helicentrismo versus teocentrismo, é a passagem de Isaías 40:22.
Nesta passagem, algumas das traduções (inclusive as que estavam em vigor no tempo da Idade Média) era o de traduzir a palavra hebraica hhug por "círculo". Tal passagem acabou por gerar a interpretação de que a Terra teria a forma de um prato, ou um disco - a Versão Católica ainda traduz o termo como "disco",o que acabou por ser um dos motivos da oposição às viagens de Colombo quando este almejou encontrar as Índias contornando a Terra.
No entanto, de acordo com o livro de B. Davidson "A Concordance of the Hebrew and Chaldee Scriptures" (Concordância das Escrituras Hebraicas e Caldeias), a mesma palavra pode ainda ser traduzida por "esfera". Sob uma análise científica, tais termos levaram muitos a crer que esta passagem da Bíblia é uma amostra de sua falsidade, uma vez que hoje é tido como verdade científica comprovada que a Terra não é nem um prato, nem uma esfera, mas de formato geoide. No entanto, apesar de este fato científico anular a interpretação de que a superfície da terra é uma esfera ou círculo, não anula o termo por completo quando se muda o plano de referência, tomando a observação no espaço sideral como tal. Isto porque, quando vista do espaço, a Terra possui um desenho circular devido à atmosfera, e, se fosse considerar o formato completo, também pode ser observado como esfera.

COMO MORREU O PROFETA ISAÍAS
Na verdade não sabemos como Isaías terminou a sua vida, os livros sagrados da bíblia nada citam a respeito de sua morte. Apenas podemos imaginar que tenha morrido como todos os outros profetas enviados por Deus para denunciar os desvios do Povo a Javé. Isaías morreu angustiado vendo seus contemporâneos se afastarem de Deus e não escutarem a voz Divina, por ele proclamada.
Ainda preciso de confirmação do que está escrito no livro apócrifo a “vida dos Profetas, escrito no século I d.C, de autor anônimo judeu, que vivia na Palestina afirmando que o profeta Isaías prisioneiro do Rei Manasses, foi condenado a morte, de forma inglória: foi serrado ao meio.
Segundo os livros apócrifos, o profeta Isaías sendo encarcerado a mandato do Rei Manasses, (considerado um dos piores Reis de Israel, filho de Ezequias) recebe a condenação à morte de forma sangrenta e cruel. Segundo estes escritos apócrifos ele foi serrado ao meio.
Quanto a forma da "morte" não encontramos registros, esta informação é narrada na tradição rabínica, o informante coloca os detalhes da morte que teriam colocado o profeta Isaías dentro de um tronco de árvore e serrado ao meio. Entretanto, estas tradições narrativas tendem a não ser dignas de confiança.
As pesquisas continuam...
Aquilo que a literatura apócrifa apresenta no livro do século I d.C., Vidas dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina, estou ainda pesquisando, não localizei nas bibliotecas visitadas. Espero encontrar uma resposta mais aproximada da verdade de como terminou Isaías os seus dias, após cerca de 40 anos de atividade profética?



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

C A N T A R E S O U C Â N T IC O D O S C Â N T IC OS

O    L I V R O    D E    C A N T A R E S



O Cântico dos Cânticos, também chamado de Cantares, Cântico Superlativo (em hebraico: שִׁיר הַשִּׁירִים transl. Šîr HaŠîrîm; na Septuaginta Grega: ᾎσμα ᾎσμάτων, transl. Āisma Āismatōn; na Vulgata Latina: Cantĭcum Canticōrum) ou Cântico de Salomão é um livro do Antigo Testamento. No judaísmo, é um dos cinco rolos da última seção do tanakh, conhecida como Ketuvim ("Escritos").
É um dos Livros Poéticos do Velho Testamento, posterior ao Eclesiastes e anterior ao Livro da Sabedoria, na Bíblia católica e, na Bíblia protestante, antes de Isaias. Representa, em hebraico, uma fórmula de superlativo; significa o mais belo dos cânticos, Cântico por Excelência ou o cântico maior.
De acordo com o título em 1.1, o cântico dos cânticos foi escrito por Salomão, filho do Rei Davi. Pode-se dizer que é "de Salomão", pois a expressão hebraica "de Salomão" (1.1) pode ser traduzida "de" Salomão (como o seu autor) ou "para" Salomão (como a pessoa à qual o livro é dedicado). A opinião tradicional entre judeus é a de que Salomão foi o seu autor (Cf. 1Rs.4.32); para os católicos este livro pertence ao agrupamento dos Sapienciais, que condensam a sabedoria infundida por Deus no povo de Israel. Como pertence ao grupo dos sapienciais recebe como autor a figura simbólica de Salomão, o modelo da sabedoria em Israel. Tem sua escrita estimada por volta do ano 400 a.C, e constitui-se de uma coletânea de hinos núpciais.

