quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

I S A Í A S

I S A Í A S



O profeta Isaías, teria vivido entre 765 AC e 681 AC., durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe que sitiou a cidade com um exército de 185 mil assírios em 701 a.C
Isaías, cujo nome significa "Iahveh ajuda" ou "Iahveh é auxílio" exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.
O capítulo 6 do livro informa sobre o chamado de Isaías para tornar-se profeta através de uma visão do trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.
Focando em Jerusalém, a profecia de Isaías, em sua primeira metade, transmite mensagens de punição e juízo para os pecados de Israel, Judá e das nações vizinhas, tratando de alguns eventos ocorridos durante o reinado de Ezequias, o que se verifica até o final do capítulo 39.
A outra metade do livro (do capítulo 40 ao final) contém palavras de perdão, conforto e esperança.
Pode-se afirmar que Isaías é o profeta quem mais fala sobre a vinda do Messias, descrevendo-o ao mesmo tempo como um "servo sofredor" que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça. Por isso, um dos capítulos mais marcantes do livro seria o de número 53 que menciona o martírio que aguardava o Messias:
"Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados". (Is 53:5)
Segundo um livro apócrifo do século I DC, Vidas dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina, o rei Manassés teria mandado serrar Isaías ao meio.  

CONTRA A FALSA RELIGIÃO
Na época de Isaías, as pessoas frequentavam o Templo, mas para o profeta isso não basta, pois, encher o Templo com iniquidade e solenidade é um erro enorme (1:10-20), isso porque as pessoas que levam oferendas para Deus são as mesmas que não se importam em fazer o direito (mishpât) funcionar, que não fazem justiça ao desprotegido órfão e à abandonada viúva. Isaías, em um dos textos proféticos mais violentos contra um culto que funciona só para mascarar as injustiças que se cometem no dia a dia, pede aos príncipes de Sodoma e ao povo de - na verdade, de Jerusalém - para ouvirem a palavra de Deus.
10 Escutem a palavra de Jeová, chefes de Sodoma; preste atenção ao ensinamento do nosso Deus, ó povo de Gomorra:
11 Que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios? - diz Jeová. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos.
12 Quando vocês vêm à minha presença e pisam meus átrios, quem exige algo da mão de vocês?
13 Parem de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembleias… não suporto injustiça junto com solenidade. (1:10-13).
16 Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista as maldades que vocês praticam. Parem de fazer o mal,
17 aprendam a fazer o bem: busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. (1:16-17)


CRÍTICA À INJUSTIÇA SOCIAL
O profeta denuncia o comportamento dos ricos e latifundiários, dos que vivem em grandes festas custeadas pelo trabalho dos pobres, dos que exploram o povo negando-lhe a justiça e dos que se fazem grandes e importantes vivendo em grandes banquetes (5:8-24).
Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e sejam os únicos a habitarem no meio do país. (5:8)
Nesse aspecto destaca-se sua semelhança com o profeta Amós, até porque eles são quase contemporâneos: Amós é de 760 AC e Isaías inicia sua atividade em 740 AC. A problemática social era a mesma para ambos, embora Amós fosse um camponês e Isaías um homem culto ligado a corte, ambos atacam os grupos dominantes da sociedade: autoridades, magistrados, latifundiários, políticos.
Isaías é duro e irônico com as damas da classe alta de Jerusalém (3:16-24), assim como Amós o fora com as madames de Samaria em Am. 4:1-3, além disso Isaías defende, com paixão, órfãos, viúvas, oprimidos, o povo explorado e desgovernado pelos governantes, denuncia igualmente a máscara da religião que encobre a injustiça (1:10-20), do mesmo modo que Amós em (2:6-16), (4:4-5) e 5:21-27.

ÉPOCA DE ACAZ
Nessa época ocorreu uma grande crise política e militar em Judá provocada pelo crescente ameaçado Império Assírio e pelos muitos erros do governo de Judá. Era o tempo da política expansionista do rei Teglat Falasar III, iniciada em 745 AC, que implicava numa grave ameaça para os pequenos reinos da região, Israel Setentrional, Damasco e outros da região tornaram-se tributários da Assíria. Golpes de Estado em Israel, alianças contra ou a favor da Assíria faziam parte da política internacional da época.
Facéia, um rei golpista, de Israel, fez uma aliança com o Damasco e ambos decidiram invadir Judá derrubar Acáz e colocar um estrangeiro em seu lugar, para usar o reino do sul numa coalizão militar contra a Assíria, trata-se da Guerra Siro-Efraimita iniciada em 734 AC. Acaz pede o auxílio da Assíria e Teglat Falasar III tomou Damasco e 3/4 de Israel, restando apenas a Samaria que, posteriormente (em 722 AC), foi tomada pelas tropas assírias de Salmanazar e de Sargão II.
Como preço pelo auxílio da Assíria, Judá perdeu sua independência Acaz viu-se obrigado a reconhecer os deuses assírios como seus libertadores e a prestar-lhes culto, apresentar-se a Teglat Falazar III para prestar-lhe obediência e pagar pesados tributos, o que resultou num aumento os impostos pagos pelo povo, aumentando as injustiças que antes já eram denunciadas por Isaías. Nesse contexto, a religião oficial procurava encobrir os problemas com grandes festas.


ESPERANÇA EM EZEQUIAS
Alguns teólogos denominam a parte do Livro de Isaías compreendida entre o início do cap. 7 até o sexto vers. do cap. 12 (7:1-12:6) como Livro do Emanuel (7:14), estima-se que essa parte da obra foi escrita e, portanto, deve ser interpretada no contexto da Guerra Siro-Efraimita e da consequente dependência da Assíria. São seis capítulos organizados pelo redator do livro de Isaías em torno de três temas:
os sinais, como o do menino que vai nascer (7:14-15);
o binômio invasão/libertação, que aparece em vários textos;
o significado de nomes próprios.
O início do cap. 7 (7:1-17) revela a esperança de Isaías em Ezequias. É um texto que deve ser lido considerando-se a existência de dois blocos distintos:
 O primeiro bloco (7:1-9), relata o encontro de Isaías com Acaz, às vésperas da Guerra Siro-Efraimita, em 734 ou 733 AC. Quando os reis de Damasco e de Samaria  planejam invadir Judá para depor Acaz e no seu lugar colocar um rei não-davídico - o filho deTabeel - que envolveria o país na coalizão contra o Império Assírio, Isaías vai ao encontro de Acaz, que está cuidando das defesas de Jerusalém.
O segundo bloco (7:10-17) relata novo encontro de Isaías com Acaz, desta vez, talvez, no palácio, no qual o profeta oferece ao rei um sinal de que tudo se arranjará diante da ameaça Siro-Efraemita. Com a recusa do rei em pedir um sinal a Iahweh, Isaías muda de tom e relata a Acaz que Iahweh, por própria iniciativa, dar-lhe-á um sinal, que consiste no seguinte: a jovem mulher dará à luz um filho, seu nome será Emanuel (Deus-conosco) e ele comerá coalhada e mel até que chegue ao uso da razão.
É razoável concluir que a jovem mulher seja jovem rainha, mãe de Ezequias, considerando-se que Isaías falou a Acaz nos primeiros meses de 733 AC, e Ezequias teria nascido no inverno de 733-32 AC.
Isaías volta a falar de Ezequias no início do cap. 9 (8:23b-9:6), pois este início de capítulo deve ser compreendido em conjunto com o final do cap. 8, no qual menciona as três regiões de Israel conquistadas entre 734 e 732 AC por Teglat-Falazar III, que são: Zabulon (caminho do mar), Neftali (o além-Jordão) e a Galileia (o território das nações). Isaías fala destas regiões para despertar a esperança: Iahweh, que humilhou estas terras, as cobrirá de glória. E o povo, que vivia nas trevas e na tristeza, viverá na luz e na alegria. Uma alegria enorme, que é causada pelo fim da opressão (o jugo, a canga e o bastão do opressor foram quebrados), pelo fim da guerra (a bota e o uniforme militar foram queimados) e, principalmente, pelo nascimento de um menino em Judá.
Este menino é um personagem da casa real, de acordo com os quatro títulos que lhe são atribuídos em 9:5, títulos que parecem ser características sobre-humanas e messiânicas, mas que podem caber bem aos reis, segundo a mentalidade da época: a sabedoria do rei na administração (Conselheiro), sua capacidade militar (Deus-forte), zelo pela prosperidade do povo (Pai), preocupação com a felicidade do povo (Príncipe-da-paz), além disso, 9:6 esclarece que este menino é da "casa de David" e caracteriza suas ações: governará com direito e justiça, e, por isso, deve tratar-se de Ezequias.
Isaías volta a referir-se a Ezequias no início do cap. 11 (11:1-9), pois o ponto de referência do profeta continua sendo um rei da época, descendente de David que salvaria o país da catástrofe. O texto fala de um personagem régio (11:1), de suas qualidades (11:2), de sua atuação (11:3b-5), da instauração de uma nova realidade (11:6-8) para concluir que então haverá em Israel conhecimento de Iahweh.
Este personagem esperado, fiel a Iahweh vai instaurar um reino de justiça e paz, onde o pobre e o oprimido serão protegidos contra a prepotência dos poderosos. Justiça e paz que são simbolizadas, no poema, pela convivência harmoniosa de animais selvagens e domésticos. A identificação deste personagem da família davidica é problemática. Alguns acreditam que o poema trata da utopia profética de Isaías por ocasião da coroação de Ezequias como rei em 716 ou 715 AC. Outros defendem que se Ezequias fora o objeto da esperança de Isaías de tirar o país da crise, como aparece em 7:1-17 e 8:23b-9:6, agora, decepcionado com sua política pró-egípcia que acaba provocando a invasão do assírio Senaqueribe, pensa em alguém que no futuro possa resgatar Israel.
Ezequias tomou posse como rei em em 716 ou 715 AC, após a morte de seu pai Acaz, e aproveitou a pouca vigilância assíria para fazer uma reforma em Judá. Foi uma reforma religiosa, social e econômica, na qual defendeu os artesãos dos exploradores, com a criação de associações profissionais, retirou do Templo de Jerusalém os símbolos idolátricos e construiu um novo bairro em Jerusalém, para abrigar os refugiados de Israel. Entretanto, em 701 AC, Senaqueribe destruiu 46 cidades fortificadas de Judá e sitiou Jerusalém.