Segundo a Edição Pastoral da Bíblia, o livro é uma coleção de cantos populares de amor, usados talvez em festas de casamento, em que noivo e noiva eram chamados de rei e rainha, que foram reunidos, formando uma espécie de drama poético, e atribuídos ao rei Salomão, reconhecido em Israel como patrono da literatura sapiencial. A forma final do livro, remonta ao século V ou IV AC.
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que seu autor certamente não é Salomão.  Cânticos dos Cânticos é um livro curto, com apenas oito capítulos. Apesar de sua brevidade, apresenta uma estrutura complexa que, por vezes, pode confundir o leitor. Diferentes personagens têm voz, ou falam, nesse poema lírico. Em muitas traduções da Bíblia, esses emissores alternam sua fala de modo inesperado, sem indicação ao leitor, dificultando, assim, sua leitura. Algumas versões, como a Almeida Revista e Atualizada e a Bíblia de Jerusalém, eliminam o problema com a indicação de quem está falando.
Os três participantes principais do poema são: O NOIVO, o Rei (1,4.12),(7) Salomão, isto é, "o Pacífico" (3,7.9); (2); A NOIVA, mulher mencionada como "Sulamita" (6.13), a Pacificada, aquela que encontrou a paz (8,10); e as "FILHAS DE JERUSALÉM " (2.7). Tais mulheres devem ter sido escravas da realeza que serviam como criadas da noiva do rei Salomão. No poema, servem como coro para ecoar os sentimentos da Sulamita, enfatizando seu amor e afeição pelo noivo.
Além dos personagens principais, são mencionados os irmãos da Sulamita (8.8-9), que devem ter sido seus meio-irmãos. O poema indica que ela trabalhava, por ordem dos irmãos, como "guarda de vinhas " (1.6).
Essa canção de amor divide-se praticamente em duas seções principais com mais ou menos o mesmo tamanho. O início do amor (cap. 1-4) e seu amadurecimento (cap. 5-8).
Por ser um poema escrito em uma linguagem considerada sensual, sua validade como texto bíblico já foi questionada ao longo dos tempos. O poema fala do amor entre o noivo e sua noiva. O nome de Deus só aparece nele de forma abreviada, em 8,6, "uma chama de Iah(weh)".
A interpretação alegórica, segundo a qual o amor de Deus por Israel e o do povo por seu Deus são representados como as relações entre dois esposos, tornou-se comum entre os judeus a partir do séc. II DC, tal interpretação tem paralelo no tema da alegria nupcial que os profetas desenvolveram a partir de Oséias.
Orígenes seguia essa mesma linha, mas via as núpcias de Cristo com a Igreja, ou a união mística da alma com Deus, São João da Cruz teria o mesmo entendimento.
 O poeta parece retomar a linguagem profética da aliança, como na expressão "procurar, encontrar" (3:1-2), além disso, a obra teria contatos com o Salmo 45.
Outros exegetas entendem que o livro celebra o amor mútuo e fiel, que sela o matrimônio abençoado por Deus.
Apesar de mostrar alguns vislumbres da corte de Jerusalém, o cenário campestre dá o tom do enredo. O autor faz alusões a jardins, árvores, flores, montanhas arborizadas, animais selvagens, vinhas e fontes. Os locais variam de En-Gedi e Jerusalém: “Como um cacho de Chipre nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. ” (1:14); “Formosa és, amiga minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras. ” (6:4), no Sul, até os montes Hermom: “Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos. ” (4:8) e Líbano: “O rei Salomão fez para si um palanque de madeira do Líbano. ” (3:9); “Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos. Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro das tuas vestes é como o cheiro do Líbano. És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano! ” (4:8,11,15), no Norte.