CONTROVÉRSIAS SOBRE A AUTORIA DO LIVRO E SUA UNIDADE
Embora a teologia tradicional judaico-cristã defenda a existência de um único autor, respaldada por Eclesiásticos 48:24-25, existem fortes evidências de que o livro foi obra de mais de um autor, merecendo destaque o início do capítulo 40, onde se verifica a descontinuidade entre o Primeiro e o Segundo Isaías, pois ocorre uma mudança abrupta do século VIII AC para o período do Exílio na Babilônia (século VI AC), não se fala mais uma única vez de Isaías e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com frequência, assim como o nome de Ciro II, rei dos medos e persas. Havendo estudos que indicam que dos 66 capítulos do livro, menos de 20 foram escritos pelo profeta do século VIII AC que viveu durante os governos dos reis Joatão (739-734 AC), Acaz (734 ou 733 - 716 AC) e Ezequias (716 ou 715 - 699 ou 698 AC), estando tais capítulos concentrados na primeira parte do livro, que engloba os caps. 1 a 39, também conhecida como Proto-Isaías ou Primeiro Isaías.
 Portanto, o livro de Isaías é uma coletânea de oráculos proféticos de épocas bem diferentes, cuja redação final deve ter acontecido por volta de 400 AC, ou mesmo mais posteriormente. Trezentos anos depois da morte de Isaías ainda se atualizavam suas palavras, pois mesmo os oráculos da época dele foram relidos na perspectiva pós-exílica. O horizonte de leitura do livro completo de Isaías é o da época persa e da comunidade judaica pós-exílica.
Portanto, de acordo com a teoria da crítica bíblica moderna, foram dois Isaías que escreveram o livro. O Proto-Isaías escreveu parte dos capítulos 1 a 39do Livro de Isaías. Ele admoestava Israel pelas convulsões sociais e pela sua política externa, pronunciou-se contra a ameaça dos Assírios e foi o primeiro a mencionar a espera de um Messias. De acordo com alguns teólogos, os capítulos 24 a 27 e 33 a 39 contêm dados adicionais posteriores.
Os capítulos 40-55 do livro de Isaías foram escritos por um profeta anônimo. A este anónimo costuma chamar-se de Dêutero-Isaías, para distingui-lo do primeiro. Ele viveu por volta de 550-539 a.C. e deu a sua consolação ao povo israelita que tinha sido feito prisioneiro e enviado para o Cativeiro Babilônico. Falava também num vassalo de Deus que iria trazer o povo de regresso a Israel.
Os capítulos 55-66 do Livro de Isaías são tidos por alguns pesquisadores modernos como acréscimos posteriores ao Dêutero-Isaías, que por volta de 1900, acreditou-se ser um terceiro autor (um terceiro Isaías), mas que, de acordo com a teoria, podem ter sido vários.
Porém, a teoria de um único Isaías é aceita pelos fundamentalistas, que encontram termos em comum nos três livros e consideram tais termos como prova de veracidade. Não aceitam imaginar que antes da invenção da escrita, os livros eram reproduzidos por copistas, e que eles os traduziam. Ora, se uma só pessoa cópia e traduz um texto, é natural que no fim ela consiga dar coerência aos textos.
Mesmo com pesadas críticas, a posição tradicional entre os teólogos e fundamentalistas é a de que o Livro de Isaías foi escrito por uma única pessoa entre 740 a 681 a.C. pelos seguintes motivos:
- - - Nos capítulos nas duas seções existem palavras que atestam sua unidade, como:
- -
"o Santo de Israel".
-
“… as vossas mãos estão cheias de sangue." (1:15; 59:3)
-
“… será a coroa de glória e o formoso diadema para os restantes de seu povo." (28:5; 62:3)
-
“… pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo."(35:6; 41:18)
- - - As mudanças no tema acontecem para preparar o leitor e fazer com que o mesmo entenda a mensagem. Norman Geisler explica:
- - "Os capítulos 1 a 39 preparam o leitor para as profecias contidas nos capítulos 40 a 66. Sem esses capítulos preparatórios, a última seção do livro não faria muito sentido.
Por outro lado, filólogos e historiadores, especializados na análise apropriada de textos e desprovidos de preconceitos religiosos, refutam cada uma dessas tentativas de defender a unicidade do livro, mantendo suas hipóteses acerca da tripla autoria do livro, que é a atual posição entre a maioria dos historiadores.



A QUESTÃO EM TORNO DE ISAÁS 40.22
Uma das passagens bíblicas que talvez tenham gerado mais controvérsias e problemas na História, atingindo crucialmente a questão do helicentrismo versus teocentrismo, é a passagem de Isaías 40:22.
Nesta passagem, algumas das traduções (inclusive as que estavam em vigor no tempo da Idade Média) era o de traduzir a palavra hebraica hhug por "círculo". Tal passagem acabou por gerar a interpretação de que a Terra teria a forma de um prato, ou um disco - a Versão Católica ainda traduz o termo como "disco",o que acabou por ser um dos motivos da oposição às viagens de Colombo quando este almejou encontrar as Índias contornando a Terra.
No entanto, de acordo com o livro de B. Davidson "A Concordance of the Hebrew and Chaldee Scriptures" (Concordância das Escrituras Hebraicas e Caldeias), a mesma palavra pode ainda ser traduzida por "esfera". Sob uma análise científica, tais termos levaram muitos a crer que esta passagem da Bíblia é uma amostra de sua falsidade, uma vez que hoje é tido como verdade científica comprovada que a Terra não é nem um prato, nem uma esfera, mas de formato geoide. No entanto, apesar de este fato científico anular a interpretação de que a superfície da terra é uma esfera ou círculo, não anula o termo por completo quando se muda o plano de referência, tomando a observação no espaço sideral como tal. Isto porque, quando vista do espaço, a Terra possui um desenho circular devido à atmosfera, e, se fosse considerar o formato completo, também pode ser observado como esfera.

COMO MORREU O PROFETA ISAÍAS
Na verdade não sabemos como Isaías terminou a sua vida, os livros sagrados da bíblia nada citam a respeito de sua morte. Apenas podemos imaginar que tenha morrido como todos os outros profetas enviados por Deus para denunciar os desvios do Povo a Javé. Isaías morreu angustiado vendo seus contemporâneos se afastarem de Deus e não escutarem a voz Divina, por ele proclamada.
Ainda preciso de confirmação do que está escrito no livro apócrifo a “vida dos Profetas, escrito no século I d.C, de autor anônimo judeu, que vivia na Palestina afirmando que o profeta Isaías prisioneiro do Rei Manasses, foi condenado a morte, de forma inglória: foi serrado ao meio.
Segundo os livros apócrifos, o profeta Isaías sendo encarcerado a mandato do Rei Manasses, (considerado um dos piores Reis de Israel, filho de Ezequias) recebe a condenação à morte de forma sangrenta e cruel. Segundo estes escritos apócrifos ele foi serrado ao meio.
Quanto a forma da "morte" não encontramos registros, esta informação é narrada na tradição rabínica, o informante coloca os detalhes da morte que teriam colocado o profeta Isaías dentro de um tronco de árvore e serrado ao meio. Entretanto, estas tradições narrativas tendem a não ser dignas de confiança.
As pesquisas continuam...
Aquilo que a literatura apócrifa apresenta no livro do século I d.C., Vidas dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina, estou ainda pesquisando, não localizei nas bibliotecas visitadas. Espero encontrar uma resposta mais aproximada da verdade de como terminou Isaías os seus dias, após cerca de 40 anos de atividade profética?



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

C A N T A R E S O U C Â N T IC O D O S C Â N T IC OS

O    L I V R O    D E    C A N T A R E S



O Cântico dos Cânticos, também chamado de Cantares, Cântico Superlativo (em hebraico: שִׁיר הַשִּׁירִים transl. Šîr HaŠîrîm; na Septuaginta Grega: ᾎσμα ᾎσμάτων, transl. Āisma Āismatōn; na Vulgata Latina: Cantĭcum Canticōrum) ou Cântico de Salomão é um livro do Antigo Testamento. No judaísmo, é um dos cinco rolos da última seção do tanakh, conhecida como Ketuvim ("Escritos").
É um dos Livros Poéticos do Velho Testamento, posterior ao Eclesiastes e anterior ao Livro da Sabedoria, na Bíblia católica e, na Bíblia protestante, antes de Isaias. Representa, em hebraico, uma fórmula de superlativo; significa o mais belo dos cânticos, Cântico por Excelência ou o cântico maior.
De acordo com o título em 1.1, o cântico dos cânticos foi escrito por Salomão, filho do Rei Davi. Pode-se dizer que é "de Salomão", pois a expressão hebraica "de Salomão" (1.1) pode ser traduzida "de" Salomão (como o seu autor) ou "para" Salomão (como a pessoa à qual o livro é dedicado). A opinião tradicional entre judeus é a de que Salomão foi o seu autor (Cf. 1Rs.4.32); para os católicos este livro pertence ao agrupamento dos Sapienciais, que condensam a sabedoria infundida por Deus no povo de Israel. Como pertence ao grupo dos sapienciais recebe como autor a figura simbólica de Salomão, o modelo da sabedoria em Israel. Tem sua escrita estimada por volta do ano 400 a.C, e constitui-se de uma coletânea de hinos núpciais.

Segundo a Edição Pastoral da Bíblia, o livro é uma coleção de cantos populares de amor, usados talvez em festas de casamento, em que noivo e noiva eram chamados de rei e rainha, que foram reunidos, formando uma espécie de drama poético, e atribuídos ao rei Salomão, reconhecido em Israel como patrono da literatura sapiencial. A forma final do livro, remonta ao século V ou IV AC.
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que seu autor certamente não é Salomão.  Cânticos dos Cânticos é um livro curto, com apenas oito capítulos. Apesar de sua brevidade, apresenta uma estrutura complexa que, por vezes, pode confundir o leitor. Diferentes personagens têm voz, ou falam, nesse poema lírico. Em muitas traduções da Bíblia, esses emissores alternam sua fala de modo inesperado, sem indicação ao leitor, dificultando, assim, sua leitura. Algumas versões, como a Almeida Revista e Atualizada e a Bíblia de Jerusalém, eliminam o problema com a indicação de quem está falando.
Os três participantes principais do poema são: O NOIVO, o Rei (1,4.12),(7) Salomão, isto é, "o Pacífico" (3,7.9); (2); A NOIVA, mulher mencionada como "Sulamita" (6.13), a Pacificada, aquela que encontrou a paz (8,10); e as "FILHAS DE JERUSALÉM " (2.7). Tais mulheres devem ter sido escravas da realeza que serviam como criadas da noiva do rei Salomão. No poema, servem como coro para ecoar os sentimentos da Sulamita, enfatizando seu amor e afeição pelo noivo.
Além dos personagens principais, são mencionados os irmãos da Sulamita (8.8-9), que devem ter sido seus meio-irmãos. O poema indica que ela trabalhava, por ordem dos irmãos, como "guarda de vinhas " (1.6).
Essa canção de amor divide-se praticamente em duas seções principais com mais ou menos o mesmo tamanho. O início do amor (cap. 1-4) e seu amadurecimento (cap. 5-8).
Por ser um poema escrito em uma linguagem considerada sensual, sua validade como texto bíblico já foi questionada ao longo dos tempos. O poema fala do amor entre o noivo e sua noiva. O nome de Deus só aparece nele de forma abreviada, em 8,6, "uma chama de Iah(weh)".
A interpretação alegórica, segundo a qual o amor de Deus por Israel e o do povo por seu Deus são representados como as relações entre dois esposos, tornou-se comum entre os judeus a partir do séc. II DC, tal interpretação tem paralelo no tema da alegria nupcial que os profetas desenvolveram a partir de Oséias.
Orígenes seguia essa mesma linha, mas via as núpcias de Cristo com a Igreja, ou a união mística da alma com Deus, São João da Cruz teria o mesmo entendimento.
 O poeta parece retomar a linguagem profética da aliança, como na expressão "procurar, encontrar" (3:1-2), além disso, a obra teria contatos com o Salmo 45.
Outros exegetas entendem que o livro celebra o amor mútuo e fiel, que sela o matrimônio abençoado por Deus.
Apesar de mostrar alguns vislumbres da corte de Jerusalém, o cenário campestre dá o tom do enredo. O autor faz alusões a jardins, árvores, flores, montanhas arborizadas, animais selvagens, vinhas e fontes. Os locais variam de En-Gedi e Jerusalém: “Como um cacho de Chipre nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. ” (1:14); “Formosa és, amiga minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras. ” (6:4), no Sul, até os montes Hermom: “Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos. ” (4:8) e Líbano: “O rei Salomão fez para si um palanque de madeira do Líbano. ” (3:9); “Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos. Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro das tuas vestes é como o cheiro do Líbano. És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano! ” (4:8,11,15), no Norte.