O   L I V R O    DE    C A N T A R E S   D E   S A L O M Ã O





               Cantares é uma Coleção de Poemas de Amor, em forma de canções para festas de casamentos, Jr.33.11. Em alguns Livros é chamado de O Cântico dos Cânticos ou Cântico de Salomão. Estas canções de amor tem sido muitas vezes interpretadas pelos judeus como um retrato de Deus como esposo do seu Povo, Oseias 2.16-20, e pelos cristãos, o relacionamento de Cristo com a sua Igreja, Apoc.21.2-9. Este Livro trata da pureza e santidade do casamento que foi instituído por Deus.
               O verdadeiro Amor permanece fiel, apesar de todas as dificuldades e tentações. Cantares é um poema religioso que simboliza o amor mútuo de Deus para conosco.






quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

E C L E S I A S T E S

O    L I V R O    D E    E C L E S I A S T E S



O livro de Eclesiastes faz parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia cristã e judaica, vem depois do Livro dos Provérbios e antes de Cântico dos Cânticos. O Livro tem seu nome emprestado da Septuaginta, e na Bíblia hebraica é chamado Kohelet (קהלת). Embora tenha seu significado considerado como incerto, a palavra tem sido traduzida para o português como pregador ou preletor. Faz parte dos escritos atribuídos tradicionalmente ao Rei Salomão, por narrar fatos que coincidiriam com aqueles de sua vida.
Por outro lado, Bíblia de Jerusalém sustenta que a atribuição a Salomão não passa de mera ficção literária do autor, a linguagem do livro, e sua doutrina, permitem concluir que foi escrito após o Exílio na Babilônia.
Muitos questionam a unicidade do autor, e defendido que foi escrito por duas, três, quatro e até oito mãos distintas.
O principal tema do livro é a vaidade das coisas humanas, dando a lição de desapego dos bens terrestres, negando a felicidade dos ricos e preparando o povo para entender que "bem-aventurados são os pobres" (Lc 6, 20).
Por sua vez, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que se trata de um livro profundamente crítico, lúcido e realista sobre a condição do povo, por volta do século III AC, quando a Palestina era então colônia da dinastia Macedônia dos Ptolomeus, ao qual devia pagar pesados tributos, que eram arrecadados pela família dos Tobíadas, que controlava o comércio, a economia e a política interna.
O autor escreveu durante esse tempo de exploração interna e externa, que não deixava esperanças de futuro melhor para o povo. Num mundo sem horizontes, ele fez um balanço sobre a condição humana, buscando apaixonadamente uma perspectiva de realização.
Para ensinar os caminhos para realizar a vida e a felicidade, o autor desmonta as ilusões que um determinado sistema de sociedade apresenta como ideal (riqueza, poder, ciência, prazeres, status social, trabalho para enriquecer etc.) e coloca uma pergunta fundamental: «Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? » (1,3).


Tudo é Vaidade (Ec 1:2)
Em vez de cair no desespero, o autor descobre duas grandes perspectivas: Primeiro, descobre Deus como Senhor absoluto do mundo e da história, devolvendo a Deus a realidade de ser Deus. Depois, descobre o Deus sempre presente, fazendo o dom concreto da vida para o homem, a cada instante e continuamente. Isso leva o homem a descobrir que a própria realização é viver intensamente o momento presente, percebendo-o como lugar de relação com o Deus que dá a vida. Intensamente vivido, o momento presente se torna experiência da eternidade, saciando a sede que o homem tem da vida. Todavia, para que se possa de fato viver o presente é preciso usufruir o fruto do próprio trabalho (2,10; 2,24; 3 ,13.22; 5,18-20; 9,9).
O Eclesiastes ou Coélet denuncia, portanto, as consequências de uma estrutura social injusta. O povo não tem presente, quando é impedido de usufruir do fruto do próprio trabalho. Consequentemente, fica sem vida, que lhe foi roubada não por esta ou aquela pessoa, mas por todo um sistema social dependente que, para privilegiar uma minoria, acaba espoliando a nação inteira. E aqui, o autor mostra que isso se trata, em primeiro lugar, de um pecado teológico: Deus dá a vida para todos; se ela é roubada, o roubo é um desvio na própria fonte da vida.