O   L I V R O    DE    C A N T A R E S   D E   S A L O M Ã O





               Cantares é uma Coleção de Poemas de Amor, em forma de canções para festas de casamentos, Jr.33.11. Em alguns Livros é chamado de O Cântico dos Cânticos ou Cântico de Salomão. Estas canções de amor tem sido muitas vezes interpretadas pelos judeus como um retrato de Deus como esposo do seu Povo, Oseias 2.16-20, e pelos cristãos, o relacionamento de Cristo com a sua Igreja, Apoc.21.2-9. Este Livro trata da pureza e santidade do casamento que foi instituído por Deus.
               O verdadeiro Amor permanece fiel, apesar de todas as dificuldades e tentações. Cantares é um poema religioso que simboliza o amor mútuo de Deus para conosco.






quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

E C L E S I A S T E S

O    L I V R O    D E    E C L E S I A S T E S



O livro de Eclesiastes faz parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia cristã e judaica, vem depois do Livro dos Provérbios e antes de Cântico dos Cânticos. O Livro tem seu nome emprestado da Septuaginta, e na Bíblia hebraica é chamado Kohelet (קהלת). Embora tenha seu significado considerado como incerto, a palavra tem sido traduzida para o português como pregador ou preletor. Faz parte dos escritos atribuídos tradicionalmente ao Rei Salomão, por narrar fatos que coincidiriam com aqueles de sua vida.
Por outro lado, Bíblia de Jerusalém sustenta que a atribuição a Salomão não passa de mera ficção literária do autor, a linguagem do livro, e sua doutrina, permitem concluir que foi escrito após o Exílio na Babilônia.
Muitos questionam a unicidade do autor, e defendido que foi escrito por duas, três, quatro e até oito mãos distintas.
O principal tema do livro é a vaidade das coisas humanas, dando a lição de desapego dos bens terrestres, negando a felicidade dos ricos e preparando o povo para entender que "bem-aventurados são os pobres" (Lc 6, 20).
Por sua vez, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que se trata de um livro profundamente crítico, lúcido e realista sobre a condição do povo, por volta do século III AC, quando a Palestina era então colônia da dinastia Macedônia dos Ptolomeus, ao qual devia pagar pesados tributos, que eram arrecadados pela família dos Tobíadas, que controlava o comércio, a economia e a política interna.
O autor escreveu durante esse tempo de exploração interna e externa, que não deixava esperanças de futuro melhor para o povo. Num mundo sem horizontes, ele fez um balanço sobre a condição humana, buscando apaixonadamente uma perspectiva de realização.
Para ensinar os caminhos para realizar a vida e a felicidade, o autor desmonta as ilusões que um determinado sistema de sociedade apresenta como ideal (riqueza, poder, ciência, prazeres, status social, trabalho para enriquecer etc.) e coloca uma pergunta fundamental: «Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? » (1,3).


Tudo é Vaidade (Ec 1:2)
Em vez de cair no desespero, o autor descobre duas grandes perspectivas: Primeiro, descobre Deus como Senhor absoluto do mundo e da história, devolvendo a Deus a realidade de ser Deus. Depois, descobre o Deus sempre presente, fazendo o dom concreto da vida para o homem, a cada instante e continuamente. Isso leva o homem a descobrir que a própria realização é viver intensamente o momento presente, percebendo-o como lugar de relação com o Deus que dá a vida. Intensamente vivido, o momento presente se torna experiência da eternidade, saciando a sede que o homem tem da vida. Todavia, para que se possa de fato viver o presente é preciso usufruir o fruto do próprio trabalho (2,10; 2,24; 3 ,13.22; 5,18-20; 9,9).
O Eclesiastes ou Coélet denuncia, portanto, as consequências de uma estrutura social injusta. O povo não tem presente, quando é impedido de usufruir do fruto do próprio trabalho. Consequentemente, fica sem vida, que lhe foi roubada não por esta ou aquela pessoa, mas por todo um sistema social dependente que, para privilegiar uma minoria, acaba espoliando a nação inteira. E aqui, o autor mostra que isso se trata, em primeiro lugar, de um pecado teológico: Deus dá a vida para todos; se ela é roubada, o roubo é um desvio na própria fonte da vida.

O Eclesiastes é convite para destruir e construir. Destruir uma falsa concepção a respeito de Deus e da vida, muitas vezes justificada por concepções teológicas profundamente arraigadas. Depois, construir uma nova concepção de vida, a vida que é um dom gratuito de Deus para que todos a partilhem com justiça e fraternidade. Só então todos poderão ter acesso à felicidade, que consiste em usufruir a vida presente que, intensamente vivida, é a própria eternidade. Como conclui o próprio pregador: "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mal". (Ecl 12:13-14).


O    L I V R O    D E    E C L E S I Á S T E S


            Eclesiastes é o Livro do Sábio, um homem que meditou profundamente sobre a vida humana, com suas injustiças e decepções, e concluiu que tudo é ilusão. É o livro do homem sem Deus, que descobre verdades consoladoras, que é “Temer a Deus e Obedecer aos seus Mandamentos” Ecles.12.13, pois foi para isso que fomos criados, pois a Ele iremos um dia prestar contas de tudo, seja para o bem ou para o mal.

            O Livro de Eclesiastes foi escrito em 970-700 AC, por Salomão, o qual também é chamado de “o Sábio ou o Pregador”. Salomão escreveu este livro no final de sua vida, no seu espírito em declínio, quando deixou por fim desiludido com os prazeres desta vida e o materialismo, como caminho da felicidade.
Eclesiastes reflete a busca da felicidade nesta vida à parte de Deus e sua Palavra. Salomão no seu vazio experimentou de tudo: Edificou, Colecionou Obras de Artes, Jogos, Filosofia, Ritualismo Religioso, mas nada adiantou, até que por fim em sua velhice reconheceu que o homem sem Deus não é nada, tudo nesta vida sem Deus é ilusão.
             Resumindo, o livro de  Eclesiastes são reflexões da vida, de nossos deveres  e obrigações perante Deus.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

P R O V É R B I O S

L I V R O    D E    P R O V É R B I O S



O livro de Provérbios é um dos Sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia, vem depois do Livro de Salmos e antes de Eclesiastes. Conforme declara a sua introdução, tem como propósito ensinar a alcançar sabedoria, a disciplina e uma vida prudente e a fazer o que é correto, justo e digno. Em suma, ensina a aplicar e fornecer instrução moral.
Provérbio é uma frase curta, bem construída, que expressa uma verdade adquirida através da experiência e que se impõe pela forma breve e pela agudez das observações. Os provérbios são ensinamentos deduzidos da experiência que o povo tem da vida, e sua finalidade é instruir, esclarecendo situações de perplexidade e fornecendo orientações para a vida humana, como as setas de uma estrada (1,1-7). O livro de provérbios é um livro que traz uma "coletânea de sentenças" e levou vários séculos para ser escrito. Shilomoch ou (Salomão), foi um dos autores deste precioso compendio. Mas a história nos apresenta outros autores tais quais, Agur, rei Lemuel, alguns sábios do rei Ezequias e outros sábios. (Enciclopédia judaica.Vol. 10-pág.221) O livro todo é um convite para valorizar não só a cultura popular, mas também, e principalmente, a percepção religiosa que o povo tem de uma Sabedoria que vem de Deus e é seu dom aos pequeninos; sabedoria que nem sempre é captada e compreendida pelos sábios e doutores (Mt 11,25).
O título do livro vem originalmente de sua forma hebraica Míshlê Shelomoh ("Provérbios de Salomão"). Como é comum na Bíblia Hebraica, o título hebraico do livro é simplesmente um conjunto de palavras do primeiro verso do livro. Na Septuaginta esse livro se chama Paroimiai, que significa "provérbios, parábolas". O Livro de Provérbios ocupa o terceiro lugar na ordem dos Hagiógrafos no Cânon Judaico, e foi um dos que foram discutidos no Sínodo de Jamnia. A tendência não era excluí-lo do Cânon Sagrado, mas da leitura pública, na sinagoga. A questão básica girava em torno de Pv. 26.4,5, pois alguns rabinos viam contradições nessas passagens; a conclusão deles é que o primeiro versículo diz respeito à Lei e o segundo fala sobre a vida secular.



CARACTERÍSTICAS DO LIVRO
A autoria do livro de Provérbios não é algo fácil de determinar. Contudo estudiosos apontam que foi Salomão aquele que escreveu a maior parte. Agur e Lemuel contribuíram nas últimas seções.
Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que não foram escritos por um único autor e não pertencem à mesma época. A maioria deles nasceu da experiência popular, que foi depois coletada, burilada e editada por sábios profissionais desde o tempo de Salomão (950 AC) até dois séculos depois do exílio (400 AC). Foram atribuídos ao rei Salomão por causa de sua fama de sábio (1Rs 3-5) mas, quando se observa atentamente os vários subtítulos que aparecem no livro, pode-se facilmente distinguir nove coleções, provindas de tempos e mãos diferentes.
A Bíblia de Jerusalém sustenta que o livro se formou em torno de duas coleções principais "Provérbio de Salomão " (10:1-22:16), com 375 sentenças, e Provérbios de Salomão transcritos de pelos homens de Ezequias " (caps. 25 a 29), com 128 sentenças, precedidos por uma longa introdução (caps. 1 a 9). Além disso duas pequenas coleções (22:17-24:22 e 24:23-24) foram juntadas como apêndices da primeira coleção principal, e três outras pequenas coleções (Palavras de Agur 30:1-14, provérbios numéricos 30:15-33, as palavras de Lamuel 31:1-9) e um poema alfabético que louva a mulher perfeita 31:10-31 foram juntadas como apêndices da segunda coleção principal.
Os nomes dos dois sábios árabes (Agur e Lamuel) são fictícios e não pertencem a personagens reais, mas atestam o valor que se dava à sabedoria estrangeira.
Pode-se dizer com segurança que os caps. 10 a 29 são anteriores ao Exílio da Babilônia, enquanto que a introdução é posterior ao exílio, provavelmente escrita no séc. V AC.
Nas duas coleções principais predomina uma sabedoria humana e profana que desconcerta o leitor cristão.



FORMAS LITERÁRIAS
Podemos encontrar diversas formas literárias no livro de provérbios: poemas, pequenas parábolas, lições de vida. Entre as figuras literárias mais comuns, podemos citar as antíteses, as comparações e personificações.

CARACTERÍSTICAS ADICIONAIS

O livro de Provérbios também é considerado um livro poético, assim como, filosófico, que juntamente com o livro de Jó e Eclesiastes formam os três livros filosóficos da Bíblia. "Todo homem prudente age com base no conhecimento" (Pv. 13.16). O homem sábio é poderoso e quem tem conhecimento aumenta sua força…" (Pv. 24.5, Bíblia Nova Versão Internacional). Outra peculiaridade é o fato do seu conteúdo ser prático, baseado em conceitos da vida cotidiana. Salomão era muito observador, e transformou suas experiências pessoais em conceitos simples para ajudar as gerações futuras nas mais diversas situações da vida cotidiana. Não foi em vão, pois, quando lhe fora dado o direito de pedir qualquer coisa, por Deus, pediu sabedoria… (1Rs 3.1-15).


O LIVRO DE PROVÉRBIOS

O LIVRO DE PROVÉRBIOS FOI ESCRITO EM 970-700AC.  A CHAVE PRINCIPAL DESSE LIVRO É: TEMER A DEUS E SABEDORIA. Prov. 1.7 ; 3.13.
O Livro de Provérbios trata da Sabedoria e do temor ao Senhor, é uma coleção de princípios universais da vida humana.
        


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

S A L M O S

L I V R O    D E    S A L M O S


 






SALMOS (do grego ΨαλμόςMúsica, pois a palavra que intitula muitos salmos no texto hebraico é Mizmor מזמורMúsical) ou Tehilim (do hebraico תהיליםLouvores) é um livro do Tanakh (fazendo parte dos escritos ou ketuvim) e da Bíblia Cristã, vem depois do Livro de Jó, pois este encerra a sequência (AO 1943: seqüência) de livros históricos, e antes do Livro de Provérbios, iniciando os livros proféticos e poéticos em ordem cronológica, sendo o primeiro livro a falar claramente do Messias (ou Cristo) e seu reinado, e do Juízo Final. É o maior livro de toda Bíblia e constitui-se de 150 (ou 151 segundo a Igreja Ortodoxa), cânticos e poemas proféticos, que são o coração do Antigo Testamento, é a grande síntese que reúne todos os temas e estilos dessa parte da Bíblia, utilizados pelo antigo Israel como hinário no Templo de Jerusalém, e hoje são utilizados como orações ou louvores, no Judaísmo, no Cristianismo e também no Islamismo (o Corão no cap. 17, verso 82, refere os salmos como "um bálsamo"). Tal fato, comum aos três monoteísmos semitas, não tem paralelo, dado que judeus cristãos e muçulmanos acreditam nos Salmos que foram escritos em hebraico, depois traduzidos para o grego e latim.