O Eclesiastes é convite para destruir e construir. Destruir uma falsa concepção a respeito de Deus e da vida, muitas vezes justificada por concepções teológicas profundamente arraigadas. Depois, construir uma nova concepção de vida, a vida que é um dom gratuito de Deus para que todos a partilhem com justiça e fraternidade. Só então todos poderão ter acesso à felicidade, que consiste em usufruir a vida presente que, intensamente vivida, é a própria eternidade. Como conclui o próprio pregador: "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mal". (Ecl 12:13-14).


O    L I V R O    D E    E C L E S I Á S T E S


            Eclesiastes é o Livro do Sábio, um homem que meditou profundamente sobre a vida humana, com suas injustiças e decepções, e concluiu que tudo é ilusão. É o livro do homem sem Deus, que descobre verdades consoladoras, que é “Temer a Deus e Obedecer aos seus Mandamentos” Ecles.12.13, pois foi para isso que fomos criados, pois a Ele iremos um dia prestar contas de tudo, seja para o bem ou para o mal.

            O Livro de Eclesiastes foi escrito em 970-700 AC, por Salomão, o qual também é chamado de “o Sábio ou o Pregador”. Salomão escreveu este livro no final de sua vida, no seu espírito em declínio, quando deixou por fim desiludido com os prazeres desta vida e o materialismo, como caminho da felicidade.
Eclesiastes reflete a busca da felicidade nesta vida à parte de Deus e sua Palavra. Salomão no seu vazio experimentou de tudo: Edificou, Colecionou Obras de Artes, Jogos, Filosofia, Ritualismo Religioso, mas nada adiantou, até que por fim em sua velhice reconheceu que o homem sem Deus não é nada, tudo nesta vida sem Deus é ilusão.
             Resumindo, o livro de  Eclesiastes são reflexões da vida, de nossos deveres  e obrigações perante Deus.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

P R O V É R B I O S

L I V R O    D E    P R O V É R B I O S



O livro de Provérbios é um dos Sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia, vem depois do Livro de Salmos e antes de Eclesiastes. Conforme declara a sua introdução, tem como propósito ensinar a alcançar sabedoria, a disciplina e uma vida prudente e a fazer o que é correto, justo e digno. Em suma, ensina a aplicar e fornecer instrução moral.
Provérbio é uma frase curta, bem construída, que expressa uma verdade adquirida através da experiência e que se impõe pela forma breve e pela agudez das observações. Os provérbios são ensinamentos deduzidos da experiência que o povo tem da vida, e sua finalidade é instruir, esclarecendo situações de perplexidade e fornecendo orientações para a vida humana, como as setas de uma estrada (1,1-7). O livro de provérbios é um livro que traz uma "coletânea de sentenças" e levou vários séculos para ser escrito. Shilomoch ou (Salomão), foi um dos autores deste precioso compendio. Mas a história nos apresenta outros autores tais quais, Agur, rei Lemuel, alguns sábios do rei Ezequias e outros sábios. (Enciclopédia judaica.Vol. 10-pág.221) O livro todo é um convite para valorizar não só a cultura popular, mas também, e principalmente, a percepção religiosa que o povo tem de uma Sabedoria que vem de Deus e é seu dom aos pequeninos; sabedoria que nem sempre é captada e compreendida pelos sábios e doutores (Mt 11,25).
O título do livro vem originalmente de sua forma hebraica Míshlê Shelomoh ("Provérbios de Salomão"). Como é comum na Bíblia Hebraica, o título hebraico do livro é simplesmente um conjunto de palavras do primeiro verso do livro. Na Septuaginta esse livro se chama Paroimiai, que significa "provérbios, parábolas". O Livro de Provérbios ocupa o terceiro lugar na ordem dos Hagiógrafos no Cânon Judaico, e foi um dos que foram discutidos no Sínodo de Jamnia. A tendência não era excluí-lo do Cânon Sagrado, mas da leitura pública, na sinagoga. A questão básica girava em torno de Pv. 26.4,5, pois alguns rabinos viam contradições nessas passagens; a conclusão deles é que o primeiro versículo diz respeito à Lei e o segundo fala sobre a vida secular.



CARACTERÍSTICAS DO LIVRO
A autoria do livro de Provérbios não é algo fácil de determinar. Contudo estudiosos apontam que foi Salomão aquele que escreveu a maior parte. Agur e Lemuel contribuíram nas últimas seções.
Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que não foram escritos por um único autor e não pertencem à mesma época. A maioria deles nasceu da experiência popular, que foi depois coletada, burilada e editada por sábios profissionais desde o tempo de Salomão (950 AC) até dois séculos depois do exílio (400 AC). Foram atribuídos ao rei Salomão por causa de sua fama de sábio (1Rs 3-5) mas, quando se observa atentamente os vários subtítulos que aparecem no livro, pode-se facilmente distinguir nove coleções, provindas de tempos e mãos diferentes.
A Bíblia de Jerusalém sustenta que o livro se formou em torno de duas coleções principais "Provérbio de Salomão " (10:1-22:16), com 375 sentenças, e Provérbios de Salomão transcritos de pelos homens de Ezequias " (caps. 25 a 29), com 128 sentenças, precedidos por uma longa introdução (caps. 1 a 9). Além disso duas pequenas coleções (22:17-24:22 e 24:23-24) foram juntadas como apêndices da primeira coleção principal, e três outras pequenas coleções (Palavras de Agur 30:1-14, provérbios numéricos 30:15-33, as palavras de Lamuel 31:1-9) e um poema alfabético que louva a mulher perfeita 31:10-31 foram juntadas como apêndices da segunda coleção principal.
Os nomes dos dois sábios árabes (Agur e Lamuel) são fictícios e não pertencem a personagens reais, mas atestam o valor que se dava à sabedoria estrangeira.
Pode-se dizer com segurança que os caps. 10 a 29 são anteriores ao Exílio da Babilônia, enquanto que a introdução é posterior ao exílio, provavelmente escrita no séc. V AC.
Nas duas coleções principais predomina uma sabedoria humana e profana que desconcerta o leitor cristão.



FORMAS LITERÁRIAS
Podemos encontrar diversas formas literárias no livro de provérbios: poemas, pequenas parábolas, lições de vida. Entre as figuras literárias mais comuns, podemos citar as antíteses, as comparações e personificações.

CARACTERÍSTICAS ADICIONAIS

O livro de Provérbios também é considerado um livro poético, assim como, filosófico, que juntamente com o livro de Jó e Eclesiastes formam os três livros filosóficos da Bíblia. "Todo homem prudente age com base no conhecimento" (Pv. 13.16). O homem sábio é poderoso e quem tem conhecimento aumenta sua força…" (Pv. 24.5, Bíblia Nova Versão Internacional). Outra peculiaridade é o fato do seu conteúdo ser prático, baseado em conceitos da vida cotidiana. Salomão era muito observador, e transformou suas experiências pessoais em conceitos simples para ajudar as gerações futuras nas mais diversas situações da vida cotidiana. Não foi em vão, pois, quando lhe fora dado o direito de pedir qualquer coisa, por Deus, pediu sabedoria… (1Rs 3.1-15).


O LIVRO DE PROVÉRBIOS

O LIVRO DE PROVÉRBIOS FOI ESCRITO EM 970-700AC.  A CHAVE PRINCIPAL DESSE LIVRO É: TEMER A DEUS E SABEDORIA. Prov. 1.7 ; 3.13.
O Livro de Provérbios trata da Sabedoria e do temor ao Senhor, é uma coleção de princípios universais da vida humana.