Origens
A autoria da maioria dos salmos é atribuída ao rei Davi, o qual teria escrito pelo menos 73 poemas. Asafe é considerado o autor de 12 salmos. Os filhos de Corá escreveram uns nove e o rei Salomão ao menos dois. Hemã, com os filhos de Corá, bem como Etã e Moisés, escreveram no mínimo um cada. Todavia, 51 salmos seriam tidos de autoria anônima.
O período em que os salmos foram compostos varia muito, representando um lapso temporal de aproximadamente um milênio, desde a data aproximada de 1440 a.C, quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro babilônico, sendo que muitas vezes esses poemas permitem traçar um paralelo com os acontecimentos históricos, principalmente com a vida de Davi, quando, por exemplo, havia fugido da perseguição promovida pelo Rei Saul (Salmos 18, 52, 54) e de seu próprio filho Absalão (Salmo 3) ou quanto ao arrependimento pelo seu pecado com Bate-Seba (Salmo 51).
Poemas de louvor, os salmos foram inicialmente transmitidos através da tradição oral e a fixação por escrito teve lugar, sobretudo através do movimento de recolha das tradições israelitas, iniciado no exílio babilônico pelo Profeta Ezequiel (séculos VII-VI a.C.). Como tal, muitos destes textos são muito anteriores, sendo bastante difícil a sua crítica do ponto de vista literário estritos. Ainda assim, tendo em conta a comparação com a literatura poética coeva do Egito, da Assíria e da Babilônia, pode-se afirmar que estes poemas de Israel são um dos expoentes da poesia universal.
Os salmos, em termos de conteúdo, possuem estrutura coerente, o que também pode ser observado em passagens do Antigo Testamento e em obras literárias do Oriente Médio da Antiguidade.
Tal como em outras tradições culturais, também a poesia hebraica andava estreitamente associada à música. Assim, embora não seja de se excluir para os salmos a possível recitação em forma de leitura, "todavia, dado o seu gênero literário, com razão são designados em hebraico pelo termo Tehillim, isto é, «cânticos de louvor», e, em gregopsalmói, ou seja, «cânticos acompanhados ao som do saltério », ou ainda: oração cantada e acompanhada com instrumentos musicais.
De fato, todos os salmos possuem um certo caráter musical, que determina o modo como devem ser executados. E assim, mesmo quando o salmo é recitado sem canto, ou até individualmente ou em silêncio, a sua recitação terá de conservar este caráter musical
Os salmos acabaram por constituir um hinário litúrgico para uso no templo de Jerusalém, do qual transitaram quer para a sinagoga judaica, quer para as liturgias cristãs.

Na Igreja Católica, os 150 salmos formam o núcleo da oração cotidiana: a chamam Liturgia das Horas, também conhecida por Ofício Divino e cuja organização remonta a São Bento de Núrcia. A oração conhecida por rosário, com as suas 150 Ave Marias, formou-se por analogia com os 150 salmos do Ofício. Outra forma muito popular é organizar listas de Salmos por finalidade, isto é, salmos para serem rezados em determinadas ocasiões como festas, doenças, colheitas ou funerais. Historicamente, a primeira destas listas foi organizada a partir da prática de Santo Arsênio da Capadócia, que rezava um salmo como uma oração com certas finalidades.
Os salmos são também poesia, que é a forma mais apropriada para expressar os sentimentos diante da realidade da vida permeada pelo mistério de Deus, o aliado que se compromete com o homem para com ele construir a história. É Deus participando da luta pela vida e liberdade. Dessa forma, os salmos convidam para que também nós nos voltemos com atenção para a vida e a história. Nelas descobrimos o Deus sempre presente e disposto a se aliar, para caminhar na luta pela construção do mundo novo.
Os salmos supõem o contexto maior de uma fé que nasce da história e constrói história. Seu ponto de partida é o Deus libertador que ouve o clamor do povo e se torna presente, dando eficácia à sua luta pela liberdade e vida (Ex 3,7-8). Por isso, os salmos são as orações que manifestam a fé que os pobres e oprimidos têm no Deus aliado. Como esse Deus não aprova a situação dos desfavorecidos, o povo tem a ousadia de reivindicar seus direitos, denunciar a injustiça, resistir aos poderosos e até mesmo questionar o próprio Deus. São orações que nos conscientizam e engajam na luta dentro dos conflitos, sem dar espaço para o pieguismo, o individualismo ou a alienação.
O livro dos Salmos é um dos mais citados pelos escritores do Novo Testamento. O próprio Jesus orava os salmos, e sua vida e ação trouxeram significado pleno para o sentido que essas orações já possuíam. Depois dele, os salmos se tornaram a oração do novo povo de Deus, comprometido com Jesus Cristo para a transformação do mundo, em vista da construção do Reino.
Vários salmos são considerados pelos teólogos como proféticos ou messiânicos, pois referem-se à vinda do Cristo e, por isso, existem muitas citações de versos dos salmistas no Novo Testamento com o propósito de provar o cumprimento das profecias na pessoa de Jesus.
O Salmo 150 constituiria uma doxologia, ou arremate de louvor do livro. 

Variações entre as Traduções
O livro dos Salmos chegou até nós em sua versão grega (Septuaginta) e hebraica. A versão grega deste livro, como de toda a bíblia, foi utilizada pelos cristãos convertidos e por São Jerônimo na confecção de sua edição “Vulgata", tradução latina dos livros inspirados. Na Reforma Protestante é que se buscaram os manuscritos originais hebraicos para fazer novas traduções e foi constatada a diferença que havia entre as duas traduções: as versões, apesar de terem o texto completo, diferem na numeração de capítulos e versículos.
Versículos
A versão grega costuma apresentar, na maioria dos salmos, um versículo de introdução, em que são atribuídas autorias e apontados instrumentos que deveriam ser utilizados ao se cantar os textos. Este versículo faz com que a versão hebraica tenha, nesses casos, um versículo a menos, uma vez que essas informações não são consideradas inspiradas por essa versão.
Capítulos
Em suma, pode-se dizer que entre os Salmos 10 e 148, a numeração da Bíblia Hebraica está uma unidade à frente da numeração seguida na Septuaginta e na Vulgata, que juntam: os Salmos 9 e 10 no Salmo 9 (da Septuaginta/Vulgata), e, os Salmos 114 e 115 no Salmo 113 (da Septuaginta/Vulgata); e dividem: o Salmo 116 nos Salmos 114 e 115 (da Septuaginta/Vulgata), e, o o Salmo 147 nos Salmos 146 e 148
(da Septuaginta/Vulgata).
Veja a tabela abaixo: .
Texto hebraico
  Texto grego
1 a 8
  1 a 8
9 e 10
  9
11 a 113
  10 a 112
114 e 115
  113
116
  114 e 115
117 a 146
  116 a 145
147
  146 e 147
148 a 150
  148 a 150
Aplicação
No Judaísmo e o Protestantismo, a numeração usada sempre foi a hebraica.
A Igreja Católica, considerando oficial a tradução da "Vulgata", por muito tempo usou a numeração grega em suas bíblias. Porém, estudiosos consideram essa numeração errada, uma vez que certos salmos, que parecem ser um só, estão separados, enquanto outros, de assuntos bem diferentes, estão juntos. Vendo que a Vulgata era falha ao se basear somente num texto (Septuaginta), e no ínterim de novas descobertas das Escrituras (Manuscritos do Mar Morto), a Igreja permitiu a tradução das Escrituras diretamente dos originais (Constituição Dogmática Dei Verbum) e promoveu uma nova tradução e revisão da Bíblia (Neovulgata), que, desta vez, trouxe a numeração dos salmos a partir da versão hebraica, mas não resolveu a questão dos versículos introdutórios. A despeito desta nova tradução católica, é possível encontrar bíblias católicas que ainda se baseiam na Vulgata, por seu tradicionalismo, como é o caso da bíblia da Editora Ave Maria.

Salmos Proféticos
O Salmo 91 e muitos outros são considerados proféticos ou messiânicos pela Teologia cristã, pois apontam para a vinda do Messias, sendo com frequência citados no Novo Testamento da Bíblia com o objetivo de identificar Jesus Cristo como o cumpridor da promessa.
No Salmo 2, que fala do reinado do Ungido de Deus, verificam-se algumas citações no livro de Atos e na Epístolas aos Hebreus.
Já o Salmo 8 que fala da glória divina e da dignidade do Filho do Homem é citado no Evangelho de Mateus, bem como em algumas epístolas de Paulo.
Por sua vez, o Salmo 16 é uma referência à ressurreição de Cristo em seu verso 10, quando Davi assim profetiza:
"Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção."
Por sua vez, o Salmo 22 fala do sofrimento e da vitória do Messias que se entende cumprido na crucificação de Jesus, principalmente devido aos versos 7 e 18 que, respectivamente, coincidem com a zombaria experimentada durante o martírio e a repartição das vestes pelos soldados.
Todos esses salmos foram proferidos pelo rei Davi, que teria governado Israel um milênio antes do ministério de Jesus.
Importante destacar que tais salmos referem-se à numeração da Bíblia protestante, o que deve ser observado pelo leitor ao consultar a Bíblia católica, cujo conteúdo é o mesmo.



Os Salmos e a História de Davi
Vários salmos relacionam-se com os acontecimentos que marcaram a vida do rei Davi.
O Salmo 59 tem a ver com a ocasião em que Saul teria enviado homens à casa de Davi para prendê-lo. Já os Salmos 34 e 56 referem-se à sua fuga de Saul. Por sua vez, o Salmo 142 foi composto quando David encontrava-se escondido na caverna de Adulão, na região do Mar Morto.
Ao terminar a perseguição de Saul, Davi compõe o Salmo 18, ressaltando a fidelidade de Deus.
Quando é confrontado pelo Profeta Natã sobre o seu adultério com Bate-Seba e a morte de Urias, Davi compõe o Salmo 51, demonstrando o seu verdadeiro arrependimento.
Novamente ao ser perseguido, agora por seu filho Absalão, Davi ainda escreve os Salmos 3 e 7, o que revela sua confiança no livramento de Deus.
Além destes citados acima, outros Salmos que se relacionam com passagens da vida de Davi seriam o 52 (depois que Doengue assassinou os 85 sacerdotes e suas famílias), o 54 (quando os zifeus tentaram traí-lo), o 57 (enquanto se escondia em uma caverna) e o 63 (enquanto escondia-se no deserto de En-Gedi).
Importante alertar novamente que tais Salmos referem-se à numeração da Bíblia protestante, o que deve ser observado pelo leitor ao consultar a Bíblia católica, cujo conteúdo permanece o mesmo.

O tratamento musical dos Salmos na Liturgia Cristã
A história do canto do salmo na liturgia cristã corre paralela à história da liturgia, da música e das Igrejas cristãs. Após o desenvolvimento do salmo responsorial no século IV, a função do salmista acaba por se transformar num ministério próprio, mais tarde incluído até no clero local. No entanto, este ministério acaba por cair em desuso com a especialização crescente dos cantores e com a instituição das scholae, ao mesmo tempo em que a participação do povo se reduz.
Na missa, o salmo vê-se limitado a um único versículo, nas versões extraordinariamente elaboradas do gradualgregoriano, assim chamado por ser cantado dos degraus do altar. No Ofício Divino, o canto dos salmos recebe também o desvelo de gerações de compositores, que expressamente compõem algumas das obras-primas da música ocidental, em particular para o solene canto de Vésperas, como, por exemplo, Vespro della Beata Vergine Maria, de 1610, de Claudio Monteverdi, ou as Vesperae Solennes de Confessore, KV 339, de Wolfgang Amadeus Mozard), mas onde muitas vezes, na prática, a oração cede lugar ao concerto.

Na Igreja Católica, o moto proprio Tra le Solecitudine de 1903, do Papa Pio X, exclui da liturgia os salmos "de concerto". Após o Concílio Vaticano II, é restaurado o salmo responsorial na missa, através da Instrução Geral do Missal Romano de 1969.